Dez - O ritual da tartaruguinha, dois beijos, e um banho.
Camila podia dizer que aquelas cebolas empanadas eram as mais indigestas que ela já tinha comido desde que o Outback abriu uma franquia em Clarita Priesty. O motivo? Ah, isso é fácil. Lauren Jauregui e Lucy Vives chegaram aproximadamente meio segundo depois que a dupla. Agora Camila tinha que se concentrar em muito molho picante para não prestar atenção na voz alta de Lucy sentada bem em frente falando toda melosa com Lauren.
— Acho que não foi exatamente uma boa ideia vir aqui. – Brooke Lauren sorriu sozinha da sua afirmação.
— Foi uma excelente ideia, a vizinhanças que não é das melhores.
— Acho melhor ignorarmos a vizinhança então, – ela simulou aspas com os dedos. – Já temos quase meia hora aqui e eu continuo sem saber nada sobre a latina dançante.
— Oh meu Deus! – Camila arregala os olhos com a notícia. – Você me viu dançando no sábado?
— Claro que vi, todos viram e pelos gritos, tenho certeza que você povoou sonhos molhados de muitos garotos do ensino médio.
— Não seja exagerada.
— Você é uma linda mulher, Camila. – A moça estendeu a mão pra segurar os dedos de Camila contra os seus. Mila sentiu a frieza do anel de cobra no dedo indicador da moça e uma faísca percorreu seu corpo. – Eu não estava brincando quando te disse que passei por muitas festas como aquela, mas nunca vi ninguém assim antes. Você tem algo diferente... Eu não sei explicar exatamente, mas... foi difícil tirar você da cabeça.
— Eu sou o que sou. Nunca pensei que isso fosse hipnotizante... – Mila tentou brincar lambendo os dedos sujos de ketchup e se arrependendo um segundo depois. Provavelmente a moça ia achar que foi um ato para lhe provocar.
Os olhos azuis brilhantes de Brooke acompanham o movimento e ela solta uma risada presa. Mas a atenção de Camila vai até LaurenJauregui que estava de pé brigando com á maquina de gelo. Como se soubesse que os olhos de Camila estavam fixos nela, a jogadora se vira com uma das sobrancelhas erguidas, e encontra o que estava evitando ver desde que tinha entrado na lanchonete e percebido que Camila estava ali acompanhada da loira arrogante.
— Qual seu lance com ela? – A pergunta caiu no colo da cubana como uma bigorna, o que ela responderia? Nem Camila sabia qual era o "lance".
— Lance? – Repetiu.
— Sim, lance. Mesmo acompanhada por essa moça linda ela não para de nos dar olhares nada disfarçados.
O ego de Camila sorriu em deleite ao ouvir aquilo.
— Eu não sei. – A cubana deu falsamente de ombros. –Acho que temos uma ou duas arestas soltas.
— Arestas soltas. – Brooke sorriu maliciosamente. – O que é isso? Uma nova definição para tensão sexual?
Mila não respondeu nada, era pedir muito uma tarde sem que Lauren ou sua presença fossem pauta da sua vida? Aquilo estava se tornando uma coisa tão irritante quanto surreal. Ninguém vive de outra pessoa por tanto tempo, mas ela em partes era tão culpada quanto, afinal tinha dado lugar pra Lauren fazer morada em sua cabeça e agora ela sentia seu coração inteiro em risco.
Brooke tomou seu silêncio como irritação, e falou:
— Desculpe Camila. Eu não quis ser invasiva.
— Você não foi, mas eu realmente gostaria de saber se me trouxe aqui pra falar sobre suposições e achismos, ou se de fato quer me conhecer?
Ela admira Camila, surpresa pela mudança brusca no ritmo de sua fala, e depois abre um sorrisão.
— Você é incrível! – Exclama. – Sua personalidade, a maneira que se expressa, é completamente diferente do que se vê em você por fora. Você tem razão Camila, eu realmente quero te conhecer melhor.
Mila não pode prender um sorriso, que dessa vez foi dedicado exclusivamente para Brooke. Ela parecia uma boa maneira de limpar sua mente. A partir dai, conversaram sobre filmes, sapatos, pintura, muito sobre música, CDs antigos e claro seus gostos. Riram juntas e Mila notou, que naqueles momentos que se deu a oportunidade, quase não percebeu a presença de Lauren e Lucy bem pertinho.
