Sete - Dupla do caos

— O que você estava na cabeça, Jauregui?

É a primeira coisa que Camila diz quando chega perto o suficiente de Lauren. O ar que a jogadora prendia saiu de uma só vez, pelo menos ela não tinha tomado um soco. Lauren podia jurar que pela expressão de Camila, isso era uma vitória.

— Você enlouqueceu?

— Camila, eu-

— Cale-se! – Ordenou com um rosnado. – Dê um jeito de resolver isso agora. 

Pelo cantinho dos seus olhos, Lauren pode ver que a maioria das pessoas que saim das suas salas paravam no corredor para observar o embate. Muitos com seus celulares em mãos. Sem parar pensar muito, Lauren segurou Camila pelo braço, arrastando a cubana que se debatia pra longe dos olhos dos curiosos.

Só pararam quando Lauren soltou Camila, já dentro da sala de vídeo. Figuras históricas estão coladas na parede, com os olhos grudados na conversa entre as duas, pelo menos eles não podiam contar boatos.

— Eu não queria mais plateia. – Explicou-se.

— Que irônico, porque pelo que me consta, você ama chamar atenção.

A jogadora viu seu ego ser ferido por Camila. Já não bastava gritar com ela na frente de todos, mas sugerir que ela era alguém que gostava de atenção era além do que sua paciência podia suportar.

— Escute aqui, Camila. – Seu olhar mudou imediatamente. – Eu não tenho nada a ver com isso, eu não me importo com o que você pensa sobre mim, mas vamos deixar as coisas bem claras. Eu não tenho culpa que o seu curso idiota foi cancelado, eu não tenho culpa se essa jornalista lunática inventou boatos, esqueça essa obsessão por mim e simplesmente me ignore. Quer saber o que eu fiz? Pedi apenas que Dax Mulligan ficasse longe de você e do meu irmão.

— Eu não preciso de uma heroína, Lauren. Sei me cuidar muito bem, e se fez isso com segundas intenções, sinto em lhe dizer, mas não vai funcionar.

— Você está brincando comigo? Não se valorize demais, Cabello. Eu estava tentando ajudar, não arrumar um encontro com você em troca disso. – Ela sorriu irônica. – Você nem ao menos faz meu tipo.

Sua fala foi só pra provocar a cubana. Camila obviamente fazia seu tipo. Lauren tinha percebido antes de qualquer coisa, como Camila tinha ficado gostosa dentro de jeans skinny escuro e um pequeno top rosa que fazia seus peitos forçarem a blusa levemente pra frente. Como uma amostra grátis que você pode apenas ver, e nunca tocar.

Camila ergueu uma sobrancelha claramente surpresa e até ofendida.

— Fico feliz em saber disso. – Retrucou. – Não tem mais nenhum motivo pra ficar me perseguindo e querendo bancar a mulher maravilha.

— Ótimo, então estamos em um acordo?

— Estamos. – Camila concordou dando um passo para trás. – Não se aproxime de mim, e nem eu irei me aproximar de você.

Jauregui deu uma última olhada em Camila, antes de mover-se até a porta e dar passagem a cubana. Deram de cara com uma pequena concentração de alunos que tinham seguido as duas até ali. Tá de brincadeira!

— Saiam da minha frente, abutres! – Camila rosnou abrindo caminho entre os colegas, usando seu beeem extenso dicionário de xingamentos em inglês e espanhol.

Lauren ficou parada observando. Ela nunca quis nada daquilo. E só havia um jeito de terminar a boataria:

— Camila e eu não temos absolutamente nada. – Ela disse em um tom tão alto que foi possível ouvir nas escadas. – Não era isso que vocês queriam saber? Não passa de uma mentira. Agora arrumem algo pra fazer! Vivam suas vidas eu não sei...

Alycia parou na sua frente, mascando seu chiclete de maneira despretensiosa. Lauren às vezes tinha inveja da aura quase intransponível da sua prima.

— Parabéns, agora você deu a eles o direito de pensar que merecem uma satisfação. – Alycia ironizou.

— Eu só preciso que eles parem de falar disso.

— A ideia de arrastar Camila pra uma sala vazia não foi muito brilhante então. – Seu sarcasmo fez Lauren fechar os olhos irritada. – Vocês parecem um casal. Uma semana, Lauren? Parece que não podem ir mais longe, o que falta? Um beijo? 

