Se Recusando A Falhar

Se ficar confuso, me avisem, mas acho que me sai bem!!!

😃😄😁😀

Boa leitura.

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Rhaenys saiu do quarto de seu marido com um humor estranho. E foi somente quando voltou para seus aposentos de hóspedes que percebeu o que estava sentindo: vergonha.

Enquanto eles viveram, em seu sonho, em sua profecia, Rhaenys se distanciou dos netos.

Jacaerys, Lucerys e Joffrey.

Quando Laenor mostrou animadamente que Jacaerys, Rhaenys estava preparada, animadas até, para segurar seu primeiro neto.

E tudo isso desapareceu no instante em que ela viu o bebê enfaixado nos braços de Laenor. Na pele pálida, no cabelo escuro e encaracolado, no nariz arrebitado. Nos olhos castanhos.

Isso não é meu, pensou Rhaenys no instante em que viu o "filho" de Laenor.

Ela sabia o suficiente para não dizer isso em Porto Real, cercada por um mar de verde, e então Viserys irrompeu na sala para mimar e mimar o bebê com um entusiasmo que ela não via desde que Aemma estava viva.

Então o próximo bebê a vir de Rhaenyra era o mesmo. Cabelos escuros, olhos escuros. Assim como o próximo.

E todas as vezes Laenor alegremente lhe mostrava o bebê, apresentando-a como sua "avó" e, embora ela soubesse que Corlys era sincero em sua adoração, Rhaenys nunca foi.

Oh, isso não quer dizer que as crianças não eram doces; Jacaerys, Lucerys e Joffrey eram todos meninos de bom coração, mas ela acreditava, sabia, do fundo de seus ossos que eles não eram de Laenor.

Não importava o quanto Laenor se preocupasse com eles, não importava o quanto eles obviamente adorassem 'seu' pai. Eles não eram dele.

Eles não eram do sangue de Corlys.

E isso a deixou intensamente amarga quando Corlys declarou Lucerys como o Herdeiro de Driftmark quando Laenor assumisse o trono de madeira flutuante. Ainda mais quando Laena se casou com Daemon e deu à luz duas filhas, cujo sangue nunca esteve em dúvida.

Ainda assim, Rhaenys era uma esposa obediente e sabia, apesar de sua raiva e ofensa, que Rhaenyra ainda era muito melhor do que aquele garoto idiota bêbado de Alicent. Então ela se manteve em silêncio sobre a óbvia falta de sangue Velaryon que os filhos de Laenor tinham.

Se manteve em silêncio contra os rumores e sussurros de bastardos, de Harwin Strong e sua companhia próxima a Rhaenyra.

Manteve em silêncio quando Corlys mandou açoitar um homem por falar abertamente sobre a falta de traços Velaryon de Luke.

Fez ouvidos moucos e permaneceu calada enquanto observava Laenor apresentar 'seus' filhos a Seasmoke, e depois levá-los com ele para as nuvens.

Ela manteve em silêncio quando Laenor levou Lucerys em pequenas viagens de barco, preparando-o para seu futuro como Senhor das Marés.

Ela se manteve em silêncio quando Laena morreu, quando Laenor morreu, e de repente ela não tinha mais filhos.

Ela se manteve em silêncio quando Daemon e Rhaenyra se casaram quando seus dois filhos estavam mortos e então declararam sua intenção de casar Jacaerys com Baela e Lucerys com Rhaena.

Se confortou com aquela união, ao saber que suas netas de sangue verdadeiro estariam em posições estimadas; Baela como a futura Rainha dos Sete Reinos, Rhaena como a futura Senhora de Driftmark. Era amargo, mas era um conforto.

Então Viserys morreu, os Hightowers roubaram o trono dos dragões e eles entraram em guerra.

E Lucerys foi morta.

Apesar de toda a sua raiva, Rhaenys nunca quis que o garoto sofresse algum mal e ela estava tão furiosa com Borros Baratheon por ser um covarde que quebrou o juramento quanto estava com Aemond por seu ato vergonhoso.

Uma parte dela, quando recebeu a notícia do incidente em Ponta Tempestade, se arrependeu de não ter matado os usurpadores quando escapou de Porto Real.