— Isso que eu chamo de serendipidade, não é?
Camila quase cai pra trás. Ela acreditava firmemente em serendipidade, quando peças aleatórias se unem em um maravilhoso momento, e você percebe o propósito delas.
— Estou começando a achar que você vasculhou minha vida toda.
— Talvez...
— Lunática.
— Você realmente existe? - Brooke Lauren perguntou com os olhos brilhando.
— Claro que não. Eu sou uma miragem.
— Uma linda miragem. – Concordou a loira.
Em nenhum momento trataram de qualquer tipo de assunto sério. A leveza de Brooke foi um ponto positivo pra isso. Ela a todo o momento tocava as mãos de Camila, no entanto, ela não estava reclamando, a mão de Brooke não eram nem grandes nem pequenas e traziam um toque suave, delicado e charmoso.
— Estou feliz que você tenha me procurado. – Cabello admite.
— Eu também.
Mila não pode deixar de ficar surpresa, estava acostumada com mensagens contraditórias, flertes sem ir direto ao ponto, e coisas que podem significar tudo ou nada. A nova moda era fingir que não está interessado pra que o outro ache que está. Esqueceu-se o quanto a verdade direta era benéfica.
— Infelizmente preciso ir. – Brooke informa meio desapontada. – Eu tenho um evento hoje à noite e...
— Não precisa se explicar. – Ela entendia de verdade, mas queria um pouco mais de tempo. – Sei que você é ultraocupada.
— Posso te dar uma carona até sua casa?
Mila balança a cabeça positivamente.
A noite na Califórnia começava um pouco fria, e a moto de Brooke a toda velocidade cortando o vento deixou o queixo de Camila tremendo enquanto ela evitava de todas as maneiras não se aproximar de Brooke mais que o suficiente. Quando desceram em frente à porta de Mila, ainda havia nelas um gostinho de que a noite poderia ter avançado mais.
— Que lugar, legal. – Brooke comenta passando os olhos pelo bairro tranquilo. – Parece bastante acolhedor.
— Menos nos dias que meu vizinho emo resolver tocar The smiths todo o dia.
— Qual é? The Smiths é ótimo.
— Sim, mas não pra ouvir o dia todo. – Elas novamente ficam em silêncio, uma esperando que a outra dissesse algo. – Obrigada, foi uma tarde legal.
Mila entrega o capacete nas mãos da loira e fica surpresa, quando suas mãos são capturadas por ela. Nenhuma das duas quer verdadeiramente dizer tchau. Ficam ali, uma olhando nos olhos da outra. A música no quintal do vizinho encerra e uma música triste dos The Smiths começa a tocar. As mãos se separam e elas sorriem.
— Eu adoraria ficar mais um pouco, ouvindo The Smiths e segurando suas mãos, mas eu realmente preciso ir. – Disse Brooke, dando um passo inseguro para trás.
Então ela volta, parando na frente de Camila. Há uma diferença pequena de tamanhos, entretanto naquele momento seria difícil saber, porque a loira se inclina levemente e parece que por um segundo ela vai beijar os lábios da cubana, mas então ela recua e apenas deixa que seus lábios se encostem ao rosto macio de Camila.
— Até mais. – Mila exala.
Camila fica um segundo parada observando a loira caminhar até sua moto. Jamais perderia uma oportunidade fazer o que queria por medo e ela realmente queria beijar a Brooke Lauren.
Brooke se assusta, mas não tem tempo de tomar nenhuma reação, já que é pega totalmente de surpresa pelos lábios macios da cubana. As mãos de Mila seguram o colarinho da sua blusa, trazendo-a para mais perto. Tocando os lábios, a língua, inspirando seu hálito. É um beijo gostoso, audacioso e carregado de qualquer coisa acima de desejo.
Mas termina seco, não que o beijo em si tenha sido seco, provavelmente Brooke conseguiria levar muitas mulheres para sua cama com apenas um desses, mas a Camila pareceu que faltava outra coisa.
