𝟎𝟏𝖝𝟎𝟏 '𝕿𝖍𝖊 𝕱𝖑𝖆𝖒𝖊 𝖔𝖋 𝖙𝖍𝖊 𝕿𝖜𝖎𝖓𝖘'

122 d.C.

Na vastidão dos corredores da Fortaleza Vermelha, dois pequenos corações batiam em sincronia, ligados por laços que transcendiam o sangue e a carne. Alyssane e Aemond, gêmeos de nascimento e almas gêmeas na essência, cresceram juntos como dois ramos de uma mesma árvore, entrelaçando-se em cada etapa da vida.

Aemond era a noite, silenciosa e introspectiva, um manto de mistério envolto em sua figura. Raramente sorria para o mundo, preferindo a solidão dos livros e o calor do fogo, como se estivesse guardando um segredo apenas para si. Não havia ninguém a quem ele se entregasse, exceto para Alyssane. 

Ela era sua única exceção, a chama que iluminava suas sombras. Para Aemond, o mundo era frio e distante, mas Alyssane era sua constelação pessoal, uma estrela fixa em seu céu turbulento.

Alyssane, por outro lado, era o sol, radiante e caloroso, espalhando sua luz onde quer que fosse. Sua natureza acolhedora a tornava querida por todos, mas seu amor mais profundo era reservado para Aemond. 

Ela gostava de todo mundo, mas amava Aemond com uma devoção que transcendia as palavras. Eles eram como duas metades de um todo, opostos e complementares, formando um equilíbrio perfeito. Enquanto ele protegia seus pensamentos como um dragão sobre um tesouro, ela os compartilhava livremente, uma corrente contínua de alegria e compaixão.

A vida ao lado de Aegon, o irmão mais velho e futuro marido dela, não era fácil. Ele era o furacão que testava suas raízes, impiedoso em suas provocações e frequentemente impondo sua força sobre os irmãos menores. 

Aemond, o "gêmeo mais velho" por um mero momento, era frequentemente alvo das travessuras de Aegon, mas nunca enfrentava o desafio sozinho. Alyssane, embora fisicamente menor, era a escudo protetor de Aemond, sua coragem não conhecia limites quando se tratava de defendê-lo. Ela não hesitava em enfrentar Aegon, desafiando-o com a ferocidade de uma leoa, mesmo sabendo que suas palavras poderiam trazer mais sofrimento.

Em suas brincadeiras e discussões, em suas risadas e lágrimas, os gêmeos eram inseparáveis, duas metades de um único ser. Aemond poderia ser a escuridão que rejeitava o mundo, mas Alyssane era a luz que sempre o encontrava, não importa o quão profundo ele se escondesse.

Eles eram carne e unha, a prova viva de que almas gêmeas não precisam ser iguais, mas sim, partes essenciais de um todo. Juntos, eram um universo completo, uma dança harmoniosa de luz e sombra, fogo e gelo.

E assim, no seio das intrigas e desafios da corte Targaryen, Alyssane e Aemond permaneciam unidos, o elo inquebrável que os sustentava através das tempestades que o destino lhes reservava.

Alyssane Targaryen sempre sentiu uma conexão profunda com os dragões. Desde pequena, passava horas observando-os em Dragonpit, fascinada por sua grandiosidade e poder. Foi aos nove anos que seu destino se entrelaçou com o de um dragão. Enquanto explorava os túneis de Dragonstone, ouviu um rugido baixo e ameaçador. 

Sem hesitar, seguiu o som até encontrar um enorme dragão de escamas prateadas e olhos dourados, uma criatura que parecia saída dos contos mais antigos. O dragão, que nunca havia aceitado um cavaleiro antes, a observou com uma intensidade quase humana.

Com o coração acelerado, Alyssane estendeu a mão e com um toque delicado, reivindicou a fera como sua. O dragão se curvou levemente, aceitando-a como sua cavaleira. Ela o nomeou Aetherion, em homenagem ao céu e às estrelas, devido à sua coloração prateada que brilhava como a luz da lua. Aetherion tornou-se seu companheiro fiel, e, juntos, voaram pelas terras, explorando o céu e o mar.

Agora, aos doze anos, Alyssane era uma montadora experiente, confiante no poder de seu dragão. Mas nem todos compartilhavam de sua sorte.

