VIII. Crush

O tempo passava rápido quando você tinha tantas coisas para fazer, Draco havia finalmente se tornado um medibruxo, porém, ainda trabalhava no hospital da universidade e esperava ser transferido para St.Mungus como havia pedido. Apesar de ter se livrado da faculdade, o trabalho havia aumentado e Teddy não dava folga.

Draco não sabia cozinhar e o elfo doméstico que costumava ficar na casa estava em Hogwarts e não queria voltar para servir a um comensal, por isso o loiro tinha que ser criativo quando Harry não estava por perto. Acabou fazendo amizade com a dona de um restaurante perto da mansão, já que sempre ia comer ali, a mulher até mesmo ficou com o garotinho.

E Harry, bem, ele falou sério quando disse que era ocupado. Saia cedo e chegava tarde, estava sempre cansado, com noites mal dormidas e os pesadelos. Mesmo assim ele sorria para Teddy, arrumava dias de folga para ficar com o garotinho e mesmo que estivesse exausto, aos domingos levava-o para Londres trouxa. Draco realmente se irritava com isso, o moreno estava claramente prestes a desmaiar, mas continuava sorrindo igual o estupido grifinório que era.

Eles tiveram que mudar de casa conforme o ministério aconselhou e a mudança foi tranquila, Teddy ficou visivelmente chateado por deixar a casa que morou desde sempre, mas também ficou feliz quando viu o enorme quarto que teria só para ele na mansão Black e como o lugar era grande. Também foi incrivelmente fofo quando ele disse que estava tudo bem se mudar se eles continuassem com a família junta.

Assim se passaram três semanas da visita dos Weasley, nenhum dos adultos tocou naquele assunto mais, Draco manteve a guarda de Teddy juntamente com Harry e por algum milagre eles estavam se dando bem, sem brigas ou provocações, mas isso provavelmente se dava ao fato de estarem ocupados demais para sequer pensarem nisso. Draco ficou visivelmente incomodado depois de chorar e falou que eles nunca mais iriam falar sobre aquilo. E Harry nunca ousou contraria-lo.

Naquele sábado em especial, Harry havia conseguido uma folga e aproveitando que Teddy havia finalmente dormido ele pretendia fazer a mesma coisa. Porém, Malfoy não parecia disposto a deixá-lo descansar.

— eu estou super cansado.

— é uma pena, auror Potter - o loiro sorriu com seu sarcasmo casual enquanto ordenava Harry a lançar feitiços de limpeza pela casa e levitar os móveis pesados.

Draco estava aproveitando essa folga para usar a magia de Harry, já que a varinha dele havia sido confiscada por tempo indeterminado, era muito problemático limpar a casa, cozinhar, cuidar de Teddy e estudar. Sinceramente, um Malfoy jamais pegou em uma vassoura se não fosse para voar, nem sabia como se limpava uma casa, apenas o que via os elfos domésticos fazerem e também exigia muito tempo e esforço para fazer algo comestível. Podia não ser um auror super ocupado, mas também era atarefado com sua rotina caseira.

— sabe, normalmente as pessoas usam o final de semana para descansar.

— só se for trouxas preguiçosos, bruxos usam o tempo livre para fazer algo útil - Draco continuou dando atenção apenas para os brinquedos de Teddy, enquanto os organizava na prateleira que acabara de instalar.

— que tipo de pensamento é esse? - o de olhos verdes franziu o cenho com indignação.

— me desculpe, as vezes eu esqueço que mesmo não sendo um trouxa você continua sendo filho-

— e você não consegue fazer muita magia sem varinha. Não está muito diferente de um trouxa - Harry o interrompeu, porque viu onde a conversa estava indo.

Malfoy havia descoberto o conceito de quartos Montessoriano, a ideia deles era basicamente deixar todos os móveis na altura de uma criança e assim deixa-la a autonomia e liberdade de tocar em tudo em seu quarto, porém, com a segurança de que não teria nada perigoso lá. Enquanto Harry se desdobrava para montar a nova cômoda, Draco organizava alguns brinquedos nas prateleiras que estavam quase no chão de tão baixas.

— você lembra da Fleur? - Harry tentou tocar no assunto casualmente.

— a meia Veela do torneio tribruxo - o loiro respondeu sem nenhum interesse.

— sim, bem, ela se casou com o Gui. O irmão mais velho do Ron.

Harry ficou em silêncio esperando uma resposta, a única que recebeu foi um riso soprado em meio ao murmúrio "um Weasley".

— eles tiveram uma filha, o nome dela é Victorie.

— isso é irritante. Se quer falar algo, apenas fale - Draco passou a mão livre por seus cabelos loiros enquanto suspirava.

— eu estava pensando se você iria se importar em Teddy ir comigo visitar a filha deles.

Draco não pôde conter o riso, aqueles olhos verdes tremiam em antecipação, o brilho deles era quase inocente, não combinava com o salvador do mundo bruxo. Pedir permissão pra levar o afilhado na casa de sua quase família. Malfoy sabia que não deveria, mas ficou feliz, pensando que Harry realmente se importava em não magoá-lo como da última vez, e estava pisando em ovos para tentar não causar brigas. Ao mesmo tempo, isso o fazia mais ainda querer se afastar, porque quanto mais esperanças Harry dava, mas doloroso era gostar dele.

