|Puro Êxtase 3|

— Eu vi a Christie... — Mana coça levemente a lateral da cabeça, depois de informar detalhadamente meu dia magnífico. — Colocando esctasy nas bebidas. — Enche a pequena colher de plástico com o sorvete de morango na casquinha. — Por isso eles se beijaram. — Fala com a boca cheia.

— Então ele não quis ficar com ela! — Bato a palma sob a mesa marrom, trazendo o olhar arregalado da ruiva em minha dianteira. — Mas que vaca!

— Acredito que não... — Inclina a sobrancelha ruiva. — Como ele tinha dito, não era ela quem queria levar ao baile. — Dá mais uma colherada no sorvete, eu faço o mesmo com o meu de chocolate, que a propósito está derretendo em meus dedos.

— Mudando de assunto, vamos dar uma volta no parque? — Chupo os dedos melados. — Estou precisando espairecer... — Convido e ela assente. Levantamos do banco estofado e bordô, e saímos em busca do parque botânico. Andamos na calçada, quando seu celular vibra em sua mão.

— É minha mãe. — Dedeia na tela e atende em seguida. — Vou no parque com a Lana... Depois vou pra casa... Tá bom, tchau. — Desliga, enquanto continuamos o trajeto do parque, até receber uma mensagem. Comprimo as sobrancelhas ao notá-la visualizar a tal mensagem e ignorar sem responder. — Meus pais estão no meu pé, é melhor ir embora... — Para de andar receosa. — Vai você lá no parque, sei que gosta.

Acho estranho, os Blossom não costumam mandar mensagens, eles ligam de uma vez. Assinto e ajo insidiosa, nos despedindo com abano de mãos. Então percebo David nos alcançar, passando por Mana e chegar até a mim.

— Ouvi que iriam no parque, posso ir com você? — Leva seu olhar na mesma direção que meus olhos observam, na Mana com passos apressados.

— Sim, pode. — Digo sem perceber que agora estaria sozinha com ele. Arregalo meus olhos diante dele, pois não podemos ficar sozinhos. Não quero estragar nossa amizade, porém ele dificulta assim.

Retorno meu olhar na Mana, que a propósito não estava na direção de sua casa. Que estranho, mas muito estranho...

— Onde será que ela vai? — Volto o caminho, afim de ver por onde ela vai.

— O que está fazendo? — David me acompanha. — O parque é para o outro lado!

— Eu sei... — Enalteço o sussurro. — Preciso saber onde ela vai.

Seguimos Mana facilmente, pois a ruiva nem a rua cuidava ao atravessar. Desce a escadaria da Vila, e encaro David totalmente incrédula. O que ela veio fazer aqui na Vila? Realmente muito estranho. Um absoluto esforço, fizemos para não sermos vistos, como crianças brincando de se esconder. Entre uma rua e outra, com casas humildes e bares aterrados, passamos pelo o movimento de pessoas e crianças jogando bola na rua. Quando percebo Mana virar a esquina de um beco, cuidadosamente infiltramos o beco, ficando atrás dos contêineres de lixo.

— Hoje vai querer o quê? — Escuto uma voz rouca e intensa, porém conhecida.

Jeff? É sério isso? Espio para ter certeza e... Putz!

— Queria cocaína, mas não tenho o suficiente. — Ela responde com a voz embargada.

Cocaína? Olho imediatamente para David que arregalara os olhos como eu. Não acredito! Os batimentos cardíacos foram parar na garganta.

— Você pode pagar o que falta de outra forma. — Levo meu olhar de volta a eles pela fresta, no momento que o garoto cacheado entregava o pacote branco a ela. Mana guarda no bolso e se aproxima dele. O que ela vai fazer? Não, não pode ser... Ela vai... Beijou...

