|Corrente Fria 1|
🎵 My Only One, Sebastian Yatra & Isabela Merced🎶
- Humm... que pizza maravilhosa... - Lana estreita os olhos ao saborear a fatia com o queijo esticado.
Com menos roupas, mas mesmo assim com duas blusas de segunda pele, pijamas quentinhos e meias grossas, degustamos a pizza e o achocolatado aquecido. Sentados no tapete bege e felpudo, fico escorado nos pés da cama em defronte para a lareira acesa, queimando a lenha para manter o quarto aquecido. A garota linda sentada ao meu lado, retira mais uma blusa devido ao calor incessante da lareira, desprendendo despropositadamente o seu cabelo. Fico admirando os cachos desfeitos, caídos sobre os ombros e seus dedos quando ajeitam os fios atrás da orelha. Nas bochechas, formam covinhas ao tagarelar aos risos de suas traquinagens de quando criança. Entre uma fatia e outra, ou entre as gargalhadas, me obrigo a entregar minhas travessuras também. Algumas lembranças como as recentes, me trazem desânimo ao recordar, por isso nem relatei. Mas algumas, mais especificamente da minha infância, me fazem rir como agora, lembrando de episódios engraçados com meus pais.
- Deve ser bom ter os pais juntos, ainda casados... - Lana diminui o tom da voz. - Meu pai foi embora quando eu tinha cinco anos, depois disso, nunca mais o vi.
- Eu sinto muito. - digo amistoso, e ela retribui com seu sorriso meigo.
- Dona Denise trouxe seu amigo de infância com seu mesmo sonho de morar nos Estados Unidos e se casou com ele. Só não esperavam que nessa farsa toda, encomendariam uma filha. - aponta os dois indicadores para si mesma ao abrir um meio sorriso.
Acho graça, porém uma pequena dúvida fútil, surge em meus devaneios. Como ela poderia dar um visto de cidadania, se nem americana é?
- Mas tua mãe não nasceu no México? - pergunto inconscientemente.
- Sim, mas ela se naturalizou quando casou com outro amigo, intercâmbista e apaixonado. - brota um sorriso ao dizer, no momento que remexe com a rodela de calabresa da fatia em sua mão. - O cara se casou com ela só para ajudá-la a permanecer aqui, mas ele acabou falecendo dois anos depois. - me olha piscando inúmeras vezes, talvez imaginando que eu pensei algo terrível sobre sua mãe. Acho graça desse jeito encabulado e desastrado de ser. - Todos sabiam que ele tinha uma doença grave e que não tinha muito tempo de vida - acelera ao explicar-se. - , então ele realizou o sonho dela, e ela retribuiu seu amor no fim de sua vida.
- E eu achando que você era uma mestiça. - ela rebaixa a cabeça, assim que falei essa merda. Mas o que, que eu fui dizer? - E-Eu... não quis dizer, me des...
- Não, está tudo bem. - interrompe empurrando meu ombro, sorrindo alentado. - Todo mundo acha que meu pai é americano mesmo. - fecha a caixa vazia da pizza, depois de dividir a última fatia comigo. - Eu preferia ser filha do americano que morreu, do que o mexicano que me abandonou. - mostra pesar em seus olhos, ao examinar a fatia em sua mão.
- Ei, não fique assim. - ajeito meu corpo mais próximo e ergo seu queixo. - Sei que aconteceu muita coisa triste com você... Entendo como se sente... - estalo um beijo em seus lábios, depois de admirar seu sorriso.
- Não tem como saber o que eu sinto.- morde sua fatia de pizza.
- Tem razão. Mas eu imagino. - franze o cenho, eu continuo dizendo: - Tenho um irmão do primeiro casamento do meu pai.
- Sério? - fala de boca cheia e de olhos arregalados.
- Sim. - obrigo-me a rir de seu jeito. - Vejo Noah uma vez por ano e olha lá. Meu pai sempre deu quase de tudo, menos a presença paterna, o que é semelhante de você.
