XXXI. Draco na diretoria

— a porta está destrancada - Draco lembrou em vão.

Não conseguiu falar mais nada antes de Harry atacar sua boca novamente, o desejo era tão palpável quanto seu corpo ardendo por Draco. Porém, o outro não estava realmente interessado naquilo, a priori por sua mente vagar em preocupações sobre Teddy poder entrar no quarto a qualquer momento, e além disso, vendo como Harry queria ficar por cima e dominá-lo.

— por que gosta de beijar tanto, idiota? Minha boca está dormente. - ele o afastou mais uma vez, agora puxando os cabelos pretos.

— sabe, seria meio sexy se ficasse me xingando quando está por cima - Harry tentou continuar com um sorriso malicioso, mas Draco puxou seus cabelos o impedindo.

— então vamos trocar, tenho certeza que consigo te xingar mais.

O loiro tinha o mesmo sorriso malicioso agora, mas Potter quem negou dessa vez, pois queria ser o ativo e sabendo que se desse uma brecha Draco conseguiria se livrar, o empurrou de volta para a cama.

— continue deitado aí, Senhor Malfoy.

Harry entonou a voz dando seu melhor para soar malicioso, mas vendo a expressão do outro, já podia imaginar que não funcionou. Draco soltou uma gargalhada, daquele tipo espontâneo e alto e que não deveria acontecer naquela situação, mas ele riu e colocou as mãos no peitoral de Harry para o tirar de cima.

— eca, eca - ele disse entre risos, Harry se sentou na cama conforme o loiro também se levantava — que nojo, você me fez pensar no meu pai.

— credo, para com isso.

— não dá, "senhor Potter" - Draco zombou ainda rindo.

— qual seu nível de maturidade? Pelo amor.

— está bravo de verdade?

— claro! Eu queria- Harry pausou como se não tivesse coragem de profetizar, era no mínimo engraçado, pois ele já havia feito coisas mais próximas do que simplesmente falar.

— entendi, transar.

— é!

Draco admirou o homem quando ele bagunçou os cabelos escuros e suspirou um tanto frustrado e então se jogou na cama deitando ao seu lado, os rostos próximos o suficiente para sentir a respiração. Sua boca estava um tanto rosada pelos beijos e sua pele corada com a agitação recente. Sempre achou Harry Potter lindo, com seus cabelos bagunçados, uma cicatriz idiota, óculos redondos, roupas horríveis e principalmente sua personalidade, Draco odiava e amava ao mesmo tempo, como queria o dar um soco e então o agarrar e não soltar nunca mais. E apesar de gostar de toda a intensidade que sentia, havia algo especial em ver apenas Harry, seu namorado/noivo, adoravelmente deitado ao seu lado e com um bico infantil por não ter conseguido o que queria.

— ...eu meio que estou no clima agora - as palavras saíram da boca de Malfoy quase que sem permissão.

Harry olhou para Draco em expectativa, e este sorriu de volta. Logo se movendo de modo que ficou por cima do loiro e sorriu sem esconder a satisfação.

— não vai poder voltar atrás - ele respondeu, logo antes de iniciar um beijo lento e cheio de segundas intenções.

Segunda intenções que iriam se realizar, porém, foram por água abaixo com a abertura da porta por um garotinho de cabelos azuis e sua doninha de pelúcia nos braços.

— vocês estão brigando? - Ted perguntou hesitante, na mente inocente da criança, ver Harry quase sentado sobre o corpo de Draco parecia uma briga nos olhos inocentes.

— claro que não, estávamos só brincando. - Harry sorriu nervoso enquanto atrapalhadamente saiu de cima do namorado.

Draco o olhava friamente, aquele olhar de "eu te avisei que a porta estava aberta".

O garotinho subiu na cama sem convite, porque mesmo sendo uma criança ele sabia que algo estava estranho, mas ele seria bem-vindo. Draco e Harry se sentaram de modo que Ted ficou no meio deles, com as pernas dobradas e abraçando os joelhos, suas mãos também agarravam a doninha de pelúcia. Ele havia ganhado de George e Draco já tentara jogar fora, mas era o preferido de Teddy, às vezes Draco encarava isso como um ataque pessoal, mas sabia que não, pelo menos não dá parte de Ted, mas quem o presenteou, George, sabia muito bem o que estava fazendo.

— não briguem, beijar é melhor que brigar - o de cabelos azuis disse por final, ainda desconfiado.

O garotinho repetiu a frase que aprendeu com a "tia Pansy".

— quando você fala assim até parece que vivemos brigando - Harry comentou em um riso soprado, eles brigavam, mas não era tanto assim, ou pelo menos não achava que era muito, com tanto que terminasse em beijos, não se importava em brigar mais.

— e você quer contar porque está aqui? - Draco mudou de assunto vendo a inquietação do menino.

— não é nada.

— tem certeza? - Harry insistiu vendo que definitivamente o garoto estava omitindo algo.

Teddy encarou os olhos verdes e desviou o olhar duas vezes, seriamente pensativo e hesitante, como se tomasse a decisão de contar e logo desistisse, não era como se Harry se divertisse na situação, mas segurou um pequeno riso ao ver o garotinho pensando seriamente na questão como o adulto que parecia ser, como se suas decisões eram consideradas e calculadas, talvez fossem.

— ...eu tive um pesadelo, com aquele monstro.

Conscientemente o menino virou de costas para Draco antes de falar, Harry entendeu o motivo quando viu o loiro espremer os lábios e contorcer as sobrancelhas em uma expressão culpada. "Aquele monstro" era um dementador, claro que isso deixava marcas na memória de qualquer um, Harry era bem mais velho quando viu um e até hoje tinha que respirar fundo para se manter firme quando os via. E Ted nem deveria ser considerado um menino, é quase um bebê, mesmo não sendo atacado, só aquela visão foi demais para ele.