A ruiva apoia suas mãos no pescoço dele, ficando praticamente pendurada pela estatura alta do rapaz. Meu queixo cai lá em baixo, quando as mãos dele passeiam por seu corpo, deixando apertões pelo caminho. Olha só... Tá quase arrancando a bunda dela...

— Não sabe o quanto eu queria te beijar. — Jeff fala na pausa do beijo, antes de prosseguirem mais uma vez.

— Onde ela enfiou a língua? — David sussurra, disputando a fresta comigo. — Quer dizer, a cabeça oca?

— Shhh... Para de falar! — Exalto de mais o cochicho.

— Quem tá aí? — A voz da Mana ecoa no beco. Que maravilha, agora eles sabem que estamos aqui. Encaro David irritada, pois ele tinha que falar! — Puta que pariu! — A ruiva arregala os olhos ao chegar acompanhada de Jeff no contêiner. — O que estão fazendo aqui?

— Você deve muita explicação. — Cruzo os braços empurrada.

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Sabia que cedo ou mais tarde, Lana iria descobrir o que tanto fazia, mas não imaginava ser pega no flagra dessa forma. Mal me despedi de Jeff, e segurei o pulso de minha amiga e arrastei os dois até a escadaria, me restando apenas contar a verdade. Sento em um dos primeiros degraus com corrimãos grafitados, David senta ao meu lado e Lana me encara parada em minha frente, esperando por minhas palavras. Não é fácil assim...

— Tá legal, aí vai... — Bato com as palmas nas coxas como impulso. — Nas férias, quando fui nos meus tios no Texas, meus primos e uns amigos apresentaram a... — Olhei para Lana franzindo o cenho com os olhos esbugalhados e a David levei meu olhar pelo alto do ombro. — Cocaína... — Minha voz sai engasgada, nem ao menos encarei as faces a minha frente. — Como todos sabem, é um caminho sem volta. — Peso a cabeça pelo remorso, mas continuei a falar mesmo sendo arrastadas. — Quando voltei pra Denver, ouvi algumas cheerleader falar sobre Jeff... É fácil de conseguir, ele troca por... — Levo meu olhar a minha amiga com a feição desenganada, totalmente decepcionada. Entendo... Que tipo de garota entregaria seu próprio corpo por drogas? — Hoje foi a primeira vez que o beijei, sempre paguei! — Enfatizo no final, como se isso não fosse absurdamente errado.

— Como você pagou, agora não importa. — Lana se põe de joelhos no degrau debaixo, ficando em minha dianteira. — Você precisa parar, é seu último ano escolar. O que vai ser de você na faculdade? — Ela me nota esperando por respostas, mas nada flui. Só espero pelo sermão. — Teus pais trabalham tanto para ajudar teu irmão Mathew a pagar a faculdade... E você? Como vão te ajudar, se gasta tudo em drogas, roupas e sapatos? Não vai conseguir se formar assim!

Muito drama, porém verdades... Penso ao pegar uma pedrinha apoiada de meu tênis branco. — É, eu sei de tudo isso... — Jogo a pedrinha na rua. — Não é tão fácil assim.

Passamos a ouvir somente o som de carros e crianças correndo na rua, pois entre nós, o silêncio reinava. Lana quando fica assim, olhando para o nada e calada dessa forma, é por que trama alguma coisa, e isso me preocupa. vem...

— Eu tive uma ideia! — Ela profere ao se erguer, e eu transtorno os olhos. Como imaginei... — E o David vai me ajudar! — Aponta para ele, que agora arregala os olhos apreensivo. O coitado não abria a boca pra nada!

— Como assim? — Ajeita o óculos com a ponta do dedo, sobre saltando o azul dos olhos assustados. — O que está pensando?

— Tua mãe é farmacêutica, então... — Faz pausa por segundos em um sorriso forçado. — Você só tem que conseguir um medicamento para desintoxicação!

— O quê? — Remexe seu traseiro se acomodando melhor. — Eu não posso chegar na minha mãe, dizendo que vou pegar um remédio pra desintoxicação e como devo usar!

