XXVII. Sonserinos
Era noite, Draco estava sentado no sofá da sala, com um livro nas mãos e seus óculos de leitura, ele não gostava muito, mas se não usasse sentia uma dor de cabeça horrível. Harry passou duas vezes pelo local, hesitando sobre se iria se sentar lá ou não, e se fizesse, em qual local exato iria se sentar.
O loiro suspirou parando a leitura, ficando sufocado com toda a ansiedade emanando de Harry por um ato que deveriam surgir naturalmente.
— parece com problemas. - o loiro parou a leitura e tirou os óculos, afastou-se mais para o canto, sinalizando para Harry se sentar, e ele fez isso.
— não, é só... Morgana foi hoje no meu trabalho, ela me contou tudo. Sobre o envolvimento com o sequestro e que você ficou sabendo disso... tudo - o ressentimento brilhou, mas ele não falou nada além.
— e o que disse? - Draco ignorou o olhar.
— que ela deveria confessar isso para o ministério, não pra mim.
— isso foi bom, porque ainda parece... irritado? - Draco semicerrou os olhos tentando ler corretamente as expressões, esperava que isso não levasse a uma briga, sabia que deveria ter contado a Harry, mas realmente esperava que seu lado nobre fosse compreensivo.
— ela continuou falando comigo. E eu a interrompi dizendo que tinha muitos problemas pra resolver, apenas para ela sair. Então, ela me disse que era jovem demais para ter problemas.
Draco soltou um riso pela preocupação que Harry demonstrava acima de tudo, mas realmente, ele odiava ser tachado como um garotinho que não sabia de nada. O que sofria muito no próprio ministério, principalmente por parte do conselho, o loiro iria falar algo para o confortar, mas foi interrompido pelo suspiro frustrado.
— eu odeio quando me falam que sou jovem demais para ter problemas, tipo, você também é velha demais para estar viva Morgana, mas aqui estamos nós.
— Harry! - Draco repreendeu em um riso, se ajeito de modo que sua cabeça ficasse no colo do namorado, sabia que deveria ter um olhar sorridente no rosto — não está bravo comigo? Por eu ter escondido que foi ela.
— não - ele respondeu rápido demais e recebeu um olhar desconfiado — na hora sim, mas depois que continuei falando com ela, eu me lembrei do que significa pra você. Mesmo se eu soubesse, não iria poder fazer nada. E realmente não quero brigar. Não com você.
— isso é incrível. Eu nunca vou conseguir esse nível de maturidade mesmo se bebesse todas as poções do mundo - Malfoy esticou a mão para acariciar o rosto do moreno que permitiu o ato com alegria.
— não beba tantas poções - Harry advertiu, o namorado assentiu em resposta, mas não parecia algo confiável, mesmo assim, se contentou com aquilo.
— Blaise vai ser liberado do hospital -mudou de assunto sabendo que deixou aquilo bem claro.
— ah, eu fiquei sabendo.
— é, mas eu não queria que ele ficasse sozinho, digo, você sabe o que aconteceu da última vez - Draco fazia referência ao fato de Blaise ter sido atacado antes — E Crabbe continua solto, mesmo esperando o julgamento, o qual eu acho que vai acabar se livrando.
Tentou passar as mãos no cabelo de Draco, que por sua vez segurou sua mão e ficou brincando com os dedos dele. Não havia nada de especial, uma pequena queimadura na parte de cima por causa de uma fritura que deu errado, os dedos não tão longos ou grossos, e as veias proeminentes.
— eu espero que não - Harry suspirou, um tanto nervoso apenas em se lembrar da situação desgastante — mas entendi seu ponto. É claro que vou mandar alguns aurores e-
— eu estava falando de uma companhia mais amigável, nada contra aurores, mas vocês não são muito simpáticos.
— e então? - arqueou as sobrancelhas torcendo para seus pensamentos estarem errados
— pensei em ele passar um tempo aqui - estava certo, droga, odiou estar certo. Principalmente quando recebeu sem aviso prévio o olhar pedinte nada comum de Draco.
Passou a mão livre por seus cabelos pretos, já sabendo que deveriam estar uma bagunça de qualquer jeito, não se importou. Correu o olhar pelo local pensando em palavras corretas para usar, sem que o deixasse com um tom arrogante, mas realmente não queria morar com mais um sonserino.
— Draco, Ted já nos dá trabalho suficiente, e quase não temos privacidade, não sei se é uma boa ideia trazer Zabini.
— você nem o conhece.
— e isso é motivo suficiente pra não querer morar com ele, é um estranho pra mim - Harry retrucou com a língua afiada
— se morassem juntos poderiam se conhecer.
— Eu sei o bastante pra saber que não quero o conhecer - Harry falou com certo desgosto, não parecia uma pessoa agradável. Das poucas conversas que teve, apenas recebia respostas hostis, sarcásticas e/ou ignorantes, era difícil que ele falasse algo útil o suficiente para preencher o relatório.
Oh, espere. Ele estava descrevendo Blaise ou o próprio namorado?
— tudo bem, o que acha disso: vamos nos reunir para celebrar que ele se recuperou, e se fosse aqui? Quando se conhecerem de verdade vai mudar sua opinião.
— eu-
Harry abriu a boca para negar e Draco viu através disso.
— antes que fale algo, eu aguentei seus amigos, você também vai ter que enfrentar os meus.
— devo te lembrar que meus amigos não eram sonserinos? - Harry respondeu tentando se salvar, mas o loiro apenas deu um sorriso.
— tem razão, eram Grifinórios, pobre de mim - Draco sorriu em deboche e ganhou um piparote reagindo colocando a mão na testa, o lugar atingido.
— pobre de mim. Vocês, Sonserinos, cheios astúcia e palavras ambíguas.
— e vocês, Grifinórios, cheios de si.
Draco concluiu com a fala curta, e talvez por isso teve um grande impacto. Harry parou por um segundo antes de explodir em risos sabendo que o namorado estava tão certo quanto ele. Céus, eram tão infantis.
...
— Draco e Potter estão juntos.
O ambiente ficou em silêncio, na necessidade da absorção das palavras que ainda pareciam pairar no ar e ecoarem nos ouvidos de Zabini.
