STACY [✾] 18



STACY JOHNSON

Augustus Waters disse que estava em uma montanha russa que só ia para cima, no meu caso, a minha só vai para baixo.

Não consigo chorar desde que recebi a ligação do hospital. Ainda estou me enganando, dizendo que tudo não passa de um sonho, que ele está vivo, só está se recuperando.

O único momento em que permiti sentir alguma coisa, foi quando cheguei e vi o Sammy completamente devastado em uma das cadeiras na sala de espera, soube que deixaria ele pior ainda quando Charles lançou um olhar mortal em sua direção. Então, como era o certo a fazer, mandei ele ir embora, e a parte de mim que não tinha se recuperado do choque, se desmanchou ao vê-lo ter um ataque de pânico.

Ele sempre teve isso. As vezes eram frequentes, as vezes não . Mas sempre que ele tinha perto de mim, eu o ajudava, e hoje não pude fazer isso. Tudo o que fiz, foi abaixar a cabeça indo o mais rápido possível até o quarto do meu pai.

— Não sei como ele teve coragem de aparecer aqui. — Charles murmura. — foi você não foi? Que chamou ele?

Ignoro totalmente suas acusações, estou pouco me importando se depois vou sofrer as consequências disso, tudo o que quero no momento é ver meu pai na cama quando abrir a porta do quarto. Mas óbvio que isso não acontece, porque ele se foi. A última pessoa que me amava verdadeiramente me deixou.

Em passos cautelosos vou até a cama, onde tem uma sacola com as roupas que ele chegou aqui e seus documentos. Charles ainda está dizendo alguma coisa, mas todos os meus sentidos estão desligados.

Abraço a sacola junto ao meu corpo, sou capaz de sentir até o perfume dele, mesmo assim as lágrimas não vem. Lembro de quando ele me disse que mamãe tinha morrido, não demorei dois segundos para desmanchar em lágrimas.

Por que não consigo chorar agora?

— Querida? — volto a prestar atenção no que acontece ao meu redor, quando escuto a voz da minha tia. Seu nariz e olhos estão vermelhos. — sei que é um momento difícil pra você, então se não se importar eu quero cuidar de tudo, você pode só descansar.

— Não. — digo firme. — obrigado, Tia Jenifer. Mas eu quero fazer isso, ele merece que eu esteja lá organizando tudo. — afinal de tudo,foi culpa minha ele ter vindo parar no hospital.

— Tudo bem, querida. — ela passa suas mãos pelos meus cabelos. — mas, posso te ajudar?

Faço que sim com a cabeça, ela segura meus cotovelos, me arrastando pra fora do quarto. Enquanto passamos pelos corredores, ela me conta que já resolveu tudo com o hospital.

O resto do dia passa como um borrão. Organizei todo o enterro, encomendei as flores, o caixão, escolhi o terno que ele iria usar mas mesmo assim nem uma lágrima descia, porém minha garganta parece cada vez mais fechada, assim como a dor no meu peito está enorme.

— O padre chegou, já podemos começar. — meu tio avisa. Aliso meu vestido preto antes de levantar.

Consegui que ele fosse enterrado ao lado da minha mãe, e mesmo olhando os túmulos deles lado a lado, não consigo chorar.

Não ouvi metade da cerimônia, nem as homenagens que nossa família e seus amigos prestaram a ele. Quando chegou minha vez, meus pés travaram no chão, minha voz desapareceu e não consegui dizer nada além de desculpas, papai e jogar uma rosa sobre seu caixão.

Observei a terra sendo jogada em cima dele, nada de lágrimas ainda.

— Vamos, amor. — Charles sussurra no meu ouvido. Sinto vontade de vomitar ao ouvir sua voz mas mesmo assim sigo ele até minha casa.

Mal entro em casa e recebo uma mensagem do Johnson. Ele está bem, e já estamos indo pra casa.

Arfo ao ler, me segurando na parede. Charles surge no meu campo de visão, puxando o celular da minha mão.

— Você está mais impactada porque ele foi embora, do que com a morte do seu próprio pai? — ele deixa explícito a incredulidade na sua voz. — você é uma puta mesmo.

Ele joga meu celular no chão, observo o aparelho se despedaçar. Charles começa a dizer vários outros insultos mas não escuto nenhum deles, um zumbindo horrível nos meus ouvidos não permite isso.

Quando começo a caminhar, ele puxa meu pulso com força, mas não sinto dor, não sinto nada.

— Aonde você vai? — diz entre dentes.

— Pro inferno! — grito. Acho que pelo susto, ele solta meu pulso e ficou me encarando chocado.

Subo as escadas correndo mas paro abruptamente quando chego na porta do quarto do meu pai. Encosto a testa na madeira, respirando com dificuldade, quando escuto passos na escada, entro rapidamente no cômodo e tranco a porta.

Sento no chão, ouvido os esmurros de Charles na porta. Prendo a respiração sentindo um cheiro mais forte do seu perfume, solto um soluço quando vejo sua cama vazia, me dando conta de que ele nunca mais vai dormir lá, nunca mais vai fazer café pra mim, nunca mais vai me parabenizar por conquistar alguma coisa, nunca mais vai conseguir ser feliz outra vez.

Então, elas finalmente vem. Descem com total força, aliviando a pressão no meu peito.

— SAI DAÍ AGORA, ANASTÁCIA! — Charles grita.

— O que vou fazer agora sem você, papai? — sussurro. — sem o Sammy? Por que tudo tinha que dar tão errado? O que eu fiz?

Fecho os olhos com força. Não sei como mas acabei adormecendo ao som dos gritos do Charles, seus murros na porta e meu choro.










tô sem condições gente
tadinha da minha bichinha

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