Livro dois - Protetora



Olá babys, eu odeio interromper a ansiedade da leitura de vocês, mas preciso deixar aviso antes de vocês correrem para ler. Prestem bastante atenção nessas coisas:

Existem um capítulo que se chama consequences, que umas pessoas preferiram não ler. É altamente recomendável que vocês façam isso agora porque a história a partir de hoje vai visitar o futuro várias vezes, e quem não leu não vai entender. Não adianta porque é impossível vocês interligarem os fatos sem ir lá.

Outra coisa, haverão mudanças no modelo de escrita. Prestem bastante atenção nisso:


Capítulos em primeira pessoa e em itálico se passam no futuro.


Capítulos em terceira pessoa, se passam no passado.

Não confundam. Estamos entrando na reta final e quero que prestem atenção para não surtarem sem motivos depois.

Podem seguir com a leitura e não esqueçam de votar :D

Seus lábios são passivos demais. Eles não são abrangentes e agressivos e irresistíveis. Eles não são os lábios que me faziam implorar por mais ou debulhar em paixão. Lauren sempre começava fora de controle e é exatamente assim que terminávamos.

Sua boca não tem o mesmo gosto.

Seus dedos parecem gelo quando trilham pela minha pele, e quando ela pergunta se tem permissão para levar as coisas adiante eu me toco que ninguém nunca será como ela. Lauren nunca me pedia permissão, ela conseguia enxergar em meus olhos que eu queria.

Não há uma profunda fricção que envia uma onda de calafrios em toda a minha pele, e a umidade em minhas pernas é apenas tesão. Eu não estou me derretendo por Shay. Eu só estou aqui.

Uma vez que ela está despida, noto que sua pele não é pálida e sim bronzeada como a minha. Ela nem é forte o suficiente para me jogar na cama com uma força calculada. E quando eu começo a subir sobre ela, tendo como único objetivo não parecer fria demais, eu percebo que seus olhos não são verdes. Nem mesmo avelã, ou as vezes cinza, dependendo da luz. Eles são marrons como os meus, meus lábios param um segundo quando eu me recordo que sempre que eu dizia que meus olhos eram muito normais, Lauren me corrigia e me dizia que os amavam porque haviam minúsculos pontos de mel neles e que eles eram os mais bonitos que ela já tinha visto.

"Não existem olhos como os seus, Camz"

Shay não provoca nenhum sentimento. Estamos apenas aqui e quando minha boca está em seu pescoço, noto que ela cheira a flores e quando estou fodendo-a eu só consigo pensar que Lauren cheirava a madeira e óleos corporais.

E quando ela geme, ela diz meu nome e tudo o que eu posso pensar é sobre como Lauren gritava obscenidades em cada onda de paixão.

Lauren se acalmava em vez de gritar. Shay grita. Ela chama meu nome. Ela agarra meu cabelo e me afasta enquanto eu provoco as partes mais sensíveis do seu corpo e tudo que posso pensar é que ela não é Lauren. Mas Lauren não é mais minha. Lauren se foi para sempre. Lauren ama uma loira que mais parece uma modelo e deve ser tão cheias de qualidades que eu vou parecer medíocre se tentar competir. E Lauren sempre amou o fato de eu ser multifacetada. Me pergunto se Lauren conta as pintas do corpo da sua nova pessoa favorita.

É por isso que eu estou aqui, é por isso que dois anos depois do término, eu aceitei o convite de Shay, a garota mais desejada da nossa turma, que desde os primeiros dias de aula tenta me convencer a lhe dar uma chance.

Nova York é a cidade dos corpos frios e distantes, da impessoalidade e do caos urbano. Não sei como durante todos os anos da minha vida eu desejei estar aqui. Lauren era quente até pra Califórnia. Lauren agora é tão fria quanto a temperatura dos termômetros lá fora.

Depois que eu separei nossos corpos, me acomodei no espaço ao lado de Shay, fiquei lá por horas e enquanto eu faço, eu me forço a encontrar coisas nela que eu gosto. Como o fato de que já faz três horas desde que ela veio, e ela ainda está aqui. E distraidamente, ela brinca com meu cabelo que está todo empurrado para o lado, deitado no meu ombro. E mesmo que só falemos, ela não se move apenas fala baixinho contra o meu peito, quase em um sussurro, e na escuridão absoluta do meu quarto, penso em como é uma voz bonita.