— obrigado por me fazer perder o apetite, preciso mesmo perder uns quilos - Blaise soltou os talheres em surpresa, levantou da mesa deixando a comida deliberadamente intocada e sentou no sofá do quarto do hospital.
— ele provavelmente quer te contar pessoalmente, mas sei como seria sua reação, por isso estou de preparando. - Pansy explicou com uma voz entediada, ainda comia tranquilamente sem olhar para o amigo.
— eu já estou me preparando há muito tempo pra isso, mas não quer dizer que vou reagir bem.
— você vai, porque não quer decepcionar Draco.
Um olhar sério, de quem sabia que estava certa, ao mesmo tempo, havia uma certa aura de malícia, pela autoconfiança excessiva de Pansy. Blaise sustentou seu olhar, querendo convencer a ele mesmo que as palavras dela não eram verdade, mas logo soltou um suspiro e abaixou o olhar frustrado.
— eu odeio quando você está certa.
— então deve viver em estado constante de ódio - mulher sustentava o sorriso convencido no rosto enquanto declarou.
— não seja ridícula, você sempre tem ideias absurdas. É um milagre que acerte em uma minoria de vezes.
— mas nunca errei sobre aqueles dois, sempre soube que iam acabar juntos, não importa o que acontecesse.
Blaise abriu a boca para contradizer, todavia não houve tempo de falar algo, pois batidas foram ouvidas na porta e ele foi obrigado a receber os visitantes que não tinha ideia de quem poderia ser, apenas torcia para que não fosse o casal citado.
Por sorte não era, mas era outro casal, um que não estava exatamente era lista de favoritos.
— Tori, eu não sabia que estava no hospital, deveria ter me mandado uma coruja - Pansy declarou como uma verdadeira anfitriã.
O jeito como andou graciosamente até a porta fez parecer que era a dona do lugar, contudo era apenas um quarto de hospital. Porém, a mulher de cabelos castanhos cacheados deveria lhe dar créditos. Pansy tinha presença.
— desculpe a intromissão, queria apenas me despedir e ver como estavam.
Vendo o cumprimento animado com um beijo em cada bochecha, era provável deduzir que as duas eram ótimas amigas, era uma ação errônea, visto que aquelas mulheres eram sonserinas acima de tudo. Portanto, o clima passivo-agressivo era o que prevalecia. Não havia nenhuma grande crítica sobre a outra, no entanto, era fato que não podiam se descreverem como amigas próximas.
Blaise e Theodore acenaram à distância, diferente das duas, não tinham nenhuma relação próxima e nunca se deram bem, por isso, haviam superado a tentativa de fingir. Todavia, assim que o olhar ônix caiu sobre Theo, ele viu o veneno exalar de Pansy, com um sorriso cinico.
— oh, coitado. Você vai ganhar alta assim? Mas parece tão doente? Olhe essas olheiras e esse corpo magrelo - esse é o ponto sonserino, exatamente o fato de eles serem odiados até por outros sonserinos. O ato em si, parecia ser feito por causa de preocupação, mas levando em consideração o contexto, e a fala exagerada que beirava o ridículo, era claro que Pansy apenas estava provocando Nott.
— eu estou como sempre fui, obrigado pela preocupação - Theodore sorriu, a melhor e menos cansativa forma de lidar com isso era fingindo não ter percebido a intenção sarcástica.
— realmente, você sempre teve esse semblante entediante e porte físico... ruim - Pansy retrucou, não tinha como ser mais óbvio, e as coisas já fugiam do passivo-agressivo mesmo que ela cobrisse com o tom falsamente gentil, por isso mudou bruscamente de assunto — a criança é menino ou menina?
— prefiro chamar de: consequência das minhas próprias ações - Nott acariciou a barriga da mulher enquanto ria.
— é o seu filho, não fale assim.
— oh, então é mesmo dele - Pansy sorriu com a informação, a amiga revirou os olhos verdes em uma breve conformação.
— infelizmente - Astoria disse em um suspiro fingindo tristeza, Theodore revirou os olhos apenas passou um braço ao redor dos ombros dela.
— e vocês estão juntos?
— que deselegante esse interrogatório, Pansy - Blaise repreendeu-a.
— não tem problema.
— somos só amigos - Theodore comentou com um sorriso simples, mas engoliu seco quando o olhar assustador de Astoria caiu sobre si.
— só amigos? - a fala saiu sem querer, ela fingiu uma tosse e olhou para os dois amigos — desculpe pela visita rápida, já estamos indo - com uma velocidade impressionante, a grávida puxou Nott para fora do quarto e fechou a porta.
Deixando os dois amigos se encararem um tanto curiosos dentro do quarto, Pansy descaradamente encostou o ouvido na porta esperando ouvir algo, Blaise fez um feitiço de amplificação do som.
— por que não contou para eles sobre nós? - Astoria franziu o cenho ofendida.
— ... o que tem nós? - a fala perdida de Nott o fez levar um empurrão irritado.
— um filho, vamos ter um filho juntos - ela falou como se explicasse tudo.
— há poucos meses você me disse que isso não significava nada e me mandou embora. - Nott disse um tanto cético, não entendia o ponto da mulher, enquanto a raiva dela crescia perigosamente.
Astoria revirou os olhos vendo que essa tática não funcionaria tão bem, e então seu rosto mudou completamente, em um segundo seus olhos pareciam lagrimejar a boca formava um bico e as sobrancelhas franziam fragilizadas.
— você está com vergonha de mim, não acha que sou boa o suficiente?
— espera-
— está me namorando por pena? Se não quiser que eu seja sua namorada apenas me fale e-
— nós estamos namorando?! - Theodore exclamou em surpresa genuína, conforme a expressão da mulher se tornava desacreditada.
— como você ainda pergunta? Nós beijamos há dois dias e meio.
— sim, mas você nunca disse nada, você nunca nem disse que gosta de mim. - os olhos castanhos estavam arregalados em espanto.
— você acha que eu simplesmente saio beijando pessoas aleatoriamente? Como se fosse um esporte ou algo do tipo - a voz normalmente gentil subia o tom cada vez mais agressivo. Parecia que a cada palavra que o homem dizia, era um novo motivo para ter raiva.
