|Corrente Fria 3|

🎵Wolves, Selena Gomez & Marshmello🎶

A porta do banheiro é aberta por Lana. Estou escorada na parede fria até vê-la entrar, por isso tombei a cabeça para trás quando ela andou em minha direção.

— Que beijo maravilhoso... — digo, após um suspiro. Ela abre um sorriso instantaneamente. — Nem lembrava mais que Chris beijava assim tão bem.

— Se gostou assim, então por que saiu daquele jeito?

— Porque... err... — encaro seus olhos por instantes. — Eu também... não esqueço de Jeff.

Lana arqueia as sobrancelhas e arqueja ao desviar o olhar. Acredito que nem lembrava mais da existência do garoto, ou até recorda... das drogas. E eu só consigo relembrar da noite incrível que passei com ele... E que noite...

Está confusa? — volta a me notar. — Indecisa?

Maneio a cabeça positivamente ao dizer:

— Ferrada.

Arranco um riso dela, e acabo sorrindo também. Acreditei que era só uma noite, que eu não me interessaria por Jeff de uma forma tão... inesquecível? Me enganei feio... Fecho as pálpebras e lembro daquela noite... Humm... foi tão bom... A tentação de estar perto do que não posso mais usar, o afago delicioso daquele moreno e o corpo gostoso deslizando no meu, traz a sensação de excitação como viver sem medo... como a produção de adrenalina manifestando em minha veias. Mordo o lábio inferior só de lembrar.

— Nem passava pela minha cabeça — interrompe meus devaneios. — , que você pudesse se apaixonar pelo Jeff... — franze o cenho. — E pelo Chris.

Apaixonada... Frouxo os ombros. Pelos dois... Estou mais que ferrada.

— Chris é engraçado e um tapado... — continuo e ela ri. Com certeza concorda comigo. — E beija super bem... Mas Jeff... — suspiro. — É um moreno lindo que fode gostoso.

Lana arregala os olhos envergonhada de queixo lá embaixo. Por favor...

Olha a boca, imbecil. — sussurra quando uma mãe e sua filha saem de uma das cabines.

A mulher nos encara com desprezo, enquanto lavava as mãozinhas da menina. É claro que sim... Vai saber o que imaginou... Certamente o óbvio... Queria um buraco para esconder minha cabeça.

— É a primeira vez que eu não sei o que fazer. — digo assim que a porta do banheiro fechou, depois que a mulher saiu com a criança.

— Não mandamos mesmo em nosso coração... — escora o ombro na parede, ficando ao meu lado. — Mas podemos controlá-lo até certo ponto. — levo meu olhar a ela que continuou a dizer: — Vai ter que escolher com quem quer ficar.

— Eu sei... — fecho os olhos mais uma vez.

— Olha... — deita a cabeça no meu ombro e envolve seus braços em meu corpo. — Chris é nosso amigo... Não dê falsa esperança a ele, está bem?

Falsa esperança...

Concordo com a cabeça. Não vai ser nada fácil fazer essa escolha...

— Vamos voltar lá com eles? — Lana segura minha mão e me deixo levar até Mad e... Chris. Oh, meu pai... estou lascada...

Na medida que chegamos perto deles, meu coração foi acelerando cada vez mais. Desvio ligeiramente o olhar quando minhas vistas encontraram as íris marrons dele. Mad encara Lana, e eu rebaixo a cabeça mal conseguindo dizer uma palavra e muito menos olhá-lo por um segundo. Não posso dar falsa esperança... não posso... Foi o que percorreu e persistiu na minha mente.

— Que tal fazer um lanche? — Mad indaga quebrando o silêncio.

— Que isso... — coloco um sorriso no rosto e tento agir normalmente. — Ficamos aqui só por meia hora e...

— Eu tô afim do lanche. — Chris interrompe. Meus olhos correm imediatamente para o dono da voz e fixo em seu olhar indecifrável. Não sei se está bravo ou se está tentando agir normalmente como eu... — Pode ser?

Pisco um par de vezes, levando meu olhar para Lana e Mad que esperam por minha resposta, por isso, apenas maneio a cabeça ao concordar. Eu realmente não queria estragar com a diversão... O bom é que a patinação podemos fazer a qualquer hora do dia em Denver, isso não acaba totalmente com nossa viagem.

