00. prólogo
oo. ME CHAME
DE MORÉLIA!
✞
Andressa estava estática, porém sentindo o chão cair sob os seus pés vendo, bem na sua frente, o responsável pelos árduos e dolorosos anos que ela havia passado sozinha, em sua própria escuridão, ouvindo Bella Ciao como um símbolo de luto, de saudade e, principalmente, de amor. A morena não conseguia olhar na cara de Sérgio, seu irmão que, da forma mais egoísta e egocêntrica possível, bateu na sua porta como se tudo estivesse bem, como se não tivessem se passado 5 anos. Foram 5 anos nas drogas, nas bebidas, garotos e garotas. Isso quando o relógio marcava as duas ou três da manhã. Mas quando amanhecia, apenas Andressa conhecia a dor incontrolável que era ficar longe dos irmãos.
Todavia, no terceiro ano, tudo mudou. Quando Andres, o homem que a protegia mesmo quando ele mesmo precisava de proteção na maioria das vezes, se foi.
— Que caralho você tá fazendo aqui, Sérgio? — Andressa pegou uma garrafa de uísque e serviu no copo, sem se importar se seu irmão queria ou não. Parou de ligar para o que o Marquina queria desde que ele a abandonou pra executar um plano que tinha tudo para dar errado. — Aliás, não responda. — A Fonollosa gesticulou a mão, se virando para olhar seu irmão.
A morena deu um gole grande na bebida, colocando o copo de volta na mesa de centro do pequeno apartamento.
— Depois de 5 anos, Sérgio... Como você tem coragem de aparecer com a sua cara de rabo aqui? Você se deu bem, irmão... Você invadiu a porra da Casa da Moeda com um monte de cachorrinhos prontos pra morder a canela de todos e meu irmão estava lá! — Andressa perdeu o controle, se aproximando do irmão e apontando o dedo na cara dele, mesmo que ele fosse consideravelmente mais alto. — VOCÊ MATOU O ANDRES, VOCÊ MATOU O NOSSO IRMÃO, SEU ESTRUME! — Andressa batia no peito de Sérgio, mas o mesmo segurou seus pulsos e a abraçou. Beijou sua testa, a envolvendo em seus braços e, se pudesse e se ela permitisse, não a soltaria nunca mais. — Não vai embora, por favor... eu não sei mais o que fazer sem ele, eu não sei viver sem o Andres...
— Andressa... eu preciso da sua ajuda, não posso executar o plano sem você... — Sérgio falou, ainda abraçando a irmã. Quase que de imediato, ela se afastou dele como se não acreditasse no que acabara de ouvir.
— Você não está falando do...? — Andressa foi até o seu copo de uísque novamente, virando o restante que tinha no recipiente.
— Sim, eu estou falando do plano do Berlim. — Sérgio confirmou, se aproximando da irmã de forma calma e paciente. — Mas sem você não dá, eu não consigo.
— Sérgio... você não iria vim até a minha casa, iria me abraçar como um irmão que ama sua irmã e me dizer que quer que eu arrisque a minha vida por um cara que me abandonou por 5 anos pra pagar de Robin Hood na Espanha e distribuir 140 milhões de euros por Madrid. A verdade é que você quer que eu participe porque eu sei tudo sobre o plano. Se você não sabe, irmão, o esquema de assaltar o Banco Central de Madrid é totalmente suicida. — Andressa apontou para o Marquina. — Eu não posso, Sérgio... não posso fazer isso, o Andres não iria querer que fizéssemos isso sem ele.
Sérgio suspirou pesadamente, arrumando o óculos no rosto.
— É exatamente por ele e também por nós que estamos fazendo isso, Andressa. Somos a resistência. — Sérgio cerrou o punho, mostrando força. — O governo mexeu com um dos nossos e eles mataram o Berlim, e não somos do tipo que se esconde e fica com o rabinho entre as pernas. Precisamos reagir.
— Entrar no banco, pegar no ouro sem morrermos afogados e vazar pra fora do país. O que pode dar errado, afinal? — Andressa riu, bêbada. Sérgio havia cutucado a ferida com força e, por mais que odiasse admitir, ele tinha razão. Andres precisava ser vingado e sua irmã, Andressa Fonollosa, iria fazer muito, mais muito barulho.
— O que me diz, Andressa? — Sérgio sorriu, com seu jeito tímido de ser.
— Me chame de Morélia. — A morena piscou para seu irmão inteligente.
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