Trouble Twins

Olá, pessoas? Tudo bem? Espero que sim!

[Deveria haver um GIF ou vídeo aqui. Atualize a aplicação agora para ver.]

(Musiquinha pra entrar no clima natalino)

De ante-mão, quero desejar a todos um feliz natal. Muita paz, saúde e realizações para cada um. De presente, eu trouxe um capítulo novo pra vocês. Que tal também me presentearem com uma estrelinha e um comentário em? Eu iria vibrar de felicidade >.<

Dedico esse capítulo a minha amiga que se deu ao luxo de nascer no penúltimo dia do ano, e que vai fazer 18 jajá! HAHA LariReed , esse é especial pra você. Nesse seu dezoitão, tudo de bom que sei que você merece! Te amo muito s2

E por último, mas não menos importante, finalmente decidi a frequência das postagens (ou que pelo menos a que vou tentar seguir) de uma vez por semana ter capítulo novo. A partir de hoje, que tive de postar mais cedo porque estou viajando, Someone To Save You ganha um dia especial para ser atualizado.

Todas às quarta-feiras (para homenagear Arrow, pois esse é o dia que lança) eu venho com novos capítulos pra vocês. Em breve, vamos contar também com narrações de outros personagens, mas depois voltamos ao normal com Dylan e Chloe narrando sua bela e conturbada história heheheh. O que acharam? De acordo?

E mais uma vez, agradeço a cada um pelo apoio e amor que estou recebendo com esse spin off. Meu muito obrigado. Amo muito vocês, até os leitores fantasmas (que poderiam me dar um comentário ou estrelinha de presente né? Só uma ideia)

Sem mais delongas, ao capítulo!

Um abraço e boa leitura!





Que a verdade seja dita, o universo me odeia. 

É óbvio que em alguma altura da sua vida você já pensou que tudo na sua vida poderia dar errado. Quem nunca teve aquele momento que sente vontade de se jogar debaixo do primeiro metrô que passa na estação vizinha à sua casa. 

Sabe esse desejo? Eu sinto todo dia.

Tenho certeza que lá no céu tem uma mesa de pôquer em que os anjos ficam apostando qual deles consegue me lascar mais. Acho que deve ter até um clube "Lascar Chloe, faça já sua aposta". Só assim para existir tanto azar em uma só vida como já tenho na minha. 

Depois de ouvir a conversa de meu pai no telefone, não consegui pregar o olho. Passei todo o final de semana pensando nisso, me remoendo de curiosidade para saber o porquê de minha mãe me querer de volta tão rapidamente. Mas infelizmente, meu pai não tocou no assunto. Na hora das refeições, tentava perguntar algo sobre minha mãe na Inglaterra, mas ele sempre desconversava. Laura percebeu minhas indiretas e passou a me ajudar, mas Walter Madsen era uma pessoa difícil. Não dava o braço a torcer nunca.

E quanto a mim? Que morresse de aflição, porque seja lá qual for a bomba que ele planejasse jogar em mim, seria sem aviso prévio. 

– Chloe Madsen, você é muito estranha. – Ouvi Harriet gritar ao telefone, que segurava entre o ombro e a orelha, já que minhas mãos estavam cheias de livros, pois estava os organizando em minha estante. – Primeiro, você me diz que tudo que quer é voltar pra casa, aí você escuta que sua mãe está te chamando de volta e fica triste? Qual seu problema?

– Harriet, você não entende, isso foi antes, agora as coisas mudaram. – Eu respondi, fazendo questão de organizar meus livros por autor, gênero e ordem alfabética.

Eu não queria pensar que era realmente por isso. Por que as coisas mudaram? Seria por causa dele? Por ver Dylan Turner e não querer me distanciar dele novamente? Era isso? Eu queria ficar para continuar perto do modelo ícone da revista Versalle? 

– E o que seria esse motivo que a fez mudar  tão drasticamente de opinião em 24 horas? – Harriet fez a pergunta que desejei que ela não fizesse.

– Bom, é que...

Contei a ela tudo que ouvi na festa da Versalle e meu reencontro com Dylan. A latina ouvia atentamente minhas palavras, me interrompendo para fazer uma provocação de vez em quando. 

– Então a gente ficou no carro...

– Transando? Mentira? Rolou aquele sexo selvagem?! – Harriet não precisava ser uma telepata para saber que meu rosto ficara mais vermelho que meus cabelos.

– O quê?! Mas é claro que não! – Ouvi a risada dela do outro lado da linha e soube que ela estava apenas me perturbando.

– Por quê não? Bastava você chegar toda sensual e dizer "Dylan, que tal brincarmos de uma coisa nova? Uma coisa que não podíamos fazer com oito anos". – Ela imitou uma voz de uma protagonista de novela mexicana e eu ri.

– Já falei que somos só amigos, ou melhor, nem sei o que somos. – Confessei, enrolando uma mecha de meu cabelo no dedo.