— você sabe que eles não podem te fazer mal aqui, certo? Você está seguro, Draco e eu vamos te proteger sempre - ele puxou Ted para seus braços com um sorriso gentil.

— quer ir voar amanhã? Podemos fazer isso bem cedo, antes de ir pra escola. Se quiser não precisa ir - Draco sugeriu tentando soar casual, Harry via que ele se esforçou para não se mostrar frágil.

— não pode deixar ele faltar aula só porque teve um pesadelo.

— meu Teddy falta a aula quando ele quiser.

— você está estragando o menino - revirou os olhos verdes quando disse com um meio sorriso, todavia não pareceu realmente uma crítica.

— ele não vai ser estragado mesmo se tiver dois Dracos, ele é muito bom. - o loiro se aproximou e afagou os cabelos azuis conforme repetia que Ted era bom.

E na manhã seguinte Teddy foi a aula mesmo com as más influências, entretanto, antes ele foi voar e estava um pouco suado e completamente feliz quando Draco o deixou na porta da escola.

Na mansão, Harry terminou de colocar todos os brinquedos nas caixas assim como as coisas que iriam levar para a casa recém comprada no mundo trouxa, não havia mais nenhuma roupa no armário e o cenário da mansão Black voltava a ficar tão sombrio quanto era antes.

Ele olhou Draco radiante usando um casaco de apanhador da grifinória, que pertencia a Harry, ele havia acabado de chegar e jogou a vassoura por cima de uma das caixas sem se importar, Harry balançou a cabeça tentando ignorar a ação e continuou seu trabalho.

— estamos mesmo deixando a mansão - Harry constatou quando fechou a última bagagem que faltava.

— pensei que quisesse se mudar. - Draco abraçou Harry por trás de modo que apoiou o queixo no ombro dele.

— sim, muito. Mas parece estranho deixar esse lugar, principalmente sabendo que vai estar abandonado.

— finalmente vão sair daqui - a voz arrogante soou no final do corredor, e isso assustou até mesmo Teddy que distraidamente tomava seu suco enquanto observava a paisagem pela janela sabendo que não veria aquele cenário tão cedo.

— Walburga? - Harry perguntou em um misto de surpresa, olhou para os outros antes de ir até o quadro com um sorriso brincalhão, já havia aprendido a não se ofender com nada que a mulher falasse.

Afinal, depois de meses morando na casa, não havia mais xingamento que ela não usou para se referir a eles, então nada poderia se renovar e de repente ela também cansou de gritar com Teddy vendo como ele também não se ofende mais e várias vezes apenas virou ela para que não pudesse encarar nada além da parede.

— eu pensei que gostasse de nós um pouquinho agora, não vai ficar solitária? - parou em frente a Walburga observando o retrato, apesar da expressão impassível, era uma mulher bonita.

— nunca ouviu o ditado "antes só do que mal acompanhada"?

Harry iria irritar a mulher lembrando-a de que esse era um ditado trouxa, a quem ela notava profunda aversão, mas Draco foi mais ágil.

— quando a má companhia é você mesma deve ser difícil. - Draco ironizou com seu sorriso de sempre.

— seu moleque insolente! - ela gritou a todos pulmões enquanto o loiro apenas acenou como se concordasse e esperou-a terminar para dizer:

— minha querida tia-avó, ficará triste? Posso pedir para minha mãe lhe visitar.

— Narcisa, sim, sim, ela era a melhor daquelas três. Andrômeda foi uma decepção, e Bellatrix insana, Narcisa fez um bom casamento, seu único erro foi a criação do filho, vejo que lhe faltou pulso firme.

— deveríamos queimar essa mansão também? - Harry sugeriu para Draco com um sorriso, não iria fazer isso, mas talvez realmente se livrasse do quadro.

— não ouse, seu traidor!

— dê um desconto, Harry literalmente salvou o mundo. E eu segui Voldemort até o final, não que eu tivesse escolhas ou me orgulhe disso. - Draco comentou dando de ombros.

— não sei porque não gosta de nós.

— acho que o feitiço apenas grava a essência dela, mas não pode a mudar, então acho que mesmo se tentássemos a convencer, ela não iria mudar de opinião.

— isso é um pouco frustrante - Harry balançou a cabeça incomodado, definitivamente não faria um feitiço desse tipo.

— não é relevante - Walburga declarou desinteressada na opinião de terceiros — vocês falavam de Narcisa, ela virá?

Draco virou o rosto ignorando a mulher e sorriu daquele jeito que fazia quando queria pedir algo. Harry já suspirou prevendo problemas.

— eu estava pensando... o que acha da minha mãe morar aqui, Harry?

— levando em consideração que eu destruí a mansão dela parece uma troca justa - respondeu de bom humor, não sabia exatamente seus sentimentos em relação a outra pessoa ocupar a casa, mas se sentiria menos incomodado se fosse alguém como Narcisa.

No final, não foi um problema, Harry deveria parar de ser tão defensivo em relação aos pedidos às vezes desconcertantes de Malfoy.

— ótimo, podemos ir falar com ela juntos e então você poderia pedir a aprovação da minha mãe - Draco sorriu brilhante.

Ah, lá estava o motivo de Harry ser defensivo, era seu instinto lhe dizendo que haviam problemas. É claro que Draco arrumaria algo.

— que aprovação? - Harry fingiu não entender e se afastou querendo acabar a conversa, mas Draco apressou o passo e o acompanhou subindo as escadas.

— bem, tecnicamente somos noivos, apesar de ser patético já que não podemos nos casar realmente. A questão é: seria legal se você fosse falar com a minha mãe.

