Nove - Amordaçada e stalkeada (o que falta?)
— Meninas! Venham me ajudar a preparar a mesa!
A voz de Sinuhe ecoou pela casa, chegando até o segundo andar.
— Estamos indo, mama C! – Dinah gritou, e em seguida acenou para Sophie. – Pode soltar essa meliante, ela não vai dizer quem beijou na festa.
Sophie e Dinah mantinham Camila, presa a cadeira com seu cinto de pedrinhas azuis. Passaram meia hora em um interrogatório tentando obrigá-la de todas as formas a dizer quem tinha beijado no sábado a noite, sem sucesso já que Cabello estava decidida a não dar um pio.
—Vaca! – Mila xingou forçando novamente pra escapar e obviamente partir pra cima das amigas. – Se eu fosse vocês duas eu começava a correr agora. Vete a mierda!
— Sua sorte que eu sempre durmo na aula de espanhol. – A loira provocou a amiga.
— Pois eu fico mais feliz em traduzir pra você, vá tomar no-
— Espero que sim. – Dinah provocou com um sorriso malicioso e sentenciou. – Essa cadelinha cubana não vai dizer nada, pode soltar.
Sophie concordou com um aceno rápido, e sem pressa terminou de soltar o cinto, porém quando as mãos de Camila foram soltas, prontamente ela pulou para fora do alcance da amiga, escapando das mãos ágeis de Camila que já se erguiam.
— Foi tudo ideia da Dinah! – Berrou empurrando a loira aos risos em direção a Camila.
— Ora, sua traidora.
— Eu não estou surpresa, – Mila pegou o Mister Banana um imenso urso de pelúcia e se armou tentando atingir Dinah. – vocês duas não me escapam – Dinah apressadamente correu para o outro lado do quarto pegando o polvo rosa de Camila que ela mesma tinha dado de presente, usando como escudo para ela e Sophie. – Deixem de covardia e me enfrentem!
— Diga quem você beijou de uma vez! – Dinah tentou mais uma vez, desviando por pouco do urso que pegou bem na cara da ruiva se escondendo atrás dela.
— AI! – Sophie reclamou do golpe.
— Aposto que foi aquela loira com cara de sapatão que você estava conversando no bar.
— Ou quem sabe, Lauren Jauregui, ela sumiu da festa no mesmo momento que você. – Sophie provocou mais uma vez.
Porém a face de Camila nem se alterou, ela já estava preparada para aquela suposição.
A confusão das amigas terminou assim que ouviram os passos da mãe de Camila subindo às escadas. Sinu queria verificar o motivo da demora das meninas, e pela sua experiência já sabia que encontraria uma bagunça monumental. Ela abriu a porta de uma vez e para a sua imensa surpresa, encontrou as amigas sentadas na cama com cara de paisagem.
A mulher passou os olhos pelo quarto e em tom desconfiado disse:
— O que estão aprontando? – As amigas se entreolharam com um ar inocente.
— Aprontando? – Sophie repetiu. – Não sabemos. Estávamos conversando sobre-
A ruiva olhou para as amigas buscando ajuda.
— Sobre beijos. – Dinah provocou, e ganhou uma cotovelada dolorida de Camila no braço.
— Beijos? – Sinu repetiu sem acreditar.
— Sobre beijos não, sobre os músculos da boca. Aula de biologia humana, quarto módulo. – Mila e Sophie trocaram o mesmo olhar que trocavam para cada vez que Dinah falava alguma coisa absurdamente fora da caixinha.
— Vocês pensam que eu nasci ontem, não é? – Ela balançou a cabeça dando um sorriso suave. – desçam o jantar está pronto.
Os domingos eram sempre convidativos na casa dos Cabello. O cheiro de comida cubana exalava pela casa, Sinu fazia questão de preparar os pratos típicos do seu país, como uma forma de aplacar a saudade da sua terra, mesmo que só pelo paladar. Então preparava comidas sempre regadas a muita pimenta e com doses calculadas de mojito.