- Nunca imaginei que você teria um irmão. - seca a bebida, abandonando a xícara em seguida. - Vai saber se eu, também não tenho um irmão por aí! - ri e me contagia. Devo admitir, que isso seria um grande risco...
Comemos o último pedaço que restou, e ela suspira satisfeita, parando seu olhar no meu como se quisesse proferir algo, mas sem coragem. Por isso, acabo lembrando do que fez, e consequentemente recordo no que eu faço. Gostaria de falar e explicar minhas verdadeiras intenções, em relação com a minha família. Mas não posso, não agora. Não nesse momento de contentamento, e de amor. Não posso estragar com tudo... não quero perder essa garota...
- Mad... - sua voz busca por minhas vistas, me livrando desses pensamentos mórbidos que limitam minha vida. - Eu... - rebaixa a cabeça e estrangula as palavras. - Preciso... te contar uma coisa.
De pensamentos doentios, eu sigo para recordações desastrosas. Engulo a saliva ao cerrar a mandíbula. Eu sei que assunto quer incluir.
- Eu beijei... err... - inquieta, ela atropela as palavras. - Eu e David...
Respiro fundo, antes de interromper:
- Eu vi tudo.
- V-Viu? - arregala seus olhos castanhos.
- Só o que apareceu no vídeo.
- Vídeo? - endireita seu corpo, mantendo o semblante perplexo.
- Recebi um vídeo anônimo... - conto minha versão. Por mais que me magoe relembrar desse ocorrido, foi bom poder colocar para fora o que estava arruinando por dentro. Ouvir sua voz dizer o que sente e que não queria ficar com David, realça a primeira impressão que criei, que ele é capaz de fazer qualquer coisa para ficar com a Lana, até mesmo se aproveitando de sua fraqueza e ingenuidade.
- David para mim, sempre foi como um irmão. - continua, permanecendo seu olhar atento no remexo de seus dedos. - Isso só aconteceu por que eu estava desesperada e não encontrava outra saída, a não ser o que eles mesmo me propuseram. - ergue seu olhar e fixa em meu olhos. - Eu quero ficar só com você, Mad. E com mais ninguém.
Deixo meu sorriso fluir naturalmente. Meus olhos correm imediatamente para seu lábios, e sigo diretamente para senti-los em minha boca que tanto aprecia seus lábios macios e incrivelmente envolventes.
- Então você acredita em mim? - pergunta, entre nossos lábios.
- Acredito. - abro um sorriso terno, e acaricio os traços de seu rosto. - Ficar com você, é o que mais quero.
Ela sorri. Por mais que eu estivesse ferido por causa de um beijo inútil e sem interesse afetivo, meus sentimentos evoluíram para algo muito maior. E não falo apenas de uma paixão, pois isso cresceu rapidamente tornando-se mais forte a cada momento que fico ao seu lado. Lana envolve seus braços em minha volta em um abraço apertado, então apoio minha cabeça em seu ombro e passo a sentir o odor perfumado emanar de suas madeixas escuras sob meu rosto.
- Prometo te contar tudo sobre mim e te deixar a par do que vier acontecendo. - desfaz o abraço e encara meus olhos, então volto a acariciá-la. - Promete fazer o mesmo?
- Eu... - recuo minimamente, enfraquecendo meus dedos que ainda estavam sobre a pele de seu rosto. - E-Eu também... - pisco um par de vezes. - Pro.meto.
Lana quase deixa seu cenho franzir, e por sua feição, parece decidir acreditar na minha falsa promessa. Abre seu lindo sorriso ingênuo, e me destrói interiormente ter que mentir dessa forma. Eu juro que não queria... Retomo a carícia na sua face e contorno meus dedos na mandíbula, parando na nuca e trazendo para meus lábios. Selamos um beijo brando, afagando o que estava afunilando. Minha mão pressionada em sua nuca, aprofunda nosso beijo e intensifica a união de nossas línguas. Conforme nossos lábios se encaixam perfeitamente, meu corpo despertou ao estimular reações prazerosas como essa.