Se tivesse sido apenas um deles quando ela e Meleys os confrontaram no Dragonpit, então ela os teria matado. Mas todos eles, especialmente com Sunfyre e Dreamfyre presentes, eram uma calamidade potencial muito grande.

Quando Rhaenys voou para Dragonstone e depois que ela informou Rhaenyra do golpe, ela foi ao altar dos Quatorze da Velha Valíria e rezou.

Rezou por perdão, na guerra vindoura de assassinato de parentes e matança de dragões. Rezou para que somente ela suportasse a maldição de tudo isso e ofereceu seus objetos de valor aos altares quentes e sangrentos junto com o corpo de uma cabra que ela jogou goela abaixo no poço de magma abaixo.

Daemon se juntou a ela, assim como Rhaenyra. Pois talvez os Quatorze não os perdoassem, mas Rhaenys se sentiu melhor em rezar para a forma negra adormecida do Deus Balerion, pedindo o perdão do sono final ou, pelo menos, sua compreensão para o que eles deveriam fazer.

Rhaenys acreditava que, como os dragões verdes estavam alinhados com os Sete, os Catorze poderiam oferecer-lhes socorro.

E Lucerys ser morta... Era horrível, saber que Aemond tinha feito tal coisa. Que ele tinha matado seu próprio sobrinho, um enviado, e tinha matado um companheiro dragão.

Ela viu a morte dele, depois foi ela mesma. E então viu a morte de Jacaerys, Viserys II, Joffrey e os ataques de suas netas.

E toda a guerra.

Horrível. Terrível.

E o sonho todo era tão verdadeiro,tão real, que sabia que para que isso ocorresse os Quatorze devem ter abençoado isso

Eles viram sua queda. Sua morte. Guerra e destruição.

E quando Viserys, que fez o que seu avô nunca fez por ela por anos, desinstalou Rhaenyra como herdeira, sabia que não foi a única.

Talvez fosse melhor.

Rhaenyra não estava preparada e não tinha as habilidades necessárias para uma rainha. A lembrança de seus primeiros três filhos mostravam isso.

E no fundo, talvez fosse o sentimento de justiça por algo que foi retirado dela.

Foi um profundo alívio para Rhaenys saber que os Quatorze não os arrastariam para o poço congelado se lutassem contra os dragões de Hightower.

Que eles entendessem que esta não era uma batalha de dragões contra dragões, mas sim de dragões contra pretendentes.

Eles não seriam abatidos como Maegor, e ela não precisava temer que suas netas tivessem seus filhos roubados delas por despeito.

Ela viveu por anos com a crença que isso era melhor. Que a corte melhoraria sem a ameaça de uma guerra em ascensão e que Aegon poderia ainda ser consertado, que seus filhos estariam seguros.

Ou para seus netos.

E então não.

Rhaenys se amaldiçoou, talvez tenha sido Viserys, ou os próprios deuses, porque enquanto Rhaenyra Targaryen era retirada da sucessão e criava seu próprio destino em uma ilha, eles estavam lutando uma outra guerra entre si.

Uma guerra de mentiras, sangue e aparências. Sem nome, sem objetivo claro além de provar quem é mais inteligente do que o outro.

E foram os Velaryon que pagaram o preço.

Sua filha que foi forçada a se casar com Daemion Velaryon, por ela, para impedir mais conflitos com Vaemond e sua prole.

Com Laenor que foi forçado a se casar e deitar, novamente, embora com melhores meios e apoios.

Isso não mudou nada.

E ao mesmo tempo mudou tudo.

Rhaenys sentiu mergulhada em água gelada quando viu seu primeiro neto. E o mesmo olhar vibrante e amável no rosto de seu filho.

Aquela... criança. Com as mesmas feições dos bastardos de Rhaenyra. Filhos de Harwin Strong...

Não podia ser!

Como?

Aquela criança com cabelos escuros e olhos castanhos esverdeados. Com nariz arrebitado e corpo grande. Saudável. Rhaeger.

Ela se amaldiçoou...

E então veio outro.

Monford, com as mesmas feições do irmão mais velho e olhos diferentes.

O que aconteceu?