— tipo quando trouxas pedem a mão da garota para o pai, em que século estamos? - Harry continuava a andar pela casa com Draco o seguindo, a situação estava meio fora do controle de modo que os dois adultos estavam praticamente correndo e Teddy olhou a cena toda um tanto confuso, seus pais eram estranhos.

— vamos lá, você aceitou a parte mais difícil do plano e agora está com medo da minha mãe. - Draco tinha a respiração acelerada.

— não é medo, é instinto! Me fez sobreviver todos esses anos.

— ah, você não tem nenhum instinto, sr. "Vamos montar nesse dragão perigoso e invadir o banco".

— não foi minha ideia! - Harry retrucou como se isso mudasse tudo, mas continuou correndo.

...

— Nós deveríamos nos casar. - Ron tentou soar casual sentado no sofá da sala, a namorada estava mexendo em alguns álbuns de foto e acabaram se separando com fotos do casamento de Gui e Fleur.

Hermione paralisou por curtos milésimos, mas se recuperou em um piscar de olhos com o rosto um pouco corado, sorriu de um jeito gentil.

— hum... isso foi meio repentino, porque acha isso?

— você sabe, dividir impostos, fazer a declaração de renda juntos, seria mais fácil.

— bem, parece bom - Hermione deu de ombros, nunca haviam exatamente falado sobre casamento, mas também queria se casar algum dia, e vendo as fotos de casamento também sentiu esse impulso que Ron deveria ter sentido antes de falar aquelas palavras.

— que bom, não sei o que iria fazer com isso se negasse. - de repente uma pequena caixinha de veludo foi jogada no colo de Hermione, que levou seu olhar confuso ao encontros dos olhos azuis cheios de expectativa.

— o que é isso, Ron? - ela abriu a caixinha preta e olhou rapidamente vendo o anel, então levou o olhar para o homem à sua frente.

— o que isso parece? - Ron sorriu aproveitando a expressão de confusão no rosto da namorada, era difícil ver essa expressão no rosto da sabe-tudo.

— parece com um anel.

— muito bem, futura ministra. É um anel de noivado.

Ela olhou novamente para a caixinha desacreditada. O anel prata era fino e com uma delicada e brilhante pedra no centro, ao redor dela pedrinhas ainda menores a contornavam mostrando o trabalho meticuloso.

— então?

— então? - Hermione perguntou de volta, ainda perdida sobre o que deveria fazer ou qual reação ter, de fato não esperava algo assim.

— eu vou receber uma resposta? - os olhos azuis se encheram de sarcasmo enquanto ele cruzou os braços.

— vou receber um pedido?

— quer um pedido? - Ronald deu um sorriso que fez a bruxa se arrepender imediatamente depois de assentir em silêncio, ele forçou uma tosse se preparando na pose de joelhos e esticou os braço para cima deixando tudo mais dramático — oh, meu amor, razão do meu viver, daria-me a honra de ser a mãe dos meus filhos e-

— você não leva nada a sério! - Hermione reclamou apesar de estar rindo.

Os olhos escuros cintilavam pelas lágrimas de alegria que começavam a acumular, mas insignificantes ao ponto de escorrerem. O sorriso dela estava brilhante conforme abraçou o agora noivo.

...

A manhã agitada na recente casa da família começou com a bagunça das caixas de mudança. Draco corria de um lado para o outro procurando a varinha mágica que sumiu e Harry arrumava a lancheira de Teddy com a máxima variedade possível que se poderia ter com uma maçã e um iogurte de validade questionável ao dispor.

— precisamos ir às compras - ele lembrou Draco.

— depois de tirar tudo das caixas e antes disso precisamos montar o quarto de Ted - respondeu quando passou próximo dele, agora com sua varinha em mãos, procurando o jaleco.

— Eu acho que Hermione e Ron vão vir aqui mais tarde.

— eles são tão grudentos, você os vê todos os dias.

— não é verdade - apesar de trabalhar com Ron, às vezes eles não se encontravam, isso era muito raro, mas não quis admitir que Draco estava certo.

— certo, se quiserem que venham, eu vou chamar os meus amigos.

— você quer causar uma guerra? - Harry arregalou os olhos apenas em pensar no caos que seria.

— é hora da escolinha do Ted - o garotinho interrompeu impaciente.

Estava certo, até o local, não demoraria mais que dez minutos caminhando, por isso os adultos estavam um tanto desleixados sobre isso, mas agora faltavam exatos 12 minutos e Draco ainda procurava os sapatos.

— cadê a minha água?

— certo, você precisa levar uma garrafinha de água - Harry relembrou procurando o objeto para o menino.

— cadê meu copo com desenho?

Teddy questionou vendo que o adulto enchia uma garrafinha amarela, essa era sua cor preferida, por isso não reclamou por tê-la levado outros dias, mas na verdade, preferia o copo com o desenho de uma personagem que gostava.

— a tampa sumiu, leve esse.

— mas eu quero o outro - Teddy havia aprendido a ser mais persistente, por ter pais um tanto fracos aos seus apelos, ele normalmente conseguia o que queria, aliás, os adultos sabiam que não deveriam colaborar com a situação, mas o faziam.

— Harry... - Draco cerrou os olhos vendo perfeitamente a garrafa que Teddy procurava atrás de Harry.

Entendia o motivo, isso era porque a dita garrafa era rosa e tinha o desenho de uma personagem voltada para o público feminino, logo, Harry tinha medo que Teddy sofresse pela maldade das outras pessoas, mais ainda do que já havia.

— Draco, Eu só quero proteger ele das pessoas maldosas, você ouviu o que ele disse antes, está afetado pelo o que os outros dizem.

— estamos lidando com a situação só do seu jeito. Foi você quem disse que se Teddy não levasse essas coisas ninguém perceberia.

— eu admito, pensei que daria certo.

