2. Home
Cooper
A verdade é que talvez eu tenha desistido.
Eu estava exausta física e emocionalmente. Não conseguia achar cabível não ter um puto emprego naquela cidade, especialmente porque eu não tinha mais dinheiro para ir muito mais longe para encontrar um lugar para trabalhar, nem que fosse em um restaurante meia-boca.
Uma semana e meia, uma semana e meia e eu não tinha conseguido nada, e o prazo que a dona da casa me dera para conseguir pagá-la era de duas semanas. Eu não tinha mais tempo, muito menos dinheiro para perambular por aí perguntando sobre vagas de emprego. Tinha esgotado os lugares que eu era capaz de chegar andando, o dinheiro das passagens de ônibus sumiram assim que eu decidi ir mais longe e não durou muito mais que três dias.
Respirei fundo e tamborilei os dedos sobre o colchão. Eu não tinha muitas coisas ali, não tinha um legado mágico e inesquecível na Califórnia, não seria muito difícil de seguir a minha vida em outro lugar, mesmo que esse lugar fosse a casa dos meus pais.
Pouco antes de tomar aquela decisão, conversei com Madison sobre o que ela pensava a respeito. Eu sentia que ela poderia me ajudar de alguma forma, talvez, por ser minha irmã mais velha, ela teria alguma ideia melhor do que eu poderia fazer. Ela me disse o que eu menos queria ouvir, mas sabia que ela tinha razão de alguma forma.
Voltar para a casa dos meus pais não seria algo tão ruim... Eu esperava que não, pelo menos.
Então, quando dei a notícia de que aceitaria voltar a morar com eles e procurar por um emprego em Brookline ou em Boston, eles não demoraram para comprar minhas passagens de volta.
Eu não tinha muitas coisas para empacotar, tudo coube em duas malas grandes e em uma mala de mão, então acabei pagando uma taxa pela mala a mais que eu precisaria despachar. Eu não tinha dinheiro para pagar um táxi, e aquilo poderia ser um problema se eu não tivesse feito amizade com minha vizinha.
Toquei a campainha, apreensiva, e, pela janela ao lado da porta, consegui ver o filho de cinco anos de Catherine Irvin. O garotinho de olhos pequenos, em formato amendoado e cabelos pretos, extremamente lisos, correu para longe da janela e não demorou para que Catherine abrisse a porta com um sorriso no rosto.
— Olá, querida, precisa de algo? — Perguntou.
Catherine era uma mãe solteira de primeira viagem. Mathew, seu filho, fora fruto de uma paixão de verão com um cara da sua faculdade, e, para a surpresa de Catherine, o garotinho era a cara do pai dele.
Ela se mudara para a casa ao lado da que eu morava um ano antes de eu chegar e, quando eu me mudei do dormitório da faculdade para aquela casinha, ela foi a primeira que tocou minha campainha para me conhecer melhor. Ela era divertida e sorridente, sempre estava pronta para ajudar e sempre dizia que eu poderia pedi-la qualquer coisa, especialmente depois de eu precisar cuidar de seu filho durante algumas noites, quando ela precisava dar plantão no hospital que trabalhava.
— Na verdade, Cat, eu preciso de um favorzinho, sim! — Comentei quando ela deu-me passagem para entrar em sua casa.
— Sem problemas, o que precisa? — Perguntou, me guiando até a cozinha e gesticulando para que eu me sentasse.
Suspirei antes de dizer qualquer coisa. Ela estendeu-me um copo de iogurte de frutas vermelhas, que ela sabia ser o meu favorito, e sentou-se do outro lado do balcão com algumas torradas.
— Eu vou me mudar, mas tô sem grana para o táxi, ia perguntar se você não poderia me dar uma carona até o aeroporto, amanhã — Meio sem graça, dei uma golada no iogurte.
Catherine mudou sua feição completamente. Seus olhos castanhos caíram e a curvatura de seus lábios tornou-se um arco para baixo, descontente e desanimada. O brilho de seus olhos tornou-se um soturno e opaco reflexo da janela.
— Poxa, Alli, o que aconteceu? — Perguntou, segurando minha mão.