— você pode fazer o que quiser, não precisa me olhar com essa cara de cãozinho abandonado.

— eu não estava - a expressão dele mudou, parecia mais um auror.

— o Santo Potter, sendo tão condescendente mesmo com um malfeitor atroz como eu - Malfoy cantarolou com um sorriso sarcástico e se concentrou em seus afazeres.

— por que está fazendo isso? Não combina com você, toda essa auto piedade.

— bem, essa sua camisa ridícula também não combina com você e eu não tinha falado nada - não sabia como, mas de repente a distância entre eles foi cortada. Potter puxou o pulso do loiro, virando-o de frente para ele e o obrigando a encarar seu rosto que carregava uma expressão de raiva misturada com a mais pura confusão.

Eles se encararam, por uma batida de coração, até mesmo pensaram que estavam tão próximos que poderiam se beijar sem muito esforço. Os olhos mercúrio tinham muitos sentimentos, mas em um piscar de olhos, era iluminados somente pelas chamas da raiva.

— isso machuca, seu ogro - o loiro falou entredentes e assim que o aperto enfraqueceu puxou seu braço sem nenhuma delicadeza.

— achei que estávamos convivendo pacificamente, por que quer brigar?

— um mero comensal como eu nunca poderia brigar com o salvador - Draco chacoalhou as mãos para cima e todo seu corpo emanava ironia, até mesmo quando se abaixou para pegar o brinquedo caído e saiu assim que o colocou no devido lugar.

E Harry continuou parado, sem saber o que havia acabado de acontecer, mais ainda sentindo a quente respiração que batia contra seu rosto há alguns segundos e se jogou no chão quando percebeu o quão forte seu coração batia e como suas pernas tremiam. Enquanto olhava pro teto, se perguntava o que diabos havia acontecido.

...

A cena que havia visto na manhã ainda estava fresca em sua memória, a porta do quarto de Draco estava aberta e ele acabou vendo - sem querer - o loiro dormindo tranquilamente na cama, isso definitivamente era algo que nunca havia visto, o modo como ele parecia indefeso era quase tentador, era difícil ver Malfoy com a guarda baixa, mesmo com Teddy por perto. E a expressão serena era quase estranha naquele rosto que normalmente carregava um sorriso irônico, os traços do loiro pontudos suavizavam e se tornavam relaxados, mas não deixava de ser harmonioso e belo.

— Malfoy... é meio bonito - Harry declarou em um momento de seu devaneio, mas logo se arrependeu, afinal estava em seu escritório e quem estava ao seu lado era Ron.

— você acha? - o amigo tentou parecer casual, mas ficou confuso com a pergunta repentina e se perguntou se aquilo era algum tipo de teste. Desde que houve toda aquela confusão com Teddy e Malfoy, Harry não havia ido na Toca, apesar de conversar com Ron no trabalho nenhum deles tinha tocado no assunto.

— claro que não! É o Malfoy!

— vai demorar pra admitir que tem um crush nele? - o ruivo revirou os olhos.

— não tenho um crush nele!

— tá bom, então vai demorar.

Ronald deu de ombros e entendeu que não era um teste, apenas seu amigo que não entendia os próprios sentimentos. É claro que desconfiava de Harry desde o 6º ano, talvez antes disso, o moreno passou tanto tempo obcecado por Malfoy que isso havia virado até mesmo uma piada interna entre o grupo de amigos. Por falar em grupos, na família Weasley  Gina era quem estava surpreendentemente mais calma desde o dia na mansão. Ron não sabia se deveria se sentir aliviado ou preocupado.

Ele havia conversado com Hermione sobre ter encontrado Draco e como a família Weasley reagiu, a mulher parecia calma e racional sobre a situação, ela abriu os olhos de Ron como sempre fazia e o lembrou que agora que moravam juntos, talvez Harry e Draco já estivessem juntos romanticamente, mas ainda se sentissem intimidados para contar e o fato deles reagirem tão mal ao simples fato de Malfoy morar com Harry, já fazia tudo ir por água a baixo.

— Hermione está brava - o ruivo quebrou o silêncio.

— hum? Brava comigo?

— não, com meu pai. Eu fiquei surpreso, digo, ela estava realmente se esforçando pra ser aceita na minha família com como a perfeccionista que é. Mesmo assim, quando soube do que ele fez com Malfoy, ela deu uma aula sobre magistrado pra ele.

— acho que são poucas as mulheres que falaram assim com o senhor Weasley - Harry riu imaginando sua amiga brigando.

— o que mais me surpreende, é que ela defendeu Malfoy e não pareceu surpresa quando disse que ele estava morando com você - então esse era o ponto que ele queria chega, pensou Harry.

Sabia que não era correto ter escondido isso de Ron e mesmo assim contado para Mione, mas a conversa com a mulher era tão fluida e quando notou ela sabia de tudo, além disso, ela provavelmente descobriria mesmo sem contarem para ela. Porque é Hermione Granger.

