|Por Nós 1|
Toda aquela cena... A vadia oferecida.
— Não pode acontecer de novo. — levo meu olhar a Mana empática.
Por que essas coisas só acontecem comigo?
— O quê vou fazer? Quem gravou isso? — me ergo e ando de um lado para o outro. — Estou ferrada, acabada, derrotada — meus olhos embaçam e algumas lágrimas começam a rolar. —, morta, estou morta... — esfrego as mãos na umidade das bochechas, notando Mana totalmente pasmada. — Ou eu morro, ou eu mato.
— Ei, não diga isso. — se ergue e anda até mim. — Podemos pedir ajuda para David, já que é amigo dos gêmeos. — segura minha mão e sinto um certo consolo. Pode dar certo...
Calço botas impermeáveis, pois a neve é bastante espessa, antes de pôr uma jaqueta grossa, luvas e touca, afim de ir na casa de David o mais rápido possível. Raiva desses gêmeos de uma figa...
— Vamos ou não? — pergunto para Mana inexpressiva, que só fazia como eu mandava, então descemos a escada apressadamente ao encontro de minha mãe. — Vamos no David!
Nem sei o que ela diz, pois saimos em disparada até a porta e Mana me acompanha. A cada passo que damos na rua é um batimento errado. David precisa me ajudar... E pela graça de Deus, Mana não abre a boca me deixando menos ansiosa, mas ao mesmo tempo mais apreensiva. David não mora longe e chegamos rapidamente na casa formosa de dois pisos, porém pequena, mas aconchegante. Toco a campanhia e quase acabo com minhas unhas ao roer pelas aberturas das luvas, enquanto a ruiva senta em um dos poucos degraus da varanda.
— Lana... — David mal abre a porta e agarro sua mão, o puxando para fora. — O que houve? Aconteceu alguma coisa? — ajeita o óculos com a ponta do dedo, ao passo que retiro meu smartphone do bolso e mostro o vídeo.
O garoto com pijama roxo de planetas estampados, assiste atentamente entre olhares intercalados a mim.
— Te disse que estava com mal pressentimento. — entrega o aparelho, após a conclusão do vídeo. — Minha intuição não falha, mas você preferiu arriscar.
— Ei! — Mana acerta uma bola de neve no tórax dele. — Vai ajudar ou jogar na cara? — se escora no corrimão, enquanto David sacode os restos do gelo da veste, comprimindo os lábios irosos.
— É claro que vou ajudar, mas como? — volta a olhar para mim.
— David, você é amigo dos gêmeos, pede para eles retirarem o vídeo do site... — junto as palmas ao implorar. — Por favor.
— Eles não vão tirar esse vídeo tão fácil. — estreita os ombros, me trazendo a derrota. Eu vou morrer... — A não ser que, vocês levem algo em troca. — diz depois de refletir, deixando-nos também a matutar. Que porra de troca seria essa?
— Cocaína! — a ruiva leva nossos olhares com falta de convicção. — Eles são usuários, então só levar um presentinho dos bons. — inclina uma sobrancelha, e eu troco olhares duvidosos com David.
— Não me diz que é desculpa para ver Jeff? — apoio às mãos na cintura e não hesito a largar um sorriso, e dessa vez, quem ergue a sobrancelha metida, sou eu.
— Você não parou de usar co... — David se alto interrompe, espiando na fresta da porta, revelando ter mais alguém em casa, suponho que seja a Sr. Andrews. — Cuidem no que falam, minha mãe está em casa. — Sussurra.
— Prometi que não usaria, então cumpri. — a ruiva cruza os braços, e eu continuo a encará-la.
— A ideia é boa. — David coça sua cabeça ao observar Mana. — Até que pensa de vez em quando!
— Ela só está juntando o útil com o agradável. — abro um sorriso sarcástico e ela estreita seus lindos olhos.
— Tá acontecendo mais alguma coisa aqui? — David aponta o indicador para cada uma de nós, e fizemos descaso. — Ah, deixa pra lá. — dá de ombros e segura na maçaneta da porta. — Conseguem isso agora, e espero vocês ali na casa deles. — acena com a cabeça para a casa do outro lado da rua. — Okay?
Assentimos e deixamos David para trás, enquanto puxava Mana pelo braço.
— É coisa rápida está bem? Nada de namorico. — andamos em passos largos em direção da escadaria na Vila.
As olhadinhas de Mana entregam estar fissurada no garoto. Era só o que me faltava... Já não basta todos os meus problemas, agora tenho que aturar paixonite de minha melhor amiga pelo traficante. Reviro meus olhos incansavelmente, por também perceber que eu, minha pessoa vai comprar cocaína.
