Mini extra + Epílogo.




Feliz dia das crianças porque eu sei que tem um monte de gente menor de idade lendo essa merda kkkk Enfim, meu conteudo é até moderado então acho que não tem problema.

Pequeno aviso: O epílogo vai ser dividido em duas partes e depois terá mais um extra, só então finalizamos. Espero que ainda se lembrem dessa história.


Draco não acredita em milagres.

Ele tinha cerca de cinco anos quando seu pavão preferido morreu. Ele chorou e pediu para seu pai o trazer de volta à vida.

"Voltar a vida é um milagre e milagres não existem, Draco. Então aja como um homem, homens não choram."

Depois de ouvir essas palavras, Draco nunca se atreveu a pedir por um milagre de novo. Ele queria ser um homem. Ser como seu pai.

Voltando ao presente, Draco tem vinte e quatro anos e acorda sozinho na cama, o sonho que acabara de ter insistiu em assombrar sua mente deixando-o ansioso.

Ele se senta em um suspiro tentando se acalmar, então, o garotinho entra correndo pelo quarto com toda a energia que só uma criança poderia ter.

— feliz aniversário, papai! - ele agilmente pula na cama, o cabelo estava uma bagunça de cores enquanto ele abraçava Draco que retribuía o ato ainda atônito.

Atrás dele estava Harry, de cabelos pretos e bagunçados, o óculos redondo no rosto, vestindo o moletom que estava usando na noite anterior e uma bandeja na mão.

— Ted, deveríamos falar isso juntos - Harry se aproximou com um sorriso e sentou na ponta da cama, se inclinou batendo o dedo levemente na testa de Teddy que sorriu culpado — era pra ser um café da manhã calmo, sei que não gosta de agitação quando acorda.

Era difícil saber no que prestar atenção, seus olhos corriam pelo cômodo, a luz invadia as janelas conforme o garotinho eufórico corria afastando as cortinas e como Harry parecia especialmente gentil enfeitiçando a bandeja de modo que flutuasse no colo do loiro.

Aqui está, pai. Um milagre.

Fim do extra.


Epílogo 1

Harry desceu as escadas de madeira da casa como fazia toda manhã, deu um beijo no topo dos cabelos azuis seguido de um bom dia, Teddy já estava usando o uniforme da escola sentado em seu devido lugar e comendo calmamente; e havia Draco, ele estava em cima da mesa, segurava a sua torrada na mão passando sua geleia de morango e tinha os pés na cadeira. Harry perguntou a si mesmo se queria saber porque um adulto estava sentado sobre uma mesa de vidro quando um garoto de quatro anos podia sentar-se corretamente.

Sentiu que teria um dia melhor sem esse tipo de conversa logo de manhã, por isso apenas ignorou a cena e seguiu sua rotina. Estava prestes a abrir o armário para pegar seu agasalho e ir olhar o jardim, ele estava cultivando plantas lá e com a neve daquela noite elas deveriam estar soterradas, todavia foi interrompido por um Draco desesperado e saltitante correndo para segurar seu braço.

— Harry, não entra aí, tem uma barata. - o loiro declarou, parecia verdadeiramente preocupado verificando se a barata não iria passar pela fresta, assim, logo pulou no sofá mais próximo para evitar que seus pés tocassem o chão.

Isso explica o motivo dele estar na mesa, Harry pensou, e também comprova a teoria de que eu não queria realmente saber.

— então só mata ela. - o moreno declarou simplista.

— Eu posso jogar um feitiço?

— Já falamos sobre isso, não.

— Então como espere que eu mate essa coisa? Harry, Eu tenho duas pernas, essa coisa tem seis e ainda tem asas.

— Oh, ela tem asas? - Harry imediatamente afastou sua mão que tocava a maçaneta e se aproximou de Draco, silenciosamente sentou ao seu lado no sofá — Acho que devemos chamar um adulto...talvez dedetizar a casa.

— Somos adultos.

— Eu quis dizer adultos de verdade - ele explicou e o loiro apenas assentiu sem protesto.

— Deveríamos só jogar um Avada nela. - Draco comentou, mas recebeu um olhar de repreensão.

No momento seguinte, a campainha tocou, os dois adultos se entreolharam esperando que um fosse abrir a porta, mas vendo que nenhuma parecia querer, Teddy poupou a fadiga e o fez ele mesmo, quando abriu sorriu imediatamente com a visita, era Andrew e seu pai, Cormac. Os garotos trocaram um abraço e logo Teddy puxava o amigo pela cozinha para oferecer café da manhã a ele.

