Trintaequatro

Trintaequatro

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"[...] Fora meu amor, meu amor como nunca antes fora. Eu iria embora, eu vou embora, é a última semana, tudo é fim e você também. Mas vou naquele abraço, naquela solitude perturbada por nós, na tua voz, na falta, tanta, tanta falta. Pela primeira vez, apreciei uma despedida, amei uma despedida, logo a tua despedida achei de querer bem. Porque era você. Queria fazer-te entender que será sempre você, por toda a vida. Se ainda não se deu por conta nesse trecho, a essa altura... não pelos incontáveis eu te amo, tão breves e vazios, falo desse meu jeito de te contar o que já se passou, das minhas tentativas de reviver e tornar sólido os minutos que passo contigo ou com alguma coisa tua, seja uma palavra ou a tristeza por compreender que tu ou teu abraço jamais serão meus e, um dia, vai haver dele sequer ser repetido. Se essa minha inquietação não te inquieta junto e se descrer das coisas que digo, achando que são elas temporárias e ilusórias, talvez eu devesse desistir de tentar ordenar alguma coisa nessas folhas. [...]"…

Aquários

Aquários

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Gregório é um homem frustrado com sua atual vida. Sempre sonhou grande e, contrariando as suas expectativas, encontra-se na mesma cidadezinha que cresceu, no interior de Minas Gerais, casado com a viúva de seu irmão, a quem ele tem profunda aversão, e tendo como filhos seus dois sobrinhos outrora órfãos. Por trás da figura de bom homem que ele persiste em repetir a todos, inclusive à família que detesta, há um detalhe inconveniente em seu passado: ele e o seu falecido irmão dividiram uma mesma mulher pobre, que teve uma filha sem identidade paterna definida. Dezesseis anos depois, Melinda, já crescida, retorna à cidade sem saber que o influente Gregório é, na verdade, alguém de seu próprio sangue. A aproximação que o homem força entre ele e Melinda os coloca em uma relação tensa e impremeditável, que Gregório conta em seu diário.DadosNº de palavras: 78.352Nº de páginas (A4): 286…

Rua dos Aimorés, Nº16

Rua dos Aimorés, Nº16

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Maria Idalina possui as feições e os modos que se espera e se encontra em toda mãe e mulher na altura de seus cinquenta e cinco anos. Das rosas no interior de Minas foi ao concreto da São Paulo dos anos 60, onde construiu seu casório, teve dois filhos, netos e um terraço repleto de plantas, tudo enquanto perpetuou-se contida e recatada em suas particularidades íntimas e inexistentes aos que a cercam. Um dia, no entanto, é informada da morte de G., o único homem a quem amou e que fez questão de forçar o esquecimento em anos de repressão e negação do passado. Porém, com o falecimento de G. as distrações, que outrora a levavam para longe de sua história, se tornam insustentáveis, o que a instiga a submergir em sua infância, adolescência e mocidade - períodos sempre tão bloqueados por ela -, carregando-a a dolorosos vislumbres e conclusões.DadosNº de palavras: 36.885Nº de páginas (A4): 145…