Livro dois - Tudo por ela
Mike sentiu Alycia cautelosamente abaixá-lo sobre a mesa onde os jogadores de futebol eram frequentemente verificados por Sinuhe Cabello.
- Evans, Kordei? O que vocês est- oh meu Deus, o que aconteceu com ele?
Sinu estava com ele mais rápido do que Mike poderia antecipar, cautelosamente segurando sua cabeça nas mãos para inspecionar seu olho, antes de mover rapidamente a camisa para olhar o dano feito em seu peito.
- Respire para mim querido. - Ela pediu, pressionando um estetoscópio pela sua costelaS. - Eu não acho que suas costelas estejam quebradas, mas seus músculos estão definitivamente machucados. - Ela se virou, olhando friamente para a dupla ali.
- Quem fez isso com ele?
- O filho da-
- Dax Mulligan. - Normani cortou Alycia no meio de seu insulto, - Parece que ele tem batido em Mike regularmente.
- Por que você não contou a alguém, ninõ? - Sinu murmurou, e Mike estremeceu quando Lauren entrou na sala, ainda parecendo meio aturdida.
- Eu não queria causar nenhum problema. - disse Mike, principalmente para si mesmo, embora suas palavras foram em grande parte ignoradas na entrada de Verônica Iglesias logo atrás de Lauren.
- Hey Doc, eu poderia pegar um pouco dessa fita para o meu braç- Mike? Você está bem? Foi o Mulligan, né? - Ela parou, quando quatro pares de olhos se fixaram nela imediatamente após suas palavras, e ela empalideceu, sabendo que não haveria maneira de fingir que não sabia da situação.
- Você sabia? - Lauren sussurrou, aproximando-se dela até que Vero estava pressionada contra a parede. - Você sabia que ele estava sendo tratado assim e você não disse nada?
- Não é culpa dela Lauren. - Protestou Mike fracamente. - eu pedi que ela ficasse quieta. - Vero me ajudou, ela me levou para sua casa e cuidou de mim quando vocês estavam viajando. Ela me encontrou caído sozinho no meio de uma quadra... Eu implorei pelo seu silêncio.
O olhar de Lauren se suavizou um pouco e ela suspirou, tendo noção que não era de Vero sua raiva. A jogadora abaixou os olhos balançando a cabeça um pouco.
- Obrigada, Iglesias.
- Desculpe, eu deveria ter contado.
- Deveria, mas não avisou, e agora parece que tudo se resolveu. - Vero escorregou os olhos cor de mel para as feridas abertas nos punhos de Lauren e assentiu com um pequeno sorriso satisfeito.
- Você fez o que tinha que ser feito.
O telefone na parede tocou e todos trocaram olhares sabendo quem deveria ser. Lauren se curvou tensamente, mais esse problema para a vida de todos.
- Simon? O que aconteceu, estou com o Mike Jauregui agora? O que ela fez? - Apos uma longa pausa o rosto de Sinu endureceu. - Sim, eu estarei ai em um minuto. - Ela lançou um olhar de desculpas em direção a Mike. - Eu volto em breve, tenho que lidar com minha filha.
Ela saiu rapidamente da sala e Lauren esperou por um segundo, estranhamente mais relutante que da primeira vez que ela tinha defendido Camila para sua mãe.
- Sinu espere!
A mãe de Camila fez uma pausa e virou-se bruscamente nos calcanhares, seu olhar estava severo, tão semelhante a sua filha que fez Lauren parar.
- Sim, Lauren? - Ela perguntou, - Se você puder ser rápida, eu ficaria feliz. Aparentemente minha filha fez algo que pode levá-la a cadeia.
- Essa é a questão, - Disse Lauren. - Camila não fez nada, quem fez fui eu.
Camila poderia gritar o quanto quisesse sobre proteger Lauren tudo o quanto ela quisesse, mas ela não a deixaria jogar fora tudo o que ela trabalhou duramente por causa da sua falta de controle.
-O quê?
- Eu bati em Mulligan, Sinu, foi eu que perdi o controle, não Camila.
- Então por que ela faria isso? - Sinu recuou, a incerteza escrita em todo seu rosto. - Isso não faz sentido.
- Porque ela acha que está me protegendo, - Lauren lamentou, - ela não queria que eu perdesse meu lugar na equipe e minha chance de jogar em Barcelona, então ela se culpou. Mas eu não posso deixar ela sacrificar seus próprios sonhos assim. Ela está sofrendo tanto ultimamente.
Houve um momento de pausa em que Sinu e Lauren olharam uma para a outra, e então algo semelhante à clareza lavou o rosto da Cabello mais velha.