Ela se afastou bruscamente e agradeceu por Brooke apenas sorrir depois disso.
— Eu volto. – Brooke Lauren promete, antes de dar partida na moto e sumir rua adentro.
Espero que sim, Mila pensou.
Na manhã de terça-feira depois do primeiro turno, Mike caminhava em direção aos armários com Millie ao seu lado, quando se encontrou com Alycia. Sua prima conversava animadamente com uma morena alta, mas perdeu totalmente o interesse, quando viu o primo e sua amiga. Mike se arrependeu imediatamente, Alycia com certeza ia dar um jeito de fazê-lo passar vergonha, e qualquer vergonha parecia tolerável, com tanto que não fosse à frente de Millie.
— Quem é essa garota bonita? – Evans parou na frente da dupla e foi logo perguntando. Ao ouvir o apelido, Millie corou, tossindo levemente ao elogio de Alycia.
— Essa é Millie Brown. – Apresentou Mike brilhando. E sua prima franziu o cenho. Ele sabia que Alycia estava apenas o provocando, ela já tinha o visto com Millie outras vezes.
— Prazer Millie. – A loira se apresentou, notando os livros da garota nas mãos do seu primo. – Ele carregou seus livros?
— Oi, Alycia. – Millie respondeu, ainda corando furiosamente. – Sim, ele é muito gentil.
— Quase um gentleman. – Mike deu uma sutil cotovelada na prima ao ouvir a provocação.
— Eu acho que devo ir. – Millie encolheu os ombros com a desculpa. – Até mais, Mike. Foi um prazer conhecê-la, Alycia.
— Sim. – O rapazinho respondeu um pouco desapontado, devolvendo os cadernos a ela – Até mais. – Mike acenou, e Millie sorriu enquanto saia dos armários em direção a sala.
O garoto virou-se para encontrar Alycia olhando para ele como uma sobrancelha erguida.
— O quê?
— Ah, Mike, meu doce e ingênuo, Mike.
— O quê?
— Você está totalmente apaixonadinho. – Alycia bagunçou o cabelo do menino que se afastou fugindo de suas mãos.
— Não estou. – Ele negou como se não fosse óbvio que Millie mexia com o fundo do seu estômago, – ela é uma ótima amiga, e claro que é muito bonita – o rapaz sorriu sem se dar conta que o fazia. – Principalmente nos dias que ela usa batom rosa e cheira a baunilha... QUÊ? Isso não tem nada a ver, não é?
— Cabeçudo você é bem irmão da Lauren mesmo. Sempre negando o óbvio.
— O que a Lauren tem a ver com isso?
— Tudo. – Alycia jogou seus braços em volta do pescoço do primo. – Isso tem tudo a ver. Escute garotão, você não carrega cadernos de meninas, sorri quando fala dela e lembra o seu cheiro, se não estiver apaixonado, é uma das leis básicas da natureza tipo, o ritual da tartaruguinha, entendeu?
— Eu não sei do que você está falando e eu não estou apaixonado. – A palavra era engraçada saindo dos seus lábios.
Alycia vira o corpo do rapaz de frente pra ela.
— Acho bom você aceitar isso de uma vez, não vou aguentar dois idiotas negando o óbvio, Jauregui. – Quando ele ia fazer mais uma pergunta, o sinal de aula soou e sua prima o empurrou em direção o corredor. – Se mande!
— Mas...
— Agora, pirralho.
— Você é tão... ugh... irritante.
— Eu dou sempre o meu melhor. – Alycia piscou pra ele dando de ombros.
O resto do dia avançou bastante rápido e bem, era sempre assim quando não tinha aulas com Tyrone Rodgers, e Mike encontrou-se ansiosamente antecipando a sua primeira aula de reforço em matemática. A perspectiva de entender o que diabos estava acontecendo em sua aula e poder ver a latina deslumbrante foi compreensivelmente excitante.
Especialmente sobre ver Camila. A moça tinha um magnetismo imediato, que fazia qualquer um querer ficar perto dela.
