XI. Varinha mágica



Harry abriu seus olhos lentamente enquanto se ajustava a claridade do quarto, mesmo com a cortina fechada a luz inundava o lugar. Contudo, teve uma surpresa quando foi esticar o braço para alcançar seus óculos redondos sobre a cômoda, sentiu um peso em seu peito, no sentido literal. E olhando para baixo viu a cabeleira loira, não teve tempo para pensar, em um movimento de reflexo, jogou o corpo pálido com mais força que o necessário e se esqueceu de um pequeno detalhe; Malfoy estava não estava dormindo do lado da parede, mas já era tarde demais, a única coisa que ouviu foi o baque do corpo no chão seguido de um gemido de dor.

— seu trasgo! - Draco levantou com uma expressão raivosa, Harry já havia enfrentado muitos monstros e coisas assustadoras até aquele ponto de sua vida, mas definitivamente havia algo demoníaco naquele belo rosto com uma expressão tão mortal.

— desculpe, é que você está deitado...e eu acordei-

— já entendi, Potter - apesar da situação, o moreno teve que fazer um grande esforço para não explodir em gargalhadas. Depois da raiva suavizar ele parecia o mesmo garotinho de Hogwarts, mas no lugar de cabelos perfeitamente arrumados com gel, havia um 'ninho de ratos', como ele gostava de chamar o cabelo de Harry.

— espera, se estamos juntos, então onde está Teddy? - ele olhou preocupado para Draco que parecia estranhamente calmo — você estava acordado.

— e você está louco - ele rebateu rapidamente — meu maior sonho era dormir agarrado ao seu corpo grudento e suado, com certeza, estou radiante de felicidade, Potter - Malfoy falou com raiva e sarcasmo.

Era verdade que havia acordado e notado Teddy passando por cima de si, mas depois de ver que ele não foi em direção as escadas, resolveu fazer o que Astoria aconselhou, já fazia tanto tempo que moravam juntos e Draco nunca aproveitou nada, por isso se aproximou de Harry, mas não podia imaginar que ele iria o puxar para deitar em cima de si. De qualquer jeito, não foi tão confortável assim e não valeu a pena pela queda que levou no empurrão de manhã, não era um bom jeito de acordar.

A rotina da casa continuou, Potter fazia o café da manhã e Draco arrumava Teddy. E como sempre, quando o garotinho descia as escadas - segurando a mão de Draco - ele chamava por 'Hawwy' ou apenas dindo, mas o moreno já não estava mais lá.

— fala sério, em pleno sábado... - Draco murmurou irritado, aquele idiota trabalhava demais, um dia ia desmaiar porque seu corpo não aguentava.

Para piorar seu humor, notou que o chá que estava bebendo foi servido em uma caneca da grifinória, provavelmente porque não haviam mais caneca limpas, já que nenhum dos adultos se disponibilizou a lavar a louça e os dois eram teimosos demais para ceder. O loiro debateu rapidamente o que era pior e decidiu que não iria lavar uma caneca sequer, e tomou o chá tentando ignorar aquele leão ridiculamente dourado estampado nela.

———————

— o que caralhos estamos fazendo aqui? - Draco se aproximou do ouvido de Harry para não deixar o menino que segurava nos braços.

— um pedido de desculpas.

Os dois adultos, Draco segurando Teddy no colo e Harry ao seu lado direito, estavam andando lado a lado pela área comercial mais movimentada da Londres bruxa, conhecido como Beco Diagonal. Não havia nenhum feitiço para disfarçar ou sequer um chapéu, apenas roupas de inverno casuais. E assim que notaram o vislumbre de Harry toda aquela multidão parou as compras para dar lhe atenção, seja com um breve comprimento, um pedido de autógrafo, segurar as mãos e até pedindo para segurar os filhos, crendo que eles seriam abençoados pelo salvador. Talvez tudo aquilo tivesse ofuscado o fato de que havia um comensal do lado dele e Draco aproveitou aquela distração para fugir, porém, como se lesse sua mente, Potter agarrou seu braço sem nenhuma delicadeza e o puxou para longe da aglomeração pedindo desculpas e dizendo que estava com pressa.