— O que está fazendo de pé no sofá, Malfoy? - Cormac indagou assim que entrou na casa e fechou a porta atrás de si.

— bom dia para você também, respondendo sua pergunta, essa é minha casa e eu posso ficar onde eu bem entender-

— tem uma barata voadora no armário. - Harry o interrompeu explicando a situação para Cormac, isso não foi apenas para irritar Draco, mas porque sabia que apesar de zoar com eles, o homem iria se livrar da barata.

O bruxo mais velho entre eles também havia se tornado mais maduro naqueles meses, com a prisão de sua (ex)esposa e verdadeiramente encarando a vida de ser um pai sem nenhum apoio o obrigou a ser assim, por isso ele não fez muitas piadinhas enquanto foi resolver o problema da barata, voltou em menos de cinco segundos e os donos da casa não poderiam se sentir mais gratos, mesmo com ele os provocando.

— Professor Potter, estará ocupado amanhã? - Cormac perguntou educadamente, como se segundos atrás não estivesse o ameaçando com uma barata morta.

— eu não sou um professor ainda - o moreno advertiu — mas estarei livre, por quê?

— Andrew andou lendo sobre quadribol e descobriu que você jogava, eu poderia o ensinar mas ele está meio irritado comigo e de qualquer jeito... você sempre foi melhor. - Harry nunca pensou que ouviria aquelas palavras saírem da boca de McLaggen, o narcisista. Mas ao que parece, a paternidade fazia milagres.

Harry realmente deixou o trabalho de auror, agora ele frequentemente ia para Hogwarts e ajudava no preparo das aulas e auxiliava alguns estudantes, estava praticando muito para ser um professor. Defesa contra as artes das trevas era sua matéria preferida e quando começou as aulas tinha plena certeza de que essa era a matéria que iria lecionar, no entanto, ele também reencontrou uma antiga paixão em Hogwarts, o quadribol, e quando viu aquele time desorganizado e um treinador completamente perdido pensou que poderia dar um jeito naquilo e deu. Atualmente, Potter era uma presença comum nos treinos, sempre passando nem que seja para apenas parabenizar, às vezes para uma partida. Ainda amava a primeira matéria, então continuava como um aprendiz até descobrir sua vocação.

Como Draco gostava de o lembrar: não havia pressa, tinham todo o tempo e mais um pouco.

— Claro, eu só iria cuidar do jardim. Tudo bem se eu sair? - Harry perguntou para Draco, afinal, naquele final de semana estariam sozinhos e apreciavam esses momentos, que não eram muitos considerando a presença constante de Teddy.

— Sim, também queria passar para ver a Morgana. - ele comentou levianamente, mas ainda era um assunto complicado para eles.

Draco havia decidido que nunca mais teria laços com a mulher, no entanto, ela havia enfrentado um tribunal e sido rebaixada para protegê-lo, se isso não fosse suficiente para um pedido de desculpas, nada seria. Na primeira vez que a viu eles apenas se encararam melancolicamente pelas grades da cela, nenhum deles teve coragem de dizer nada até que o horário da visita simplesmente acabou, na segundo vez Queenie já havia sido julgada e tudo foi considerado legítima defesa, então estavam comemorando, se abraçaram e sorriram, de repente, estavam resolvidos. Nenhum deles queria ter uma conversa desgastante para ouvirem o que já sabiam e falarem o óbvio, Morgana o entregou pensando em proteger o sobrinho, pensado que nada demais iria acontecer, e talvez conseguisse perdoar a ignorância dela. Porque ela era assim, um tanto metódica e estável, mas quando se tratava das pessoas que se importava, era sensível e inconsequente, foi assim quando tomou a varinha das mão trêmulas de Draco e assumiu a culpa do assasinato de Crabbe. 

— Ela se chama Queenie. - Harry o lembrou.

— Mas Morgana é bem mais legal.

— Não deveria mudar o nome das pessoas porque acha mais legal. - Cormac ainda tinha muitos defeitos, um deles era que depois de aprender a agir como pai, ele queria agir como pai para todos ao seu redor.

Draco normalmente apenas ignorava situações assim ou fazia um comentário maldoso, mas se lembrou de algo e virou o rosto para o homem.

— eu vi o lanche trouxa que Andrew está levando para a escolinha - ele começou com seu sorriso sarcástico clássico — você sabia que tem uma surpresa dentro? Alerta de spoiler: é diabetes.

