_ᴏ ᴄᴏʟᴇ́ɢɪᴏ ᴅᴇ ᴅᴇᴍɪs_

O silêncio que se seguiu à partida da jovem foi esmagador. Kaito ficou ali, imobilizado pelas cordas, tentando processar as palavras que ecoavam em sua mente. "Híbrido... Demi..." Ele repetia para si mesmo, como se pudesse entender algo que ainda estava obscuro. Mas a confusão só aumentava. Ele era um Demi, um híbrido entre humano e sobrenatural? Como isso era possível? E o que ele faria agora?

A dor nas suas mãos e pés, onde as cordas estavam apertadas, o fez se concentrar no presente. Ele precisava sair dali, descobrir onde estava, e entender o que estava acontecendo com ele. Mas, ao tentar se mexer novamente, uma sensação estranha o invadiu. Algo em seu interior parecia se aquecer, como uma energia pulsando sob sua pele, e, por um momento, ele teve a impressão de que algo invisível estava ao seu redor, como se o ambiente ao seu redor tivesse mudado sutilmente.

Kaito respirou fundo, tentando controlar a ansiedade. Ele se forçou a não ceder ao pânico. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas precisava descobrir. Tentou, mais uma vez, puxar as cordas, e dessa vez, algo aconteceu. Um estalo baixo e as cordas se romperam, como se tivesse ganhado força de algum lugar dentro de si.

Surpreso e ofegante, Kaito caiu no chão de maneira desajeitada, mas logo se levantou, seus músculos ainda doloridos. Ele olhou ao redor, vendo o ambiente frio e metálico que o cercava. Não havia portas visíveis, apenas paredes lisas e sem janelas. O único som que se ouvia era o som de sua respiração.

Ele avançou em direção à porta, que estava entreaberta. Seus passos ecoaram nas paredes vazias, e ele se viu em um corredor estreito, iluminado por luzes fracas. Ao olhar ao redor, nada parecia familiar. Ele estava perdido. Mas algo dentro dele, aquela energia estranha que ainda pulsava em suas veias, o fez continuar caminhando. Ele sentia que havia algo mais, algo que o guiava, mas ao mesmo tempo o afastava da sua antiga vida.

O corredor parecia interminável, e Kaito se perguntava se seria possível encontrar uma saída, ou se estava preso ali para sempre. Foi quando ele ouviu uma risada suave, quase inaudível, mas definitivamente real. Ele parou imediatamente e olhou para os lados, tentando identificar a fonte. A risada parecia vir de trás de uma porta fechada. Curioso, Kaito se aproximou, mas, antes que pudesse tocar a maçaneta, a porta se abriu por conta própria.

Dentro da sala, uma figura estava deitada sobre uma mesa, aparentemente despreocupada. A figura se levantou rapidamente ao ouvir os passos de Kaito, seus olhos brilhando com uma intensidade sobrenatural. Era um garoto jovem, com cabelos prateados e uma expressão travessa, mas havia algo no ar que o fazia parecer perigosamente sério.

“Você deve ser o novo,” disse ele com um sorriso irônico, cruzando os braços. “Bem-vindo ao Colégio de Demis, onde seus pesadelos começam de verdade.”

Kaito tentou se recompor, encarando o jovem com desconfiança. “O que é esse lugar? O que estão fazendo com a gente?”

O garoto prateado riu novamente, mas dessa vez havia uma sombra em seus olhos. “Você ainda não entende, não é? Não é só um lugar para aprender... é uma prisão. E nós, os Demis, somos os prisioneiros. A diferença é que, no final, somos também os guardiões.”

Kaito franziu a testa, confuso, tentando juntar as peças. Guardiões? Do quê? Mas antes que pudesse perguntar mais, o garoto já estava se afastando, indo até uma mesa onde diversos livros estavam espalhados. Ele pegou um deles e entregou a Kaito.

“Aqui,” disse ele com uma expressão séria. “Este é o seu manual de sobrevivência. No Colégio de Demis, você vai aprender a controlar sua... condição. Se não aprender, será destruído. E não pense que escapar é uma opção. Porque a verdade é que, Kaito, não há saída.”

Kaito olhou para o livro nas mãos, sentindo o peso das palavras do garoto se instalarem dentro dele. "Manual de sobrevivência." Ele não sabia o que estava mais assustador: a ideia de ter que aprender a controlar algo desconhecido dentro de si, ou a ameaça implícita de que, se não conseguisse, ele seria destruído.

O garoto observava Kaito com um sorriso enigmaticamente enigmático, mas logo se virou para a porta. “Agora, vamos, você tem muito o que aprender. Não há tempo a perder.”

Sem mais explicações, o jovem saiu da sala, deixando Kaito sozinho com o livro. Ele respirou fundo e abriu a capa, sentindo que sua vida, de alguma forma, estava prestes a mudar para sempre.

Kaito ficou parado por um momento, a capa do livro ainda em suas mãos, tentando processar as palavras do garoto. “Não há saída.” Aquilo ressoava em sua mente como um eco distante. Ele queria acreditar que estava enganado, que havia alguma chance de escapar, de voltar para sua vida anterior, mas a realidade estava começando a se formar ao seu redor, e era uma realidade muito diferente do que ele conhecia.

