23. Dream Of Me
Cooper
Eu não deveria estar tão nervosa quanto eu estava. Daniel, em algum momento, perceberia que tinha sido uma grande armação e iria embora, e eu, consequentemente, voltaria para casa também. Mesmo assim, não conseguia ficar tranquila.
Me sentia eufórica. Um lado de mim estava saltitando como uma criança que estava para ganhar um brinquedo novo, o outro, um pouco mais pessimista, estava tão assustado que mal conseguia se mover.
Afundei as costas no banco de madeira na frente do restaurante, me camuflando ao lado da planta comprida do vaso ao lado. Ele estava demorando mais do que eu queria que demorasse, porque, quanto mais cedo ele aparecesse ali na frente, mais cedo aquele mal entendido seria resolvido e mais cedo eu voltaria para casa.
Alguns minutos depois, enquanto eu observava o movimento da rua e o sol se pôr no horizonte acima dos prédios, uma silhueta alta e forte saiu de dentro de um carro preto e lustroso, luxuoso e caro. Engoli em seco, sabia que era ele, não existia outra possibilidade.
A calça preta não era social, mas estava mais folgada nas coxas, presa na cintura por um cinto de couro, que mantinha a camisa branca para dentro da calça. As mangas estavam dobradas, deixando parte de seus braços para fora, mostrando a tatuagem que ele tinha no braço esquerdo, adornada por uma pulseirinha de miçangas que, infelizmente, eu conhecia bem.
Senti seus olhos caírem sobre mim como uma bomba atômica e, instintivamente, levantei meus olhos para os dele. Era como se minha alma estivesse sendo invadida pela dele e, ao mesmo tempo, era como se eu pudesse mergulhar em seu interior.
Automaticamente ele desceu os olhos para a tela do celular, colocando-o na frente da orelha e estalando a língua.
— Você é um desgraçado — Ele grunhiu, provavelmente xingando Ethan, porque eu sabia que ele já tinha percebido. — Você me paga!
Daniel desligou o celular e o jogou para dentro do bolso novamente, rumando em minha direção a passos largos. Seus olhos eram decididos, assim como sua postura imponente e eu, por outro lado, sentia meu coração diminuir a cada centímetro que sentia ele mais próximo.
Ele parou bem diante de mim, e, em um piscar de olhos, toda aquela postura de cara durão desapareceu. Suas mãos passaram ao redor das pernas e ele as escondeu dentro dos bolsos de trás. Seus lábios vermelhos e arredondados se espremeram e suas sobrancelhas subiram nervosamente.
— Acho que mentiram pra gente... — Ele comentou, soltando o ar de seus pulmões lentamente. — Se quiser voltar pra casa, eu vou entender, você não precisa ficar aqui se não quiser, mas... — Ele levou uma das mãos até o pescoço, coçando a nuca. — Sei lá, seria legal se a gente unisse o útil ao agradável e, você sabe, já que a gente já tá aqui, mesmo...
De perto, consegui ver um machucado sobre sua sobrancelha. Por mais que eu soubesse que não estávamos mais juntos e que machucados deveriam ser bastante comuns e recorrentes na carreira que ele levava no esporte, não pude deixar de me preocupar.
Meus olhos não de desviavam do corte acima de sua sobrancelha que, apesar de superficial, ainda deixava a pele ao redor um pouco mais avermelhada que o resto.
Me levantei em um pulo, sem dizer nada, e, instintivamente, a ponta dos meus dedos guiaram o meu braço na direção de seu rosto e, mesmo confuso, ele não se importou quando contornei o corte como se decorasse o formato com o tato.
— O que aconteceu? — Perguntei, estreitando os olhos.
— Foi um acidente, não se preocupe! — Ele riu abafado.
Ele estendeu o braço para mim, e eu o segurei, me deixando ser guiada para a entrada do restaurante.
Me senti boba quando a imagem do que nós poderíamos ter sido se não tivéssemos escolhido caminhos tão distantes cortou minha mente. Talvez nós já estivéssemos casados, mesmo que novos, talvez nós sempre nos aventurássemos em restaurantes que nunca vimos antes.
— Mesa pra dois — Disse ele para o homem da entrada.
O maître pareceu surpreso ao olhar para Daniel. Seus olhos brilharam por um instante assim que ele se deu conta de quem o rapaz era. Seu sorriso se alargou e ele logo indicou uma mesa para um garçom, que nos guiou até a mesa, que ficava perto da janela do restaurante, por onde conseguíamos ver toda a movimentação da rua durante o pôr do sol alaranjado.
Sentamos de frente um para o outro e, ainda acanhados, seguramos os cardápios diante dos rostos, como se quiséssemos nos esconder dos olhos um do outro. No fundo, sabia que podia ser besteira, mas os olhos dele ainda eram capazes de me ler com maestria e aquilo era assustador.
Eu não queria que ele soubesse tão facilmente que eu o queria sem barreiras para mim, por mais que eu fosse uma barreira entre nós dois.
— Já sabem o que vão pedir? — O garçom perguntou, puxando um celular preto de dentro do bolso.
Ele levantou as sobrancelhas, ainda um tanto pensativo. Deu uma última folheada no cardápio antes de abaixá-lo.
— Um número 4 e um vinho tinto, por favor — Ele olhou pra mim, curioso. — Já escolheu?
Confirmei com a cabeça.