Não espero por mais nada.
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Ando de um lado para o outro totalmente ansioso ao esperar Jason que nunca mais chegou. Será que fez alguma merda? Não quero nem pensar nessa hipótese. E se ele viu Jess naquela casa de novo? E se Ramírez deu cabo nele? Devia ter ido junto, merda! Certamente estaria mais tranquilo agora. Não sei como não pensei nisso antes. Penso ao ligar para ele. Nem o celular, esse abestado atende! Lanço o aparelho na cama, após telefonar no mínimo umas cinco vezes.
Toc-toc!
As batidas na porta chamam minha atenção. Quem será agora? Estou sempre estou sozinho, pois meu pai deve estar trabalhando no ferro-velho ou enchendo a cara em algum buteco, me restando a ir atender de uma vez. Abro a porta sentindo o vento gélido do inverno tocar minha pele, não acreditando no que vejo. Abro um sorriso de canto no mesmo tempo que franzi o cenho sem compreensão, ao avistar a ruiva mais uma vez em minha casa, e dessa vez trouxe sua amiga Lana.
- O quê traz vocês aqui? - pergunto sem desgrudar os olhos nos azuis mais lindos, que não mede esforço algum a desviar. Não sei o que Mana falou para sua amiga sobre nós, provavelmente tudo, pois garotas são assim mesmo. A única coisa que tenho certeza é que prefere fingir que nada aconteceu, então farei como seu pedido, por mais que eu não quisesse.
- Toma aqui. - a amiga de touca preta estende notas de dólares. - Preciso de... - pigarreia falando tão baixo, quase inaudível. - Preciso...
- Ela quer cocaína. - Mana fala por ela, que a propósito consegue corar num frio desse.
- Aaaa... - pego as notas estendidas e insiro no bolso da calça. - Entrem aí! - dou espaço e Mana adentra, enquanto a outra fica boquiaberta sem mover os pés do chão.
- Vem logo, Lana! - a ruiva a puxa pela mão, então pude fechar a porta.
- Não sabia que usava também. - pergunto para a morena que vagava seu olhar em volta.
- Não é da sua conta. - a voz da garota é ríspida, recebendo uma esbordoada de sua amiga ruiva. Arqueio as sobrancelhas ao sorrir para as duas. Do quem tem de tímida, tem de mal criada! Nem parece a mesma garota quieta da escola! - Não é pra mim, tá legal? - Lana rebaixa a cabeça envergonhada, me restando a olhar desconfiado na ruiva.
- E nem pra mim! - ergue suas mãos em rendição, e acho graça. Ontem ela negou cocaína, mostrando estar conseguindo se livrar daquilo. Por mais que precisasse de clientes para pagar minha dívida, fico feliz que ela recuse.
- Bom, então eu já volto, e podem ficar bem a vontade. - ando passando pela ruiva, secando aquele olhar tão profundo. Ela por sua vez, abre um sorrisinho instantâneo ao passar seus dedos nos fios do cabelo avermelhado. Mordo meus lábios só da saudade da boca rosada, e claro, de todo aquele corpo lindo que me pertenceu na noite passada. Adentro no quarto e pego na gaveta da cômoda o pacotinho branco, voltando rapidamente até as duas na sala pequena. - Aqui está. - entrego para Lana, que guarda imediatamente no bolso da calça.
- Vamos Mana - Lana segura o pulso da amiga. -, já temos o que precisamos, agora temos que ir. - puxa a ruiva até a porta, no momento que é aberta por alguém do lado de fora.
Jason...
Sua feição não é nada boa e isso me preocupa. Seus olhos estão vermelhos e inchados, provavelmente estava chorando. Com certeza fez merda... Fica parado por um instante notando as duas também paralisadas. O olhar da Mana volta-se para mim, antes de Lana a puxar pelo pulso, desviando de Jason e partir.
- E aí, como foi? - pergunto a ele. Ando até a porta sem despregar os olhos nas garotas se distanciando da minha casa. - Por que demorou?
- Estava por aí... - fala embargado ao ir para o banheiro. Ah mas aí tem coisa...
- Como assim por aí? - fecho a porta quando Mana sai do campo de minha visão, então vou até o banheiro, onde a porta estaria trancada. Lógico. - Pagou a dívida? - pergunto sob a porta, mas nada dizia. - Responde caralho!
- Paguei! - enaltece a voz irritado ao ligar o chuveiro, então chuto a porta. - Agora vou tomar banho, depois conversamos, porra!
- Filho da puta! - volto para meu quarto e assento na cama bufando como um búfalo raivoso.