Antes que ele notasse, o dia estava chegando ao fim, e ele acenava para Millie e Will Reike enquanto caminhava vagamente para a biblioteca. Ela estava lá esperando por ele, usando uma linda blusa branca, com o jeans preto e suas famosas botas de couro, que deixava ela ultra estilosa, igualzinha a sua irmã. Ele se deu conta que Camila e Lauren tinham várias coisas em comum. Se Lucy não estivesse entre elas...
Camila conversava empolgadamente com uma dupla que ele reconheceu imediatamente como os gêmeos Turner. Sophie sorriu pra ele em saudação, e ele respondeu com o mesmo sorriso. Ele sabia que sua prima e a belíssima ruiva tinham tido um namoro de um ano, que certamente terminou com uma falha grave de Alycia. Seu irmão, porém, Mike não sabia quase nada, exceto seu nome e que ele era extremamente popular, e bonito.
Alycia comentava bastante sobre ele, ainda mais que Mike desconfiava que os dois fossem os maiores garanhões daquela escola.
— Eu posso esperar. – Ele informou a Camila, sentando-se do lado dela.
— Não se preocupe. – Mila assegurou. – Esses dois chatos ficaram comigo depois da aula.
— Chatos? Estou magoada, Cabello. – Sophie provocou-a, – quer dizer, todos sabem que Nico é um chato, mas eu?
— Ei, me respeite... – Mike sorriu quando os dois irmãos começaram a brigar lembrando-o de Lauren e Alycia, que agiam mais como irmãs do que primas.
Camila revirou os olhos
— Deem o fora dessa biblioteca! – Depois de expulsar os irmãos da sala, ela virou para Mike. – Então, vou te ajudar com... – Ela parou quando notou a assinatura de Tyrone Rodgers e estremeceu. – Rodgers?
— Sim.
— Parece que vamos ter muito trabalho. O que você não sabe?
— Tudo?
Mila sorriu e sentou do lado dele colocando óculos de leitura, o que deixava ela com um ar mais sério que o normal. Incrível que ela ficava bem usando qualquer coisa.
Mike logo decidiu que Camila era um anjo enviado dos céus.
Suas explicações realmente faziam sentido, e ela era paciente com ele de uma maneira que nenhum de seus tutores privados nunca foram. Havia algo sobre sua voz que o deixava relaxado e mais disposto a ouvir sobre as complexidades de um assunto que antes ele abominava completamente.
Sua sessão acabou por correr mais do que a hora designada, terminando em duas, mas ele mal sentiu o tempo passar. Ao final, Mike era o orgulhoso proprietário de uma impressionante pilha de atividades acabadas trabalhos de casa e revisões completas, e em geral sentiu-se incrivelmente satisfeito com o seu progresso. Camila sorriu arrumando seu cabelo, e os dois dividiram um pedaço de chocolate.
— Acho que terminamos por hoje. – Ela anunciou.
— Seis horas? Meu Deus, eu mal percebi que ficamos todo esse tempo. Não queria te empatar tanto, Camila.
— Relaxe, – Ela o tranquilizou – Dinah estará aqui em breve, de qualquer maneira para me buscar, nós vamos jantar juntas.
— Oh, tudo bem, eu vou ligar pra Lauren vir me buscar. – Ele notou que citar o nome de Lauren causou uma mudança brusca no humor de Camila. Ele tinha ouvido boatos sobre a rivalidade entre elas, e até tinha lido uma matéria tendenciosa sobre ambas, mas não sabia que era algo tão sério. – Vocês duas não se dão bem, não é?
Camila terminou de colocar suas coisas dentro da bolsa antes de olhar pra ele.
— Não é exatamente isso, eu só não... – Ela fechou os olhos tentando achar a palavra correta. – Sua irmã é um tantinho arrogante demais do que o meu limite aceitável.
— Eu entendo. – Mike não podia negar que quando queria Lauren era intragável. Tinha esperanças que pudesse sair uma amizade entre elas duas. – Ela não é uma pessoa má, ela é boa, mas às vezes não, se ela fosse uma pessoa ruim assim, ela não teria ficado tão preocupada em convencer ao Tyrone em lhe dar a vaga do curso de-
Ele nem precisou ir mais a frente pra saber que tinha ido longe demais. Camila não sabia, e ele tinha estragado tudo.
