|7 Minutos no Paraíso 2|
Ergo minhas pálpebras vagarosamente ao sentir o remexo na cama. Christie levanta e anda até o local onde suas roupas se encontram. Admiro tanta beleza que seu corpo faz, cada curva, cada detalhe... Tudo feito para deslumbrar meus olhos.
— Fica mais um pouco? — me ergo ainda nu, indo ao encontro dela. — Sabe que pode ficar.
— Preciso ir... — se esquiva de meus toques, terminando de vestir toda sua roupa. — Estou extremamente atrasada e super encrencada.
Seguro sua cintura. — Fica. — fixo em seus olhos implorando por sua companhia, porém percebo nos seus, a guerrilha que insisti travar.
— Não posso, minha irmã chega hoje de Londres... Na verdade, ela já deve estar em casa e agora estou ferrada.
— Se está atrasada, não custa ficar mais uns minutos. — aproximo minha boca na dela.
— Claro que não. — me empurra levemente com um selinho. — Eu já vou... E não conte a ninguém o que aconteceu. — pega sua bolsa caída no chão.
— Vamos ter um encontro... assim, de novo? — pergunto quando sua delicada mão segura a maçaneta da porta. Permanece parada sem emitir sua fala e nem ao menos virar em defronte. Sua cabeça rebaixa minimamente, antes de abrir a porta e sair do campo de minha visão. Nunca antes fez assim, nunca hesitou tanto, sempre de uma forma ou de outra voltava para mim. Agora está diferente.
Não é possível que se apaixonou pelo novato. Sou o único que ela amou e não me conformo que me deixe depois de tantos anos.
Visto minha bermuda e saio em busca de um café na cozinha. Desço a escada avistando Mel ainda no sofá, assim como os marmanjos nas poltronas. Sento de frente para ela e a observo dormir. Por que tenho que fazer tudo errado? Tentei provocar Christie com a Mel e claro que não deu certo. Agora percebo a ideia idiota que tive. Sua raiva é tanta que Christie corre ainda mais para cima do novato. Nem convidando o idiota deu certo. Qualquer coisa que eu faça, parece não valer de nada. Não posso ficar parado olhando Christie correr atrás dele, mas não vou mesmo... Se não posso ter Christie, então por que não ficar com a única pessoa que me quer?
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Estaciono meu carro na área externa de minha casa, no pátio extenso como um corredor ao lado do belo gramado do jardim. Não devia estar atrasada... Saio as pressas e adentro na casa, depois de respirar fundo. Assim que abro a porta, me deparo com minha irmã Charlotte aos risos com meus pais na sala de estar.
Charlotte é loira como eu, e olhos tão azuis como o céu. É considerada mais bonita e bem sucedida, pois alcançou seu objetivo de vencer coroações em concursos de beleza. Agora seu próximo passo, é de conquistar a de Miss Colorado.
— Voltando da casa do namorado? — Charlotte leva a atenção de todos a mim parada na entrada.
Olho imediatamente para meu pai com uma feição receosa. Somos religiosos, portanto, meu pai preza o que a religião diz, e quer acatamos rigorosamente. Por isso, ele acredita que sua menininha ainda seja virgem, mesmo sabendo de meu namoro com Zac, e imaginando que ainda estamos juntos, pois é o que todos querem.
— Estava com saudades também, Charlotte! — estendo os braços e ando até ela, abraçando-a falsamente, fingindo o vasto amor que meus pais acreditam que sentimos.
— Senti sua falta irmãzinha. — me empurra levemente fixando em meus olhos.
— Claro que sim. — nos encaramos com o mesmo sorriso insano, e nem ao menos piscamos nossos olhos.
— Christie... — minha mãe quebra a quietude que regia, mas mesmo assim mantenho meu olhar teso a minha frente. — Melhor tomar um banho, minha filha. Depois passaremos o dia em família e celebrar a vinda de Charlotte, e claro seu sucesso.
— Ah, claro. — levo meu olhar aos azuis de minha mãe. — Temos muito o que comemorar. — ando até a escada.
— Querida. — a voz grossa e autoritária de meu pai soa quando subo o primeiro degrau. — Estava com Zac ou na casa dos McCoy como havia dito que estaria? — mantém seu semblante sério em minha dianteira. Olho discretamente para Charlotte, e seus lábios estavam espremidos na tentativa de segurar o riso.