A disposição já não é a mesma. O clima de alegria também não. Pelo menos minha amiga se deu bem. Lana sorri a cada passo que damos agarrada nos braços de Mad, que a propósito não a larga nem por um minuto. Juntos até demais... Eu ando ao lado dela, tagarelando sobre assuntos aleatórios e sem graça, enquanto Chris diz somente o necessário. Comemos o lanche como o combinado, sentada no lugar vago ao lado dele. Um pouco constrangedor, mas me esforço para não transparecer minhas reais sensações.

Mais tarde, compramos alguns mantimentos e bebidas... muitas por sinal, já que agora, teoricamente, somos de maior e prontos para beber sem moderação. Voltamos para a pensão em busca de nossas malas e subimos para a tal cabana com o carro de Mad, com a intenção de fazer um social de celebração para o ano novo. Realmente, a cabana é muito formosa e bem acolhedora. Ando por todos os cômodos para conhecer bem o ambiente, abandonando minha mala no segundo quarto. Uma cama de casal? Arqueio as sobrancelhas. Puta que pariu...

— Vou dormir junto com o Chris? — sussurro para Lana que me acompanhou.

— Eu posso dormir com você. — Ela assenta na beirada da cama.

— Negativo. Não vou estragar sua noite. — maneio as sobrancelhas, e ela revira os olhos.

Nesse momento, Chris adentra no quarto e pelo jeito pensa o mesmo que eu, enquanto fixa o olhar na cama de casal a frente.

— Melhor dormir no sofá. — o garoto dá um passo atrás.

— Não. — Lana se ergue, e eu arregalo meus olhos. — Fique aqui. — olha para mim pelo canto dos olhos. — A Mana vai dormir comigo no outro quarto.

Abro a boca para pronunciar, mas não vejo outra alternativa viável, então fico boquiaberta sem argumentos.

— Então vou dividir a cama com Mad? — estreita os lábios para não rir, e acaba nos contagiando. — Tá bom... — dá de ombros. — Fazer o quê. — larga sua mochila no chão, ao lado da cama.

Antes que ele pudesse concentrar seu olhar no meu, eu seguro rapidamente a alça da minha mala de rodinhas e a puxo para a sala. Não queria estragar com a noite de minha amiga... Suspiro ao pensar. Mas também não posso dar falsa esperança a ele... Sento no sofá. Falsa esperança...

— Ei. — Lana assenta ao meu lado. — O que acha de fazer um boneco de neve? — desmotivada, olho para ela com uma sobrancelha erguida. — Como nos velhos tempos. — alarga um sorriso, então não contenho a sorrir também.

— A última a chegar lava a louça no jantar! — saio disparada e ela vem atrás resmungando.

Óbvio que eu chego primeiro para fora, mas Lana não se irrita facilmente por isso, então caímos na risada e sentamos na neve fofa, começando a moldar o gelo com as mãos. Os garotos decidiram fazer o jantar e nós não reclamamos nem um pouco, até porque decidi ajudar Lana na louça já que trapaceei. O boneco fica incrivelmente feio. Horrível... Damos alguns passos atrás para certificar que estava ainda pior de quando fazemos nos anos anteriores. Certamente não temos um pingo de habilidade. Colocamos alguns galhos e enfeitamos com um cachecol, mas o coitado parece que saiu de um filme de horror.

— Qual vai ser o nome do infeliz? — soa a voz de Mad ao se aproximar com garrafas de cerveja em mãos, entregando uma delas para minha amiga.

Lana e eu nos olhamos ao mesmo tempo e largamos uma risada anasalada, nos permitindo a gargalhar do boneco mais feio do mundo. Eu precisava de um tempo com minha amiga...

Chris também surge com uma garrafa a mais, me entregando assim que parou na minha dianteira. Agradeço com um sorriso e ele entrega o seu também. Jamais poderia reclamar dos amigos que tenho, portanto, com o amor já é outros quinhentos, porque com certeza me vejo completamente lascada... fudida.

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A noite cai depressa. Era para ser uma noite agradável, com uma festa em família juntamente com Charlotte para comemorar o ano novo. Mas não. Ela ficou em New York com a chance de celebrar com amigos ou outras Misses que pôde conhecer e engajar uma nova amizade... Sorte a dela... Sair desse quarto dissipa da minha mente o colar que roubaram... Pelo menos por um tempo... De pijama e pantufas cor de rosa, seco as lágrimas que restaram em meu rosto e ando quase sem nenhuma vontade pelo corredor, quando as vozes de meus pais no quarto principal chamaram minha atenção.