Sabia que o sangue de seu filho verdadeiramente corria naquelas crianças. Não havia outro. Darlana Celtigar, esposa de seu filho, era vigiada firmemente e não tinha casos ou rumores. Veio donzela ao leito, ela garantiu isso. Seus próprios olhos viu o sangue.

Então porque?

Porque?

Os filhos de sua filha vieram da mesma forma que antes. Sua audaciosa Baela veio com outro nome, mas as mesmas feições, Daenora.

Sua doce Rhaena, veio ainda mais tímida e frágil que antes, sem a força do sangue do dragão correndo grosso em seu sangue pela linhagem de Daemon.

Ambas pagando o preço de não serem homens, e assim sendo desprezadas por seu pai, que aprendeu e agia da mesma maneira desprezível que Vaemond.

Ela as puxou e cuidou. Protegeu e jurou defende-las onde sua filha não poderia mais.

Monterys.

Seu neto mais novo, o filho de sua filha.

E não mais tão diferente...

A criança pela qual Laena morreu em outra vida, mas tão diferente de seus pais. Do que foi esperado.

Pele escura e brilhante. Olhos cristalinos. Sim. E seu cabelo então... escuro. Como de seus primos. Como os dela já foi um dia.

Escuros, que ficavam ainda mais escuro conforme crescia.

Crescia em ressentimento. Amargura e solidão pelo desprezo do pai e avó paterno. Por ser um bastardo.

Ela queria gritar.

Porque?

Porque?

Porque?

Ela ainda tentou contornar isso.

Eles tinham o sangue de seus filhos. Isso era certo.

Verdadeiro.

Ignorou os olhares de Corlys.

A morte de sua filha... eles iriam sobreviver.

Vencer...

E então não.

Os deuses eram cruéis em seus jogos.

A aparência de seus  netos eram tão comuns quanto aqueles em seus sonhos. Na verdade.... as mesmas feições. Os mesmo traços. Só não os mesmos olhos.

Os olhos castanhos com pontos lilases foi substituído e não havia nenhum traço valiriano em suas faces.

Onde tudo foi parar?

Ainda assim...

Isso era melhor do que sua do que ser piada de todos os sete reinos, certo? Ao menos era um problema interno da família e não da Coroa.

Era melhor do que crianças claramente não valirianas que Rhaenyra deveria estar dando a luz terem o sobrenome de sua família, manchando seu orgulho ainda mais.

E ela pensou.

Esperou.

Lutou.

Se recusou a perder.

Como poderia?

Não era justo.

Não era justo!

Amaldiçoou a si mesma e percebeu tardiamente que, embora seus supostos antigos netos não se parecesse com Laenor, agora era óbvio para ela que ele favorecia sua própria família.

A antiga família.

Se Rhaenyra era a filha descaradamente favorita de sua falecida prima, então Lucerys sempre fora a neta descaradamente favorita de Viserys.

Agora, ali em Dragonstone, era tão óbvio para Rhaenys o porquê, pois o menino parecia tanto com a falecida Rainha Gentil que Rhaenys se sentia uma idiota por nunca ter visto isso. Ainda mais com seus novos cabelos claros e olhos lilases.

Os Arryns tinham cabelos castanhos há muito tempo, ela simplesmente estava tão acostumada com o cabelo nevado de Aemma de sua mãe Daella Targaryen.

A própria Rhaenys tinha o cabelo escuro Baratheon de sua juventude, mesmo que tivesse ficado branco prateado antes de seu trigésimo aniversário, mas ela de alguma forma não percebeu a maneira como o cabelo de Jacaerys ficava mais escuro conforme ele envelhecia até ficar quase preto. Como homens de sangue Baratheon.

Isso deixou Rhaenys amargurada, tão incrivelmente amargurada, que ela de fato caiu nos rumores antigos da Rainha Verde.

Que ela se deixou levar pelos sussurros e veneno, que ela rejeitou seus próprios netos devido à ganância de poder e ao boato de Alicent enquanto ela tentava minar todos os aspectos do futuro governo de Rhaenyra.

Rhaenys odiava isso tão intensamente, que tinha funcionado. Ela caiu nisso, e tinha danificado severamente seu relacionamento com seus filhos ao fazê-lo.

