28. For The Last Time

Cooper

Desde que Helen fora embora de casa, nos deixando num clima superestranho dentro de casa, eu me via pensando na possibilidade de que, no fundo, talvez o divórcio dos meus pais fosse a melhor opção para eles dois.

Mas todas as vezes em que eu tentava me aproximar da minha mãe para conversar, e ela percebia que eu queria falar sobre o casamento morto dela, a única coisa que eu recebia era uma desculpa esfarrapada para adiar a conversa e prorrogar um pouco mais a dor.

Eu me perguntava se ela não conseguia enxergar que estava presa numa situação quase tão perigosa quanto a que estive anos antes. Aquele relacionamento sustentado por mentiras e por dor só faria com que sua mente fosse colocada sobre uma peneira, sendo espremida até que toda a sua sanidade fosse drenada pelos furinhos, a deixando com uma existência seca e vazia.

Dei uma boa olhada na tela sobre o cavalete, abrindo um sorriso fraco quando percebi que já poderia aplicar algumas outras cores para fazer a mistura e o gradiente. Eu decidira pintar ondas verdes com toques azulados para o quadro que ficaria na sala dos Carters, Helen tinha me dado a liberdade de fazer o que eu pensava que combinaria com eles e não precisei me esforçar muito para chegar àquela conclusão. Ondas verdes pareciam combinar muito bem com cada um deles.

Demorei três longos dias para conseguir concluir o esboço e a coloração base, especialmente porque as cores de tinta que eu tinha não eram, exatamente, do tom que eu queria. Precisei misturar algumas cores até chegar em uma que me agradasse e o rumo que aquele quadro estava tomando definitivamente me agradava.

Me lembravam os olhos de Daniel, mas, ao mesmo tempo, o senso de humor de Sebastian, a perseverança de Helen, o sorriso de Mark e a astúcia de Andrew. Aquelas ondas falavam mais do que palavras poderiam descrever, mesclando o movimento com a espuma densa que se formava em algumas partes.

Minha família não era como ondas cristalinas e verdejantes, diferente deles, nós éramos como uma pequena ilha enfrentando um terrível território. A qualquer momento, o chão poderia ruir sob nossos pés, as paredes estavam sacudindo e tudo estava prestes a desmoronar.

Eu não deveria me sentir mal ou chateada com aquilo. Coisas acabavam. Tudo precisa de um ponto final, mas eu não queria que meus pais precisassem passar por um fim trágico como um divórcio catastrófico. De alguma forma, era duro aceitar que não existia amor entre eles, porque, um dia, eu acreditei que existiu.

A campainha tocou, me trazendo de volta para a realidade. Eu estava sozinha em casa, então não tinha como simplesmente ignorar quem quer que estivesse do lado de fora, porque minha mãe não ia magicamente aparecer ali e atender a visita.

Esfreguei as mãos sobre o pano manchado de tinta, limpando as pontas dos dedos antes de sair do meu cantinho e atravessar a sala de casa.

Torneei os dedos ao redor da maçaneta e a abrir sem conferir quem estava ali, dando de cara com os olhos cor de chocolate de Adalia, contornados por cílios longos e cheios. Sua pele aveludada brilhava abaixo da luz do sol, que invadia a varanda. Seus lábios grossos se curvaram em um sorriso não muito contente.

— Hã... — Engoli em seco, tímida. — Oi...

— Posso entrar? — Perguntou, colocando as mãos para dentro dos bolsos de sua jardineira.

— Ah... Claro... — Abri espaço para que ela entrasse.

Cautelosamente, ela colocou um pé após o outro para dentro de casa, seu cabelo cheio e volumoso balançou por seus ombros quando ela girou sobre os pés para se virar para mim novamente. Eu não queria olhá-la de volta e fingir que as coisas entre nós duas estavam completamente bem, porque não estavam.

Tranquei a porta da frente novamente, caminhando rapidamente na direção do escritório do meu pai com Adalia ao meu encalço. Passei pelas estantes de livros e empurrei a porta da minha saleta de pintura, pegando novamente o pincel e o godê, molhando a ponta das cerdas na tinta escolhida e me prendendo em alguns detalhes vastos.