— Isso nunca vai acontecer!

— Que pena. – Alycia fez um biquinho. – Eu realmente estava começando a shippar, camren. – As sobrancelhas escuras da capitã ergueram-se quando ouviu aquele nome pela primeira vez.

— Que diabos é isso?

— O seu shipp, Camila mais Lauren, igual a camren. – A prima explicou, enquanto mostrava a tela do se celular para Lauren, onde a nota sobre o "relacionamento" entre elas estava cheio de comentários com a palavra Camren. 

— Que idiotice...

— Qual é? Não seja chata. É fofo, tipo Brangelina, e Larry. – Sua prima continuava se divertindo, mas mudou o tom pra mais sério quando viu que Lauren parecia a ponto de explodir. – Calma, Michelle, eles vão esquecer isso rapidamente. Moda pega e morre, camren vai sumir tão rápido quanto surgiu, sua namorada colombiana vai esquecer isso e vocês vão voltar a ser o casal mais chato de toda Califórnia.

— Lucy. – Lauren deu um tapa na testa. – Eu preciso conversar com ela.

— Depois, você tem aula agora.

— Eu preciso conversar com ela agora, Alycia!

A loira rolou os olhos, precisava de toda paciência do mundo com a prima.

— Ok.

Lauren pulou dois degraus da escada de acesso ao segundo andar com pressa. Não podia estragar tudo com Lucy por causa de um boato. Por sorte, encontrou a colombiana sentada em um dos últimos banquinho do lado de dentro do prédio. A movimentação de alunos tinha diminuído quase que 90% entre os corredores e apenas o zumbido da máquina de cortar grama pairava sobre o vento.

Lauren se aproximou com cautela e decidiu que era melhor falar de uma vez:

— Eu te devo desculpas, por ter te exposto dessa maneira. – A colombiana continuou em silêncio com o olhar fixo em outra coisa. – Lucy, Cabello e eu não temos absolutamente nenhum tipo de envolvimento. Ela ajudou minha irmão, e eu a salvei de um castigo. Sei que não deveria ter ocultado isso de você, só não queria dar mais munição pra sua rivalidade com ela, o que não acabou dando muito certo, já que só conseguir piorar. Eu sinto muito.

Lucy virou-se enfim pra namorada, os olhos ainda vermelhos pelas lágrimas.

— Eu acredito em você. – Ela suspirou e Lauren suspirou aliviada. – Mas só que a ideia de você tocando naquela garota, ainda que seja uma coisa abstrata, me deixou cega de raiva. Camila é minha pedra no sapato, Lauren. Ela inveja tudo que eu conquisto desde quando eramos pequenas. Me odeia simplesmente por eu ser melhor que ela em tudo.

Lauren sorriu, apenas pra controlar a vontade de rebater as palavras de Lucy. Ela não conhecia Camila a muitos dias, e a cubana podia ter muitos defeitos, mas invejosa não era um dos. Por outro lado, ela não podia nem sonhar em dizer algo assim a Lucy.

— Eu entendo. – Murmurou.

— Prometa que você vai ficar longe de Camila Cabello...

Lauren mordeu a parte interna da bochecha, ela faria o que Lucy pedisse naquele momento.

— Eu prometo. Vou me manter distante dela. – Vives sorriu satisfeita, era exatamente isso que ela queria. – Agora me dê um beijo...

— Se ficar longe dela, tera muito mais que beijo.

A turma de literatura estava em silêncio quando Lauren entrou, quase vinte minutos depois do sino ter tocado, ela era só sorrisos e olhares confiantes segurando as mãos de Lucy Vives, que parecia igualmente relaxada. Camila ergueu uma das sobrancelhas. Elas que fundissem até se tornar uma bola de ego, mas a presença de Lucy naquela classe era algo altamente novo.

Anabethe Thompson estava explicando a classe sobre os três livros que iriam ler até o resto do ano, e para isso abriria uma votação.

Assim que Lauren entrou, com a mão entrelaçada com a de Lucy, a Sra Thompson congelou, separando ligeiramente seus lábios, os olhos mirando Lauren de cima a baixo reprovadoramente.

