02. segóvia.
02. FAZENDO
MUITO
BARULHO !
✞
MORÉLIA SAIU DO CARRO acompanhada de Sérgio, Raquel, Marselha e Palermo. Por mais que ainda não engolisse totalmente sua atual cunhada, tinha que admitir: ela fazia seu irmão feliz. Andressa nunca havia visto Sérgio daquela forma. E ainda que não abençoasse a relação, a vida amorosa do Marquina não era de sua conta. E sentia que devia um pedido de desculpas aos dois por isso, e quando estivesse pronta pra assumir o erro, o faria. Mas ainda culpava Raquel pela morte de Berlim, disso não se livraria nunca.
Andressa olhou para os lados vendo toda a equipe reunida. Tóquio, claramente, era a que mais queria que o plano saísse com êxito. E, se fosse possível, eles iriam fundir aquele ouro até a última grama.
Todos entraram no monastério de Segóvia calados, apenas seguindo os passos do Professor. Morélia caminhava ao lado de Palermo, e algumas memórias felizes dançavam por sua mente. Aquele havia sido o último lugar em que havia visto Andres, antes de se mandar para um plano suicida. E foi o que aconteceu.
— Vamos fazer isso por ele. — Martin, vulgo Palermo, segurou a mão da morena, dando um sorriso gentil. Morélia se sentiu na obrigação de retribuir. Andres era tão importante pra ele quanto era pra ela, e ambos estavam dispostos a dar o que a polícia merecia.
Quando todos, finalmente, haviam chegado a "sala de aula", se sentaram em suas respectivas cadeiras. Morélia e Palermo, no entanto, ficaram de pé junto a Sérgio e Raquel, considerando que os dois tinham o plano desenhado até os mínimos detalhes em suas mentes peculiares. O Marquina escreveu "bem vindos outra vez" na lousa e arrumou os óculos, tímido. Foi possível ouvir a risada de todos de fundo, principalmente de Denver. Morélia teve que tentar não rir também. A risada dele a contagiava.
— Bom, muitos de vocês já conhecem as regras. Mas como há gente nova, é bom relembrar. — Ele falou seriamente. Morélia franziu o cenho. — Pra começar, não quero nada de relacionamentos pessoais.
Raquel riu e Sérgio a olhou.
— Bom, quanto essa regra... — Sérgio falou nervosamente, tentando se corrigir. Denver riu mostrando os dentes, olhando para Monica maliciosamente.
— Professor... — Nairobi o chamou. — Fala logo! Como vamos entrar no banco da Espanha?
A Morélia a olhou sugestivamente e Sérgio a chamou gesticulando a cabeça. A morena se aproximou e tirou o pano que cobria a maquete do Banco da Espanha. Aquilo havia sido feito por Andres. Não era surpresa que o irmão era um artista, ele já havia feito muitas coisas com perfeição. De repente, Andressa sentiu um aquecimento no coração. Era como se Berlim estivesse orgulhoso do que estava ocorrendo ali.
— Fazendo muito barulho. — Respondeu Sérgio, com um sorriso de lado.
✞
Morélia já estava cansada de ficar em pé. Tudo o que queria era se sentar, e tomar uma cerveja. Explicar um plano que levou mais de três anos pra estar 100% pronto e confiável para pessoas que sequer sabiam como tudo funcionaria era bastante cansativo. Mentalmente, se perguntava como Sérgio conseguia. Se não fosse um procurado pela Europol, ele seria um ótimo professor de filosofia, ou quem sabe história.
— Os dirigíveis estarão programados pra voarem até uma determinada coordenada GPS e, somente quando chegarem até elas, abrirão suas portas. Depois disso, vão voar em círculos em um raio de 250 metros, lançando notas de dinheiro num intervalo de 40 segundos durante 50 minutos. — Sérgio fez uma breve pausa para respirar. — Isso a uma altura de 300 metros seria como se o maná caísse do céu. No total, vamos lançar 140 milhões de euros.
Todos se entreolharam e Denver resmungou. Morélia o encarou mortalmente, e Palermo riu no canto.
— Na boa, vai ser caro entrar na cova do leão. — Ele vozeou.