Depois disso, todos se deram conta de quem era, e ficaram surpresos, mesmo que não quisesse, era impossível não ouvir os murmúrios.

'Quem era o loiro?'

'Como não sabe? Ele é um Malfoy, tem a marca de Voldemort em seu pulso'

'O que nosso salvador está fazendo com ele?'

'quem será essa criança?'

'Assassino'

— 'tá bem duaco? - Ted tocava as bochechas pálidas do adulto com um rosto preocupado.

Aos poucos os olhos distantes de Draco voltavam a brilhar e suas bochechas ganhavam um pouco de cor, ele soltou a respiração que nem ao menos havia notado segurar e finalmente notou que havia parado de andar, Harry já não segurava mais seu pulso e teve que olhar para cima para ler a placa e reconhecer o lugar. Era a famosa loja 'Olivaras Varinhas' bem, ele com certeza não ia muito com a cara de Draco, não depois de ter ficado preso no porão da Mansão Malfoy por quase dois anos.

— você está louco? Eu não posso entrar aí.

— ele não é um homem rancoroso.

— e eu não sou um homem idiota. Eu posso arrumar uma varinha sozinho, obrigado por ter conseguido a permissão, já é mais do que suficiente.

Sempre que cometia um erro Harry conseguia sentir que aquela barreira ficava mais firme e grossa. Malfoy se afastava e ficava mais frio, o sorriso sarcástico e todas as provocações desapareciam a davam lugar a indiferença e frieza, o que Harry descobriu ser mil vezes pior.

— foi uma péssima ideia de novo - o moreno suspirou bagunçando os cabelos.

— eu não fico surpreso, você não é muito bom nisso de... pensar - Draco tentou falar algo para o confortar, mas no meio do caminho apenas esqueceu e voltou a ser irônico, mas para seu espanto a reação de Potter foi boa, ele sorriu e empurrou seu ombro de leve, parecendo não se importar.

— então, talvez eu devesse apenas devolver isso? - ele disse incerto, abrindo a mão para relevar uma varinha desgastada, assim que retirou do feitiço de encolhimento ela aumentou e Draco reconheceu imediatamente, feita de espinheiro e com núcleo de pelo de unicórnio, era sua varinha.

— e-eu achei que ela havia sido destruída - a voz do loiro se perdeu enquanto ele esticava as mãos tremendo para pegar sua varinha de volta.

Acreditava que nunca mais a veria de novo, se lembrava daquele dia conturbado quando o trio de ouro fora capturado e eles acabaram começando uma batalha no meio da mansão, se lembrava de Harry correndo em sua direção e dele afrouxar a mão para deixá-lo levar embora a varinha. Nunca se esqueceria daquele dia, porque foi quando finalmente entendeu que estava apaixonado. Naquele dia quando chamaram Malfoy para reconhecer Harry, seu rosto estava desfigurado, e Draco tentou não mirar, mas reconheceu-lhe na primeira olhada de canto. Nunca poderia confundir aqueles olhos verdes.

Até aquele segundo ele havia se convencido que odiava Potter do mesmo jeito que seus pais o ensinaram a odiar, do mesmo jeito que todos os malditos que tinham aquela mesma marca que ele. Mas quando se viu cercado por todos aqueles comensais que queriam acima de tudo ver Harry morto, ele notou que não queria aquilo, nunca poderia querer ele morto e nunca quis que ninguém morresse, mas sempre ficou calado, mesmo ouvindo o grito de inocentes sendo torturados, Draco não tinha coragem, não tinha poder, então ele os deixava sofrer.