Naquele dia, em Dragonpit, Alyssane observava Jacaerys Velaryon, seu sobrinho, tentando exercitar controle sobre seu próprio dragão, Vermax. 

A atmosfera estava carregada de tensão e expectativa. Os cuidadores, atentos, observavam cada movimento do jovem príncipe, prontos para intervir se necessário. Jacaerys, aos dez anos, estava determinado a provar seu valor. Suas mãos tremiam levemente enquanto sussurrava ordens em alto valiriano, tentando conectar-se com o dragão de escamas verde-oliva.

Alyssane estava ao lado de seus irmãos. Aegon, com quinze anos, estava de pé com uma expressão desinteressada, embora seus olhos ocasionalmente traíssem um brilho de curiosidade. Aemond, de doze anos como ela, estava em silêncio, seu rosto uma máscara de emoções contidas. Lucerys, outro sobrinho, com apenas sete anos, observava com os olhos arregalados, visivelmente impressionado.

A Targaryen podia sentir o desconforto de Aemond. Ele era o único ali que ainda não tinha reivindicado um dragão. Ela viu seus punhos se apertarem e a mandíbula se contrair enquanto assistia Jacaerys tentar comandar Vermax. Uma sombra de inveja parecia passar por seu olhar, um desejo desesperado de provar-se e de ter o mesmo poder que seus irmãos e sobrinhos possuíam.

Enquanto Jacaerys finalmente conseguiu fazer Vermax abaixar a cabeça em sinal de submissão, os cuidadores aplaudiram. Aegon deu um leve sorriso de aprovação misturada com deboche, mas Alyssane percebeu que o olhar de Aemond estava fixo no chão, evitando o espetáculo. Ela conhecia bem aquele sentimento; a frustração de querer algo que parecia estar fora de alcance.

— Um dia será sua vez, Aemond. — sussurrou Alyssane, tentando oferecer algum conforto. — Os dragões sentem quem está destinado a montá-los. Você encontrará o seu.

— Espero que sim. — respondeu ele, sua voz carregada de uma intensidade contida. 

Alyssane colocou uma mão gentilmente no ombro do irmão gemeo. Ela sabia que a espera era difícil, mas também sabia que o momento de Aemond chegaria. Até lá, ela estaria ao seu lado, como sempre esteve, pronta para apoiar e proteger aqueles que amava. 

Enquanto Jacaerys se afastava com Vermax, Alyssane continuava a observar o desconforto de Aemond. Sua frustração e desejo por um dragão eram palpáveis. De repente, Lucerys, com um brilho travesso nos olhos, se aproximou do grupo. Ele sorriu maliciosamente e com a animação típica de sua idade, anunciou:

— Aemond, temos uma surpresa para você!

Aemond levantou uma sobrancelha, claramente intrigado. Alyssane, ao lado dele, franziu o cenho, instintivamente ficando na defensiva. A expressão nos rostos de Lucerys e Aegon não parecia promissora. Jacaerys, ainda um pouco mais afastado, parecia lutar para conter um sorriso.

— Uma surpresa? — Aemond perguntou, sua voz carregada de desconfiança e curiosidade. — Que tipo de surpresa?

Aegon deu um passo à frente, um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

— Encontramos o dragão perfeito para você, irmão. Acho que ele vai se encaixar perfeitamente. — disse, com um tom que sugeria mais zombaria do que sinceridade.

Alyssane estreitou os olhos, suas suspeitas crescendo. Ela conhecia bem os truques de Aegon e Lucerys. No entanto, antes que pudesse intervir, os dois desapareceram por um momento e logo voltaram, trazendo consigo uma visão inusitada. Um porco, com algo que parecia asas improvisadas presas às costas, foi empurrado à frente deles. O porco olhava confuso e assustado para os rostos que o cercavam.

Aegon e Lucerys começaram a rir, suas risadas ecoando por Dragonpit. Lucerys foi o primeiro a falar, tentando imitar a seriedade de um instrutor.

— Tomem cuidado, Aemond, o primeiro voo é sempre o mais difícil! — zombou, as palavras saindo entre risadas.

Aemond ficou paralisado por um momento, a surpresa dando lugar à raiva que começou a crescer dentro dele. Alyssane, sentindo o calor do constrangimento e da humilhação que Aemond devia estar sentindo, imediatamente se moveu para o lado dele, colocando uma mão protetora em seu braço. 

