Livro dois - Chegamos até você.


Aviso: Agressão e violência verbal, física e citação a estupro.

A brisa da noite correu por todos os lados como um esfuziante preludio de algo que se aproxima. Camila estava parada diante do espelho olhando o vestido vermelho de alças brilhantes cobrindo seu corpo até o começo joelhos. Não está sozinha no quarto, no entanto. Lauren tem os olhos fixos nela. Ela jurava que podia prever quando isso ocorria porque seu corpo todo reagia a ela. Tão apaixonada quanto é possível um ser humano estar, fazendo tantos planos que as vezes ela precisava parar e respirar. Lauren a enchia de coisas boas.

Estavam a um mês do fim das aulas, o fato que Lauren e ela vão seguir para países e caminhos diferentes não a deixa tão assustada como antes. Já fizeram todos planos possíveis, inclusive, planos de pintarem uma casa com suas cores favoritas, terem dois filhos e obviamente viajar pelo mundo antes dos 30.

Ela dá uma volta em torno de si, as pontas do vestido de formatura voam em câmera lenta e sorria com a língua presa entre os dentes. Não é nada demais, mas é o baile de despedida da sua escola e por ventura da sua cidade também. Camila não queria qualquer coisa. Santa Clarita foi a cidade que a abraçou quando chegou de Cuba. Sempre sentiu como seu lar, foi aquela cidade esquecida entre um deserto e praias paradisíacas que conheceu seus melhores amigos e a mulher da sua vida.

Mila parou de frente a Lauren esperando que ela dissesse algo, mas sua namorada está mais interessada em fotografar cada movimento seu. Ela riu da maneira que os cabelos de Lauren estão tão bagunçados que ela parece um leão que acabou de acordar, as sardas avermelhadas do sol que tomaram na praia domingo, um chupão tão pequeno, mas que por ter sido feito por ela consegue localizar com facilidade bem abaixo da sua orelha.

— Lauren! – Tentou novamente roubar o celular da mão da namorada, porém Lauren recuou rapidamente. – Mi amor, você está me deixando sem graça...

— Por quê? Você está linda.

Por fim, ela consegue tomar o celular, puxando Lauren para um abraço seguido de um beijo. Sua namorada se afastou, aproveitando para arrumar alguns fios que caiam no rosto de Camila. Lauren Jauregui é toda feita de delicadeza e sorrisos apaixonados. Mila sentiu suas mãos delicadas subirem pelas costas com carinho, fechou os olhos se arrepiando com aquele toque.

— Você parece uma princesa. – Lauren disse com sua suavidade apaixonada. – Minha sexy princesa cubana.

— Princesa?

— É você tem razão, vamos ter que rever isso, você está mais para o dragão do Shrek. As vezes você produz labaredas de fogo pelo nariz.

— Hum. Então eu vou supor que você é o burro?

— Camz? – Lauren levou as mãos ao peito em um gesto dramático. – Eu estou tão, tão, tão ofendida. – Camila abraçou a namorada e beijou seu queixo.

Camila não pôde evitar o pequeno e tímido gemido que escapou de seus lábios quando as mãos de Lauren apertaram sua bunda, suspirou prendendo os lábios ganhando uma áurea totalmente diabólica.

— Você é uma obra de arte, Lo.

Lauren parou por um momento, deixando escapar um gemido suave de descrença. Ela riu, as vibrações enviando emoções através de Camila terminando tudo em um abraço.

As namoradas permaneceram assim por um tempo, a música, uma memória suave e eco atrás delas, a luz e uma brisa balançando as árvores, o céu noturno oferece muita luz brilhante da lua e as estrelas. A respiração de Camila aumentou ao sentir o cheiro de Lauren, e ela se sentiu em paz, enquanto lentamente reconheceu a melodia de Love on the brain que saia do seu aparelho de som. Ambas foram levadas para um doce lembrança, e Lauren cantarolou ao seu ouvido, balançando as duas em uma valsa sem ritmo.

— Nossa música. – O riso de Camila foi abafado pelo ombro de Lauren, onde ela descansou o rosto.

Camila suspirou revivendo aquele dia. Volta e meia ela visitava o passado para agradecer ao presente, sentia falta de quem elas foram, mas não podia imaginar como ser melhor do eram.

— Até hoje eu não acredito na desculpa que você deu para me tirar de Brooke Lauren. – Camila zombou e continuou imitando a voz de Lauren. – "Estou salvando sua vida".

— Só não é pior do que seu elogio a minha blusa no primeiro dia de aula. – Lauren sorriu notando as bochechas da namorada ficarem rosadas. – E além do mais eu estava salvando sua vida te colocando na minha vida.

— Nossa, como você é uma cretina convencida.

— Eu te amo, Camila Cabello. – Murmurou levando os olhos até aquelas poças cor de chocolate.

Entretanto, não era só tranquilidade que se escreviam ali, Camila notou quando as sobrancelhas perfeitas de Lauren se franziram e ela engoliu em seco.

— O que foi? – Lauren clareou a garganta, ainda sem coragem de olhar aqueles olhos.

— Camz? Você tem medo do futuro?

— Por que eu deveria, está pensando em me trocar por outra cubana, cretina? – Lauren tentou sorrir do apelido, mas ainda tinha uma expressão seria na face.

— Não. Mas eu tenho medo de te perder.