— Um número três e um vinho tinto, também! — Sorri para o garçom, que anotou o pedido no celular.
— Já volto com a entrada, então — Guardou o celular no bolso novamente. — Se precisarem de mais alguma coisa, podem chamar por mim. Me chamo Joel, e é um prazer poder servir vocês!
Joel e seu carismático topete de gel se afastaram da mesa rapidamente, caminhando quase que de forma mecânica para outra mesa, atendendo-os rapidamente.
Soltei uma risada nervosa sem querer, me encolhendo no banco estofado ao espalmar as mãos sobre a mesa, tocando a beirada dos talheres com as pontas dos dedos.
— Nossa, aqui é muito fora do que eu tô acostumada — Observei os vários talheres.
— Nem esquenta com isso — Ele deu de ombros. — Cresci indo em restaurantes chiques e até hoje eu não faço ideia da diferença entre todos esses garfos e facas, sendo que eles fazem exatamente a mesma coisa!
Soltei a risada, relaxando um pouco a postura.
— Seus pais não tentaram te ensinar? — Perguntei, me curvando levemente para frente.
— Minha mãe, sim... — Ele fez um bico conformado. — Meu pai usa o garfo maior, porque fala que cabe mais comida e, bom, meu meio que peguei essa técnica pra mim, também!
— É bem a cara do seu pai fazer isso, mesmo — Puxei o garfo maior, o girando para cima.
Observei o talher prateado brilhar abaixo da luz baixa sobre nossas cabeças, os adornos de flores pequenas, gravadas no metal do garfo, o deixavam com um ar vitoriano e velho, mesmo que ele fosse lustroso.
Desci meus olhos para a palma da minha mão, me deparando com as marcas vermelhas das minhas unhas, deixando a pele avermelhada e dolorida. Soltei o talher no mesmo instante, recuando as mãos para baixo da mesa no mesmo instante, mesmo sabendo que os olhos dele já estavam sobre as marcas fazia algum tempo, eu podia senti-los.
— O que aconteceu? — Perguntou, preocupado, levando seus olhos de encontro aos meus.
Eu sabia que mentir não funcionava com ele. Diferente da maioria das pessoas, Daniel sempre sabia quando eu estava mentindo.
— Nada demais — Suspirei, conformada com a minha vulnerabilidade. — Eu só... Fiquei estressada mais cedo!
Ele estendeu a mão por cima da mesa, mostrando a palma para mim. Diferente de quando ele segurava minha mão ou minha perna por baixo da mesa, ele estava a entregando para mim de forma tão explícita que tive medo de entender tudo completamente errado.
Respirei fundo antes de levar minha mão até a dele, sentindo seus dedos contornarem os meus, encaixando nossas mãos perfeitamente. Com o polegar, ele deslizou cautelosamente sobre as marcas das minhas unhas. Os olhos não se desviavam dali, como se um filme com todas as lembranças da nossa adolescência passasse diante dos seus olhos.
Seu toque doía, não pela pele lesionada, mas pelo amor.
Sentir sua mão na minha fazia meu corpo inteiro doer, porque eu era capaz de assistir o mesmo filme que ele, e o final trágico como o de Titanic fazia a dor se espalhar por todo canto, cortando minhas veias e rompendo meus pulmões.
— Eu te vi na tevê! — Rompi o silêncio com um pouco de empolgação.
Eu queria cortar aquela dor pela raiz. Tirei minha mão da dele, que também recuou para longe.
— Quando? — Ele estreitou os olhos, abrindo um sorriso confuso.
— Ah, várias vezes! — Dei de ombros. — Da última, foi num comercial de perfume!
— Ah, aquele comercial! — Ele revirou os olhos. — Sabia que aquela moça do comercial estudou com a gente?
Arqueei as sobrancelhas, surpresa, e ele confirmou com a cabeça, fechando os olhos.
— Quem? — Apoiei os cotovelos sobre a mesa e o rosto sobre as mãos, curiosa como uma criança.
— Lembra do Tom? — Perguntou e eu confirmei com a cabeça.
Como esquecer?
O ex do Ethan era, definitivamente, um cara inesquecível. Thomas era engraçado e gentil.
— O Tom agora é a Mallory — Minimizou. — Ela se assumiu depois que se mudou de escola!
— Sério? — Intrigada, deixei meu queixo cair. — Ah, que bom que ela se descobriu e se assumiu, então!
Ele confirmou com a cabeça, descendo os olhos pelo meu rosto.
— Isso faz do Ethan um cara hétero? — Perguntou, estreitando os olhos.
— Definitivamente não! — Eu ri.
Quando nossos pratos de entrada chegaram, eu já tinha perdido a noção do tempo. Perguntei a ele sobre a faculdade e, por mais que eu soubesse que as coisas tivessem sido complicadas para ele, a forma como ele contava tornava tudo mais divertido.
Descobri que, mesmo que eu tivesse optado por mandar mensagens para ele depois de termos nos mudado, ele nunca mais seria capaz de visualizá-las, porque acabou jogando o celular no lixo por engano.
As aventuras universitárias dele eram deveras mais interessantes que as minhas, simplesmente porque ele tinha saído de uma casa luxuosa para viver num dormitório compartilhado com um cara que, segundo ele, tinha cheiro de queijo podre e cachorro molhado.
