STACY [✾] 20



STACY JOHNSON
um mês depois

No instante seguinte que terminei de ler a carta do Sammy, juntei as provas necessárias dos abusos do Charles e fui até a delegacia, não precisou de muito para provar que eu estava falando a verdade, tudo estava explícito pelos roxos espalhados em mim.

Algumas horas depois, ele estava preso. Nunca mais o vi, e pretendo seguir assim para o resto da minha vida. Tomei a decisão também de ir embora de Omaha, mas já tinha feito muitas coisas sem pensar antes, e dessa vez como queria fazer tudo certo, dei um certo tempo para me organizar.

Apesar de não ter conseguido transferir minha faculdade,o que foi uma boa, pois percebi que meu sonho nunca foi ser enfermeira, prefiro estar em uma sala de aula, ensinando sobre obras literárias incríveis para as pessoas. Sendo assim, fiz a prova para entrar em uma faculdade em Los Angeles, e consegui.

Meu outro plano para colocar minha vida nos eixos, era melhorar  minha saúde mental antes de voltar pro Sammy, porém antes de ter tempo de comprar um apartamento na cidade, Johnson me ligou, foi uma das piores ligações da minha vida. Ele me disse que a cada dia que se passava, Samuel arrastava a si mesmo para a morte, isso foi o suficiente para eu agilizar meus planos.

Johnson disse que eu poderia ficar no apartamento dele, ele só queria que eu chegasse logo e ajudasse o amigo dele a sair daquela situação, do mesmo modo que ele me ajudou a sair da minha.

Minhas mãos estão tremendo quando coloco a chave na fechadura do apartamento dele, meu primo me deu as chaves que Sammy deu para o mesmo poder entrar quando quisesse, porém Jack me disse que da última vez que fez isso, foi expulso a gritos.

Lágrimas brotam nos meus olhos quando entro  e vejo um completo caos, além do cheiro ruim de bebida com alguma coisa que não sei identificar. A medida que vou andando mais, o peso em meu coração aumenta, olho para a cozinha e vejo que ali tem louças de mais de um mês.

Procuro pelos quartos, a primeira porta está trancada, a segunda, que é o banheiro, me deixa com ânsia de vômito do cheiro ruim que vem de lá, meu corpo todo está tremendo quando chego na última e vejo que é seu quarto, ou o que restou dele.

Tudo está quebrado, as roupas estão jogadas no chão, tem bebidas quebradas , olho para a cômoda e vejo restos de baseados, além de vários saquinhos com alguns comprimidos. O piso parece estar desabando enquanto caminho a uma porta dentro do quarto, assim que abro a respiração fica presa nos meus pulmões.

Sammy está deitado na banheira apenas de cueca, seu corpo nunca pareceu tão magro e frágil, a parte em baixo dos seus olhos estão pretas, há um corte em sua sobrancelha e queixo, além de marcas de sangue seco  nos dedos, como se tivesse quebrado algo.

Quando olho para a o espelho vejo uma parte dele quebrado e manchas de sangue também secas. Lágrimas descem pelo meu rosto quando começo a pensar no pior, largo minha bolsa no chão, indo correndo até ele.

Solto um suspiro de alívio quando sinto o pulso dele, mas por fora ele parece tão...morto.

Por favor, não me deixe.

— Sammy...— minha voz sai fraca e embargada, chacoalho seu corpo, não recebo nenhuma resposta dele. — Sammy, por favor....

Balanço seu corpo com mais força porém parece que a qualquer momento ele vai se despedaçar nas minhas mãos. Sua pálpebra começa a tremer a medida que ele tenta acordar.

— Stacy? — sua voz parece irreconhecível até para mim, mesmo assim, abraço ele com força. — não, me solta...você me deixou.

— Eu nunca deixei você, Sam. — seguro o rosto esguio dele nas minhas mãos, seus olhos estão escuros e tristes. — e nunca vou deixar. Estou aqui para você.

— Você promete? — sua voz quebra meu coração em mil pedaços.

— Prometo. — ele ainda parece não acreditar que estou ali, acha que sou apenas uma ilusão do tanto de drogas que ele vem usando. — agora, vamos sair daqui.

Ele concorda com a cabeça. Apoio o corpo dele no meu enquanto levo o mesmo até a sala, afasto algumas roupas do sofá, deitando ele lá, Sammy não consegue manter os olhos abertos. Com as mãos ainda trêmulas disco o número do Johnson e peço pra ele subir.

Assim que ele entra seus ombros caem e o loiro começa a chorar, atrás dele Nate leva a mão até a boca em choque.

— Eu acho que ele precisa ir pra uma reabilitação. — consigo dizer para os dois, que ao ouvirem minha voz, saem do seu transe.

— Eu...eu...— Nate tenta falar, ele fecha os olhos antes de prosseguir. — eu conheço um ótimo, vou ligar pra eles e vê se tem vagas.

— Ok, obrigada. — sorrio minimamente pra ele. — você pode me ajudar a dar banho nele e arrumar a casa? — pergunto pro Johnson, que apenas concorda com a cabeça. Organizo o banheiro primeiro, depois com a ajuda do Jack banho ele.

— Ele não tem nenhuma roupa limpa. — digo.

— Sempre ando com umas no carro, vou lá em baixo pegar. — Nate diz.

Depois de arruma-lo colocamos ele no carro indo em direção a clínica, durante o percurso ele dorme com sua cabeça no meu colo, enquanto passo as mãos pelo seu cabelo que está maior do que ele usa.

Quando chegamos no local, uma fazenda em uma parte calma da cidade, e a mulher responsável começa a listar as atividades que ele irá fazer, sei que Sammy vai sair totalmente recuperado dali.

— Ele vai ter que passar duas semanas sem receber visitas ou ligações, por conta de ser o período em que o álcool e as drogas irão estar saindo do corpo dele. Mas enquanto isso vocês vão receber ligações nossas ou vocês podem ligar e saber como ele está indo, depois disso ele já vai poder receber visitas duas vezes por semana e ligações todos os dias de uma hora, porém assim que os meses passarem a quantidade de visitas irá aumentar. Por conta do uso de cocaína ele irá passar cinco meses aqui, se acháramos necessário, até seis. — nós três concordamos com a cabeça. — vou deixar vocês se despedirem, licença.

Ele sai da sala. Johnson vai até o amigo, abraça o mesmo e diz algo em seu ouvido, Nate faz o mesmo porém beija a testa do Sammy, eles saem da sala me deixando sozinha com ele.

Samuel está com as mãos no bolso e de cabeça baixa, abraço ele pela cintura enquanto o mesmo leva suas mãos até minhas costas.

— Vou estar esperando você. — sussurro. — não vou para lugar nenhum, ok? Só me promete que vai se cuidar. — digo enquanto olho nos seus olhos.

— Eu prometo. — ele murmura, passando seu polegar pela minha bochecha, fecho os olhos apreciando seu toque. — nós vamos ser felizes, tá bom?

— Eu sei que vamos. — sorrio pra ele, deixo um selinho nós seus lábios.

— Você pode passar esse tempo no meu apartamento, caso não tenha achado algum por aqui. — faço que sim com a cabeça.

— Se cuida. — abraço ele mais uma vez. — daqui a duas semanas eu vejo você.

— Vou estar esperando.

Um alívio, mesmo que seja pouco, toma conta de mim quando deixo a clínica.

— Vai da tudo certo, ok? — Johnson e Nate dizem juntos.

Vai da tudo certo.

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