Capítulo 5 - 'Cause all of the stars are fading away...


Kevin estava bem. Depois que eu o socorri, chamei uma ambulância que em menos de 20 minutos já estava levando-o para uma maca. Eu o acompanhei, e não deixei de segurar a sua mão um instante sequer, orando para que ele saísse dessa.

Eu não queria perde-lo, e fiquei pensando na minha mãe, que também estava em uma situação complicada e acabei entrando em desespero.

Ao chegarmos ao hospital, uma enfermeira pediu para que eu chamasse os seus pais para dar entrada em alguns papéis. Por sorte, eu havia pego o celular de Kevin do bolso e assim, pude ligar para os seus pais. Eles vieram correndo e me agradeceram por eu tê-los avisado.

Os médicos disseram que Kevin teve uma overdose, mas que por sorte, iria ficar bem. Eu e os pais de Kevin ficamos aliviados.

Agora, eu estava em casa escrevendo. Tinha recebido um enorme sermão dos meus pais por ter ficado fora de casa por tanto tempo sem avisar a ninguém aonde ia. Tinha sido um longo dia, e os pais de Kevin ficaram de me informar quando ele teria alta. Eu estava proibida de sair de casa por dois dias, a não ser para ir à escola.

Lembrei do que a vidente havia me dito quando a encontrei, sobre as estrelas serem a resposta. Talvez elas fossem mesmo, afinal, foi por causa delas que pude conhecer melhor o Kevin.

Eu só esperava que as estrelas também o ajudassem.

✬.✬.✬

No dia seguinte, na saída do colégio, eu vi Kevin. Fiquei sabendo através dos seus pais que ele teve alta rapidamente, mas ele não esteve presente nas aulas de hoje. Kevin estava do outro lado da rua, recostado em uma árvore. Ele usava uma jaqueta de couro, camiseta preta por baixo, uma calça jeans e botas de motoqueiro. Acho que nunca o tinha visto tão arrumado.

Ele estava lindo.

Assim que me viu, Kevin veio em minha direção pisando duro. Acho que ele estava bastante irritado comigo.

— Posso saber porque você chamou os meus pais?

Kevin mantinha no olhar uma expressão dura e firme. Eu quase me senti encurralada com aquele olhar.

— Eu não tive escolha! Eles pediram para que eu chamasse um responsável seu para dar entrada na papelada do hospital. O que você queria que eu fizesse? — indaguei com toda a indignação que eu sentia.

— Eu não sei! — Ele gritou, fazendo com que eu me assustasse. — Só queria que você parasse de fingir que se importa.

— Acha mesmo que eu estou fingindo? Eu estou com tanto medo de perder a minha mãe que me recuso a abrir mão de você, Kevin. Por mais que eu esteja indo contra os meus princípios, eu não posso mais fugir dos meus sentimentos.

Quando eu disse aquilo, Kevin ficou estático. Ele buscava em meus olhos, a confirmação que precisava para constatar que eu realmente não estava mentindo, mas não deixei que ele pensasse muito.

Coloquei uma das minhas mãos em sua nuca, e me aproximei o suficiente para sentir a sua respiração em meu rosto. O olhar de Kevin era profundo e intenso, e eu aproveitei para admirá-los de onde eu estava. Entretanto, não consegui observar muitos detalhes de seu rosto, pois Kevin colocou as mãos em volta da minha cintura e me beijou.

A sensação que eu tive foi como se eu estivesse voando, nas nuvens, pois Kevin me beijava com muita ternura. Nunca, em um bilhão de anos, eu poderia imaginar que Kevin teria um beijo tão diferente de sua personalidade.

Suas mãos eram firmes e ao mesmo tempo suaves e me tocavam com uma intensidade que me fez beijá-lo com um pouco mais de urgência. Ele sorriu enquanto me beijava, o que me fez corar e quebrar o beijo.

Nós nos olhamos, e pude perceber que Kevin estava tão vermelho e ofegante quanto eu. Ali eu tive a confirmação de que eu realmente estava apaixonada por ele.

Algumas semanas depois...

Eu havia acabado de sair da editora com a felicidade estampada no rosto. Eu tinha terminado o meu romance em tempo recorde, que se chamava: "Faça seu coração parar de chorar". Valentina chorou lendo a trajetória do garoto perdido no qual construí com muito cuidado, e me parabenizou pela melhor história que ela já tinha lido. O meu contrato foi renovado, e meus pais estavam muito felizes por mim.

Mamãe havia feito uma cirurgia e estava se recuperando bem. Os médicos estavam confiantes sobre o caso de minha mãe, e as coisas pareciam estar caminhando bem.

Meus pais já sabiam que eu estava saindo com o Kevin, o que eles ainda não aprovavam muito, mas eles não tinham muita escolha e sabiam disso.

— Parabéns, minha escritora. — disse Kevin, me abraçando apertado. Eu abri um sorriso e lhe dei um beijo.

— Como você sabe que eu consegui?

— Está estampado no seu rosto.

Eu dei um tapa leve em seu ombro e soltei uma risada, pendurando-me em seu pescoço e lhe dando vários beijos. Kevin sorriu, apertando-me contra o seu corpo.

Caminhamos de mãos dadas até o teatro, onde ficamos deitados um do lado do outro, no palco. Ali, fiquei pensando no quanto as coisas em minha vida começaram a melhorar afinal, Chloe e Kevin já estavam se tratando como seres humanos normais, meus pais estavam se acostumando com o meu namoro e a minha mãe já estava melhor.