Camila não poderia dizer que vez ou outra ela acordava no meio da noite, entrelaçada em Lauren e pensando como seria sua vida se tudo aquilo acabasse. Ela era uma garota que gostava de lidar com a realidade, amava as princesas independentes, as que abriam suas próprias gaiolas e matava seus próprios vilões, mas Lauren... Lauren era bem perto de viver um conto de fadas.

Ela apertou mais a namorada em volta de si, sua mão buscando a dela, os anéis perolados combinando, os elásticos pretos de cabelo, os olhos em tons diferentes, queimando em igual intensidade.

— Eu estou aqui e eu te amo, e vou te amar todos os dias. – Disse Camila, desejando que Lauren pudesse ver em seus olhos que quando dizia todos os dias ela estava falando todos os dias. – Enquanto você quiser meu amor eu serei sua.

— Eu não consigo imaginar outra pessoa tocando você, sentindo seu cheiro, amando você. – Lauren desabafou com a voz rouquinha. – O futuro me assusta porque eu não posso perder você.

— Você não vai me perder, Lo, não existe essa possibilidade. Do que você está com medo?

— Amanhã é um dia importante para todo mundo, – Ela enfim disse. – Com sorte, Tyrone Rodgers termina a noite atrás das grades. Teremos dias turbulentos, não quero que isso respingue na gente. Ele é um cara perigoso, não consigo deixar de pensar que tudo pode dar errado.

Camila suspirou. Ela andou evitando pensar naquilo enquanto as semanas avançavam, era a época de terminar com aquilo. Na terça a noite quando Ally e o marido chegaram ela começou a ter noção do que estavam prestes a fazer, não era só uma vida, eram várias vidas exploradas por aquele homem. Agora parecia tudo ainda mais difícil. E se? E se?

— Eu só não gosto da ideia de contar com a ajuda de Louise D'champs. Aquela garota não é de confiança, você sabe disso.

Sim, Lauren sabia. Mas ela contava não só com a sorte, não subestimaria Tyrone, ele ainda tinha muitos contatos importantes naquela cidade. Não poderia deixar que ele escapasse para repetir o que tinha feito em outro lugar.

— Precisamos dela, tanto quanto precisamos da Keana. – Lauren disse com paciência e certeza. – Vamos assassinar a reputação dele, não deixar dúvidas de quem ele é e o que ele faz. Louise é boa com isso, devo dizer que ela é quase um prodígio do mal.

Depois de um suspiro profundo, Camila admitiu:

— Eu sei. Ficarei do seu lado sobre qualquer situação. – Prometeu segurando o rosto da namorada entre suas mãos. – Olhe pra mim. Temos uma a outra e isso é o que basta, certo? – Lauren assentiu. – Agora me ajude a tirar esse vestido apertado e faça amor comigo, eu estive pensando na sua boca em mim o dia todo.

Na terça a noite Camila se apressou para terminar todas os resumos das provas finais, fechou sua caixa de e-mails e se vestiu confortavelmente esperando Lauren chegar. Estava ansiosa demais, não tinha dormido bem e agora ela sentia como se precisasse urgentemente que as horas corressem rápido para que pudesse dormir bem novamente.

Desceu as escadas e rolou os olhos para o Dr Benson, usando um dos aventais da mãe que obviamente ficavam pequenos nele, enquanto cozinhava algo que pelo cheiro ela imaginou que fosse camarão. Com certeza, estava fazendo um jantar para Sinu. Mila sorriu maldosa com uma informação que objetivamente só ela tinha. Sinuhe odiava camarão.

Voltando as escadas que levavam ao seu quarto com um sorriso ela começou a se envergonhar a cada passo em direção ao seu quarto que dava. Então Mila voltou, abriu a porta e cruzou a sala toda novamente, entrando na cozinha. O homem que por falta de comunicação entre os dois, tirou a atenção da sua tarefa e levou diretamente para Camila. Normalmente ela evitava ficar em qualquer lugar que ele estivesse.

— Ela detesta camarão. – Dr Benson franziu o cenho surpreso e olhou a comida. Estava cheirando bem, ela não negaria.

— Eu... Não sabia. Deus, o que faço agora? – Camila suspirou.

— Faça peixe, vai salvar sua noite – Ele franziu o cenho, era a primeira vez que Camila agia tão eloquente com ele. – Com bastante molho picante e ervas que estão na segunda porta do armário. Mamãe odeia vinho, – Apontou para a garrafa sobre a mesa. – mas ela ama mojito.

— Mojito. Eu não tenho certeza se posso preparar isso.

— Eu faço. – Timidamente ela se ofereceu. Nenhum dos dois pareciam acreditar no que se desenhava ali. – É uma receita da minha abuelita, todos os membros da nossa família sabem fa... – Ela se interrompeu sem saber porque estava contando algo tão intimo a ele.

— Você vai salvar meu jantar com sua mãe... Estamos fazendo três meses de namoro hoje, eu queria, bem... Acho que você não quer saber sobre isso.

Camila ficou olhando ele mover em direção ao fogão e sentiu que precisava dizer o que estava pensando:

— Parabéns. – Dr Benson assentiu.

— Obrigada, Camila. Talvez tenhamos começado errado, mas eu sei que sua mãe te ama muito, e eu jamais tentaria ocupar o lugar deixado pelo seu pai na sua vida, ou na da sua irmã.

— Eu sei.

Em silêncio, Camila pegou todos os ingredientes e começou a fazer a receita, notando que o homem estava também concentrado na sua tarefa. Era estranho, ela não podia negar, mas não era tão ruim quanto esperava que fosse.