Havia começado com apenas Camila e Sinu se unindo para tentar juntar os cacos da falta que Alejandro fazia e compartilhar os acontecimentos da sua semana. Com o tempo, os delinquentes sempre davam um jeito de aparecer. E tudo acabava em uma noite ouvindo Celia Cruz e ritmos caribenhos com boa comida e boa companhia. Nas noites de domingo, eram o único momento quando estavam dentro de sua casa que Sinu e Camila não falavam na sua língua nativa em respeito aos visitantes.
— Por que Normani não veio, Dinah? – Sinu perguntou parando de comer um minuto, havia notado a ausência de Normani. Nos últimos meses a exuberante moça negra estava sempre colada com os delinquentes.
Jane ficou momentaneamente sem graça. Um fato raro. A verdade era que o pai de Dinah não estava muito feliz com o namoro e a loira não queria se expor a mais estresse do que ela já vinha passando em casa.
Sem a loira ter coragem de contar, Camila se viu na obrigação dizer a mãe o que passava na cabeça da amiga:
— Dinah ficou com medo da sua reação, mama.
— Díos mio, Dinah. – Sinu a repreendeu com o olhar. – Eu sei que vocês duas estão namorando. Está é sua casa também, e eu jamais vou me opor a algo assim. Só alguém sem amor no coração reagiria mal a algo tão inofensivo. Dá próxima traga Normani, eu sei que ela ama minhas enchilladas.
— Obrigada, Mama C. – A loira disse, muito grata, e logo deixando o seu sorriso mais bonito aparecer. – Nossa isso é muito importante pra mim. Estou sem palavras...
Camila contemplou orgulhosamente sua mãe, não podia deixar de admirá-la ainda mais por isso. Claro que não era um favor pra Dinah ela aceitar o seu namoro. Entretanto, seu ato tinha um significado que só mostrava a grandeza do seu coração. Alguém que passou o que ela havia passado, humilhada da maneira que foi por Alejandro não sairia sem rasgos profundos e atitudes amargas, mas como sua mãe mesmo tinha acabado de dizer, ela tinha realmente um coração cheio de amor.
Suspirando tranquilamente, Camila deu uma garfada generosa na sua enchillada, e se sentiu mais uma vez satisfeita pelo jantar impedir que Dinah continuasse pedindo informações sobre a noite de sábado e o beijo que ela tinha dado em Lauren Jauregui. No momento certo ela contaria, mas naquela noite, só precisava relaxar e desfrutar da comida maravilhosa e do papo animado.
Como sempre, Mike acordou ao primeiro toque do seu alarme, disparando rapidamente, quando o ruído estridente o surpreendeu. Ao contrário da maioria das manhãs, ele parecia bem mais disposto e fez sua rotina matinal bem rápido, deixando-o com vinte minutos extras para matar antes de Lauren os levar para a escola.
Quando chegaram à escola Mike correu para jogar seus pertences no armário, tentando diminuir o atraso para aula de matemática. Mesmo que Rodgers estivesse o beneficiando porque ele era irmão de Lauren, o homem ainda era o professor mais desgraçado que já tinha tido na vida. E ele não queria que sua irmã devesse mais favores a Tyrone Rodgers, seu instinto tinha tudo contra o professor de olhos frios.
— Ei! Jauregui! – Mike se virou, fechando seu armário por instinto, pronto para um confronto, mas ficou relaxado quando viu a menina da sua classe de história. O nome dela era Tris Michaels, bem estudiosa e com pretensões para o time de futebol.
— O que há Michaels?
— Eu queria saber se você poderia perguntar a sua irmã se eu posso treinar um pouco com ela. – Interiormente, Mike rolou os olhos. Pelo menos ela não fingiu. As maiorias das pessoas tentavam se aproximar dele para depois usá-lo para estabelecer uma relação com Lauren. – Eu vou tentar a equipe, e quero ter bastante experiência.
— Vou ver o que posso fazer, – assegurou Mike, abrindo mais uma vez o armário. – vejo você depois.
— Incrível! Você é o melhor Jauregui, te vejo mais tarde. – Ela se virou e foi embora.