Contudo, Potter nunca foi como os outros, não poderia o deixar sofrer. Mas Draco ainda era covarde, ainda tinha uma família pra proteger, todavia se pudesse ajudar um pouco sabia que aqueles três iriam dar um jeito. Malfoy decidiu que seria melhor que Harry ganhasse, mesmo que imaginasse que o final daquela história não fosse ser bom para ele.

Harry Potter não poderia morrer, porque uma parte do Draco morreria com ele.

Por isso disse: "eu não posso ter certeza" e como um último movimento, na primeira oportunidade ele foi até a cozinha com seus pernas tremendo e pediu um copo de água para os elfos domésticos. Não conhecia nenhum, nunca se deu ao trabalho de olhar para seus rostos ou decorar seu nomes, mas esperava que ele ouvisse, ou que ele descobrisse, e assim que tomou o copo em suas mãos o virou em sua boca, sentindo seu corpo inteiro tremer e com medo de o suor deixar o vidro cair no chão. "É um dia de sorte, capturamos Harry Potter e seus amigos irritantes, é uma pena que o Lorde das Trevas irá demorar para chegar, mas eles nunca conseguiriam escapar sozinhos". O elfo paralisou por um segundo e olhou para o mestre confuso, e então Draco respirou aliviado, deu sorte de falar com o elfo certo. Por mais que estivesse confuso, Dobby acreditou nas palavras do jovem Malfoy, era a primeira vez que ele falava consigo sem ser uma ordem, mas por algum motivo ele sentiu que aquilo era um pedido.

— Draco?

— o que? - não sabia a quanto tempo estava em um devaneio, só notou que Teddy já estava correndo pelo parque e Harry tocava seu ombro preocupado.

Estavam sentados no banco de um parque trouxa que costumam visitar todo final de semana, ele era calmo e possuía um belo lago, infelizmente ele estava congelado frio pelo inverno e a grama fresca e verde era coberta por neve. Mas isso não impedia que as crianças brincassem e Teddy rolava pela neve sorrindo. Só então Draco imaginou quando tempo estavam morando juntos, tinha certeza que na primeira vez que visitou o parque o sol era tão forte que seu olhos ardia.

— você parece estar distraído hoje, desculpe te forçar a vir, se quiser ir-

— eu não preciso da sua preocupação, Potter - aquilo saiu sem ele pensar muito, sabia de seus defeitos, mas não queria ser o tipo de idiota que era grosso com alguém que o tratava bem.

— não estava preocupado - ele replicou em um tom igualmente áspero e o loiro suspirou vendo a burrada que havia feito — e meu nome é Harry, você sabe disso.

— por que se importa? - 'por favor, cale a boca' Draco se repreendia mentalmente.

— bem, é melhor que Teddy ouça me chamando assim, para se acostumar, certo?

— ah, claro, Ted - ele passou a mão em alguns fios loiros que estavam bagunçados, jogando sua cabeça pra trás em frustração.

— você não pareceu muito feliz - Harry falou baixo e os olhos cinzas se direcionaram para ele em confusão — sobre a sua varinha, pensei que iria ficar mais animado.

— eu- obrigado... droga, agora eu me sinto horrível pelas coisas que te falei, eu estava tão irritado ontem e-

— eu também estava. Nem sei porque fiquei tão irritado com você visitando Astoria, é só que Teddy estava manhoso naquele dia e você chegou tarde e não quis me contar nada - Potter se explicava, tentando convencer a si mesmo.

— eu só não queria ter contado, eu e Astoria somos só amigos e... ela me chamou por um assunto pessoal dela, não posso simplesmente contar.

— é, você não tem nenhuma obrigação em me contar. E desculpe pela perseguição, eu não posso parar isso e também é pro seu bem então...

— tudo bem, eu vou tentar aguentar.

— eu fui um idiota ontem - Harry disse, nem ele mesmo reparou o que saiu de sua boca, só estava tão frustrado e aquele sorriso que Malfoy havia lhe lançado o hipnotizou como um feitiço.

