78| Maldita Guerra

NERO

Eles ainda estavam enroscados na cama quando entrei silenciosamente no quarto. O cheiro de sexo estava insuportável, se fosse o meu, é claro que não me incomodaria. Controlei minha raiva o máximo que pude quando vi o braço dela repleto de chupões, e em seu pescoço, ainda conservava uma marca de mordida. Não pense que eu não os ouvi noite passada, por que eu ouvi tudo, mas aguentei calado. Rodeei a cama e parei detrás de Neil. Senti nojo ao ver Lili ser enganada por aquele cara, como ela poderia entregar-se tão fácil? Talvez ele estivesse observando-a pelo um período maior, mas ela não estava envolvida na guerra. Me agachei e segurei a base do colchão, depois o virei. Eles caíram no chão junto com os travesseiros e cobertores. Lili olhava atordoada ao redor, ainda buscando entender a situação. Neil permaneceu calado enquanto jogava o colchão para o lado e notava minha presença.

-Já é hora de acordar - resmunguei, enquanto passava por eles e pisava nas cobertas.

- Seu filho da puta - murmurou Lili, enquanto cobria-se.

Resolvi ignorá-la e segui caminho. Para falar a verdade, me senti feliz ao fazer aquilo, foi muito divertido. Vesti rapidamente uma camiseta branca e calça preta, minhas coisas agora estavam todas no quarto de Sora, já que o de Lili havia se tornado um bordel. Ela saiu do quarto. Ainda enrolada no cobertor, parou diante do vão da porta para me observar. Passei por ela cumprimentando-a com um aceno, mas ela segurou meu braço e observou o corte em minha cabeça. Não demonstrei irritação, muito menos indiferença, apenas fitei seus olhos.

-O que aconteceu com você? - indagou, parecendo estar seriamente preocupada.

- Nada demais, estou bem - fui sincero.

- E que corte é esse na sua cabeça? - ela se aproximou e afastou os cabelos da minha testa, revelando um curativo. - Quem fez isso?

- Sora, quer dizer, Ellai - me larguei de sua pegada e continuei meu caminho.

Não entendi qual era a dela. Me chamava de babaca e inútil mas de repente preocupava-se comigo de uma maneira estranha. Deixei que ficasse zangada com o que quer que fosse. Iria protegê-la de Neil, mas não impediria que ela fizesse suas escolhas. Kaia havia preparado algo estranho para mim, mas estava ótimo. Depois do café, ela surgiu com uma máquina para raspar cabelos. A remoção do curativo foi dolorosa, mas não foi necessário à reposição de outro, pois o corte já havia curado. Cabelos caíam e pinicavam minha pele enquanto ela o cortava. No final, o resultado foi bom, fiquei estranho. Não deixei que ela removesse minha barba, gostava dela. Ouvimos alguém bater na porta. Imediatamente senti que não eram humanos. Segurei o braço de Kaia e a puxei para trás antes que abrisse a porta. Pelo olho mágico, pude ver que eram duas pessoas. Um menino ruivo de rosto relaxado e uma garota de cabelos roxos e curtos, seus olhos amarelos eram estranhos. Não pareciam perigosos, abri a porta vagarosamente.

-Yo! - exclamou o garoto. - É um prazer finalmente conhecer você, Nero.

- Como sabe...

- Apenas sei - ele sorriu e me estendeu a mão. - Me chamo Dandy, essa é Blair.

- Bem, é um prazer. O que vieram fazer aqui? - tentei não ser grosseiro.

- Viemos falar com Sora, ela está? - notei que ele era baixinho.

- Entrem, ela está - a garota entrou primeiro, vasculhando cada centímetro da casa.

Ela usava roupas curtíssimas para aquele frio. Até parecia com Sora. Vestia um short que mais parecia uma calcinha e um top preto. Neil e Lili desciam no momento em que eu os acomodava na sala. A cor da garota se foi quando ela avistou Neil. Ela baixou o rosto e tentou recuar, mas tarde demais. Neil a observava.

-Ora, ora - ele falou com sua voz mansa. - Onde esteve durante todo esse tempo, minha querida Blair?

Ela não falou nada, continuou fitando o rosto dele. Dandy pareceu notar o medo da amiga, pois colocou a mão em seu ombro e a tranquilizou.

-O-oi Neil... - gaguejou, conseguindo recompor-se.