Mas confessava que todos os perrengues que ele passara tinham o tornado um cara mais tolerante e até um pouco menos fresco.
— Eu nem me importo mais de comer salada no mesmo prato que o resto da comida — Ele deu uma gafada rápida, enfiando a alface na boca. — Tipo, na época, eu precisava fazer minha comida, encomendar alguma coisa ou comer no refeitório da faculdade, mas, nossa, a comida da faculdade era péssima!
— Aprendeu a cozinhar? — Perguntei, surpresa.
Daniel abriu um sorrisinho de canto, malandro.
— Claro que não — Ele balançou o garfo entre os dedos. — Mas meus ovos com bacon são os melhores desse lado do país!
Balancei a cabeça, desacreditada.
— O que você come, amor? Não é possível que você não saiba cozinhar, você mora sozinho! — Ele ergueu as sobrancelhas e um sorriso travesso tomou conta dos seus lábios.
Arregalei os olhos no instante que percebi o que disse.
— Sinto muito — Engoli em seco, mirando o prato a minha frente, cutucando a comida com as pontas do garfo. — Foi sem querer!
Ele riu anasalado, separando os pedaços da carne no prato com a ponta do garfo antes de espetar o menor e enfiar na boca. Ele mastigou em silêncio por um tempo, antes de engolir comprimir os lábios.
— Não tem problema — Disse, sem desviar os olhos do prato. — Gosto quando me chama assim!
Senti meu rosto esquentar por completo e minha respiração falhar. Puxei a taça com vinho e a levei até a boca, desviando o olhar e bebericando um pouco do líquido arroxeado.
— Não acredito que você não saiba cozinhar ainda — Pigarreei.
Ele estalou a língua, dando de ombros.
— Eu sei o suficiente pra não morrer de fome! — Ele bebericou o vinho, deixando a taça de lado.
Demorei algum tempo antes de colocar mais uma garfada na boca, saboreando a carne de peixe derreter sobre minha língua.
— Eu adoraria experimentar os seus famosos ovos com bacon, então! — Provoquei, levantando os olhos para ele.
Ele abriu um sorriso sacana e balançou a cabeça, erguendo uma das sobrancelhas, dando mais uma bebericada no vinho.
Seus olhos percorreram os meus, mas desceram para a minha boca, para as minhas mãos e vagaram pelos meus braços antes de voltarem para o meu rosto.
— Você experimentaria, se morasse comigo — Ele colocou a taça ao lado do prato, circundando a borda com o dedo do meio.
Meus olhos se arregalaram automaticamente. Ele tá falando sério? É uma brincadeira?
O tom de sua voz permanecia calmo, ponderado e inalterável, mas seus olhos não procuravam pelos meus, porque ele estava terrivelmente assustado.
Droga, ele definitivamente tá falando sério!
— Como assim? — Eu ri, tentando transformar aquilo em uma piada ruim.
— Você poderia comer os meus famosos ovos com bacon se morasse comigo... — Ele engoliu em seco.
Ele trancou os olhos e sacudiu a cabeça, estava se sentindo um completo idiota e eu sabia daquilo, porque ele torceu o nariz e fez uma careta desgostosa para a própria frase.
— O que eu quero dizer, é que eu quero que você vá morar comigo — Ele finalmente levou seus olhos aos meus.
Droga. Eu queria gritar um sim bem redondo na cara dele, mas estava completamente aterrorizada. Meu corpo não respondia a qualquer impulso e, por mais que eu quisesse, por mais que tudo o que eu mais tinha vontade de fazer fosse agarrar sua mão e fugir para longe, milhares de coisas passavam pela minha mente.
Um milhão de novas barreiras e muros se formaram diante de nós. Eu não tinha dinheiro para as passagens, podia não ter um emprego, mas já estava me estabelecendo novamente em Brookline e programava arrumar um outro emprego. No Michigan, eu não conheceria ninguém além de Daniel, não sabia como me estabeleceria por lá, eu não fazia ideia de como era a cidade.
E se ele terminasse comigo? Para onde eu iria?
— Daniel... — Seu nome escapou pelos meus lábios.
— Allison, eu sei que você deve estar criando um milhão de problemas, mas, puta merda, eu não consegui encontrar outra saída — Ele tensionou o maxilar e baixou os olhos para o prato vazio. — Não precisa se preocupar com o dinheiro, sei lá, eu ganho o suficiente pra nos manter. Posso sustentar as despesas enquanto você não se estabelecer por lá, eu já fiz as contas — Ele tornou a me olhar, engolindo em seco. — Sei que é uma escolha difícil, mas eu definitivamente não quero te perder de novo!
— Daniel, eu tenho que pensar — Passei os dedos pelos olhos. — Eu mal tenho dinheiro para as passagens!
Seus ombros murcharam e ele encostou as costas por inteiro no encosto do banco.
Mesmo depois de conversar mais algumas coisas, o clima acabou por se tornar estranho. Não sabia dizer se a culpa era minha, dele, nossa, ou da proposta. Não queria que ele entendesse que eu não queria ir com ele, ou que eu queria desistir de nós dois, mas tudo o que eu conseguia sentir era medo de dar um passo a frente.
Era como se eu estivesse rumando desgovernadamente na direção do incerto e, aceitar ir com ele, seria um chute nas minhas costas diretamente para um estado mental em que eu não conseguia planejar milimetricamente e nem controlar o que aconteceria. Eu poderia ser atirada para uma escada que rumava para cima, como poderia ser empurrada de um precipício.