— Você... Gosta? – Ela clareou a garganta. – Dela. De verdade?

— Sim. – O homem respondeu de pronto. – eu me sinto com 18 anos novamente. Tenho calafrios toda vez que ouço sua voz, ou a vejo sorrir falando de você ou descobrindo um sentimento novo por Sofia.

— Eu- Eu... estou feliz por ela ter encontrado você. – Seu celular piscou e vibrou indicando uma mensagem. Ela leu rapidamente voltou o olhar para o Dr Benson. – Eu preciso ir.

— Obrigada pelo mojito e por ter salvado meu jantar.

— Se prometer que vai fazer esse camarão pra mim da próxima vez está pago o favor. – Respondeu com um pequeno riso.

— Eu prometo.

Ainda sentindo-se leve por começar a tirar aquele enorme peso das costas, Camila foi recebida pela brisa da noite. Lauren a esperava do lado de fora do carro e Louise estava encostada bem ao lado de Troye digitando em seu celular. Ela passou direto pela jornalista de araque e se postou diante da namorada que a recebeu com um beijo na boca.


Camila afastou-se novamente, apenas o suficiente para olhar a roupa da Lauren. Um conjunto surreal de cropped e saia curta.

— Isso é mesmo necessário? – A namorada deu de ombros.

— Alycia acha que sim, não podemos nos atrasar, Camz.

— Você está me deixando nervosa roendo a unha desse jeito, Cuba. – Alycia reclamou no fundo do carro, a garota se espremia no Jeep da sua mãe entre Louise D'Champs e Troye.

— Eu que estou nervosa, Al. Minha namorada vai entrar na casa de um abusador de mais de 20 garotas, como quer que eu fique calma?

— Não sejam amadoras. – Louise interrompeu o começo de discussão. – Vai dar tudo certo.

Lauren estava invejando aquela aura calma da francesa, afinal, ela era única pessoa dentro daquele carro com bom humor. Alycia, Camila, Troye tinham a mesma face de medo em cada cantinho do rosto.

— Estamos chegando. – Ela anunciou, olhando o GPS apontando o fim do trajeto.

Lauren sentiu a alça da blusa um pouco mais decotada penicar no ombro. A roupa totalmente fora do seu padrão comum tem um propósito, assim como todo resto. Sabe que Tyrone é um predador, e aquela noite teria que esse portar como a presa. Na cabeça de pessoas como ele, e infelizmente metade da população, roupas curtas eram passagem livre para avanços sexuais perigosos.

Afinal, no fim era só dizer as palavras mágicas "se não queria que isso acontecesse era só usar uma roupa menos decotada", ou a clássica "se não andasse em uma rua escura a noite isso não teria acontecido". Ignorando que crimes sexuais aconteciam em sua maioria dentro de casas, dentro de escolas e em qualquer lugar que um homem se sentisse livre para exercer seu poder de dominação. Quantos Tyrones Rodgers ainda existiam no mundo?

Lauren passou a semana dando indícios, toques mais demorados, olhares fortuitos e então ele a convidou para ir em sua casa aquela noite para falar sobre táticas do último jogo. Lauren bem sabia o que isso queria dizer, e o que ele planejava. Depois que estivesse lá dentro, a sorte estaria lançada, não apenas a dela. Com um pouco de sorte o treinador dormiria atrás das grades aquela noite ainda.

Sorte. Pra quem acredita é um fato importante, para quem não acredita, estavam entregues ao acaso. Fato é, ela estava fazendo o que tinha planejado. Mais algumas casas e seu destino começaria a ser traçado, o destino de todos no fim.

Freou o carro dos tios na porta da casa e com os olhos colados na cerca viva, suspirou. Era uma casa enorme, portas em vidro e com decoração colonial, anjos e esculturas que se estendiam até a piscina em forma T.

— Que coisa mais brega. – Alycia cochichou atrás. – Esse bastardo provavelmente tem uma foto de si próprio como descanso de tela do celular.

— É melhor você ir Lauren, não queremos que ele fique desconfiado. – Troye sugeriu, cerrando os olhos em direção as janelas da casa. – Qualquer falha no plano vai colocar sua vida em risco.

O carro mergulhou um segundo em silêncio e apenas as luzes azuis da casa iluminavam os rostos agora.

— Cuidado. – Camila pediu com a voz esganiçada. – Lembre-se que estamos aqui. Por favor, mi amor... Tome cuidado. Eu te amo...

— Eu te amo mais. – Ela recebeu o rápido selinho nos lábios e segurou Camila um pouco mais para perpetuar o gosto da sua boca e converter em coragem.

— Vocês podem parar com esse romancismo Netflix e focar no plano, né? – A voz desagradável de Louise D'Champs interrompeu o momento das namoradas.

— Qual o seu problema? – Camila explodiu apontando o dedo para ela – Você sabe que pela minha vontade não estaria aqui.

— Felizmente isso não está sobre sua vontade, precisam de mim, ou não poderão bancar as heroínas.

— Você não está aqui porque se importa com essas garotas, tudo que quer é a notícia!

— Você não sabe do que está falando!

— Ah é? Será que eu devo lembrar o que seu amado irmãozinho fazia com garotas bêbadas e você nunca denunciou! Em que ele é diferente de Tyrone Rodgers?

— Se continuar...

— Se continuar o que? – Camila girou no bando desafiando ela. – Ou mostra comprometimento e seriedade com o que estamos fazendo ou eu juro que vou perder o restinho de paciência que guardei pra você durante todos esses anos!