Adalia puxou a única cadeira que eu mantinha ali dentro, toda manchada de tinta, e sentou-se ao contrário, apoiando os braços no encosto e passando as pernas pelas laterais. Ela apoiou o queixo nas mãos, seguindo meus movimentos com os olhos.

— Acho que a gente precisa conversar — Ela rompeu o silêncio e eu estreitei os olhos para o pequeno detalhe que eu salpicava com a ponta do pincel. — Eu sei que pisei na bola, Allison... E eu sinto muito por isso!

Parei tudo o que eu estava fazendo apenas para pousar meus olhos sobre ela. Baixei o pincel, temendo fazer alguma bagunça no quadro, e respirei fundo.

— Não quero estragar nossa amizade por um deslize meu. Eu não pensei que fosse te chatear tanto, eu não sabia que era tão importante para você!

Levantei uma das minhas sobrancelhas, incrédula, e ela soltou o ar lentamente pelos pulmões, pendendo os braços para longe do rosto.

— O.k., eu sabia que era muito importante pra você, mas não pensei nas consequências... — Ela baixou a cabeça, empurrando seus exuberantes cachos para trás. — Eu fiquei tão empolgada com a ideia de que você e o Carter pudessem conversar melhor e arrumar as coisas que não pensei em mais nada, eu só queria, sei lá, te dar o empurrãozinho que pensei que estivesse faltando!

Apertei os lábios, limpando o pincel e o abandonando dentro do copinho. Repousei meu godê sobre a mesinha ao meu lado, contornando-a logo em seguida. Apoiei uma das mãos na beirada, tamborilando os dedos nervosamente sobre a superfície de madeira.

Adalia podia ter feito aquilo com a melhor das intenções, mas ainda era uma mentira, ela ainda tinha me feito acreditar que estava prestes a realizar um dos meus maiores sonhos e, logo em seguida, precisei jogar todas as expectativas que tinha criado no lixo.

— Sei que você não fez por mal, e por isso eu te perdoo, mas... — Baixei a cabeça, empurrando meu cabelo para trás da orelha. — Poxa, Ada, você podia ter simplesmente me contado a verdade desde o começo!

Ela mordiscou o lábio inferior, levantando as sobrancelhas e passando os dedos pela testa.

— Pensei que se eu dissesse, você simplesmente não iria!

Bati as mãos nas pernas, irritada.

— Adalia, é do Daniel que estamos falando!

Ela riu abafado. Ela sabia bem que, quando se tratava do Daniel, eu provavelmente não pensaria duas vezes antes de poder falar com ele. Tinham sido cinco longos anos longe do cara com quem eu descobri o que era amor, se tinha uma coisa que eu realmente não recusaria era sair com ele novamente.

— E como foi? — Ela levantou os olhos, curiosa.

Segurei o godê com força entre os dedos, fixando os olhos novamente no quadro. Eu conseguia enxergar todo aquele turbilhão, toda aquela imensurável quantidade de poder que a água do mar tinha quando olhava em seus olhos.

— Foi legal. Tipo... Muito — Eu ri, meio sem graça. — E depois a gente... Bom, a gente passou um pouco da linha!

— Sem chances, e aí? — Empolgada, ela alargou o sorriso, empurrando a cadeira para mais perto de mim. — Vocês estão juntos, então?

Respirei fundo lentamente antes de passar o pincel novamente sobre a tela da pintura. Balancei a cabeça de um lado para o outro lentamente, negativamente, o que fez o sorriso de Adalia desaparecer no mesmo instante.

Eu queria poder dizer que estava junto dele novamente, que nós tínhamos voltado a ser uma coisa só, mas não era tão fácil quanto eu queria que fosse. Escolher entre a estabilidade e segurança e a incerteza de ir com ele para o Michigan não era nada fácil.

— Por quê?

— Ele me chamou pra morar com ele — Continuei, os olhos estreitados para o quadro.

— E isso é algo ruim? — Ela franziu o cenho.