Ele pediu a conta e passou o cartão, não deixando que eu pagasse pelo que consumi. Daquela vez, não me senti ofendida como quando Jesse não me deixou pagar pelo jantar. Diferente de Jesse, Daniel não queria fazer aquilo por pena.
Nós caminhamos na direção de seu carro, porque ele me levaria em casa, já que eu tinha me disposto a ir a pé até o restaurante, mais cedo.
Conferi o horário no celular, só para ter certeza de que não cruzaria com meus pais e, por mais que nós tivéssemos passado tanto tempo juntos num jantar divertido e descontraído, era mais cedo do que eu esperava.
Meu irmão provavelmente ainda devia estar correndo e meus pais, no mercado ou nos meus avós.
Daniel conduziu o carro em silêncio pelas ruas, seus olhos não desprendiam do trânsito. Uma das mãos permanecia conduzindo o volante, enquanto a outra apoiava sua testa, pendida para o lado, com o cotovelo na beirada da janela.
Eu sabia que ele estava reconsiderando tudo o que tinha dito e que provavelmente estava se sentindo um completo idiota, especialmente porque, pela primeira vez, ele não sabia se eu queria ou não ir com ele para Ann Arbor.
Ele parou o carro na frente da minha casa. Seu peito se inflou e ele respirou fundo por longos segundos, soltando o ar lentamente pelas narinas. Seu rosto virou para o meu e ele deixou que a mão deslizasse do volante até cair sobre sua perna.
Eu mal conseguia piscar. Meu corpo inteiro tremia por dentro e eu esperava que ele não fosse capaz de ouvir o quanto eu estava apavorada.
De certa forma, era quase que assustador tê-lo e vê-lo tão de perto novamente, com seus olhos sobre o meu rosto, queimando minha pele e me fazendo reconsiderar todas as escolhas da minha vida. Quando éramos mais novos, Daniel costumava conseguir fazer meu corpo inteiro vibrar por dentro só com um olhar, e era um inferno saber que ele ainda tinha aquele poder.
O mundo inteiro foi se apagando ao nosso redor, as cores desapareceram, as silhuetas perderam forma e se tornaram borrões disformes, tudo escureceu de repente e, em um piscar de olhos, tudo era apenas nós dois.
Eu podia ver seu peito subir e descer com a respiração, e as coisas estavam tão silenciosas ao nosso redor que até mesmo o ar saindo de seus pulmões me deixava atordoada. Meu coração, traiçoeiro e perdidamente rendido, também me fazia sacudir. Batia tão forte dentro das minhas costelas que minha mente balançava e vacilava.
— A gente pode sair de novo — Desviei os olhos para longe dos dele, baixando-os para os meus próprios dedos.
— A gente tem que sair de novo — Ele riu abafado, erguendo as sobrancelhas rapidamente em uma feição conformada e nostálgica.
O acompanhei na risada, porque por mais que as coisas tivessem tomado um rumo muito diferente do que eu esperava, ainda tinha sido tão bom que as borboletas que existiam dentro do meu estômago estavam furiosas.
Eu não conseguia desviar os olhos dos meus dedos. Tinha medo de encontrar os dele, tinha medo de conseguir ver sua alma e me deparar com algo que eu não queria, com uma dor que eu não seria capaz de suportar.
— Eu sentia falta disso, sabia? — Arrumei coragem para olhá-lo novamente, apertando os lábios.
— Sério?
Ele formou um sorriso largo no rosto, mostrando seus dentes alinhados para mim. Droga. Eu me esquecia, por vezes, do quanto aquele maldito sorriso dele me fazia sentir o frio na barriga de forma quase incontrolável e mortal.
Confirmei com a cabeça e ele jogou a cabeça para trás, apoiando-a no encosto do banco. Seus olhos emitiam um brilho empolgado. Ele era surpreendente de uma forma dolorida, de certa forma. Mesmo quase sem esperanças, ele ainda conseguia se agarrar às poucas chances que conseguia enxergar de nós dois darmos certo.
— Ah... Você sabe, né — Sorri um tanto desconcertada, desviando os olhos novamente, fugindo em mim mesma, encarando as palmas das minhas mãos. — Todo aquele papo de que eu nunca consegui superar a gente e...
Seus dedos deslizaram por entre meu cabelo e tocaram meu pescoço, fazendo meu corpo inteiro arrepiar. O toque dele era eletrizante, era como se, propositalmente, eu estivesse enfiando um garfo na tomada, apenas para provar do perigo da morte, mas de uma forma curiosamente boa.
Ele me puxou em sua direção, fazendo meu corpo arquear para frente enquanto ele se curvava na minha direção. A corrente elétrica se espalhou por todo o meu corpo, se tornando um calafrio desesperador quando sua respiração tocou as maçãs do meu rosto e quando sua boca não pediu licença para invadir a minha.
Sem pressa, ele conduziu o ritmo dos nossos lábios como quem não quisesse interromper aquilo tão cedo e, mentalmente, eu comemorava por ele não ter nenhuma intenção de nos separar, porque eu sentia meu corpo se inflamar com seu toque.
Suas mãos corriam pelo meu corpo, deslizando pela minha cintura, pelo meu rosto, meu pescoço, meu peito. Com algum esforço, ele desabotoou os três primeiros botões da minha camisa e correu os dedos pela minha clavícula.