— mas não pode esconder quem ele é! Não adianta simplesmente tirar as coisas que ele gosta e esperar que tudo fique bem. - Draco disse com a voz aflita, claro, estava pensando em sua infância. Era assim consigo e havia prometido milhares de vezes que não seria como seu pai.

— você sempre leva as coisas para o lado pessoal.

— porque é pessoal! Eu sei o que é sofrer reprimindo o que sente e como você é, não quero que Ted tenha que fazer isso, no mundo trouxa ou no mundo bruxo, eu quero que ele tenha uma boa experiência.

— Eu te entendo, também quero isso - Harry suavizou em frente a sinceridade de Draco e suspirou — olha, tentamos do meu jeito e não deu certo, vamos fazer do seu.

— obrigado

Novamente, Harry teve um mau pressentimento e ignorou o interpretando como uma ofensiva falta de consideração por Draco.

E novamente, brigou com si próprio por não confiar em seus instintos, pois naquele mesmo dia, algumas horas mais tarde, mas esse mesmo Draco havia ameaçado uma criança e agora estava na diretoria da escolinha de Teddy.

Como lidar com essa situação?

Harry respirou fundo, alternou o olhar entre Draco com o semblante irritado e de braços cruzados girando na cadeira à frente da diretora e Teddy o olhando apertando uma mãozinha na outra sem saber o que dizer. Definitivamente, Draco parecia o filho bagunceiro e Teddy a mãe desesperada em para se desculpar pelas ações do filho e sem esperanças de mudá-lo.

Nesse roteiro, Harry seria o pai irritado pela malcriação do filho? Se sentia exatamente assim.

E então notou um garoto de cabelos escuros e sobrancelhas continuamente franzidas mostrando seu descontentamento, ainda sim aparência infantil demais para intimidar alguém. Os pais não estavam em nenhum lugar da sala e Harry indagou se ainda iriam vir ou já haviam ido embora.

— como isso aconteceu? - Harry perguntou depois das introduções e um pedido de desculpas adiantadas.

— esse pirralho ficou irritando Teddy e falando que ele era uma menina e tentou bater nele, eu precisei fazer algo - Malfoy declarou se defendendo.

— entendo que Andrew estava errado, mas você ameaçou um garoto de cinco anos e isso é inaceitável - a diretora retrucou firme.

— ele nem chorou. Não sei porque o escândalo, só estou aqui porque espero um pedido de desculpas.

De repente a porta foi aberta em um estrondo e um homem alto de cabelos escuros apareceu, tão grande que sua cabeça quase alcançava o batente. Olhos escuros e um semblante irritado que os deixava ainda mais escuros, usava roupas de inverno elegantes e definitivamente não parecia muito com o estilo usual dali.

— quem mexeu com os McLaggen vai se arrepender. - ele declarou assim que entrou.

— e quem mexer com os Malfoy não irá viver o suficiente para se arrepender - Draco retrucou calmamente, mal virou o rosto ou mudou a pose de braços cruzados e junto com sua expressão insinuante, a tensão se espalhou pelo cômodo.

— Draco Malfoy e Harry Potter? - o homem congelou sem uma reação até levantar as sobrancelhas e soltar "uau" seguido de uma crise de tosse para tentar se recompor.

Cormac McLaggen foi um Grifinório, um pouco mais velho que Harry e definitivamente não era o cara mais simpático de Hogwarts, ainda sim, também não era uma pessoa ruim, apesar de Ron discordar. Pois não era segredo, Ronald odiava Cormac, o que era aceitável e compreensível, Hermione também não o suportava, pois McLaggen tinha um especial combo de narcisismo e babaquice, onde a única coisa que conseguia falar era sobre si e guardar poucas palavras para falar mal de outra pessoa.

— há quanto tempo, é uma pena termos que nos encontrar assim, mas você entende que Draco não fez por mal, certo? - Harry se levantou com intenção de cumprimentá-lo, mas quando se aproximou não quis pegar na mão daquele cara. Não quando ele ousava olhar para Draco de um jeito odioso.

— não esperava menos de um Malfoy, também vou quebrar a cara dele, mas não vai ser por mal.

— já sabemos com quem seu filho aprendeu a ser violento. - Draco comentou indiferente.

— vocês dois se conhecem? Isso é bom, podemos resolver logo a situação. - a diretora interviu — Andrew e Edward, vamos sair, agora os adultos precisam conversar.

— cadê a minha mãe? - foi a primeira vez que ele disse algo, por algum motivo, Harry não esperava exatamente aquela voz trêmula e baixa saindo do garoto com cara de poucos amigos.

— desculpe, filho. Ela queria muito vir - Cormac tentou falar com o garotinho, mas ele saiu sem lhe dar atenção depois de ouvir a resposta do pai.

— vamos conversar também, meninos. - a diretora deu um sorriso gentil para as crianças e quase estava saindo quando se virou com a expressão irritada novamente — isso foi absurdo, sugiro que escolham um dia para tanto vocês quanto seus filhos se conhecerem melhor, afinal, os filhos são um reflexo dos pais.

Só então a senhora saiu para cuidar das crianças, a prioridade deveria ser se resolverem.

— isso é ridículo, você tentou bater no meu filho, deveria ser preso! - McLaggen esbravejou como um leão, no entanto, Draco parecia imperturbável sentado na cadeira ao lado de Harry, e no clímax da frustração por ver a indiferença, ele se forçou a acalmar e murmurou alto o suficiente — não esperava algo diferente de um sonserino.

Aquilo era mais do que isso, "comensal da morte" parecia ser a verdadeira palavra que ele procurava, mas era proibida fora do mundo bruxo pelo ministério, então ele se conteve e a substituiu.

— seu filhinho idiota tentou bater no meu Teddy, além de ficar o incomodando, é assim que Grifinórios educam os filhos?