— Uau, eles nem disfarçam. – Millie comentou sarcasticamente do seu lado, Mike virou bruscamente notando a presença da amiga. A garota bateu o armário encarando-o com seriedade. – Você não deveria deixar que te usem dessa forma, Mike. Às pessoas se aproveitam da sua bondade.
O rapaz não sabia o que responder, ele não gostava de saber que só servia como uma ponte até a irmã. Mas também não sabia dizer não a ninguém.
— Por que não apareceu no sábado? – Millie parou um segundo de empurrar suas pilhas de livros para dentro do armário. – Comemos comida japonesa. – Ele analisou a amiga notando que ela estava diferente. – Você cortou o cabelo, está ótimo.
Millie arregalou os olhos surpresa, então ofereceu a ele um sorriso meio tímido.
— Foram só umas pontas. – Respondeu com as bochechas levemente coradas, e Mike sentiu um calor espalhando em seu peito. – e sobre o convite, papai não gosta que eu saia à noite, ainda mais em companhia de garotos, desculpe.
O bom humor de Mike caiu consideravelmente. Millie tinha sido criada exclusivamente pelo pai, e nos dois encontros que o rapaz teve com o senhor Brown, o homem não parecia alguém com quem se queira conviver vinte e quatro horas por dia. Pelo que ele sabia, ele regrava Millie até de coisas consideradas normais como celular e wi-fi. Tudo pra ela tinha que ser calculado, um pai protetor? Talvez. Um exagero? Com certeza.
— Eu deveria ter pedido pra Lauren ligar. – Disse ele em um tom triste. – Will e eu, nos divertimos bastante. Você teria amado.
— Ia ser em vão, acredite. Jon detesta que eu saia de casa. – Mike nunca ia deixar de estranhar o fato dela se referir ao pai sempre pelo seu nome. Seu olhar fixamente no dela o deixou em um transe e a suave vibração no bolso traseiro quase o fez pular.
— O que aconteceu? – Millie perguntou com a curiosidade borbulhando dentro dela. - Por que está rindo assim?
— A garota mais legal do mundo vai me ensinar matemática!
Lauren tinha acabado o treino da equipe, tinha gastado duas horas executando as táticas, os traços fortes e fraquezas do seu time. Ela tinha aprendido várias coisas naquela hora e meia. Normani era uma grande meio de campo, bem digna da prática intensiva de Lauren e dedicada. Alycia, ela já conhecia muito bem as habilidades e inteligência em campo, mas ficou feliz em saber que as farras da prima ainda não estavam interferindo em seu desempenho em campo. Ela também tinha notado que era dela a última palavra em tudo que se relacionava ao time. Ela fez as chamadas, às jogadas, e teve as decisões finais em suas mãos.
Tyrone se contentou em simplesmente assistir anotando tudo em blocos de papel, do seu lugar nas arquibancadas. O homem que nunca sorria, entregou acenos animados a cada vez que Lauren fazia algo fora do comum no treino. A jogadora estava fascinando-o de todas as formas possíveis.
Então, quando todos finalmente retornaram à margem para pegar suas águas, todos suados, aranhados e maltratados pelos intensos regimes de exercícios de Lauren, Alycia foi à única que notou ela se afastando com o seu celular.
— Tentando o perdão da Lucy, novamente? – Zombou sarcasticamente, tomando um longo gole de sua garrafa, com o suor brilhando sobre sua testa. – Quando pretende contar a ela que sua boca andou passeando por lindos e macios lábios cubando?
Lauren revirou os olhos para o comentário. Maldita hora que achou que contar a sua prima sobre o beijo ajudaria ela a pensar menos. Desde a madrugada de domingo que Alycia não parava de provocá-la com o assunto.
— No momento certo Lucy vai saber.
— Não me diga que está pensando em contar a ela? – Disse Alycia.
— Sim? – Lauren respondeu como se fosse óbvio.
— Não existe momento certo para o que vai dizer.
— Claro que existe, eu só preciso saber como.