A partir do momento que a mão delicada assenta na minha coxa, uma corrente ardente percorreu em meu abdômen. Certeza que foi acidental, porém trouxe um pequeno efeito visível nesse ato repentino, me deixando extremamente excitado. Minha mão escorrega automaticamente em seus braços, pousando na cintura fina e deixando apertões em seu quadril.
- Mad... - sussurra entre o beijo, então me afasto o suficiente para notar seus olhos. - Queria saber mais sobre você...
- O... que quer... saber? - engulo a seco.
- Ah... - aparta ao desviar o olhar, talvez formulando alguma pergunta. Então você parou propositalmente.... - Por que veio morar em Denver, quando você mesmo disse, na escola, que seu futuro é em Los Angeles?
Merda... o que eu digo?
- Bem... - penso rapidamente em uma resposta, porém não existe alguma que não seja a verdade. - Meu pai é encarregado a encontrar alguém apto para liderar a nova filial em Denver. Depois disso e de minha faculdade, minha vaga de emprego é garantida na matriz de Los Angeles. - sorrio ironicamente ao manear negativamente. Vaga de emprego...
- Que foi? - ela sorri, ao perceber meu sarcasmo escancarado.
- Nada não... - parto imediatamente para me saciar em sua boca que tanto amo beijar. Até por que, antes paramos quando tudo estava deliciosamente engajado. Minha mão perambula pelo seu corpo e deixam apertões pelo caminho, contraindo espasmos em minha ereção. Suspenso o beijo e encontro sua mandíbula, distribuindo beijos ali e escorregando meus lábios na sua pele perfumada.
- Mad... - falha ao soar sua voz. - Eu quero fazer mais uma pergunta... - ignoro suas palavras, me concentrando com beijos em seus pescoço, sentindo a onda calorosa extrair de nossos corpos. - Você já teve alguma namorada antes?
O quê? Paro lentamente de beijá-la, me levando a crer que está driblando minhas investidas.
- Sério que vai perguntar de meus antigos relacionamentos? - com uma sobrancelha erguida, eu volto a notá-la.
- O que tem... de mais? - rebaixa a cabeça e se disfarça ao remexer no seu cabelo. - A maioria dos jovens tem relacionamentos fracassados.
Continuo a examinar sua reação de escape. Por perceber minha demora, suas vistas vem ao meu encontro e não contenho de morder o lábio inferior ao sorrir.
- Okay... - respiro fundo, antes de responder: - Tive uma namorada, mas não durou muito tempo. - retiro as madeixas de sua mão e ajeito o cabelo para trás de seu ombro, liberando espaço de seu pescoço para meus lábios. - Minha família... - estalo um beijo. - Tem o costume... - intercalo mais um beijo. - De mudar de cidade... - mais um estalo, e suas pálpebras despencam. - Com frequência. - distribuo beijos molhados em meio de minha respiração acelerada, antes de mordiscar levemente o lóbulo de sua orelha. Sua boca emite um gemido involuntariamente, tornando-se fatal para minha perversão. Por isso, procuro seus lábios novamente, assim como minhas mãos fazem em sua cintura, empurrando-a delicadamente até que sua costas encontre o tapete felpudo e meu corpo se concentre sobre o seu, infiltrando-se em meio de suas pernas.
- Mad... - separa nossos lábios ao empurrar meu tórax suavemente. - Qual é o nome dela?
Mas que... porra... Você não está querendo mesmo fazer isso! Franzo o cenho e inclino o canto do lábio superior ao avistá-la abaixo de mim e entre meus braços.
- Está tão curiosa assim, ou está fugindo de mim?
- Não estou fugindo... - abre um riso forçado.