— eu acho que você sempre esquece de mim, eu tenho que ouvir cada insulto contra a minha casa - Harry comentou ofendido, mas tentando soar casual o bastante para amenizar a discussão banal.

— típico de sonserinos jogar a culpa nos outros. - retrucou como no final quisesse cuspir no chão.

— típico de Grifinórios achar que nunca tem culpa.

Draco se levantou esnobe e Harry suspirou esfregando a mão no rosto, naquele ponto não conseguia dizer quem era o mais imaturo.

— ótimo, vocês querem saber? Estamos todos muito irritados e antes que eu fique também, vamos embora. - Potter pegou o loiro pela mão e abriu a porta da sala, queria ser o mediador levando em conta que Draco não iria ser sensato, mas nunca foi uma pessoa paciente.

Assim que saiu, olhou ao redor tentando achar a sala onde Teddy poderia estar, queria ir embora naquele momento, provavelmente sair do mundo trouxa, talvez até de Londres.

Ouvia os passos atrás deles, Cormac alcançou sua mão no mesmo momento que o loiro encontrou o garotinho. Estava adorável sentado no tapete colorido com seu macacão amarelo com o rosto de um leão fofo no centro e uma blusa de mangas branca. O outro menino em contraste usava calças jeans escuras e um casaco preto com o nome de uma marca famosa na frente, era um estilo mais simples e ao mesmo tempo não negava a burguesia.

Cormac se aproximou sem paciência, estava prestes a escancarar a porta, porém, Potter segurou seu braço e o puxou um tanto irritado e então colocou os dedos no próprio lábio, sem dizer nada, apenas apontou para a janela onde poderiam observar claramente os garotos.

— por que puxou meu cabelo? - Teddy perguntou levianamente enquanto dava atenção para os bloquinhos coloridos em sua frente.

— sei lá, parecia divertido e... talvez a mamãe- digo, minha mãe iria vir se eu fizesse algo assim - o menino deu de ombros, mas falava com sinceridade.

— a sua mamãe? - ele olhou curioso, Andrew parecia envergonhado pela palavra, mas aliviado por Teddy não rir daquilo como alguns garotos faziam.

— é, eu não vejo ela muito, mas queria.

— eu nunca vi a minha. - comentou leviano, o outro paralisou por um segundo, como se não entendesse a situação.

— você não tem uma mamãe?

Harry e Draco seguraram a respiração simultaneamente, o silêncio pairou no ar, os adultos olhavam-se entre si apreensivos. Cormac tinha uma expressão culpada desde que viu a decepção do filho.

— claro que tenho, mas ela tá lá no céu.

— ela virou uma estrela? - Andrew perguntou curioso, os pais haviam dito a mesma coisa sobre seu avô.

Teddy assentiu silenciosamente, os pais estavam apreensivos, era a primeira vez que alguém perguntava sobre Tonks, afinal, as pessoas que conviviam já sabiam exatamente o que aconteceu, até mesmo as crianças tinham certa noção disso.

— você sente falta dela? - não havia maldade na pergunta, mas algo como empatia, o avô dele também havia virado uma estrela e ele sentia muita falta.

— não sei, acho que sim - deu de ombros, não sabia como era ter uma mãe, por isso era incapaz de saber exatamente se seria melhor ou pior — mas sei que tenho dois pais.

— é legal ter dois pais?

— sim, eles são os mais legais do mundo! - um sorriso cresceu no rosto do garotinho e ele esticou os braços voltando a sua postura animada de sempre.

— não, não. Meus pais são os melhores! - Andrew retrucou.

— os meus! - Teddy falou, a voz infantil e birrenta, aquilo sim parecia uma conversa de crianças. Os adultos se aliviaram com o desfecho.

Foi melhor do que pensaram, eles olharam para os vizinhos com um sorriso compreensivo e Harry abanou a mão indicando para deixarem as crianças em paz. Todos pareciam ter relaxado depois disso e seus olhos brilhavam com curiosidade, mas ninguém se atreveu a perguntar, afinal, mesmo sorrindo sentiam algo desafiador nos dois.

— parece que eles se acertaram, deveríamos fazer o mesmo, não? - Harry sorriu em como a situação se resolveu sozinha.

— isso foi melhor do que imaginava, Edward é um bom menino.

Draco estava pronto para falar algo que provavelmente iria estragar o clima e irritar Cormac, mas a voz do menino, Andrew, o interrompeu.

— desculpe por te chamar de menina.

— eu não me importo, meninas são legais.

— de jeito nenhum, elas são muito chatas! Não entendo como anda com elas, você quer ser uma? - Andrew parecia abominar a ideia de se aproximar de qualquer menina, mas era normal na idade pela falta de afinidade dos gêneros em geral.

— eu posso ser o que eu quiser - Teddy inocentemente repetiu o que Harry havia lhe dito antes, o sentido era um tanto ambíguo quando dito por um metamorfo, mas como Andrew não sabia dessa parte, ele entendeu pelo menos metade.

— isso foi confuso, apenas me avise se quiser que eu te chame de garotinha de novo. - houve uma mistura de brincadeira com sinceridade na fala do garoto, definitivamente mais amigável que antes.

— tudo bem - Teddy sorriu brilhante, era o primeiro garoto da sua idade que sorriu para ele de forma sincera. Ele soube imediatamente que era seu primeiro amigo.

...

Em Hogwarts era sempre agitado, estudantes andavam de um lado para o outro carregando poções, livros e suas varinhas, o burburinho parecia nunca acabar e mesmo assim, havia algo pacífico nessa bagunça.

Blaise realmente gostava daquele lugar mais do que pensava que poderia.

Sabia que não estava em uma posição para reclamar, mas se pudesse, iria ser sobre McGonagall. Contudo, sabia que nunca poderia, a diretora da escola era ainda mais querida que Dumbledore. Grifinórios e provavelmente todas as outras casas se juntaram para o jogar pela torre de astronomia.