Kevin estava tentando parar de usar drogas, mas eu sabia que ele ainda fumava de vez em quando. Ele havia voltado a morar com os pais e Selena, que o receberam de braços abertos.

— Você me faz muito bem, sabia? —Kevin indagou, depositando um beijo em minha testa.

— Claro que sabia, mas é sempre bom ver você repetindo isso.

Nós dois rimos do que eu disse, e Kevin encostou os lábios nos meus. Quando quebramos o beijo, ficamos com nossas testas grudadas por um bom tempo, apreciando a sensação gostosa de tê-lo tão próximo a mim.

— Ora, ora, ora... — Ouvi uma voz coberta de malícia próximo a onde estávamos que fez com que Kevin se sentasse rapidamente. Seu corpo ficou rígido quando Jasper apareceu junto com um homem bem alto e moreno e um cara loiro. — Posso atrapalhar um pouco os pombinhos?

— O que você está fazendo aqui, Gil? — Kevin perguntou, de forma neutra, mas eu tinha certeza de que ele estava maquinando algo em sua cabeça.

— Tive que descobrir através de terceiros que você se mudou e esqueceu de me informar. Ah, e também parou de atender as minhas ligações. Acho que você deveria saber que eu não gosto quando me fazem de bobo. — disse Gil, olhando-nos como se fôssemos suas presas. Jasper tinha um fulgor nos olhos de quem estava se divertindo muito com a situação, e o loiro estava bem sério.

— Eu disse a você que estou fora! — Kevin exclamou, irritado. — Não vou mais vender drogas.

Gil esboçou um sorriso repleto de sarcasmo.

— Eu sei. O problema é que você estava roubando a minha mercadoria para montar seu arsenal de venda e também para poder usar o que sobrava.

— E posso apostar que foi o Jasper que contou tudo, não foi? — indaguei, olhando bem para o rosto maldoso de Jasper. Ele retribuiu o olhar, e parecia bastante satisfeito.

— Ronan já pagou o preço. Agora, só falta você. — Gil disse, dirigindo-se a Kevin e não a mim.

— O que você fez com o Ronan? — Kevin perguntou, e percebi que as suas mãos tremiam. Acho que ele temia saber que destino seu amigo teve.

— Eu o matei. — Kevin arregalou os olhos e fechou as mãos em punho ao ouvir o que o Gil dissera. — E você será o próximo, se não me pagar o que deve. Não preciso dizer que a sua namorada vai junto, não é?

Kevin me olhou e indicou a saída do teatro com um discreto aceno de cabeça. Eu sabia que a coisa ia ficar feia, mas não ia deixar meu namorado sozinho.

— Preciso de uma semana para poder conseguir o dinheiro.

— Você não entende, não é? Eu quero esse dinheiro agora! — Gil gritou, me fazendo dar um pequeno pulo de susto.

Kevin se levantou, aproximando-se de Gil e colocando a mão no bolso.

— Tudo bem, eu vou te pagar.

Gil esboçou um sorriso triunfante, e Jasper e o loiro se entreolharam, dando risadinhas que me irritaram profundamente.

Kevin acertou um soco no rosto de Gil que o fez cair no chão.

— CORRA, ALLY!

E eu corri. O medo me dominou de tal forma que eu acabei fazendo exatamente o que eu não queria. Desbloqueei meu celular e disquei o número da polícia, mas Jasper me alcançou, derrubando-me no chão.

— Aonde pensa que vai? — Jasper me olhou de uma forma maliciosa que acabou me enojando. Ele tentou acertar um chute na minha barriga, mas eu o derrubei no chão com uma rasteira. Jasper pegou meu celular e o quebrou.

— Pena que eu fiz karatê quando tinha 15 anos. — Fingi estar decepcionada e acertei um soco em seu nariz e outro na boca do seu estômago.

Vi que Kevin estava apanhando de Gil e do homem loiro e voltei correndo para socorrê-lo.

Peguei Gil por trás e lhe acertei outro soco.

— Eu disse para você ir embora daqui! — Kevin ralhou, olhando para mim com os olhos arregalados, sendo derrubado pelo loiro logo em seguida.

— Sua vadia. — Gil disse, antes de acertar em cheio o meu rosto.

Eu caí no chão com o impacto, e senti um gosto horrível de sangue em minha boca.

Kevin, que estava caído no chão apanhando, me olhou de um modo que não consegui descrever. Só sei que havia fúria em seu olhar e alguma outra coisa.

Ele derrubou o loiro no chão e começou a socar seu rosto diversas vezes até deixa-lo inconsciente. Gil tirou Kevin de cima dele e tentou acertar-lhe um golpe, mas Kevin foi mais rápido e se esquivou, acertando uma série de socos em seu rosto e barriga.

Jasper veio para cima de mim novamente, mas eu bloqueei seus movimentos. Logo, Kevin estava chutando a costela de Jasper.

— Isso é por você ser um traidor desgraçado! — Kevin gritou, chutando o rosto de Jasper, que gemia de dor. As feições de Kevin estavam completamente transtornadas. — E isso, é pelo Ronan!

Kevin socou sua barriga, fazendo Jasper gritar, pedindo para que ele parasse.

O loiro e Gil estavam praticamente desacordados no chão, e pareciam ter aceitado a derrota.

— Kevin, chega.

Ao ouvir a minha voz, Kevin me olhou como se fosse a primeira vez que me via. Ele piscou os olhos algumas vezes, olhando para seu punho cerrado e para Jasper como se não se reconhecesse. Ele estava em choque.

O peguei pelo braço e o puxei para a saída.

Ele não contestou quando o levei para longe.


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