— Meu filho está ótimo, e você não tem moral para falar, eu te vejo dando sorvete para o garoto quase todo dia. - Cormac o acusou.

— não é verdade, e ele adora coisas saudáveis, ok?

— não minta, eu sei que foi ele mesmo quem resolveu mudar a alimentação, sério, que tipo de criança se preocupa com isso?

— uma criança bem criada. - Draco empinou o nariz respondendo.

— Sabe, eu fico feliz que conseguimos nos acertar agora, mudamos muitos, e é importante nos darmos bem, pelos nossos filhos - Harry os lembrou.

Os adultos instintivamente voltaram o olhar para os dois garotos, pacificamente comendo, bem, Teddy comia, Andrew apenas o olhava e eventualmente limpava algumas migalhas que sujavam o rosto dele.

— Ainda bem que Andrew tem Teddy, ele está... com dificuldades em lidar com a situação de Olivia. - Cormac comentou brevemente, eles não falavam muito sobre o assunto e nenhum adulto teve coragem de explicar, o filho era jovem demais para saber que a mãe tentou sequestrar seu melhor amigo e matar o pai dele, na realidade, não existia uma idade certa para descobrir esse tipo de coisa, mas de qualquer jeito, cinco anos não era uma idade boa.

— Não tem um jeito fácil, mas temos que ser pacientes, está indo bem. - Potter deu alguns tapinhas de consolo no ombro do homem que suspirou em reconhecimento.

Draco dizia que ele deveria esconder, Harry argumentou que o garoto tinha direito de saber ao menos porque sua mãe estava sendo presa, mas Andrew não sabia muito além de "ela fez coisas más e precisa pagar por isso". E cá entre nós não é uma boa explicação, mas Cormac ainda era novo nessa coisa de pai, então tentava fazer seu melhor.

— Eu era um babaca antes. - o mais velho comentou quebrando o silêncio.

— ainda é - Draco respondeu agilmente, Harry pareceu concordar, visto que não o repreendeu.

— Você é um cara engraçado - Cormac forçou uma risada para não se deixar atingir.

— Não sou engraçado, apenas maldosamente sarcástico, mas alguns preferem pensar que é uma piada.

— Claro, não esperaria outra resposta senão uma sincera. - ele soltou um riso soprado, em um segundo os garotinhos já haviam se levantado da mesa e estavam prontos para partirem — Ah, Andrew pode ficar aqui hoje? Preciso fazer uma pequena viagem, voltarei esta noite.

— Tudo bem por nós, mas na verdade iremos na Toca hoje, Teddy costuma passar os finais de semana e sextas com Victoire Weasley, filha do Gui e da Fleur. - Harry explicou e se envolveu em uma discussão sobre como todos já tinham filhos tão novos, focado nisso ele não percebeu a mesma coisa que Draco.

O olhar de Andrew quando ouviu o nome Victoire; isso vai ser complicado, Draco pensou.

...

A Toca sempre foi um lugar animado e isso não era nenhuma novidade, no entanto, com a notícia o lugar se comparava ao beco diagonal em questão de movimento. Toda a população bruxa de ruivos unida em um só lugar, Draco comentou e Fleur riu passando a mão sobre a barriga, sim, essa era a novidade, mais cabeças ruivas na família, ou não. O ser que crescia na barriga da mulher, foi assim que Draco se referiu, ainda era novo demais para saberem qualquer coisa além de que havia um coração batendo ali.

— Qual a pior parte de ser pai? - George se aproximou perguntando curioso, afinal, era o único na pequena roda que não tinha filhos.

— As crianças. - Draco respondeu prontamente, Teddy virou o rosto em sua direção com um olhar acusatório de quem havia ouvido bem e iria guardar as palavras, o loiro sorriu e murmurou que estava brincando, mesmo assim Harry beliscou sua bochecha o dando uma bronca.

Teddy rapidamente ia na direção da menina - que estava em seu carrinho - alegremente e Andrew sorrateiramente continuava ao seu lado como uma espécie de guarda, mas não era de longe tão expressivo quanto o amigo, sempre mantinha uma face neutra. Foi educado o suficiente para sorrir quando Molly o cumprimentou e se apresentar, até agora não havia ocorrido nenhum incidente, Draco se perguntava quanto tempo iria demorar para que aquele garotinho explodisse.