– Menina, pra você querer mudar toda a sua vida e querer continuar nesse fim de mundo cheio de cobras e animais estranhos por causa dele, tem sentimento muito forte aí. – Harriet explicou, e eu ponderei sua afirmação.

Não, não poderia ser verdade, poderia? 

– Mas, de qualquer jeito, não vou dizer que não adorei que minha ruiva vai ficar mais um tempo aqui. – Ela confessou, e eu ri.

–  Não sou de ninguém, sou uma alma livre. – Provoquei, e nós duas rimos.

Fiquei mais um tempo conversando com Harriet antes de dormir. Desliguei o abajur na cômoda e me virei para o outro lado, me enrolando nas cobertas.

– O que está fazendo? A Alyssa não pode me ver aqui. – Ouvi uma voz baixa falar. O som vinha da minha janela.

– Qual é gata, todos estão dormindo, vamos pro meu quarto. – Eu conhecia bem essa voz de patife.

Griffin. 

Fui tomada pela curiosidade e me apoiei na janela, observando meu meio irmão em um beijo quente com uma loira. Ela usava um casaco vermelho e não pude ver bem seu rosto, até que ficasse contra a luz. Tive de tapar a boca para que não gritasse ao ver o rosto por trás do capuz. 

Meus olhos estavam me enganando? Eu estava mesmo vendo Griffin aos beijos com Kimberly Sparks?! 

Eles deram mais um beijo de despedida e a vi sumir na noite escura. Griffin olhou para cima e me abaixei, a tempo suficiente para que não me visse. Depois de olhar para os lados e se certificar de que ninguém tinha visto nada, ele apagou a luz da varanda e entrou novamente em casa. 

Oficialmente, depois de todos esses acontecimentos, eu seriamente ia demorar a dormir novamente. 

***

Na manhã seguinte, acordei mais nervosa do que estava no dia anterior. Descobri segredos horríveis dos gêmeos. Alyssa e Griffin estavam envolvidos em coisas terríveis por causa da mesma pessoa. Kimberly Sparks era um ser humano digno de pena. 

Aquele era o dia que começaria na minha nova escola, a Vermont, e acordei meia hora mais cedo do que geralmente acordava, na intenção de me preparar. Escolhi um vestido vinho neutro, meus all stars brancos e arrumei meu cabelo em um rabo de cavalo. Depois de arrumar meus livros na mochila, desci para tomar café. 

Estava passando no corredor quando Griffin abriu a porta, já usava suas vestes negras e jaqueta de couro. Passei reto por ele, que me interrogou:

– Bom dia, Chloe. – Ele desejou, e eu o ignorei, descendo as escadas rapidamente.

Já estava para entrar na cozinha quando uma mão forte segurou meu pulso. 

– Hey, eu falei com você, filha do Walter. – Griffin retrucou, claramente irritado com o vácuo que tinha recebido da minha parte.

– Eu ouvi. – Respondi, soltando meu braço com brutalidade e entrando na cozinha para tomar meu café.

Assim como todas as manhãs, Laura lavava a louça na pia e Walter lia o jornal do dia. A mesa estava farta de frutas, iogurtes, pães e sucos. Eu dei um beijo na bochecha de meu pai e na de Laura, para depois me sentar ao lado de Walter, bem distante de Griffin. 

– Alyssa! É hora de acordar! – Laura gritou de onde estava, na esperança que a filha escutasse seu chamado.

Passos desajeitados e pesados fizeram o chão tremer um pouco, e Alyssa entrou na cozinha como um zumbi recém-saído da Season Finale de The Walking Dead. 

– Odeio manhãs. – Ela desabafou, puxando a cadeira ao lado de Griffin para sentar-se. Ele ainda me encarava pelo canto do olho, mas eu continuava a ignorá-lo.

– Ansiosa para seu primeiro dia, Chloe? – Walter perguntou, bebendo um gole de sua xícara de café.

– Ah, sim, claro papai. – Eu respondi, meio animada demais. Ou não.

– A Vermont é incrível, vai adorar a escola, Chloe. – Laura garantiu, me servindo um prato de panquecas. – O diretor, senhor Norland, é um antigo amigo da família.

– Blé. – Griffin fez uma onomatopeia ao ouvir o nome do diretor. – Aquele velho dedica a vida dele a arruinar a minha.

– Se não ficasse se metendo em encrencas, não moraria na detenção. – Alyssa opinou, tomando seu suco de laranja.

Estávamos todos à mesa quando o telefone tocou, Laura se retirou para atender na sala de estar, demorando um pouco para voltar, e quando voltou, olhares curiosos caíram sobre ela. 

– É minha mãe. – Laura avisou.

A vó dos gêmeos, Carmen Anderson, mãe de Laura, era um assunto quase proibido naquela família. Por falta de fundos para cuidar da velha, Laura e seus irmãos a internaram no asilo, contra a vontade da matriarca. Desde então, todos se revezam para tomar conta dessa aposentada maluca que criava os maiores tipos de problemas para a família. 