— Na Melissa. — digo elevando meu nariz, tentando não transparecer nervosismo. Ficamos por segundos torturantes passeando nossos olhares um para o outro. — Vou para o banho. — subo a escada e só consigo respirar tranquilamente quando adentro em meu quarto.
— Me conta irmãzinha... — Charlotte adentra logo em seguida, e meus olhos transtornam brutalmente. — Está mesmo namorando com Zac ou ele te trocou por outra?
Não é possível que essa metida vai vir aqui me insultar.
— Por que teve que voltar? Por que não ficou em Londres com sua vida perfeita? — falo cerrando os dentes, e ela gargalha descaradamente. — Para de infernizar!
Asquerosa... Penso ao sentir meu rosto ferver pelo incômodo que a presença dela causa.
— Conquistei o que queria em Londres... — a dona da voz irritante dá uns passos até minha cômoda, e eu só consigo revirar meus olhos. Affs... — A não ser que me case com o príncipe da Inglaterra... — libera risadinhas enquanto meche em meu porta joias. Quanto mimimi... — Não seria muito difícil... — gira os calcanhares ficando defronte a mim. — Agora, quero conquistar a coroa de Miss Colorado.
— Estou pouco me lixando pra sua coroa... — dou dois passos e abro a porta. — Agora sai que quero tomar meu banho. — aceno a cabeça.
Ela por sua vez, escorrega seus olhos azuis até meus pés, antes de andar e parar a minha frente. — Precisa mesmo de um banho. — exala ao aproximar seu rosto do meu. — Está fedendo a sexo. — sai do quarto e fecho a porta.
Desde quando sexo tem cheiro? Idiota... fala isso para provocar e não dou a mínima... Dane-se a Charlotte!
Entro apressada no banheiro e arranco minhas vestes impregnadas pelo perfume de Zac. Abro a torneira da banheira e sento dentro dela, sentindo o contato da água quente com minha pele. A medida que meu corpo relaxa, os flashes da noite passada recordam tudo o que fizemos. Matar essa saudade que as vezes sinto, preciso concordar que em certas ocasiões são necessárias, ou precisas.
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☆Aviso de cena hot.☆
Além da claridade do dia, noto também Zac ao despertar. O garoto sentado a minha frente abre um sorriso de canto, depois de beber um líquido preto da xícara vítrea, possivelmente um café puro.
— Faz tempo que está aí? — bocejo.
— Você é tão linda dormindo. — abre um sorriso malicioso, o mesmo que sempre faz.
— Pare com isso. — sento ao me espreguiçar. Ele por sua vez, fixa seu olhar em meus movimentos, e porra... Sempre consegue me paralisar. — E a Christie? — pergunto alto interrompendo meus devaneios, antes de perceber os garotos apagados nas poltronas.
— Já foi. — bebe até o último gole do café. Será que dormiu com ele? — Ela dormiu no quarto de hóspedes. Saiu já faz alguns minutos. — responde exatamente minha dúvida. Parece que leu meus pensamentos!
Afss... Penso ao levar minha mão na cabeça dolorida. Minha roupa cheira a nicotina e cerveja, assim como meu cabelo e o restante do corpo.
— Quer tomar um banho? — sua voz chama minha atenção, pois estava concentrada a cheirar uma trancinha de meu cabelo.
Pelo jeito está bem na cara minhas expressões?
Com certeza não é uma boa ideia permanecer mais um minuto por aqui, mas aparecer em casa fedendo a cerveja e a cigarro ou até mesmo maconha, irá contribuir com muitas perguntas de meu pai, já que ele pensa que dormi na casa da Christie.
— Se não for um incômodo. — me ergo e pego meu celular entre as almofadas. — Preciso mesmo de um banho.
— Não é não, vai lá.
Passo por ele que ainda mantinha seus olhos pregados em mim. Estou com medo de me arrepender...