Neguei com a cabeça, não era algo ruim, muito pelo contrário, era algo que me fazia sentir nas nuvens com a possibilidade de tê-lo ao meu lado todos os dias. Mas também não era algo tão bom assim.

— Eu ainda tô apavorada com a ideia de ir com ele — Sorri fraco, cabisbaixa.

O rosto de Adalia transformou-se em um furacão de melancolia, sugando toda a energia ao redor para dentro de seus olhos, que se fixaram nos meus.

— Então vai deixá-lo ir embora depois de tudo...? — Seus ombros estavam tensos e seus olhos, afiados.

Apertei o cabo do pincel com força. Eu vou deixá-lo ir embora depois de tudo...?

Eu sabia que o nosso amor era mais real que o ar que corria por meus pulmões, mais palpável que minha própria pele e mais intenso que a erupção de um vulcão, tinha plena consciência de que tudo o que vivemos não era algo fácil de ser descartado ou deixado para trás. Daniel e eu passamos por poucas e boas um pelo outro, e todas as vezes em que me lembrava de cada um dos nossos momentos, meu coração doía.

Quando éramos mais novos, a minha incerteza, o meu medo e a minha dependência emocional em Miles o empurrava para longe, mas também o arrastava para o fundo do poço comigo, e eu não queria mais machucar o coração dele, eu preferia o repelir para longe do que arrastá-lo para o fundo do poço novamente, porque Daniel iria até o inferno, se fosse preciso.

Sabia que se eu não conseguisse arrumar coragem para ir com ele, tudo o que me restava fazer era desaparecer da vida dele de vez, porque sabia que não seria fácil.

— Eu não quero deixá-lo ir embora... — Confessei, suspirando pesadamente.

Adalia apertou os dedos ao redor do encosto da cadeira de madeira, ela não era capaz de entender, pra ela, talvez, a resposta fosse muito simples, mas eu não era Adalia.

— Do que você tem medo, exatamente? — Ela levantou uma das sobrancelhas.

— Das coisas darem errado, de desistirmos um do outro. Sei lá. Eu só não quero que o que nós dois vivemos seja estragado...

Os olhos de Adalia se tornaram quentes como brasa ardente, era como se, a qualquer instante, ela fosse arremessar a cadeira na minha cara.

— Já parou pra pensar que talvez você que esteja estragando as coisas entre vocês dois? — Perguntou, ácida, e eu baixei os olhos.

Soltei o ar lentamente pelas narinas, encarando meus pés cravados no tapete que protegia o chão da tinta que respingava. Ela estava certa e eu sabia daquilo, se eu quisesse que as coisas dessem certo para mim e para ele, eu tinha que dar o braço a torcer para algumas mudanças, não podia ficar presa para sempre no medo de arriscar.

Mas e se, ainda assim, não for suficiente para mim?

A campainha tocou novamente e eu bufei, frustrada. Nada me deixava avançar na pintura, o dia inteiro parecia conspirar contra a conclusão do quadro.

Repousei o godê e o pincel na mesinha ao meu lado e saí em disparada na direção da porta da frente, deixando Adalia para trás. Eu não estava estressada, não o suficiente para abrir a porta e mandar quem quer que estivesse do outro lado para o inferno, mas não significava que eu estivesse supercontente de parar a pintura do quadro a todo instante.

Escancarei a porta no mesmo instante em que meus dedos tocaram a maçaneta metálica, permitindo a brisa fria invadir meus pulmões e empurrar meu cabelo para trás.

Dei de cara com seu peitoral coberto por uma camiseta cinza e um casaco preto de um tecido que imitava couro. Subi meus olhos por seu pescoço, memorizando a textura de sua pele e como ela se parecia ainda mais macia abaixo da luz do sol refletida pelas janelas da frente, contornei seu maxilar antes de encontrar os primeiros fios de cabelo que escapavam por detrás de sua orelha.

Ele virou o rosto para mim, seus olhos verdes ainda se pareciam com um oceano turbulento e assustador. Ah, se alguém fosse capaz de desbravá-lo.

As ondas frias que se chocavam contra a costa do continente eram como violentas mensagens de aviso. "Você pode se afogar aqui, não entre!", mas eu queria entrar.