Ele foi até ela e a abraçou. Percebi que ela tremia. Aquela situação estava muito esquisita, o jeito com que Dandy olhava para Neil também não negava que eles se conheciam faz tempo. Lili veio até a sala e apresentou-se a todos, depois sumiu pela cozinha.

-Não entendo, por que você sumiu de repente? Sabe que eles ainda te procuram não é?

- Não sei do que você está falando.

- É mesmo? Mande lembranças minhas para Bran e Blurling...

"Mas você os matou..." - acho que somente eu ouvi Blair sussurrar aquilo.

- Sora Bloom! Finalmente! Depois de tanto tempo, como você está bonita! - a tensão foi quebrada por Dandy, que puxou Blair pelo braço. - Deixe-me apresentar minha linda Blair!

Resumindo, depois de todas as apresentações, Neil despediu-se de todos, especialmente de Blair. Ele não era nada idiota, sabia e sentia que todos ali sabiam da existência de anjos. O exemplo era Blair, eles se conheciam faz tempo, e algo me diz que algo muito ruim aconteceu. Tomei o máximo de cuidado que pude para evitar que Neil visse as tatuagens, sempre usando moletons. E o mesmo disse para Sora, repassei tudo sobre ele para ela. A vinda de Dandy trouxe um pouco de alegria, o que acabou aliviando a tensão de tudo e de todos.

-Então é isso? Vai mesmo querer abdicar de suas lembranças passadas? - perguntou Dandy.

- Sim, cometi um erro enorme ao desejar as lembranças de Ellai. Vou com Lieff para Lumen, falar com Solária.

- Você vai o que? - indaguei, incrédulo. - Você não vai levar Lieff.

- O que? Como assim? - ela me olhou sem entender.

Hesitei em dizer o motivo, pois Lili estava presente. Suspirei.

-Você não vai arriscar a vida dele novamente...

- Ainda não entendi! - berrou.

- Não quero que ele vá, pois se algo ruim acontecer, Lili ficará muito triste, e eu não quero vê-la chorar.

Não olhei para ela, mas consegui ver com minha visão periférica que ela moveu-se desconfortavelmente.

-Eu irei com você, afinal, tive um passado com Ellai.

- Tanto faz - resmungou.

Partimos às duas da tarde. Dandy nos forneceu um portal e adentramos para Lumen. Foi uma viagem rápida, logo chegamos. Aterrissamos no pico de um monte. Era uma visão perfeita. Tenebris era linda, mas não se comparava com Lumen. Sora segurou minha mão e começamos a descer o pico muito rapidamente, até que caímos e rolamos até o chão. Ela parecia estar desesperada e continuou me arrastando até que ficássemos escondidos sobre uma gigantesca árvore da imensa floresta. Olhei sem entender e ela apontou para cima. Um grupo de anjos estava diante do pico onde estávamos, foi quando entendi. Eles estavam vasculhando, a procura de algo. Sora e eu tínhamos as tatuagens que eram a marca de Tenebris, então eles sabiam quando intrusos invadiam seu território.

-Muito esperta. Já esteve aqui? - sussurrei.

- Não, nunca. Esse lugar me assusta - ela agarrou meu braço e adentramos mais afundo na floresta. - Em Tenebris não tem isso, esses anjos grandalhões.

- É por que lá não tem ditadores...

- Shhh! - ela me jogou no chão. - Ah desculpa! Fique mais atento!

- Não precisa me jogar no chão todas às vezes - grunhi. - Onde vamos encontrar Solária?

- Não sei - ela levantou quando os anjos foram embora e me estendeu a mão. - Mas ele sabe.

Apontando para um anjo distraído e solitário, ele me pediu à faca que Dandy nos deu. Era estranha e cravejada de cristais. Quando pegou a faca, ela caminhou sorrateiramente até ele. Foi bem rápido, ela empunhou a faca e colocou no pescoço do anjo, que não fez menção de reagir. Eles caminharam até mim, que estava pronto para fazê-lo falar.

-Não vou falar nada - grunhiu o anjo, que parecia ser um garoto.

- Ah vai sim, qual seu nome? - perguntou Sora, apertando a faca na garganta.

- Ziri...

- Ok Ziri, só precisamos saber onde está Solária e nada mais. Nos leve até ela e você será livre.