Seria breve, ele notou, pois as crianças começaram a discutir. Andrew comia mais uma das besteiras trouxas que seu pai comprava e com certeza eram culpadas de diversos problemas de saúde em crianças. Ao que parecia, o garoto mais velho dividiu um pedaço ao meio para ele e Teddy, no entanto, não deu nada para Victoire e isso deixou a bebê agitada tentando expressar sua indignação.

— ela também quer - Teddy comentou inocentemente.

— Não me importo. - Andrew deu de ombros e só então o amigo compreendeu que ele havia negado um pedaço à ela de propósito.

Mesmo assim, o de cabelos azuis tentou argumentar com o amigo que parecia indiferente e certo de que não mudaria de opinião, Teddy não conseguia entender qual era o problema dele.

— Você tem que dividir, é importante dividir.

— O chocolate é meu e eu não quero dividir.

O garoto mais novo era muito calmo e sensato, notando que Andrew não parecia disposto a mudar o pensamento ele apenas desistiu e soltou um suspiro de derrota, sem mais nenhuma palavra se virou para a menina loira e sorriu partindo o pequeno pedaço que havia recebido e o dando para ela uma parte.

— Por que fez isso? - Andrew arregalou os olhos escuros em surpresa.

— Porque eu quero dividir.

A discussão ocorria em paralelo com a conversa amena dos adultos que ao menos notaram a briga - com exceção de Draco, mas ele estava menos que disposto em interromper algo - então os garotos se exaltavam e os mais velhos estavam distraídos.

— Victoire mal tem um ano, isso vai ser trabalhoso, não? - Harry indagou se referindo ao bebê que vinha.

— Na verdade, ela é bem calma, não me dá nenhum trabalho - Fleur sorriu com a deixa aproveitou para se aproximar da menina e a pegou no colo.

Agora, Teddy se ajeitava no sofá para conseguir segurar a menina, que apesar de ser um bebê ainda era pesada demais para um garoto de três anos. Ele a segurava com toda delicadeza, os olhos cintilantes vidrados nela não notaram a expressão incriminatória de Andrew.

— Ela é calma demais, fico até preocupado, ela chora tão pouco, nem me lembro da última vez que fez isso. - Gui comentou, ele deu um pequeno sorriso vendo sua garotinha sorridente enquanto era segurada por Teddy, ele mal aguentava segurar-lá sentada.

Como se estivesse esperando um motivo, ou qualquer tipo de incentivo, Andrew simplesmente  parou em frente a menina e encarou fixamente:

— Teddy é meu! - dito isso, empurrou a menina do colo de Teddy, por sorte, Gui a segurou antes mesmo que ela deitasse sobre o sofá, mesmo se acontecesse, provavelmente não a machucaria, ainda sim, todos olharam surpresos pela ação do garotinho. E então, Victoire explodiu em choro.

— Ah, pelo menos agora ela está chorando. - Draco sorriu serenamente.

...

Naquela tarde, as coisas pioraram ainda mais. Cormac e Andrew, respectivamente pai e filho, possuíam uma personalidade complicada e somando isso à teimosia e infantilidade igual de ambos o resultado era catastrófico. Aquela gritaria sem fim e raivosa que acontecia no momento, quando o garoto exigia ver a mãe e o pai não sabia como colocar em palavras o fato de Olívia ser uma desgraçada que estava envolvida com o sequestro de Teddy e uma tentativa de homicídio, não podia simplesmente falar: "ei, sabe por que o pai do seu melhor amigo teve que ir no hospital naquele dia? História engraçada, a sua mãe tentou matar ele".

Era difícil explicar, tentou contar o básico, afinal, tinha que justificar o desaparecimento da mulher, mas como contar isso para um garotinho que acabara de completar seis anos? McLager suspirou, debateu e ensaiou um discurso muitas vezes até conseguir convencê-lo que sua mãe estava bem, todavia cometeu crimes e precisava paga-los. Ela tentou machucar pessoas, ele disse. Quem, o filho perguntou curioso. Inocentes.

— Você não pode me impedir de ver ela, é minha mãe!

O garoto de cabelos negros esbravejava pela milesima vez, seu quarto já era comumente bagunçado, mas a agitação da briga fazia sua magia vacilar e ocasionalmente tinha um curto descontrolo, no entanto conseguia manter certa dominação para não causa acidentes reais.

— Pare de gritar, Andrew! - Cormac gritou tendo ciência de sua hipocrisia, contudo irritado demais para conseguir controlar sua voz. — Cadeia não é um lugar para crianças, não pode ir visitar sua mãe.