- Ela realmente ama você, - disse Sinu suavemente, um olhar pensativo sobre o rosto dela.
- Eu a amo mais do que ela sabe, e é por isso que eu não posso deixar ela fazer isso.
- Simon não vai te ouvir. - Sinu alertou, - Pelo tom em sua voz ele já tem tudo que precisa pra culpar Camila.
- Então eu terei a ajuda da minha tia. - Lauren insistiu. - Eu entro em contato com meus pais, se houver necessidade.
Houve um zumbido no bolso de Sinu, e a mulher fez uma careta quando viu a mensagem.
- Vamos, então, Jauregui. - Disse ela, - ver o tamanho do estrago.
Quando Lauren entrou no escritório de Simon, Camila estava sentada em um das cadeiras de frente para sua mesa vazia, girando os polegares. Ela girou em torno da entrada repentina de Lauren, os olhos arregalados.
- Laur?
- Mike está bem. - Lauren suspirou. - Sua mãe estava com ele.
- Sim? - Camila se levantou, cara a cara com ela. - Mas e você?
Lauren balançou a cabeça, suspirando quando os braços abertos de Camila a convidaram para um abraço caloroso, ela enterrou o rosto no pescoço da namorada.
- Camila, isso é loucura. - Lauren murmurou, apertando-a com força. - Eu aprecio o que você está tentando fazer, mas...
- Lauren Michelle Jauregui, - Camila murmurou, pegando em suas bochechas. - As quartas de final, é em quatro dias, representantes de um dos maiores times de futebol do mundo estarão aqui pra te ver... Você não vai estragar isso...
O coração de Lauren doeu enquanto ela se apaixonava mais e mais a cada palavra que saia dos lábios de Camila. Ninguém nunca tinha lhe amado daquela forma, jamais.
- Eu te amo. - Disse ela, pressionando um beijo na testa de Lauren. - Você vai ficar bem.
- E você? - Camila sorriu.
- Eu não posso sempre deixar você ser minha heroína, né? E eu sei que eu preciso aprender a lidar com o luto, e eu vou fazer isso, mas vamos resolver um problema de cada vez. Eu vou ficar bem. Agora seja uma boa namorada e me apoie.
Lauren soltou um suspiro trêmulo. Mila deu um beijo rápido nos lábios dela antes de se sentar em sua cadeira. A porta se abriu e Sinu invadiu, seguido por Simon Cowell.
- Senhoras. - Ele suspirou quando se sentou atrás da mesa, Sinu sentou-se ao lado de Camila. - Eu disse a sua mãe o que aconteceu.
Camila se virou para Sinu, pronto para os comentários de censura, ou ameaças disciplinares, em vez disso, ela recebeu uma espécie de encolher de ombros.
- Então, você... agrediu Dax Mullligan por ferir Mike, o irmão da sua namorada. - Simon bufou com ironia.
- Ela o espancou, e o torturou, queimando sua face com cigarro. - Sinu levou o olhar lentamente até Lauren. - Inclusive de onde saiu esse cigarro?
- Isso é um exagero! - Lauren rosnou. - E o que ele fez com meu irmão? Não é tortura?
Mila lançou-lhe um olhar, e ela parou de erguer-se, parecendo irritada.
- Como ele está? - Sinu perguntou, com os braços cruzados sobre o peito.
- Os paramédicos disseram que ele está bem. Apenas uma fratura no nariz e alguns vários machucados para curar. - Simon resmungou. - Poderia ter sido pior.
Lauren revirou os olhos, enquanto Camila pigarreou.
- Que bom! Então minha filha não precisa perder a bolsa de estudos por ter salvado um garotinho de um agressor.
- Não há nada de heroico sobre agressão, Sinu. - O diretor fervia.
- Sério? - Lauren retrucou - Onde estava essa atitude quando aquele bastardo atacou meu irmão? Me diga, senhor Cowell, onde estava a sua noção do que é certo e errado quando ele o perseguiu, o espancou e ninguém fez nada?
- Ela está certa. - Sinu concordou. - Se não podemos oferecer segurança aos nossos alunos, então o que vamos oferecer?
Camila não podia acreditar que sua mãe estava do lado dela. Ela estava tão certa do castigo que tomaria. Piscou os olhos, tendo noção que Lauren provavelmente tinha lhe contado a verdade.
- Regras são regras, Sinu. - Simon rangeu com remorso. - Ela pode ser perfeita academicamente, e ela é uma das alunas mais brilhantes que já passaram aqui, eu entendo que os últimos acontecimento mexeram com ela, mas Camila tem o temperamento de um bêbado.