— Camz... – A Lauren não restou saída, além de arrastar a namorada delicadamente pelo braço, trazendo-a de volta ao banco. – Por favor, não temos tempo pra isso... Não agora, eu realmente preciso ir.

— Aqui. – Alycia disse entregando o pequeno relógio digital para ela. – Já está configurado é só apertar um botão e saberemos que é a hora. Por favor, não o subestime, Laur...

Lauren passou por sobre a grama perfeitamente aparada, cruzou os ladrilhos com as pernas ainda bambas. Queria voltar correndo para dentro do carro, passou mil situações em sua cabeça. Imaginou quantas garotas fizeram aquele caminho sem saber o que esperava por elas. Estava se servindo de bom grado por um bem maior.

Apertou a campainha com os dedos trêmulos, e enquanto esperava aproveitou para retocar o batom. Ouviu o barulho do trinco e desistiu, estava tão nervosa que mal podia mover o batom sobre a boca. Olhou para baixo vendo pés notando botas de combate, a medida que erguia os olhos ia montando o melhor sorriso falso que conseguia.

— Demorou. – Tyrone disse em seu tom neutro, mas ela viu quando seus olhos discretamente foram até o decote de sua blusa.

— Desculpe, Camila me atrasou um pouco. – Mencionou de propósito a namorada esperando sua reação. A simples menção daquele nome causou uma reação de repulsa imediata na face dele.

— Claro. Eu já te disse várias vezes que essa garota tira sua concentração, o que não acontecia com Lucy.

— Eu sinceramente não vim falar de Camila, – Ela empurrou um cabelo atrás da orelha, fingindo inocência. – Vim falar de nós.... Do time.

— Entre, Lauren. – O homem abriu a passagem e caminhou seguindo falando. – Eu pedi comida japonesa, nada muito chique como você deve estar acostumada. Se quiser me acompanhar.

— Na verdade eu já jantei, mas posso sentar a mesa com você.

A sala era bem ampla, mais ampla do que ela esperava. A decoração minimalista chamava bastante atenção, bem como uma coleção de troféus bem destacados em uma posição privilegiada na sala. No cantinho já quase na virada de um corredor uma porta entreaberta de onde saia uma luz fraca chamou a atenção de Lauren. Ela tentou não focar muito, mas notou que depois de sentar Lauren em um lugar a mesa o homem se afastou e rapidamente trancou a porta, provavelmente colocando a chave no bolso do moletom branco da Nike.

Eles falaram sobre as táticas do time, Tyrone reclamou várias vezes do tempo que Lauren perdia com Camila e novamente do quanto aquela cidade a limitava. Mas até aquele momento ainda não tinha tentado nada, até mesmo seus olhares eram disfarçados.

— Como está se sentindo sobre o jogo? – Ele perguntou, parando um momento de abrir uma garrafa de vinho.

— Confiante. – Respondeu ela. – temos grandes chances de vencer.

— O Barcelona entrou em contato com você para falar sobre sua apresentação?

— Sim. – Lauren admitiu. – Vou ter dois meses de férias até ter que me apresentar. Minha tia já está gerindo meu contrato e todos os detalhes.

— Eu sempre achei que participaria mais ativamente na sua transição, as vezes sinto como se você não confiasse em mim. – A sua voz transmitia um sutil ar de riso.

— Eu confio de olhos fechados, professor Rodgers.

Tyrone emitiu uma risada fria.

— Em breve você deixará essa cidade medíocre e vai partir em direção ao estrelato. – Deu um gole em seu vinho, então quando ele ficou de pé, Lauren engoliu em seco. – Um brinde a você.

— Obrigada.

— Lauren já te contei a história do meu pai? – Sua voz tranquila deixou Lauren nervosa. – Ele era líder uma gangue que assaltava bancos na África do Sul. Ficou conhecido pela alcunha de Bill, nem minha mãe sabia seu verdadeiro nome. Era eficiente, um homem de poucas palavras e muita ação. Não demorou muito e ele se tornou o maior ladrão de bancos do país, mas... – O homem parou de frente a ela, encurralando-a entre a cadeira e ele.

— Mas? – Inquiriu, com a voz trêmula.

— Mas ele confiou em pessoas erradas. – Ela recuou sentindo sua mão subir pela sua saia e tronco. – Foi esfaqueado pelos membros da gangue e virou pó.

Tyrone acariciou seu cabelo. As mãos ásperas levantaram o rosto dela pra cima. Por um segundo Lauren pensou que fosse beijá-la, mas então sentiu um duro golpe na mão. Ele apertou o seu punho arrancando o relógio com tanta força que as correias espatifaram.

— Você acha que sou idiota! – Gritou atirando o mesmo no chão pisando. – Armou pra mim sua fedelha imunda! – Lauren foi erguida pelo cabelo da cadeira. – Armou com sua prima e seus amigos! Eu tenho seguido seus passos, todo esse tempo filha da puta. – Ele balançou a cabeça de Lauren e ela sentiu que ia desmaiar a qualquer minuto.

— Me solte! – Lauren tentou novamente escapar do aperto do homem, mas os braços fortes fechavam em volta dos braços dela. – Você é um estuprador de merda, eu não estou arrependida.

— Poderia ter tudo de mim. – Ele voltou a gritar, apertando mais os braços de Lauren. – Mas preferiu optar a ser ninguém. Vai se arrepender por ter cruzado meu caminho, não vai tirar nenhum prazer disso.