— Vinte minutos de atraso e você ainda trouxe uma convidada, Srt Jauregui? – Seu tom normalmente alegre foi substituído por algo frio e autoritário. – Acho que você sabe que até os atletas devem seguir o padrão de presença e respeitar os horários.

O sorriso de Lauren não desapareceu, mas ela fechou a cara quando a turma rompeu em sussurros infantis. Pelo canto do olho, Camila viu o olhar dela resvalar levemente com o seu, mas tratou de pôr um final naquilo.

— Cami, relaxa. – Dinah murmurou com um tom divertido – Vai quebrar seu lápis se continuar apertando-o desse jeito.

O lápis de Camila bateu na mesa, sua boca ainda estava entreaberta, e ela não estava mais necessariamente olhando pra Lauren e sim pra Lucy.

— Ela não é uma convidada, Sra Thompson. – Lauren falou alto, com um tom arrogante que era primeira vez que alguém via ela usar.

Parecia que a personalidade que era sua, de filha de magnatas e jogadora de futebol paparicada, enfim dava as caras.

— Minhas mais sinceras desculpas por nosso atraso, mas aqui está uma nota do diretor Simon e Mr. Rodgers.

Anabethe, pegou o papel rosa na mão de Lauren, com uma respiração aguda, seus olhos escanearam o conteúdo do papel.

— Bem... – A mulher exalou depois de um momento, um sorriso curto surgiu em seus traços. – Eu não sabia que tínhamos vagas, Srt. Vives. Seja bem-vinda a classe, então.

Lucy sorriu de volta para Anabethe e agradeceu, permitindo que Lauren pegasse em sua mão e a guiasse para sentar ao lado dela.

Camila deixou sair uma mistura de tosse e lamento, antes de pronunciar um frustrado "Isso só pode ser brincadeira", e Sophie se inclinou para frente, batendo em suas costas levemente, como se isso a persuadisse a parar.

A professora moveu seu olhar levemente para Camila, que encolheu-se sabendo o que viria a seguir:

— Você está bem, Mila? – Ela perguntou gentilmente.

— Sim, tudo bem. – A cubana respondeu com um fraco sorriso falso.

— Tudo bem. – Anabeth sorriu para a aluna tranquilizadamente por um momento antes de voltar para a classe. – Então, já que chegou tarde, Srt. Jauregui... por que não ouvimos você? Uma colega nos sugeriu, com uma sólida quantidade de apoio que Orgulho e Preconceito de Jane Austen, seja o nosso primeiro romance do ano.

A capitã escarneceu o que ouviu com um sorriso, inclinando-se para frente em seu assento.

— Difícil ser chamado de romance. – Lauren respondeu um tanto pomposamente, incapaz de tirar o veneno do seu tom. – Acho um livre bem superestimado.

— Você está brincando comigo?

Antes mesmo de levar seus olhos para a voz que tinha lhe interrompido, Lauren já sabia a quem ela pertencia. Claro, aquilo era tão obvio. Quem mais no universo teria coragem de usar aquele tom pra falar com Lauren?

Camila Cabello olhava pra Lauren, como se não estivesse acreditando que alguém fosse capaz de sugerir algo assim.

Ainda mais que tinha sido ela a pessoa a sugerir o livro.

— Não, Srt Cabello, eu não estou. – Jauregui respondeu em um tom sério, sem nem ao menos olhar Camila.

Anabethe sorriu, erguendo uma sobrancelha.

— Bem. Eu gosto da ideia de um pequeno debate, mas vamos nos lembrar de ser cordiais. Camila, você pode fazer breves declarações, para defender o romance. Lauren, você pode usar seus argumentos também.

— E lá vamos nós. – Dinah murmurou não conseguindo guardar o pensamento em sua cabeça, enquanto Camila começava com entusiamos. Ela mal podia esconder a ansiedade de vencer aquele debate ainda mais tendo Lucy Vives como plateia.

— Em primeiro lugar, é um clássico. – Camila começou, olhando para Lauren intencionalmente. – Uma história de amor quintessencial. Caracteriza uma protagonista brilhante, lutas de classe, e a beleza da família.

Lauren ergueu uma das sobrancelhas, notou imediatamente que Camila falou como se os últimos dois conceitos fossem estranhos a Lauren.

Lauren apertou a mandíbula e Lucy sussurrou, – Babe, não. É isso que ela quer.