- Então são vocês... fazem parte da rebelião?

- Sim - bufei. - Vai nos levar até ela?

- Não precisam me ameaçar, eu levarei - ele desprendeu seu cinto que continha suas armas.

- Ótimo, foi mais fácil que eu pensei. Espera só, como sabe sobre a rebelião? - Sora o fez sentar sobre uma rocha. - O que sabe?

- Acho que todos já sabem, todos os dias Miguel envia patrulhas para descobrirem quem deu início... mas todos nós temos esperança que tudo dê certo.

- Há quanto tempo você está aqui Ziri? - ela parecia estar com pena dele.

- O bastante para ver que tudo está errado. Posso vê-las?

- O que? - me aproximei deles e peguei o cinto do chão.

- Acho que ele quer ver as tatuagens - Ziri confirmou. Puxei as mangas do moletom para cima.

Ele olhou fascinado para as tatuagens, parecia ser algo surreal aos seus olhos. Perguntando se podia tocá-las, ele alegrou-se quando eu disse sim. Passou os dedos por elas, parecendo desejar uma daquelas. Ziri disse que o símbolo de Tenebris significava prisão, mas para eles, era tudo menos isso, significava libertação e quase livre arbítrio. Para os Lumerianos, asas não significavam liberdade de voar, mas sim uma espécie de contrato. Se desobedecessem a qualquer ordem, eram expulsos e ficavam sem elas. Depois de muita conversa, Ziri decidiu nos levar diretamente para Solária. Quando ele avisou que deveríamos esperar por ele, desconfiamos de sua lealdade, mas acabamos cedendo.

-Ele voltará - sussurrou Sora.

Depois do se pareceu uma hora, ele voltou e nos trouxe armaduras. Alegando de que não poderíamos passar sem ser despercebidos, e por isso precisaríamos de um disfarce. Enquanto nos vestíamos com as armaduras, ele nos explicava que se alguém perguntasse sobre nossas asas, iríamos dizer que estavam sujas.

-Eles são vaidosos demais, então entenderam quando disserem que suas asas estão sujas - explicou. - Agora vamos logo.

- Zire, obrigado e desculpe por colocar uma faca em sua garganta...

- Não se desculpe. Vocês vão apenas nos ajudar. Afinal, o que querem com Deusa Solária?

- É uma longa história. Vamos?

Passamos despercebidos por vários grupos de anjos que passavam. Alguns deles nos olhavam torto, outros apenas sorriam e cumprimentavam com cordialidade. Chegamos ao um portão enorme e reluzente. Detrás dele, havia uma enorme sequoia, que estendia seus galhos colossais para todos os lados. Um anjo negro usava uma máscara prateada, ele aproximou-se de Ziri e conversou algo, depois olhou para nós. Sora ficou nervosa e apertou minha mão. O anjo veio até nós e olhou para os lados, depois para cima. Retirando a máscara, ele nos fitou durante alguns instantes. Parecia querer falar algo, mas estava hesitante.

-Bem-vindos, habitantes de Tenebris. Só peço uma coisa, matem essa Deusa que nos escraviza - sua voz estava firme. - Nos libertem.

Ficamos atordoados quando ele nos levou para além do portão. Ziri acenou para nós e levantou voo. Ficamos perdidos. Sora parecia estar determinada e tomou minha mão, seguindo para um grande portão prateado que ficava no tronco da árvore. Achei que tudo aquilo estava ficando fácil demais. Ela apertou minha mão mais uma vez e suspirou antes de abrir a porta. Não era pesada como imaginei. Um salão quase vazio estava a nossa espera. Somente uma cama flutuante como uma nuvem pairava no local. Entramos silenciosamente. Mais adiante, encontramos uma mesa branca e redonda, nela flutuava um livro grosso e também branco.

-Quem são vocês? - pulamos de susto quando alguém gritou atrás de nós.

Cabelos ruivos e sardas. Reconheceria aquela ruiva em qualquer lugar.

-Nero!? - pigarreou Lírica, baixando um arco com uma flecha cintilante.

- O próprio - sorri. - O que aconteceu com suas asas?

- Houve um pequeno contratempo - ele aproximou-se de nós e nos olhou com admiração. - Como conseguiram entrar aqui Tenebrianos?

- Isso não importa agora, onde está Solá...