— Ela o quê? – Camila deu um pulo da cadeira que derrubou todos os lápis no chão.
A bibliotecária fez um irritante barulho de "shiii" lembrando que eles ainda estavam na biblioteca.
— Camila, por favor...
— Então foi essa- – Ela murmurou por entre dentes. – Que cretina. Yo mato, essa perra!
Mila puxou bruscamente seus materiais da mesa. Tudo começando a fazer sentido sua cabeça. É claro, no meio da emoção de estar de volta à turma de artes, ela mal parou pra pensar que Tyrone Rodgers era a última pessoa que faria qualquer tipo de favor se nisso não tivesse algum beneficio. E que beneficio Camila poderia trazer pra o tão "gentil" professor?
Mike tentou alcançá-la saindo na porta da sala, mas Camila voltou-se.
— Não me siga, eu tenho assuntos pra resolver com sua irmã. – Ela voltou-se e achou necessário deixar marcado. – Novamente.
— Eu tenho certeza que ela pode te explicar.
— Tenho certeza que ela pode.
Quando viu a latina pisando duro em direção a saída, Mike só podia pensar em uma coisa "Ele tinha que achar Alycia"
Lauren parou o seu treinamento se jogando contra a grama macia do campo de futebol. Todo fim de treino ela fazia anotações sobre o desempenho das jogadoras em campo. Aquele foi um dos piores treinos do time. As lobas tinham um meio campo forte e criativo, um ataque poderoso, e uma defesa até certo ponto confiável, mas se tinha algo que não lhe inspirava confiança era sua goleira. Monalisa Bells vivia em outro mundo, um mundo onde o chute mais fraco podia vencê-la sem esforços.
O time precisava de alguém naquela posição, a questão era onde ela encontraria uma boa goleira a tempo do primeiro jogo do campeonato que se aproximava a galopes?
— E então, Jauregui, que cara velório é essa?
Sua prima sentou do seu lado, seguida de Normani Kordei, as duas eram uma espécie de conselho dela. Suas duas jogadoras de confiança, quem a ajudava com os conhecimentos gerais sobre o time.
— Precisamos de uma goleira, – ela anunciou com desgosto. – não vamos pra lugar nenhum com Monalisa Bells tomando um caminhão de gols em todo treinamento.
— Bem, ela é o que temos, cap. – Normani concordou complacente. – Goleira é uma posição difícil, ninguém quer ficar lá atrás enquanto o jogo acontece.
— Não é possível que nessa escola não tenha nenhuma garota que agarre minimamente bem. – Jauregui elevou seu tom de voz, amassando a folha de papel contra os dedos.
É Alycia mais uma vez quem tem resposta para os questionamentos de Lauren.
— Nos temos essa pessoa.
— Quem? – Lauren pergunta sem controlar a ansiedade.
— Ela não é necessariamente daqui, mas pode vir a ser.
— Pare de suspense e vá direto ao ponto, Evans.
— Verônica Iglesias. – A sua prima diz por fim. – Ela foi nossa goleira por dois anos consecutivos, mas brigou com o Tyrone e ele a excluiu de uma vez do time e da escola. O motivo ainda é uma lenda, Vero não diz nada, e ninguém ousou perguntar ao professor Rodgers.
— Eu me lembro dela. – Lauren anunciou animada. Claro, lembrava-se muito bem da goleira que a infernizou no único jogo que as lobas trouxeram alguma dificuldade ao antigo time de Lauren. – Sim, mas o que está querendo sugerir?
— Você entendeu, – Alycia pontuou. – já que Rodgers ama lhe fazer favores, peça a autorização para trazer Vero de volta à escola e ao time.
— Você acha? – Normani inquiriu com uma descrença gritante na voz. – Vero odeia tocar nesse assunto, duvido que ela aceite voltar ao time, e duvido ainda mais que o professor Rodgers ceda a isso, ele preferiu nos ver perder o campeonato a dar o braço a torcer.
Alycia levantou pegando sua chuteira do chão antes de dizer:
— Sim, mas antes nós não tínhamos Lauren Jauregui. O velhote vai fazer tudo que ela pedir, é só ela pedir.
— Mas você tinha dito que não era pra eu tomar benefícios.