— Eu não me importo, ela deve odiar aquilo, eu odeio aquilo, vou ir tirar ela de lá.

— Você não vai fazer nada, porque ela merece aquilo, porque eu não vou te deixar ir até lá, e porque ela não quer ver você!

O ar pesou com as palavras do pai, o garoto arregalou os olhos, a boca entreaberta enquanto seu rosto parecia perder a cor. Não era isso que ele queria, odiava Olivia  tudo o que ela fez para os outros com ele e em especial com seu próprio filho, todavia sabia que não tinha direito de jogar isso na cara de um garotinho que apenas amava sua mãe inconsequentemente e independente de qualquer coisa que ela já o tenha feito, não podia tirar isso de seu filho. Seu coração doeu ao ver aquela expressão adornar o rosto do garoto, por isso ele respirou fundo tentando se acalmar, com o tom de voz mais suave possível ele se abaixou procurando estar mais próximo dele. Andrew hesitou por um segundo, mas não se afastou, contudo seu olhar estava sério como um adulto.

— Olhe, a sua mãe está em uma situação ruim, ela não quer que você a veja daquele jeito, você também não vai querer vê-la. 

— Ela não quer me ver. - ele repetiu as palavras do pai, como se saboreasse o gosto de dizê-las e sentindo o peso daquela situação.

— eu me expressei mal, me desculpe, sabe que eu e sua mãe temos nossas diferenças e-

— não - Andrew o interrompeu — não minta.

O pai ficou surpreso, abriu e fechou a boca algumas vezes, todavia não tinha ideia do que fazer a seguir. Desejava apenas que nunca houvesse falado algo do tipo, nem deveriam ter iniciado aquela conversa. Mas o filho parecia decidido a falar tudo o que queria, por isso se calou aguardando.

— Você dizia que não gostava dela ou como ela era louca, e pode imaginar que ela também falava coisas do tipo, algumas piores, sobre você. Mas você não mente, disse que odeia mentiras.

— eu odeio mais ainda ver você assim, quando se distancia dos outros e fala difícil. Só quero o seu bem. - o adulto suspirou querendo não ser um adulto, não queria precisar ter essa conversa também, mesmo sabendo que tudo aquilo era consequência de escolhas suas também. Fora ele quem bebeu demais e passou a noite com Olívia, ele quem deixou as coisas chegarem naquele ponto, não separou aquela relação conturbada de mãe-filho antes. Ainda sim, se sentia vítima, mas sabia que o mais afetado era o único verdadeiro inocente, Andrew. — Isso é mais complicado do que parece filho, está certo, ela não quer te ver, mas isso não quer dizer que ela não te ame do jeito dela.

— ela sempre me usou, não é? Por causa da minha magia, eu ouvia a briga de vocês, ela não gosta de mim, só gosta do fato de eu ser o que ela nunca conseguiu. - seus olhos não cintilavam com o brilho de pureza que um menino de seis anos deveria ter, eram tristes e opacos.

— Me desculpe, filho. Eu realmente não queria que as coisas fossem assim, não sei o que fazer para te ver melhor, mas eu quero isso, de verdade, eu te amo.

O adulto declarou, falava isso muitas vezes, mas nunca sentiu o peso daquelas palavras -principalmente as três últimas-, falou milhares de vezes, mesmo quando não era verídico, dizia para encantar uma garota, para deixar a namorada satisfeita, retribuir o amor de alguém. Mas nunca sentiu o que sentia naquele momento, a dor. Uma dor por ser o responsável legal daquele pequeno ser, mas saber que não pode fazer nada, por supostamente ter o dever de proteger e cuidar do filho, mas não ser capaz.

— Ela... pelo menos era me queria por perto, queria me entender, você só me atura porque é obrigado. - Ele murmurou com o tom amargo.

— Isso não é verdade, filho, eu nunca me senti assim. - se sentiu culpado quando compreendeu os sentimentos do menino, se aproximou dele e ajoelhou ao lado da cama para tocar os cabelos negros — Amo você, sempre te quis por perto, me desculpe não ter demonstrado isso. Vou me esforçar um pouco mais agora, mas as coisas vão ser difíceis e talvez eu não consiga, pode ter paciência comigo?