Mas o dado já havia sido lançado.

— Srt. Cabello... – Começou Lauren debochadamente. A professora olhou para ela de forma brusca, então Lauren reformulou. – Camila.

Mila encarou a jogadora, tinha expectativa em sua reposta, e a classe mal respirava com a rivalidade que estava florescendo rapidamente entre as duas meninas. As notícias sobre elas corriam mais rápido que água, e até quem não lia o blog da escola sabia do embate que tiveram na quela manhã. Começava ali o segundo round.

— Se você acha que romance é o que um romance deve ter, eu sugiro investir em terapia, ou um namorado...

— Ou uma namorada! –Alguém gritou do fundo da sala com uma risada.

Camila parecia ter sido esbofeteada. A latina olhou em volta pronta para atacar Lauren, seu rosto ligeiramente avermelhando, os dentes rangidos.

— Não. – Anabeth balançou a cabeça. – Ataques pessoais não serão tol-

— Bem, talvez seja apenas fora da sua capacidade de raciocínio, Jauregui. – Camila usou um tom debochado em sua voz. – Claro que fico mais que satisfeita de te recomendar algo dentro da sua capacidade mental. Talvez... Diário de um banana?

— Puta merda. – Os olhos de Sophie se arregalaram quando a turma começou a zombar, e rir em meio a "Ohhh's"

Lauren estava além do que podia se considerar furiosa. Quem era ela? A sua audácia; Isso irritou Lauren de um jeito que ela nem conseguia respirar. Segunda vez no dia que Camila usava aquele tom com ela. Segunda vez que ela ousava falar com ela como ninguém nunca tinha sequer ousado falar. E o que ela estava insinuando? Que Lauren, filha de um dos casais mais bem-sucedidos do país, era uma simplória? Uma idiota que não podia apreciar literatura fina e só sabia chutar bolas todos os dias? Lauren tinha frequentado mais exposições de artes e lido mais livros que Camila chegaria durante toda sua vida.

— Laur – Lucy colocou a mão no ombro da namorada. – Não responda.

— Quem você pensa que é, garota?

— Você começou. – Camila rebateu apontando o dedo para ela.

— Não, você começou! O que pensa que está insinuando? Que eu sou uma simplória, só porque não gosto dessa literatura chata que vem cheia de estigmas pré-programados por uma sociedade que nos empurra a achar que só existe felicidade de qualquer feminista acaba nos braços de um homem?

— OK! Já chega, garotas. – Anabeth interrompeu a segunda rodada de ofensas. –Eu cuidarei de vocês duas depois da aula. Eu não quero ouvir outra palavra de nenhum de vocês até lá.

Lauren revirou os olhos quando Thompson desviou o olhar, inclinando para trás.

— E vou decidir isso sem precisar da opinião de vocês, pelo menos dessa vez. – Ela anunciou com um suspiro. – Vocês duas estão liberadas pra voltarem aos seus lugares, Vou manter orgulho e preconceito como nosso primeiro livro. Mas isso não tem nada a ver com essa troca de ofensas que passou longe de um debate.

Camila sorriu para Lauren por uma fração de segundo antes de voltar a sua cara seria.

— Está decidido. Orgulho e Preconceito, pessoal. Obtenha suas cópias até o a próxima aula. Agora formem duplas de estudo.

O resto do período de aula foi gasto em silêncio, enquanto todos discutiam suas próprias personalidades, preconceitos e pensamentos antes de mergulhar na história. Camila tentava se concentrar em terminar de redigir sua atividade ignorando os comentários de Dinah.

Ela tinha vencido o embate com Lauren, mas não tinha sabor de vitória. Não queria sentir qualquer coisa perto de pena da jogadora, mas ela não era uma pessoa má, sabia que tinha exagerado de muitas formas. Sem raiva, ela já começava a cogitar que talvez devesse pedir desculpas pelo surto na manhã, mas a todo momento que olhava o casal tão cúmplice e cheio de carinhos a vontade passava.

A campainha tocou eventualmente, mais tarde, e todos saíram de seus assentos, Dinah voltou para a amiga.

— Eu posso te esperar. – Ela se ofereceu discretamente.

— Não, Chee, pode ir.

— Vamos jantar juntas hoje?