— desculpe, eu deveria ter te contado com mais calma. Eu não sei o que estava pensando, pareceu uma boa ideia na hora.

— não foi, colega - o amigo disse com sinceridade.

— Malfoy também não ficou nada feliz, sabe... eu sei o que você pensa dele, porque era a mesma coisa que eu pensava, mas Draco também é uma pessoa, e ficou muito triste.

— bem, não pareceu realmente triste enquanto nos chamava de traidores do sangue.

— é jeito dele se defender e o modo como foi criado. Tente entender o lado dele.

— eu até posso entender, o que não consigo descobrir é por que você está defendendo ele?

— Hermione falou a mesma coisa, sobre eu estar defendendo Malfoy - Harry sorriu com a semelhança do casal.

— e aí você admitiu que era porque tem um crush nele?

— não tenho! - Harry exclamou um pouco mais exaltado do que o necessário, e depois abaixou o tom de voz continuando — disse que não estava o defendendo, apenas fazendo o que acho certo e melhor para Teddy.

— então essa é sua desculpa? Está fazendo isso em benefício de Ted? - Weasley o pressionou.

— não é uma desculpa, é a verdade - Potter falou convicto.

— certo, se você prefere acreditar nisso... eu ainda não entendo como pode perdoar ele, digo, vocês se odiavam e eram inimigos e passou o sexto ano inteiro tentando provar que ele era um criminoso. No fim, você o ajudou a não ir pra Azkaban e agora está dando abrigo.

— ele sabe ser tolerável quando quer. E ele cuida muito bem de Ted, não tem o que reclamar. Eu não sei, a guerra mudou tantas coisas, ele mudou, eu mudei e nossa relação também. Precisamos nos dar bem para cuidar de Teddy, eu só não quero que meu afilhado sofra mais ainda.

Harry sentiu o olho umedecer e abaixou a cabeça passando as mãos no rosto cansado. O ruivo analisava cada movimento, desde que o amigo havia começado a tentar se explicar, e ficou convencido o suficiente para não tocar mais no assunto.

— deveríamos terminar isso logo para podermos ir pra casa — os olhos azuis se desviaram do amigo e voltaram as papeladas em sua frente, e Harry resolveu fazer o mesmo.

...

Teddy dormia com Draco, a ideia era que os adultos iriam revezar os dias, mas Harry se mexia muito a noite e agora que o garotinho havia saído do berço e dormia na cama, o loiro termia que seu primo acabasse esmagado por Potter em uma das noites em que ele tem pesadelo.

Draco tinha suas noites ruins, é claro, mas na maioria das vezes isso não lhe causava pesadelos, ao contrário, impediam ele de dormir. O que não era exatamente vantajoso, mas não apresentava risco para Teddy e isso era o suficiente.

Todavia, naquela noite em especial, o garotinho metamorfo estava doente, uma simples gripe, e decidiu que dormiria com o padrinho.

— Teddy, você quer, por favor, levantar dessa maldita cama e vir dormir? - Draco disse pela milésima vez e o garotinho apenas cruzou os braços e sentou na cama.

Harry não conseguiu segurar o riso o que deixou Malfoy ainda mais furioso. O loiro odiava perder o horário das coisas, e não fazia ideia de quanto tempo estava tentando convencer Teddy, mas estava prestes a desistir.

— do que você está rindo, Potter?

— desculpe, é só que ele tem a mesma cara arrogante que você.

— eu não sei do que está falando - era impressionante. Mesmo inconscientemente, Draco fez a expressão e Harry teve o privilégio de poder comparar com a do garotinho ao lado.

Os dois com os braços cruzados, queixo levantado e os lábios levemente espremidos. Alguns fios azuis do cabelo de Teddy começaram a mudarem para um tom mais platinado, e naquele momento Harry realmente pensou que aquela família estranha que eles montaram poderia funcionar de verdade.

— a cor do cabelo de Teddy não mente.

— você é ridículo e eu quero dormir. - Draco usava um roupão por cima de seu pijama de seda, já Harry ria toda vez que o via, era um belo tecido cintilante com as iniciais D.M bordadas em letra cursiva.

— fica, fica, fica!- Teddy exclamou se jogando na cama e esperneando, isso não era usual dele, por isso os dois adultos se encararam espantados.

— não seja assim, monstrinho. Esse não é meu quarto, mas se quiser dormir aqui tudo bem.

— você não seria um incômodo também - Harry até mesmo se surpreendeu com o que saiu de sua boca — digo, a cama é grande o suficiente, Ted pode ficar no meio e você não precisa realmente dormir, pode ficar só até ele pegar no sono.

Milhões de coisas passavam na cabeça de Draco naquele instante, e ele não sabia se aceitar aquele convite era uma boa oportunidade para evoluir seu relacionamento com Harry ou apenas um novo método de tortura.

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Nota da autora: eu queria agradecer pelos votos e comentários. Muito obrigada de verdade ❤️

E agora, o que vai ser de drarry daqui pra frente? Façam suas apostas kkkk

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