— Ah é? – Contestou Alycia, com descrença. – O que vai dizer a clássica "foi um erro" – A loira fez aspas irônicas com os dedos. – Ou vai dizer a verdade real?
— E qual seria essa verdade?
—Não se faça de tonta Michele, você beijou Camila porque está totalmente afim dela.
Lauren apertou os lábios em uma linha, tentando pensar qualquer coisa pra se defender. A verdade é que não tinha parado de pensar em Camila desde sábado, mas aquilo não era o tipo de coisa pra se admitir assim.
— Qual é? Eu não estou na dela, – Olhou para os lados antes de sussurrar. – foi um beijo impensado, digno de bebida e sua festa idiota.
Alycia riu do que ouviu e disse:
— Você não bebeu uma gota de álcool. E além do mais, foi impensado também o seu desejo de tirar ela daquela loira?
— Olha... eu fiquei preocupada, Camila não parecia muito bem. Não queria que aquela loira arrogante tirasse proveito disso, eu teria feito por qualquer garota. O beijo foi ocasional...
— Oh, então você está querendo dizer, que ela não parecia muito bem para beijar os lábios de Brooke Lauren, mas para beijar os seus estava tudo, ok?
— Eu não disse isso! – Lauren esbravejou. – E eu não me aproveitei dela, eu apenas estava... – Não tinha um jeito de explicar aquilo sem se complicar. – Eu não vou te explicar isso novamente!
— Lauren, se tem alguém nessa cidade que sabe se cuidar é Camila Cabello, ela tem aquela carinha de princesa, mas é tão feroz quanto uma leoa. Ela poderia ter dito não a Brooke, ou socado sua cara se quisesse. Eu não estou te criticando, você sabe que eu sou completamente contra a monogamia, mas admita que o beijo era o que queria fazer, porque ela está mexendo com sua cabeça, e isso não tem nada a ver com gratidão por ter ajudado o Mike com Dax Mulligan.
— E o que você quer que eu faça? Isso é tão cruel com a Lucy.
Alycia sorriu maldosamente ante a oportunidade dizer umas boas verdades a Lauren.
— Ora, pelo amor de Deus, Lauren. Você acha que Lucy morre de amores por você também? Você sabe que isso é bom pra ela e para suas pretensões artísticas, conheço Lucy a pelo menos cinco anos e tudo que ela fez nesse tempo foi transitar entre os melhores. Você é a melhor... mas isso não tem relação alguma com amor, não dela e nem de você.
Os olhos de Lauren se arregalaram e seu queixo se cerrou em uma máscara de raiva.
— Alycia, eu te imploro, vá se foder!
— Espero que sim.
O telefone de Lauren tocou várias vezes e ela ergueu uma mão em direção as colegas de time.
— Dispensadas.
— Pense no que eu te disse, Laur.
— Dispensadas, Alycia. – Evans apenas rolou os olhos para o tom duro na voz de Lauren. Já estava acostumada aquele olhar que só servia pra assustar os adversários.
Lauren olhou para o telefone, vendo o nome de Lucy piscar na tela com alguns pequenos corações em volta. Ela apenas passou o dedo na tela e suspirou antes de ouvir a voz da namorada:
— Laur, babe, quando você termina o treino? – A voz adocicada da namorada deu a Lauren um contraste estranho. Um paradoxo entre feliz por ouvir aquela voz, e amplamente irritada por pensar que havia qualquer falsidade naquela atitude.
— Agora mesmo, você ainda está no estudo de arte?
— Sim, você poderia vir me ver? Eu quero te mostrar uma coisa.
— Claro, só vou tomar um banho e-
— Não! – A voz de Lucy a interrompeu. – Quero que todos vejam minha linda namorada de uniforme.
— Oh, ok, eu estarei aí.
Jauregui deu um pequeno riso, enfiando o celular no bolso com a voz da sua prima ainda ecoando na cabeça. Não, Lucy não era uma interesseira, Alycia que vivia para lhe provocar, apenas porque Alycia era Alycia.