– Mamãe quebrou a janela do asilo. Ligaram de Melbourne, exigindo que a família vá e arque com as despesas do conserto. – Ela explicou, voltando a tomar seu café de forma tão tranquila que nem pareceu ter recebido uma notícia ruim. – Mais tarde tomarei um ônibus e irei vê-la.

– Querida, gostaria de ir com você, mas temos as crianças. – Meu pai não conseguia esconder preocupação com a esposa, já que Laura e a mãe nunca se deram muito bem, ou pelo menos foi o que eu soube. Seria desgastante deixar as duas sozinhas. Eu não poderia fazer isso com ela.

– Pai, já somos bem grandinhos, podemos cuidar de nós mesmos. Pode ir acompanhando a Laura, eu cuido de tudo por aqui.

Os dois se entreolharam, apreensivos. 

– Querida, não acho uma boa ideia. – Walter respondeu, inseguro.

– Qual é, pai! Não confia em mim? Vão ficar fora pelo quê? Dois dias? Que mal pode acontecer em dois dias?

Laura deu um longo suspiro e meu pai se compadeceu ainda mais. 

– Tudo bem, acho que não fará mal. – Vi Alyssa e Griffin trocarem um olhar cúmplice. – Está bem Chloe, vou confiar em você. A casa está em suas mãos.

Mal  sabia eu da merda que tinha acabado de fazer. 

***

Assim que desci do ônibus, estava de frente a entrada da Vermont. Muitos jovens se abraçavam felizes e conversavam, provavelmente contando as novidades do verão. Perdi Alyssa e Griffin na multidão, e nem consegui falar com os dois sobre as regras da casa e a divisão de tarefas. 

Fora que não conhecia nada ali, e estava completamente perdida. Esses eram meus irmãos, prestativos e nada egoístas. 

O pátio era cheio de mesas sobre um gramado verde. Alguns bancos estavam dispostos abaixo das árvores, com alguns carrinhos de café esperando clientes. Vi uma raposa pintada na parede, e deduzi que aquele era o animal da escola, assim como a porta maior com certeza levaria ao ginásio. 

Assim que adentrei o portão de entrada, me deparei com um corredor enorme e uma chuva de olhares sobre mim, afinal, eu era a novata. Algumas garotas me analisavam de cima a baixo e tinha certeza que um dos jogadores de basquete me comeu com os olhos. Idiota. 

Meu armário era o 5-D. Pus o código zero e ele se abriu, e finalmente pude colocar meu material. A secretaria havia posto meu horário ali, e rapidamente comecei a analisá-lo. Primeiro horário, Química. Maravilhoso. 

Precisava pedir informações e agradeci a Deus quando ouvi a porta do armário vizinho ao meu abrir. Um loiro retirava seus livros e colocava na bolsa. Na porta de seu armário, haviam fotos de algumas bandas e times de basquete. Ao perceber que eu o encarava, ele me fitou. 

Eu já o havia visto antes, era o garoto que me escondera no dia da festa da Versalle. Assim que nossos olhares se cruzaram, ele abriu um lindo sorriso. 

– Oi, você por aqui? – Ele perguntou, sorrindo. – Não achei que te veria de novo.

Eu acenei sem graça. 

– Oi... – Eu ruborizei um pouco. – Desculpe, esqueci seu nome.

Ele deu uma risada. 

– Se não estivesse tão apressada fugindo de uns guardas, talvez tivesse escutado. – Eu ri também. – Eu me chamo Nathan Roberts, mas pode me chamar de That, é como meus amigos me chamam.

– Ah, é um prazer Nathan. – Eu apertei sua mão, e o percebi um pouco nervoso.

– Posso saber seu nome dessa vez? – Ele perguntou.

– Me chamo Chloe Madsen. – Eu respondi, acanhada. – Se importa de me ajudar a achar a sala de química?

– Seu primeiro horário é química? – Assenti, ainda sem graça. – Que legal, o meu também! Vem, eu te levo.

Ainda faltando meia hora para a aula começar, Nathan aproveitou para me mostrar a escola. Conheci todo o pátio, o corredor, sala de aula, a cantina e a secretaria. Queria muito ver a biblioteca, mas o tempo já estava acabando. Quando paramos em frente a sala de química, ele abriu a porta para que eu passasse. 

– Muito obrigada. – Agradeci. Nathan era um fofo.

Escolhi um local mais afastado, no último assento da fileira próxima à janela. Resolvi optar por deixá-la fechada, para assim não torrar quando o sol saísse completamente. Uma garota ocupou o assento ao meu lado e me cutucou no ombro. Sorri ao ver que era Harriet com seu clássico gorro de lã roxo. 

– Pensava que não ia te encontrar nunca. – Harriet cochichou, me dando um sorriso malicioso. – Não olhe agora, mas Nathan Roberts está te encarando desde que cheguei aqui.