- Não está? - arranco mais um beijo e sugo qualquer intenção para pronúncia, não deixando nenhuma brecha para a fala. É claro que está... Então dessa vez, inseri também minha mão por de baixo do tecido fino de sua blusa, colidindo meus dedos na renda do sutiã. Apalpo um de seus seios ao mesmo tempo que sarrei minha rigidez na sua intimidade, arrebatando um arfo aliciante de sua voz entre meus lábios.
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Sentir todo esse afago incrivelmente extasiante, ascende uma chama delirante por sentir esse contato tão libidinoso. Deixo minhas pálpebras despencarem e minhas costas arquearem, enquanto sinto seus lábios deslizarem em minha pele e suas mãos apalparem meu corpo, assim também como seu quadril maneando lentamente em meio de minhas pernas. Permito-me sentir tudo isso, estimulando novas sensações inteiramente prazerosas e acatando a oportunidade de sair de minha realidade... literalmente... pois assim que abro meus olhos, arregalo-os ao ver outro e não Mad sobre mim, mas sim o rosto de Zac arfando em meu pescoço.
- Tá bom... eu confesso. - empurro os ombros do garoto, afastando-o suficiente para conseguir sair. - Eu não consigo. - escoro minhas costas nos pés da cama, recuperando o fôlego perdido ao olhar para Mad completamente incrédulo.
- Por que? - franze o cenho, e eu fico boquiaberta, sem argumento. - É por causa do que aconteceu no ano passado, não é? - ajeita seu corpo ao meu lado. - Me diz o que aconteceu com você... - rebaixa a cabeça para avistar meu olhar. O ar que inspiro arde pelo caminho só por recordar, portanto, engoli a saliva, antes de manear a cabeça positivamente em resposta. - Ouvi boatos na escola, mas não quero dar o luxo de acreditar sem antes ouvir de você.
- Eu... err... - não sei por onde começar. Não sei exatamente o que dizer.
Entretanto, ele envolve seu braço em meus ombros, então apoio a cabeça em seu peito e fecho os olhos sentindo um certo afago.
- Quero muito ficar com você... - seus dedos deslizam em meu cabelo, me trazendo um pouco de calmaria. - Mas também quero saber da verdade.
- Não sei se sou virgem. - minha voz sobressai em um salto, e seus dedos freiam assim que concluí com essas palavras.
- Como assim não sabe? - suspende o abraço e volta a me notar. - Então também não sabe se fez... uma... - diminui o tom da voz. - Orgia?
Arregalo meus olhos. Mas o que?
- É isso que pensou de mim?
- E-Eu... err... - atrapalha-se ao falar, levando sua mão na nuca. - É o que dizem por aí... Confesso que fiquei chocado, mas não interferiu no que sinto por você.
- Eu não sei exatamente o que aconteceu naquela noite, mas uma orgia, tenho certeza que não fiz... - rebaixo a cabeça e sinto um nó no estômago. - Fiquei desacordada a maior parte do tempo, então não poderia consentir com isso.
Que merda de vida que sempre precisou esfregar meus erros na minha cara...
- Ei... - ergue meu queixo, levando meu olhar marejado para o seu. - Já te falei antes, que acredito em você.
Tombo meu rosto novamente ao secar com o dorso da minha mão, a lágrima que acabou de rolar.
- Tentaram me obrigar a fazer sexo... - estremeço a voz ao segurar o choro. - E também vi Bethany ser violentada e não pude fazer nada... - despejo o que me torturou por todo esse tempo. Com palavras desordenadas e algumas mergulhadas nas lágrimas, eu não paro de revelar os flashes que permaneceram em minha mente. Eu precisava contar... E Mad precisava saber... escutando atentamente a cada palavra que emitiu de minha boca. - Esse é meu trauma. - abro um meio sorriso ao secar minhas lágrimas.
Como é bom dividir isso com mais alguém... Mad, consecutivamente, me concede um abraço apertado e confortador. Era para ser uma noite agradável, em vez de parecer uma terapia...