Tyrone se aproximou e puxou Lauren pela bochecha beijando sua boca, Lauren se sacudiu e lutou contra aquele toque. Ela só teve a única oportunidade, agarrou os lábios com os dentes e mordeu a pele, só parou quando sentiu o gosto de sangue em sua boca, Tyrone a afastou com um tapa que açoitou contra a face de Lauren seus cabelos.

Sentindo o peso do homem alto e musculoso se fechar em volta de seus braços, se encolheu totalmente indefesa. Ela teve o braço esticado enquanto se debatia, os punhos amarrados por uma fita adesiva forte. Ela não o reconhecia debaixo da postura sádica

Tyrone estava sobre ela, o corpo esmagando-a contra o chão.

— Filho da puta. – Lauren cuspiu o acumulo de sangue no rosto do homem e então riu da expressão de ira em seu rosto. – É fim da linha Rodgers, mesmo que você acabe comigo, seu destino está selado, você vai pra cadeia! Bastardo, filho da puta, é questão de tempo.

— Você acha que venceu Jauregui? Acha que não sei que seus amigos estão agora mesmo esperando um contato seu para invadir minha casa junto a polícia? – Sua voz trovejava pela casa. – Vão achar só você aqui, – voltou-se para ela rindo sadicamente. – o que restar de você, vou sumir no mundo como tantas vezes antes.

— Está blefando, eu não tenho medo de você.

— Acha que eu não te mataria? – Ele riu, apertando o rosto de Lauren contra sua mão. – Acha que eu não faria isso novamente? – A expressão dele era de absoluto prazer, dava pra ver que ele se satisfazia ao falar daquilo. – Elas eram como você, confiantes, tinham atenção de todos, mas assim como você elas me rejeitaram, usou tudo que podia de mim e então... Armaram para acabar com minha vida. Eu não deixei um corpo para a família dela enterrar e eu posso fazer o mesmo com você.

O medo imergiu abrindo Lauren de dentro pra fora. Ela esperava muitas coisas, mas que ele fosse um assassino e a tranquilidade que contava aquilo era nauseante.

— Não se preocupe, não doí morrer. – Sua mão se fechou diante da garganta de Lauren que não esboçou nenhuma reação quando ele apertou enquanto narrava. – Se não lutar a falta de oxigênio vai te matar rapidamente, se lutar vai morrer em agonia. – Lauren podia sentir a tal agonia da mão se fechando em torno da sua garganta mais, e mais um pouco. Ela se debateu quando ameaçou perder a consciência, ele parou e sorriu, observando com prazer ela lutar para recuperar o ar. – Não se preocupe, quero que esteja bem viva pra mim.

— Filho da puta, você é um monstro! – Tyrone voltou a golpear o rosto de Lauren, dessa vez com as costas da mão, ela mordeu a língua e sentiu a boca encher de sangue.

— Está ficando tão falante quanto Camila Cabello, se comporte eu prometo não machucar muito ela, quem sabe eu não a trato igual eu tratei, Verônica Iglesias? Não me diga que ela não te contou. Eu a fodi enquanto ela não esboçou uma só reação.

— Por quê? – Lauren rosnou, o rosto um emaranhado confuso de lágrimas.

— Porque eu posso.

— Eu juro que...

— Jura que o quê? – Debochou. – Você ainda não percebeu que está em minhas mãos? Eu decido. – Tyrone usou outro pedaço de fita para tapar a boca de Lauren, que o afastou com terror a medida que se debatia com força. No fim, restava muito pouco de si pra continuar lutando. – Eu deveria ter notado que você me traia quando pediu pra colocar aquela puta novamente no time. Errei uma vez, mas não vou errar de novo.

Ele voltou a se curvar sobre ela e Lauren se debateu, impedida de expressar qualquer som.

Só conseguia pensar que precisava escapar dali. O choro ia e voltava no fundo da sua garganta, mas ela tinha outras preocupações, as mãos rudes rasgaram o pano da sua blusa como se fosse papel. A alça se partiu e seu sutiã ficou descoberto. Ele voltou a se curvar sobre ela.

— Você é tão cheirosa. – Seu humor voltou a oscilar a medida que ele despejava beijos pelo seu corpo, mordendo seus ombros com força, os dentes marcavam a pele e Lauren queria gritar, queria chorar. Queria que aquilo acabasse de uma vez.

De repente, ela percebeu que lutar era inútil continuar lutando, então fechou os olhos. Levaria sua mente para outro lugar, queria pensar em alguma felicidade, queria pensar em Camila. Queria pensar em qualquer coisa que não fosse o aqui e agora. Fechou os olhos sentindo outra mordida essa no seu braço, uma lágrima escorreu dos seus olhos em reação a dor.

Então ela viu uma sombra surgir contra a luz, a sombra ganhou corpo e ação. Reconheceu Troye, seguido de outra sombra. Tyrone Rodgers pareceu notar um segundo mais tarde, porém assim que o homem colocou a mão na cintura pronto para sacar o que ela pensou ser um revólver. A urgência e o medo derreteram seu corpo, ela quis gritar, ela quis se soltar e fazer algo.

Em desespero, Lauren se debateu no chão, podia sentir um suor frio escorrer pelo seu rosto, tudo piorou quando olhando para o lado, ela viu uma segunda figura se unindo a cena.