Ela lançou um olhar fulminante para Aegon e Lucerys, seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e decepção.

— Isso não é engraçado. — disse ela, sua voz firme e cheia de desaprovação.

Aemond, por sua vez, apertou os punhos, suas bochechas corando de vergonha e raiva. Ele lançou um olhar duro para os irmãos, os olhos queimando com uma intensidade contida.

Jacaerys, que até então estava rindo discretamente, levantou as mãos em um gesto de apaziguamento ao ver a seriedade de Alyssane.

— Foi só uma brincadeira, Alyssane. — disse ele, tentando suavizar a situação. — Não precisa levar tão a sério.

Aemond, entretanto, não estava disposto a deixar o insulto passar. Seus punhos estavam cerrados, as bochechas coradas de vergonha e raiva. Ele lançou um olhar duro para os sobrinhos mais novos, seus olhos queimando com uma intensidade feroz.

— Não fale com minha irmã, bastardo imundo. — disparou ele, suas palavras afiadas como lâminas.

Jacaerys e Lucerys olharam para Aemond, chocados. A cor sumiu dos rostos deles por um momento, mas logo se recuperaram.

— Não somos bastardos! — exclamaram em uníssono, a indignação evidente em suas vozes.

Alyssane deu um passo à frente, o rosto endurecido de determinação. Ela se colocou entre Aemond e os sobrinhos, os olhos brilhando de raiva.

— Vocês nos deram um porco e esperam que aceitemos isso como uma brincadeira? Vocês são príncipes, deveriam agir como tal, e não como idiotas! — disse ela, sua voz cortante e firme.

Aegon, o mais velho de todos, não conseguiu conter a risada que brotou de sua garganta, uma risada alta e estridente, parecida com o grasnar de uma gralha. O som encheu o ar, amplificando o constrangimento de todos ali.

Sem mais uma palavra, Alyssane agiu. Com um movimento rápido, ela deu um soco firme em Jacaerys, seguido por outro em Lucerys. Os dois recuaram, surpresos e doloridos, segurando as partes do corpo onde foram atingidos. A risada de Aegon ficou ainda mais alta e estridente, ecoando pelo espaço de Dragonpit enquanto ele se divertia com a cena.

Alyssane, ainda com os punhos cerrados, olhou para os sobrinhos, seus olhos transmitindo uma clara mensagem de que aquele tipo de comportamento não seria tolerado. Aemond permaneceu ao lado dela, a mandíbula apertada, mas com uma expressão de satisfação.

Alyssane, ainda com os punhos cerrados, olhou para os sobrinhos, seus olhos transmitindo uma clara mensagem de que aquele tipo de comportamento não seria tolerado. Ela então se voltou para Aegon, que ainda estava rindo descontroladamente.

— Aegon, pare de rir. — ordenou ela, sua voz carregada de autoridade. — Isso não é engraçado.

Aegon olhou para a irmã mais nova com um sorriso desafiador e, com um tom desdenhoso, respondeu:

— Relaxa, Alyssane. Não é para tanto.

Sem hesitar, Alyssane avançou em direção a Aegon. Com um movimento rápido e preciso, ela deu um soco no queixo dele. Aegon cambaleou para trás, surpreso, mas rapidamente recuperou o equilíbrio. Antes que ele pudesse reagir, Alyssane agarrou seus cabelos, puxando-os com força.

Aegon, sendo mais velho e maior, não ficou em desvantagem por muito tempo. Ele agarrou os cabelos prateados de Alyssane e com um movimento brusco, a tirou de cima dele. A força do gesto fez com que Alyssane fosse empurrada para trás, e ela caiu de cara no chão de asfalto do fosso dos dragões.

A queda fez um som abafado ao atingir o chão. Alyssane ficou momentaneamente atordoada, mas sua determinação não vacilou. Mesmo deitada, ela levantou a cabeça e lançou um olhar desafiador para Aegon, que agora estava de pé, com uma expressão de um misto de surpresa e raiva. O nariz de Alyssane estava ensanguentado, mas isso apenas aumentava sua determinação.