- Aquele filho da puta só queria impressionar o Zac! - desfaz o abraço ao dizer indignado. - Tá na cara que o infeliz só fez o que ele mandou.
Impressionar? Tudo era para impressionar? Então Ethan gostava de mim? Pisco uma sequência de vezes ao negar com a cabeça. Não Lana... ele não gostava... Isso não justifica algum sentimento, mas só o reconhecimento que ele precisava de Zac.
- Àquela mancha de sangue que viu na cama, pode não ser sua... - interrompe meus devaneios. - Pode ser qualquer coisa.
- Eu sei mas... - desvio meu olhar. - Por causa disso, eu fico na dúvida com minha virgindade... - sinto meu rosto aquecer encabulada. - E fico insegura quando o assunto é... sexo.
- Eu sei que para a maioria, a primeira vez precisa ser especial. - leva seus dedos à acariciar minha bochecha. - Sinto muito que na sua primeira experiência foi o contrário. - estala um beijo em meus lábios. - Nas próximas tendem a melhorar. - abre um sorriso de canto, me arrancando um encabulado, ao mesmo tempo que senti as borboletas eufóricas mais uma vez. Eu não me acostumo com isso...
Seus lábios procuram os meus em um selar aveludado. Beijando minha boca vagarosamente de uma forma aliciante, despedindo-se com um selinho demorado.
- Não posso e nem quero te forçar a nada. - murmura entre os lábios. - Mas quando permitir, eu gostaria de ser o primeiro a tornar a sua primeira vez, mais especial para você quanto eu desejo que seja para mim.
Não contenho a mordida no lábio inferior ao desabrochar um sorriso de alegria, desviando o olhar para o tapete enquanto meu rosto ardeu ruborizado.
- Obrigado por me entender. - aproximo meus lábios nos seus mais uma vez, permanecendo ali, beijando-o amorosamente até precisarmos de fôlego.
- Está ficando frio, né? - Mad se ergue para abastecer a lareira, após eu assentir.
A lenha estava baixa, enfraquecendo o fogo rapidamente e tornando o cômodo mais gélido. Por minha vez, decido me por de pé também, olhando fixa no fogo enquanto colocava meus pensamentos em ordem. Meus Deus... Minha vida se tornou um baita desastre... e depois perguntam por que sou tão dramática... Ainda bem que Mad cruzou meu caminho, me fazendo acretitar que posso ser amada da forma que sou... sem mudar absolutamente nada.
- O quê foi? - sua voz rouca e intensificada soa em meus ouvidos.
- Nada... - bocejo. - Na verdade, já estou cansada.
Até que gostaria de prosseguir com o nosso ato pervertido, mas... me acovardo. Sim, criei esse medo idiota por sexo, e não sei quando vou me sentir capaz de dar um passo a frente.
- Entendi... - confere a hora no celular que estava sobre o tapete. - Caramba, já é quase de manhã! - boceja e eu sorrio. Isso é mesmo contagioso... - Melhor... - leva sua mão na nuca ao sorrir encabulado. - Ir deitar no outro quarto, então...
Mordo o lábio inferior ao sorrir. É... acho que é melhor... O garoto passa a recolher suas vestes no chão e meu ânimo foi se deteriorando aos poucos. Ah que coisa... não consigo prosseguir, mas não quero que ele vá! Então sem mais prolongas, eu dou um passo até ele e seguro a mão livre, dizendo:
- Fica aqui.
Seus olhos encontram os meus minimamente arregalados, e meu coração acelera freneticamente pelo meu ato impulsivo. Seus lábios formam um sorriso de canto, ao passo que sinto o ardor em meu rosto por tanto rubor. Por isso, desvio a atenção para as chamas na lareira e digo:
- A-Aqui está mais quentinho... - volto a notá-lo, e concluo com a voz arrastada. - Para dormir...