— Você é a pessoa mais inteligente que conheço, sei que consegue. — Ela faz beicinho e eu seguro o riso. — Please! — Junta as palmas das mãos, arrancando um suspiro do amigo, que paralisa no olhar de súplicas e não demora assentir. Claro que ela consegue convencê-lo, o coitado faz tudo por seu agrado. Só ela que não se dá conta ainda.

— É Mana... — David esbordoa o cotovelo em meu braço. — Te prepara, não vai ser fácil.

— E eu tenho escolha? — Reviro meus olhos.

— Sim você tem. — Lana escora o traseiro no corrimão. E vamos de sermão mais uma vez... — Você pode contar a verdade a seus pais e ir a uma clínica. — Indica um dígito, seguido outro. — Pode continuar e ficar igual aqueles maconheiros... — Acena com a cabeça diante dos garotos parados na esquina de um muro. — Ou... Aceita nossa ajuda. — Mostra os dentes sorrindo forçado.

Bufo ao despejar meu rosto sobre as mãos apoiadas nos joelhos.

— Tá bom!

Não tenho outra opção mesmo... Pelo menos não vejo outra saída.

— Então entrega o saquinho. — A voz da Lana soa em meus ouvidos, então ergo meu olhar negando mentalmente. Ah, qual é Lana! Estende sua mão, e eu arquejo mais uma vez. Mas que saco! Fico de pé e retiro do bolso o pacotinho branco. Hesito por um instante, mas largo em sua mão, que abre imediatamente o saquinho.

— O que vai fazer? — Franzo o cenho com ardume no ventre, ao passo que ela faz descaso e anda até a calçada, se agachando no bueiro bem em frente e despeja todo o pó dentro dela. Puta que pariu!

— Eu não beijei aquele cara pra nada! — Me ergo inteiramente indignada com a voz enaltecida, enquanto ela retorna caminho.

— Era preciso Mana! — Para em minha frente. — Não pode mais usar!

Subo os degraus completamente enfurecida, batendo os pés até estar lá em cima. Seus passo me acompanham, mas faço descaso. Entendo ser por meu bem mas... Eu... Argh! Eu queria cheirar só mais uma vez! Aumento passos velozmente até estar próxima a minha casa, quando me dou por conta que Lana vinha sozinha. Entro na casa e ando diretamente ao meu quarto, Lana vem atrás fechando a porta em seguida. Continua a encher minha paciência com essa história, e só piora quando diz que não posso ficar sozinha. Reviro meus olhos incansavelmente. Agora tenho babá?

Nessa noite, Lana dormirá comigo. Sempre que a observo, está calada, provavelmente tramando mais um grande plano. Bufo... Bufo... E bufo... Não consigo imaginar o que está por vir, em minha mente só existe o maldito pó. A noite parecia nunca acabar, pela ansiedade de obter o que não posso ter. 

Hoje vamos a escola como de costume, e minha agonia aumenta a cada minuto que passa. Se ontem eu queria, hoje eu quero muito mais. Com Lana, ficamos no corredor a espera do sinal, e David vem ao nosso encontro, arrancando a mochila azul marinho das costas.

— Encontrei tudo o que precisamos... — Abre a mochila retirando a caixa do medicamento e entrega para Lana.

— Viu David! — Lana dá um tapinha no antebraço dele. — Sabia que conseguia! — Sorri divertida, ao passo que os olhos celestes do garoto nerd, chegam a brilhar satisfeitos. Nem lembrava mais do beijo dos dois... Essa Lana... Disfarçando muito bem... Por minha causa, é claro.

— Ah! — David retira uma folha de papel da mochila ainda em mãos. —Precisei da ajuda dos gêmeos pra fazer esse atestado médico falso... — Entrega a folha a mim, e leio minha nova doença. — Pra você faltar aulas no dia do tratamento.