— não, mas-
— então, vai dizer que estamos namorando ou não? - ela deu o ultimato em um suspiro frustrado.
— definitivamente, eu vou. Agora.
— obrigada - ela falou com a voz mais alta, ainda irritada — é tão difícil fazer algo assim? Merlin, eu nunca te peço nada.
Do outro lado, os dois amigos astutos como sempre, ouviram toda a conversa do casal, e no momento, Pansy carregava um sorriso animado no rosto, enquanto Blaise parecia horrorizado com a manipulação que acabou de presenciar. Afinal, a pequena e inofensiva Astoria nunca faria isso.
— ela é... - Pansy começou.
— psicótica - o amigo concluiu, mas ela negou com a cabeça, seus olhos pareciam brilham em admiração quando completou.
— incrível!
...
A Toca quase nunca ficava vazia, por isso era quase estranho para Hermione que apenas ela e Ron estivessem lá no final da tarde. Logo foi notificada que era devido a uma celebração que acontecia na casa de algum tio distante e quase criou expectativas em ter um tempo com o namorado, contudo, não demorou para George chegar reclamando de que as tias apertando suas bochechas e falando que ele havia crescido não era nada divertido, então ele resolveu fugir e voltar para casa.
Hermione não estava de bom humor, para começar, estava usando um óculos e não gostava nada da forma quadrada dele . A armação era estranha, a sensação de ter algo na frente dos olhos era desconfortável. Acima de tudo, acha que estava feia. Mesmo que Ron negasse incansável que não era esse o caso, tinha uma certa impressão de que o ruivo só respondia o que achava que ela queria ouvir, pois ele parecia interessado apenas em montar o quebra-cabeça sobre a mesa.
— esse óculos não ficaram bons.
— ficaram ótimos, mione - o ruivo suspirou repetindo a mesma coisa por várias vezes, sentia que estava alcançando o limite da sua paciência, que diga-se de passagem, não era muito alto.
Felizmente, Harry chegou com o garotinho de cabelos azuis, estavam procurando por Molly, que supostamente havia combinado de cuidar de Teddy. Ao que parece, ela havia esquecido de avisar que não estaria em casa naquela hora.
O amigo teve a brilhante ideia de deixar o garotinho na Toca mesmo assim, todavia Hermione não parecia nada adepta a ideia de cuidar da criança sozinha - apesar de que Ron pontuou sobre o fato de estar presente - ela negou e disse que ele deveria apenas deixar Teddy participar do jantar.
Afinal, que mal poderia ocorrer?
— vamos ter um jantar em casa... com sonserinos.
— o que?! - Ron disse em espanto a fala do amigo.
— Draco quer que eu conheça eles e além disso tem algo sobre comemorar a saída do hospital de Zabini - Harry aparentava estar declarando que o mundo iria acabar, com sua maior atuação dramática, usando tudo que havia visto Draco fazer, torcia para que fosse o suficiente para convencer os amigos.
— santo Merlin! Talvez seja melhor nós ficarmos com Teddy, mione.
— eu quero ir pra casa - o garotinho comentou, vendo que nenhum dos adultos verdadeiramente parecia preocupado com sua opinião.
— talvez não- Hermione iria começar a ser racional e todas aquelas bobagens que já salvaram a vida de Harry, mas no momento só iriam atrapalhar, por isso este a interrompeu.
— eu estou atrasado, as coisas dele estão na bolsa, qualquer coisa ligue pela lareira. Obrigado - em literalmente, um passe de mágica, Harry havia desaparecido, deixando apenas a amiga com a boca aberta tentando argumentar contra.
Os adultos alternavam o olhar entre si e o menino, absorvendo a situação e pensando no que fazer, nenhum deles tinha ideia de como cuidar de uma criança, por sorte, Teddy parecia farejar isso, e resolveu tomar a iniciativa.
— onde está Vic? - ele perguntava pela sobrinha de Ron e melhor amiga dele.
— ela foi pra uma festa.
— ah - momentaneamente triste, ele soltou um suspiro — eu quero assistir televisão.
— ah, aqui não tem isso - Ron coçou a nuca sem graça recebendo um olhar de julgamento de um garotinho, era um tanto nostálgico e tentou se lembrar quando havia visto.
O casal se olhou, a mesma coisa passava pela sua mente, "o mesmo olhar do Malfoy". Indubitavelmente, aquela criança estava sendo criada por um Malfoy.
— então eu quero um patrono, pra brincar - ele explicou, torcendo para que seu vocabulário fosse o suficiente.
Foi preciso mais algumas palavras e articulação para que os adultos entendessem o que ele queria e finalmente colocassem o feitiço fazendo seus animais fantasmagóricos aparecerem e Teddy sorriu correndo atrás deles.
— ok, podemos fazer isso por algumas horas - Ron se sentou, e voltou a atenção ao quebra-cabeça.
— Harry é tão irresponsável, céus, como ele simplesmente deixa a gente com uma criança?
— como ele consegue manter essa criança viva é a verdadeira pergunta - George apareceu com uma xícara e um sorriso animado.
Vendo a aparição repentina, Hermione aproveitou para perguntar sobre sua aparência que a incomodava.
— eu fiquei estranha de óculos?
— não, é só... - o ruivo pensou um pouco, sendo cauteloso com as palavras, mas depois soltou um suspiro — na verdade, está um pouco estranho. Mas tipo, se você prender o cabelo fica bom.
Seguindo a dica incerta, a mulher prendeu o cabelo para trás tentando fazer um coque.
— eu sabia que estava estranho, mas Ron fica dizendo que não.
— está normal- o ruivo nem mesmo desviou o olhar das peças à sua frente e continuou formando a imagem do enorme castelo de Hogwarts.
— você nem olhou para mim - Hermione acusou de braços cruzados.
— é a milésima vez que me pergunta. E eu não acho que mudou muito do que eu olhei há cinco minutos.
A mulher soltou um suspiro pesado quando olhou para George e falou algo como "viu como seu irmão é comigo?". Em seguida, o garotinho voltou correndo para a sala, ele pulou de um lado para o outro e estava estranhamente sujo de farinha. O que fez Hermione ficar preocupada.