As roupas apanhadas por ele despencam imediatamente no chão. A mão que eu segurei, me leva para a direção da cama e deposita um beijo em meus lábios, antes de me acomodar entre o lençol branco sob o ededrom grosso e pesado.
- Vou pegar mais cobertor. - ele anda até o roupeiro, após eu assentir. Cobre a cama com diversos cobertores espessos e peludos... até por que a lareira não dura a noite toda...
Nossos olhares se mantiveram conectados a cada movimento que fazia, até Mad estar por de baixo dos cobertores ao meu lado. O quarto é iluminado apenas pelas chamas, porém consigo visualizar o rosto ao meu lado com nitidez. Fico com o corpo virado de lado para admirar seus traços perfeitos com mais facilidade, então, ao perceber-se ser vigiado, Mad gira seu rosto notando meu olhar persistente. Sem alguma palavra proferida, seu rosto aproxima do meu e nos beijamos demasiadamente como se ele quisesse continuar de onde paramos antes.
Por mais que eu o deseje e sinta todos os meus hormônios clamar por essa sensação instigante, repleta de arrepios que meu corpo sofre a cada embalo ou o som da respiração, meu piscicologico está gravemente afetado pelo passado, no qual é difícil de me livrar e seguir adiante com o fervor que meu corpo está sentindo nesse momento. Sua mão perambula por meu corpo, reagindo um calor incessante em meu ventre, intensificando ainda mais quando seus dedos pressionam meu quadril sobre sua rigidez. Arfo entre os lábios. Isso é muito bom... Meu corpo se rende facilmente, mas meus neurônios agem rapidamente ao trazer meu trauma a tona, então paro de beijar. Fito o verde de seus olhos por instantes, porque seus lábios insistem a procurar os meus constantemente, mais impactantes e possessos. Suas mãos não dão trégua para apalpar cada vez mais com vontade, assim como fez na minha bunda, apertando vigorosamente com precisão, tornando minha calcinha completamente úmida, me arrancando um suspiro entre os lábios de nosso beijo.
- Mad... - sussurro, mas o garoto nem dá ouvidos e persisti em buscar meus lábios mais uma vez. Contudo, eu o empurro pelo ombro, obrigando-o a notar minha face e me ouvir. - Dormir, lembra?
- Só estava te beijando... - abre um sorriso sacana.
- Aham... sei... - não contenho a sorrir também. Sei que não era apenas isso... Giro meu corpo de costas à ele, puxando sua mão para seu braço ficar envolvido em minha cintura, por que até então, decidi meramente dormir. Porém acabo sentindo o volume endurecido abordar minha bunda.
- Isso não vai dar certo... - larga um pequeno riso, refrescando minha nuca com o timbre de seu riso. Tive que achar graça também, afinal, estamos em uma guerrilha com nossos anseios. Ele por respeito a mim, e eu... bem por causa de mim mesma. - Está me provocando ou só é coincidência?
- Não é nada disso... - seguro o riso.
- Por que se tivesse me provocando, com certeza está conseguindo.
Libero o riso que estava preso, e ficamos desfrutando desse acaso complicado... cruciante... extremamente torturante.
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- O quê? - digo completamente pasmada, após meu pai revelar que fomos roubados.
- Arrume logo sua mala, querida. - diz minha mãe de olhos marejados, parada na batente da porta do quarto. - Iremos voltar para Denver o mais rápido possível.
Em choque, balanço minha cabeça positivamente, enquanto minha mãe andou apressada de volta para seu quarto. Não consigo acreditar que isso estava acontecendo, afinal nunca antes isso havia ocorrido. Levei meu olhar ligeiramente para Charlotte... Bem agora que estamos nos dando tão bem? Que estava descobrindo o verdadeiro sentido de ter uma irmã? De sentir seu amor e contribuir reciprocamente?
- Calma, maninha. - Charlotte anda até mim e me abraça. - Talvez eles nem entraram no seu quarto.