— Alice, não seja ingênua! — diz meu pai para minha mãe, enquanto aproximei o ouvido na porta. — Se descobrirem, perderemos tudo!

Como? Descobrir o que? Arregalo meus olhos. Perder tudo?

Minha respiração falha aos poucos, e eu não consigo ouvir mais nada além de meus próprios batimentos cardíacos. Tento me manter nessa porta esperando pela continuidade da conversa, mas nada mais emitiu do quarto. Será que sentiram minha presença? Respiro aceleradamente e apresso os passos de volta para onde eu estava anteriormente. E como imaginei, a porta do quarto principal é aberta assim que coloquei os pés dentro do meu quarto, como se estivessem averiguando uma possível espiã. Certamente tinha, porém não precisam saber.

Eu não sei qual é o enigma de minha família e porque o investigador McCoy está envolvido, pois entendi perfeitamente que ele sabe de alguma coisa, o bastante para se tornar um cúmplice desse segredo. Eu que não quero descobrir, pois de qualquer forma, tenho certeza que não seria uma monstruosidade ou algo do tipo. Não é nada demais... Penso, ao manear a cabeça negativamente e assentar na cama. Faço uma ligação urgente em desespero para ouvir a voz de minha irmã.

— Preciso te contar uma coisa. — falo, assim que ela atendeu a ligação.

Oi pra você também. — sua voz soa sarcasticamente, com o som alto da música de fundo.

Como imaginei, Charlotte não hesitou em ir em uma festa de fim de ano. Seria egoísta não entendê-la que não precisa ficar sozinha e tediosa no ano novo. Por isso, faço descaso de sua festividade e conto de uma vez o que escutei no quarto de nossos pais.

Não se preocupe com isso, não deve ser nada sério. — ela diz, após eu concluir.

Penso o mesmo... O que meu pai poderia ter feito?

Daddy sempre dá um jeito nas coisas, está bem? Fique tranquila.

— Tem mais uma coisa que preciso te contar. — minhas vistas ficam embaçadas ao relembrar, não custando muito para despencar uma lágrima. — O seu colar... foi roubado... — digo embargada, com o olhos totalmente marejados.

Charlotte faz uma pausa torturante e uma pontada forte aperta meu peito, como se esse ocorrido fosse culpa minha. Eu devia ter cuidado desse colar...

Não fique triste, maninha. Amanhã mesmo comprarei outro para você.

Abro um sorriso afetuoso, porém sem nenhuma tranquilidade. Aquele colar tem muito significado para mim, foi um presente de meu pai no primeiro desfile de Charlotte, no qual sempre buscou usar em datas especiais ou desfiles decorrentes. Era o bem mais precioso de minha irmã, e ela entregou a mim... Portanto, foi roubado. Levado consigo seu valor indescritível, porque nada corresponde o verdadeiro valor sentimental no qual representa tanto para mim.

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Fiquei todo esse tempo pensando no beijo que dei na Mana. É a primeira vez que olho para uma garota de uma forma diferente... é tão estranho... Antes ficava encantado ou fissurado por alguma garota só com um simples beijo ou um olhar de flerte, mas agora não... agora, é como se a sua companhia fosse mais importante, como também seu próprio bem-estar.

Jogo conversa fora com Mad, enquanto terminamos de temperar a carne. Minhas vistas seguem sempre que possível para a ruiva tagarelando com Lana, ambas sentadas no sofá e bebericando a cerveja direto da garrafa.

- Chris! - Mad leva minha atenção consigo, acenando ao ir na direção das duas garotas na sala. - Tem um programa bem interessante para fazer antes do jantar. - alarga o sorriso e eu, juntamente da Lana, franzimos o cenho.

- Eeeee! - Mana dá um salto e bate palmas animada. - O que é? - se aquieta e ergue uma das sobrancelhas.

- Vejam vocês mesmos! - Mad inicia passos em direção do banheiro, e nossas expressões ficam cada vez mais incompreendidas. - Estão esperando o quê? - para de andar, quando percebe nossos pés travados.