— o que está fazendo? - Teddy perguntou a Ron.
— montando um quebra cabeça - recebeu uma resposta curta e monótona do homem que estava concentradíssimo.
— por que?
— para passar o tempo. - respondeu sem pensar muito.
— por que? - o garotinho retrucou rapidamente.
— porque eu preciso de algo para fugir das minhas responsabilidades - Ron fez a piada sabendo que a criança não entenderia, mas ouviu um riso de George, aquele riso de apoio que o irmão dava para fingir que as piadas eram engraçadas.
— por que? - novamente, parecia que era a única coisa que saia da boca do garotinho.
— eu acho que ele está quebrado, sabe como parar isso? - Ron lançou um olhar desesperado para a mulher que se aproximou de Teddy com um sorriso.
— Teddy-
— esse óculos fica feio em você - Teddy franziu o cenho assim que viu a mulher e ela arregalou os olhos.
— eu sabia que você estava mentindo, Ronald! - se virou furiosa para o namorado e arrancou os óculos do rosto saindo do cômodo com passos pesados.
— não, meu amor. Estão ótimos - Ron foi obrigado a deixar o quebra-cabeça de lado para correr atrás da namorada.
Teddy soltou um riso vendo a cena, não entendia bem as falas, mas achava as reações engraçadas. Pelo canto do olho, George observou bem o menino que nem ao menos notou a aproximação do adulto.
— eu acho que se daria bem no jantar com os sonserinos.
...
A mulher usava um vestido diferente do usual, como se houvesse se esforçado para impressionar os pais do namorado, uma camisa larga azul e a longa saia amarela. Os olhos rápidos de Draco notaram a tentativa dela de atrair o favoritismo de Teddy vestindo as cores preferidas dele, uma pena que o menino nem ao menos estava na mansão.
Pouco antes do jantar começar, Harry e Draco decidiram que não seria um local para Teddy, assim, ele estava na toca, onde como em todo final de semana, a família ruiva se reunia, não que o garotinho fosse exatamente da família, mas era sempre bem-vindo e adorava a companhia deles.
— e você está rindo porque...? - Blaise comentou se aproximando de Draco, segurava dois copos de bebida.
Draco sentou-se na poltrona, como costumava fazer, e Blaise se encostou sobre ela e preferiu ficar em pé, mesmo tendo uma mesma poltrona vazia, entendendo que a essa outra possivelmente era de Harry.
— um idiota bateu a cara na porta - o loiro ainda ria quando pegou o copo.
Harry ainda estava um pouco atordoado e procurava seus óculos caídos no chão pela batida.
— esse não é seu querido Harry? - Blaise falou com um tom provocativo, no fundo esperava algum protesto, mas o amigo acenou concordando.
— é, ele é meu idiota. Não acredito que vou ter que casar com ele - deu um gole, os olhos azuis ainda pareciam sorrir.
— você não precisa. - Blaise o lembrou um tanto cético.
— não, eu vou casar com ele. Com certeza.
E com um sorriso que não lhe era típico, Draco virou o copo esvaziando rapidamente, Blaise pode jurar ver corações naqueles olhos apaixonados, estava lhe dando refluxo.
Por sorte, Pansy fez de ignorar o assunto é enquanto balançava a taça de vinho em sua mão, comentou:
— essa casa é meio estranha, você já pensou em morar com Teddy perto da escolinha? Não é enorme, mas ótimo para duas pessoas.
— entende que eu vou junto se eles forem, certo? Somos uma família de três - Harry franziu o cenho ofendido, ouviu apenas aquele trecho da conversa quando se aproximou do sofá deixando a bandeja, que havia trazido da cozinha, sobre a mesa.
A única resposta que obteve foi um sorriso malicioso dos lábios cobertos pelo batom tão escuro que beirava o preto de seus cabelos, esticou a mão, e até mesmo esse gesto teve um ar aristocrático, e alcançou um petisco da mesa. O móvel estava farto, uma porção de camarões empanados, outra de batatas fritas e em especial para Blaise, presunto de Parma.
— não temos certeza se Teddy vai pra escolinha, ou se vamos mesmo mudar de casa - Draco respondeu desinteressado.
— eu achei que tínhamos - Harry lançou um olhar de julgamento, já haviam conversado sobre isso e chegado a um acordo, ou foi o que havia pensado.
— se eu aprovar a casa nova e se as crianças dessa escolinha não forem pestinhas.
A problemática continuava sem resolução, e causava a leve discussão do casal, mas além dos dois serem teimosos, também não queriam brigar. Harry resolveu ceder momentaneamente, com a paciência que não fazia ideia da onde tirava, respirou fundo quando forçou o sorriso para as três serpentes em sua frente.
— pensei que Astoria viria também - ele comentou tentando puxar assunto, na verdade, não sabia muito sobre o grupo de amigos.
— claro, vamos convidar Nott também e fazer um piquenique - Pansy respondeu com ironia, os outros riam conforme Harry franziu o cenho.
— vocês não se dão bem?
— não me entenda mal, Astoria é um doce, mas... não faz parte do grupo - Draco explicou tentando resumir todo o fato de Astoria odiar Blaise e esse odiar Theo que por sua vez odiava o grupo inteiro — e Theo é complicado.
— nunca vi tanta delicadeza para dizer que Astoria é certinha demais e Theodore é insuportável demais - a mulher riu do próprio comentário, Zabini concordou em silêncio — Por falar nisso, parece que Nott voltou com Astoria.
— isso é bom, se gostam e vão ter um filho - Harry comentou sorridente, era seu pensamento ideal de família, mas talvez a parte dos filhos fosse um pouco mais complicada já que queria uma família com Draco, que já disse não querer filhos. Segundo ele, Teddy já dava trabalho suficiente.
— Eu só acho isso estranho, quer dizer, ele dizia ser bi, mas tinha uma vibe gay - Pansy comentou como quem não quer nada.
— vibe gay? - Harry franziu o cenho.
— é como... a aura envolta dele, você olha e pensa: nossa talvez ele seja gay. Igual a sua vibe bi.
— eu tenho?