Olhei de esguio para as cadeiras da frente, onde Nathan havia sentado. Ao perceber que eu estava olhando, trocou o foco de sua atenção pelo quadro da tabela periódica acima de minha cabeça. Eu dei uma risadinha. Ele era mesmo muito fofo. 

– Chloe Madsen, sua pantera audaciosa. – Harriet brincou. – Primeiro dia e já fisga Nathan Roberts? Por acaso sabe quem ele é?

– Err... Acho que não.

– Nathan é o melhor amigo de Dylan Turner. Os dois são unha e carne. Moram juntos até. – Harriet explicou, enquanto Chloe ainda sentia o olhar dele sobre si. – Além de ser um dos poucos a fazer parte do top 5. 

– Top 5?

– Até do top 5 você não sabe? Chloe, vamos usar a wifi da sua casa, ela não está lá de enfeite não, amiga. – Harriet brincou, e pensei no quanto ela deveria amar fofocas.

Ela tirou um Ipad de sua mochila e digitou o site da escola na barra de endereços do safari. A capa da Vermont surgiu na tela, e Harriet clicou no ícone "top 5". 

– Esse é o site da Vermont criado pelos alunos. Aqui, o colégio vota em muitas coisas e uma delas é o top 5. Existe dois top 5, o das meninas e dos meninos, que são os mais lindos de cada gênero. O garoto mais lindo e a garota mais linda, que juntos, são os mais desejados de toda a escola. Kimberly e Dylan são os reis do top 5 desde sempre, mas existe uma dupla que está subindo em disparada nos trending topics. – Harriet explicou.

– Quem? – Ela deu um sorriso sacana e mostrou a imagem, me fazendo quase cair da cadeira. – O quê?! ALYSSA E GRIFFIN? – Arranquei o Ipad de sua mão, olhando mais de perto para ter certeza.

– Sim! E tudo indica que esse ano Griffin e Alyssa ultrapassarão os dois! Kimberly está maluca por causa disso, por isso trouxe Alyssa para sua mão, para a ter por perto e sabotá-la, bom, eu acho. – Harriet deu de ombros. – Esse ano, toda a Vermont está prevendo que os Trouble Twins vençam o casal Versalle.

Ela ia falar mais alguma coisa, mas o professor entrou na sala. Nathan se endireitou na cadeira, ficando de frente para o quadro negro. Retirei meu livro de química e me preparei para começar aquele ano letivo. 

O senhor Enoch explicou sobre as ligações químicas e apresentou um pouco de distribuição eletrônica. Fiquei surpresa como Nathan respondia a todas as suas perguntas com maestria, não errando uma sequer. 

Harriet parecia um pouco entediada, desenhando nas extremidades da folha, enquanto eu tentava copiar tudo, tento dificuldade em acompanhar o ritmo daquele homem. 

– Muito bem, para a próxima aula, vou querer um trabalho sobre ligações químicas. Criem uma maquete demonstrando os tipos que existem e apresentem a mim na segunda.  – Ele arrumou alguns papéis soltos em sua mesa – Formem duplas. – O sinal tocou. – E tenham um bom dia, meus jovens.

Aos poucos a sala começou a esvaziar, e eu comecei a organizar meus livros para sair e ir até a próxima aula: Física. 

– Vou no banheiro, enquanto isso você arruma tudo. – Harriet avisou, e eu assenti.

– Hey, Chloe. – Nathan parou ao meu lado.

– Oi, That. – Eu respondi. – Muito obrigada mesmo pela ajuda.

– Foi um prazer. – Ele enxugava as mãos suadas na blusa branca. – Eu queria saber, se, por algum acaso, se você quiser, e não estiver muito ocupada... Talvez... – Vê-lo protelar daquele jeito o deixava ainda mais fofo, e a mim? mais sem graça. – Você quer ser minha dupla no trabalho de química? – Ele falou tão rápido que quase não entendi sua pergunta. 

– Claro. – Respondi, pondo minha mochila nas costas. – Podemos fazer hoje na minha casa, tudo bem?

Seu rosto se iluminou em pura alegria. 

– Tudo bem!

Eu sorri, escrevendo meu endereço e número em uma folha de papel meio rasgada. Entreguei a ele quando vi Harriet novamente parada na porta. 

– Até mais tarde, That.

Ele sorriu como um bobo, acenando. 

– Até, Chloe. 

Assim que cruzei o corredor, Harriet me seguiu com aquele seu olhar malicioso. Ela me acompanhou dando risadinhas, enquanto voltava até meu armário e trocava meus livros. 

– Se você me olhar de novo desse jeito, juro que bato esse livro na sua cabeça. – Resmunguei, e Harriet bateu palmas, animada.

– Sabe o que acabou de acontecer? Um dos top 5 da Vermont pediu pra fazer um trabalho com você! – Ela esclaresceu, tão animada quanto eu em noites de Game of Thrones.