Ele olhou os olhos do menino, pela primeira vez parecia haver um sentimento verdadeiro, surpresa, hesitação, esperança. Andrew deu um pequeno sorriso quando acenou em confirmação. Cormac sabia que não foi um pai presenta, na realidade, nesses seis anos de vida do menino, não havia passado mais que um fim de semana com ele desde alguns meses atras, não queria exatamente fugir da responsabilidade, mas era idiota e imaturo, priorizou outras coisas, como seu trabalho e questões da herança, e logo se envolvia em festas e mulheres, era facil esquecer que tinha  um filho quando mal o via. Estava arrependido de tudo aquilo, todavia o arrependimento por si só não mudava nada e ele sabia disso, por isso lutou pela guarda dele quando descobriu que o filho era tratado como uma cobaia por Olivia e agora que a mulher fora presa, a guarda era exclusiva dele. Mas não estava sabendo lidar com aquilo muito bem.

— Podemos voltar a falar do acidente de mais cedo? - o adulto tentou voltar no assunto, na realidade, a discussão começa por um motivo totalmente divergente de Olivia, ele questionou o filho sobre ter empurrado Victoire, pois Draco o contou da situação, afinal, tinha que explicar porque Teddy não havia ido acompanhar Andrew e porque ele estava com cara de choro.

Segundo Draco, depois de Andrew ter empurrado Victoire, houve uma briga entre ele e Teddy, afinal, o de cabelos azuis não gostava nada de violência, muito menos quando era em um bebê e sem motivo algum.

— Teddy é um idiota, eu odeio ele. - os olhos escuros encararam o chão, as mãozinhas se apertaram uma na outra como que implorando para ele não mentir.

— Tome cuidado com suas palavras, seu amigo ficaria triste em ouvir isso.

— Ele não é meu amigo, ele prefere a Victoire!

— Ela é uma veela, claro que deve ter roubado a atenção dele, é normal, não entendo o que te incomoda, até mesmo você deve ter sido encantado por ela.

— Não!

— Você... está com ciúmes do seu amigo? - Cormac concluiu com um pequeno riso, não debochando, apenas surpreso com o desenrolar, não havia notado isso até aquele ponto.

— Não! - ele respondeu automaticamente, uma pausa, — O que é ciúmes?

— É quando você quer a atenção de uma pessoa, mas ela está dando atenção para outra - Cormac tentou simplificar.

— Então acho que sim.

Andrew parecia incerto, mas concordou sem pensar muito, a única coisa que sabia era que estava irritado e no momento era apenas isso que importava. Seu pai estava preocupado com a situação, teria uma vida difícil se não aprendesse a lidar com os sentimentos de uma melhor forma, afinal, tinha certeza que agora iriam se acertar e o filho seria perdoado porque ainda era uma criança, no entanto, um dia não seria mais, um dia Teddy não iria tolerar o jeito de Andrew, e Cormac temia pelo filho.

— Não pode recorrer à violência para tudo, por que você age assim? - Cormac retoricamente perguntou e em seguida deu um leve tapa na nuca do garoto.

Ah, agora sei onde aprendeu a ser violento.

— De qualquer jeito, sabe que o que fez foi errado, peça desculpas para a menina e para todos envolvidos. - era o jeito que um pai deveria falar, ou pensava isso, parece básico, mas foi o melhor que podia fazer no momento.

A paternidade era como uma prova eterna, uma prova surpresa que ele nunca havia se preparado para e nem mesmo experienciado. Cormac se sentia em Hogwarts, quando tinha que produzir poções que supostamente deveria conhecer, mas nem sabia para que serviam.

— Está bem. - Andrew respondeu, aquele jeito que quem tinha muito a falar mas escolhia ficar calado para evitar a fadiga.

Queria saber o que falar, algo para animar o garoto, ou o repreender mais mostrando que o que fez foi errado, mas não tinha ideia de como fazer isso, então ficou calado. Sentiu um peso em seus ombros e suspirou derrotado, olhou mais uma vez para o filho que certamente não sabia que expressão mostrar e virou o rosto, Cormac entendeu o ato e se virou de costas saindo do quarto.

— Feche a porta.

Desse modo, ao ouvir isso o homem, que estava de frente com a porta simplesmente a fechou e continuou dentro do quarto, então se virou para o filho em silêncio, Andrew soltou um suspiro.

— Não, pai. Você sai primeiro e depois então fecha a porta.

— Ah, certo. - de repente parecia ele que era uma criança, um adolescente que caiu na frente dos amigos e se sentia intimidado, fechou a porta ciente do olhar de julgamento do filho e saiu.

...