Alycia atravessou a sala correndo como bala e quando chego no corredor da cozinha atirou-se contra ele com os dois pés erguidos, atingindo com toda força o peito do homem, que já se erguia apontando a arma em direção a Troye. Como resultado, Alycia e ele caíram rolando pelo chão e o brilho fosco da arma, bateu na parede, enquanto os dois se recuperavam tentando obter o controle da situação.

— Lo! – Sentiu o toque urgente de Camila em seu corpo, protegendo-a em palavras e carinhos desconexos, enquanto agarrava da sua boca a fita adesiva. – Eu nunca deveria ter deixado você se meter nisso, o que ele fez Lauren. Você está sangrando...

O carinho ou qualquer coisa foi interrompida, por um estampido oco que cortou a noite.


ALYCIA

Um grito fez sua pulsação aumentar, se convertendo em medo pulsando da sua cabeça serpenteando pelo seu pescoço e ombros.

ALYCIA

Um estrabismo doloroso se espalhou pelo seu rosto, a urgência preocupada e congelando todo seu corpo em uma montanha-russa de sensações mal convertidas.

ALYCIA

A garota olhou para cima, enfim se se livrando do contato e mãos fortes de Camila que a prendiam ali e postura.

Alycia se movia com certa urgência em meio aos cacos de vidro ao chão, engatinhando em sua direção. Lauren tremia incapaz de dizer uma palavra, a cor rubra manchando a camisa branca Beatles da sua prima era a única coisa que seus olhos podiam forçar. Vermelho. Seu sangue.

— Al. – Lauren a agarrou-a, puxando ela contra seus braços. Precisava sentir seu corpo em contato com o seu, seu coração precisava ter certeza que ela estava viva. – Al, por favor fala comigo.

Alycia rolou sobre o corpo de Lauren, girando com os olhos verdes arregalados em uma tentativa de balbuciar qualquer coisa que ela só conseguiu, quando Lauren constatou que aquele sangue manchando a blusa da prima não era seu.

— Laur, eu atirei nele... – A expressão catatônica de Alycia fez Lauren erguer os olhos em direção ao corpo caído em meio aos cacos de vidro.

O tiro tinha havia atingido Tyrone Rodgers. Ela acomodou Alycia dentro dos seus braços, enquanto Camila e Troye se aproximavam em passos cautelosos, espiando com os olhos arregalados o corpo enorme jogado na sala.

O rapaz chutou a arma pra longe e então se curvou diante dele, depois de mais uma inspeção, ele suspirou aliviado.

— Ele está vivo, precisamos ligar para a ambulância. – O rapaz já estava com o celular na mão quando Camila ficou de pé.

— Não! Precisamos ligar para a polícia.

Depois disso, Lauren não sabe ao certo que tipo de sensação ela sentiu, o tempo escorregou em uma velocidade. Logo ela estava enrolada em uma manta cinza, sentada na calçada, repetindo as respostas ao policial que interrogava, enquanto recebia os carinhos de Camila.

O bairro de classe media tranquilo, estava lotado de curiosos, tentando entender o que a quantidade de carros de polícia que fechavam a rua. A luz da ambulância corrompendo a noite, atraindo mais e mais pessoas para perto.

De repente, ela viu a figura enorme do seu tio surgir, gesticulando muito e sem conseguir falar baixo.

— Foi a maior idiotice que vocês fizeram na vida. – Stepen ralhou com a voz grave esganiçada, passando a mão com tanta força pelo rosto que levantou os cabelos loiros. – Deus, Alycia! Droga, o que faltou para ser você afora sua idiota? Você está de castigo até... Até casar e ter filhos e você Lauren, você também. E você também Camila, estão todos de castigo! Meu deus vocês querem me matar, sabe o que eu pensei quando a polícia me ligou? Sabe o que sua mãe pensou, Camila? Porra!

— Desculpa. – Alycia pediu de cabeça baixa. A cara pálida e a expressão mórbida e sem coragem de dizer um A indicava que aquela noite não tinha vencido até alguém com o humor como o seu.

— Como ele está? – Lauren perguntou ao tio, enfim. – Ele vai morrer?

Seu tio suspirou, ele não disse nada só jogou os braços em volta dos ombros da filha agarrando seu corpo, fechando ela com um abraço tão apertado que Lauren sabe que causou dor em Alycia. Ele chora silenciosamente, com a filha dentro do seu abraço e então dá a volta e repete o mesmo gesto com Lauren e Camila.

Lauren nota como ele funga e tenta o tempo todo secar as lágrimas, então quando ele se afasta, seu rosto bonito está vermelho e molhado de lágrimas. Lauren lembra-se que de todos os motivos que fazem ela amar seu tio, o fato dele não ter medo de ser sensível é o principal.

— Ele vai viver. – Disse ele – O tiro de raspão sua cabeça. Ele vai viver tempo bastante para passar o resto da vida atrás das grades. – A expressão do homem ficou ainda mais pesada. – Foi encontrado dentro do seu quarto horas de gravações dos abusos dele, todas separadas por ordem alfabética. O nome dele nem ao menos é Tyrone Rodgers. – A boca de Lauren caiu. – Seu nome na verdade é Teodore Bunds. Um maníaco sexual acusado de pelo menos 20 crimes na África do Sul, ele estava foragido a cinco anos pelo assassinato de duas garotas. Vocês fazem ideia no tipo de perigo que se meteram? No que poderia ter acontecido se não fosse a obra do acaso? Deus eu deveria mandar vocês para um internato no Alasca.

Camila levantou quando viu Sinuhe descendo do carro, mãe e filha se abraçaram, carregadas de emoção e então Alycia se aproximou de Lauren.