Passei a mão por seu pescoço, sentindo novamente a pele quente e macia dele na minha, alojando minha mão na lateral de seu rosto e o puxando para mais perto, o encaixando melhor, o sentindo com mais voracidade.
Eu queria que aquilo durasse pela eternidade, queria poder sentir seus lábios nos meus por quanto tempo fosse necessário para que nós dois virássemos um só, mas ele nos separou, passando os olhos pelo meu rosto e abrindo um sorriso de canto, quase que involuntário.
Daniel era um cara sacana, um canalha descarado e eu sabia muito bem daquilo, mas, quando o assunto era nós dois, toda aquela pose de durão desaparecia e ele ganhava a mesma feição de um bobo apaixonado. E foi com aquela cara de bobo apaixonado que ele correu os lábios pelo meu pescoço e eu me derreti em suas mãos, encolhendo o corpo quando o senti falhar e perder o controle por um instante.
Espalmei as mãos em seus ombros, o empurrando para longe de mim, ouvindo o som agudo e esganiçado dos seus lábios deixarem a minha pele para trás.
— Aqui não — Disse a ele, ofegante.
Ele deu uma olhada ao redor, piscando algumas vezes, ainda meio atordoado com o que estava acontecendo. Sua mente quase não era capaz de computar tudo o que sentia, e seus olhos me faziam o favor de deixar aquilo tão explícito.
Ele finalmente percebera que, mesmo que os vidros do carro fossem escurecidos, o para-brisa não tinha tal sorte e qualquer pessoa que passasse por ali poderia nos ver, e não duvidava que já não tivessem nos visto.
Acelerado, seus dedos apertaram o botão do painel do carro e as portas se destravaram. Ele soltou o cinto de segurança na mesma velocidade que eu, saindo em sincronia enquanto eu rumava na direção da frente da minha casa. Daniel ficou para trás, enroscado com as próprias mãos, tentando travar o carro e, quando conseguiu o fazer, rumou apressadamente atrás de mim.
Eu sentia meu corpo fumegar. Era inevitável. Quando o assunto era sobre nós, ele permaneceria como a gasolina do meu fogo e eu tinha me esquecido de como era me sentir daquela forma, especialmente perto dele. Era nostálgico, mas também era algo completamente novo. Nós não éramos mais as mesmas pessoas que costumávamos ser na adolescência.
Nós dois ainda tínhamos aquela conexão assustadora e avassaladora que fazia o meu coração falhar de vez em quando, que fazia minha mente sacudir e minhas pernas perderem as forças.
— Seus pais não estão em casa? — Perguntou com a voz arrastada.
— Na casa dos meus avós — Rebati, sacudindo a chave dentro da fechadura, tentando abri-la.
— E o seu irmão?
— Na biblioteca!
— A essa hora?
— Cala a boca, Daniel!
Consegui finalmente destrancar a porta, escancarando o lado de dentro para nós dois. A casa permanecia a mesma, os mesmos móveis, as mesmas luzes, o mesmo tapete.
Virei-me para ele, sem dar tempo para que ele reagisse ou pensasse muito. Puxei-o pela gola da camiseta, girando-o para dentro, batendo suas costas na porta, que se fechou com o impacto.
Enfiei a chave na fechadura novamente, com dificuldade, porque não queria soltar os lábios dele nunca mais. Tentava trancá-la ao mesmo tempo que tinha o total controle daquele beijo meio desajeitado. Mordisquei seu lábio inferior e ele soltou um grunhido na minha boca, me fazendo perder a cabeça.
— Tranca logo essa droga de porta — Implorou, afastando seu corpo do meu.
Daniel desabotoou a própria camisa com uma velocidade impressionante enquanto eu girava a chave na porta. Virei-me para ele, encarando seu corpo esculpido como o de uma estátua grega, forte e imponente, brilhar para mim.
Quando éramos mais novos, ele não era tão definido e parecia até menor, seus ombros estavam mais largos do que eu me lembrava.
Deixei escapar um sorriso malicioso assim que meus olhos percorreram todo o seu corpo, mas se alargou assim que meus olhos pousaram na cicatriz que ele carregava do lado direito do abdômen. A trágica história de como aquela marca aparecera lá nos perseguiria pela eternidade, mas ela também era a prova mais concreta que eu poderia ter de que ele não era fruto da minha imaginação.
Era ele, realmente ele, e estava bem ali, na minha frente, em carne e osso. Ele não era apenas um fantasma que assombrava os meus dias, não era uma imagem que desapareceria pela manhã, quando abrisse meus olhos. E a cada passo que ele dava em minha direção, irritado com a minha demora e enrolação, eu tinha mais e mais certeza de que era ele, sempre foi ele.
Daniel estancou na minha frente, ele puxou uma das minhas mãos e colocou sobre seu peito para que eu sentisse seu coração bater forte contra meus dedos. Eu não precisava sentir o pulsar do seu coração para saber o que ele sentia, mas aquilo tinha muito mais significado para nós do que parecia. Aquela energia tensa e eufórica que nos cercava tornava tudo em uma aventura ainda maior, era como na minha primeira vez, o frio na barriga e o nervosismo era praticamente o mesmo.