Entretanto, era por ela que ele estava aliviado por finalmente poder ir embora. O julgamento havia acontecido naquele dia, se manhã até o sol estar próximo de se pôr o julgamento se desenrolou.

Isso porque tudo virou uma confusão quando Crabbe inesperadamente confessou o sequestro de Teddy, entretanto, ele alegou que Draco quem o mandara fazer isso. E por isso, Draco precisou ir ao tribunal, e então a questão da mansão Malfoy ter queimado de modo suspeito na noite anterior surgiu.

"não lancei um feitiço para a casa pegar fogo, e sejamos sinceros, não faz sentido eu querer isso. Se eu realmente não quisesse a casa, como certas pessoas especulam" - o olhar acinzentado caiu sobre Crabbe "eu poderia ter vendido, afinal, a arquitetura antiga dela é excepcional."

Na realidade, Crabbe não tinha salvação como imaginava. Ele era só um peão. O verdadeiro problema era de Kingsley, afinal, tudo foi feito para que Ernesto, um dos integrantes do parlamento, se tornasse ministro.

"Crabbe não me matou porque ele queria que eu mentisse dizendo que foi Draco quem fez isso. Oh, cara, você deveria ter me matado." Blaise lembra de sorrir maldosamente vendo a expressão estática de Crabbe.

Tudo ocorreu melhor ainda do que o esperado quando a mãe de Vincent confessou que o filho não estava em casa como ele supostamente havia dito anteriormente quando foi questionado sobre o dia em que Blaise foi atacado na França. Ele foi obrigado a confessar isso para conseguir um acordo, pior ainda, ele iria ser liberado.

... depois de 30 anos, mas ainda poderia ser um velho rancoroso e Blaise pensava seriamente se deveria deixá-lo vivo.

— está pensativo - Neville o interrompeu entrando no simples laboratório e tirando Blaise do devaneio, o maior se levantou para ajudar o outro a carregar a enorme planta que se mexia irritada.

— pensando se deveria matar Crabbe ou não - Blaise falou com sua sinceridade usual, mas ainda não muito acostumado, Neville soltou a planta com a surpresa o que fez Blaise quase cair pelo peso que aguentou sozinho.

— isso tá bem pesado.

— ah, desculpe. Eu só... - ele tentou pegar a planta novamente e finalmente conseguiram a colocar em um bom lugar perto da janela.

Aquele laboratório de plantas ficava ao lado da estufa servia unicamente para Neville estudar melhor elas e cuidar de algumas que possam estar machucadas, essa em especial é um pouco irritada e também atrapalhada, então ela se machucava com os próprios acúleos, pontas rígidas que nascem no caule para proteger a planta, parecem com espinhos, a diferença é que são anexos e não a própria planta, por isso se retirados doeria.

Neville pacientemente tirava um por um para que a planta não se machucasse mais.

Blaise ria da ironia, era exatamente isso que Neville queria fazer consigo e sabia disso. Sempre tentando entendê-lo e acima de não o machucar, não deixava ele se machucar.

— agora... você tem algum plano? - ele ainda estava olhando para a planta quando disse de costas para Blaise, mas a ansiedade na voz era clara.

— não, só quero arranjar um dinheiro e  talvez ir para o mundo trouxa como todos estão fazendo - Blaise se referia aos seus amigos.

Neville deveria imaginar, é claro que Blaise iria atrás de Draco.

— Harry me convidou para ir à casa nova deles - se sentiu um idiota por falar isso tentando provocar Blaise, lembrá-lo de que Draco tinha alguém.

— eu sei - e então ainda mais idiota, porque é claro, Draco iria avisar o amigo — Draco me falou algo sobre não ir lá nunca.

— ah, por que ele falaria isso?

— na verdade, ele disse para eu não ir lá até gostar de Potter, me parece que significa nunca.

— Harry é um cara bem legal, sabe, ele é meio cabeça quente, mas sempre está disposto a ajudar. Eu lembro quando zombavam muito de mim, Harry não tinha muita paciência para lidar comigo também, mas odiou ainda mais os outros falando, ele entrou em uma briga por isso e até levou detenção - Neville tirou as luvas e se afastou da planta dormente indo preparar outras poções, Blaise viu o rosto dele estranhamente corado.

— cara, é por isso que Draco acha que você é gay. - novamente, a sinceridade excessiva deixou Neville estonteado.

— não entendi - Neville estava prestes a falar sobre sua namorada, que aliás não existia, era apenas uma piada que fez com uma planta nas aulas, se algum jeito o rumor se espalhou e ele nunca teve coragem de desmentir, no fim, acabava sendo útil quando alguém o importunava sobre arranjar uma namorada e ele podia fingir que já tinha uma.

— não pode falar de outro cara com esse tipo de expressão e essa voz cheia de admiração. - Blaise foi em sua direção.

Longbottom estava sentado na cadeira branca com sua jaqueta da mesma cor quando Blaise segurou seu rosto pelo queixo de um jeito duro, mas gentil. Ele sorria se divertindo e parecia quase malvado, mas seus olhos brilhavam em puro êxtase olhando o rosto branco do outro se tornar quase vermelho, seus olhos claros surpresos e sua boca entreaberta, tão próximos que sentiu o hálito de hortelã.

— e-eu estou normal - a voz trêmula de Neville saiu em um fio enquanto ele tentou se afastar.

— tem razão, talvez seja só porque você é bonito, parece que está flertando mesmo sem querer - Blaise declarou soltando o rosto do outro, mas sua mão deslizou sobre suas bochechas e desceu em seu pescoço causando arrepios em Neville sem pensar muito, ele fechou os olhos.