Antes eu odiava o fato de não ser rouco o suficiente ou ato, agora eu percebo que é uma espécie de volume perfeito, e eu gosto disso mesmo que suas palavras sejam pouco firme. Eu não tenho que decifrar o que ela está dizendo porque sua voz é clara. E é só a primeira noite e ela já me perguntou sobre os meus filmes favoritos. Ninguém jamais pensou em perguntar desde que cheguei aqui. E ela sorri e é linda sem reservas, e ela não esconde o rosto quando eu faço uma pergunta, e os olhos dela não dançam ao redor do quarto, ela me dá toda a sua atenção nunca se afastando contato.

Ela está confiante agora, embrulhada em meus braços, e eu gosto disso, tenho certeza, uma vez que nós duas sucumbirmos ao sono, ela não vai fugir. Há uma segurança em saber que quando acordar de manhã ela vai estar aqui. De certa forma ela me lembra Brooke Lauren e seu desejo de me desvendar. Algumas vezes eu mergulho na minha mente para saber o que seria da minha vida se eu tivesse me permitido gostar dela.

Ela sempre esteve disposta a ficar, eu que nunca deixei. Vi outro dia uma foto dela e sua noiva no Instagram. Eu nunca seria capaz de colocar um sorriso daquele tamanho em seu rosto, afinal, toda minha atenção era pra alguém que Brooke nunca será e eu sei que isso vai se repetir com Shay, com Matthew, com Brooke ou com qualquer outra pessoa que tente se aproximar. Eles não são Lauren Jauregui. Isso doí. Isso sempre vai doer.

A presença dela não é suficiente para manter à distância o primeiro sinal de lágrimas, e ela não é o suficiente para me impedir de sair do quarto. Ela não é suficiente para me impedir de sair da cama, removendo o seu braço do lado da minha cintura. Ela não é o suficiente para me impedir de pegar meu celular sobre a escrivaninha e ligar para ela mesmo sabendo que eu não deveria.

— Você está pronta para isso?

Camila olhava para o lado de fora do carro. Chovia forte. Ela tirou a vista e encarou Lauren. Era o primeiro dia das voltas as aulas, estavam paradas ainda na porta da sua casa. Vinte e seis dias desde que tinham enterrado seu pai. Vinte seis dias que passaram como poeira no vento.

— Sim, eu tenho que voltar não é? Não é como se eu pudesse evitar.

— Camila... Ninguém vai te julgar se você ainda não estiver pronta.

— Eu vou! – Sua voz saiu mais ríspida do que ela esperava, porém não a impediu de continuar. – Eu vou me julgar pra caralho!

Era sempre assim, ela sentia uma raiva incontrolável que se derramava sobre ela todo dia. Raiva de si própria, raiva dos outros. Raiva do seu pai. Ela sentiu o carinho que Lauren faziam em suas mãos. Ela nunca alterou a voz uma vez sequer em resposta aos seus rompantes de raiva, ela assentia e lhe acalentava. Ela sentia raiva de Lauren também. Por que ela era tão... Perfeita?

— Eu quero ficar sozinha, Lauren. – Ela disse abrindo a porta do carro.

— Camila... – Aquele mesmo tom de carinho. De quem entenderia tudo que ela fizesse. Aqueles olhos que dizem "eu sei como você se sente" sem de fato saber.

Ela não ficou para ouvir o que Lauren tinha pra dizer, abriu a porta do carro e saiu correndo, soluçando, amaldiçoando seu destino. Estava doendo tanto, ainda doía tanto. A vontade enfiar uma bala na cabeça, ou se jogar de uma janela. Qualquer coisa, qualquer coisa que a fizesse sentir algo além de dor.

Invadiu seu próprio quarto, empurrando a porta com o ombro. Passou direto pela cama e parou diante dos seus quadros, todos eles estavam ali por alguém que não estava mais vivo, alguém que não poderia vê-la vencer na vida. Alguém que ficava mais podre a cada segundo que ela respirava.

Um grito cortante saiu da sua garganta, e ela puxou o primeiro palete jogando-o no chão, destruindo sua pintura por completo. Puxou os seguintes, destruindo tudo até que não restasse nada para quebrar dentro do quarto. O quarto estava tão abafado e opressivo, seu coração escoiceava suas costelas, que elas poderiam se romper a qualquer momento.

Ela correu para o banheiro e ligou o chuveiro, entrando na água com roupa e tudo. O frio que caia em seu corpo não causou sensação alguma nela. Apenas mais raiva, ela estava tão morta assim?

Poucos segundos se passaram até que Lauren entrou no quarto, buscando desesperadamente Camila. Ouviu o som do chuveiro ligado e no limite da sua angustia, entrou também no pequeno espaço. Ela olhou no fundo daquelas íris cor de chocolate e constatou que ela estava morta por dentro. Isso a matou mais vezes do que ela era capaz de discernir.