Arregalo meus olhos ao lembrar do colar... Não... não... Desfaço o abraço e maneio a cabeça negativamente.
- O seu colar... - embargo a voz e encaro seu par de olhos azuis. - Aquele que você me deu... - tremo os lábios ao dizer.
- Vai dar tudo certo. - balança levemente meus ombros ao sorrir afavelmente.
Seco a lágrima que rolou com o dorso de minha mão e abro um sorriso confortado, antes de respirar fundo. Eu não sei o que exatamente roubaram... também não sei se o colar está no lugar que o deixei. Por isso, abandono as hipóteses e me concentro na esperança. Arrumo a mala rapidamente, pois meramente em Denver saberei de respostas.
(...)
Chegamos em Denver com o primeiro voo, e urgentemente pegamos o próximo táxi e voltamos para casa. Minha mente vagou na viagem inteira, voltando-se sempre para o colar... Esteja no porta-joias... por favor... Implorei inúmeras vezes, enquanto fazemos o percurso de volta para casa.
- Pode ficar com o troco.
Em alguns metros de nossa casa, meu pai paga a corrida antes mesmo que o carro pudesse parar. Assim que o motorista reduziu e mal pode estacionar apropriadamente, abandonamos o táxi com urgência. Reconheço o carro da polícia no quintal da casa, e assim que nos aproximamos da porta de entrada, o investigador da polícia civil e pai da Melissa, Chuck McCoy, passa pela porta, fardado e ajeitando o chapéu quepe no alto da cabeça com sua feição desagradável.
- Não encontramos... - o homem negro corre seu olhar para mim e volta ligeiramente para meu pai. - O... errr... Todos os pertences... - enfatiza.
Assustada, desvio o policial e encaro a caixa de monitoramento destruída com fios cortados.
- Coloquei viaturas pela Vila. - McCoy continua a dizer, porém diminui o tom da voz. - Sorte que os dois bandidos não desligaram as câmeras. Mas o azar é que eles foram astuciosos e retiram a placa do automóvel. Se não fosse por isso, já teríamos encontrado!
- Você precisa encontrar. - meu pai aperta os dentes, dizendo quase em um tom inaudível ao aproximar-se mais do homem, portanto, consigo ouvir claramente. - Não estamos falando só de mim. Se eu cair, você cai junto. - encosta o indicador no tórax de McCoy.
Levo meu olhar rapidamente para minha mãe. Ela ouviu o mesmo que eu, mas ao contrário de mim, minha mãe manteve a postura ao lado do marido, parando sua atenção na minha presença que escutou o início da conversa.
- Estou fazendo o que posso... - o policial é interrompido pela mão do meu pai apoiada no ombro dele.
- Querida, não se preocupe. - meu pai contorna o homem negro e dá um passo até mim. - Vou resolver tudo, está bem? - deposita um beijo em minha testa.
Maneio a cabeça positivamente, deixando uma lágrima deslizar sobre minha bochecha.
- Investigador, vamos terminar essa conversa na minha sala. - meu pai dá uma última olhada para mim, antes de guiar McCoy para o interior da casa.
Seco meu rosto úmido e não espero mais um minuto para subir a escada e andar em passos largos em direção do meu quarto. A porta estava aberta e meu estômago revira quando também encontro o porta-joias revirado sobre a cômoda. De olhos totalmente embaçados, caio na cama aos prantos por não ver o colar onde havia deixado.
- Oh, minha princesa... - sinto o pesar do colchão quando minha mãe sentou atrás de mim. - Teu pai pode comprar mais...
- Era o colar da Charlotte, mãe... - digo com a voz totalmente embargada e trêmula. - Dane-se o resto.
Ela suspira profundamente e acaricia meu cabelo.
- Calma, querida. Vai ficar tudo bem.
Afundo a cabeça na almofada felpuda, sentindo meu peito apertar meu coração fortemente. Não vai ficar tudo bem... não, enquanto o colar estiver sabe se lá a onde.
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