Suas mãos contornaram minha cintura, colando meu corpo no dele até que eu fosse capaz de sentir cada mínimo detalhe do seu corpo contra o meu. Ele curvou-se para frente, ajudando a diminuir nossa diferença de altura enquanto eu o ajudava ficando nas pontas dos pés.
Seus dedos se enroscaram nos botões da minha camisa e, com cuidado, ele desatou um botão após o outro, deslizando-os sobre meus ombros, empurrando a camisa até que ela caísse dos meus braços e se espalhasse pelo chão.
Seus olhos estreitos correram pelo meu corpo e ele abriu um sorrisinho de canto. Eu não tinha mudado muito desde quando tínhamos dezesseis anos e ele me viu sem roupa pela primeira vez, antes mesmo de nós dois acontecermos, meus peitos não tinham crescido e eu não ganhara muitas curvas, mas ele não aprecia se importar.
Ele definitivamente não ligava para o tamanho dos meus peitos, para o quão fina era a minha cintura, ou para o formato da minha bunda, ele não estava nem aí se eu era a mulher mais gostosa do mundo ou a garota mais magrela e sem graça do universo. Seus olhos se firmaram nos meus e eu entendi exatamente o que ele pensava, como se eu fosse capaz de ler sua mente com palavras concretas e não com conceitos e sentimentos.
Não era sobre o meu corpo ou minhas curvas, nunca foi sobre meu corpo. Era sobre mim, sobre o meu coração, sobre o nosso amor, sobre nós dois.
Ele voltou para os meus lábios e eu fui o empurrando através da sala. Eu não queria fazer aquilo em cima do sofá. E se alguém espiar pela fresta da cortina?
Ele foi tateando o ambiente atrás dele, subindo a escada com dificuldade, enquanto ríamos um para o outro. Ele torneou os dedos ao redor da maçaneta do meu quarto, abrindo a porta de costas e, mesmo que estivéssemos sozinhos, ele a fechou e caminhou até a janela, fechando-a também, deixando o quarto ainda mais escuro.
Senti um calafrio rasgar minha espinha. Quando o assunto era Daniel, eu ainda me sentia como uma adolescente perdidamente apaixonada. Era como um sonho de verão interminável.
O medo de falar alguma besteira fora de hora ainda corria pelas minhas veias, e, por mais que eu o conhecesse como a palma da minha mão, sabia que ele não seria idiota o suficiente para falar alguma besteira bem ali. Ele não era idiota quando se tratava de sexo.
Daniel empurrou meu corpo para cima da cama, ficando por cima. Seus lábios fugiram dos meus, me deixando no desejo de senti-los novamente, e desceram pelo meu pescoço. Seus dedos apertaram com cuidado os meus peitos, deslizando os dedos pela região.
Enrosquei o cabelo de sua nuca em minha mão, puxando levemente enquanto arfava no ritmo dos seus lábios. Ele descompassou a respiração e soltou um gemido um pouco mais alto, interrompendo tudo o que estava fazendo.
— Não faz isso, droga, sabe que é meu ponto fraco! — Ele riu abafado.
— Cala a boca, Daniel — Não consegui segurar a risada.
Com um sorriso patife estampado no rosto, ele subiu novamente para a minha boca, mas eu o empurrei para trás, passando as pernas ao redor de sua cintura, ficando sobre seu colo. Suas mãos correram para as minhas costas e, assim como da primeira vez em que as coisas esquentaram de verdade entre nós dois, ele se enroscou com o sutiã.
Daniel separou nossos lábios e franziu o cenho, frustrado.
— Que merda, toda vez é essa história — Ele apoiou o queixo no meu ombro, dando uma olhada nas minhas costas para entender o que estava fazendo com os dedos. — Eu ficaria muito mais feliz se você nunca mais usasse isso aqui!
Passei as pontas dos dedos por suas costas suavemente, arranhando de leve logo em seguida. Eu não precisava de mais nada, se pudesse ficar daquela forma com ele pelo resto da minha vida, seria o bastante.
Beijei seu ombro e depois seu pescoço, sorrindo para o nada, sabendo que ele não veria meu sorriso, mesmo que soubesse da sua existência.
— Fala como se a gente fosse transar pro resto da vida! — Disse, acariciando seu cabelo.
— Enquanto eu estiver vivo, eu faço questão de transar com você pela eternidade — Ele se afastou, apoiando o peso do corpo nos braços. — Já te falei, Allison, eu não vou te perder de novo!
Sorri para ele, porque ele fazia aquela decisão parecer extremamente simples. Na verdade, ele sempre sabia fazer tudo parecer estupidamente simples de ser resolvido, mesmo que nem mesmo ele pudesse fazer determinadas coisas com tanta facilidade.
Sabia que ele estava falando sério, por mais que ele esbanjasse aquele sorriso sacana nos lábios.
Ele me puxou novamente para o seu corpo, colando minha pele na dele. Sentir aquilo era eletrizante, me causava calafrios incontroláveis e um calor sedutor, que me colocava em prantos. Conforme ele me beijava, sentia que seu corpo me empurrava novamente para o colchão, até que ele prendeu minhas mãos acima da minha cabeça, me olhando por cima com os olhos estreitados.
Seu sorriso malicioso durou até que sua boca domasse meu pescoço novamente. Senti o ar de seus pulmões se chocarem com o pé da minha orelha, e ele mordiscou o lóbulo, me fazendo gemer e contorcer meu corpo abaixo do seu.