Harry tinha um tempo consideravelmente livre agora que não possuía um trabalho fixo, alguns dias ficava ocupado com Hogwarts, mas nos dias livres podia se dedicar à jardinagem pela manhã inteira, no entanto, as vizinhas trouxas começaram a desconfiar de suas flores que não murcham mesmo no inverno rigoroso de Londres - era inveja - porém, buscando evitar confrontos, ele resolveu que era melhor que não usasse nenhuma magia nelas e sem magia, não havia muito o que fazer para salvá-las de uma morte iminente. Um tanto frustrado por isso, ele mudou seu foco para a cozinha, preparou um verdadeiro banquete que pudesse caber em um pequeno pote e levou-o para o St. Mungos, precisava se apressar pois logo seria hora de buscar Teddy na escola.

— Como estão as coisas no trabalho? - Harry indagou preocupado quando viu o loiro, era raro ele não ir almoçar em casa, por isso quando recebeu a coruja pedindo que trouxesse a comida ficou surpreso.

Draco aparentemente estava bem, seu cabelo, agora longo, estava preso em um rabo de cavalo que pousava em seu ombro e alcançava seus braços cruzados na altura do peitoral. Usava um óculos de grau para não forçar sua visão e seu uniforme usual, o jaleco branco com seu nome e a camisa verde musgo com o símbolo do hospital.

— Eu quero esfaquear todo mundo. - seu suspirou fez alguns fios desgrenhados que caiam sobre seu rosto balançarem.

— Não deixe o sangue sujar suas roupas, vamos jantar com Gina e Helena. - o moreno não parece nada impressionado com a resposta do outro e casualmente sorriu quando Draco pareceu emocionado pela reação que recebeu.

—  Eu te amo por me entender.

— Também te amo. - deu um beijo nele para sair de sua sala notando que já estava na hora de buscar Teddy.

Estava com um pouco de pressa para sair, contudo a manga de seu casaco foi puxada e ele parou encarando o rosto hesitante do parceiro.

— Você ainda vai me amar quando eu envelhecer? - Malfoy comprimiu os lábios, seu olhar parecia analisar por completo cada microexpressão de Harry buscando uma resposta.

— Como assim?

— Vamos ser sinceros, minha aparência é a melhor coisa em mim - Harry riu da fala do loiro, mas esse continuava sério — Se eu ficar velho e perder a beleza, você vai conseguir me amar do mesmo jeito?

— Essa é uma questão válida... Acho que não vou te amar do mesmo jeito quando estiver daqui a alguns anos.

— Eu sabia! - Draco se virou de costas com os braços cruzados, sua expressão aborrecida. Harry sorriu e passou os braços ao redor da cintura dele dando um abraço por trás.

— Eu vou te amar mais, porque te amo um pouco mais que ontem e um pouco menos que amanhã. Toda vez quando acordo do seu lado eu me apaixono de novo, quando você sorri, e até quando revira os olhos quando meus amigos dizem que estão noivos — Draco sorri com a fala dele e percebendo que sua reação do outro dia não havia passado despercebida.

— Quando ficou tão bom nisso? Você era horrível flertando.

— Aprendi com o melhor. - não hesitou antes de responder docemente, Malfoy sorriu, aquele sorriso irônico de quem reconhecia a intenção do outro.

— Eu estou vendo o que está fazendo, mas estou gostando.

...

Estranhamente, os dois casais - Draco e Harry, Gina e Helena - se tornaram próximos, descobriram que tinham gostos parecidos e necessidades em comum, como precisar sair do mundo bruxo para terem a oportunidade de desfrutar de um jantar calmo. Por isso, naturalmente acabaram se esbarrando algumas vezes e agora se tornou usual saírem juntos algumas vezes, até Ron e Hermione participavam, mas Ron tinha um complexo de irmã que o fazia não conseguir suportar vê-la namorando.e

— Que cachos fofos, Harry. - Gina elogiou, era algo raro, mas quando o fazia significava que era sincero.

Draco lança um olhar irritado e força uma tosse.

—  Você está com ciúmes?

— Não, Draco só fica irritado quando alguém elogia meu cabelo e não faz o mesmo com ele. - Harry esclareceu evitando mal entendidos.

— Ele passa um único shampoo no cabelo, isso quando não é simplesmente o sabonete! É um absurdo que alguém se dê ao trabalho de elogiar isso. - o loiro exclamou indignado.

— Você mesmo disse que meu cabelo estava ótimo mais cedo.

— Está ótimo, mas não melhor que o meu.