- Cuidado com o que diz! - Lauren cuspiu, os punhos cerrados quando ela se levantou da cadeira.
- Lauren! - Camila sussurrou suavemente, atirando-lhe um olhar de advertência.
O diretor levantou uma sobrancelha para Lauren e murmurou:
- Vou tolerar suas explosões de emoção hoje, Lauren, em conta do que tem acontecido com seu irmão. Mas sobre Camila, eu sinto muito. Está fora das minhas mãos.
Camila ficou boquiaberta ao vê-lo se levantar, endireitando a gravata.
- Tenho de falar com a chefe dos paramédicos. - Simon suspirou. - Eu sinto muito, Sinu. Tenho certeza que Camila inteligente como ela é, pode encontrar outra universidade que queira seus dons. Vou te informar se o Sr. Mulligan desejar prestar queixas.
Ele os deixou em seu escritório sem outra palavra.
- Apresentar queixa? Ele está brincando? - Lauren virou-se para Camila. - Camz, você não pode...
- Está feito, mi amor. - Camila deu-lhe um sorriso aguado.
Sinu ficou em silêncio, observando os dois com uma expressão ilegível.
- Ela está certa, Lauren. Sinu suspirou finalmente, causando uma expressão de choque no rosto das duas garotas.
- Sra. Cabello... - Lauren recuou. - Com todo o respeito, você não pode está falando sério. Você não pode deixar Camila fazer essa loucura...
- Lauren... -Sinu suspirou, olhando para o olhar inquisitivo verde de Lauren.
- Você está certa. Eu não posso deixar Camila fazer qualquer coisa, ela só tem 17 anos. Mas eu conheço minha filha... Se ela tem certeza, então está feito.
Lauren não parecia convencida. - Senhora, ela está jogando sua carreira foro por...
- Por você. - Sinu assentiu, perfurando o olhar de Lauren. - Pelo amor da sua vida. Soa justo para mim, Jauregui.
Camila olhou para a mãe por um momento, amor enchendo seu olhar, antes de ligar as mãos com Lauren.
- Eu vou te proteger. - Lauren gaguejou. - Eu vou pagar sua mensalidade. Qualquer lugar. Onde você quiser, Camila. Eu vou-
- Laur... Tudo bem, ok? Eu faço outras coisas. A arte e a música são apenas passatempos, eu também sou boa com cálculos e literatura.
Lauren sabia o que isso era mentira. Ela deixou isso afundar em seu intestino, fazendo com que se sentisse dolorosamente magoada.
- Nós só precisamos nos preocupar sobre Mike e Dax e as acusações que ele vai fazer. Se ele lembra que você o estrangulou ele, ou queimou com cigarro, o que... ele provavelmente vai, é a minha palavra contra a dele, então... pelo menos é bom.
- Lauren. - Sinu colocou a mão no ombro da morena. - Posso ter um momento com Camila?
- Claro. - Lauren baixou a cabeça, apertando a mão de Camila, saindo do escritório com um baque suave da porta.
Camila se virou para a mãe, com lágrimas nos olhos.
- Oh, meu bebê. - Sinu sussurrou, dando um passo à frente para embalar Camila nos braços dela.
- Olhe pelo lado bom. - Camila sussurrou de volta. - Você nunca quis que eu fosse para Nova York.
Sinu franziu a testa. - Eu... eu só quero que você seja feliz. Camila assentiu, enxugando as lágrimas.
- Lauren me faz feliz, mãe.
- Eu sei disso. - Sinu murmurou, acariciando as bochechas de Camila. - Isso é realmente o que você quer? Baby, conte, e eu posso consertar tudo. Lauren vai lidar com isso. Ela é uma menina maravilhosa ela-
- Mãe. - Camila sacudiu a cabeça. - Está feito. Eu faria de novo, mil vezes.
- Ok. - Sinu sussurrou, beijando a testa de Camila. - Você é tão boa, tão doce. Eu as vezes não acredito que alguém assim saiu de dentro de mim.
Camila fungou, seu coração tropeçando em emoção, indo e vindo em um assunto que elas deveriam tratar. Algo que Camila sabia que exigiria mais do amor de Sinu que qualquer coisa.
- Sei que esse não é o momento, mas tem algo que eu quero te pedir.
- Sim.
- Sofia... - Sinu soltou o rosto da filha, para lhe dar mais atenção. - eu gostaria que você entrasse com o pedido de adoção dela.