— como você não sabia? - Pansy tinha um sorriso debochado quando direcionou o olhar ao loiro que apenas sorriu e aproveitou a atenção momentânea para mudar o foco.
— sabe quem mais tem uma vibe gay?
— isso de novo? - Harry possuía um meio sorriso desacreditado por tal insistência.
— o que foi? - os visitantes perguntaram em uníssono, sem entender a piada interna.
— vimos Longbottom esses dias, sabe? O cara que você disse está te preparando poções - o loiro explicou brevemente, erroneamente pensando que Blaise não se importava o suficiente para agravar o nome dele — ele estava com aquele sweater feio e-
Harry interrompeu vendo como a fala de Draco parecia longa e ofensiva o suficiente, foi direto ao ponto:
— Draco insiste que Neville é gay.
— qual o problema se ele for? - Blaise cruzou os braços, Harry notou que não havia ouvido aquela voz rouca desde que ele chegou.
— nenhum, mas ele não é, Draco não tem nenhuma evidência além do "instinto" e Neville tem uma namorada!
— bobagem, ele deve ter confundido a mulher com uma planta - Draco comentou divertido
Mesmo que não quisesse, arrancou um riso fraco de Harry e uma gargalhada de Pansy, mas era difícil dizer se ela ria porque achou realmente engraçado ou apenas para inflar o ego de Draco, ainda existia a possibilidade de ser apenas efeito do vinho que bebia.
— eu não sabia disso. Digo, sobre a namorada dele - Zabini comentou em um murmuro, não estava rindo, mas ele não fazia muito isso, ao menos, não na presença de Potter.
— bem, você é próximo o suficiente dele pra saber disso?
— talvez, na verdade, ele até me chamou pra ir morar em Hogwarts - Blaise deu de ombros.
— o que? - todos no local pareciam surpresos com a declaração.
— você negou, certo? - Pansy se inclinou em uma tentativa falha de ameaça, mas o amigo continuou parado e apenas deu de ombros.
— você sabe o que dizem, não existe lugar mais seguro do que Hogwarts.
— literalmente aconteceu uma guerra lá. Lembra disso? - Draco perguntou com genuína preocupação sobre a mentalidade do amigo.
— é sério, ninguém pode aparatar de lá, o armário foi destruído, as passagem fechadas... A diretora McGonagall está com tudo pronto pra me receber.
— faça o que quiser, porém, saiba que eu preferiria que você ficasse comigo.
— bem, eu acho que Potter não pensa o mesmo - o olhar afiado dos três sonserinos caiu sobre Harry, que por um segundo esqueceu ser bruxo mais poderoso e apenas se sentiu uma criancinha assustada. Em especial, o olhar de Draco que era o mesmo quando ele olhava Teddy fazendo algo errado, mas parecia ainda pior quando direcionado a si.
— não, não. Eu acho ótimo, é realmente uma pena que não vá morar conosco, estava cheio de planos - falou exagerado, e notou que a mentira se tornou óbvia pelo desespero beirando o sarcasmo.
— estava brincando cara, te assustei?
Blaise tinha uma expressão mais relaxada do que antes, ainda sim, por trás da malícia igual de Draco e Pansy, parecia haver algo a mais. Talvez Draco estivesse falando sério quando disse que acreditava que eles iriam se dar bem depois de se conhecerem, todavia a cada palavra dele, Harry acreditava menos nessa possibilidade. E sem responder, apenas virou mais um copo de whiskey de fogo.
Foram mais alguns goles e fofocas, o suficiente para Pansy se tornar o pior tipo de bêbada: a inconveniente. E trouxe à tona justamente o assunto que queria esconder enquanto sóbria.
— Blas está meio irritado pelo namoro de vocês, aliás, é um namoro ou o que?
O casal se entreolhou surpreso, não era como se eles houvesse planos de esconder a situação, mas também não esperavam um questionamento direto de Pansy, que adorava ir pelas curvas.
Nenhum deles havia feito algum tipo de pedido, mas depois da declaração de Harry e de passarem a noite abraçados, perceberam que até mesmo a rotina já era de um casal. Não apenas namorados, eles moravam juntos e cuidavam de Ted, além disso, eram chamados de pais. Pensando nisso, o pedido ou rótulo pareceu insignificante.
— estamos namorando - foi Draco quem disse, com aquela troca de olhares digna de filmes clichês de romance, a doçura exata que fazia Pansy ter ânsia, mas era difícil saber se o casal era realmente o culpado, ou novamente, apenas a quantidade excessiva de álcool que havia ingerido. Sendo a segunda vez em pouco tempo que entrou em dúvida, resolveu que deveria parar de beber.
— você nunca me pediu- Harry começou, mas o loiro o interrompeu rapidamente.
— estamos namorando desde que eu disse que estamos - e com um sorriso doce, era difícil contradizer algo.
— pobre Blaise - a mulher comentou com uma voz de choro e se jogou no colo do negro, ele soltou um suspiro de quem já estava acostumado com aquele tipo de situação e acariciou os cabelos bagunçados.
Com os olhos dos namorados sobre si, o homem sentiu a necessidade de falar algo para os acalmar depois da exposição de Pansy. Soltou um a uso suspiro frustrado antes e olhá-los com suavidade.
— isso revira meu estômago, mas se Draco está feliz então também estou.
— você é um ótimo amigo, Zabini. - Harry sorriu tentando ser legal.
— não quero ouvir elogios de você - ele retrucou na defensiva, Harry deu de ombros, havia tentado. — Draco, seu traidor. Achei que iríamos casar - havia certa ofensa em sua expressão, mas não parecia prevalecer, pois deu um pequeno sorriso conforme relaxou, e o loiro sorriu de volta.
— não fique bravo, nunca se sabe, ainda pode tentar ser meu segundo marido.
— ele está brincando - Harry cortou rapidamente, apoiando sua cabeça no ombro do loiro que estava ao seu lado e então olhou nos olhos cinzas — está brincando, certo?
— claro, querido - era difícil dizer se aquele era o sorriso sarcástico de Draco ou apenas seu sorriso comum, mas Harry ainda continuou com o cenho franzido não achando graça enquanto os dois amigos riam
O trio ria malvadamente, embora Pansy estivesse claramente bêbada, encheu o copo mais uma vez. O vinho na taça que segurava era da mesma cor de suas unhas. Quando o riso cessou, a mulher retornou-se a inportunar.