— Eu fui demitida, tem um tempo que tô procurando um emprego novo, mas não consegui nada por aqui... — Respirei fundo. — Acho que vai ser uma boa voltar para minha cidade natal, no fim das contas, acertar as coisas por lá!
Catherine balançou a cabeça, colocando as informações em seus devidos lugares dentro de sua mente, encaixando o quebra-cabeça e automaticamente tirando suas conclusões, provavelmente colocando a culpa em Yoshikawa, que sempre era pauta das nossas conversas. Eu gostava de reclamar com ela sobre o quanto aquele cara era um merda.
— Eu te levo, sem problemas — Ela mordeu uma torrada. — Só me avisa o horário, assim eu posso me programar com o Mat!
Assenti com a cabeça. De certa forma, eu não queria deixar a Califórnia para trás. Era do lugar dos meus sonhos que estávamos falando, eu tinha feito minha faculdade dos sonhos, o estágio dos meus sonhos, e eu estava pronta para construir minha vida por ali, estava pronta para repaginar tudo o que Allison Cooper já fora um dia, porque ali eu poderia ser quem eu sempre quisera ser.
Voltei para minha casa depois de uma curta conversa sobre os meus "planos" para Brookline. Precisei inventar alguma coisa para dizer, porque, honestamente, eu não tinha um plano, eu só esperava que as coisas fossem mais simples por lá do que eram na Califórnia.
Quando me deitei para dormir, pensei que não teria qualquer tipo de dificuldade em pegar no sono, mas eu estava muito errada. Pegar no sono não parecia estar nos planos do meu cérebro. Tantas informações corriam pela minha mente, que eu sentia uma necessidade incontrolável de perambular pela casa.
Levantei-me lentamente, chutando as cobertas para longe dos meus pés. Descalça, eu caminhei até a janela do quarto. Abri-a rapidamente e debrucei-me no beiral, sentindo a brisa fresca empurrar meu cabelo para trás dos meus ombros.
Eu sabia que era egoísmo se eu dissesse que as coisas só davam errado para mim, porque era o mesmo que reduzir o universo inteiro apenas à minha vivência, mas era como eu me sentia todas as vezes em que eu falava com meus pais, com meus irmãos ou com meus amigos, eles pareciam tão felizes e estáveis, e eu sempre estava vivendo uma grande aventura, todo dia era um novo problema a ser enfrentado.
— Talvez eu só tenha sido feita para viver assim... — Comentei para mim.
Bati as unhas sobre a madeira do beiral da janela e observei a luz prateada da noite invadir meu quarto e tocar meu rosto com delicadeza. Eu gostava de olhar para o céu durante a noite, gostava de contemplar o silêncio e, normalmente, era quando eu mais me sentia motivada a pintar.
Olhei de soslaio para as telas vazias que eu teria de deixar para trás e para os vários quadros que a dona da casa me permitira pendurar nas paredes. Ela me dissera que, se um dia eu me mudasse novamente, não queria ficar sem os quadros, então ela me pagou para que eu os deixasse como mobília da casa, no fim, o dinheiro que recebi dos quadros fora usado para pagar o aluguel.
Na casa dos meus pais, o estúdio atrás do escritório continua lá, intocado, me aguardando... Pensei. Posso fazer alguma coisa quando estiver por lá.
Durante muitos anos, pensei que conseguiria viver como uma pintora de quadros, mas conforme o tempo foi passando, percebi que era muito difícil se posicionar no ramo, especialmente sendo uma desconhecida que dava aulas de artes em uma escola de ensino médio.
Impulsionei meu corpo para longe da janela e peguei a menor tela vazia que encontrei. Vasculhei as coisas que eu deixaria para trás e encontrei um kit com tintas e pincéis velhos, que não eram os meus favoritos, então não faria questão de levá-los para Brookline.
Eu não tinha um cavalete para colocar a tela, então a coloquei sobre a mesa pequena da cozinha, que estava coberta com um pano velho e manchado de tudo quanto é tipo de tinta. Despretensiosamente, destampei os potes de tinta e estendi os pincéis ao meu lado, junto da toalhinha e da vasilha com água. Fiz um rascunho simples com um lápis que encontrei em uma das gavetas da cozinha, e, com destreza, passei as cores que eu queria, cobrindo os riscos do lápis e deixando a imagem um pouco mais divertida.