Sinu recuou um pouco, não tinha pensado nisso. Em meio ao turbilhão de emoções, ela nem ao menos tinha se dado conta que Sofia não era sua, cuidou tanto dela quanto de Camila com o máximo de amor que podia, mas aquilo era um passo enorme.
- Mila, eu... Eu... Eu não sei se Sofia deseja ficar conosco.
- Mama, ela não tem ninguém, nem mesmo a sua mãe biológica, não quero ver minha irmã indo para um abrigo.
- Não! Isso jamais, eu farei o possível para que Sofia fique conosco. - Sinu prometeu, segurando sua filha perto de seu coração.
- Obrigada, mãe. Você não sabe o quanto isso está me fazendo feliz... Eu te amo. - Mãe e filha trocaram um abraço demorado, que finalizou com um beijo da Cabello mais velha no topo da cabeça da filha.
- Então é ela?
- Sim. - Camila afirmou e Sinu assentiu, - Eu estou tão apaixonada, tão louca de amores por ela que eu custo acreditar que é real. Eu não sei como dizer isso sem parecer estúpida. Ela é meu ar. Ela me faz me sentir segura, linda, amada... - Camila sorriu encantadoramente. - Ela me dá vontade de melhorar, e hoje de manhã eu quase a magoei, estou sofrendo tanto pela perda do meu pai que esqueci que quem precisa de amor são os vivos.
- Espero que você cuidem desse amor, as coisas grandes, são as mais fáceis de serem perdidas.
Lauren estava mexendo nos armários da entrada na terça pela manhã. O clima é diferente de tudo que ela esperava. Os corredores estão cheios e ainda que o foco seja as fofocas pós-fim de férias, ninguém está realmente feliz. A agitação do lugar a algo mais reservado. Mesmo o fato de supostamente Camila ter agredido Dax, não é tão grande quanto ela esperava que fosse.
Procurou Alycia brevemente, mas sabia que não a encontraria. A loira tinha aula e estava perdida em suas próprias dores. Parece que dessa vez Sophie e ela não vão voltar e Lauren teme que isso a afete ainda mais. Por que estava tudo tão ruim de uma hora pra outra?
Ela tentou fugir das conversas de corredor, mas acabou dando de cara com Lucy Vives. Ou, mais precisamente, Lucy Vives correu até ela.
- Tô tão feliz que encontrei você - Exclamou Vives, parando de frente ela. A palavra feliz parece ser tão mal colocada que ela recuou e sorriu nervosamente. - Desculpe, péssima escolha de palavras.
- Tudo bem. - Ela respondeu, cruzando o braço em volta do corpo.
Lauren não fica alarmada em ver sua ex conversando com ela daquele jeito mais leve. Todo mundo já sabe que ela e Vero estão de volta, ainda que elas não estejam fazendo disso algo publico.
- Como ela está? Eu não tive coragem para fazer uma visita. - Disse ela. - Camila foi minha inimiga juramentada durante grande parte da nossa vida. Mas eu nunca desejei que ela passasse por isso.
- Eu sei. - Lauren a tranquilizou. - Obrigada por se preocupar... - Um silêncio demorado ficou entre elas. Lauren mudou o peso do corpo antes de dizer: - Lucy eu sinto muito e não quero ser grossa, mas estou um pouco ocupada. Preciso ir para aula e depois procurar Alycia. O que quer?
- Oh, claro. Eu não quero te atrapalhar, só quero conversar com você sobre um assunto meio urgente não vou arrodear mais. A questão é que eu sei que é você quem paga para Vero jogar no time - Declarou ela. - Eles nunca aceitaram pagar o aumento de 40%, foi tudo você. Por quê?
Lauren piscou os olhos acompanhando a fala da garota. Ela não queria negar. Já faziam tantos meses, tinha se esquecido daquele fato e agora não era o momento ideal pra voltar a se preocupar com isso. Ela só queria encontrar sua prima, precisava tanto desabafar com Alycia, mas, mesmo assim, voltou a olhar Lucy e respondeu:
-Porque eu queria que ela tivesse chance de viver seu sonho e ajudar sua família, como eu tive por ter privilégios e privilégios. Satisfeita? - Os olhos de Lucy brilharam em um tipo de satisfação.
- Sim, isso só prova que estou fazendo a coisa certa.
A atenção de Lauren começa a se desviar da conversa, até que Lucy vai direto ao ponto.