— Varicela? — Estendo o papel, arqueando as sobrancelhas. — Pelo menos uma coisa boa, faltar aula. — Dou de ombros e escoro as costas no alumínio do armário, sorrindo debochado, enquanto Lana revirava seus olhos e David recoloca sua mochila nas costas.

— E Mana, você não pode ficar sozinha, eu e David vamos revezar os dias de aula para ficar com você... —Lana franze o cenho autoritário. Fala sério! Vou ter que aguentar esses dois todos os dias? Sabia que planejava mais coisa. — Só não podemos faltar os dias de trabalho. — Encara David que assente. Ele tem que concordar em tudo? Cruzo os braços ouvindo tanta mesquice, como ter ninguém para cuidar de mim quando eles forem trabalhar. Pelo amor de Deus... Tô bem arranjada. — Madden e Chris... — A voz de Lana soa baixa, assim como sua cabeça rebaixada. Deixando as pupilas dos olhos azuis do nerd dilatadas. — Pareceram bem legais... O que vocês acham? — Retorna a olhar encabulada com suas bochechas rosadas. Seguro meu riso.

Você nem percebe que está doidinha pelo boy...

— Eu... Err... — David comprime as sobrancelhas, ajeitando o óculos com a ponta do dedo. — Acho que eles não... Não é uma boa idéia. — Umedece os lábios mantendo a pose insatisfatória. Óbvio que também percebeu os sentimentos de Lana, e não concordaria em aproximá-los.

— Você... Sabe de outra pessoa então? — Lana leva uma mecha teimosa a ficar presa em seu rabo de cavalo, deixando atrás da orelha. O garoto fica meditando. Claro que não conhece... A não ser os gêmeos, mas todo mundo sabe que são usuários, então não daria certo.

— Está bem... — O garoto insere as mãos no bolso mantendo o olhar concentrado em minha amiga, que abre minimamente um sorriso. — Se não pensarmos em outro, podem ser eles. — Seguro meu riso e desvio o olhar para a porta na ponta do corredor.

Não...

Meu coração dá um salto errado e até minha respiração arde em meus pulmões, acompanhando o tremor em meu corpo. Lana e David também percebem Jeff passando, embalando seus cachos escuros com seu andar, e como sempre, ele nunca é discreto. Mordo meu lábio inferior e até salivo nesse momento. Seus olhos castanhos me devoram e os meus tornam-se insaciáveis. Nunca havia percebido no quanto é atraente, bonito sim, mas não gostoso desse jeito.

— Eu daria agora mesmo por uma carreira. — Penso alto ao contrair minhas coxas.

Capto o silêncio ao meu lado, então levo meu olhar a Lana e David me encarando com os queixos lá em baixo.

— Já está sofrendo abstinência. — Lana nem pisca ao dizer.

Suspiro aliviada, por que não transo por nada. Volto a notar o moreno cacheado se distanciar, e talvez antes pensasse assim, por agora, eu não sei de mais nada.

(...)

Mais tarde, Lana e eu vamos no refeitório como de costume. Sentamos em uma mesa, a mais excluída possível, pois Lana prefere assim. Dou de ombros, sentamos ali mesmo, naquela mesa vazia bem no canto do refeitório. David se junta a nós, não é o que costuma fazer. Normalmente não vem ao refeitório, prefere trazer sua própria comida, já que tem uns probleminhas com alergias.

Os jornais dos gêmeos já estão nas mesas e folhamos para ver os acontecidos da semana Homecoming. De início já visualizamos uma foto de Christie e Madden no baile. Affs... Odeio essa garota... Não entendo o motivo de Madden estar com ela... Meu Deus, como a Christie me dá nojo. Olho para meu lado, e percebo Lana inteiramente concentrada ao admirar aquela mesma foto. Caramba, ela está mesmo gostando dele... Espero que Madden a corresponda, não quero ver minha amiga sofrer mais uma vez.