Subo a escada e adentro no quarto de hóspedes, onde havia deixado minhas roupas que usava antes. No banheiro do mesmo quarto retiro o short jeans, seguido meu biquíni. Preciso desse banho, mesmo parecendo loucura me banhar na casa de Zac. Meu pai é um policial rigoroso, e com certeza sentirá o odor de bebidas em mim. Entro no box, assim que fico completamente nua, tento fazer isso o mais rápido possível e sair daqui o quanto antes.
Após alguns minutos, finalizo o banho, e no momento que levo minha mão desligar o chuveiro, quando o box embaçado é aberto.
— O que é isso? — Zac adentra completamente nu. — Sai daqui? — encosto as costas na cerâmica fria, ao passo que a água encontrava seu corpo. E que corpo... Brota um sorriso no rosto do garoto alto, que passeia seu olhar por minha estrutura física, assim como eu. Que corpo maravilhoso... Penso ao desviar minha atenção, porém impossível hesitar completamente quando é sentido seus dedos tocarem meu rosto. Como é bom me sentir desejada... Levo alguns segundos até cair em si ao lembrar de Christie e de tudo o que aconteceu, por isso o empurro.
— Sinto saudade... — seus dedos insistem em me tocar. — Sei que fui um idiota e não te tratei como merece. — aproxima seus lábios dos meus, mas os desvio.
— E a Christie?
— Não quero mais a Christie... — sua voz busca imediatamente minha atenção. — Quero você. — sussurra aproximando-se mais uma vez de minha boca me paralisando por completa e, dessa vez deixo me beijar. Seu gosto, ainda lembrava de como era, porém sentia falta. Senti suas mãos descerem até minha cintura com leveza, colando seu corpo em mim com mais intensidade. Uma vontade incontrolável de experimentá-lo mais uma vez se ascendeu em meu corpo. Sua ereção encontra minha barriga e nem um gemido sai naturalmente.
— Não, para... — despeço-me de seus lábios ao empurrá-lo. Não posso esquecer do que fez... Seus dedos deslizam em minha mandíbula, antes de depositar beijos em meu pescoço e... Eu não devia estar aqui, tinha que evitá-lo o máximo possível, mas não consigo... Sempre o amei e sempre o desejei, ainda mais agora que estamos nus e perigosamente tão próximos abaixo da água quente do chuveiro. Sua mão segura firmemente meu seio, até sua boca encontrá-lo enjirecido. — Zac...não está certo... — tento transparecer a razão, mas na verdade meu corpo estava sendo entregue.
Seus dedos encontram minha intimidade e acariciam minha fraqueza. Nem havia percebido sua boca tão próxima de minha vagina, e minhas pernas abrem-se automaticamente para sua língua. Um leve toque aveludado, torna o suficiente para estremecer minhas pernas e se concentrar todo meu desejo ali, no ponto mais sensível de meu corpo. Um dos dedos é introduzido lentamente, sem retirar a língua capacitada para trazer uma onda inebriante, repleta de prazer e o gosto de quero mais. Apoio minha mão em sua cabeça, incentivando a continuar com as pinceladas em meu clitóris e o vai vem de seu dedo. Persiste assim até ecoar meus gemidos intensificado, por estar chegando no limite. Mas ele para.
— Não... — embargo minha voz. Ele por sua vez, se posiciona entre minhas pernas e penetra sua vontade de possessão. — Oh...
— Gostosa... — fala fracamente entre nossos lábios. — Minha Mel. — segura meus quadris apoiando na parede fria da cerâmica. Aquilo estava tão bom, que eu não queria pensar em mais nada, nem em ninguém e nem na hipótese de acabar com tudo.
Aprofunda suas estocadas, até estar completamente fora de controle e sua refém. Seus movimentos intensificam na medida que meu corpo vai relaxando e minhas pernas se tornam trêmulas. Um beijo ofegante aprofunda-se entre nossos lábios, lhe entregando seu gozo sobre minha virilha. Nos encaramos na expectativa de finalizar, e finalmente eu poder sair daqui de uma vez por todas, mas ele retorna a me beijar e... Eu não sei se devo. Acabei de transar e não devia.
— Para, eu não quero... — Desvio meu olhar, pois ele tem a habilidade de me aprisionar. — Não posso gostar de você. E não quero. — saio do box e puxo a toalha do suporte.