— deve ser difícil namorar sendo que parecem casados, sério, imagino como os encontros de vocês devem ser entediantes.
— na verdade, eles nem existem, então não podem ser entediantes - Potter respondeu com certo sarcasmo.
— vocês nunca tiveram um encontro?
Harry e Draco se entreolharam sem graça, eram um casal complicado.
— você sabe, começamos a morar juntos antes de namorar, tudo é meio bagunçado e ainda tem Ted - o loiro deu de ombros enquanto explicava.
— não, isso é inadmissível. Vocês precisam ter um encontro, pelo menos as vezes deveriam se dar ao direito de fazer algo só vocês.
— mas Ted-
— eu poderia ficar com ele, por que não deixa ele ir na escolinha que eu sou cuidadora?
— Pansy, não passa muita confiança quando fala que você é a adulta responsável de lá.
— não sei o que fiz para merecer tanta desconfiança - ela falou parecendo verdadeiramente ofendida, e em um segundo sua expressão se transformou na malícia de quem sabia exatamente o que fez.
...
Londres era um lugar naturalmente frio, e somando ao fato de que era inverno, se tornava quase insuportável. Porém, incrivelmente, o casal suava usando camisas desabotoadas.
Isso tudo começou com um simples beijo de boa noite logo depois do jantar bem sucedido com os sonserinos. Foi apenas para parabenizar a sobrevivência de Harry. Mas Draco descobriu que não deveria subestimar o espírito grifinório.
O primeiro beijo foi suave e alegre, como nadar no mar aberto em um belo dia ensolarado e então você percebe que foi para longe da costa e seus pés já não podem sentir a areia no fundo, mas não tem fôlego para conseguir voltar, mesmo assim, não tem como parar. E tudo se torna desesperador, a necessidade de chegar até um local seguro começava a sobressair. Ainda sim, a luxúria era o sentimento mais forte. Assim como era ótimo sentir a água gelada refrescando o corpo em um dia quente, o risco de se afogar apenas tornava tudo mais interessante.
O vento frio bateu, e Draco notou que a janela estava aberta, mas não conseguiu falar, visto que sua boca estava ocupada. A pele fria rapidamente ardeu com os toques de Harry que subia a mão por baixo da camisa preta. Quando o ar fez falta, o loiro que foi o beijo, dessa vez colocando a mão no peitoral do namorando impedindo que ele começasse outro beijo.
— o que foi? - os olhos verdes pareciam sair de um transe quanto piscou duas vezes com sua respiração ofegante.
— Ted está no quarto ao lado - Draco também notou como faltou fôlego para dizer isso com mais do que um sussurro.
— que bom, se ele estivesse aqui eu ficaria constrangido.
Os olhos verdes estavam brincalhões, ainda brilhando com intensidade. Há pouco, havia buscado o garotinho adormecido com Molly, a senhora o aconselhou a apenas deixar-ló lá e aproveitar um pouco o tempo sozinho, mas Harry negou sem muitas expectativas que algo acontecesse, agora se arrependia um pouco. Mas afinal, se voltasse para casa sem Ted, dificilmente Draco o deixaria entrar e o mandaria voltar apenas quando tivesse ele.
— estou falando sério - Draco estava preso entre a cama sob suas costas e Harry em cima de si — eu deveria ir pro meu quarto.
— não, me desculpa. Eu vou me comportar, fique aqui - Harry sorriu e se abaixou dando um selinho, logo saiu e foi para seu lado na cama, como uma pessoa completamente diferente da que atacava a boca de Draco intensamente, agora sorria inocente.
— sem gracinhas - o loiro advertiu, desconfiado pela mudança rápida demais.
Olhando pelo canto, se deitou, um tanto distante e se arrumou de modo que o lençol cobrisse seu corpo, agora sem a movimentação, o frio era notável, por sorte, estava acostumado com isso, por isso, até mesmo sentia algo reconfortante em ter a pele arrepiada e se encolher. Draco que estava deitado ao lado da cômoda, facilmente alcançou sua varinha e fechou a janela, também desligando as luzes.
Harry por outro lado, não gostava do frio, e preferia evitar sempre que possível, além disso, seu corpo ainda ardia pela interação recente. Precisava se acalmar, e saber que Draco estava deitado ao seu lado não era exatamente a melhor coisa, ao contrário, parecia tentador. Todavia, o sonserino já parecia até mesmo dormir, deveria estar bem mais cansado do que deixou transparecer. Talvez fosse melhor se ele estivesse apenas voltado para seu quarto.
Em um suspiro, Harry resolveu apenas colocar o feitiço para esquentar somente a si mesmo, e deixar Draco com seu frio congelante que apreciava. Havia um pequeno problema, a varinha de pena de Fênix estava sobre a cômoda, ao lado de Draco, e Harry moveu vagarosamente até ficar sobre ele e esticar o braço para pegar a varinha. O cuidado meticuloso para não interromper o sono do loiro, que havia vir com certa dificuldade.
Como se ele mesmo estivesse se sabotando, já com a varinha em mãos, não conseguia se obrigar a mover seu corpo, com o rosto de frente para o de Draco. A perna encostada na dele, tão gelada que arrepiava. Observou o rosto com certo interesse, a boca fina rosada, a maçã do rosto angulosa, o nariz empinado, os olhos mercúrio com um anel azulado ao redor da íris, mesmo sonolentos pareciam carregar malícia.
Olhos... abertos?
Harry tremeu quando notou isso.
— atacando uma pessoa inconsciente, Potter? - o rosto de beleza etérea se mostrou real conforme se formava a expressão provocativa.
— não, eu... a minha varinha - ele levantou a mão que segurava a varinha, mas pela rapidez do movimento, se desequilibrou caindo por cima de Draco.
— bem, eu percebo que existe uma varinha acordada aqui - o loiro olhou para baixo e nem o próprio Harry havia notado, ou pelo menos fingiu que não, mas agora era inegável, já que sua ereção se friccionava contra o corpo de Malfoy.