— Ele te machucou? – Perguntou com a voz carregada.

— Um pouco. Mas eu vou ficar bem.

— Eu... Eu amo você, Mich.

— Eu também amo você, Al. Sua filha da puta desmiolada! – Lauren chorou apertando mais ela. – Se você morresse eu iria no inferno pra te matar mais uma vez.

— Nunca mais me deixe criar planos.

— Nunca mais.

Lauren olhou por sobre os ombros da prima as luzes piscando ao redor, a cabeça ainda girando dos golpes que recebeu. Ainda estava assustada, porém algo dentro dela não conseguiu sentir alívio.

Alycia estava deitada na sua cama, descansando o rosto na curva do ombro de Sophie, enquanto recebia um carinho gostoso no pé do cabelo. Chorava em silêncio pensando em tudo que aconteceu naquela noite. O gosto da vitória em seus lábios era amargo, ela chorou por todas as 45 garotas que tiveram suas vidas expostas, destruídas e caçadas pelo homem que usou do seu poder para abusar, coagir e machucar elas. Chorou por Vero, Ally e pelas duas garotas que não tiveram a sorte e a chance de recomeçar a vida.

Nunca foi alguém que dava atenção suficiente a Deus, mas naquele momento ela queria agradecer a alguém. Ao universo, a Buda, Jesus Cristo, Maomé. Rezou para toda e qualquer entidade divina que sabia o nome, agradeceu até ao acaso.

— Eu te amo, estou tão orgulhosa de você e da sua coragem. – Sophie sussurrou sem parar de traçar a ponta do dedo na lateral do pescoço de Alycia. Ela acrescenta como uma reflexão tardia: – Eu mal posso esperar pra que meus filhos saibam que a mãe deles é uma heroína.

Alycia abriu um sorrisão, daqueles que só ela poderia dar e se inclinou em direção a Sophie.

— Você nunca falou de filhos... – Completou com a voz doce.

— Eu quero. Dois. Gêmeos quem sabe...

É a explicação mais simples que ela pode oferecer, mas é precisa. É exatamente isso que ela está pensando. Alycia sente que não pode respirar ao ouvir algo sobre um pretenso futuro. O relacionamento pautado por todas suas atitudes idiotas, agora era tão firme que elas poderiam ousar falar de filhos. Parecia ser algo pequeno, mas ela sabia que não. Estavam falando de um futuro de anos a frente, elas tinham uma diretriz agora.

— Você me deixa segura, Al. – Ela respirou fundo e continuou, – amada. – Seus narizes batem... – Eu quero que você venha comigo para a Londres, sei que isso pode nos assustar no começo, mas... Não vamos casar, casar. Vamos morar juntas, em um alojamento de faculdade, é algo.

Alycia não consegue encontrar palavras suficientes em seu vocabulário eloquente para expressar como está se sentindo. Ela sentia tudo, tudo mil vezes mais bonito e mais esplendoroso.

— Eu te amo. – Perdeu o foco. A respiração de Sophie em seus lábios é incrivelmente perturbadora, e ela lutou para manter os olhos abertos. – E.. – Alycia molhou os lábios. – Eu aceito ir pra Londres com você, eu aceito ter uma dupla de bebes melequentos. – As duas sorriem.

Seus dedos ainda estão deslizando para cima e para baixo no pulso de Sophie, e ela se inclinou para frente muito lentamente, pressionando seus lábios nos da namorada.

Talvez existisse um futuro pra elas. Um futuro romântico e promissor...

As notícias explodiram na manhã seguinte como um viral de proporções inimagináveis. Keana Marie fez um trabalho extraordinário, enviando aquela notícia para as maiores redações do país. Os fóruns explodiam de notícias e novidades. Lauren respondeu muitas ligações, deu entrevistas para as rádios. Com tamanha repercussão as aulas foram suspensas e os alunos mandados para casa.

Ela não dormia a varias noite, mas cinco dias depois, quando o recesso acabou ela estava parada diante do time, equilibrando um copo de café mão enquanto as garotas esperavam que sua capitã tivesse algo a dizer. E ela disse, contou cada detalhe, cada coisa que descobriu. Vero do seu lado manteve-se firme e não esboçou nada, nem quando seu nome foi citado. Lauren sabia que ela estava aliviada, era um pesadelo que encontrava seu fim.

— Quero dizer que qualquer uma de vocês que tenha passado por qualquer coisa semelhante vá delegacia e denuncie, sua identidade será preservada. É um ato de amor ao próximo, para que outras não sofram, não se envergonhem como vocês. – Ela respirou fundo, tomando folego para seguir falando. – Nosso técnico nunca foi o que pensávamos que ele fosse.

— Isso quer dizer que estamos fora do torneio? – Normani perguntou e pelas caras ao redor dela, Lauren imaginou que pensavam o mesmo.

— Não, isso quer dizer que ele nunca mais vai chegar perto de nenhuma de nós. Iremos nos reerguer e vencer esse torneio, sem ele. A Dr. Sinuhe fazia parte da comissão médica e pedimos para que ela apenas nos auxilie com burocracia. As lobas serão suas próprias técnicas, treinaremos todos os dias com gás e mais vontade que antes. Conto com vocês e tenho mais um comunicado, estou passando a braçadeira de capitã de volta ao seu devido dono.

Ela se aproximou de Vero e parou de frente a ela, segurando a braçadeira em sua mão.