Mana faz a frente, consecutivamente, eu e Lana a seguimos até uma porta ao lado do banheiro, que até então imaginava ser uma saída para os fundos da cabana. Que diabos é isso?

Mad inseri a chave na fechadura, destranca a porta e estende a mão para o interior de uma sala cercada pela vidraçaria grande das janelas, dando a ilusão que estamos em um spa de aérea externa.

- Uau! - diz a ruiva ao passar pela porta.

- Vem. - Mad estende a mão para Lana, que segura depois de um sorrir para o outro. Estão em um grude só!

Por conseguinte, adentramos e examino o local com mais exatidão. Além da jacuzzi enorme, as montanhas atrás de poucos pinheiros nos hipnotizam com a vista incrível que a vidraçaria permite ver.

- Por que não falou antes desse lugar? - pergunto, enquanto Mad enche a jacuzzi iluminada por luzes verdes no interior dela.

- Era surpresa. - responde e leva seu olhar para Lana em seguida, dizendo a ela: - Ia te mostrar ontem a noite, mas, estava muito tarde e queria... - leva sua mão na nuca ao sorrir sem jeito. - Descansar.

Aham... descansar... Fingimos que acreditamos.

Lana cora por inteira. Eu e Mana nos olhamos instintivamente estreitando os lábios para segurar o riso, então me dou por conta que o azul de seus olhos estavam paralisados nos meus castanhos, e por mais que quisesse, eu não consegui desviar por nenhum minuto... a não ser quando ela mesma fez isso. Realmente está mexida...

- Se eu soubesse, tinha trazido um biquíni! - Mana eleva a blusa ao retirá-la, mudando a direção de seus possíveis pensamentos iguais aos meus. - Bora relaxar, então?

Arrancamos as inúmeras peças de roupas que nos cobria, ao mesmo tempo que meus olhos e os dela se cruzam quando cada tecido é arrancado de nosso corpo. Lana, por sua vez, hesitou por alguns minutos, retirando algumas peças mais adiante, porém se mantém com o pijama que estava por debaixo das roupas.

- Você pode ficar de camisa se quiser. - Mad anda até a garota, que rebaixa a cabeça encabulada.

- Que isso, Lana! - a voz da Mana leva nossos olhos consigo, ao retirar a última blusa que a cobria, revelando o abdômen bem definido e as sardas distribuídas nos seios cobertos pelo sutiã rosa claro. - Não precisa ter vergonha, estamos entre amigos! - rebaixa a calça que despenca no chão com rapidez, mostrando a calcinha rendada sem alguma vergonha... ou mínima, pois não aparenta estar acanhada em ficar semi nua. Eu agradeço por isso...

Mad resiste a paisagem do corpo lindo da ruiva, voltando a olhar rapidamente para a sua garota. Disfarça ao retirar a própria calça na frente dela, forçando a garota a sugar mais ar do que realmente precisa. Inevitável não rir dessa menina que sempre fica encabulada.

- Tira a roupa logo! - digo por impulso. - Mulher de amigo meu é como homem para mim. Não vou olhar pra você com segundas intenções. - olho para Mad com as sobrancelhas arqueadas e movo as pernas para acompanhar Mana subindo os degraus para a jacuzzi.

Ser um fura olho está fora de cogitação, e ainda mais, Lana não faz meu tipo. Gosto de garotas mais espontâneas e com atitudes, assim como essa ruiva... gostosa... que molha sedutoramente as pontas dos dedos do pé na água. Meu.Deus.

- Humm... a água está perfeita! - entra cuidadosamente na jacuzzi.

Respiro fundo. Parece que foi toda esculpida... Minhas mãos apalpam o próprio ar, engalfinhando com o desejo de tocar cada ponto avermelhado de sua pele. Arranco o restante das roupas que sobraram, ficando apenas com a cueca verde musgo que cobre minha parte levemente rígida. Atropelo os degraus da jacuzzi e faço companhia ao sentar de frente para ela que não segura o sorriso de canto que acabara de brotar. Mana desvia meus olhos insistentes e gira seu rosto na direção da amiga desencorajada.

Ainda hesitante, Lana rebaixa o cós de seu pijama e ruborizada retira a peça, revelando a calcinha branca com algumas estampas escuras e indefinidas. Até que tem um corpo atraente... Desvio imediatamente minhas vistas e algum pensamento malicioso, porque a partir de hoje, Lana é como um homem.. Como um homem, como um homem, como um homem...