— desculpe - em um movimento apressado, o de olhos verdes se levantou e tentou afastar-se o máximo possível, mas Draco seguiu seus movimentos e se sentou na cama de frente a ele.
— ficou duro por causa de uns amassos?
— não ria de mim, eu sou jovem, é normal ter tesao acumulada. - sabia que estava sendo idiota, mas tentou se justificar mesmo assim.
— eu tenho a mesma idade que você. - Draco retrucou com a sobrancelha arqueada, havia sido um argumento ruim
Draco engatinhou para o outro extremo da ponta, em direção a Harry. O quarto somente iluminado pela janela que transparecia o céu noturno, apenas a sombra das feições maliciosas e cheias de segundas intenções do loiro foram vistas. O moreno engoliu seco quando o namorado parou a sua frente, e se sentou apreciando a vista, esticou a mão pálida buscando a ereção, mas foi impedido quando Potter colocou as mãos na frente com o rosto tão corado que era visível mesmo com a má iluminação.
— o que pretende fazer sobre isso? - os olhos mercúrio brilharam olhando para Harry.
— eu só-
— eu posso resolver - sussurrou com os lábios próximos ao ouvido do moreno como se fosse um segredo — é claro, você tem que pedir.
— você vai... - Harry não conseguiu concluir seus pensamentos por vergonha de falar aquilo em voz alta.
— peça - a voz rouca soou como um desafio.
— por favor.
Não queria ter dito aquelas palavras, mas a boca de Harry reagiu sem autorização, quase como se estivesse hipnotizado. O pedido saiu como um fio de voz baixo, mas desesperado. Draco sorriu em aprovação ao ato.
— oh, bem. Seu desejo é uma ordem.
Draco alcançou a calça de Harry e abaixou, sua mente estava confusa e em um segundo, sua ereção estava sendo tocada por outra pessoa. Aquilo parecia tão íntimo e invasivo, ao mesmo tempo, o prazer não dava espaço para reclamações.
Sentia a ponta de suas orelhas esquentarem e o sangue se concentrava apenas em uma região, os dedos de seu pé dobraram e em alguns momentos ele mexia as pernas tentando extravasar o prazer que recebia. Principalmente quando, em surpresa, a boca de Malfoy o envolveu. Nessa hora ele teve que morder o lábio para reprimir um grito.
Era quente e macio, o movimento lento que ia vagarosamente aumentando, sentia os dedos delgados tateando seu corpo e o incendiando a cada toque.
— espera, eu vou- espera - em um ato irracional, Harry puxou os fio loiros para cima com mais força que o necessário, Draco fez uma careta de dor.
— tem algum fetiche em puxar cabelos?
— desculpa, eu...
Harry se interrompeu, sua respiração ofegante e corpo suado deixava difícil completar uma única frase. Soltou um gemido quando Draco teimosamente continuou a estimulação com suas mãos, já que seu rosto foi forçadamente segurado.
— está tudo bem, querido. Apenas goze - havia uma mistura estranha de conforto e provocação naquela fala, assim como na voz gentil e sedutora.
Contudo, Potter não conseguiu responder mais nada, sua mão instintivamente puxou um pouco mais os cabelos loiros e seu corpo inteiro arqueou. Uma onda de choque o percorreu quando o esperma foi liberado sobre sua própria barriga e melou as mãos de Draco. Sem mais forças, ele apenas deixou seu corpo desabar na cama em que estava sentado e ficou olhando para o teto ainda sentindo os espasmos.
— intenso demais? - Draco parecia realmente sério e preocupado, mesmo que seus lábios estivessem um pouco inchados pelo que estava fazendo antes, não sentia vergonha.
Harry ainda estava sob o efeito do orgasmo recente e precisou de alguns segundos de respirações ofegantes para responder.
— o suficiente para eu querer retribuir - ele se levantou com um sorriso malicioso, inesperadamente, a expressão de Malfoy não parecia feliz.
— eu estou bem.
Instintivamente, o moreno olhou para o corpo do namorado, notando a semi ereção. Olhou novamente para o rosto dele com sarcasmo.
— eu acho que não.
— e eu acho que você não quer se precipitar e se arrepender depois. - Draco revelou suas inseguranças com sinceridade, e Harry pausou por um segundo, pensando seriamente antes de responder.
— eu sou impulsivo, e às vezes me arrependo, mas eu nunca me arrependeria de fazer isso com você. Sei disso.
— é tão doce as vezes que me sinto mal - Draco lhe deu um beijo na testa. — eu queria ir mais devagar, no tempo certo, no nosso tempo. Entende que eu não quero só o sexo oral?
Malfoy estava verdadeiramente preocupado sobre decisões precipitadas, afinal, havia ansiado por Potter por muito tempo, não queria afugentá-lo ou forçar nada. Harry franziu o cenho não gostando de como estava sendo tratado.
— só porque nunca fiz sexo com outro cara não quer dizer que sou uma criança - havia um sorriso sarcástico em seu rosto, mas os olhos verdes transpareciam a raiva.
— eu sei.
— então... - Harry se aproximou e iniciou um beijo com calma.
As línguas se tocavam conforme Draco deslizava as mãos pelo corpo de Harry, a sensação era tão inebriante que quando notou seu corpo já estava novamente deitado na cama e seu namorado por cima friccionando as duas ereções. Parou por um segundo para tirar a camisa e a calça, foi quanto o moreno entendeu a situação.
— você está por cima - Harry constatou com certa surpresa e pelo olhar de Draco, sabia que ele estava tirando sarro dele mentalmente.
—claro, eu sou o ativo - falou como quem dizia que a grama é verde.
— er... mas é minha primeira vez com um homem, eu não posso- os olhos verdes estavam hesitantes quando tentou negociar a situação, mas foi cortado.
— por isso mesmo, não vai saber o que fazer - Draco se afastou para deixar as roupas jogadas no chão, agora tinha o abdômen totalmente exposto, e só vestia a cueca. Assim, aproveitou para colocar um feitiço sonoro ao redor do quarto.
— mas eu não vou conseguir se não for o ativo - Harry trocou as posições em um movimento rápido demais para Malfoy impedir e ele apenas congelou pelo susto com o impacto de seu corpo contra o macio colchão. Talvez até aquele momento, não tinha verdadeira noção da força e habilidade de um auror.