Ela correu para o outro lado do campo, dando um leve aceno para Tyrone Rodgers antes de andar até o vestiário para pôr uma camisa limpa e jogar um pouco de água na cara. Quando acabou ela prendeu seu cabelo vasto com um pequeno elástico preto, e fez o caminho em direção a fresca e acolhedora aula de artes.
Lauren mordeu os lábios, silenciosamente deixando sua mochila de roupas ao lado da porta, não querendo perturbar nenhum dos artistas lá dentro. Ela via alunos e professores, trabalhando de todos os meios imagináveis, incluindo cerâmica, tintas e até mesmo alguns vitrais.
Ela sentiu-se estranhamente deslocada. Certamente não porque a arte fosse diferente a ela. Seus pais haviam arrastado ela e Mike através de quase todos os museus, para cada grande exposição de arte pelo país, até mesmo para ver de perto obras magníficas na Europa. E ainda assim, algo sobre o silêncio assustava Lauren. Era como se a perspectiva de ficar sozinha com seus pensamentos fosse intimidante. Quase como se, se ela só fosse realmente se conhecer, sem o rugido da multidão e dos rivais e ela não tinha certeza que ela ia gostar da Lauren de dentro.
A arte era tão introspectiva e meticulosamente verdadeira, ela era o oposto disso. Correndo a maior parte do tempo em busca de algo que ela nunca teve. Lembrou-se de Camila imediatamente, era por isso que a latina a fascinava, Camila queimava o tempo todo em suas verdades e Lauren soube disso desde o primeiro olhar entre as duas. Ela era arte em estado absoluto, e só se alcança a arte com verdade. Camila era o que ela sempre quis ser como pessoa.
— Parabéns, cubana, agora saia da minha cabeça. – Murmurou pra si própria enquanto vagava pelo estúdio perdida em pensamentos.
A jogadora caminhou pela parte de trás, passando por algumas mesas, cheia de alunos trabalhando e aprimorando sua arte. Na fileira seguinte, duas telas estavam em cavaletes, ostentando grandes trabalhos inacabados. Parecia que às telas, e os cavaletes eram pra algo especial, já que a maioria dos outros trabalhavam em uma mesa.
Os olhos de Lauren encontraram Lucy, sorrindo enquanto fazia sinal para o seu trabalho inacabado, para uma senhora vestida de maneira formal. Lauren imediatamente supôs ser a representante de uma escola de arte nas proximidades. O seu olhar esmeralda percorreu a extensão da tela de Lucy... Era uma pintura simples, mas muito cheia de detalhes. Uma flor florescendo no centro, de videiras rastreando de todas as maneiras ao redor às bordas do chão em laços unidos que deram lugar a espinhos e cachos.
Os olhos de Lauren se iluminaram diante da visão, imediatamente seus olhos foram à pintura ao lado da de Lucy para comparar, claramente era o trabalho de outra pessoa.
A respiração dela engasgou em sua garganta.
Era de outro mundo.
Jatos de tinta verde hortelã jogados no palete do lado. Os olhos de Lauren descobriram que o artista estava pintando o que parecia ser uma floresta, cheia de densas árvores de abeto que se estendiam até o horizonte, bordas inclinadas com os cumes brancos macios da neve fresca, apenas pulverizando as pontas. Os cumes das árvores estendiam-se em um céu azul-escuro, roxo, índigo com constelações que pareciam como se eles viessem de outro universo completamente. O cartaz embaixo do cavalete tinha escrito à mão, título: "Quando a terra encontra as árvores.", por Camila Cabello, concluinte.
E lá estava ela, vindo do depósito de trás com tinta azul na ponta dos dedos, pincel na mão, cabelos puxando para trás em um coque castanho maravilhosamente despojado, os olhos dela claramente foram se alargando com a visão de Lauren, vagando pela extensão do seu corpo vestido com a camisa de treino e meiões erguidos até sua canela, evidenciando suas pernas grossas. Ela tirou os olhos imediatamente da jogadora, lançando sua atenção de volta a sua tela.
— Ei, amor.