Ele riu fraco, beijando abaixo da minha orelha, descendo para minhas clavículas, para as laterais dos meus peitos, até beijá-los por inteiro, emoldurando-os com as mãos. Sua boca seguiu caminho, descendo por uma trilha de beijos até chegar na minha calça.
Eu gostava de como ele era cuidadoso e delicado quando o assunto era a forma como nossos corpos se conectavam, fosse com um simples toque, ou de forma mais íntima. Ele não se importava de me deixar conduzir, ou de me perguntar o que eu queria, mesmo que costumasse levar tudo na intuição.
Sexo com Daniel era muito mais do que só sexo. Não era só prazer momentâneo e satisfação de desejos carnais sujos que, se meu pai descobrisse, acabaria me deserdando. Com ele, as peças se conectavam, se interligavam e se inflamavam.
Respirei fundo, sentindo meu coração acelerado quando ele desabotoou minha calça e a puxou para baixo, me ajudando a tirá-la das pernas. Ele jogou-a no chão e voltou a beijar minha barriga, contornando a barra da minha calcinha com os dedos.
Ele beijou a parte interna das minhas pernas, subindo cada vez mais para perto da virilha e eu estremeci, tensionando a mordida.
Levei as mãos ao rosto, tapando-o quando ele começou, porque eu mal conseguia controlar a respiração. Ele puxou uma das minhas mãos para junto da dele, entrelaçando nossos dedos, e me senti mais confiante, mais segura, de alguma forma, como se pudesse fazer qualquer coisa.
Apertei seus dedos contra minha mão, suprimindo um gemido que, talvez, fosse sair alto demais. Daniel me abandonou com as pernas sem rumo, correndo para a minha boca pelo mesmo caminho que descera — traçando uma trilha pela minha barriga, pelos meus seios, meu pescoço, até chegar onde queria.
Empurrei-o para trás, separando nossos corpos repentinamente. Seus olhos pesaram sobre mim, doloridos e confusos, carregavam um terror súbito que o fez perder o ar.
— Eu fiz alguma coisa errada? — Perguntou com a voz entristecida.
Com o meu corpo, eu o impulsionei contra a cama. Eu não queria responder com palavras, não queria conversinha fiada entre nós dois, não ali, não naquele momento.
— Allison... — Ele tentou me segurar pelos pulsos, mas me desvencilhei.
Soltei seu cinto e desabotoei sua calça, puxando-a para baixo e me livrando da mesma, deixando amostra o volume abaixo da cueca azul. Seus olhos vidrados não saíam de cima de mim, seu peito subia e descia rapidamente, estava ofegante e assustado. Seus olhos aterrorizados queriam entender se eu estava puta ou só querendo adiantar o processo.
Quando se tratava de mim, de nós, ele sentia tanto medo de errar que, às vezes, queria socá-lo para que ele simplesmente entendesse que enquanto estivéssemos juntos, enquanto nossos corpos pudessem sentir um ao outro, ele nunca erraria.
Passei uma perna por cima de seu corpo, ficando sobre sua pélvis, apoiando minhas mãos em seu peito. Vi seu rosto ruborizar e me diverti com a ideia de deixá-lo tímido, porque, desde que nos conhecemos, ele sempre sabia o que fazer e, mesmo quando ele deixava que eu tomasse o controle, ainda se sentia confiante. Daniel nunca se sentia constrangido.
Mas logo aquela timidez surpresa que tomou conta de seu rosto se desfez e ele sorriu de canto, despojado. Suas mãos deslizaram por minhas pernas e ele sentou-se comigo em seu colo, ele riu nos meus lábios se divertindo com a ideia de que eu, de alguma forma, tentasse o dominar como um cãozinho perdido.
Enquanto me beijava, ele conduzia minha cintura sobre a dele, encaixando-nos perfeitamente, provocando o volume entre suas pernas até que ele me empurrasse novamente para a cama, ficando por cima, da forma como ele gostava.
Daniel olhou ao redor, procurando pela calça. Rapidamente, ele puxou-a para perto, tirando a carteira de dentro do bolso de trás, abrindo-a e tirando um pacote novinho de camisinha de dentro de um dos plásticos.
Ele a vestiu antes de voltar para cima de mim, colocando minhas pernas ao redor de sua cintura. Sua boca foi até a minha, mas ele não demorou ali, na verdade, ele beijou a lateral da minha cabeça, roçando os lábios no meu rosto e depois, respirando forte, fixou seus olhos nos meus.
Passei os braços ao redor de seu pescoço, fechando os olhos e arqueando as costas enquanto sentia sua pele se esfregar na minha. Fechei os olhos e não consegui conter o sorriso que se formou em meus lábios ao sentir sua respiração ofegante no pé da minha orelha, rendido por mim, amando o meu corpo, deixando que eu amasse o dele.
Arranhei suas costas quando ele aumentou a intensidade, indo mais fundo, e mordi o lábio inferior quando ele me segurou pela cintura, me puxando para cima dele, que deitou as costas por cima das cobertas desgrenhadas e arranhou minhas costas quando o ajudei com o movimento, deixando marcas compridas e vermelhas por todo o comprimento das minhas costas.
Daniel jogou a cabeça para trás, fechando os olhos com força. A respiração fora de ritmo, suas mãos no meu corpo, ele em mim e eu nele.