Se aproximou dela e recuou, repetiu o gesto mais uma vez e voltou a recuar. Foi de Camila a atitude que encerrou o espaço entre elas, a garota secou suas lágrimas e se jogou contra ela em um beijo dolorido e raivoso. Lauren queria recuar, mas deixou que ela usasse seu corpo para que aplacasse sua dor. Os lábios maltratavam sua boca com raiva e Lauren não se deu conta que logo chorava junto com ela.

Camila abriu a sua roupa, arrancou com raiva, abrindo todos os botões e empurrando ela na cama, que no meio da bagunça causada por sua destruição parecia a única coisa inteira naquele quarto. Lauren sabia que não era sexo que ela queria fazer. Camila queria sentir alguma coisa. Então ela deixou. Ela se deu para que ela sentisse o que quisesse.

Os minutos se tornaram horas as horas se converteram em uma sonolência apressada, porém ela continuou acordada enquanto acariciava o cabelo da amada. Mas Lauren faria qualquer coisa pela mulher estava deitada sobre seu corpo. Nem dormindo ela parece de fato serena, parecia que a paz tinha fugido dela de um jeito rude. Tipo quando a gente marca um encontro e descobre que a pessoa não foi.

A raiva de Camila deixou marcas por todo seu corpo. Marcas que pareciam tatuagens roxas, muitas delas que doíam. Foi o sexo mais doloroso que ela já havia feito. O menos prazeroso.

O alarme do seu celular tocou ao seu lado e ela sabe que precisava ir. Lauren escorregou lentamente para fora da cama de Camila, beijou sua testa e sussurrou que a amava. Catou suas roupas despejadas por todos os lados e quando estava prestes a descer as escadas, Sinu subia em sua direção. Elas trocaram um olhar demorado.

— Ela está dormindo. – Lauren precisou dizer, já que a mulher olhava expectante para ela. Mãe e filha buscavam se acostumar com sua dor. – Eu preciso ir a aula, se quiser deixo Sofia na escolinha. –

— Ela também não conseguiu dormir essa noite. – Olheiras enormes, escondiam debaixo dos olhos da mulher e as rugas pareciam um pouco mais evidentes. – Achei melhor não deixar ela ir hoje. – Lauren assentiu e abraçou Sinu, deixando que a mulher apertasse seu corpo com força, como se nela encontrasse um ancora. – Você tem sido um anjo na nossa vida, Lauren. Eu não sei como a Camila aguentaria tudo isso sem você.

— Eu faço tudo por ela. – Lauren diz e sabe que não basta. – Eu amo sua filha, Sinu, amo mais do que eu posso lhe definir. Eu só quero pegar um pouco da dor dela pra mim. – Engoliu com dificuldade e suspirou para continuar falando. – Ela está tentando me afastar, de todas as formas. Eu sinto isso, sinto que. Eu não sei mais o que posso fazer.

— Eu sei, querida. – Tocou seu rosto com o mesmo cuidado que fazia com a filha. – Camila vai superar isso, vocês vão ficar juntas. Camila era louca por esse pai, Lauren, Alejandro sempre foi o herói dela. Quando isso passar, vocês estarão mais fortes que nunca. Agora vá pra aula, não quero que você fique mais atrasada do que já está. – Beijou seu rosto e abraçou Lauren mais uma vez. – Eu aviso a ela que você foi pra aula. Não se preocupe.

— Eu vou pra aula.

Lauren e Sinu viraram no mesmo momento e Camila estava parada na porta do seu quarto pronta para o primeiro dia de aulas.

O pai de Mike disse uma vez a ele que a primeira semana do ano marcaria o ritmo para o resto. Quando Michael lhe disse isso, Mike sabia que era apenas uma tentativa do seu pai de deixar claro pra ele que esperava nada menos que o seu melhor em tudo que ele se propusesse a fazer.

Um ano depois de ter ouvido aquela frase, Mike agora sabia que aquilo lhe carregava para algo trágico. Foi na primeira semana que ele conheceu Dax Mulligan, e agora ele não podia negar que as palavras do seu pai faziam muito sentido. A cada encontro que os dois tinham, Dax ficava cada vez mais ousado.