A voz sacudiu seus pensamentos. Lauren permitiu que seu olhar caísse sobre Lucy, que terminou de falar com a representante, que se afasta com um sorriso de aprovação.
— Oi. – Lauren respondeu, dando um selinho em seus lábios. – Isto está bonito. – Ela murmurou seus olhos traçando cada videira.
— Você gostou? – Lucy sorriu. – Está senhora é uma representante do programa de bolsas de estudos.
Lauren ergueu as sobrancelhas enquanto ela assentiu, impressionada.
— Eu achei o máximo. Boas notícias, eu posso saber?
— Um aluno de Alexander Maximus vai se qualificar para a bolsa regional de artes, se eu conseguir isso, Lauren, eu estou dentro, – Lucy sorriu mais largamente. – de qualquer universidade... Já posso imaginar você vindo de Barcelona me encontrar em Nova York. – os olhos de Lucy pararam em Camila por um momento mudando o tom da sua fala. – Claro que isso seria mais fácil se essa vadia não tivesse surgido hoje pela manhã aqui, você faz ideia do quanto essa garota é uma pedra no sapato? Aposto que ela mamou algum professor em troca de uma vaga nas aulas de artes.
— Lucy, não diga isso! – Lauren repreendeu a namorada, imediatamente usando um tom que não era comum. – Não é legal fazer esse tipo de afirmação sobre uma garota, homens já fazem isso o tempo todo.
A colombiana deu de ombros de maneira brusca.
— Esqueça ela, essa vaga já é minha.
Camila se manteve quieta, meticulosamente pincelando um lago de águas verdes sem se preocupar com o casal. Já Lauren sentiu uma estranha dorzinha no estômago. Lucy havia mencionado que ela era uma das duas qualificadas... Isso significava que Camila era sua concorrente.
Lauren evitou pensar naquilo e surtar mais. Ela tinha que torcer pela sua namorada. A peça de Camila não era melhor. A arte é subjetiva, não uma ciência exata. Não havia uma maneira clara e definitiva de saber quem das duas ia vencer. Sua pintura não era melhor.
— Você quer ir comer algo no Outback? – Lucy perguntou com um sorriso, jogando seus pincéis na pia.
— Sim, mas tenho que tomar um banho antes.
Jauregui sorriu quando Lucy se inclinou para beijar sua mandíbula.
— Pra mim você está cheirando muito bem, – ela deu outro beijo no pescoço, passando os braços em volta do seu pescoço. – você cheira a sucesso, nós duas juntas cheiramos a sucesso.
O olhar de Lauren caiu um pouco ao ouvir aquilo.
Alycia não tinha razão...Alycia não tinha... Razão.
Maldita, Alycia.
Mila terminou de lavar seu último pincel em uma velocidade estratosférica. Estava com um buraco de ansiedade na barriga. Não só pela notícia que disputaria uma bolsa de estudos com Lucy, sem sequer ter tido um tempo maior para se preparar, mas também pela notícia que seria tutora de estudos de Michael Jauregui. Na última semana qualquer tipo de plano parecia ter se provado só mais uma tentativa falha de fugir do óbvio. Lauren estava ali, e ali e em todos os cantos agora. Irritante e desnecessário, mas, ainda assim, latente.
Tão desnecessário quanto foi ver o casal agarradinho trocando carícias na sala de artes. Ela não estava desapontada nem nada, sabia que aquele beijo não teve nenhum significado pra Lauren, nem deveria significar para ela. Mas beijar aqueles lábios, tendo Love on the brain como trilha sonora tinha sido muito significativo, Camila admitindo isso ou não.
Mas não era o momento de parar pra pensar nisso. O seu dia tinha sido exaustivo e ela só queria uma noite tranquila e quem sabe pedir alguma pizza e ver qualquer coisa na Netflix. Imagine o tamanho da sua surpresa quando desceu o pátio principal em direção a saída, quando uma jovem de cabelos loiros desceu de uma moto e com um sorriso arrogante e caminhou até Camila.
Ela cruzou os braços em volta da cintura quando a loira parou bem na sua frente e acenou:
— Não quero parecer invasiva, mas eu realmente não queria perder você de vista.