— Ainda admirando o vestido da Christie? — Percebo a voz de David soar com sarcasmo ao notar Lana desatenta.

— O quê? — Enalteço a voz fingindo estar surpresa. — Admirando um vestido?

— Cla-Claro que não! — Cora seu rosto inteiro, e eu seguro o riso. — Só estava pensando que precisamos falar com Madden e o Chris. — Larga o jornal e se ergue de pé. — E precisa ser agora. — Segura meu pulso firmemente ao puxar, então me deixo levar. Essa eu quero ver...

Percebo David nos acompanhar, enquanto andamos até a mesa que estão sentados. Lana expira pela boca a cada passo que dava, como se estivesse criando coragem. Paramos na ponta da mesa, e a conversa que fluía, para de supetão, assim que nos notam em suas dianteiras. Lana não diz uma palavra, se concentra no branco da mesa parecendo estar hipnotizada. Ficamos todos observando essa maluca falar de uma vez... Já que teve essa ideia espetacular, agora fala né!

— Precisamos conversar com vocês, lá na árvore do pátio. — Sua voz flui acelerada e inicia passos apressados, me puxando junto de arrasto, sem ao menos nos permitir ouvir uma resposta deles.

Assim que chegamos na árvore, escoro com o ombro no tronco e fico só observando os dois abestados a minha frente. O nervosismo da Lana é contagioso, pois David estala os dedos um a um, ao mesmo tempo mantinha seus quatro olhos fixos nela. Ela por sua vez, não desprega a vista da grande porta, até ver quem esperava passar por ela. Conforme Mad e Chris se aproximam, é um salto errado que os batimentos cardíacos davam na garota. Por favor...

Os dois param em nossa frente, e Lana paralisa como uma estátua. Agacho a cabeça apoiando as mãos no rosto, não sei se dou risada ou se choro. Isso tudo é ridículo... Já não basta Lana e David inventarem tudo isso de cuidar de mim, e agora pedir apoio do Madden e do Chris? Misericórdia, eu não aguento tudo isso.

— Primeiramente, é ideia da Lana... — Pronuncio e trago suas atenções a mim. — E segundo, não me julguem e não contem a ninguém. — Sento na grama, mantendo as costas escoradas no caule. Eles, trocam olhares franzindo o cenho. Tenho certeza que pensam que cometemos ou pretendemos fazer algo terrível, só pela cara dos dois. — Vamos Lana, desembucha menina! Eles estão esperando! — Chamo novamente a atenção de todos, inclusive a dela que arregala seus olhos irosos diante de mim. Faço descaso, e cruzo minhas pernas, afinal a ideia brilhante é dela, então que fale de uma vez.

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Vim imediatamente, assim que Lana nos convocou, pois a curiosidade sobreveio assim que ouvi sua voz naquele refeitório.

— Err... É que... — A garota tímida cambaleia suas palavras, ao passo que eu Chris nos mantínhamos tesos ouvindo o que precisava tanto dizer. Ouvi-la falar da Mana e seu vício, me fez perceber no quanto se preocupa com sua amiga. Chegar nesse ponto de pedir nossa ajuda, logo à mim e o Chris... É por que confia em nós. A ruiva parecia querer afundar a cabeça em baixo da terra, igual a um avestruz. Suas mãos tapavam o rosto totalmente corado. De fato era um motivo para vergonha, porém não a julgo e pelo jeito nem Chris, pois parece ter se interessado no assunto.

— Já não basta ter Lana e David como papais... — A ruiva quebra o silêncio após Lana terminar de falar. — Agora vou precisar de dois baby-sitters também! — Contagia-nos com sua piada.

— E aí... vocês aceitam? — A voz doce e arrastada soa em meus ouvidos, levando meu olhar ao seu castanho.

— Por mim, tudo bem. — Libero um sorriso para Lana. Não perderia essa oportunidade de fortalecer uma amizade por nada.