Alguns meses atrás, ele não teria ousado procurar Mike durante o dia, no caminho do garoto ao treino de futebol No entanto, ele parecia captar o fato de que Michael estava mantendo a boca bem fechada. Por mais triste que fosse apanhar pelo menos uma vez na semana, ele sabia muito bem do que sua irmã era capaz. Ela tinha muito com o que se preocupar, ela estava se desdobrando em várias Laurens para ajudar Camila. Ele não queria ser mais um dos seus problemas. No fim ele era tão parecido com Lauren que a teimosia de ambos era absolutamente idêntica, Mike não contaria por achar proteger Lauren.

Então, Mike se viu, pendurado pela gola da sua camisa, sendo usado como saco de pancadas. Ele não gritou, nem moveu os braços para proteger o rosto.

Durante esse tempo, Mike deixou sua mente vagar. Qualquer coisa para distrair da dor. Na maior parte do tempo, ele pensou em Lauren. Ele sabia que ela não queria irmãos. Mesmo quando ela era criança, Lauren sabia que tinha que competir pela atenção dos pais com algo que ela nunca venceria: o trabalho. Ela não queria ter outro adversário no torneio por seu carinho.

Mas no momento em que Mike chegou no mundo, gritando e com o rosto vermelho, Lauren o amou. Ele não conseguia se lembrar daquele dia, é claro, mas Lauren havia contado a história tantas vezes que quase parecia que ele podia.

Ela havia entrado no hospital, conduzida pelos seus tios com Alycia, tagarelando sobre o parto de um golfinho que ela viu no Discovery Chanel. Ela estava totalmente decidida a odiar a criança que saiu de sua mãe. Mas quando ela deu uma olhada no pequeno pacote chorando nos braços da sua mãe, um mês antes do previsto, pequeno demais, com cabelos desgrenhados, Lauren já o amava.

Seu pai disse que ele não parou de chorar até Lauren entrar na sala, e que no momento que seu pai gentilmente passou o bebe para seus braços, ele calou-se. Ela estava lá para todos os valentões do parquinho quando seus pais não se importavam. Ela segurou a mão dele e levou-o para a aula e colocou notas de bom dia na sua lancheira para lembrá-lo de ter um bom dia e que sentiria sua falta. Ela trazia presentes quando viajava com a sua seleção e chorou de saudade a cada vez que seu talento a levou para um time melhor.

Ele sempre olhou para ela, aspirou a ser como ela. Ele sabia que Lauren o amava mais do que tudo no mundo. E ele sabia que ela destruiria Dax Mulligan se ela tivesse qualquer noção do que acontecia ali.

— Você não grita mais, está ficando entediante, bicha.

Neste ponto, Mike nem se incomodou em tentar fugir. Ele estava apenas cansado. Cansado, machucado e, desta vez, sangrando. Bêbado em seu poder sobre alguém muito menor do que ele, Dax tinha esquecido a sua de não bater no rosto de Mike, para manter seu abuso escondido, e a recompensa para o menino ofegante foi, dor, lábio partido e um olho roxo.

A pele da sua barriga era de um matiz de cores, do roxo puro ao verde desbotado e ao amarelo doentio.

Sua respiração ficou presa, e cada respiração o fez estremecer de dor. Ele olhou para o relógio em seu pulso. O primeiro treino da volta as aulas terminariam a qualquer momento. Ele precisava chegar em Will Reike e inventar uma desculpa para Lauren antes de que ela fosse procurá-la.

Infelizmente para Mike, ele não teve tanta sorte.

— Mike?

Ele sabia que seu lábio estava sangrando, assim como seu nariz. Ele já podia sentir os olhos de Camila se abrindo com o susto de olhar seu rosto e que ela nunca acreditaria que tinha caído. Camila Cabello não era uma idiota.

— Você deveria ver o outro cara. – Ele conseguiu dizer com um pequeno sorriso, antes de cair, desequilibrado e tonto, mas antes que pudesse atingir o chão, mãos macias o firmaram, gentilmente sentando-o em uma cadeira.

— Quem fez isso com você, Mike? – Ele ouviu a voz dela. E pensou que nunca tinha ouvido alguém tão mortalmente calma em toda sua vida. – Mike, me diga. Quem fez isso com você?

Logicamente, ele sabia que não poderia se livrar da resposta. De um jeito ou de outro, Camila teria suas respostas e Lauren também. Mike tremeu.

Lauren o mataria.

Ela nem hesitaria.

Ele não podia encher seu saco com mais problemas.

— Você não pode dizer a Lauren, – ele implorou, e as palavras eram como uma oração em seus lábios sangrando, – você não pode dizer a Lauren, Camila. Ela está muito triste com tudo que está acontecendo, por favor.