– Para alguém que odeia futilidades, você parece bem por dentro das fofocas da escola. – Eu comentei, olhando meu horário e certificando-me que iria para a sala certa. – Qual sua aula, agora?

Harriet olhou em seu caderno e bufou. 

– Geografia. Me mata, vai. – Eu ri da careta que ela fez. – E o seu?

– Física. Não estou muito melhor que você. – Respondi, desanimada. Odiava Física com todo o meu ser. – Nos vemos no almoço?

– Pode apostar. Não ouse me abandonar, Madsen. – Só Harriet para me fazer rir tanto em uma segunda de manhã.

Despedi-me dela e cheguei a sala de física, dessa vez optando por um local mais próximo do professor, já que essa era de longe minha pior matéria. Desde sempre. 

– Com licença, ruivinha. – Uma voz altamente irritante invadiu meus ouvidos. – Esse lugar está ocupado.

Kimberly estava parada a minha frente, com seu celular na mão e o uniforme de líder de torcida do time da escola. A roupa era curta, mas não o suficiente para ela, já que parecia ter feito umas alterações para conseguir mostrar o seu corpo ainda mais. Primeira palavra que eu pensei? Não vou falar porque sou uma lady, mas vou dar uma dica: Começa com P, termina com A tem quatro letras e rima com luta. 

Ao fitar-me melhor, Kimberly pareceu me reconhecer. Ela deu um passo pra trás assustada, curvando as sobrancelhas em uma expressão irritada. 

– Você! Claro! Como não a reconheci? A cretina da festa da Versalle! Como ousa aparecer aqui?!

– Primeiro, eu ESTUDO aqui. E não conseguiu me reconhecer? Vou dizer por quê. Decorar horário, nomes de professores, números de sala e ainda querer me reconhecer? É muito trabalho pro único neurônio que você tem. – Provoquei, com minha língua afiada.

– Você se acha muito esperta, não é, ...? – Ela puxou meu caderno sem permissão, lendo meu nome na primeira folha. – Chloe. Que nome horrível. De gentinha. Combina com você. 

– Falou a loira azeda que tem nome de poodle. – Rebati, e o menino sentado ao meu lado conteve uma risada. – Sua mãe te teve aonde? No hospital ou no pet shop?

Kimberly ficou vermelha de raiva, cravando as unhas postiças em meu pulso. 

– Se acha muita coisa, não é? Aqui é meu território, garota, e está se metendo com pessoas muito acima de você. – Ela ameaçou. – Sai do meu lugar, agora.

– Me. Obrigue. – A desafiei, falando pausadamente, mas por dentro, tremia como vara verde, pois vi com meus próprios olhos do que Kimberly era capaz.

Ela levantou a mão para me dar um tapa certo na face, esperei ele vir, mas não veio. Abri os olhos lentamente e vi o pulso de Kimberly sendo segurado por uma mão forte. 

– Chega, Kimberly. – Dylan falou, com a voz baixa e um pouco assustadora. – Já chega desse seu show. Deixa ela em paz.

– Mas Dydy! – Dydy? Que apelido horrível. – Ela que me provocou! Essa zé ninguém está no meu lugar.

– Tem um lugar do meu lado ali, vai por suas coisas. – Ele avisou, mostrando toda sua impaciência em seu olhar.

Meu rosto ruborizou. Dylan me defendendo de apanhar. De novo. Como havia feito na primeira vez em que nos vimos. E mais recentemente, quando me salvou dos seguranças na festa da Versalle. 

Ao ver que Kimberly tinha se afastado, Dyl virou-se e sorriu pra mim. 

– Tudo bem com você? – Eu assenti, ainda sem graça, enquanto ele apanhava minha mochila que havia caído. – Desculpe a Kimberly, ela consegue ser meio... geniosa às vezes. – Dylan justificou, me devolvendo meu material, tentando explicar as atitudes da namorada.

Como ele aguentava uma maluca daquelas?! 

– Estou bem sim, graças a você escapei de levar um tapa. – Eu respondi e ele riu. – Essa Kimberly é muito agressiva.

Dylan cruzou os braços. 

– Não se faça de vítima, sei muito bem que deve ter provocado ela também. – Eu me fingi de ofendida. – Eu te conheço, lembra?

Eu ia responder, mas o sinal tocou. Logo o professor entraria na sala. 

– A aula vai começar. Nos falamos depois. – Dylan avisou. – E Chloe? – Eu o encarei. – Posso estar errado, mas acho que essa foi a segunda vez que eu te salvei.

Dizendo isso, Dylan voltou ao seu lugar, onde Kimberly o esperava, emburrada e nada feliz dele ter falado comigo por mais um tempo. 

Não lembro quanto tempo fiquei parada ali feito uma louca, com a mão no peito e o rosto ruborizado. 

Isso era Dylan Turner e seu estranho poder de fazer meu coração bater a mil. 

***

Passei por mais uma aula antes de o intervalo começar. 

