Offer me that deathless death

Preparem as lágrimas meu povo

Pode parecer cruel mas espero que chorem 🙃
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— Então, senhor… pai… por que a igreja fez essa convocação?

A curiosidade do porquê a igreja convocaria uma missa emergencial no meio da semana latejava em minha mente. Só poderia ter ocorrido um crime contra a igreja.

— Não sei dizer, Draco, estou tão confuso quanto você.

Seu tom era rígido, mas seu rosto tinha um sorriso enigmático; um leve medo me invadiu, eu poderia apostar minha já tirada pureza que meu pai tinha dedo nessa tal missa emergencial. Minha mãe nos esperava, sentada pomposamente na carruagem, seu vestido azul escuro ocupava metade do banco de couro de nossa locomoção.

— Vamos, logo a missa começará, espero que o padre não nos dê uma bronca por estar vestida com essa cor, Narcisa.

A mulher apenas empinou o nariz rudemente, me espremi no pequeno espaço que me sobrou no banco, com a bochecha pressionada contra o vidro frio da janela. O dia estava nublado e consideravelmente frio para o verão, um clima sombrio pairava no ar. O dia não parecia prometer algo bom. Assim que chegamos à igreja e nos acomodamos em nossos assentos de costume, engoli a seco quando percebi uma figura toda trajada em roupas pretas. Preto normalmente significava luto, mas às vezes a falta de cor dizia que algo nada agradável viria a acontecer.

Conforme as pessoas iam chegando e ocupando seus lugares, senti falta de uma cabeleira preta e bagunçada, o príncipe e sua família não estavam ali, e conforme o padre tomava sua posição para começar a falar, ficava claro para mim que eles não apareceriam.

— Caros fiéis que aqui estão, sinto muito em lhes tirar de suas casas e trabalhos em uma manhã de quarta-feira, mas fomos noticiados de um grave crime contra a igreja. E esperar até que nossa missa desta semana chegasse seria dar a oportunidade para que esse traidor saísse de nosso reino.

A voz nasalada do padre ecoava por toda a igreja, todos se olhavam incrédulos, se perguntando quem teria a coragem de trair a igreja e desafiar os grandes homens divinos. 
Por um momento meu coração gelou, as imagens de minha noite com o príncipe passavam como flashes, todos os toques e sensações revividos em uma memória. Será que? Não, tomamos cuidado, fomos muito discretos… não poderia ser, ou poderia?

— Hoje presenciamos um homem que desafiou Deus ao ter uma noite com um igual a ele, uma desonra para nosso reino.

Com um único movimento as portas de carvalho se abriram, parado ali, escoltado por guardas estava… o príncipe Harry. Fiquei  visivelmente tenso e quase engasguei ao ver as algemas presas nas mãos delicadas do moreno; sua postura era totalmente ereta e um certo orgulho adornava sua expressão. 

— Com vocês, Príncipe Harry James Potter, o traidor da igreja.

A voz grave e tranquila do bispo Snape anunciou, os guardas empurraram o garoto com violência, mas este não se abalou, andou com orgulho até o altar, cabeça erguida e olhos faiscando em desafio. Seguindo ele e os homens armados, vinham o Rei e a Rainha, ambos fingindo uma expressão de desgosto para o filho, mas eu conseguia notar o olhar preocupado da rainha Lily.

— Este garoto foi pego dormindo abraçado com um igual a ele na noite de 30 de novembro; não nos foi identificado o outro garoto, mas se o pegarmos, seu destino será o mesmo; no próximo domingo, ao entardecer, entregaremos este homem para o inferno.

Gritos de aprovação vindos de todo o clero encheram a igreja, meus olhos se arregalaram em desespero, iam matar o príncipe? Não… não poderia ser, ele é a merda do Príncipe! Como poderiam querer matar a merda do futuro monarca do país? 

Respira, Draco! Respira e não pira! 

Olhei de relance para meu pai, ele tinha um sorriso de escárnio em seus lábios, era como se ele estivesse se divertindo com a notícia. O príncipe se ajoelhou diante ao padre para receber sua sentença final, suas costas eretas e o joelho firme no chão. Nenhum sinal de que iria protestar, ele tinha se rendido tão fácil? Ele se entregaria à morte por… amar?

— Você, vossa alteza Harry James Potter, será jogado na fogueira e enviado direto ao inferno por tentar passar por uma ordem divina, será trancado nas masmorras do castelo real e só irá sair de lá para ser morto.

3 dias. Os últimos 3 dias de vida dele seriam em uma masmorra, sem ver ninguém. Meu coração apertou no peito com isso, eu não teria a chance de me despedir, e isso era… cruel.

Eu não consegui prestar atenção em todos os discursos do padre, eu só pensava que tinha de tornar aqueles 3 dias algo especial para o Harry, afinal ele estaria sendo morto por minha causa… por me amar.

A missa acabou até rápido, passei metade dela repassando planos para falar com o príncipe, mas todos eram falhos. Eu já tinha aceitado que só o veria quando ele fosse morto, não que fosse algo para se comemorar. Era algo para chorar e eu choraria na escuridão de meus aposentos, choraria a perda de um amor que eu não pude viver, um amor que seria melhor se não tivesse florescido...