- A questão é que eu estou morando com Vero. - Lauren assentiu. - Meu pai me colocou pra fora de casa e nessa briga ele me contou coisas, coisas duras de ouvir. Sei que você deve estar cheia de problemas, e eu não quero ser mais um desses, mas assim que eu voltei pra casa, confrontei Vero sobre o que eu tinha ouvido do meu pai. Vero relutou, mas aos prantos, acabou me contando o que aquele bastardo fez com ela e provavelmente com mais garotas. Ele é um filho da puta de um abusador, Lauren! - Lucy parou para respirar um momento e então prosseguiu. - O que eu quero dizer é, você é a pessoa mais justa que eu conheço e tem meios para fazer isso algo publico. Me ajude a colocar esse desgraçado atrás das grades.
Lauren não precisa ir a fundo no seu plano de Alycia, ela apenas conta a Lucy o que é necessário que ela saiba. Não queria expor Ally a mais pessoas e sabe que pelo silêncio respeitoso, Vives juntou as peças.
- Como ela conseguiu se camuflar todo esse tempo? - Vives perguntou.
- Usando sua influência e chantageando as pessoas certas. Precisa conseguir que Vero o denuncie.
- Ela está decidida a denunciá-lo. - Lauren sentiu a quentura se espalhar em seu corpo. Era a melhor noticia que ela recebia em semanas. - É só você dizer quando que iremos.
- Precisamos de mais provas, talvez leve um mês ou dois para isso, porém sinto que vai dar certo.
- Você é maravilhosa Lauren. - Lucy abraçou Lauren mais forte. - Aquela cubana arrogante é muito sortuda.
- Você também é, Vero é maravilhosa.
- Ela é mesmo. - Assentiu Lucy com um brilho diferente nos olhos e então prosseguiu. - Só preciso de mais um favor seu. Diga a Camila que eu não tenho magoa alguma do passado, faça ela saber que sinto muito por tudo que fiz com ela e que não tenho ressentimentos do que vocês fizeram comigo.
- Eu direi. Eu também sinto muito por ter... você sabe.
- Lauren, eu não vou dizer a você que não fiquei puta da vida por ter me traído debaixo do meu nariz, mas sabe? Eu to vivendo uma fase tão boa da minha vida que não posso me distrair com essas coisas, entende?
Sim, Lauren entendia. Com alguns rompimentos, tudo em que você consegue pensar depois é o quanto acabou mal e o quanto a outra pessoa magoou você. Com outros, você fica sentimental e se lamenta pelos bons momentos que nunca mais terá. Quando Lauren pensou em Lucy enquanto ela caminhava em direção a sua sala, o final parece uma grande bobagem. Porque elas estavam trilhando juntas um caminho leve.
Talvez seu dia não fosse tão mal assim.
Alycia sente que está tudo mudado, tudo a sua volta mudou. Antes que era tudo uma questão de esperança e expectativa. Agora, é desistência, expectativa e vazio. A questão nunca foi Joe, Joe. O maldito foi apenas o fio condutor do caos. Elas nunca estiveram prontas para o que estavam fazendo e talvez nunca estariam.
O melhor a se fazer era deixar que a ruiva fosse embora para Londres, se apaixonasse por alguém melhor que ela e que a vida siga seu rumo. Talvez elas se encontrassem anos a frente e rissem de um dia terem pensado que foram apaixonadas uma pela outra. E Alycia só conhecia um jeito de afastar Sophie, voltar a ser a Alycia que Sophie detestava.
Estava dando certos nas últimas semanas, voltaram a transitar em sua cama mais mulheres que ela podia lembrar, ela trocou as noites de sexta namorando no sofá da sua casa por bares e álcool. Os momentos que deu errado foi quando ela acordou com ressaca na manhã seguinte as suas bebedeiras e descobriu que a mulher ao seu lado não é a ruiva. Eram nesses momentos que Alycia sentia como se tudo estivesse errado.
A nada menos que um mês atrás elas eram um casal que não conseguiam passar um dia sem se pegar no corredor. Como tudo ficou daquele jeito? Não há resposta, é só a vida.
- Alycia você vai entrar. - Eliza perguntou, quando abriu a porta da sala e a encontrou parada olhando a porta com uma expressão cansada. Sua atenção vai até a mulher a sua frente, ela está sorrindo, mas não é tão bonita quanto Alycia se lembrava. É só bonita.
Ela escultou o bip do seu celular e leu rapidamente uma mensagem de Lauren. Olhou para a loira um segundo e deu de ombros.
- Desculpe. - Disse ela. - Eu preciso ir...
Seus passos apressados cortam o corredor em direção a saída principal. Sua mente meio que perambula por vários lugares e principalmente em Lauren e em tudo que ela está passando junto com Camila nas últimas semanas. Queria ter metade da força da prima, ela jamais aguentaria.