— Mike há quanto tempo isso está acontecendo? – Ela levantou gentilmente a bainha de sua camisa e ele não se incomodou em tentar impedi-la, ele apenas fechou os olhos com mais força quando ouviu seu suspiro suave ao ver as lembranças físicas de seu atormentador.

— Quem fez isso? – Ela repetiu depois que ele permaneceu em silêncio. – Mike. Olhe para mim.

Ele não queria abrir os olhos. Ele sabia que no segundo em que ele fizesse isso desmoronaria, e as lágrimas que ele vinha lutando para segurar derramariam de seus olhos, e ele sabia que Camila ficaria ainda mais triste do que já estava.

Ele abriu os olhos. Camila estava olhando de volta para ele, e as lágrimas escorriam por suas bochechas. Os dois estavam em prantos.

— Você não pode, – ele repetiu, mas suas palavras eram trêmulas e ele não conseguiu terminar sua frase, – ela vai...

— Ela tem que saber, Mike. – Repetiu Camila. – Quem está fazendo isso com você?

Ele respirou fundo e contou até três em sua cabeça. Mike lembrava de outro valentão uma vez quando era criança. O garoto quebrou sua boca com um soco no futebol e Lauren empurrou o agressor do topo do escorregador e quebrou o braço dele. Mike tinha certeza que Dax sairia com muito mais que um braço quebrado.

Ele tinha se afastado de sua irmã ao longo das agressões, parou de deixar que ela chegasse perto e recuou a cada vez que Lauren tentou cuidar dele, ela só queria que ela o deixasse em paz. Mas estava tão cansado de sofrer e de doer.

— Dax.

Camila estendeu a mão e gentilmente roçou o polegar em sua bochecha, e Mike se inclinou para ela. O toque, respiração engatando. Ele não podia voltar atrás, não agora.

— Ele nunca mais vai te machucar, – Camila jurou. – Ninguém vai te machucar novamente.

Mike queria acreditar nela. Ele fechou os olhos novamente e sentiu a mão deixar seu rosto. Ele ouviu a porta abrir e fechar, ouviu os pés recuando rapidamente no chão de linóleo dos corredores da escola. Ele abriu os olhos e devagar, com cuidado, levantou-se da cadeira.

Ele tinha que impedir que sua irmão fosse para cadeia por assassinato.

Lauren saiu dos vestiários das meninas, segurando sua mochila nas costas. Seu treino tinha sido satisfatório e, pelo menos, a equipe parecia bem para as finais do campeonato. Estava pensando em levar Camila pra jantar e depois sair com Mike. Ele sempre melhorava o humor da sua namorada.

Ela ouviu Camila antes de vê-la, a familiar agitação de seus pés, embora seus passos fossem mais rápidos do que o habitual. Ela pegou a namorada em seus braços, com um sorriso no rosto que rapidamente desmoronou quando viu manchas de sangue nas mãos da cubana e rastros de lágrimas escorrendo pelas suas bochechas.

— Camila? – Lauren perguntou, preocupação evidente em seu tom. – Quem machucou você?

— Não eu, não é meu sangue. – Ela respirou fundo, e Lauren franziu a testa, abrindo a boca para fazer uma pergunta até... – É de Mike.

O tempo congelou.

— Quem? – Camila levou um segundo para responder. – QUEM FEZ ISSO, PORRA?

— Dax Mulligan. Laur! – Camila gritou atrás dela quando ela saiu, – Lauren!

A raiva de Lauren tinha controle total sobre suas ações, e tanto quanto ela sabia, lá no fundo, ela sabia que se arrependeria de ignorar sua namorada. Ela precisava chegar a Mulligan mais rápido. Lauren passou correndo pelos vestiários, subiu as escadas que levavam ao campo, quase derrubando alguns líderes de torcida, ignorando Camila em perseguição a ela. Sua mente só processava o nome do maldito.

De repente, tudo começou a fazer sentido. O súbito afastamento de Mike, as marcas roxas que ele sempre dava uma desculpa. Como ela não notou antes? No pátio principal, alunos subiam e desciam em direção aos estacionamentos, ansiosos para a volta pra casa. Camila, sem fôlego e desesperada, quase desmaiou quando bateu em Alycia e Normani.

— Whoa, Camila. – Normani a firmou, os olhos olhos arregalados enquanto ele observava seus traços frenéticos. – O que aconteceu?

Alycia parecia muito sábia para passar tempo fazendo perguntas estúpidas.

— É Lauren. – Ela respirou, olhando Camila com um olhar conhecedor. – Quem, o quê e onde, Cabello?