- Tenho péssimas lembranças da vez que tirei a blusa na frente de dois garotos... - Lana agarra a barra de sua camisa escura.

- Somos seus amigos, Lana. - Mana pronuncia.

- Jamais faremos o que aqueles filhos da puta fizeram com você. - digo, e ela abre um meio sorriso.

Enquanto elas tentavam moldar um boneco de neve, Mad me contou a verdadeira história que a perturbou tanto. Admito que fui um babaca por acreditar em seus agressores, sem ao menos ouvir seu lado da história. Contudo, agora fico contente por ter a chance de tê-la como amiga é finalmente saber da verdade.

- Deve ficar como se sentir confortável. - Mad estala um beijo nos lábios dela.

A garota decidida a ficar com a camisa escura, permite ser levada por Mad para a jacuzzi. Passam por nós no momento que meus olhos encontram o olhar da ruiva mais uma vez, porém ela desvia, como sempre.

Mad envolve Lana com seus braços, deixando a garota escorada em seu ombro como um casal apaixonado, enquanto meus pensamentos se mantinham desordenados e sem rumo. Por isso, mudei meu campo de visão para o céu estrelado, pois a ruiva não demonstra um sinal que me transmita mais confiança.

(...)

Debaixo da neblina e com os tênis na neve, brindamos com taças de champanhe ao admirar os fogos de artifícios com cores vibrantes enfeitando ainda mais a escuridão da noite. Os flashes das luzes no céu, reluzem em meus olhos que não desgrudam um minuto se quer dos pontilhados coloridos que parecem cair sobre nós. Bebo o último o gole e levo meu olhar para Mad beijando sua garota, ambos parecendo um só. Se não estão com os lábios grudados, estão abraçados, e não há torcida que os separem. Não aqui, pois dou total apoio para esse romance continuar. Meu interior enche-se de alegria por vê-los felizes e juntos, portanto, ao olhar para Mana sentada no degrau da porta, percebo que sou marcado pela má sorte, um desafortunado pelo amor, um completo fracassado...

Caramba, que exagero... Esfrego a mão no rosto ao bufar. Desse jeito não deve ficar... Movo minhas pernas até aquela ruiva desconexa, totalmente baralhada... incrivelmente linda e perfeit...

- Chris? - pisco um par de vezes diante da sua voz, incompreendida com minha imagem travada sem reação. - Aconteceu alguma coisa?

- Não, eu... - assento ao seu lado. - Só quero conversar... sobre nós.

Ela larga um suspiro e dá uma goleta na cerveja, antes de abandonar a garrafa em seu lado.

- Chris, eu...

- É nosso último dia aqui - interrompo. - , não quero que perca o entusiasmo que somos acostumados a ver todos os dias... só por causa do beijo... no rinque.

- Não é por causa disso. - larga um riso sem graça e rebaixa a cabeça com seus dedos sobre o rosto. - O beijo foi maravilhoso. - retorna seu olhar no meu contente, brotando um sorriso enquanto em eu abria um também.

Pois bem... sempre ouvi que beijo bem...

- Gosto muito de você. - concentro-me em seus olhos.

- Também gosto de você, Chris. - desvia o olhar, voltando-se em seguida. - Mas...

- Não quer ficar comigo.

Ela por sua vez, encara meus olhos como se estivesse formulando uma forma, sem precisar me deixar mal com o fora que provavelmente vai anunciar.

- Ia dizer, que não sei como agir. - corrige, e eu franzo o cenho. Como assim? - Tem outra pessoa, entendeu?

Puta merda...

- Outro cara?

- Não me pergunte quem é...

- Quem é ele? - interrompo, e ela transtorna os olhos.

- Não insista. - aponta o indicador. - Só preciso de um tempo pra colocar meus pensamentos em ordem, está bem? - pega a garrafa do seu lado, tira um gole e me alcança em seguida.

Maneio a cabeça em afirmação e bebo a cevada compartilhada... Pois é apenas o que restou para mim... Não posso obrigá-la a ficar comigo, até porque, eu também estou em uma desordem interna, tentando encontrar uma maneira de compreender meus próprios sentimentos.