— Acho que você pode abrir uma exceção em nome do time. E é bom que seja breve, nosso primeiro jogo é daqui quinze dias, se você acha que convencer Tyrone Rodgers a ceder vai ser difícil, é porque ainda não viu Verônica Iglesias.
Lauren suspirou observando a prima caminha em direção ao vestiário. Tudo sempre caia em suas costas.
— Não vai agora, cap? – Mani perguntou.
— Vou dar mais algumas voltas enquanto penso, vejo vocês mais tarde.
Quando Lauren terminou de dar suas voltas à noite já caia sobre o campo, sobrando apenas ela e um casal aparentemente dando um amasso nas arquibancadas. Pegou seu celular reparando que estava descarregado, teria que ir buscar Mike na biblioteca e correr o risco de topar com Camila Cabello. Mas antes um banho, ela estava fedida e grudenta.
Apressadamente catou sua bolsa, e correu em direção aos banheiros do ginásio, naquele momento estavam vazios. A capitã acendeu a luz e jogou suas tralhas no chão. Quase suspirou de alegria quando tirou seu top e pode respirar normalmente. O barulho audível das chaves do seu carro se chocando ao chão, assustou-a, obrigando ela voltar para buscar e colocar sobre a mochila. Seu carro era seu mais novo xodó, e seus pais a matariam se soubessem que ela não estava tendo cuidado.
Lauren não tinha nem terminado de passar sabão quando ouviu a porta principal dos vestiários se abrindo com um baque. Ela esperava que fosse Mike, evitaria ter que subir e ter mais um dos encontros forçados com Camila.
Então sem pressa, depois tomar um relaxante banho quente, vestiu um moletom branco confortável e deixou a cabine de vidro assoviando. A tranquilidade que cai por terra assim que ela se curva pra pegar sua mochila e vê que não é Mike que a espera.
Camila estava sentada em uma das poltronas do banheiro, com a sua cara comum de poucos amigos.
— O que você está fazendo aqui? – Lauren se viu obrigada a perguntar.
Mila parou, pensou e cruzou os braços em volta da sua cintura.
— Então quer dizer que você foi responsável pela minha volta ao curso de artes?
Lauren sentiu um frio gelado correr a espinha. Como Camila tinha descoberto? Bem, isso não importava, ela podia notar na expressão da latina que provavelmente ela tinha entendido tudo da maneira incorreta.
— Não fui eu.
— Ah, não foi você? – Camila repetiu e sorriu maldosa. – Você acha que eu sou idiota Jauregui?
— Eu juro que não sei do que está falando... Você está começando realmente a ficar obcecada em mim.
Lauren cometeu o erro de subestimar Camila com raiva. Então a moça de cabelos castanhos, sem dar uma palavra foi até a mochila e pegou as chaves do seu carro e correu pra o outro lado do banheiro abrindo umas das cabines de vidro com um chute.
Ela parou de frente ao vaso e estendeu a chave:
— Acho bom você começar a falar a verdade, Jauregui. Se não quiser ir pra casa a pé!
— Você não ousaria. – Lauren desafiou, mesmo sabendo que Camila ousaria sim.
— Duvida?
— Eu-
— A verdade, Jauregui!
— Ok, eu pedi ao professor Rodgers pra lhe devolver a vaga. Está feliz? Agora me dê minha chave!
— Dios, como você é intrometida!
— Não era isso que você queria? Camila eu te ajudei, por Deus, é só você ficar calada que ninguém vai saber. Me devolva a minha chave. – Lauren se aproximou com as mãos estendidas. – Eu juro que se...
— Que se o quê? – Ela estendeu a mão quase fazendo a chave cair no vaso. Jauregui fechou os olhos percebendo que as chaves ainda estavam seguras nas mãos da moça.
— Eu juro que nunca mais me meto em seus assuntos, eu... só queria ajudar... – Mila continuava irredutível. – E eu ajudei! Aceite a vaga e siga em frente.
— Eu queria que a vaga voltasse pra mim porque ela era minha por direito, não por maracutaias e benefícios. E além do mais, você andou tomando boladas nessa cabeça? Se alguém descobrir isso, eu estou fora, Lauren, diferente de você eu não tenho pais ricos pra me colocarem na melhor universidade sem precisar me esforçar!