Me fez ficar esperando todo esse tempo e agora vai tomar banho?
Pelo menos disse que fez o pagamento. Mas aquela cara não nega que aconteceu alguma coisa. Conheço meu irmão, sei que aconteceu alguma coisa e estou sentindo que não é coisa boa.
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Assim que saímos da casa de Jeff, era improvável não olhar para trás e vê-lo na porta vigiando. Por mais que tivesse achado incrível essa noite inteiramente deliciosa, não diria uma palavra para deixá-lo se achando o super fodão. Mas que mandou bem, ah, ele mandou... Sorrio mordendo o lábio inferior só de lembrar. Lana me olhava de cantinho a cada minuto, e a cada passo que dávamos, eu entregava estar fissurada no garoto moreno. Também entendo que não posso ficar com ele. Um traficante não é uma qualidade, tampouco um defeito a ser considerado.
De volta a rua na casa de David, paramos na casa do outro lado da rua. A casa é praticamente idêntica a de David, aliás todas as casas nessa rua são iguais. Tocamos a campanhia e aguardamos por instantes. Lana está tão quieta e também não digo nada, pois sei que acabo falando demais e a deixaria ainda mais nervosa.
Finalmente a porta é aberta, surgindo um dos gêmeos em nossa frente, sinceramente eu ainda não sei quem é quem, por mais que tenha alguma diferença neles, como esse que é mais alto e o cabelo mais escuro e comprido até as orelhas.
- DAVID! TUA NAMORADA CHEGOU! - o garoto grita com a mão feito concha apoiada na bochecha, e eu não contenho a risada anasalada.
- Ei! - Lana franze o cenho dando um empurrão no antebraço do garoto alto. - Não somos namorados. Somos amigos, entendeu? - adentra na casa irritada, ao passo que o gêmeo de olhos verdes apoia sua mão na batente da porta, me impedindo de entrar ao exibir um sorriso de canto.
- Que isso? - inclino minha sobrancelha, sorrindo como ele. Ele por sua vez, morde seu lábio inferior ao aprofundar seu olhar. Que safado! Empurro seu braço e adentro também na casa.
- E A AMIGA GOSTOSA TAMBÉM! - grita em minha retaguarda, levando meu olhar arregalado a ele com meu queixo caído. - Vamos lá, princesa - estende a mão para a escada. -, sua amiga já foi. Subiu marchando bem irritadinha. - estampa aquele mesmo sorriso safado.
Reviro meus olhos e subo a escada, seguindo as vozes até um quarto, no qual encontro Lana ao lado de David sentado no beliche, e o outro gêmeo na frente do computador bem estruturado. Em uma parede há prateleiras com bonecos Star Wars e algumas naves espaciais. Outros de banda Rock n Roll fazem exposição com os demais, assim como heróis Marvel e DC.
- Vemos aqui que não são apenas colecionadores de privacidade alheia! - inclino a sobrancelha para o gêmeo que me seguia.
- Não. Toque. Em nada. - o quê estava sentado se ergue rapidamente.
- Calma aí Kevin... - aquele que estava atrás de mim, revelando ser o Kane, levanta sua mão em rendição para seu irmão. - Ela não vai querer se engraçar, não é? - retorna seus olhos a mim, e mantém assim por um tempo, numa guerrilha contra os meus.
- É claro que ela não vai. - Lana dá um passo e esbordoa meu braço. - Trouxemos para vocês. - ela entrega o pacote branco na mão de Kevin, que senta novamente em sua grande cadeira preta de youtubers. Abre o saquinho derramando farelos ao lado do teclado e abana para Kane experimentar as carreiras também. Olho para David que acena sua cabeça positivamente, comemorando mentalmente, pela troca ter funcionado.
- Vão querer também? - Kane, o gêmeo mais alto, estende o canudinho para nós, depois de inalar uma carreira. Lana e David negam imediatamente, ao passo que eu fico concentrada ao admirar Kevin aspirar o pó branco. - Princesa? - Kane balança o canudo em minha dianteira, interrompendo meus devaneios. Levo meu olhar ligeiramente a Lana, que remexe seus lábios ao dizer não inaudível.
- Não, obrigada. - empurro levemente o canudo. Por mais que ainda sinta falta de tudo o que ela proporcionou, tenho a consciência que isso não me trará um futuro bom.
- Então está tudo certo, não é? - David profere, quebrando o silêncio que existia. - Vão excluir o vídeo.
- Não. Ainda não... - Kevin se gira na cadeira, esfregando a mão no nariz levemente empoeirado. - Preciso de uma notícia para substituir. - sorri cruzando os braços, assim como o irmão.