Eu mal consegui ver o tempo passar, o sol aparecer no horizonte e muito menos o meu celular despertar. Afastei-me da mesa para ter uma visão mais ampla do que eu tinha feito, uma paisagem — o sol nascendo por entre os fios grossos da Golden Gate, o céu com nuances rosas e roxas, as nuvens amareladas, o sol refletido na água — combinava perfeitamente com a parede vazia ao lado da porta de entrada da casa. Desde que eu derrubara o espelho que ficava por ali, sentia que a parede precisava de algo a mais.
Palo Alto ficava a uma hora da Golden Gate Bridge, mas ainda achava uma boa ideia deixar um pedacinho de São Francisco ao lado da porta de entrada, como um presente de desculpas por ter quebrado o espelho que ocupava o lugar que eu pendurei o quadrinho.
Peguei meu celular e percebi que eu precisava me arrumar o mais rápido possível para ir embora. Como um jato, tomei um banho, reagrupei minhas malas na frente da porta e calcei meus tênis antes de me certificar de que tinha trancado tudo e que não estava deixando nada para trás. Dei uma última olhada na casa que me abrigara nos meus piores dias na Califórnia e tranquei a porta da frente, deixando as chaves debaixo do tapete, como a dona tinha me orientado. Com a ajuda de Catherine, coloquei as malas atrás do carro e coloquei o cinto de segurança, tensionando o maxilar.
— Tudo pronto? — Perguntou Catherine, ligando o carro.
— Acho que sim — Sorri para ela, não muito contente.
Catherine dirigiu em silêncio até o Aeroporto Internacional de São Francisco. Pouco mais de vinte minutos de viagem até o aeroporto em um silêncio tão duro que eu podia sentir o peso do ar sobre meus ombros. Era como se eu estivesse a abandonando e eu não queria que aquela fosse a impressão que eu deixaria para trás. Não queria ser Allison Cooper, a jovem que abandonou tudo sem nem mesmo tentar.
— Te ajudo a levar as malas para o despache — Disse ela, abrindo o porta-malas enquanto eu empurrava um carrinho para perto.
Colocamos as malas sobre o carrinho e, juntas, caminhamos até o balcão do check-in, que não demorou a ser feito, assim como também despachei minhas malas, ficando apenas com a mochila que abrigava meu notebook e uma troca de roupas — nunca se sabe quando sua mala será extraviada.
Não faltava muito para que o embarque começasse, e eu precisava correr.
— Não quero que isso seja um adeus, Cat — Baixei os olhos, desconcertada.
— Ah, Alli, não se preocupe — Disse ela, abrindo um sorriso gentil e me puxando para um abraço. — Você tem o meu número, sabe que pode me ligar sempre que precisar. Minha casa sempre estará de portas abertas para você — Ela segurou-me pelos ombros. — Principalmente quando você quiser cuidar do Mat para mim!
Eu ri, abafado.
— Diz pra ele que a tia Alli vai sentir saudade — Esfreguei o canto dos olhos, impedindo as lágrimas de descerem.
— Pode deixar — Disse ela, virando-me na direção do corredor que eu deveria seguir. — Agora anda logo, ou vai perder o voo!
Eu não olhei para trás. Talvez eu devesse ter me virado e acenado uma última vez para ela, mas não o fiz. Eu juntei todo o meu fôlego dentro dos meus pulmões e me recusei a soltar a respiração até que eu soubesse que ela não teria mais os olhos sobre minhas costas.
Detestava aeroportos, porque todas as despedidas mais dolorosas da minha vida aconteceram em um. Primeiro com Carter, quando ele foi para Michigan, depois quando me mudei para a Califórnia para a faculdade, e todas as vezes em que visitei meus pais e Madison nos fins de ano desde então, e, ali, com meus últimos momentos na Califórnia, novamente eu estava tendo uma despedida dolorosa dentro de um aeroporto.