Ela se levantou com esforço, seu olhar fixo em Aegon e nos sobrinhos, pronta para atacar novamente, seja ele ou qualquer um que cruzasse seu caminho. A vontade de retaliar ardia em seus olhos, e ela se preparava para avançar, seu corpo tenso e pronto para o próximo golpe.

No entanto, antes que pudesse dar mais um passo, Aemond agiu. Sem dizer uma palavra, ele se lançou para frente e agarrou a mão de Alyssane. Com um olhar de determinação e preocupação, ele puxou-a para longe da confusão.

— Vamos. — murmurou ele, sua voz baixa, mas urgente.

Alyssane, ainda com a fúria pulsando em suas veias, hesitou por um momento, mas a força e a confiança de Aemond eram inabaláveis. Ela o seguiu, permitindo que ele a conduza pelos túneis sombrios e sinuosos do fosso dos dragões. A correria pelos corredores ecoava com o som de seus passos rápidos, enquanto eles se afastavam cada vez mais da área central onde a briga havia começado.

Alyssane, com o sangue ainda escorrendo pelo nariz e a adrenalina ainda pulsando em seu corpo, não falou nada. 

Quando os gêmeos dobraram uma esquina nos túneis do fosso dos dragões, depararam-se com uma visão inesperada. Diante deles, um dragão imponente e desconhecido estava agitado, suas escamas reluzindo à luz tênue das tochas. O dragão não era de Alyssane, nem de nenhum dos irmãos ou sobrinhos. Seus olhos brilhavam com uma fúria contida, e suas narinas soltavam fumaça, sinal de sua irritação. 

Aemond e Alyssane pararam abruptamente, os corações acelerados. O dragão, notando sua presença, lançou um rugido ameaçador e ergueu a cabeça, preparando-se para atacar. Em um instante de puro instinto, Alyssane agarrou Aemond e o puxou para o chão, salvando-os do jato de fogo que o dragão cuspiu na direção deles. As chamas passaram por cima de suas cabeças, iluminando o túnel com um brilho laranja intenso e deixando o ar denso com o cheiro de enxofre e cinzas.

Ainda deitados no chão, os gêmeos sentiram o calor passar e quando se atreveram a olhar novamente, viram que o dragão havia se acalmado um pouco, embora seus olhos ainda estivessem atentos a cada movimento.

Antes que pudessem se mover, ouviram passos apressados e vozes ao longe. Os cuidadores dos dragões, atraídos pelo som e pelo brilho das chamas, correram para a cena. Quando chegaram, imediatamente puxaram os gêmeos para longe do dragão agitado, que estava sendo acalmado por outros dragoneiros falando em alto valiriano.

— O que vocês estavam pensando? — um dos cuidadores exclamou, alarmado, enquanto ajudava Alyssane e Aemond a se levantarem. Ambos estavam cobertos de cinzas, as roupas sujas e os rostos manchados. Alyssane, especialmente, estava com o rosto sujo de sangue, misturado com a fuligem do fogo.

Os cuidadores rapidamente conduziram os gêmeos de volta para o castelo, onde os levaram diretamente à presença de Alicent. Quando a mãe os viu, duas figuras loiras cobertas de cinzas e Alyssane com o rosto ensanguentado, sua expressão mudou de preocupação para um misto de choque e alívio.

— O que aconteceu com vocês? — Alicent perguntou, a voz tremendo ligeiramente. Ela rapidamente se aproximou, examinando os filhos de cima a baixo, certificando-se de que estavam inteiros.

Alyssane e Aemond se entreolharam, ainda processando a aventura pelo túnel e o encontro perigoso com o dragão desconhecido. Enquanto Alyssane lutava para encontrar palavras, Aemond apenas balançou a cabeça, exausto e ainda sob o efeito do susto. As palavras pareciam desnecessárias naquele momento, pois a mãe já havia entendido a gravidade do ocorrido apenas pelos seus estados.

Um dos homens de Alicent, ainda ofegante pela corrida e pelo alvoroço, aproximou-se dela e, com um tom grave, explicou:

— Vossa graça, os filhos da princesa Rhaenyra pregaram uma travessura em Aemond.

— Malditos bastardos... — Alicent, já tensa, franziu o cenho e murmurou entre dentes. O guarda continuou, hesitante:

— Alyssane socou os dois filhos de Rhaenyra e também o irmão mais velho, Aegon. Quando Aegon reagiu, ela e Aemond correram pelo fosso dos dragões.