Arranhei seu peito antes de ele sentar-se novamente, me conduzindo com um dos braços, enquanto o outro apoiava o peso.
Ele colocou sua boca sobre minha clavícula, sugando a região até que uma marquinha roxa se formasse ali. Arqueei o pescoço e ele puxou meu cabelo para trás, encaixando meu peito ao dele.
Nós continuamos naquela troca de posição por mais dez ou vinte minutos, compartilhando carícias e sentindo as respirações se entrelaçarem em uma calamidade trágica e fatal. Ele podia fazer o que quisesse comigo, e, conscientemente, ele me deixava fazer o que eu quisesse. Ele não estava se importando nem um pouco com o rumo daquilo, ele queria que eu me divertisse acima de tudo, porque isso seria o suficiente para que ele se deleitasse ao máximo.
— Allison, eu... — Ele ergueu o rosto com os lábios entreabertos.
Eu sabia o que ele queria dizer. Suas mãos seguraram minha cintura com força, me apertando contra seu corpo com mais força do que antes. De repente, ele, ofegante, afrouxou o aperto e levantou rapidamente, indo até o banheiro. Ele jogou a camisinha fora e se lavou rapidamente, voltando para o quarto na mesma velocidade.
Ele se posicionou ao meu lado, beijou meu rosto, minha boca, e desceu os dedos, escorregando-os por todos os locais que ele sabia que me levaria à loucura.
Enquanto, com uma das mãos ele fazia movimentos circulares com os dedos, com a outra, ele me puxava para mais perto, me beijando com vontade.
Ele não parou até que sentisse meu corpo inteiro tremer abaixo do dele, e abriu um sorriso largo quando o fiz, arqueando as costas, cravando as unhas no lençol abaixo de mim, tapando a boca com uma das mãos para que não gemesse alto demais. Ele largou o corpo ao meu lado, ofegando, exausto.
Circundou meu corpo com os braços, me abraçando com cuidado. Senti sua respiração no meu pescoço e encaixei meus braços ao redor de seu, correndo os dedos por seu cabelo, porque eu sabia que ele gostava quando eu o fazia.
— Eu te amo — Ele rompeu o silêncio. — Eu te amo pra cacete, Allison, então eu não posso simplesmente deixar você escapar de novo!
Beijei sua testa, me abaixando um pouco mais no colchão para que conseguisse o olhar nos olhos. Deslizei meu nariz sobre o dele e sorri levemente quando ele passou a mão pelo meu rosto com cuidado, como se tivesse medo de me quebrar.
— Daniel, você sabe que não é tão fácil assim — Baixei os olhos.
— Eu não quero desistir de você. Não quero desistir da gente — Ele selou nossos lábios, beijou meu queixo e colou nossas testas.
— Eu ainda preciso pensar. É muita coisa pra digerir... — Apertei seu corpo no meu, encaixando-nos melhor.
Seus olhos tomaram um tom melancólico e dolorido, o brilho fugiu, dando espaço para o maior medo que ele carregava nas costas.
— Isso me lembra aquela vez... — Disse ele, fraquinho. — Daquela vez, você também não podia ficar comigo para sempre... Parece que você nunca pode, no fim das contas. Sempre tem algo entre nós dois!
Apertei os lábios, tentando não começar a chorar bem ali, apertando meus dedos em seu cabelo.
Eu sabia de qual vez ele estava falando. Ainda era bem fresco na minha memória.
A primeira vez. O dia em que ele me viu sem roupa pela primeira vez e não me enxergou como a garota que sempre pegava no seu pé. O dia em que eu quase perdi minha virgindade com ele.
Na época, ele me levou para sua casa porque eu não tinha onde ficar depois do aniversário de dezessete anos de Ethan. Eu tinha brigado com Angeline, terminado com Miles, brigado com Brooke, que jogou bebida na minha roupa. Eu estava arrasada e sem rumo.
Ele me levou escondido, me emprestou roupas limpas — que, ocasionalmente, eu ainda utilizava como pijama —, me cedeu sua cama enorme, assim como seus travesseiros que tinham uma mistura de cheiro estranha de shampoo, desodorante masculino e perfume.
Não conseguíamos dormir, e as coisas esquentaram bastante aos poucos. Nós quase chegamos lá, mas ele parou antes de poder tirar minha calça e me ver sem qualquer barreira. Ele não queria que fosse só sexo para mim, não queria ser mais um dos meus arrependimentos, mas, depois de tudo o que vivemos, sei que se tivéssemos continuado, as coisas poderiam ter sido muito diferentes.
Ele nunca seria um arrependimento.
— Não fala isso — Disse com a voz embargada.
Ele empurrou uma mecha do meu cabelo para longe do rosto com a ponta do dedo, levando a lágrima solitária que escorria pelo meu rosto com o polegar.
— Tá tudo bem, meu amor — Ele sorriu fraco, dolorido. — Eu venho te buscar, se for preciso...
Ele me beijou novamente, talvez porque quisesse ter certeza de que ainda se lembrava de como eram os meus lábios.
— Você sabe que eu te amo, né? — Perguntei, passando a ponta dos dedos pelo rosto.
Ele piscou algumas vezes, fixando o olhar no fundo da minha alma. Sem esboçar qualquer sorriso, ele confirmou com a cabeça.
— Eu sei... — Beijou-me novamente. — Eu nunca duvidei disso!
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