— não vamos brigar agora, certo? - vendo que não tinha chances em uma disputa por forças, o loiro sorriu graciosamente.
— não vamos, só me deixe ser o ativo.
— tudo bem - Draco envolveu os braços no pescoço de Harry o puxando para um beijo.
De algum jeito, a luz do luar pareceu aumentar gradativamente, apenas um pouco mais, o suficiente para Harry visualizar melhor o peitoral exposto e notar as cicatrizes. Ele as causou. E sem perceber, estava traçando cada uma delas com os dedos, deslizando-os pela pele pálida.
— não está pensando bobagens sobre o passado, né? - o loiro falou.
— não, eu só... queria que as coisas tivessem sido mais fáceis pra gente - Harry falou com sinceridade, não queria dizer que preferia se fosse diferente, afinal, isso era muito amplo, mas não era horrível desejar que fossem mais fáceis, afinal, não conseguia imaginar o percurso da história se houvesse aceitado ir para a sonserina, se no lugar de Ron, passasse a viagem do trem junto a Malfoy.
— não seja tão legal, me sinto mal por fazer isso com você - já era tarde para o moreno perguntar sobre o que o namorado se referia.
Draco concordou rápido demais, deveria saber que algo estava errado, mas se deixou iludir pelo sorriso sedutor, Harry só percebeu seu erro quando depois de um murmuro entre beijos, seu interior parecia estranhamente molhado.
— e-ei - sua voz tremeu pela supresa.
— calma, você vai gostar - se aproveitando do momento, Draco o empurrou o fazendo deitar-se novamente.
— bastardo, não sei como acreditei que você iria ceder tão fácil - ele esperneou um pouco e foi quando Draco, como o bastardo que era, assoprou a ereção sensível pelo clímax recente e Potter tentou reprimir seu gemido.
— você torna atuar fácil demais quando acredita em qualquer coisa - Malfoy deu seu sorriso sarcástico usual, seu dedo circulou a entrada no namorado antes de vagarosamente iniciar a preparação.
— espera, você tem certeza que seu dedo aí... - Harry mordeu o lábio para reprimir um gemido pela sensação estranha.
— eu preciso te preparar, sabe? - Draco tinha um sorriso malicioso quando direcionou o olhar para entre suas próprias pernas e percebeu os olhos verdes se arregalando.
— está brincando? Você vai enfiar isso em mim?! - apontou inescrupulosamente.
— sim - ele franziu o cenho com um sorriso divertido, se deleitava com a reação um tanto inocente do parceiro.
— impossível, não vai caber. Sério, você quem deveria estar aqui.
— não imagina quanto tempo eu ansiei por isso, vai precisar de mais para me fazer desistir - Draco distribuiu beijos em seu pescoço conforme acrescentou mais um dedo.
— você tem certeza que... isso é estranho - Harry insistiu novamente, e então soltou um gemido alto sem perceber, se assustou consigo mesmo pela reação. Draco sentiu como o namorado ficou tenso e parou a movimentação, lançou um olhar de conforto.
— é normal, esse é um ponto em que se sente bem. Continuo ou paro? - perguntou com sua voz gentil, Harry hesitou um pouco.
— continue - quando o ponto foi estimulado novamente, já estava preparado e foi mais prazeroso do que assustador, de qualquer jeito, não se sentia tenso vendo que Draco parecia relaxado, ele o distraía com o diálogo e carícias.
— como você achava que seria? - novamente, mais beijos foram distribuídos pelo corpo do moreno, alguns deixaram uma marca levemente avermelhada.
— eu sei lá, as aulas de educação sexual da grifinória são com a McGonagall, eu acho que isso já explica tudo - Harry retrucou, fazendo uma careta conforme as sensações percorriam seu corpo.
— isso parece hilário, mas não quero broxar, então mude de assunto - Draco comentou com um sorriso, o moreno deu o braço a torcer, mas cresceu uma expressão um tanto desafiadora.
— podemos falar em como diabos você aprendeu esse tipo de feitiço?
— hum, não podemos. Vamos falar em como eu acho que você já está pronto. - conforme Draco retirou seus dedos, o corpo de Harry pareceu protestar.
O loiro forçou a entrada, foi quando notou que talvez o moreno ainda não estivesse tão pronto, provavelmente aquilo era só a ansiedade.
A partir daquilo, foi um pouco difícil, mas o carinhoso tempo em que Draco mimou Harry como nunca fez, cheio de beijos e carinhas, tão quentes quanto românticas.
Harry sentia que poderia facilmente se viciar naquela sensação, não só o beijo ou sexo, mas a adrenalina que corria em suas veias quando estava com Draco. O jeito que ele tocava sempre era cheio de significados, seja caloroso, apaixonado ou com desejo.
Toques íntimos, que iam além da pele, chegavam a sua alma e lhe acalentava, em um sussurro morno, prometia amor eterno.
E a eternidade parecia pouco tempo para se amarem.
———————
Notas da autora:
Eu demorei, tem razão, mas trouxe 7.740 palavras só nesse capítulo. Mereço um desconto, né?
Desculpem a enrolação, eu estou completamente cheia de atividades e como uma estudante, a minha prioridade é a escola.
Tenho aula presencial, onde passo quase meu dia inteiro, e ainda tenho mais atividades e como se fosse pouco, também tenho uma irmã mais nova em casa. Quem mora com criança sabe como é complicado. Por isso peço a compreensão de vocês.
Mas eu estou bem e saudável. Espero que vocês também.
Obrigada por lerem, comentarem e votarem. Quem sabe na próxima semana eu tenho um capítulo já pronto.
Não teve pedido de namoro, mas o Draco muito esperto já anunciou o namoro pra galera aí o Harry nem tem como negar kkkk.
• interação:
• O que vocês acharam da primeira vez deles?
É a primeira vez que escrevo algo assim, tentei usar outras coisas que já li como referência, mas não sei se ficou bom. O foco foi deixar a coisa mais natural e ingênua.
• o que estão achando da Pansy e do Blaise?
Por hoje é só, obrigada novamente.
Até a próxima ❣️
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