Ele olhou para o livro com mais atenção. O título estava gravado em letras prateadas, quase invisíveis contra o fundo preto. Manual de Sobrevivência para Demis. Kaito sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele se perguntou o que mais poderia estar dentro daquele livro, mas, ao mesmo tempo, sabia que precisava entender. Precisava saber o que estava acontecendo com ele.

Sem hesitar mais, Kaito abriu a primeira página.

As palavras estavam escritas de forma clara, mas as frases pareciam ter um tom sombrio, como se o próprio papel estivesse carregando um aviso. “Os Demis são híbridos entre humanos e seres sobrenaturais. A transformação pode ocorrer de diversas maneiras, mas sempre é dolorosa. Quando você se torna um Demi, há uma perda. Você perde algo de sua humanidade. O processo de adaptação é intenso, e a única forma de sobreviver é aceitar o que você é e aprender a controlar seus novos poderes.”

Kaito se arrepiou. Poderes. Aquilo parecia irreal. Ele tentou se lembrar do que aconteceu, mas as lembranças estavam distorcidas, como se tudo tivesse sido apagado por algo. Ele sentia uma pressão no peito, como se uma parte de sua essência estivesse em conflito com essa nova identidade.

“Controle, Kaito,” ele murmurou para si mesmo, tentado entender o que o livro estava tentando explicar. Mas, antes que pudesse continuar, ele ouviu passos na direção da porta.

A jovem de cabelos escuros entrou novamente na sala. Ela não parecia surpresa por vê-lo folheando o livro, mas seu olhar era mais penetrante desta vez, como se estivesse analisando cada movimento dele. “Já começou a entender?” Ela perguntou, sua voz calma e quase desinteressada. “O manual não vai te dar todas as respostas. Ele só vai te mostrar o caminho, mas é você quem precisa percorrê-lo.”

Kaito olhou para ela, sentindo uma mistura de raiva e confusão. “O que você quer de mim? Você diz que sou um Demi, mas eu não sinto nada diferente... ainda. E esse lugar? O que diabos é o Colégio de Demis?”

Ela deu um passo à frente, sem demonstrar nenhum sinal de hostilidade, apenas uma calma inquietante. “O Colégio é onde todos os Demis são treinados. É onde aprendemos a controlar nossos poderes, para que possamos viver com eles... ou, se não formos capazes, sucumbir. Alguns de nós têm mais facilidade do que outros.” Ela fez uma pausa, como se ponderasse algo. “Eu sou um exemplo disso.”

“E por que você está aqui?” Kaito perguntou, a dúvida ainda estampada no rosto. “O que você tem a ver com isso?”

Ela olhou para ele com uma leve tristeza nos olhos. “Eu fui como você, Kaito. Inicialmente, eu também não entendi. Eu também não queria acreditar. Mas a verdade é que não há escolha. Os Demis não têm uma vida normal. E, no final das contas, o Colégio é a nossa única chance de sobreviver... e de não ser uma ameaça para o mundo lá fora.”

Kaito engoliu em seco. “Mas o que somos? O que se espera de nós?”

Ela olhou para o teto por um momento, como se estivesse lembrando de algo distante. “Você não é mais humano, Kaito. Não da maneira que você conhece. No momento em que o experimento foi realizado em você, algo mudou. E esse ‘algo’ pode ser tanto uma maldição quanto uma bênção. Aqui, você aprenderá a controlar isso... ou morrerá tentando.”

O impacto das palavras dela caiu pesado sobre Kaito. A ideia de que ele já não era mais humano, de que havia sido transformado em algo diferente, algo sobrenatural, não fazia sentido. Mas a seriedade no rosto dela não deixava espaço para dúvidas.

"Você está dizendo que estamos aqui para ser controlados e depois usados?" Kaito perguntou, sua voz carregada de incredulidade.

Ela olhou para ele, mais uma vez com aquele olhar distante e enigmático. “Sim. Mas não somos apenas ferramentas. Temos um propósito... e, no fundo, isso é o que nos mantém vivos. Somos mais do que simples experimentos, Kaito. Mas, para entender isso, você vai precisar ir além do que está aqui, do que conhece. Só assim poderá encontrar seu caminho.”

Ele olhou para o livro em suas mãos, agora com mais cautela. Ele não sabia o que o aguardava, mas tinha a sensação de que estava prestes a mergulhar em algo muito maior do que ele jamais imaginou.

“Você vai começar o treinamento amanhã”, ela disse, quebrando o silêncio. “Prepare-se, porque nada será como antes. O que você aprenderá aqui vai mudar sua visão de mundo para sempre. E a verdadeira prova começa quando você enfrentar o seu próprio reflexo.”

Ela se virou para sair, mas parou por um momento, olhando por cima do ombro. “Ah, e Kaito... cuidado com quem você confia aqui. Nem todos têm boas intenções.”

Kaito ficou sozinho na sala, o peso das palavras dela esmagando seus pensamentos. Ele não sabia o que estava prestes a enfrentar, mas sabia que, de alguma forma, sua vida já havia tomado um rumo irreversível. O Colégio de Demis não era apenas uma prisão física; era uma prisão mental, onde ele teria que aprender a controlar uma força desconhecida dentro de si.

O medo e a curiosidade se misturavam em seu peito, e ele sabia que, ao amanhecer, sua verdadeira jornada começaria. E ele não tinha escolha a não ser seguir em frente.

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