— foi mesmo - Draco sorriu e os olhos verdes se arregalaram em surpresa e logo se tornaram esguios sorrindo pela provocação, era bom voltar ao normal — você não deveria deixar de falar com a sua... família por causa de mim, o problema que temos é totalmente por conta dos nossos erros, não é sua culpa.

— eu sei, pensei que poderia concertar tudo, mas fiz uma bagunça enorme - ele bagunçou seus cabelos pretos, um pouco envergonhado.

— deveria convidar eles outra vez, mas não em bandos, e me avise antes. Aí eu posso escolher se quero fugir ou ficar.

Draco sorriu, dessa vez era mais leve e os olhos verdes o observaram intensamente, a ponto de que seu rosto se tornou um pouco quente. Os dois se encararam com um tempo, sentindo aquele choque percorrendo o corpo e as borboletas na barriga, mesmo com suas diferenças, reconheciam o esforço um do outro para deixarem a relação - seja lá qual era - mais harmônica e fácil de suportar.

— com licença.

Os dois adultos pularam pelo susto quando uma mulher se aproximou deles, já que estavam tão envolvidos na própria bolha que nem notaram ela se aproximando. Parecia uma trouxa comum, sorria gentilmente com suas leves linhas de expressão, enquanto empurrava um carrinho de bebê e seus cabelos castanhos escuro bagunçavam com o vento.

— pois não? - Harry direcionou sua atenção para ela, mas Draco não fez questão de olhar. Aos seu ver, uma mãe solteira que eles já haviam visto algumas vezes passeando pelo parque nos finais de semana, provavelmente queria pedir o número de algum deles ou apenas tentar puxar conversa amigavelmente.

— aquele menininho loiro é de vocês, certo? O que sempre está com um chapéu. - era verdade, Teddy tinha que manter o cabelo loiro o tempo todo, mas por via das dúvidas ele usava um chapéu, já que as vezes o garotinho trocava de cor sem querer, ou não conseguia mantê-lo azul.

— nosso não. Quero dizer, nós não somos - Harry foi interrompido.

— ele é meu, qual o problema? - Draco finalmente levantou a cabeça sua expressão não foi a mais calorosa quando ele encarou a mulher.

— é que tem uns meninos mais velhos jogando neve nele, e não parece estar muito divertido.

— o que? - quando Harry fez menção de levantar Draco já havia saído correndo na direção deles.

— obrigado por avisar.

— de nada e... eu sei que deve ser difícil ser um jovem casal, mas tem sempre que prestar atenção nas crianças, desculpe se isso soar grosseiro. É só um conselho de uma mulher que já teve três filhos.

— não - Harry não conseguiu nem negar que era um casal ou agradecer o conselho, pois ouviu os gritos de Draco para as crianças mais velhas que já começavam a chamar pela mãe— É melhor eu ir lá - os dois sorriram, mas o moreno estava se arrependendo de ter dado uma varinha para Draco e teve que sair correndo antes que algo ruim acontecesse.

...

Naquele momento,Teddy tomava um sorvete sentado em uma cadeira, seu rosto estava vermelho pela força que aqueles garotos jogaram as bolhas de neve, mas mesmo com aquilo, ele conseguiu manter o cabelo loiro. Draco estava pronto pra jogar um feitiço proibido naqueles garotos assim que Harry chegou o acalmando e as criancinhas saíram correndo chamando pelos pais e pedindo desculpas.

Mesmo com o pedido de desculpas - ao meio de choro - Draco bufava de raiva enquanto chacoalhava Teddy tentando tirar a neve dele.

Apesar de tudo, Potter parecia realmente animado e despreocupado, mesmo com o incidente mais cedo e a a briga que teve com o loiro no dia anterior, sentia que aquele dia estava sendo bom. Resolveu comprar objetos trouxas, mesmo que fosse difícil trocar o dinheiro. Parte dele sempre quis entender e usar essa tecnologia trouxa, mesmo sem ter certeza se funcionaria no mundo bruxo.