Mas era um pouco tarde para eu me arrepender de ter entregado meu corpo e alma, uma noite de amor… parece um título de livro, um que a igreja com certeza iria proibir. O caminho de volta para casa foi regado por exclamações felizes de meu pai, ele dizia coisas confusas, entre elas, que iria me indicar para assumir o trono do príncipe, e essa pequena frase me fez despertar.

Eu? Assumindo o trono? Ninguém com o mínimo de cérebro iria deixar isso acontecer. A pessoa tinha de ser muito cega para olhar para mim e dizer: “Não, ele vai ser um rei perfeito". Eu quase consegui acreditar totalmente que se tratava apenas de um plano para me dar o trono. 

Mas eu sabia que nós tínhamos, de alguma forma, sido pegos.

Eu pensei pelo resto dos dias e noites que faltavam para a execução no fato de que eu não iria conseguir me despedir dele, todas as noites eu deixava lágrimas silenciosas rolarem pelo meu rosto, sonhei diversas vezes com seus gritos angustiados, a dor que ele devia sentir, não parei de imaginar a morte lenta e dolorosa que ele teria, e, por um breve momento… eu desejei estar no lugar dele.

Fui assombrado por esses pensamentos por toda manhã do fatídico dia, em questão de horas eu veria meu amor se sucumbir ao fogo. E estar aqui agora parado em meio a multidão, vendo os carrascos da igreja alimentando o fogo da gigantesca fogueira e sentindo o peso que a atmosfera carregava, era cada vez mais doloroso.

A cada segundo eu queria ainda mais estar ali, queria ser eu a morrer. Afinal, ele não podia morrer.

Meu pai, por sua vez, estava ao lado do padre, tentando conter seu sorriso satisfeito enquanto tinha seu olhar preso nas altas chamas.

Procurei ao redor qualquer sinal do príncipe e sua família, mas me parecia inútil passar os olhos pela multidão, era óbvio que eles não estariam ali na platéia. Eu duvidava até que a rainha estivesse ali, presenciar aquilo, para ela, devia ser muito agoniante.

Logo o sol começou a se pôr ao horizonte e, se possível, a atmosfera ficou ainda mais pesada, meu coração batia com força e os batimentos ecoavam em meus ouvidos fortemente.

— É chegada a hora, cidadãos, a execução do traidor. Tragam o garoto!

A voz grave de meu pai ecoou pela pequena praça, me trazendo arrepios, era tão ameaçador, era como se fosse comigo. De alguns metros à esquerda da grande fogueira surgiram três sombras, a menor delas era claramente o príncipe, que usava seus melhores trajes e exalava confiança, não parecia preocupado com a sua morte. Era como… se ele já estivesse conformado disso.

Dois carrascos empurraram o moreno até menos de um metro das chamas, se afastando um pouco para contemplar o pequeno corpo. De minha posição eu tinha uma boa visão do príncipe, e conseguia ver claramente seu rosto iluminado pelas chamas. Os vibrantes olhos verdes estavam opacos, eu tinha a leve impressão de que… ele já estava morto.

— O que estão esperando? Joguem o traidor nas chamas!

Novamente a voz de meu pai soou, mas mesmo assim ninguém se moveu, todos olhavam para o velho padre, este que observava as chamas com um interesse assustador. Passaram longos momentos sem que alguém produzisse ruídos. Todos davam total atenção para o padre.

— Joguem.

O padre falou, a voz baixa o suficiente para quase não ser escutado.

Minha garganta se fechou por instantes, enquanto observei os dois carrascos empurrarem com violência o corpo magro, que cambaleou por alguns instantes antes de tombar para frente, diretamente nas chamas altas.

O grito agonizante preencheu o ar, a dor era palpável no som, o sofrimento era claro, mas apenas aquele grito soou. Um único e doloroso grito. Ele estaria sempre gravado em minha mente, a dor do som estava cravada em meu coração, a dor dele se tornando a minha também.

Minha respiração falhou enquanto observei o corpo que eu desejava, o corpo para o qual eu me entreguei, ser consumido pelas chamas.

Lágrimas brotaram em meus olhos, mas me obriguei a segurar elas, eu não deveria chorar, não na frente de todas aquelas pessoas.

Mas em poucos segundos tudo que eu amei se desfez.

Ele morreu. De forma cruel. Morreu porque me amava. E eu… deveria morrer por lhe amar de volta.

Junto com ele meu coração morria lentamente, como se estivesse sendo queimado junto a pessoa que lhe conquistou. 

A dor preenchia meu corpo, eu o amava, mas nunca tive a oportunidade de dizer isso, aquelas três palavras nunca saíram de minha boca e agora estavam sufocadas em meu coração.

Porque o que tínhamos era proibido. Mas eu amava o proibido e ainda vou amar ele. Porque para mim ele nunca vai morrer, sempre vai estar ali, sorridente, me beijando e me tocando com devoção.

Ele sempre estaria no meu coração.

Para sempre.

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E esse é o fim!!!

Desculpa se choraram viu

E vou agradecer a missugarpurple por betar essa tristeza . A psychocover pela capa incrível e ao dezdrarry por me dar a chance de participar desse projeto maravilhoso.

A próxima fic de hoje é uma one chamada Kics or kisses da RedWidowB , leiam tá gente!

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