— Sim. – Mila murmurou. – Te vejo mais tarde.

Dinah colocou a bolsa sobre o ombro e virou-se, Lauren apenas observava com um olhar carrancudo.

— Meninas. – A professora suspirou, alisando sua saia enquanto ela se levantava de sua mesa, caminhando pela sala vazia. – Eu realmente não sou o tipo de professora que gosta de entregar detenções. Porém é inadmissível esse tipo de atrito na minha aula.

Lauren deu um muxoxo impaciente.

— Bem, eu não respondo por ela, mas peço desculpas, não vai acontecer de novo, Srt. Thompson. – A loira assentiu.

— Querem me contar o que rendeu toda essa mágoa entre ambas? – Anabethe perguntou, cruzando os braços. – Vocês tem alguma história, ou sei lá?

— Impossível, só tem uma semana que eu convivo com a srt.Cabello, – Lauren fez questão de dizer primeiro e com bastante escarnio – Quem sabe a senhora me ajude a descobrir o motivo que desde o primeiro dia essa garota me odeia.

— Você adoraria que eu tivesse qualquer sentimento por você, não é?

— Ok, vocês duas. - Anabeth sacudiu a cabeça. – Ouçam. Esta classe é mais do que apenas inglês. É uma classe avançada, o que significa que os alunos devem manter o seu melhor comportamento. Eu entendo que a personalidade de vocês duas sejam opostas, mas eu não posso tolerar esse comportamento. Por isso, estou fazendo vocês duas parceiras para as próximas seções de romance.

— O quê? – Camila zombou sem acreditar no que ouvia.

— Senhora Thompson, que tipo de absurdo...

— É isso mesmo, Lauren. – Thompson sorriu através de seu tom de repreensão.

O queixo de Camila quase caiu no chão.

— Isso é sério? – Ela teve de repetir com descrença.

— Sim. Mostre-me que vocês podem lidar com isso, e eu deixo vocês voltarem para suas duplas originais.

Lauren dobrou os braços, e Camila suspirou silenciosamente.

— Entendido?

— Sim, Sra. Thompson. – Eles responderam em uníssono, evitando devotamente trocar olhares umas com as outras.

— Excelente. Vejo vocês na próxima aula. Lauren, estou ansiosa para ver seu jogo. – Ela sorriu, e Lauren assentiu muda. – O mesmo para sua exposição de arte, Mila.

— Eu estou fora do grupo de artes. – Camila disse sem qualquer humor na voz.

— Oh, isso é lamentável, Camila

— É. A escola tem outras prioridades.

Lauren tinha saído rapidamente da sala quando Camila rumou para seu armário com a mente fervilhando. Mal podia acreditar que aquele dia estava acontecendo de fato, uma mistura intensa de todo tipo de cliché. Ela queria ficar longe de problemas, A verdade é que ia acabar aquele ano sem nenhuma diretriz.

— Senhorita, Cabello?

— Sim.

Ela virou-se, encontrando o olhar de frio de Tyrone Rodgers parado do lado do seu armário. A imagem do homem alto de dreads causava todo tipo de sensação em Camila e nenhuma delas era boa.

— Soube que está fora do programa de artes.

Ela ergueu uma sobrancelha e decidiu que aquele só podia ser mais um dos momento que não faziam nenhum sentido.

— Eu estou, mas não sei jogar futebol.

— Sempre uma linguaruda, não é? Não vou prolongar seu tempo, isso é seu. – Ele entregou um papel em sua mão.

Desconfiada, Mila rompeu o lacre do pequeno envelope pardo. Os dedos de Camila tremiam quando ela terminou de ler o que estava escrito no papel recém-imprimido. Era bom demais pra ser verdade.

— Eu não entendo. Pensei que as vagas tinham acabado.

O homem riu friamente.

— E tinham. Agora suma e nem um pio sobre isso com ninguém, ou eu faço essa vaga sumir da mesma forma que surgiu.

— Você fez o que?

Entediado navegando no twitter e ignorando a lição de casa de matemática olhando pra ele em cima da mesa, Mike quase não ouviu as palavras de Alycia.

Escutar as brigas entre sua irmã e sua prima era sempre divertido, então o garoto rolou sem cerimonia para fora de sua cama, caindo suavemente no chão e furtivamente chegou mais perto do quarto de Lauren, que era de onde a discussão estava vindo, então ele pressionou sua orelha na porta.