Adeus, Califórnia...
***
Esfreguei os olhos quando a comissária de bordo me acordou, o avião estava prestes a pousar e eu precisava endireitar o banco. Preguiçosamente, estiquei as costas e estralei os dedos quando endireitei o encosto para a posição original, abri a janela ao meu lado, observando o meu tão conhecido céu de Massachusetts. Seis horas de viagem passaram como minutos quando peguei no sono assim que o avião estabilizou no céu.
Depois de pegar minhas malas na esteira, senti o frio na barriga congelar a parte de baixo dos meus pulmões. Madison prometera que me buscaria no aeroporto, mas e se ela esqueceu?
Sacudi a cabeça, tentando afastar aquele questionamento. Eu não queria viver presa nos e se que a vida me proporcionava, porque, por culpa deles, eu tinha deixado de fazer muita coisa.
Lentamente, olhando de um lado para o outro, observei as pessoas que dividiram vôo comigo encontrarem seus rumos rapidamente. O sentimento de impotência tomou conta do meu corpo quando percebi que parecia que eu estava diminuindo de tamanho, os sons se tornaram distantes, meu peito dilatou e minha respiração acelerou. Eu estava sem bateria, não conseguiria ligar para eles, não conseguiria dizer que tinha chegado até, pelo menos, encontrar uma tomada. Merda. Cadê ela?
Girei sobre meus pés milhares de vezes, eu não tinha dinheiro para pagar por um táxi, e não podia perambular por aí com todas as minhas coisas guardadas em malas grandes de rodinha.
— Allison! — A voz de Madison cortou o ambiente por trás de mim. — Aqui!
Virei-me automaticamente, abrindo um sorriso largo nos lábios, ela sorriu também. Corri em sua direção, arrastando todas as minhas coisas e, sem pensar duas vezes, ela rasgou a monotonia do aeroporto com seus cabelos de fogo e me abraçou apertado.
— Que saudade que eu tava de você! — Disse ela, apertando meus braços. — Você não muda nunca, né?
— Eu poderia dizer o mesmo de você, mas parece que você deu uma engordada! — Provoquei, e ela deu uma risadinha.
— Quanto tempo, Alli — A voz grave de Jordan ribombou por meus ouvidos.
Ele tocou minhas costas e eu virei-me rapidamente em sua direção, o abraçando com força. Jordan tinha mudado bastante desde o High School, ele estava menos encorpado, tinha olheiras começando a se formar debaixo de seus olhos claros, mas continuava sendo tão gentil quanto costumava ser.
— O Jordan conseguiu convencer o chefe dele a deixar ele vir te buscar comigo — Madison comentou. — A gente tem tanta coisa pra te contar!
— Isso é ótimo — Ergui as sobrancelhas.
— E me dá tempo o bastante pra saber o que você andou aprontando na Califórnia! — Jordan brincou.
— Vai se decepcionar — Dei de ombros.
Ele deu risada e curvou-se para frente, pegando minhas malas com as duas mãos, me deixando somente com a mochila nas costas e o travesseiro debaixo do braço. Jordan era como um irmão mais velho para mim, não só porque ele tinha se casado com minha irmã mais velha, mas porque ele não fazia o tipo de cara que só te cumprimentava por obrigação, ele realmente se importava com o que eu tinha para dizer.
Jordan me perguntava frequentemente como eu estava, me dava conselhos e até puxões de orelha quando achava necessário. Ele era um cara ponderado e esperto, e como sua irmã mais nova era uma das minhas melhores amigas, quebrar a barreira que existia quando ele começou a namorar com Madison não fora um grande problema.
Não contestei quando o observei levar minhas malas para o carro prateado e pequeno, que eles tinham conseguido comprar com muito sacrifício depois de casados. Jordan abriu o porta-malas e ajeitou as malas com cuidado antes de bater a porta e destravar o carro para que Madison e eu entrássemos.
No banco traseiro, eu não consegui abrir a boca por um longo tempo, enquanto observava a paisagem ficar para trás. Eu conhecia todos aqueles lugares — de Boston até Brookline — como a palma da minha mão, e sentia uma pequena pontada no fundo do meu peito quando a sensação de nostalgia invadia meu corpo e incendiava minhas veias.