Queria colocar meus dois pés na água até que cobrisse meus tornozelos, queria sentir a corrente me puxar rapidamente para o meio do nada, para longe da costa, queria que o ar faltasse em meus pulmões até sentir que minha cabeça explodiria com a falta de oxigênio vagando para o meu cérebro, porque assim eu teria certeza de que não teria mais volta para nós dois.

— O que tá fazendo aqui? — Perguntei, apertando os dedos na beirada da porta.

— A gente precisa conversar! — Daniel rebateu rapidamente, a voz um tanto impaciente.

Antes que eu pudesse reagir, seus dedos invadiram os meus e ele me puxou para dentro de casa, fechando a porta atrás de nossos corpos. Sentei-me na mesa de centro da sala, ficando de frente para ele, que se sentou na poltrona.

Aquele olhar...

Daniel não era um cara muito difícil de se assustar, assistir filmes de terror com ele podia ser um verdadeiro pesadelo, já que ele passava dias sem conseguir dormir direito, mas não era como se ele estivesse com medo de algo, ele estava com medo de mim.

Enquanto eu procurava seus olhos, tentando os manter sobre os meus, ele fugia como um felino assustado e acanhado. Sua perna balançava incansavelmente para cima e para baixo, como sempre fazia quando a ansiedade parecia mais difícil de controlar do que deveria. Ele entrelaçou os dedos e apoiou os cotovelos nas pernas, se curvando para frente, ficando com o rosto mais perto do meu.

— Se for sobre a resposta do que você me perguntou outro dia... Eu...

— Não é isso — Ele me atravessou, eufórico.

Seus olhos se levantaram para a porta do escritório e eu me virei para olhar também. Adalia estava apoiando o ombro no batente, nos encarando por cima, como se estivesse analisando cada um dos nossos movimentos.

— Oi, Carter — Ela abriu um sorriso.

Ele ergueu uma das sobrancelhas e gesticulou com a mão para que ela saísse o mais rápido possível. Adalia revirou os olhos, frustrada, sabia que ela queria ver o que resultaria de tudo aquilo, qual era o assunto pendente daquela vez, mas algo me dizia que era sobre algo muito maior do que nós dois.

A garota girou sobre os pés e voltou para dentro da minha sala de pintura, nos deixando sozinhos de vez.

Seus olhos se prenderam nos meus, finalmente, e, por um instante, me senti aliviada por tê-los novamente sobre mim. Ele engoliu em seco, fazendo seu pomo de adão subir e descer, segurando minhas mãos firmemente entre as suas.

— Qual o problema, Daniel? — Tensionei os dentes, sentindo um calafrio correr por todo o meu corpo.

Ele umedeceu os lábios com a língua e apertou meus dedos entre os dele. Eu queria poder me sentir feliz por ter minhas mãos nas dele, mas tudo o que conseguia sentir era medo. Medo de ter estragado tudo, medo de ele ter desistido de nós.

— Acho que vi seu pai com outra mulher, no domingo...

As palavras dele acertaram a minha cara como um caminhão desenfreado e desgovernado que sacudia na estrada antes de acertar uma árvore desavisada. Não conseguia reagir, sentia como se meus ossos fossem derreter, minhas juntas doíam e meu coração se retorcia no peito.

Não deveria doer daquele jeito, eu não era mais criança, o relacionamento dos meus pais não me dizia respeito, eu tinha que cuidar da minha vida. Eu não estava triste ou irritada, eu estava decepcionada, e a decepção tem um gosto horrível, ela não tem um gosto bom do início ao fim, é diferente da vingança, que começa doce e depois se torna amarga. A decepção é como mastigar uma pimenta surpresa e podre, que arde no começo, te faz perder o fôlego e impede que seus pulmões trabalhem, mas a podridão te traz o mesmo gosto que a morte.

— Como assim? — Pisquei algumas vezes, atônita.

Ele respirou fundo, acariciando os nós dos meus dedos com a base de seus polegares.

— Ele tava almoçando com uma moça, o restaurante fica perto do hospital e... — Ele trancou os olhos, tentando colocar a cabeça em ordem.