— Mulligan, eu não sei onde ela está agora. – Camila ofegou.

Alycia e Normani imediatamente decolaram ao lado dela a passos quase maníacos. Lauren havia desaparecido, indo em direção a entrada principal do campo de futebol com uma velocidade incomparável, suas pernas tonificadas pisando rápido o suficiente para levantar as sobrancelhas de estudantes que viam ela passar.

Em uma virada entre as escadarias e grades ela o viu. Dax Mulligan, em sua alta e musculosa glória, rindo com seus dois pequenos ajudantes enquanto fumava um cigarro. Ele estava de costas para Lauren, enquanto seus dois cúmplices não. Seus olhos se arregalaram quando ela aproximou-se como um tigre feroz, os músculos tensos enquanto ela espreitava sua presa. Ela fez um desdenhoso movimento com as mãos e eles correram.

— Ei. – Lauren tocou seu ombro, fazendo ele se virar. Seus olhos piscaram e o pânico o dominou quando ela o reconheceu. – Quem diabos você pensa que é? – Lauren rosnou e enviou um soco apertado e calculado para a mandíbula do menino, mandando-o cair no chão sujo embaixo.

Ela assistiu o jeito que suas mãos voaram na cara dele, e quase sentiu uma sensação perturbadora de calma passar por ela. As vozes de surpresa se repetiram, mas ela não teve pena. Lauren montou sobre ele, colocando seu peso sobre seu peito para não deixá-lo escapar.

— Você gosta de foder a vida pessoas inocentes? – Ela rosnou, distraindo-o com um golpe direto no nariz, observando a cascata de sangue carmesim como uma cascata quando ela ouviu um estalo satisfatório. – Eu te disse pra ficar longe dele seu filho da puta! – Ela rosnou, palavras pingando de veneno quando ela empurrou a cabeça dele mais no chão. – Você gosta de ser um idiota? Então eu vou te marcar como um! – Ela rugiu, extinguindo o calor brasas do cigarro na carne do seu rosto, fazendo-o gritar de dor, certamente alertando todos dentro de um raio de trinta quilômetros de suas ações.

— Lauren!

O olhar de esmeralda de Lauren, coberto de ódio, parecia quase preto quando ela olhou para cima. Mike, na parte de cima, se aproximou do lado oposto das arquibancadas, um olho fechado, lábio sangrando. Lauren engasgou em choque com a visão de seu irmão.

— Lauren, por favor! – Mike implorou, observando Dax colocar os punhos para cima, seu sangue manchando o rosto.

— Vamos Jauregui. – Dax sorriu, levantando-se. – Eu fiz o seu irmão minha putinha... Minha putinha. Eu disse que me vingaria sua puta!

Ela o atacou de frente, fazendo ele colidir com o cimento, enquanto ela soltava uma série de golpes, por seu estômago, suas costelas, seu pescoço, seu rosto, tudo e qualquer coisa que ela pudesse. Ela sentiu ele se contorcer no primeiro, quando o punho dela fez contato com a carne dele, mas depois do nono ou décimo, ele estava mole, arfando debaixo dela.

Os olhos azuis de Mike olhando para ela.

Um murro.

Lauren embalando Mike naquelas noites em que seus pais chegavam tarde do trabalho. Outro soco.

Lauren enfaixando os arranhões de Mike e ensinando-o a jogar futebol. Mike trazendo flores Lauren no dia das mães.

Um soco na garganta, deixando-o assobiando e ofegando por ar.

Mike assando biscoitos para ela depois de seu primeiro torneio.

Ela o sentiu tremer, convulsionando embaixo dela, seu corpo protestando de qualquer maneira que pudesse.

Mike apoiando seus sonhos de jogar futebol.

Outro soco.

Mike gastando todo o seu dinheiro do trabalho de verão para comprar camisas de banda para Lauren.

Outro.

Mike chorando na camisa de Lauren, porque seus pais não estavam lá para ver sua peça no ensino médio.

Outro soco.

Mike prometendo Lauren que ele sempre seria seu maior fã, mesmo que ele não estivesse perto. Mike fazendo de tudo para que Camila e ela ficassem juntas.

Lauren estava fora de controle. Ela sentiu desejo de envolver as mãos em volta do pescoço e vê-lo sangrar e sufocar até a morte. Ele machucou seu inocente irmãozinho. Ele o assistiu sofrer.

Ela levantou o punho mais uma vez, mas congelou, a segundos de distância do rosto de Dax. Lauren sentiu seu punho tremer, enquanto vozes familiares se desenrolavam em torno de sua mente entorpecida.