- Vocês não tem vergonha na cara mesmo! - aponto o indicador completamente indignada. - Não era nem para postar um vídeo sem autorização da Lana! Sabia que ela pode processar vocês por isso?
- Então processe! - gira novamente a cadeira, voltando-se na dianteira do computador. - Até lá, o vídeo vai rodando e todos vão assistir uma oferecida. - exibe o vídeo pela tela do computador. - As visualizações estão aumentando!
- Lana não fará isso, não é? - David se ergue da cama avistando os olhos pasmos dela. Entendo que entregando uma notícia para substituir seria mais fácil, mas não é o correto!
Gêmeos ordinários.
- Que tipo de notícia? - a voz de minha amiga soa embargada, e eu reviro meus olhos.
- Sei lá, pensem aí! - Kane estreita os ombros, então o silêncio passa a reinar no quarto, ao passo que nos entre olhamos pensativos.
O que poderia ser bom para substituir o vídeo da Lana? Um desafio? O início de uma guerra? Penso, estreitando os olhos e abrindo um leve sorriso de canto. Talvez eu saiba exatamente o que fazer.
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Mana está certa. Esse vídeo não devia ser compartilhado sem a minha autorização, porém não aguento mais ser tão ridicularizada e ser alvo de zombaria. O que vou fazer? Só quero que tirem esse vídeo! Olho para David sentado na cama com seus olhos empáticos e fixos em mim. Mana está tão pensativa, que chega apoiar sua mão no queixo e a morder sua própria bochecha. E eu, não penso em mais nada, meu cérebro travou, assim como os pulmões, pois até para respirar está complicado. Parece um ser vegetativo... Eu vou morrer... Eu vou morrer...
- Eu! - Mana ergue o indicador para o alto, levando todos os olhares a ela. - Vou desafiar Christie para ser a nova capitã das cheerleaders! - sorri exultante, enquanto nós arregalemos nossos olhos diante da ruiva. - E quem sabe, usar a coroa de mais nova rainha do próximo baile, colocando finalmente a Vaca pro Brejo! - os glóbulos dos olhos azuis se movem para cada um de nós, onde estávamos completamente de bocas abertas e de queixos lá embaixo.
Apoio minha mão no rosto suspirando mais um fracasso. Essa ruiva só pensa em provocar Christie? Apesar de concordar ser uma boa ideia, já que ninguém tem coragem de desafiar a loira.
- É fantástico! - ergo meu olhar ao gêmeo que estava sentado. De pé, ele sorri animado e segura as mãos da Mana. - Será a notícia do ano! - sapateia junto dela sorrindo alegremente. Olho para David que arqueia as sobrancelhas. Ele é gay? - A maior de todos os tempos! - dizem em uníssono.
- Viraram amiguinhas agora? - Kane apoia a mão no ombro do irmão, que revira os olhos retornando assentar na cadeira. Tenho certeza que é gay. Como nunca reparei antes?
- Não viaja. - Kevin tecla em frente o computador.
- Podemos ser. - Mana dá dois passos até a cadeira e cruza os braços, apoiando-se sob as costas dela, deixando seu rosto próximo a de Kevin. - O que acha? - dá uns tapinhas na cabeça dele, que corresponde com um sorriso. Pronto, vai comprar o garoto agora.
- Prontinho. - Kevin tecla o enter e dou um passo afrente, para examinar mais de perto aquela tela. - Não tem mais vídeo. - vira-se a mim retirando as madeixas castanhas da testa, e largo um suspiro extremamente aliviante. Até meus pulmões inflam de todo oxigênio que faltava.
- Christie pode ter o vídeo ainda... - Kane cruza os braços ao escorar na mesa do computador, arrancando o ar que entrava na minha traqueia. - Foi ela quem enviou.
- Aquela vaca dos infernos! - Mana enaltece a voz enraivecida. - Só podia ter sido ela!
Claro que tinha que ser ela... Eu disse que ia morrer... Eu vou morrer!
- Vamos Lana, em casa vemos o que fazer com Christie. - a ruiva segura em minha mão e me puxando até a porta.
- Calma aí, princesas! - um dos gêmeos chamam nossa atenção, então nos viramos para Kane. - Eu também tenho o vídeo no meu celular. - balança o aparelho na mão, então frouxo os ombros em desânimo, levando meu olhar a David com suas sobrancelhas arqueadas, consequentemente, tombo minhas costas e cabeça na parede.