— Como ela era? — Rangi os dentes.

Ele abaixou a cabeça e trancou os olhos com força, apertando meus dedos ainda mais, quase os esmagando. O nervosismo dele era tão forte que mal conseguia disfarçar as mãos trêmulas.

— Ela não devia ter nem quarenta anos, era morena, loira, sei lá. Não tenho certeza!

Instintivamente, senti meu peito se inflamar de repente, como se uma bola de fogo estivesse prestes a explodir minhas costelas.

— Como assim "não tenho certeza", Daniel? — Grunhi, soltando suas mãos. — Você deve ter se confundido!

— Não me confundi, porra, eu sei quem é o seu pai, e aquele cara estava saindo com alguém que definitivamente não era a sua mãe! — Ele rebateu, franzindo as sobrancelhas, igualmente irritado.

— Como posso acreditar nisso se você mal se lembra do rosto da mulher? — Bradei e ele hesitou.

— Allison, eu não inventaria algo assim, pelo amor de Deus — Ele se levantou, passando as mãos pelo rosto.

Me levantei também, caminhando de um lado para o outro, tentando aliviar o clima tenso que se instalara entre nós dois.

— Mas como eu posso saber, Daniel? — Bati o pé e ele virou-se para mim. — Você disse que acha, você não tem certeza do que viu, não pode dizer algo assim sem ter provas, sem ter certeza!

— Allison, eu tenho certeza!

Me aproximei ainda mais dele, sentindo todo o meu corpo estremecer. Ele era muito mais alto que eu, minha cabeça quase não ultrapassava seus ombros, se eu não erguesse o queixo para falar com ele, tudo o que seria capaz de enxergar seriam suas clavículas. Mesmo assim, ele recuou um passo, como se eu fosse o ser mais aterrorizante do universo.

— Então por que não tem provas? Não sabe como é a mulher? Por que disse "acho" em vez de "eu vi"? — Disse entre os dentes.

Ele levou as mãos aos olhos, pressionando-os com força, grunhindo guturalmente ao jogar a cabeça para trás, impaciente.

— Porque não é nada legal chegar em alguém dizendo "e aí, sua mãe é corna!" — Ele rebateu, rindo com escárnio.

Eu estanquei por completo, eu queria gritar com ele e mandá-lo para o inferno, especialmente por ter me dado uma resposta como aquela, mas. Senti uma pontada no fundo do meu peito antes do meu coração começar a se partir em um milhão de pedacinhos minúsculos.

— É melhor você ir embora... — Respirei fundo, tentando manter a calma, retornando à minha voz baixa de sempre.

Ele demorou a engolir aquela resposta, mas confirmou com a cabeça, conformado. Ele abaixou a cabeça e caminhou até a porta, fui atrás dele, sentindo que a cada passo que dava, um pedaço de mim desmoronava.

Ele atravessou a soleira e virou para trás, me olhando de cima a baixo. Minha pele queimava, ardia, meus pelos se eriçavam volta e meia e eu ainda era capaz de sentir a corrente elétrica entre nós dois, mas era o fim, era o ponto final, e meu peito doía tanto que eu mal conseguia derramar uma lágrima sequer.

— Até mais, Allison... — Ele apertou os lábios, se virando para a escada.

— Adeus, Carter — Fechei a porta assim que percebi que ele começara a se afastar.

Meus ombros caíram, fazendo meus braços despencarem pelas laterais do meu corpo. Era como se meu chão estivesse ruindo, sentia minhas pernas amolecerem e meu peito pesar mais a cada segundo.

Minha respiração acelerada não me permitia ouvir os sons dos meus pensamentos, e, por um lado, eu a agradecia por isso, porque sabia que, talvez, aquele ponto final tinha se tornado o meu maior arrependimento. Era como se, lentamente, algo puxasse pedaços do meu coração para longe do peito.

Era ele. Ele estava levando um pedaço do meu coração com ele, e eu sabia disso, porque a cada passo que ele dava para mais longe de mim, eu sentia meu corpo doer ainda mais.

Adeus, Carter.

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