Quando o sinal tocou, toda a sala saiu a minha frente, inclusive Dylan e Kimberly. Ele ainda tentou falar comigo, mas a loira o puxou pra longe. Minha decepção ficou estampada em meu rosto quando cheguei ao pátio. Havia comprado um suco na cantina e sentado em uma das mesas, enquanto esperava por Harriet, lendo um dos meus livros favoritos. 

Estava concentrada em minha leitura quando Harriet jogou todo o seu material na mesa, me  fazendo levar um susto. Ela tinha os olhos vidrados no celular e sua boca formava um "O" perfeito. 

– Chloe, você por acaso viu isso?! – Ela me apontou o celular, nervosa.

– Harriet, o que diabos pode ser tão importante que você... – Li a manchete da matéria no celular e cuspi meu suco. – O QUÊ?

A mensagem dizia:

Festa de boas-vindas do último ano. Middle Street, 70.

Os Trouble Twins, Alyssa e Griffin, a convidam para a maior e melhor festa do ano.

Às 23:00.

Nos vemos lá!

– Chloe.. – Harriet correu atrás de mim enquanto eu caminhava a passos duros para dentro da escola. – O que vai fazer?

Eu iria matar aqueles dois. 

– Enforcar o Griffin e a Alyssa com as correntes que prendem as bicicletas no estacionamento, e você?  – Respondi, tomada pela raiva.

– Filmar e impedir que chamem a polícia. – Ela retrucou, apressando o passo para não ficar para trás.

No corredor dos armários, avistei Griffin dando em cima de uma morena. Ele a prensava contra a parede, cochichando coisas em seu ouvido, enquanto ela sorria. Caminhei até ele silenciosamente. 

– Então gatinha, vai ter uma festa hoje lá em casa, sabia? A gente pode... AI! – Dei um tapa com toda a força em sua cabeça, depois de o empurrar pra longe dela.

– Com licença fofa, assuntos de família. – Sorri falsa para a morena, que assustada,  pegou sua bolsa no chão e saiu apressada.

– Ei Chloe! Que merda! Seu ataque histérico me custou uma gata! – Griffin choramingou, irritado. – Qual foi? Tá maluca?

– Não, você tá maluco! Pode me explicar o que significa isso? – Apontei a tela do celular de Harriet para ele, que a fitou, irritado.

– Você mostrou pra ela?! Achei que era minha amiga, sua traíra. – Griffin provocou e Harriet deu de ombros.

– Eu? Enfrentar a ira desse furacão ruivo? Sou mais esperta que isso, amor. – Harriet se justificou.

– Qual é, Chloe, é apenas uma pequena reuniãozinha social. Nada demais. – Ele explicou, tentando me acalmar.

Eu ergui a sobrancelha. 

– E quantas pessoas você convidou pra essa sua "reuniãozinha" ? – Perguntei, fazendo aspas com os dedos.

– Ah, quase ninguém, sete pessoas no máximo. – Mentiu ele, de cara lavada.

– Hey Griff! – Uma voz feminina gritou no final do corredor. – Recebi seu convite! Estamos ansiosas pra hoje à noite! – Ela avisou, se referindo a um grupo de vinte meninas além dela mesma, mandando um beijinho no ar e voltando a andar com as amigas. 

– Hehe... Que curioso em... – Griffin retrucou, depois de ser pego mentindo no flagra.

– Escuta aqui! – O puxei pela gola da camisa. – Você não me estressa que já estou por aqui! Quero que ligue pra todos esses garotos que você convidou e diga que não vai haver NENHUMA festa e que podem arranjar outra coisa pra fazer de noite.

– Mas... Esses pobres jovens! – Griffin dramatizou, usando seus dons de ator de quinta. – O que farão hoje nessa noite escura e solitária?

– Que tal lavar louça? Ah não, espera, isso é VOCÊ quem vai fazer hoje à noite. – Harriet deu uma risada e eu me afastei. – Vai desmarcar isso já! Fui bem clara?

Ele engoliu em seco. 

– Sim senhora, madame.

– Bom. Bom mesmo.

Eu e Harriet nos afastamos e trocamos um riso cúmplice. 

– Consegui! Estraguei uma festa! – Comemorei, feliz.

Ela me encarou daquele jeito que sempre me encarava quando não entendia minhas atitudes. 

– Chloe Madsen, você é muito estranha. – Ela falou seu bordão, e eu não pude deixar de concordar.

***

Depois de tomar um banho ao chegar em casa, fiquei deitada no sofá vendo desenhos animados, enquanto comia pipoca. Os gêmeos haviam ficado mais tempo na escola para suas atividades extracurriculares e esperava eu que também desmarcando essa festa ridícula. 

Era umas quatro horas quando a campainha tocou. 

– Já vai! – Gritei, de boca cheia.

Caminhei até a porta descalça mesmo, a abrindo e vendo Nathan com seu sorriso estonteante e uma sacola cheia de materiais pra fazer o trabalho de química, que eu havia me esquecido completamente. 