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Na cidade de Denver, a família Walker admira os fogos de artifício pela grande sacada da casa dos McCoy. Aparentemente, tudo estava perfeitamente engajado, como o namoro do jovem Zackary com a filha do investigador da polícia. A tão aclamada paz nessa noite, ausentou-se no mais novo casal que uniu suas famílias, no qual, o assunto do roubo na casa dos Cooper, veio a tona quando a notícia se espalhou entre eles.

- Mas e a Chr... Todos... - Zackary torce o nariz ao se auto corrigir. - Estão bem?

Inconscientemente, o garoto Walker mostra-se preocupado com sua antiga namorada, porque de fato, ainda é doloroso e difícil afastar Christie de sua vida.

- Você ainda se preocupa com ela... - Melissa balança sua cabeça em negação, livrando-se dos braços do garoto alto que a envolvia.

- Não é nada disso. - Zackary segura as mãos da moça. - É só um péssimo costume de perguntar. Não vai mais acontecer. - aproxima sua boca nos lábios carnudos da McCoy. - Eu prometo. - estala um beijo.

- Promete mesmo? - despede-se dos lábios do garoto e encara sua íris castanha profundamente. - Porque não vou admitir que Christie fique sempre entre nós.

- E não vai. - abraça a jovem. - Sou feliz com você, minha Mel.

Do mesmo modo, para o pai de Melissa, o conflito interno atinge seu psicológico também. O homem negro abraça sua esposa no baixo muro da sacada, desejando que o amor que existe entre eles persevere por mais longos anos, assim como todos clamam pela paz durante essa noite festiva. A harmonia que naquele momento, Chuck não sente. Não depois que seu smartphone notificou o aviso, que sua conta bancária aumentou os dígitos de dólares na poupança. A transferência de Harold Cooper caiu na sua conta, momentos antes do espetáculo da meia noite acontecer. Porém foi o suficiente para acabar com a tranquilidade do investigador, pois assim ele entendeu que não teria mais volta. McCoy devia ajudar Harold. Ou então seria chantageado. Perderia tudo.

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- Jeff vai ficar a noite inteira olhando para aquele chip. - entrelaço os dedos atrás da nuca e tombo as costas ao deitar sobre um, das dezenas de automóveis do ferro velho. - Sem ao menos ter coragem de ver o que tem nele.

- Talvez seja melhor nem saber. - sentada ao meu lado, Jess se apoia com os braços para trás, olhando para o alto do céu estrelado e iluminado pelas linhas coloridas dos fogos de artifício. Observo suas madeixas cor de rosa balançar entre o vento. Recapitulo cada momento que passamos juntos, tanto os felizes, quanto aqueles que me fizeram sofrer... e muito. Por mais que Jess tenha errado, eu não conseguiria diminuir o amor que eu sinto por ela. - Obrigado, Jason, por me deixar passar a noite aqui. - diz, sem despregar as vistas do céu.

- Quer me falar agora, porque brigou com tua mãe?

Em alguns instantes, seu olhar vem ao encontro do meu. Espreme os lábios trêmulos e derruba uma lágrima atrás da outra. Ajeito meu corpo na mesma altura que o seu e rapidamente meus dedos erguem seu queixo para os olhos verdes ficarem de frente para os meus castanhos.

- Me desculpa... - Jess desaba em choro, me restando a abrandar sua dor em um abraço apertado.

- O que aconteceu?

Seus braços me apertam ainda mais, largando soluços desesperados no meu tórax. Não tive outra escolha, a não ser esperá-la ficar mais calma.

- Minha mãe... - afasta-se e avista meus olhos, embargando a voz ao engolir o choro. - Vai me mandar embora se eu... - de olhos totalmente marejados, encara os meus aflitos por segundos em um silêncio torturante.

- Se você o quê?

- Se eu não... abortar. - espreme seus olhos e soluça todo seu pranto.

Em um segundo meu rosto perde toda a expressão, meu corpo perde a leveza e sente o pesar diminuir meus sinais vitais.

- O-o quê? - digo quase inaudível.

- Estou grávida, Jason.

Meu.Deus... De visão enfraquecida, encaro sua feição sofrida. Grávida? Minha respiração fica mais apressada e a frequência cardíaca é desesperada.