— Todos nós somos chamados de Robin Hood. Faz sentido que uma parte do que roubamos vá para as mãos das pessoas. — Sérgio se sentou em um banquinho, de frente para a maquete. — A verdade... é que estamos jogando uma partida de xadrez, e temos todas peças pra perder. Mas também estamos movendo peças que obrigam a inteligência a mover outras peças.
— E o Prieto só vai poder fazer uma coisa. — Raquel cruzou os braços.
— Bem observado, Raquel. Quem ataca primeiro tem tempo, mas quem se defende desse ataque não tem tanto tempo pra pensar. O Prieto vai se ver obrigado a improvisar sua melhor defesa, e isso não é bom pra ele. E é aí que mora a nossa armadilha.
✞
O GRANDE
DIA.
Morélia não estava bem. O Grande Dia havia chegado e procurava mil formas em sua mente para se acalmar, para não entrar em pânico. Mas tudo a levava ao penhasco de sua mente perturbada. Aquele plano era tão de Palermo quanto dela, e não sabia se estava pronta pra fazê-lo.
— Me ajuda, Andres... — Ela suplicou ao irmão, com os olhos fechados.
Todos ali esperavam a resposta do professor ao rádio para saber de qual pelotão e companhia eram para entrarem no banco. Eram os últimos minutos pra largar a arma, pegar suas coisas e voltar pra Itália. Mesmo que estivesse sozinha, não corria tanto risco de morte assim.
— Monica, por favor... — Disse Denver, notando que a esposa não estava nada bem. Tão mal quanto Morélia.
— Denver, agora não. — Respondeu Estocolmo, secamente.
Morélia, do lado do casal, prestou atenção na conversa. Ela sabia do que se tratava, considerando a briga que tiveram em Segóvia.
— Agora sim. Não quero entrar lá sem resolver isso. — Ele insistiu. — Deixa eu explicar! Eram três da manhã, eu perdi a cabeça... Me perdoa! Não tem motivo pra ficar sem falar comigo por três dias! — Ele insistiu, mas ela apenas o ignorou e foi embora.
— Ela não está errada. — Resmungou Morélia, arrumado sua falsa roupa de militar.
— E o que você tem com isso? — Denver cuspiu as palavras na cara dela. — Fica na sua, Morélia! — Por fim, saiu.
Com tanto dinheiro do último roubo, o Professor era capaz de fazer qualquer coisa. Com 3 semanas para o Grande Dia, a conexão com os telefones da CNI e da polícia haviam sido obtidas com êxito. Se, talvez, esse plano tivesse sido executado antes do assalto a Casa da Moeda, tudo iria merda. Com dinheiro, tudo era possível. E Morélia sabia que isso era um ponto pra eles.
Tóquio caminhava de um lado para o outro, nervosa. Vê-lá naquele estado estava deixando Andressa nervosa, e preferiu desviar o olhar. Esperava que aquilo tudo valesse a pena. Não só por Rio, mas também por Berlim. Ele era a espécie de irmão que Andressa odiava e amava, tinha seus humores. E independente das brigas quando mais novos, ele sempre a defendia, e mataria qualquer um por ela. O mesmo ao contrário.
— Atenção, senhores! Somos o primeiro pelotão da sexta companhia de BRIPAC! — Gritou Palermo, alertando a todos. Logo, se movimentaram.
Estocolmo passou as informações na mente, procurando a pasta com os adesivos falsos para colar nos comboios. Era assim que entrariam no Banco da Espanha sem serem notados: com figurinhas.
— Temos 16 minutos e 45 segundos! Andem! — Palermo marcou o tempo, colocando a arma nas costas posteriormente.
Estocolmo passou os adesivos para Morélia, que correu até Nairobi colocando-os na ordem certa nos comboios. Quando tudo estava feito, toda a equipe se separou em dois comboios. Palermo, Tóquio, Helsinque, Denver, Estocolmo e Morelia em um, enquanto Bogotá e Nairobi estavam em outro. Eles estavam responsáveis por carregar tudo o que precisariam pra dentro do Banco da Espanha.
Aquilo tinha tudo pra dar errado. Mas com todo o medo do mundo, era um risco que Morélia estava disposta a correr. Por Berlim.
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