— Isso é seu. – Vero arregalou os olhos e antes que pudesse dizer algo Lauren concluiu. – Tudo começou por você, se eu pudesse e voltar aquela tarde que fui exigir sua volta ao time ela já seria sua. Você será o símbolo da nossa vitória, porque eu sei que vamos vencer. Um campeonato aguardado por décadas, na sua cidade tem de vir da sua mão.

— Lauren...

— É minha última ordem como sua ex capitã.

— Você é um ser humano maravilhoso.

— Eu só estou fazendo o que é certo. – Disse Lauren.

— É mais do que já fizeram em um longo tempo.


Vero deu um abraço apertado em Lauren, e aquela hora já estavam todas as lágrimas, até Alycia que olhava para todos os cantos tentando esconder que chorava.

— Gente... – A loira passou a mão no rosto já vermelho. – Não é motivo de tristeza, nos livramos desse verme. Agora vamos comemorar esse dia. – é por conta da Lauren! – Ela jogou os braços sobre os ombros da prima. – Né, Lauren?

— Sim, e a pizza é por conta da Alycia.

— Pizza? Eu não tenho grana pra alimentar esse batalhão.

— Se vira.

— Vadia, – Ela xingou e então sorriu acenando para trás. – Sua namorada chegou.

Lauren virou para trás e encontrou os olhos certos de Camila de olho nelas duas. Seu coração reagiu a ela batendo desesperado, com a ânsia de quem ama com a alma.

— Eu encontro vocês, ainda preciso fazer algo.

Segurou a mão da namorada e manteve um sorriso leve nos lábios enquanto as duas caminhavam em direção aos campos.

— Por que está sorrindo assim? – Notou Camila.

— Porque eu tenho uma vida boa, a vida que eu sempre sonhei. – Ela girou rapidamente, parando de frente a namorada. – Sabe o que eu preciso pra ela ficar melhor?

— Não.

— Minha mulher e férias pela América do Sul. – Camila arregalou os olhos.

— América do Sul? Tipo, Argentina e BRASIL! – Lauren acenou positivamente. – Eu aceito, quando partimos?

— Depois da formatura. Precisamos desses descanso, vamos conhecer a América, juro que te devolvo em tempo para pintarmos a parede do seu dormitório e dar uma volta por Nova York.

— Eu amo você, Lo.

— Eu te amo mais, Camz.

— Me beije.

— Eu estou conseguindo domar você? – Camila tombou a cabeça para trás, rindo daquela lembrança.

Mila balançou a cabeça, lambendo os lábios e agarrou Lauren pela gola da sua jaqueta do time. Aproximou a boca, mas recuou um segundo antes para encarar as feições perfeitas naquele rosto cheio de detalhes que ela nunca ousaria encontrar em plenitude e seu coração sorriu.

Não é um pedido, é uma ordem.

Terminando o beijo um pouco mais cedo as duas notaram que eram observadas por alguém. Lauren franziu o cenho para a figura de paletó perfeitamente alinhado e segurando uma pasta, encarando as duas com um misto de vergonha e desgosto na face.

Ele então se aproximou, estendendo a mão para Lauren.

— Senhorita Jauregui? – Lauren assentiu. – Victor Lopes.

— Sim.

O homem arrumou os óculos no rosto e se dirigiu a ela com a voz solene:

— Acabei de deixar a sala da direção. Infelizmente sou portador de péssimas notícias. – Disse ele. – Seu ex-treinador acusou você de usar substâncias anabólicas proibidas.

— O quê? – Ela riu, sem acreditar no que tinha ouvido, mas um gelo desceu até seu coração.

— Não tem nada de engraçado nessa acusação, é muito grave.

— É engraçado porque isso é obviamente uma loucura! Eu nunca fiz uso de qualquer tipo de substância proibida, faço exame regularmente, posso provar que isso é mais uma tática desesperada de alguém que ajudei a colocar atrás das grades.

— Pode ser, por isso fizemos novos testes com suas amostras. Encontramos vestígios de diuréticos, Terbutalina e outros agentes anabolizantes por via oral. Você tem 42 horas para apresentar contraprovas, ou irá a julgamento.

UAU!

Terbutalina é um anabolizante que melhora a performance, e o uso de diuréticos é proibido porque serve para mascarar o uso de certos remédios, além de auxiliar na perda de peso e aumentar o metabolismo.

A história do Tyrone estava pronta antes mesmo de eu decidir como seria o fim, uns anos atrás. Espero que tenha feito bastante sentido, e que eu tenha conseguido explicar isso de maneira simples e direta. Cês acham que a história dele acabou ou ainda vamos ter mais? Hehehe

TAC está indo para o fim, infelizmente, porque eu amo essa história com todas minhas forças. Agora vocês estão começando a entender o que motivou todas as reviravoltas na vida da Lauren e os demais.

Eu prometi um capítulo duplo, porém era muita coisa pra contar em dois capítulos, e como eu não gosto de deixar nada para trás eu preferir dividir em três. Já estou trabalhando nesses dois e sábado a noite eles serão postados. Teremos mais 7 capítulos contando com os epílogos e então o fim. No máximo em janeiro acabamos de vez e começamos o primeiro ciclo de adeus, depois vou terminar Profanos, A ordem e No Way. Exatamente nessa ordem. Nesse tempo as atualizações das fics que estão na fila não acontecerão regularmente, exatamente porque quero focar no fim.

Obrigada a todos pela compreensão, nos vemos em breve.

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