Pois Laena, em seu sonho, tinha visto como Rhaenys havia evitado os filhos de Rhaenyra, e como nesta vida ficou tensa em torno das crianças de Laenor, e intencionalmente saído de seu caminho para convidá-los para qualquer jantar ou reunião onde Rhaenys tentava "esquecer" de convidá-los, durante as visitas de sua filha do outro lado do Mar Estreito.

Foi somente quando Laena pegou Rhaenys ensinando Baela sobre a criação de unguentos e cataplasmas de dragão a partir das flores vulcânicas de Pedra do Dragão em outra chance, que sua filha a confrontou com raiva. Exigindo saber por que ela não convidou Jace, Luke ou Joffrey, todos eles tinham dragões.

Rhaenys nem sequer ofereceu uma desculpa, mas considerando a fúria que cruzou o rosto de Laena, Rhaenys nem precisou falar para que sua filha entendesse o que seu silêncio significava.

No dia seguinte, Laena fez as malas e levou suas filhas de volta para Pentos, seguidas pelo marido. Cada carta enviada depois foi ignorada e Rhaenys não recebeu nenhuma em troca.

O descarado ostracismo deixou Rhaenys perturbada e Corlys a questionou com raiva sobre isso, mesmo que ela tentasse fingir inocência.

Mas Laena obviamente contou a Laenor sobre o incidente, pois ele foi extremamente frio com ela depois disso e suas próprias visitas murcharam para quase nada.

Quando ele visitava, ele falava principalmente com seu pai e mal conversava com sua mãe, apesar das tentativas dela.

Agora Rhaenys entendia o porquê, porque Laena tinha visto a verdade óbvia das feições gentis de Aemma em Lucerys.

Que ela viu o cabelo escuro e espesso de Jacaerys e instantaneamente soube que era Baratheon, assim como Joffrey. Assim como Laenor não tinha dúvidas de que seus filhos eram dele.

Apenas para sua própria mãe duvidar, recusar-se a aceitar seus filhos e rejeitá-los devido aos rumores de uma rainha Hightower.

E por tudo que Rhaenys sabia, talvez seus próprios filhos pensassem que ela iria deslizar para uma corte Verde e eles se distanciaram para sua própria segurança, pensando que sua própria mãe poderia ser uma ameaça para seus filhos algum dia.

E não foi isso o que ela fez?

Isso deixou Rhaenys tão furiosa e perturbada ao perceber que foi preciso todo o seu autocontrole para não ficar sem Pedra do Dragão e pular nas costas de Meleys para voar direto para o maldito barco e tentar matar todos os usurpadores tentando recuperar o pouco do orgulho que lhe restava, que ainda permanecia manchado.

Em vez disso, ela se sentou e se concentrou em sua própria raiva e fracasso, a janela aberta para deixar entrar a brisa do mar enquanto ela lentamente lutava contra suas emoções.

Ela precisava perder o orgulho, e aproveitar resto de onde pudesse, mesmo que houvesse a baixa antecipação fervendo sob seus ossos, pois sabia que a guerra só aumentaria.

Seja Rhaenyra no trono ou não, o reino cairia em guerra e graças as suas ações, em seus sonhos e nesta vida, eles pagariam as consequências.

Uma aliança com Dragonstone poderia fazer bem a eles. Mas assim como o Norte não esquecia uma ofensa, o sangue de dragão também não.

Isso estava claro pela forma como os Degraus eram fortemente controlados por Rhaenyra e como Driftwood e Kingsland foram afetados de uma maneira ou outra.

Era fácil de ver porque mesmo com uma Celtigar casada em sua família, eles estavam ao lado dela.

Fácil de observar quando todos os seus filhos tinham o que deveria ser dos seus netos, seus netos que ela desprezou, desamou e ignorou. Que morreram sem conhecer seu amor ou aceitação.

Jacaerys

Lucerys

Joffrey.

Que já foram seus e por suas ações perdeu.

Baela

Rhaena.

Netas pagando por seus erros.

Rhaeger

Monford

Monterys.

Daenora.

Rhaena.

Crianças que pagaram pela culpa dos adultos.

Por suas palavras. Ações e decisões.

Que deixaram de existir e ao mesmo tempo existia de outras formas.

Que se recusava a falhar com eles também.

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