3 DE JANEIRO DE 2016
–Alunos, o diretor Gregory precisa tratar um assunto com vocês. -o sr. diretor entrou em passos largos, sua expressão fria e seus olhos com um tom de amargura demonstravam o quanto aquela situação era triste.
–Como vocês já devem saber, Cassandra Ainsworth sofria de problemas mentais, era uma menina doce, que precisava de muitos cuidados. Mas, infelizmente, essa instituição foi cega demais para não notar o que vocês, alunos, fizeram com a pobre garota. Eu resolvi encobertar o vídeo, a ponto de proteger crianças! A ponto de proteger vocês de casos policias e judiciais! Mas vejo que isso não adiantou de nada! Cassandra Ainsworth sofria Bullying e cyberbullying... e sabe o que mais me enoja? O que mais faz eu me sentir culpado?! É que foram os seus próprios colegas de classe que fizeram isso. -o diretor falava com dor, amargura. Suas expressões eram de sentimentos mistos, o que me fazia duvidar aonde ele iria chegar – Vocês conseguiram, Cassandra Ainsworth esta morta. -nesse exato momento toda a sala congelou, todos os entreolhares eram de pena, piedade, culpa. Mas, o que adianta chorar pelo leite derramado?
1 ANO ANTES
Domingo, 3 de janeiro de 2016
Ontem não foi um dia muito bom, diário. Eu estava caminhando no parque, como faço todo final da tarde. Estava tudo tranquilo, as brisas batendo nas flores fazem eu me acalmar... O céu estava em um lindo tom alaranjado, que de repente foi mudando para cinza. Nuvens escuras começaram a tomar conta de todo o céu, a temperatura foi diminuindo e eu já sentia as frias gotas de água tocarem na minha macia pele. Eu comecei a entrar em desespero, chuvas não me trazem boas lembranças. Comecei a correr desesperadamente a caminho da minha casa, mas tudo começou a ficar borrado novamente, eu tinha esquecido dos meus remédios! Comecei a chorar compulsivamente e senti olhares em mim, em todos os lugares, todas as pessoas olhavam pra mim, elas riam de mim. As risadas estéricas em minha cabeça começaram a aumentar e eu já não conseguia me mover. Eu estava presa em um beco em minha própria mente! Eu me sentia sozinha, vulnerável, fraca. Eu batia com força em minha cabeça pedindo mil vezes para que aquilo não passasse de um pesadelo.
Eu me encostei em uma parede, escorregando até o chão apoiada na mesma, eu não tinha forças, minha boca estava seca e eu não sentia mais minhas pernas. As vozes começaram a se cessar e foram mudando para gritos, gritos da minha mãe. Lembranças do meu passado começaram a aparecer em minha mente como flashbacks.
Gloe, New York.
Quarta-feira, 2 de fevereiro de 2010
Eu tinha acabado de chegar da escola, eu ainda não tinha descoberto minha doença, ninguém tinha. Entrei em casa e joguei minha mochila em qualquer canto da sala, fui diretamente para o banheiro, estava apertada desde que fui para a escola. Comecei a fazer minha higiene e quando eu estava mais do que concentrada eu ouço gritos e pedidos de socorro abafados. Como se alguém estivesse sendo sufocado. Terminei de fazer minhas higienes a pressa e sai do banheiro a procura de onde vinha esse som. Parei na porta do quarto dos meus pais, a porta estava quase fechada, havia um espaço, o mesmo que eu usei para observar o que estava acontecendo. Meu pai estava preso na cama, ele se contorcia e tentava gritar, o som saia abafado pelo fato de ter uma sacola em volta de sua cabeça. O que estava acontecendo? Minha mãe estava em cima de uma cadeira enquanto amarrava uma corda no teto.
"Porque ele fez isso? Meu marido parecia um homem tão feliz." Ela dizia coisas do tipo, fingindo chorar, enquanto continuava seu trabalho em amarrar a corda. Quando finalmente conseguiu, o corpo de meu pai não se debatia mais em cima da cama, procurando por ar, os movimentos tinham parado, e eu não conseguia notar sua barriga se mexendo em sinal de respiração. Minha garganta se fechou e eu senti vontade de chorar, mas o sentimento passou quando eu vi minha mãe arrastando o corpo do meu pai, colocando seu pescoço entre a corda, soltando logo em seguida, quem olhasse aquela cena, pensaria que meu pai cometeu suicídio. Minha mãe começou a gritar me forma de desespero, o que ela tinha acabado de fazer? Eu não sei, mas foi ai que eu tive meu primeiro surto.
Domingo, 3 de janeiro de 2016
Eu ainda não entendo o porque de minha mãe ter feito aquilo, diário, mas eu ainda assim a amo, muito. E o segredo dela esta guardado dentro de mim.
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