Zabini interpretou isso como um convite e não deu tempo para o outro se arrepender quando se aproximou e efervescente, porém calmo, ele capturou os lábios do outro. Sentia a falta de tato e nervosismo, com sua mão se movendo pelo corpo dele, até mesmo sentiu o coração batendo rápido e forte.

Quando ele se afastou, viu os olhos claros se abrindo e lentamente se arregalando, ele cobriu a boca e olhou para Blaise como se visse um fantasma. Blaise por outro lado ficou perdido nas próprias emoções, como o esperado, foi um beijo estranho, mas o jeito desajeitado de Neville era ainda mais divertido. Beijou uma boa quantidade de pessoas, por jogos, prazer ou apenas porque a outra pessoa insistiu, às vezes ficava nervoso e suas mãos suavam, ou se intoxicava com o fervor, poucos conseguiam fazer seu coração bater rápido e seu corpo esquentar em expectativa. Mas foi a primeira vez, um beijo conseguiu deixar uma doçura inexplicável em sua boca.

Tudo deve ter durado três segundos, quando Longbottom definitivamente decidiu correr e o empurrou fazendo com que caísse no chão, quando Blaise foi tentar o chamar, ele já havia saído do local. Sorriu com a situação, era fofo e surpreendente saber que ele poderia correr tão rápido.

...

Draco e Harry tentavam veementemente aprender a utilizar os palitos de madeira, chamados de hashi, para comer a comida japonesa que Hermione e Ron haviam trazido de um restaurante trouxa próximo. Na verdade, todos preferiram se concentrar nisso ao invés de realmente conversarem entre si, isso porque Draco ainda era novidade para eles apesar de tudo, e somando a Pansy ele parecia ainda pior. Parecia o Draco de Hogwarts, um idiota que eles odiavam.

— eu acho que você tem que pegar desse jeito - Harry sorria tentando explicar para o namorado, a verdade era que ele mesmo não tinha certeza se estava fazendo corretamente.

— isso é impossível, quer saber? Eu vou pegar um garfo. - Draco largou os hashis irritado e fez menção de levantar.

Os dois discutiam em sua própria bolha e não pareciam notar o que acontecia. Pansy se irritou com isso, Teddy havia ido para a casa do vizinho brincar com o filho deles e só lhe restou beber em silêncio com Hermione lhe julgando pelo olhar e Ron tentando parecer que não estava fazendo a mesma coisa.

— então, qual de vocês é a concha pequena e a concha grande? - Pansy resolveu fazer o que fazia de melhor, ser inconveniente.

— eu sou a faca - Draco rangeu os dentes de um jeito mais cômico que assustador, mas ainda o dava um ar sexy.

— ele é a concha pequena - Harry destruiu a clima com seu sorriso sarcástico e recebeu um olhar mortal do namorado.

— nada disso, nós somos esses hashis - Draco levantou a mão segurando os dois palitos com maestria dessa vez, agora havia aprendido.

— significa que vocês se encaixam perfeitamente? Isso é fofo - Hermione sorriu com sua suposição.

— significa que se não estivermos juntos, a única coisa que o outro consegue fazer é esfaquear - Draco soltou um dos palitos e segurando apenas um fincou em um bolinho de arroz no prato.

— uau, vocês sabem mesmo serem estranhos - Ron comentou de boca cheia, o que lhe rendeu olhares de repreensão respectivamente de Hermione e Draco.

— oh, vocês lembram do Cormac McLaggen?

— impossível de esquecer o ex namorado da Hermione - Ron zombou.

— meu único ex namorado idiota é você - Hermione retrucou.

— ex? - Draco sorriu com a intriga e olhou de reflexo para Pansy que sorria pronta para a fofoca.

— ele é meu noivo agora! - ela sorriu mostrando a aliança e no mesmo instante Draco e Pansy reviraram os olhos.

— parabéns! Vocês já marcaram a data? A Sra. Weasley já sabe disso? - Harry começou com as perguntas animado.

— ah, quer dizer que espera que Ron avise a mãe dele mas você não quer falar com a minha? - Draco reclamou esperando que talvez com a pressão dos amigos Harry fosse, era uma jogada suja, mas não se importou.

— não é que eu não queira ir, mas eu nem sei como agiria ou o que falaria, ela com certeza vai me odiar se já não odeia. - Harry não se lembrava de ter trocado mais do que algumas palavras com Narcisa, e nenhuma delas foi realmente agradável.

— bobagem, apenas seja você mesmo.

— ser eu mesmo? Que tipo de conselho horrível é esse? Eu tenho uma hora para fazer sua mãe me aprovar, fala sério, quanto tempo demorou pra me aprovar? - Harry indagou a bruxa que respondeu imediatamente.

— uns seis anos.

— eu nunca aprovei nada - A voz de Zabini foi ouvida da porta da casa, Teddy estava na frente dele e parecia ter aberto a porta, que era protegida por magia, e Neville estava ao fundo um tanto desajeitado como sempre, mas parecia ainda pior.

— olá - Harry acenou rapidamente e se levantou para ir recebê-lo melhor, antes virou para Draco de um jeito acusatório — Seu conselho é horrível, eu não posso ser eu mesmo.

— Blaise, Eu não te mandei sumir daqui? - Draco sorriu malicioso quando apoiou a cabeça na mão.

— não podia ficar longe de você - ele não tinha o rosto expressivo como o outro, na verdade, parecia um tanto neutro, era a voz que trouxe o sentimento.

Harry suspirou, naquele ponto não se importava mais com as interações estranhas dos dois. Puxou Neville para dentro da casa e fechou a porta com uma mão enquanto segurava Teddy com a outra.

— Teddy, você veio sozinho?

— não, o Andrew me deixou aqui e eu vi eles na porta então abri - o garotinho explicou à Harry.