Andou tão depressa que não notou que alguém vinha em sua direção tão distraída quanto ela. Alycia freou os pés, um segundo antes de se chocarem, mas ficou sem palavras quando viu e reconheceu dois brilhantes olhos azuis.
Sophie cansa da troca de olhares e desvia o olhar para o lado, mas ainda se mantém ali. Parada. Esperando uma atitude que não vem. Alycia olhou para baixo, ficaram ali por um momento. Não se mexem, mas hesitam em sintonia.
- Você se arrepende? - Alycia escultou sua voz perguntar. Sentiu que precisava saber.
- Não. - Respondeu novamente. - E você?
- Também não.
- Isso não é justo.
- Não - Concordou Sophie - Não é nada justo. - Ela passou a mão na mochila, como se estivesse se segurando nela pra não correr. - Achei que daria certo, mas nós duas sabemos que não vai dar certo.
- Desculpe. - Alycia pediu, mas sabia que não era suficiente.
Não existe uma expressão para tudo que ela precisa dizer, não existe uma frase que possa explicar o que ela sentiu a ruiva lhe dando as costas. Era sempre ela quem ia embora.
Não vá, é o que ela tem vontade de dizer. Mas ela não diz. A única resposta é o som da sua partida.
- Procurei você durante todo o dia? - Disse Lauren, quando Alycia sentou do seu lado na arquibancada. Estava molhado e frio, mas ela precisava da prima.
- Desculpe pelo sumiço... Espero que não seja muito tarde. Ainda quer conversar?
- Sim. - O silêncio se fixou entre elas e Lauren teve que perguntar. - Em que você está pensando?
- Em Sophie.
- Desconfiei.
- Estou ficando tão previsível assim?
- Eu te conheço bem.
As duas ficaram olhando o campo de futebol, os ombros quase colando em um torpor lavado pela chuva. Parecia uma força mais poderosa que precisava se apoderar de tudo. Algo gigante e incontrolável.
- Você é minha melhor amiga, Al. - Alycia deu um pequeno sorriso para a prima. - Tenho medo de te perder...
- Eu nunca vou te abandonar, Lauren.
- Eu sei, não é seu abandono que me causa medo, é o fato que não temos controle de nada... A vida é um pêndulo indo e vindo, sem controle.
Alycia riu baixinho e Lauren ergueu a sobrancelha.
- Do que você está rindo idiota?
- Você falou de pêndulo, e a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi a Miley Cyrus seminua em cima de uma bola de demolição.
Lauren parou um segundo, e em poucos tempo as duas estavam rindo sem parar. Aquele momento em que só sorrisos parecem fazer sentido em meio ao caos que estavam vivendo.
Lauren secou as lágrimas que se formaram no cantinho dos olhos depois de tantas risadas. Elas precisavam levar seriedade aquele momento, correriam contra o tempo:
- Vamos derrubar Tyrone Rodgers. - Disse ela. - Lucy conseguiu convencer Vero a denunciar o bastardo.
- O quê? - Espantou-se a loira. - Lucy? Lucy Vives, sua ex-namorada hippie e meio maconheira?
- Sim, Alycia, leve o assunto a sério.
- Ok, isso é maravilhoso!
- Eu sei, mas não o suficiente, eu tenho um plano... Mas antes, quero te pedir um favor.
- Se não envolver assassinatos, estou dentro.
- Quero que fique responsável por um fundo para Juilliard. Passarei os valores para você, e será responsável pela transação em meu nome.
- Você vai financiar a faculdade dela, né? - Os olhos verdes de sua prima arregalaram... - Isso é... maravilhoso.
- Sim, mas você conhece a Camila, ela não aceitaria isso vindo de mim, então... Como você é cheia de planos mirabolantes, pensei que seria interessante me ajudar a não deixar que ela saiba até o dia dela se mudar para Nova York... Você fará a transação, e todos os pormenores, apartamentos, materiais de aula, tudo que puder proporcionar a Camila durante 5 anos. Quando o ano letivo chegar ao fim ela irá para Juilliard de qualquer jeito.
- Isso vai te custar uma fortuna.
- Eu não dou a mínima, vou vender meu carro. - Não havia um traço de dúvida em sua voz. - Tenho bastante grana no banco.
- Lauren... A Lana?
- Sim, mesmo com todo dinheiro que juntei ao longo dos anos não é suficiente, e meus pais jamais me dariam esse valor em mãos... Vocês sabem que eles são meritocratas.