— Você acha que eu não me esforço? Acha que é qualquer coisa fácil pra mim, estar nessa cidade enquanto meus pais estão do outro lado do mundo? Você pode não admitir, mas tudo que eu sou, eu conquistei abrindo mão de coisas que você mal pode sonhar. Você nem ao menos me conhece!
Camila perdeu a fala um segundo, e Lauren constatou que se quisesse tomaria aquela chave com facilidade, ela era maior e mais forte. Então entrou com tudo na cabine, fazendo a porta bater e vibrar com força atrás delas.
— Me devolva minhas chaves. – Ela prendeu Camila em um curto espaço. Deixando ambas muito próximas.
— Não. – A cubana recuou, sentindo o frio das paredes entre a cabine bater em suas costas.
— Eu não tou brincando Cabello, me dê minhas chaves!
Elas começaram a brigar pelo controle da chave, apesar de Lauren ser mais forte, Camila não desistia tão fácil.
— Lauren!
Ambas pararam um segundo de lutar pelo objeto, ouvindo a voz que correu o vestiário. Era Lucy.
— Laur, você está aqui?
— Porra! – Lauren gemeu. Tinha marcado de dormir na casa da namorada, e agora ali estava, trancada em um cubículo com Camila Cabello.
— Eu vou sair! – Mila ameaçou. – Você não ama se meter em minha vida? Eu vou dar um pouco desse veneno pra você.
— Não! Por favor, não faça isso. – Implorou murmurando o mais baixo que conseguiu – Camila, não faça isso.
— Solte-me!
— Laur, é você que está ai, babe?
Lauren pode enxergar o reflexo da namorada através do reflexo do vidro fosco. Então em um ato de desespero ela ligou o chuveiro fazendo uma rajada de água quente cair sobre as duas.
O grito que ia escapar dos lábios de Mila foram afogados pela água e pelos lábios macios de Lauren. Camila tentou empurrar à morena, porém o corpo mais forte imprimiu pressão contra ela e os lábios mais vontade. Lauren afastou-se só um pouquinho e os olhos se chocaram, em uma tempestade de faíscas verdes e castanhas. Jauregui quase gemeu quando os lábios macios roçaram contra o seu cedendo de uma vez ao desejo que as consumiam. Uma chama, que queimava em igual intensidade, que nem a água caindo em jatos fortes foi capaz de apagar
As unhas de Camila roçavam, e apertavam suas costas, como se a quisesse perto e ao mesmo tempo tão longe quanto possível. Uma orgia de línguas, salivas e o beijo mais intenso que ela tinha dado na vida. As duas podiam esquecer facilmente o beijo de sábado, aquele era o melhor que já tinham dado na vida. .
Foi impossível não se deixar consumir em uma excitação viva, quando se deram conta das junções dos corpos. Imediatamente Lauren notou que Camila não usava sutiã nos seios, e seus mamilos roçavam contra o pano da sua blusa pedindo pra que Lauren só erguesse um pouco sua mão e tocasse. Mas delicadamente, ela deixou as mãos escorregaram e irem diretamente a sua cintura e erguerem o corpo pra conseguir beijar mais profundamente, dessa vez foi Camila que reprimiu um gemido.
Lá fora a voz de Lucy, foi ignorada, enquanto elas se fechavam em uma bolha que só cabiam seus beijos.
Lauren precisou imprimir mais força pra segurar aquele corpo, e se segurar ao mesmo tempo. A cabine naquele momento fervia mais que uma sauna. Suas bochechas ardiam e era difícil enxergar qualquer coisa enquanto a água quente caia molhando o corpo e o rosto das duas.
O beijo foi terminando lentamente, os corpos se afastando, se acostumando com a falta do outro, até que só restaram fantasmas do toque.
Lauren e Camila ficaram em silêncio por pouco mais de cinco minutos, até Jauregui abrir a porta da cabine e após dá uma olhada ansiosa constatar que elas estavam sozinhas novamente. Virou-se pra olhar Camila, ela parecia uma deusa, a personificação do pecado. Os lábios avermelhados, os cabelos úmidos e indomados, com os bicos dos seios desenhados no pano da blusa branca. Lauren sentiu vontade de trancar ela mais uma vez naquela cabine, e fazer coisas que não se diz em voz alta nem pra o seu melhor amigo.