— o que é isso? - ele se aproximou do moreno que havia conseguido abrir a caixa e pegar o objeto recém comprado.

— uma câmera digital, está realmente popular hoje em dia - Potter falava sorrindo.

— temos câmeras no mundo bruxo.

— sim, mas essas tiram fotos coloridas e podem gravar vídeos.

— vídeos? - Draco perguntou confuso, nunca ouvira aquela palavra.

— sim, é tipo fotos mas se mexem.

— temos isso - o loiro desviou a sua atenção para o sorvete, perdendo o interesse.

— mas é diferente, eu vou mostrar.

Com um pouco de dificuldade, por ainda não estar familiar com aquela tecnologia, Harry conseguiu fazer a câmera funcionar e gravar um vídeo. Ele nem havia notado, mas estava na direção de Draco e sorriu quando ela focou completamente na bela expressão distraída dele olhando para Ted com um pequeno sorriso no rosto.

— diga algo.

— como assim? - ele olhou confuso, só então notando a câmera apontada para si.

— para gravar, a câmera grava a sua voz também.

— isso é assustador, como diabos eles conseguem fazer isso sem mágica? - a expressão horrorizada no rosto do loiro era engraçada. Ele parecia descrente que algo assim pudesse existir.

Harry soltou um riso soprado antes de desviar para o afilhado que agora apertava uma mão na outra, se divertindo com a textura grudenta que ficou por conta do sorvete derramado nas palmas de sua mão.

— Teddy, olhe pra frente. Conte como foi apanhar pela primeira vez.

— Harry!

— Doeu - o menino falou indiferente e então sorriu — mas o duaco chegou e b'igou com os malvados.

— deveria ter corrido para nós quando eles te machucaram - Draco o advertiu.

— Eu "sabe", ia fazer isso, mas Duaco veio rápido - o garotinho tentava se explicar com uma certa dificuldade, talvez porque Harry cresceu apanhando dos mais velhos, mas não via uma grande problema nisso, claro que não queria que Teddy sofresse a mesma coisa, mas realmente parecia encarar a situação levemente.

— Ted, de quem você mais gosta? - Harry se abaixou para gravar o, por enquanto, loiro.

— Dindo bumm, Duaco buummm - ele exclamou animado, os adultos ainda não tinham certeza do significado disso, no começo acharam que era uma tentativa falha de falar "bom", mas não parecia o caso, Malfoy disse que era comum crianças inventarem palavras na tentativa de se expressar melhor, então eles deixaram de lado, só tendo a leve noção de que isso significava algo bom e legal.

— por que gosta mais dele do que do seu dindo?

— duaco deu sorvete pra Ted - o garotinho explicou como se fosse um ótimo motivo.

Draco não fez questão de esconder o sorriso satisfeito quando olhou para o moreno que fingia estar bravo, mas logo resolveu defender ele.

— foi Harry quem deu o dinheiro, você deveria agradecer ele também.

— o que é din'eiro? - Ted repetiu com dificuldade.

— ah, dinheiro é algo que o seu padrinho consegue depois de trabalhar muito. E com o dinheiro ele compra as seus brinquedos.

— o dindo trabalha pra ganhar dinheiro pro Ted? - os olhos deles clarearam tentando entender a situação um pouco complexa para sua mente.

— sim.

— não preciso mais de brinquedo dindo, Ted quer brincar com dindo, não precisa mais trabalhar.

Os mais velhos se olharam, deveriam saber que uma hora ou outra Teddy falaria isso. Harry trabalhava demais e agora Draco também havia começado, apesar de que Teddy nem o via saindo na maioria das vezes, o moreno contou que alguns dias ele acordava no meio da noite o procurando e chorava quando não o achava.

Potter desligou a câmera e se ajoelhou próximo a Ted o suficiente para que segurasse suas mãos, mesmo que um pouco meladas de sorvete que ele havia acabado de tomar.