As mulheres riam da expressão frustrada de Draco e Helena até tentou o elogiar depois, mas ele disse que agora não era sincero porque havia praticamente implorado por um elogio, isso fez a morena rir ainda mais. O clima era agradável, a conversa amena ia de um tópico ao outro de modo fluido, não tinha muita pretensão ou pensamento sobre, eram apenas amigos se divertindo. Um copo cheio e então vazio, logo estava cheio de novo e vazio outra vez, Draco sentia suas bochechas quentes e sua mente parecia nublada nem sabia mais porque estava rindo, mas de repente tudo parecia hilário e era o mesmo para todos na mesa.

— Todos estão tendo filhos, o que há de errado com esses heteros que resolvem se multiplicar em bandos? - Draco comentou expressivo, em outro momento poderia o fazer ser esculachado, agora só fez todos rirem, seja de sua voz arrastada ou porque estavam bêbados.

— Hermione e meu irmão são os próximos, aposto - Gina tirou uma nota de sabe-se lá onde e colocou sobre a mesa.

— Talvez eu e Draco - Harry sorriu com a possibilidade.

— O que?  - o loiro franziu o cenho, podia estar um tanto alterado, mas não se lembrava de ter concordado com nada disso.

— Admita que está tentado a ter outro filho, vive reclamando dos nossos amigos porque tem inveja, mas tem medo de enfrentar todo o processo de adoção. - ah, o álcool, ele faz maravilhas provocando quem o ingeriu a cuspir verdades que não diria se estivesse sóbrio.

— Talvez. Mas não vou mudar de opnião.

— oh, oh, eu tive uma ideia! - Helena exclamou em um gesto exagerado e olhou o casal em sua frente e em seguida encarou a ruiva, as duas sozrriram.

— Sério? Está pensando o mesmo que eu?

Helena apenas assentiu fazendo seus cachos balançarem, um sorriso ainda estampado no rosto enquanto se agitava hiperativa.  Ela se acalmou conforme murmurava algumas coisas para a namorada e o outro casal exigia saber o que estava acontecendo, suas visões borradas pelo álcool então estavam cheios de exageros na voz, expressões e gestos.

— Sabe, vocês deveriam poder ter isso e mais, um filho que parecesse de verdade com vocês, eu falo de genética, entende?

— Isso é impossível, não vou trair Draco. - Harry pareceu ofendido com a ideia e logo retrucou, Gina revirou os olhos.

— Não estou falando disso, preste atenção, eu e Helena vimos o jornal trouxa hoje e descobrimos algo chamado barriga de aluguel. É muito famoso por aqui, na verdade, descobrimos um casal de lésbicas bruxas que fizeram o mesmo.

— Não estou conseguindo acompanhar. - Draco admitiu.

— Tipo, vocês doam o esperma e nós o óvulo, e colocamos tudo isso em uma barriga de aluguel, então podem ter um filho parecido com vocês, e nem precisam saber qual deu certo, apesar de que vai ser bem óbvio se vier um loiro de nariz empinado - Gina sorriu, parecia orgulhosa de sua provocação no final e draco poderia falar algo sobre, mas estava congelado na primeira parte tentando processar o acontecimento.

— E se nascer ruivo? - Foi a primeira coisa que Potter conseguiu pensar.

— Ainda tem chance de ser seu lado materno - Gina respondeu ágil.

— Ah, vamos fazer isso. Vai ser incrível.

O quarteto se abraçou animado, com o álcool passando em suas veias e qualquer outro sentido paralisado, nada mais podia importar, estavam felizes e animados.

Todavia, na manhã seguinte, com a cabeça quase explodindo de tanta dor, Gina abriu os olhos em sua cama de sempre, viu Helena deitada ao seu lado e quase sorriu, não conseguiu completar o ato porque se lembrou do que havia feito na noite anterior.

— Ah! Eu não posso fazer isso, santo Merlin. O que foi que eu fiz?! - ela gritou horrorizada,Helena deu um pulo de susto com o estardalhaço.

Nunca mais iria beber.

Quem bebe tanto a ponto de resolver ter o filho de um amigo!? Odiava seu eu do passado.





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Notas da autora: Eu sou a Haru, espero que ainda se lembrem de mim e dessa fanfic, desculpem a demora, estou atrasada, porém, quem é vivo sempre aparece.

O proximo pode demorar ou ser postado amanhã, realmente não posso fornecer garantias, obrigada pela compreensão e todo o carinho.


Até a próxima❣

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