As lembranças eram vívidas em minha mente. Quando passamos por baixo da World Trade Center Avenue, a lembrança saltitou para a frente dos meus olhos com tanta força que perdi o ar por um instante.
Eu me lembrava bem daquela passagem escura que se desdobrava por baixo da World Trade Center, Daniel e eu passamos por baixo dela quando tentei desaparecer de casa porque as coisas supostamente seriam melhores para todo mundo se eu não estivesse por perto. Ele não fazia ideia de como voltar para casa. Daniel me encontrara a sete milhas de distância da minha casa, eu tinha andado por tanto tempo que minhas pernas queriam falhar e eu estava exausta demais para correr, especialmente se tratando dele, um jogador de Futebol Americano que, apesar de ser Quarterback, era veloz demais para que eu conseguisse escapar.
Eu ainda tinha o moletom que ele me emprestara naquele dia. Ele estava meio desbotado e com alguns furos ao redor dos punhos das mangas, mas ainda era o moletom mais confortável que eu tinha.
Quando passamos na frente de Brookline High School, eu praticamente conseguia nos enxergar conversando na entrada da escola. Daniel apoiado no corrimão da esquerda, Ethan jogando o papel do pirulito no lixo, Angeline com os braços cruzados, revirando os olhos para todas as provocações de Daniel, Adalia explicando a matéria de alguma prova para Michael e Rebecca tentando o acalmar.
— Que saudade... — Murmurei, encarando a escola ficar para trás.
— Nossa, nem me fala — Jordan suspirou. — Às vezes, queria ser capaz de voltar no tempo!
Desviei os olhos da janela para o retrovisor, me deparando com os olhos de Jordan me encarando pelo espelho. Ele abriu um sorriso gentil e virou o rosto para Madison.
— Já que ela decidiu nos dar atenção, o que acha de contar agora? — Perguntou para ela.
— Contar o que? — Franzi o cenho, me curvando levemente para frente, tentando chegar mais perto.
— Acha que é uma boa hora? — Perguntou ela, erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Uma boa hora pra me contar o quê? — Insisti como uma criança.
— Ah, acho que não tem momento melhor, só falta contar para ela — Jordan deu de ombros, com os olhos fixos no trânsito.
— O que quê é? — Me senti um tanto ofendida por ser a única que não sabia da informação ultrassecreta deles. — Dá pra vocês dois pararem de enrolar?
— Mas queria que fosse algo especial, Jord — Madison tamborilou o dedos no apoio de braço da porta.
— Tá, que merda vocês querem me contar que vocês contaram pra todo mundo, menos para mim? — Grunhi, dando um tapinha no ombro de Madison.
Ela abriu um sorriso largo e virou-se um pouco mais em minha direção, afrouxando o cinto de segurança com a mão.
— Ah, que eu tô grávida, né! — Deu de ombros.
Eu congelei por um instante.
Jordan abriu um sorriso que ia de orelha à orelha, orgulhoso de si mesmo.
Eu não sabia como reagir. Arregalei os olhos, assustada, mas eu também estava feliz, queria sorrir e gritar para o mundo inteiro que eu seria tia, e que eu provavelmente mimaria a criança até ela ficar insuportável, mas meu corpo não conseguia destravar.
— Tá brincando? — Perguntei, sacudindo a cabeça, tentando recobrar a consciência.
— Não — Ela respondeu sorrindo.
Eufórica, eu saltitei no banco, sacudindo minhas mãos e me segurando para não gritar alto demais. Madison riu, puxando o resultado do teste de dentro de sua bolsa e me entregando. Li cada linha, sem entender muito bem o que estava acontecendo, mas confirmando a gravidez com o "positivo" redigido em letrinhas pequenas, em tipografia sem serifa.
Meu coração expandiu automaticamente, como se um novo espaço — gigante, diga-se de passagem — estivesse se abrindo unicamente para aquela informação.
Eu seria tia.
Madison seria mãe!
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