— o dindo tem muitas coisas pra pagar e quer te dar uma boa vida, por isso eu trabalho muito, mas prometo que vou tentar voltar mais cedo. Vai ficar feliz se almoçarmos juntos sempre?

O garoto acenou com a cabeça animado, mas de repente o sorriso se desfez.

— mas o dindo sempre me faz comer o 'eca' - era como Ted chamava as verduras.

— Draco não te faz comer elas?

— já está ficando tarde, é melhor voltarmos para casa. O que mais você comprou, Harry? - o loiro interrompeu descaradamente o garotinho que havia aberto a boca para tentar falar, Potter pensou em voltar ao assunto, mas decidiu que a melhor coisa séria conseguir fazer todas as refeições juntos e assim ele mesmo iria fazer Teddy comer as verduras, ou pelo menos tentar.

...

Além da incrível câmera, Harry havia comprado outro objeto estranhamente interessante, chamado televisão. Draco ficou completamente maravilhado, ele não entendia algumas coisas dos programas e demorou para se acostumar, mas depois de alguns dias se tornou um hábito sentar no sofá assim que o garotinho dormia, apesar de achar a câmera mais divertida. Teddy também não ficava pra trás, assistia até demais e por isso os adultos chegaram a um acordo de tempo e Malfoy também ficava com medo, já que um canal a mais e o menino iria ver coisas bem inapropriadas para idade dele.

Era hora do jantar e Draco estava na cozinha, não estava realmente fazendo nada, apenas esquentando os restos do almoço e tentando não queimá-los - já fez isso algumas vezes - era algo muito complexo, se acostumou a fazer coisas como limpar ou varrer, agora que não tinha um elfo doméstico e Harry também não, mas cozinhar definitivamente era um dom que ele não possuía.

— está meio doce - Harry inclinou a cabeça pro lado se perguntando se seu paladar não havia o enganado.

— então, eu vou pegar dois turnos amanhã, por isso hoje estou de folga - Draco explicava tentando mudar de assunto, mas não recebia atenção.

— a salada tá com um gosto estranho - o moreno franziu o cenho agora que tinha certeza já que provou outra vez.

— deve ser o veneno que eu coloquei. - Draco tentou retrucar, mas Harry o ignorou deliberadamente.

— Teddy você está sentindo esse gosto doce também? - Potter colocou uma colherada na boca de Teddy que depois de mastigar confirmou com a cabeça e o loiro já suspirava irritado por não estar sendo ouvido.

— sério? Eu coloquei açúcar sem querer, feliz agora?

Malfoy cruzou os braços frustrado, o cicatriz sabia ser irritante também, apesar de que essa não era uma parte que o loiro desaprovasse.

— eu não acredito que você colocou açúcar na salada! - só então os olhos verdes se voltaram para Malfoy e ele não sabia se apenas jogava um copo de água na cara daquele idiota ou um soco.

— eu confundi com o sal!

— você só precisava colocar o sal! Eu deixei tudo cortado!

— eu já entendi - ele escondeu o rosto gritando em frustração enquanto ouvia os risos dos outros dois. Até mesmo Teddy ria, e podia apostar que ele nem havia entendido a situação de verdade.

As coisas estavam mais calmas agora, como Harry chegava mais cedo, Draco conseguia ir trabalhar mais cedo e logo, chegava também mais cedo em casa. Tinham brigas casuais, talvez por começarem a se ver mais, todavia não era um grande problema, sempre uma besteira sobre Harry não usar o porta copos ou o fato de Draco não saber cozinhar, as vezes apenas porque estavam de mau humor e resolviam voltar aos tempos da escola e implicar um com o outro.

Teddy havia tomado banho e parecia já estar sonolento quando uma coruja chegou, Draco foi correndo imaginando o que seria, mas assim que notou ser do Ministério da Magia seu corpo gelou e ele perdeu a coragem de abrir.

— é sobre o que? - Harry o observou de longe curioso, balançava Teddy em seus braços, ele já parecia adormecido.