Alycia sabia que Lauren estava decidida, ela sabia porque aquela chama que não dava espaço para outra linha de pensamento brilhava bem naquele momento. O questionamento em sua mente era outro, e escapuliu sem ela perceber:
- De onde vem tanto amor?
- Você não entenderia, só amando ela como eu amo.
Acordo, é meia-noite e meu telefone toca. Não de propósito, mas eu perco a ligação. Não conheço o número, mas não sei se posso dizer que não imagino quem seja. Há um leve tremor quando pego o celular na mão e vejo que ela deixou uma mensagem de voz. Não consigo encontrar lugar em mim que exista coragem para ouvir, por, pelo menos, uma hora.
Eu comecei a beber, colocando a garrafa nos meus lábios, aproveitando a gradual dormência que se espalha pelo meu corpo, esperando que se eu estiver apenas bêbada o suficiente, eu não vou sentir a imensa quantidade de dor por saber que ela está novamente tão perto de mim. Talvez a duas quadras, talvez menos.
Ela liga novamente. Arrasto meus dedos pela tela em um movimento praticamente automático, vou acabar com isso de uma vez.
- O que você quer Camila? - Existe um suspiro de surpresa em seus lábios. Ela me conhece, e sabe que eu não atenderia em condições normais. Talvez a bebida tenha deixado tudo anormal. - Por que você continua tentando me magoar? - Existe uma cobrança complexa por trás da minha voz. Quero desligar, mas, ao mesmo tempo, preciso desesperadamente ouvir sua voz.
Eu corro meus dedos pelo meu cabelo desfazendo os nós, empurrando-os para longe do meu rosto e ela suspira:
- Eu não estou fazendo isso para machucar você. - Sua voz rouca existe em uma realidade que eu nunca vou poder dimensionar. Que saudade de como ela parece sempre alegre, mesmo quando ela não está. - Eu te liguei porque não importa o que eu faça, ainda vou voltar correndo de volta pra você Lauren, seja de maneira abstrata ou de maneira real.
Eu nem sei porque atendi sua ligação no meio da noite, eu nem sei que diabos eu vim fazer em Nova York. Eu nem sei que diabos eu tenho feito da minha vida nos últimos três anos. Vagando talvez, é acho que essa é a melhor palavra, eu vago. Como uma fantasma da pessoa que eu já fui um dia. E eu deveria estar satisfeita, são todas as escolhas que eu poderia fazer da minha vida depois de ter perdido tudo, minha vida, minha melhor amiga, o futebol, o amor da minha vida... Eu sou um vagante de um passado que não existe mais.
Ter expulsado Camila do meu quarto na universidade foi a coisa mais difícil que eu já fiz, mas era necessário. Eu estou permanentemente magoada por ela. Magoada porque ela me traiu, é tão corrosivo que sua voz está começando a me irritar. Eu já nem sei se irritada com ela ou comigo. Volto sempre aos velhos hábitos. Deixei a mulher linda que me ama dormindo sozinha na nossa cama para atender a ligação da minha ex namorada que nunca superei, mas quantas vezes eu repetir isso apenas para fuçar suas redes sociais e depois me afogar em culpa e ciúmes, apenas porque ela está abraçada com carinho excessivo com algum amigo, ou amiga.
Sua voz volta a me trazer para a nossa realidade.
- Eu vou sempre ser infinitamente louca por você e eu respeito o fato de você não me querer mais em sua vida... Eu entendi isso, ela é maravilhosa...é o tipo de pessoa que eu imagino sendo mãe dos seus filhos e vivendo a vida que Lauren Jauregui merece... Afinal, eu estraguei tudo. - Suas palavras parecem tão honestas, vulneráveis, mas... Eu nem consigo pensar direito, é a sua voz ali. A voz que eu passei a maior parte dos anos sem ouvir.
- Eu apenas estou tentando tirar você da minha vida, - Ela deu um sorriso que normalmente da quando não queria dizer o que disse. - eu não estive com ninguém nos últimos três anos, até hoje...
Eu nem pensei em duvidar, podia ouvir a tensão em sua voz, eu conheço a maneira que ela sempre soava tão cansada depois do sexo. Camila sempre foi uma mulher de intensidade, mesmo nas menores coisas ela se entregava por completo. O pensamento de que havia uma garota no seu quarto, provavelmente ainda sem roupa, provavelmente ainda cheirando a Camila me deixam irritada.
Eu espero que o líquido áspero faça seu curso pela minha garganta, levando para longe a imagem de alguém tocando sua pele. Mas de repente, nem é mais aquela garota sem rosto que está tocando Camila, é Alycia e eu sinto que vou vomitar, minha visão já está embaçada.