– Oi, Chloe! – Percebi seu desconforto ao me ver tão a vontade de pijama em casa. – P-posso entrar?

– Ah! Oi That! Claro que pode! Entra! – Dei passagem para que ele entrasse.

– Casa legal.

– Obrigada. – Agradeci. – Desculpe a bagunça, eu estava assistindo...

Ladybug? Adoro esse desenho! – Ele admitiu, chegando mais perto da TV. – É o episódio da Tormenta?

Eu assenti, tão animada quanto ele. 

– Sim!

Assistimos mais meia hora de desenho antes de subirmos para fazer o trabalho. Confessei a ele que tinha esquecido completamente do que marcamos e expliquei a ele o porquê. 

– Podemos usar minha escrivaninha. – Eu avisei, o vendo espalhar os pedaços de isopor pela mesa. – Como vamos começar?

Ele colocou a mochila sobre a cama, parecendo pensativo. 

– Podemos construir alguns modelos de isopor de ligações covalentes comuns e dativas. – Nathan sugeriu, segurando um dos materiais que trouxera para o trabalho. – Temos que construir um por um. Cinco Modelos.

– Modelos. Acho que é uma coisa de quem você está bem cheio, em? – Pensei em voz alta, e quando percebi, Nathan já havia escutado. Muito bem Chloe, lá vai você e sua boca grande de novo.

– Você sabe? – Eu dei de ombros.

– É meio difícil entrar na Vermont e não saber sobre, bom, você, e o Dylan. – Eu confessei, meio sem graça. Ele devia estar achando que eu era a maior fofoqueira. – Quer dizer, você mora com ele?

Nathan tirou os palitos que iriam servir de ligações, os encaixando nas bolas de isopor. 

– Sim. Desde que eu tinha quinze anos. Próximo mês vai fazer dois anos que moro com os Turner. E que não vejo meu irmão e meus pais. – Senti uma pontada de tristeza em sua voz.

– Posso perguntar por que mora com os Turner? – Já que eu já fui enxerida, uma pergunta a mais ou a menos não ia fazer diferença.

O loiro tirou a cola da bolsa e começou a encaixar as peças da maquete. 

– Meu irmão sempre disse que eu tinha muito potencial, e para o que eu queria, ficar em Nashville como qualquer um, bom, seria pouco. Ele conhecia o Devon, e já que o Devon já procurava alguém pra, como posso dizer, apadrinhar, unimos a fome com a vontade de comer, como diz minha cunhada Mercedes. – Eu ri.

– Deve ser difícil, ficar longe da família em um país estranho... – Eu comentei, o ajudando a encaixar os palitos nas bolas de isopor.

– Sim, sinto muita saudade da minha mãe, do meu pai, do Alek... – Nathan sorriu triste. – Mas os Turner são uma família pra mim, principalmente o Dylan. Ele é como um irmão... Consegue ser muito idiota às vezes, mas é um cara legal. – Ele contou, e eu sorri.

– Desculpa ser mega enxerida já sendo de novo, mas... – Ele deu uma risada baixa. – O que você quer? O que você quer que em sua casa não seria suficiente?

Nathan ponderou por um minuto. 

– Bom, é que eu nunca contei isso pra ninguém além do Alek e do Dylan.

– Você não resistiria a essa carinha, resistiria? – Fiz cara de cachorro que caiu da mudança, arregalando os olhos. Nathan deu uma gargalhada.

– Tá bem... – Ele concordou. – Eu quero entrar pra NASA.

– Entrar pra NASA? É sério? – Arregalei os olhos, surpresa. Ele assentiu.

– Os Turner são um dos maiores investidores dos projetos deles, se conseguir ser uma parte importante da corporação, posso talvez realizar o meu sonho.... Mas enfim, é só um sonho mesmo...

– That. – O fiz encarar-me. – Você vai conseguir, pode apostar. – Eu apertei sua mão e ele fitou nossas mãos unidas, um pouco sem graça, assim como eu, que ao perceber o que fiz, fiquei da cor dos meus cabelos. – Vamos continuar né? Moléculas de água, uhu, divertido. – Virei-me rápido para que ele não visse a coloração do meu rosto. 

Continuamos a trabalhar na maquete e nas moléculas de isopor em silêncio, enquanto conversávamos sobre a escola e outros assuntos. Nos conhecemos a pouco tempo, mas parecia já ser a anos. 

– Pois é, aí meu irmão tem essa amiga pintora, ela fez um quadro meu de aniversário e me mandou pelo correio. – Ele contou. – Se um dia for na casa dos Turner, posso te mostrar. – Nathan percebeu que eu não estava ouvindo. – Chloe? Algum problema aí?

Eu estava tentando fazer a molécula ficar de pé sobre a maquete, e não estava me saindo muito bem. Tentei por tantas vezes que as bolas e os palitos se separaram. 

– Droga! Essa porcaria não encaixa! Malditos hidrogênios! – Xinguei-os, e ouvi Nathan rir.