— Eu gosto de você, quero ficar com você... — desliga o chuveiro e sai logo atrás. — P-Podemos ficar juntos... sempre que... q-quisermos... — gagueja ao andar e parar ao meu lado que secava meu corpo. Por que tanto nervosismo? Levo meu olhar duvidoso e permaneço examinando qualquer reação estranha. — Só-que... err... — deixa o olhar cair, mas logo retorna ao meu. — Só que escondidos.
— Por que escondidos? — mantenho o olhar fixo nele, tentando captar onde realmente quer chegar.
— Para que... err... — parece formular uma resposta viável, ou criar coragem a falar de uma vez. — Christie me deixe em paz. — diz finalmente. Christie deixar ele em paz? Largo o riso descaradamente. Que piada. — Ela diz que não me quer... — continua com seus argumentos. — Mas no fundo, ela quer sim... Fica sempre me provocando com aquele novato. — faz uma pausa ao notar-me refletir. Talvez tenha razão... Christie não esqueceria facilmente tudo o que viverem no decorrer desses anos. — Se ela não se sentir ameaçada, tudo ficará bem.
Observo meu reflexo no espelho, enquanto meditava em tudo o que me foi dito. Christie sempre teve tudo o que almejava e Zac, era uma de suas conquistas. Acreditei nela ao me aconselhar para evitá-lo, pois presenciei seu ataque de ciúmes. Não é da forma como gostaria, acho que ninguém estimaria, mas... sempre fui a platéia, examinando calada o amor dos dois, enquanto eu morria de amor aos poucos. Ficar com ele sempre foi meu propósito, mesmo que agora eu precise esconder.
— Será por pouco tempo... — se posiciona em retaguarda e envolve seus braços sobre meu tronco. — Até ela me deixar em paz... — pousa seu queixo em meu ombro, depois de dizer: — Eu prometo.
Fecho os olhos e respiro fundo. Dessa vez, sinto que não é um erro. Zac, é o que mais quero.
— Está bem. — digo firmemente, e percebo abrir um sorriso vitorioso em sua face, e deposita um beijo em minha bochecha logo em seguida. — Mas por que disse, que será por pouco tempo. — desfaço de seu abraço, mas sua boca desliza em meu pescoço e suas mãos se preparam para mais um passeio em meu corpo. — Não Zac... — dou um passo a frente, desviando-me de suas mãos. — Tenho que ir agora para casa, esqueceu quem é meu pai? — saio do banheiro, e pego minhas roupas expostas na cama.
— Não esqueci não... — sua voz me acompanha. — Pode ir então... — Zac veste sua bermuda novamente, ao passo que eu faço o mesmo com minhas vestes. — E não vejo a hora de me encontrar com você de novo.
Abro um sorriso em resposta, enquanto finalizava meu look, ao mesmo tempo que seus olhos castanhos examinavam meus movimentos. Ando em direção a saída acompanhada dele, até chegar no pé da escada, quando Zac percebe os garotos ainda atirados no sofá, então caminha até eles.
— Hora de ir pra casa. — dá chutões nos pés deles, até parar no loiro de boca aberta. — Levanta Ben! — dá uma esbofeteada no topo na cabeça loira, fazendo-o despertar.
— Cara, que horas são? — a voz rouca do garoto sonolento soa ao levar sua mão na lateral da cabeça, comprimindo seus olhos e também seus lábios.
— Hora de ir embora. — Zac bagunça os cabelos lisos do garoto loiro.
— Merda! — chamo a atenção de todos, após verificar o horário em meu celular. — Tenho que ir, ainda é cedo para morrer. — sorrio sarcasticamente, conforme Zac inicia passos até mim, estalando um beijo em meus lábios. Não era para ser segredo? Levo meu olhar ligeiramente a Ben.
— Mel... — Zac segura meu queixo levando meu olhar a ele. — Ben é meu amigo... — leva seu olhar para o próprio. — Não vai contar nada pra ninguém, não é?
— Não vi nada. — levanta as mãos em rendição. Sorrimos com fervor e me despeço mais uma vez.
Ando a caminho de minha casa. Não moro longe e por isso não demoro a chegar, ainda mais quando meus passos são apressados pelo frio quase insuportável e o medo de meu pai. Ele é tão protetor, que não sei o que seria capaz de fazer por sua família.
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