Mila ficou sem saber ao certo o que dizer por um instante. Brooke Lauren estava parada com um sorriso charmoso nos lábios na expectativa que a cubana dissesse algo. Mas ela ficou dividida entre se sentir lisonjeada pela insistência, ou assustada pela loira está aparentemente te stalkeando.
Do outro lado da garagem da escola Lauren segurava a porta do carro incapaz de entrar, enquanto Lucy conversava com algumas colegas líderes de torcida empolgada, pra sua sorte alheia a cara bestificada da namorada a cena que acontecia a alguns metros de distância dela.
— O que faz aqui? – Mila se viu obrigada a perguntar.
— Depois que você foi praticamente roubada de mim eu queria ter certeza que te encontraria, lembrei de última hora que você tinha me dito que estudava aqui.
— O que foi uma ideia meio burra da minha parte, quem me garante que você não quer me matar?
— Eu adoraria. – Brooke sorriu convencida. – mas fico satisfeita em te levar pra jantar.
— Você veio aqui só pra isso? – Perguntou com descrença.
— Sim. E antes que diga que não está interessada, eu aceito que você me dê um fora, mas não sem antes dar uma volta comigo.
— Quem te garante que gosto de garotas?
Ela nunca tinha parado pra pensar nisso, beijava bocas, não sexos. Nem sabia se poderia ser considerada bissexual, mas estava aberta a tudo que pudesse provar. Mas uma provocadinha de leve na loira não faria mal algum.
— Ora Camila, olhe para mim. – Retrucou a loira confiante. – Se você não soubesse o que estou querendo, eu ia dizer que é muito ingênua, e você não é.
Se Camila dissesse que não gostava da confiança de Brooke Lauren ela mentiria.
— Sua sorte é que eu estou com fome, Brooke.
— Normalmente as pessoas me chamam de Lauren.
— Eu não me importo. –Mila deu de ombros com o mesmo olhar confiante.
Brooke olhou ao redor antes de sorrir e dizer:
— Sua amiga Lauren não tira os olhos de você. Será que eu devo me apressar antes que ela roube você de mim novamente?
Mila pegou o capacete nas mãos de Brooke, sem se dar ao trabalho de olhar pra Jauregui.
— Ela não é minha amiga. Vamos?
Ces acharam que eu ia perder a chance de unir a Milla com a Brooke, ne? A Lauren com ciumes é a minha melhor versão da Lauren.
Voltei antes do que eu pensei galero, pq eu estava com saudade de vcs, serio. Nossa historia está chegando em um ponto importante e em breve os conflitos reais serão estabelecidos, por enquanto vcs curtem a calmaria, mas n vai durar muito mais... heheheheh
Agora uma noticia maravilhosa....
SIIIM, já temos uma segunda fic definida. Sei que alguns de vocês votou em The Bodyguard, eu peço perdão, mas não vai ser ela a ser postada. Eu juro que posso me explicar. Quando eu coloco uma fanfic aqui eu gosto de ter controle sobre minhas atualizações, odeio fazer as pessoas esperarem, odeio criar expectativas que não posso cumprir, porque eu sei o que é ficar decepcionada em querer ler algo e não poder porque a autora não atualiza.
The bodyguard ainda não foi concluída por mim, e eu estou indo pra o terceiro semestre da minha faculdade, não sei se vou conseguir conciliar uma fanfic incompleta. Por isso, eu optei por uma que assim como Teoria do amor ao caos já está pronta. É uma fanfic no universo de Harry Potter, mas ela é ainda mais interativa que essa, teremos muitos mistérios e joguinhos com a participação dos leitores. Quem quiser ler, só ir no meu perfil, n é necessário ter lido os livros, nem visto os filmes, mas seria legal pra dar entendimento maior.
Vejo vcs em algum dia da semana que vem... AHHH parabéns aos camilizers por terem dado dois prêmios fantásticos pra a camila ela merece demais, todo mundo aqui sabe que ela é incrível e merece isso e muito mais. <3
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