– Deixa eu te ajudar. – Ele segurou meus braços, guiando meus movimentos. Senti uma corrente elétrica cruzar meu corpo. – Você tem que grudar as bolas de isopor primeiro, assim.. Aí depois você...

Parei de escutar a partir daí, sentindo o hálito quente de Nathan e sentindo os pelos das minhas costas se eriçarem. Ele estava muito perto, e isso estava sendo muito bom. Seu toque era amoroso, sua voz era melodiosa, e seus olhos brilhavam com aquela linda cor de mel. Se usasse uma túnica e coroa, Nathan Roberts poderia ser facilmente confundido com um príncipe medieval. 

– Entendeu? – Ele me perguntou, e foi aí deixei meu transe. Ótimo. Primeiro ele pensou que eu fosse enxerida, agora evoluí de enxerida a drogada. Maravilhoso. – Chloe?

– Ah, sim! Colar primeiro, encaixar depois. – Chutei no escuro, achando ser isso o que ele tentara me explicar. – Pode deixar.

Ele me lançou um olhar confuso. 

– Tá bem. Vamos terminar em breve.

Acabei a minha parte momentos antes de Nathan terminar a sua parte. Apoiei a minha cabeça para descansar, e quando dei por mim já estava caindo no sono. Minhas pálpebras pesavam e o barulho do ventilador começou a ficar relaxante. Fechei os olhos lentamente. 

– Chloe? – Ouvi a voz de Nathan como um sussurro ao longe.

Senti braços fortes me erguerem da cadeira e uma coisa macia abaixo de minha cabeça não muito tempo depois. Virei-me na cama e adormeci por completo. 

***

Acordei quando o céu já estava escuro, depois de uma música incessante me acordar. 

– Griffin! Desliga isso! – Pedi ainda sonolenta, me revirando em baixo dos cobertores que me enrolavam. Que porcaria de música alta. – Griffin! – Pedi quase choramingando por querer voltar ao meu doce sono.

Foi aí que despertei em um salto. Aquela música estava alta. Muito mais alta do que a que Griffin costumava ouvir. 

Deixei meu quarto ainda de pijama e atravessei o corredor, sendo quase atropelada por uma dupla de garotos que carregava um rapaz totalmente inconsciente. 

– O TAPETE DA LAURA! – Gritei, ao ver o rapaz carregado vomitar em cima do tapete favorito de minha madrasta. – O que fazem aqui? Saiam já da minha casa! – Apontei para a escada, ouvindo mais vozes do andar de baixo. – Mas o quê?!

Desci os batentes rapidamente, sendo quase cegada pelas luzes de neon que cruzaram meu olhar. 

– GRIFFIN! – Gritei de onde estava, vendo a minha sala de estar lotada de adolescentes bebendo e se pegando.

Um garoto de jaqueta preta que eu queria muito bater se esfregava com uma qualquer quando ouviu meu chamado. Ele me viu ali na escada de pijama e ergueu seu copo cheio de cerveja. 

– Hey, Chloe! – Ele gritou, provavelmente já bêbado. – Galera, vamos todos dar um oi pra Chloe! – Griffin pediu.

– Oi Chloe! – Toda a festa respondeu.

Eu gritei de raiva. 

Ou parava aquela festa, ou seria eu a tomar o lugar daquele tapete no corredor. 

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No próximo capítulo de

Someone To Save You...

Ainda não acredito que ela está aqui. – Ele confessou, não conseguindo conter o tremor em suas pernas. – O que eu digo? O que eu falo?

Talvez devesse apenas ir até ela. – Sugeri, com o olhar preso naqueles cabelos cor de fogo. – Afinal, o armário dela é ao lado do seu, não é?

(...)

Dylan! Que bom que está aí! – Ela procurou por algo na bolsa, retirando um convite quase improvisado. – Esse é o seu.

O que é isso? – Perguntei, examinando aquele papel. Estava recebendo muitos papéis hoje.

É um convite bobinho, para nossa festa hoje à noite. – Ela riu, como se dissesse algo óbvio.

(...)

Senti um olhar queimar sobre nós e me deparei com Griffin sentado em uma mesa mais afastada. Seus amigos conversavam despreocupadamente sobre banalidades, mas seus olhos estavam cravados em mim e em Kimberly, exalando puro ódio. Ao reparar que eu também passei a olhá-lo, ele virou o olhar.

Kimberly seguiu meu olhar e se manteve presa a Griffin por um instante.

Algum problema? – Perguntei e finalmente ela pareceu voltar a si.

(...)

Dydy? O que você tem? – Ela perguntou, estranhando meu comportamento.

Deixei a bandeja cair e me apoiei no balcão, respirando com cada vez mais dificuldade.

Garoto, está tudo bem?! – A mulher que servia o almoço perguntou e tentei puxar o ar mais uma vez.

Não, não podia ser.

Meu asma.

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