- Porra me deixe em paz! - Preciso controlar para não gritar aquilo. - Só faça o que quiser...
- Eu vou fazer isso, só precisava me desculpar por tudo que eu te causei. - Ela suspira pesadamente, e sua voz ecoa pelo telefone, quero perguntar a ela onde ela está e se a estranha que fodeu com ela durante a noite ainda está lá. - Eu só liguei, porque eu queria saber o que você fez, o que você fez para me superar, me diga uma maneira de deixar tudo que planejamos para trás, e eu vou tentar. Apenas me diga como Lauren. Me diga como deixar você ir...
Ouvir isso é uma coisa engraçada. Afinal, foi ela quem me deixou ir. Foi ela quem se fechou para o mundo e terminou o nosso relacionamento da maneira mais patética que alguém poderia. Então, deveria ser eu a estar lhe perguntando aquilo.
Tropeço para fora do quarto, a varanda está escura, então eu chego até a pequena área de piso na frente da porta.
Eu pensei que era o álcool fazendo minha visão borrar, mas quando uma única gota escapa, deixando uma linha no meu rosto, percebo que estou chorando. Tento me forçar a desligar o telefone agora, porque eu posso sentir as palavras que estão aninhadas na ponta da minha língua, ameaçando derramar.
- Por que você fez isso? - Eu sussurro, perdendo todo o controle. Não posso culpar o álcool, eu poderia estar sóbria e esta conversa com Camila teria me afetado do mesmo jeito. - Por que me liga no meio da noite pra me contar que transou com outra pessoa? Já não basta tudo que passamos? O que você quer Camila?
- Seguir minha vida talvez, como você fez nos últimos dois anos.
Eu sinto vontade de rir do que eu ouvi. Não sei se o que tenho feito é seguir a vida. Quando eu anseio por ela; sua pele, seu toque, seus lábios, sua risada, seus olhos, sua voz e o jeito que ela cheira. Eu nunca segui minha vida, eu me amarrei a controles para aplacar sua falta. E tava dando certo até eu vir para essa maldita cidade.
Há outro surto de silêncio, e há tanta coisa que eu quero dizer, mas em vez disso, para preenchê-lo, eu me vejo distraidamente perguntando:
- Ela está aí?
- Sim. - Ela admite.
- Então porque diabos você não está na cama com ela agora?
- Pelo mesmo motivo que você não está na cama com sua namorara agora. - Sua resposta é quase automática, como se ela soubesse exatamente o que eu diria.
- Deus, você é louca... Está tentando destruir minha vida mais uma vez...
- Não Lauren, eu te liguei porque a noite toda eu estive comparando incessantemente ela com você. Ela não tem o seu gosto, ou cheira como você, ou usa o cabelo como o seu, e eu não preciso ficar na ponta dos pés para beijá-la mais rápido, ela não deixa marcas pelo meu corpo, ela nem ao menos me marcou com suas unhas, e ela não grita obscenidades, e ela não provoca, ou lambe, ou beija da maneira que você faz, eu nem sinto vontade de escrever canções de amor pra ela... Mas eu sei que ninguém nunca será como você, jamais, eu só quero que você saiba que eu nunca trai você... - Ela está chorando agora, seu tom de voz ficou mais rouco e ofegante. - Eu nunca trairia você, tudo que sonhamos, Alycia e eu, eu acordei do lado dela e...
- Eu não quero ouvir isso novamente. - Cortou-a, não ia conseguir repassar aquilo novamente. Não depois de tudo que eu passei para apagar.
- Eu sei disso. Você deveria ter confiado em mim... Você deveria ter confiado em nós...
Ela desligou sem me dar adeus.
A minha borboleta do caos tinha batido suas asas.
Olá queridxs.
Mais um capitulo onde o caos e o amor se entrelaçam e a pergunta mais chocante se faz "O que Camila teria feito para isso acontecer?"
E que amor sem medidas dessas duas? Uma entregando tudo que pode, a outra retribuindo... Pode parecer chocante, mas é nesse amor que eu acredito, no amor tão puro que coisas matérias são apenas vento.
Eu queria dizer que Teoria está chegando ao fim, quase um ano depois de eu ter colocado minha história aqui eu sinto que dou adeus aos melhores personagens que já construir. Acho que teoria só perde pra profanos em construção de personagens. Pq sei que vocês vão sentir falta, dessa Lauren, dessa Camila e dessa Alycia.
Aproveitem... E nos vemos em breve, para atualizações de No way e A ordem.
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