A dona dos olhos castanhos nota Chris aéreo, que até agora não disse uma palavra. Mantenhamos o olhar diante dele até perceber que era vigiado. — Tá, tô junto! — Sua voz sobre sai em um salto.

O maldito fora da Mana... Coitado. Seguro o riso ao lembrar.

— Então... — Lana chama novamente nossa atenção. — Isso começa hoje. — Franze a testa e mostra os dente num sorriso forçado. — Quem vai ficar com ela hoje à tarde?

— Eu fico! — Chris decide rápido, antes de concentrar-se na ruiva a sua frente.

Quem sabe agora meu amigo se de bem?

O sinal toca e nem percebemos a hora passar rapidamente. Chris e eu, andamos em direção ao vestiário, conversando sobre toda essa loucura que estamos prestes a fazer. Pelo menos irei fazer algo mais divertido, do que ficar remoendo o trato de meus pais.

Se ouvia a conversa dos garotos até no corredor, barulhento como sempre. Assim que adentramos, o silêncio expande entre todos. Ando entre eles que abriam o caminho, até chegar no armário e largar minhas coisas. Levo meu olhar a Chris que também parecia não compreender, até encontrar Zac surgir dentre os outros e andar em minha direção. Mantenho a pose serrando o punho, pois parto em cima se houver um ataque.

— Só quero passar um recado meu bem direto... — Para bem a minha frente com seu dedo apontado em meu rosto. — Fica bem longe da Christie, ou vai se dar muito mal. Entendeu?

Tapeio seu dedo. — Não tenho nenhum interesse nela. — Comprimo as sobrancelhas e seu olhar parece estar mais enraivecido — E pelo jeito, é você quem tá se dando mal, por que ela não tá nem aí pra você. — Encaro suas pupilas que se dilatam, ao passo que alguns dos risos que escapam, ecoam no vestiário.

— Tá se achando engraçadinho? — Morde seu lábio inferior ao sorrir e rebaixa poucos centímetros sua cabeça para minha altura. — Continua rindo, e vamos ver quem ri melhor.

— Que lerdeza é essa? — A voz do treinador soa na entrada do vestiário. — Bora pro treino pessoal! — Bate palmas chispando os garotos uniformizados para fora.

— Otário. — Zac diz serrando os dentes, antes de virar as costas e sair. Engulo a seco a raiva contida. Se o treinador não tivesse chegado, não sei o que mais de além uma briga teria acontecido. Não sou de baixar a guarda e nem de ser insultado. Se ele vier pra cima, eu acabo com a raça dele.

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Esse novato se engana, se pensar em meter o nariz em meu caminho. Aqui nessa escola quem manda sou eu. É só meus pais fazerem uma ligação e pronto, acabou pra ele. Durante o treino fico de boa, falando somente o necessário, ao passo que meus olhos já falam por si só, e tenho certeza que entende perfeitamente. Sei que Christie dá em cima dele, mas um recadinho para não prosseguir já está dado. Ele que vá procurar outro rabo de saia, que ela já tem dono.

Depois do treino, os garotos retornam para o vestiário, assim encontro Christie e Mel saírem da sala das Cheerleaders. Aumento os passos na corrida até elas. Falar com elas depois da festa, se tornou uma missão impossível.

— Mel, podemos conversar? — Seguro seu antebraço, puxando finalmente sua atenção para mim.

— Agora você quer conversar? — Retira seu braço brutalmente e vira as costas ao sair batendo a sola do tênis branco no chão.

— Acabou Zac! — A voz de Christie zuni enraivecida a meus ouvidos. — Acabou! — Sai em busca da Melissa, me deixando para trás bufando irritado.

Mas que porra! Fiz tudo errado e agora preciso achar uma forma de concertar as coisas.

Volto o caminho ao ir para o vestiário, sem deixar de vigiar o novato. Parece um bom plano. Penso, enquanto formulo meu próximo passo.

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