A expressão de Alicent mudou de preocupação para um misto de raiva e frustração. Ela se voltou para Aemond primeiro, a voz firme e autoritária:

— Aemond, eu já te falei sobre essa obsessão com os dragões. Veja no que resultou! Vocês poderiam ter sido mortos!

Então, seu olhar se dirigiu a Alyssane, os olhos duros com a desaprovação:

— E você, Alyssane, bater nos filhos de Rhaenyra e no próprio irmão, que é seu futuro marido? Isso não é comportamento de uma princesa!

Alyssane, com o rosto ainda manchado de sangue e fuligem, gritou em resposta, sua voz carregada de indignação:

— Eles deram um porco para Aemond!

Alicent ficou momentaneamente em silêncio, as palavras de Alyssane atingindo-a com força. Ela sentiu uma onda de compaixão e tristeza pelo filho, imaginando o quão humilhado ele deveria ter se sentido. No entanto, precisava manter a compostura.

— Isso é inaceitável — murmurou ela, sentindo-se terrivelmente mal pelo filho. Depois de um momento de reflexão, perguntou, tentando entender a origem do insulto: — Foi ideia dos filhos de Rhaenyra ou de Aegon?

Aemond e Alyssane se entreolharam, ambos balançando a cabeça em negativa.

— Nós não sabemos. — respondeu Aemond, a voz baixa, ainda afetado pela humilhação e o perigo que enfrentaram.

Alicent suspirou profundamente, sentindo o peso da situação sobre seus ombros. Ela sabia que a tensão entre as famílias só aumentava, e precisava encontrar uma maneira de proteger seus filhos e manter a paz, mesmo que temporariamente.

Voltando-se para os gêmeos, ela falou com firmeza:

— Vou conversar com Aegon e encontrar o responsável por essa afronta. Quem quer que tenha planejado essa crueldade será punido. Mas devo dizer que estou orgulhosa de vocês por cuidarem um do outro. — Ela hesitou por um momento, antes de murmurar quase para si mesma: — Aegon deveria ser mais unido a vocês, como vocês são entre si.

Alicent então endireitou-se e assumiu uma postura mais autoritária.

— Agora, vão tomar um banho e se limparem. Alyssane, você está coberta de cinzas e sangue.

Alyssane, ainda segurando firmemente o braço de Aemond, que continuava emburrado e quieto, deu um passo à frente. Alicent observou a cena por um momento e com uma expressão de leve desconforto, repreendeu:

— Não é para tomarem banho juntos. — A voz dela carregava um tom de advertência, mas também de preocupação.

Alyssane franziu o cenho, confusa com a repreensão. Ela olhou para a mãe, esperando uma explicação.

— Vocês não são mais crianças. — continuou Alicent, sua voz um pouco mais suave, mas ainda firme. — Aemond não deve vê-la de certas formas.

— Mas ele é meu irmão gêmeo e ele já viu antes. — protestou ela, a voz embargada.

Alicent olhou para os filhos com uma expressão de cansaço, mas também de amor.

— Eu sei, minha querida. Mas há coisas que mudam à medida que vocês crescem. É para o bem de vocês dois.

As palavras de Alicent atingiram Alyssane como uma bofetada. Ela se sentiu ofendida e injustiçada por não poder mais compartilhar momentos de intimidade e confiança com seu irmão gêmeo. Para ela, Aemond era uma extensão de si mesma, e a ideia de serem separados dessa maneira era dolorosa e incompreensível. Aemond, embora não expressasse seus sentimentos com palavras, parecia igualmente incomodado com a situação.

Com uma expressão mista de ofensa e tristeza, Alyssane soltou o braço de Aemond e, sem mais uma palavra, saiu da sala, caminhando rapidamente para seus aposentos. Aemond a seguiu, lançando um olhar furtivo para a mãe, que permaneceu em silêncio, observando-os parti para seus devidos aposentos.

Alicent, sentindo o conflito interno de seus filhos, suspirou novamente. Ela sabia que, embora tentasse proteger a inocência deles, estava também impondo limites que poderiam ser difíceis de aceitar. Mas, como mãe e rainha, acreditava que era seu dever guiá-los e prepará-los para o futuro incerto que se aproximava.

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