— não pode abrir a porta para estranhos, já explicamos isso.

O feitiço de proteção era interessante, apenas os três moradores conseguiam abrir a porta e quando a fechassem ninguém mais passaria, entretanto, não seria útil se Teddy abrisse a porta para qualquer um. Depois de relembrar o garotinho, Harry se virou para a mesa onde todos se acomodavam, tentou ignorar o caos que imaginava que aquilo viraria e sorriu como o anfitrião deveria.

— eu convidei Neville e Blaise - Harry explicou evitando brigas — Neville, acho que já conhece Draco, meu noivo - fez questão de usar a palavra para Draco ficar satisfeito — e gente, esse é Zabini, o namorado do meu noivo. - essa parte foi para deixar Draco irritado.

Pansy explodiu em risos concordando e Blaise esboçou um riso parecendo feliz, Hermione e Ron não entenderam muito bem, mas riram vendo o rosto de desagrado de Malfoy.

— eu adoro ver todos desconfortáveis - Pansy admitiu — mas me deixe mudar de assunto, onde Teddy estava?

— ah, vocês não me deixaram contar. - Draco sorriu — Eu bati em uma criança hoje e Teddy acabou fazendo amizade com ele, descobrimos que somos vizinhos, e ele passou um tempinho lá.

— isso foi meio confuso. - Ron ficou perdido no meio da história.

— você bateu em uma criança, Malfoy? - Hermione arregalou os olhos.

— era isso que eu ia contar, o menino era filho do Cormac - Harry explicou.

— que confusão. - Pansy comentou, ela já sabia da primeira parte, mas não imaginava a coincidência de eles serem vizinhos.

— fique com medo de deixar Teddy ir, a última vez que brinquei com os garotos da vizinhança me amarraram com minhas próprias roupas e me deixaram lá por umas horas - Harry comentou rindo.

Ele engoliu seco quando viu que ninguém mais ria e Draco se sentiu obrigado a acariciar seus cabelos como faz com o pequeno Teddy, pois não pode fazer isso com o pequeno Harry.

— desculpem, as vezes eu não percebo meu trauma até eu contar como uma piada e todos me olharem estranho.

— eu adoro isso - Pansy comentou dando um gole em sua bebida, não poderia imaginar que alguém tinha tanta habilidade em deixar o clima ruim, era quase um dom.

— eu não perguntei sobre o julgamento de Crabbe, tudo ocorreu bem? - Hermione teve o tato para mudar a conversa

— sim, ele foi condenado. - Harry disse para o alívio de todos.

— e agora, vamos esquecer ele? - Pansy instigou.

— eu queria dar um fim nisso, sabe? Mas não dá pra falar disso na frente de aurores - Blaise olhou para Harry e Ron.

— você literalmente acabou de sugerir que planeja matar um criminoso que já foi condenado na frente de autoridades, seu idiota - Draco queria estar mais perto para poder lhe dar um tapa.

— vocês não pensam em deixar essa assunto de lado? Ele já foi condenado, seria bom se esquecessem, talvez até perdoassem ele - Hermione sugeriu, não que realmente achasse isso uma boa ideia, mas se sentiria melhor sabendo que tentou previnir um assassinato.

— para eu perdoar ele no mínimo precisaria se arrepender, e sabemos que ele não fez isso.

— você sabe o que é a verdadeira força? Perdoar alguém que nem mesmo se arrependeu. - Harry disse em seu auge otimista.

— não quero ser dramático, mas eu prefiro morrer. - Draco franziu o cenho abominando a ideia.

Longbottom, que até então estava desconfortavelmente calado, fez menção de levantar, o que lhe atraiu um pouco de atenção indesejada.

— o que foi?

— banheiro.

— a segunda porta na direita, você quer- Harry explicou, mas foi cortado.

— não precisa.

Neville parecia sufocado no ambiente e ate seu rosto estava pálido, quase que imediatamente sentia o sangue circular quando se afastou de Blaise. Estava consciente demais de cada movimento dele, ainda podia sentir aqueles lábios sobre os seus e isso definitivamente não estava lhe trazendo benefícios.

— ele está estranho - Ron foi o primeiro a declarar assim que a porta do banheiro se fechou.

— é minha culpa, eu beijei o Neville, mas ele ficou bravo, será que ele achou meu beijo ruim? - Blaise explicou e parecia genuinamente confuso.

— impossível, você beija muito bem - Draco o tranquilizou.

— ele deve ter ficado bravo por- espera, como você sabe que ele beija bem, Draco? - Harry se interrompeu e arregalou os olhos — eu sabia!

— ah, isso foi há muito tempo, querido. Deixando isso de lado, você gosta desse cara mesmo, Blaise?

— sim, Neville é legal e me trata bem.

Draco revirou os olhos com o tipo de resposta que parecia mais vir de Teddy do que de um adulto. Pansy se colocou na conversa dizendo que a culpa era de Draco que não fez a pergunta certa.

— o que quer fazer com ele: transar ou jogar xadrez?

Hermione parecia sem palavras diante da vulgaridade, não é como se nunca tivesse esse tipo de conversa, era um adulta. Mas nunca conversou tão abertamente e com tantas pessoas. Não entendia a cabeça deles.

— eu nunca faria isso com Neville - Blaise poderia quase parecer ofendido com a pergunta.

— jogar xadrez, né?

— claro, ele é horrível nisso - Blaise riu revelando claramente seus sentimentos.

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Notas da autora:
Eu esqueci de colocar antes então pouca gente vai ver. Enfim, a história tá quase chegando ao fim, porém, não. Porque eu não quero kkkk

Quem gosta de tododeku (boku no hero) olha minha outra fic também.

Interação:

• o que acharam do capítulo?

• estão torcendo por Blaise e Neville?

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