— eu não sei, não tenho coragem de abrir - ele falou sincero e o moreno se aproximou lhe dando um olhar de compreensão, de algum jeito estranho, ele se sentiu encorajado de fazer isso, como se tudo fosse ficar bem se ele estivesse lá.

Vagarosamente ele descobriu o papel e correu os olhos na carta. Basicamente discorria sobre o fato deles estarem negando que Draco trabalhasse no st. Mungus, mas poderia visitar a mãe uma vez por mês, e lhe permitia o contato com os amigos, sabendo que estaria sendo vigiado sempre. Também lhe advertiam sobre saber que estava sob proteção de Potter, quando leu o loiro soltou um riso soprado, como se precisasse da proteção de um idiota. Além disso, eles deixavam claro que sabiam das visitas ao mundo trouxa e o proibiam disso sem que houvesse um aviso prévio. E deixaram claro que não haviam concordado com a questão da varinha, mas iriam deixar assim se ele não causasse problemas.

— você não tá com uma cara boa.

— meu rosto está ótimo, obrigado pela preocupação - Malfoy sorriu sarcasticamente saindo da sala, ansioso para ir ao seu quarto e talvez chorar um pouco.

Em partes, se Malfoy fosse alguém otimista poderia dizer que eram boas notícias, contudo não conseguia evitar um aperto em sua garganta quando lhe lembravam que estava sendo vigiado e que o mundo inteiro desconfiava dele e só esperava um movimento para tirarem lhe tudo. Além disso, não conseguia evitar de se preocupar com Pansy, se ela foi completamente inocentada significa que entregou muitos comensais e isso iria causar raiva, e agora que foi liberada não haveria mais nenhum auror atrás dela, nenhuma segurança e ela ainda estava sozinha. Só em pensar nisso Draco tremia, por isso pegou uma pena e um papel que ficavam ao lado e rabiscou algumas coisas, provavelmente aquela coruja não iria ao lugar que desejava.

— Potter, me empreste sua coruja.

— bem... sim - ele tinha muitas perguntas, mas ficou calado vendo a expressão de Malfoy.

Harry balançou a cabeça mostrando que estava desistindo de falar mais coisas e saiu com Teddy nos braços, para colocá-lo na cama. E assim ele não tardou em voltar para a sala, não estava com sono, apesar de que ultimamente estava dormindo bem melhor, não sabia o motivo, mas desde o dia que Malfoy o viu tendo um pesadelo e ajudou a frequência deles diminuiu drasticamente. De qualquer jeito, ele resolveu assistir um filme qualquer que passava e percebeu que Malfoy continuava na janela, mas agora a coruja já havia partido.

Ele tinha um olhar perdido olhando para o céu noturno estrelado, sua pele branco era iluminada apenas pela fraca luz da lua.

— quer assistir um filme comigo? - ele virou o rosto lentamente e naquela hora Harry sabia que seu rosto estava corado.

Não entendia porque, mas seu coração acelerou e ele só sabia que seus olhos estavam presos adorando a pessoa mais bela que já havia visto, com a expressão mais triste também.

O loiro se aproximou e sentou no sofá calado, olhando para televisão enquanto esperava o filme começar e Harry se perguntou se conseguiria prestar atenção naquela tela quando tinha Draco Malfoy ao seu lado.

——————
Notas da autora: queria dizer que me achei muito inocente pq eu nem lembrava que precisava ter beijo kkkkkk
Juro gente, desculpa. No próximo capítulo quem sabe.
Mas quem acompanha minha outra fic sabe como é sofrer esperando por um beijo.

Eu tinha escrito um beijo nesse capítulo, mas aí eu acabei perdendo ele e na hora de reescrever eu não consegui lembrar como estavam as coisas, então eu fiz diferente, o que me deixou um pouco frustrada já que eu gostei muito do resultado da primeira vez. Mas tá valendo.

Votem e comentem o que acharam 💕

Até a próxima❣️

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