Ela a desejava tanto que isso ardia dentro do seu estômago como uma maldita chama infinita. Precisava se afastar antes que isso causasse queimaduras permanentes nas duas. Isso nem era por ela. Seu egoísmo gritava pra que tirasse aquela roupa, molhada e beijasse cada parte do seu corpo bronzeado.
Mas Lauren simplesmente não podia.
— Desculpe. – Murmurou. – Eu... – Tentou encontrar uma palavra, mas não conseguiu. – Eu não sei o que dizer.
— Não diga nada.
Camila fechou os olhos mais uma vez recostando a cabeça contra a parede. Alguns fios rolaram pelo seu rosto, e Lauren sentiu vontade de afastá-los.
— Camila...
— Não diga nada, Lauren. – Cabello a interrompeu, com mais um dos seus olhares de despir a alma. – Vá pra sua namorada, transe com ela e esqueça isso.
— E se eu não quiser? Esquecer isso.
Mila sorriu levemente com escárnio.
— Nós não somos crianças, Lauren, você e eu sabemos exatamente como essa coisa vai acabar. Sério, faça o que eu te disse, vá pra sua namorada. Alguém vai sair com o coração quebrado disso aqui, e pode apostar que essa pessoa não serei eu. Estou privando você Lauren, por favor, apenas, vá. – Ela estendeu as mãos. – Suas chaves.
Lauren encarou o objeto brilhando, agora em suas mãos.
— Você tem razão. – Se viu obrigada a admitir. Ainda que "ir pra sua namorada" fosse a última coisa que ela queria fazer.
Lauren deu as costas a Camila, e virou-se para pegar sua mochila. Ela estava tão entorpecida que mal sentia a roupa grudando em seu corpo. A porta bateu mais uma vez e ela sabia que Camila tinha acabado de deixar o banheiro.
Era melhor assim.
Lembrou-se que ainda faltavam 11 meses para Camila Cabello não passar de uma mera lembrança. Mas ela tinha certeza que quando chegasse à hora de ir, para bem ou para mal ela não seria mais a mesma.
"I never, ever, ever, be the same."
Meu casal é tão maravilhoso gente :(
Olá galeroooooooooooooo, chegamos a 10k de leituras, sério, eu mal acreditei quando vi... Vocês são tão incríveis, todos vocês, pqp...
Hoje ninguém pode reclamar de cap pequeno, fiz quase 5 mil palavras, mas n se acostumem, não será assim sempre, ein, oq acharam do cap, me digam, estou ansiosa pra saber oq vcs estão achando...
E essa cena:)
Esse é de longe o meu capítulo favorito dessa primeira fase de TDAC, sério, eu amo essa rivalidade delas, amo esses diálogos que estão sempre evidenciando o quanto elas já se gostam, mas é mais seguro fingir que não!
Sei que alguns de vocês vão se questionar o motivo de Camila ter ficado tão chateada com a intromissão de Lauren, uma vez que isso a trouxe benefícios. Mas é muito fácil perceber que Camila e sua personalidade gostam do mérito, não da facilidade... Fora que se qualquer um descobrir, ou se Lucy sonhar que ela está lá ajudada, Camila pode perder a chance de entrar na sua tão sonhada universidade. Enfim, kkkk, espero que faça sentido, porque pra mim fez.
Outra coisa, porque hoje estou a fim de conversar, tem alguns Shippers que não gostam de ver as duas com outras pessoas, eu perdi algumas linhas desenvolvendo a relação de Camila e Brooke pq é necessário. Brooke é a chama do conflito, espero que entendam que sem conflito, não temos história, ou a história fica chata, apenas rodando entre Lauren e Camila e eu detesto quando isso acontece.
Eu decidir fazer um quadro de horários pra ajudar vocês a saberem exatamente quando sai att da fic, cantando a partir de hj. Abaixo:
Bjo amores, vejo vcs em breve, qualquer coisa é só gritar :*
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