Era Alycia que gritava.

— Solte-me, Normani. Foda se! Ele machucou Mike, Normani. Mike! Meu irmãozinho.

— Camila não te disse isso para que você pudesse se tornar outro touro furioso! – Murmurou Normani, enquanto segurava Alycia de volta, grata por ela não ter a responsabilidade de domar Lauren, que era mais forte e um pouco mais agressiva que sua prima.

Camila se aproximou de Lauren. Ela sentiu as mãos em seus ombros, e girou. Já tinha visto aquela Lauren antes, batendo exatamente em Dax e aquilo não a assustou. Olhos castanhos perfurando seu olhar de esmeralda. Ela parecia chocada. Não enojada, não com medo. Apenas chocada.

Lauren sentiu raiva, ameaçando queimar qualquer humanidade que estivesse dentro dela. Seus pais deveriam estar com eles. Eram deles a culpa por toda aquela merda!

— Babe – Ela ouviu Camila persuadir suavemente, e sentiu os braços em volta dela, levantando-a de Dax enquanto ela tropeçou para trás, caindo, desamparadamente entorpecida. Ela pensou que estava caindo, mas Camila a pegou, braços envolvendo-a protetoralmente.

Mike pareceu relaxar quando Lauren não fez nenhum movimento para se libertar do aperto de Camila. Camila entrelaçou os dedos com a mão trêmula de Lauren na tentativa de acalmá-la, sentindo Lauren respirar duro em seus braços, peito arfando. A energia de Camila estava chamando por ela, suave e calmante, e Lauren não conseguia lutar contra isso.

— Ele está bem. Você está bem. – Camila sussurrou, sentindo Lauren inclinar seu peso contra ela.

— Mas você não está... – Murmurou caindo em prantos. – Eu falhei em defender meu irmão. Nem consigo cuidar de você...

— Eu estou de luto, mi amor. Você precisa me deixar sentir.

— O que significa isso? – Um som agudo surpreendeu a todos, quando eles se viraram para ver a figura séria de Simon Cowell. Seguido pela enfermeira que substituía Sinu, que correu para o lado de Dax, com o kit de primeiros socorros em mão. Ela começou a inspecionar o dano. Camila nem tentou explicar nada, ela apenas fechou os olhos e se moveu na frente de Lauren, puxando os braços da namorada ao redor dela, dando a mão a ela.

O cérebro de Lauren estava praticamente frito, então ela apenas segurou em Camila, os braços envolvendo-a cintura quando ela inclinou seu peso para Camila ainda.

— Ele bateu em Mike. Regularmente. – Camila disse-lhe corajosamente, encontrando seu olhar de frente. – Quando eu o encontrei aqui fora... eu não conseguia me controlar, senhor. Eu fui à loucura.

Lauren endureceu, arregalando os olhos em choque enquanto ela girava em torno de Camila, seus companheiros todos fazendo o mesmo.

— Você? Simon zombou. – Você está me dizendo que você foi responsável por isso? Não Jauregui? – Camila assentiu, apontando para Lauren. – Ela estava me segurando, senhor.

— Camila. – Lauren sussurrou. – O que você é-

Camila pisou em seu pé, silenciando-a discretamente. Os olhos do diretor se arregalaram.

— Camila... você nunca atacou alguém assim antes.

— Eu sempre odiei Dax. – Ela cuspiu. – No início do ano, eu soquei ele. –Simon ficou chocado, olhando para Camila como se ela tivesse ficado louca. – Sinto muito, senhor. – Camila murmurou amargamente erguendo as mãos sujas pelo sangue de Dax.

Lauren olhou para as próprias mãos trêmulas, percebendo que Camila tinha discretamente sujado suas mãos com o sangue de Dax, sob o disfarce de abraçar Lauren. Mas por quê? Por que Camila estava fazendo isso? Ela poderia ser suspensa, expulsa, acusada de agressão. Ela perderia sua bolsa em Juiliard. A bolsa que ela sonhou sua vida toda.

— Camila, eu não ... – Simon gaguejou. – Você... você não sabe as consequências, não é?

— Eu sei. – Camila engoliu o nó na garganta.

— Para o meu escritório. – Ele suspirou. – Eu não preciso chamar os policiais, ou a segurança, Camila?

— Não, senhor. – Camila assentiu. – Não precisa.

Simon se virou para Lauren, fixando-a com um olhar examinador.