— Eu pedi ao professor Tyrone que desse a vaga pra Camila e colocasse a Lucy na minha turma de literatura. Não é nada demais.

Mike franziu o cenho, as sobrancelhas se ergueram. Ele nem precisou ouvir o que Alycia tinha a dizer, porque elas ecoaram em sua própria mente.

Pra alguém que tinha todas as queixas no mundo sobre Michael, Clara Jauregui e sua arrogância, ela certamente estava agindo de forma bastante semelhante. Seus pais eram o tipo de pessoa que usariam qualquer posição de poder pra se beneficiar.

Ele jamais diria aquilo pra ninguém, no entanto, ele próprio tinha seus ressentimentos sobre o abandono dos seus pais em grande parte de sua vida. Doía saber que os negócios sempre foram suas prioridades, e que jamais Mike teria a relação que ele sempre sonhou.

Mas Lauren estava rapidamente se transformando em alguém muito próximo dos seus pais.

A mudança de escola, a adoração absoluta dos estudantes e professores estavam subindo a sua cabeça. Por mais que ele soubesse que aquelas exigências foram feitas tentando ajudar, a Lauren que ele conhecia jamais aceitaria benefícios. A Lauren que Mike admirava, era a pessoa que tinha praticamente o criado, ensinou-lhe como driblar com uma bola de futebol, como andar de bicicleta, e sempre deixava que ele a derrubasse. Sua melhor versão jamais faria isso, não por algo tão trivial.

— Pois bem, gênio. – A voz de Alycia ecoou mais uma vez. – Se Camila descobrir que tem seu dedo nisso, ela vai fazer questão de te dedurar, como acha que vai ficar sua reputação? Ou melhor, como acha que Lucy vai reagir quando souber que vendeu sua alma ao Tyrone em troca de favores pra a garota que ela rivaliza desde que usava fraldas?

— Eu não vendi minha alma ao professor Rodgers, ele está apenas tentando me ajudar.

— Porque ele pensa que você é o pote de ouro no fim do arco-íris. Há uma razão pra ele estar te ajudando, Lauren, e acredite, talvez você não goste nenhum pingo de saber.

— O que você espera que eu faça? Diga a ele que mudei de ideia?

— Eu não quero nada, mas e você? Que tipo de esportista quer se tornar?

— Você não sabe o que está falando.

Mike afastou-se da discussão enquanto caminhava silenciosamente de volta para seu próprio quarto, voltando para sua cama e descansando no silêncio completo para pensar.

Mike decidiu então que Lauren precisava de alguém novo em sua vida.

Não necessariamente uma nova namorada – embora ele não se oponha à ideia de que ela terminasse com Lucy, ela amava quando Lauren agia daquela maneira nociva.

Mas precisava ser alguém fora do convívio de Lauren, alguém que desse a ela um novo prisma. Alguém que não se importasse com seu status. Alguém que veria Lauren como ela era, e desafiaria sua arrogância e colocaria ela em seu lugar quando necessário.

Ele não tinha certeza de quem era essa pessoa ainda.

Mas ia encontrá-la.

Alguém faz ideia de quem o Mike tá falando?

Olá galerx. Tenho uma boa notícia, e outra mais ou menos ruim, vou dar a primeira boa notícia de uma vez...essa att é dupla. AAAAAAAAAAAAA O motivo é que eu vou viajar e provavelmente só volto na próxima semana, normalmente não tenho muito tempo pra escrever quando estou na casa da minha avó e quando volto é exatamente quando meu semestre começa. Então...

Porém fiquem tranquilos quanto atualizações, essa fanfic já está concluída. A única coisa que eu faço é corrigir antes de postar porque ela foi escrita a uns dois anos atrás, então tem muita coisa que eu preciso atualizar, e fazer gráficos, mas esses também já ficam previamente prontos só preciso manipular as imagens. Não vamos ter problemas com atualizações.

Algumas pessoas reclamaram sobre o tamanho "pequeno" dos capítulos. Serio que vocês não acham cansativo ler uma fic de mais e 4 mil palavras? Eu acho cansativo, porém me deixe saber se preferirem algo maior.

Terminamos esse papo no próximo capítulo... 

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