- Eu vou arrancar esse celular - Mana bate o pé ao andar até ele, tentando pegar o celular da sua mão elevada, pois o garoto é muito alto. - e jogar pra fora da janela! - pula ao tentar pegar. - Argh! - cruza os braços emburrada e derrotada. - O que quer agora? Uma nova notícia?
- Quero apenas um favorzinho... - o gêmeo vai até David e envolve o braço no ombro dele. - Quero que faça meu amigo feliz por um dia... - empurra o garoto até minha frente, de modo que esbugalho meus olhos. - É só beijar ele! - brota um sorriso torto nos lábios de Kane, ao passo que meus olhos retornam para os azuis a minha frente.
- O quê? - é tudo o que consegui dizer. Meu tórax infla freneticamente com rapidez. Acho que vou ter um treco a qualquer momento.
- Pra que isso agora? - Mana exalta mais uma vez, batendo as mãos nos quadris. - Já estava tudo resolvido, poxa!
- É isso, ou posto o vídeo novamente. - Kane balança o smartphone novamente. - Tem que valer a pena, já que Christie vai me infernizar por excluir o vídeo. - me olha com as sobrancelhas arqueadas, e seu irmão faz o mesmo ao cruzar os braços e se esparramar na cadeira.
Retorno meu olhar a David que não diz nada, apenas mantém seus olhos direcionados a mim, parecendo estar tão nervoso quanto eu, exatamente como no dia que me beijou.
- E-Eu... - sua voz soa fraca, piscando repetidas vezes seus olhos. - Não sabia... disso.
- Eu sei. - engulo a seco.
Você não faria isso propositalmente. Só pode ser coisa desses gêmeos astuciosos. Não consigo pensar em uma saída, estou tão desesperada que me disponho a fazer qualquer coisa para que esse vídeo não seja postado.
Respiro fundo. Seguro a mão de David e maneio minha cabeça positivamente ao observar seus olhos, então ouvimos Mana arquejar.
- Eu não ficar vendo isso. - ela passa por mim ao sair do quarto.
Pensei que conseguiria fugir de David, e que pudesse manter nossa amizade intacta. Mas a vida prega peças e cá está eu, bem a sua frente, prestes a beijá-lo. Suas pupilas dilatam-se e logo diminuem, ao avistar meus lábios e se aproximar lentamente. Madden... O nome corre em meu consciente, ao fechar meus olhos e apertar os dedos que seguro. A respiração quente em meu rosto e os lábios que tocam os meus, não me deixam esquecer do garoto, por quem me apaixonei. A mão de David se mantém na minha, enquanto a outra procura minha cintura. Conforme seu beijo vai aprofundando, sua língua é invadida e encontra a minha, permanecendo nesse embalo por um tempo. Em lentidão, David se despede de meus lábios, depositando dois selinhos para finalizar. Abro meu olhos e nem havia percebido o lacrimejo se formar no canto de meus olhos, então abaixo minha cabeça rapidamente e escuto uma salva de palmas.
- Uau! - Kane sorria sob o aplauso. - Mas o que, que foi isso? - empurra levemente o ombro de David que abre minimamente um sorriso no canto da boca.
Saio do quarto imediatamente, secando a lágrima que acabara de rolar. O que fui fazer... Desço os degraus encontrando Mana no pé da escada, então seguro em seu pulso.
- Ai! - Mana se deixa levar quando a puxo para fora da casa. - É assim que fica quando beija alguém? - massageia o pulso dolorido, pois nem percebi que apertei demais.
- Desculpa... - digo, no momento que David passa pela porta.
- Lana, eu...
- Não... - interrompo meu amigo. - É tudo minha culpa. - mal consigo avistar seus olhos, desviando a cada palavra dada. - Eu não devia ter ido no quarto com Christie. Eu não devia ter ido nessa festa... - suspiro e faço uma pausa, antes de voltar a notá-lo. - Me desculpa te impor dessa forma.
- Imagina, eu faria de novo... Q-quer dizer, se fosse preciso. - suas bochechas coram instantaneamente, ao mesmo tempo que as minhas.
- Err... Só não conte a ninguém, tá legal? - desvio o olhar para minhas mãos, porém percebo sua cabeça manear positivamente.
- Vamos, Lana... - Mana segura minha mão e me levar com ela. - Até amanhã David! - abana, e eu olho para trás sorrindo minimamente em despedida. - Não foi nenhum sacrifício pra ele - sua voz soa enquanto andamos. -, era tudo o que ele queria.
E quem se importa com o que quero?
Meu coração se contrai, não apenas de ferir a mim mesma, mas também aquele que considero como irmão, no qual não é correspondido. O que será de nós agora? Indago ao trazer Madden aos meus pensamentos.
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