— Que bom que você não se meteu em confusão, Jauregui. Eu teria chutado você da equipe hoje mesmo e feito apenas uma ligação para o Barcelona contando sua atitude, você perderia a bolsa que eles querem te dar. É bom saber que alguém usa a cabeça.

— Camila...tem... uma bolsa de estudos. – Mike gaguejou, piscando em estado de choque.

— Não mais. – Simon disse, virando-se para Camila. – Camila, você tem sido uma de nossas mais brilhantes alunas, estou decepcionado. Se Mulligan quiser dar queixa... Camila, ele pode, isso é criminal. Eu posso ser capaz de contornar a expulsão, mas... isso? Isto é inacreditável. É quase... diferente de você, Camila. – Ele se virou para a enfermeira, inclinando-se para ouça seu pedido de maca. – Vá agora para o meu escritório. Vou ligar para sua mãe, Camila. Depois de tudo que vocês passaram, deveria dar paz a ela. – Ele estremecendo quando pela primeira vez notou a condição de Dax.

— Senhor. – Lauren disse.

— Lauren. – Camila cortou-a, virando-se. – Pare.

Lauren estava olhando para Camila com um olhar de descrença.

— Por que-

— Por favor, levem ele para a enfermaria. – Camila virou-se para os amigos. – Nós vamos encontrá-los lá, ok? Eu preciso conversar em particular com Lauren.

Normani e Alycia assentiram afirmativamente, e Camila segurou a mão de Lauren, arrastando-a para longe de toda aquela comoção. Assim que elas pararam diante de uma árvore, Lauren explodiu.

— O que você fez?

—Lauren.— Camila suspirou.

—Camila.— Lauren repetiu desesperadamente, lágrimas em seus olhos. – O que você fez?

— Eu estou protegendo você.— Camila sussurrou, suas testas pressionando juntas.

— Camila. – Lauren se agarrou ao nome dela como uma tábua de salvação no mar tumultuoso da sua vida.

— Por quê?

— Porque eu te amo. – Camila respondeu como se fosse a coisa mais simples do mundo. — Porque Lauren, você tem me segurado diariamente desde que meu pai morreu e eu tenho sido cruel e vazia. Eu ouvi sua conversa com minha mãe, e foi isso que me moveu levantar daquela cama. Eu não sei se já te disse isso, mas te amar foi a melhor coisa que já me aconteceu. – Camila murmurou, lágrimas derramando. —E você é uma boa irmã-

— Eu não sou. – Lauren soltou. – Ele deu sinais o tempo todo e eu não vi.

— Ninguém sabia.— Camila assegurou suavemente. – Ninguém.

— Eu... eu não pude parar, Camila. – Lauren soluçou baixinho, na curva do pescoço de Camila. —Eu não pude, eu queria matá-lo. Eu... eu posso ter, eu não sei...

— Ei, não. – Camila sacudiu a cabeça. – Você protegeu Mike. Ele mereceu, ele vem merecendo isso desde o começo. A pessoa má é ele, Lauren.

— Camila, eu fiz isso. Era eu. – Lauren murmurou em sua pele. – Por que você está fazendo isso? Você vai perder sua bolsa de estudos, tudo pelo que você trabalhou...

Camila deu de ombros impotente, as lágrimas fluindo de forma constante.

— Eu amo você e Mike.— Ela fungou. – E eu sei que jogar futebol é a coisa mais importante da sua vida. Não podia fazer você perder isso, olhe pelo lado bom. Eu posso tentar uma bolsa para a Espanha.

— Mas você ama pintar, é tudo que seu pai te ensinou.

— Eu amo mais você que qualquer coisa, Lauren.

Lauren sacudiu a cabeça em descrença, cobrindo o rosto de Camila com beijos.

— Pra sempre?

— Enquanto você me quiser do seu lado.


Fortes emoções today ;D UHHHHHHH

Olá, como ces tão? Gostaram do capítulo, espero que sim. Estamos muito emocionais, não é? O nome do capítulo deveria ser Lauren, porque ele foi praticamente todo voltado pra ela e seus sentimentos. As vezes eu sinto que foco muito na dor de Camila e esqueço que ela está sofrendo tanto quanto. Alias sei que vocês estão odiando o futuro, mas vamos nos consertando lentamente, certo?

O que acharam da atitude da Camila, fariam igual ou nem? Então vou dar um pequeno spoiler, oq a Lauren fez tem influencia direta no motivo delas se separarem :D

Feliz dia das mães para a mãe de vocês. Lembrem-se de dizerem a elas sobre seu amor e como vocês são orgulhosos delas. Mães são a melhor coisa que existe. Podem acreditar que são.

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