- É meu? - falho a voz. Jess não diz uma palavra. Eu engulo a seco. - Ramírez? - despenca uma lágrima dolorosa de meus olhos. - Ou do meu...

- Não. - interrompe. - De Ramírez, não. - seca a umidade de sua face. - Eu já estava... - respira fundo para não chorar. - Quando eu procurei por ele. Eu só não sabia ainda.

- Quanto tempo?

- Dezesseis semanas.

Suspiro fundo e mudo meu campo de visão para os entulhos de latarias enferrujadas. Um filho meu? Ou de Jeff? Esfrego a mão no rosto. Que merda, Jess... O que falta mais acontecer?

- Está carregando um Jones... - volto a notar seu semblante assustado, que maneia a cabeça lentamente em sinal afirmativo. Eu devia estar contente, mas ao invés disso, eu fico desnorteado, sem direção para uma saída viável. - Vai fazer o que sua mãe quer?

- Eu não sei. - rebaixa a cabeça mais uma vez aos prantos. - Eu só tenho dezessete anos!

- Jess, olhe pra mim. - ergo seu rosto com minhas duas mãos. - Você não sabe o quanto eu me odeio por amar você. - falo desordenado e rolam lágrimas de meus olhos, assim como nos seus. - Sim, Jess, eu te amo. E odeio porque faço tudo por você. - largo sua face e seco minhas lágrimas. - Trafiquei e roubei uma mansão por você. E agora vou assumir um filho que talvez não seja meu.

- Eu não posso ter esse filho. Se não, não terei mais onde morar. Como minha mãe disse, tem gente demais naquela casa.

- Puta merda, isso é ridículo! - bufo indignado e desço do carro. - Vem. - estendo a mão. - Quero te dar uma coisa. - ajudo-a descer e voltamos para o interior da casa.

O silêncio predomina no local. Nossos passos estalam no assoalho enquanto nos aproximamos de meu quarto.

- Jason. - Jeff chama nossa atenção, quando adentrei no quarto com Jess. - Ramírez mandou uma mensagem... - franze o cenho ao examinar a minha e a feição da garota. - Espera aí, o que houve?

- Agora não... - suspiro e meu smartphone vibra no bolso da calça jeans. - O que Ramírez queria? - pego o celular e leio a mensagem que notificou, no mesmo momento que Jeff respondeu:

- Que ele quer o dinheiro que devemos para fugir da cidade, porque a Vila está cheia de oficiais e...

- E se nós não pagar - interrompo e mostro a mesma mensagem pela tela do smartphone. - , ele nos mata antes mesmo de fugir. Acabei de receber a mensagem dele.

- Não. - Jess senta na beira da cama e tomba seu rosto nas mãos, desabando em choro mais uma vez.

Meu irmão franze o cenho completamente incompreendido, pois sei que no mínimo, ele entendeu que há mais motivos para tanto choro.

- Tá legal, o que mais está acontecendo aqui?

- Jeff, agora não. - estendo a mão para fora do quarto. - Amanhã eu entrego as joias para Ramírez, tá legal? - levo minha visão para Jess. - Agora preciso conversar com ela, então vaza.

- Enquanto você fica aí de conversinha - aperta os dentes ao dizer: - Eu vou passar a noite desmontando o MEU carro pra eliminar pistas que nos incrimine. Amanhã é com você. - vira as costas e sai do quarto.

Fecho a porta e olho para a garota que eu amo. Consigo ver o medo ressaltar de seus olhos lacrimejados, refletindo também nos meus aflitos. Pego a mochila do chão ao lado do guarda-roupas e abro a sacola plástica de dentro dela. Jess acompanha meus movimentos e arregala minimamente os olhos ao ver o colar... o proibido, o mesmo que ela gostou tanto.

- Quero que fique com isso.

- Não. - balança a cabeça. - Não posso aceitar.

- Pelo bebê. - largo a corrente na sua palma e fecho sua mão. - Não faço ideia de quanto vale esse colar, mas tenho certeza que será o suficiente para Ele ter um futuro completamente oposto do nosso.

E cai uma lágrima. Mesmo em choro, ela sorri... por conforto, pela possível solução... talvez um final feliz. Retiro as madeixas douradas e manchadas de rosa do seu ombro, deixando a pele do pescoço amostra. Seus olhos verdes acompanham os meus, enquanto ocupei meus dedos retirando todos os fios do pescoço. Jess segura todo o cabelo de um lado, quando entendeu o que eu queria fazer. Ajeito a pedra em seu busto, unindo as duas pontas da corrente atrás do pescoço. Uma pequena luz cintila através dos pontos do diamante, só não mais radiante quanto seus olhos verdes ao admirar a joia em seus dedos.

- Ficou lindo em você. - posiciono minha mão em seu rosto acariciando a bochecha com o polegar.

- Fiz tanta coisa errada, Jason. Não mereço você.

- Vamos deixar o passado pra trás. - deslizo o polegar em seu lábios. - E focar no futuro... no futuro dessa criança.

Ela abre um meio sorriso.

- Me perdoa... - gesticula. - Tudo o que fiz, foi por causa da cocaí...

- Shhh... - interrompo. - Eu disse passado.

Jess rebaixa a cabeça e engole o choro.

- Eu te amo, Jason. - ergue o olhar.

Em mim, brota um pequeno sorriso... satisfatório, saciado. Sentindo meu peito aquecer a cada segundo que fico concentrado no fundo do seu olhar.

- Minha boneca... - aproximo-me de sua boca e beijo seus lábios lentamente, encontrando sua língua assim que permitiu o acesso de cada canto dela. - Também te amo... e muito. - digo entre os lábios, voltando-se imediatamente para o beijo que já fazia falta.

Seus dedos delicados deslizam o zíper de minha jaqueta, arrancando-me um sorriso entre o beijo que não cessa. Faço o mesmo com seu casaco, desabotoando vagarosamente cada um dos grandes botões. Deslizo o casaco de sua clavícula, libertando seus ombros do tecido espesso até retirá-lo por completo. Jess se põe de pé na minha frente e retira o restante de suas roupas, enquanto minhas vistas seguiu cada peça que caiu no chão, matando a saudade de ver seus seios fartos com mamilos claros como o pêssego. Minhas pupilas perambulam por cada curva livre dos tecidos, coberta apenas com o brilho do colar sobre o busto, reacendendo todo o desejo que eu sempre sentia. Porém acabo me concentrando em algo específico, a barriga.

- Que foi? - a voz suave chama minha atenção.

- Já aparece um pouquinho. - me ergo sem despregar a visão do abdômen.

Jess leva seu olhar para baixo juntamente de suas mãos que acaricia o pequeno volume da barriga. Apoio minhas mãos nas suas, amparando contra o abatimento e trazendo seu olhar de volta para mim juntamente com um sorriso acalmado. Suas mãos elevam minhas blusas, jogando para o alto assim que arrancou. Meus olhos sempre se voltam nos dela, no momento que ela arriou minha calça, depois que a desabotoou. Sabe exatamente de como eu gosto... Levo minha boca para sua pele, beijando toda a zona da clavícula e o pescoço, enquanto emanou o odor perfumado do cabelo em minhas narinas e apalpei o seio que mal cabe na minha mão.

- Jason...

- Hmm... - ergo meu olhar na altura do seu.

- Como vai ser daqui em diante?

- Eu não sei... - reflito por instantes e em nela, entristece o olhar. Realmente não faço ideia do que tem por vir. Criar uma criança, tenho a noção que não é nada simples. Ainda mais quando os pais são jovens, sem emprego ou nem se quer, com o colegial concluído. E as drogas... o pior de todos. - Vamos fazer de tudo para nós três estarmos juntos e felizes, como uma família.

- Nós três?

- Morando juntos, aqui em casa. - meu coração aquece contente e agora nela, abre um sorriso satisfeito.

Volto a beijá-la. Empurro-a levemente na cama até que encontre o colchão e eu a cubra com meu corpo, beijando seus lábios que tanto amo, enquanto seus dedos entrelaçam os cachos do meu cabelo aprofundando ainda mais o nosso beijo. Minha ereção é sentida entre suas pernas tornando nossos arfos mais intensos com o toque, aperto, conexão. Concedendo-nos ao prazer sem pressa alguma, de um jeito lento e cuidadoso, feito com amor.

Entrego-me inteiramente para essa mulher, e quero, desejo muito, que ela faça o mesmo, consagrando tudo por nosso amor. Pois enquanto estivermos juntos, minha vida estará completa.

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