Uma mulher perfeitamente linda adentrou o salão. Os cabelos longos e loiros me lembrava Sora. Ela caminhou até ficar em uma distância razoável de nós. Pedindo para Lírica ir para seu lado, ela nos encarou de uma forma nada amigável. Então aquela era Solária. Mesmo tendo tido sua parte má removida, ainda parecia conservar um pouco de maldade. Não recordei dela de início, mas em nosso último encontro ela quebrara o pulso de Lili.

-Apresentem-se - seu tom impertinente era irritante.

- Eles são Nero e Sora...

- Calada Lírica! - gritou Solária, ela era realmente uma piranha. - Eu sei quem são.

- Então por que pergunta? - rebateu Sora, aquilo me fez soltar uma risada abafada.

- Estão de brincadeira comigo? - ela caminhou furiosa até Sora e arrancou suas braçadeiras, revelando as tatuagens. - Eu sabia!

- Afaste-se! - fiquei entre Sora e ela. - Só queremos conversar...

Ela me jogou para o lado, sua força era impressionante. Caí no chão e machuquei o ombro. Me senti um inútil quando não consegui levantar, pois a dor era lancinante. Observei enquanto Sora tremia a sua frente, mas não demonstrava sinais de que iria fraquejar.

-Ai, como pôde deixar que ela fizesse isso com você?

- Me chamo Sora! Não sou sua maldita filha! Minha mãe é Shaya...

Sora virou o rosto bruscamente quando a mão de Solária chocou-se contra suas bochechas. Fiquei furioso, ela estava batendo na garota que me deixava confuso em todos os sentidos. Olhei para Lírica e pedi desculpas silenciosamente, consegui estender um braço e lancei minha corrente contra ela, que foi atingida na cabeça e caiu inconsciente. Sabia que se não fizesse isso, ela iria querer ajudar Solária. Quando ela olhou para a amiga desacordada, a guerra estava oficialmente declarada. Sora agarrou o pescoço da Deusa e o apertou. Solária soltou uma gargalhada de escárnio e olhou com desprezo para Sora.

-O que vai fazer? Vai me matar?

"Estão indo bem Nero, só precisam lançar suas correntes contra ela e eu farei com que ela seja aprisionada em Tenebris. Façam isso, ela sentirá muita dor, eu me encarrego disso."

Ouvi a voz de Shaya em meus pensamentos, me perguntei como ela sabia que estávamos em Lumen. Gritei para Sora fazer o que Shaya pediu e tentei sentar para fazer o mesmo.

-Exatamente - ela lançou um olhar sombrio para Solária e enrolou suas correntes no pescoço da Deusa.

Foi uma coisa bizarra. A imponente Solária gritou de dor, muita dor. Começou a salivar e revirar os olhos. Foi quando lancei minhas correntes que sua pele começou a ficar escura, depois ela transformou-se uma bola de energia luminosa que fez nossos olhos arder. Sora caiu no chão e me arrastei até ela, ainda estava sentindo muita dor. Peguei-a nos braços e vi que uma de suas tatuagens estava branca. Ela me olhou e sorriu antes de adormecer. Conseguindo me erguer, levei-a para a enorme cama flutuante, depois fiz o mesmo com Lírica. O corpo da anja já não era tão quente quanto antes. Ouvi barulhos lá fora e corri para a porta. Para meu desespero, vários anjos pousavam diante do portão. Eles pareciam estar alterados e falavam gritando com o anjo que nos deixou entrar. Sufoquei um grito quando um deles acertou uma flecha no anjo mascarado, que imediatamente explodiu em cinzas.

O mesmo aconteceu com Ziri, atingido com uma flecha no abdômen. Um deles gritou e apontou para mim quando me viu. Os merdinhas de Tenebris conseguiram adentrar nossa dimensão! Mas como? Ouvi um deles gritar. Corri o mais rápido que pude e joguei Sora em meu ombro. A porta abriu-se com um estrondo e senti o gosto da bile em minha boca.

-Nero... o que houve? - perguntou Lírica, sonolenta.

Sem tempo para conversas, agarrei sua cintura para carregá-la, mas não tive tempo. Ela foi atingida por uma flecha e logo explodiu. Uma nuvem de poeira veio para cima de mim e espalhou-se por todo o salão. Tudo ficou embaçado como um nevoeiro. Somente o brilho das flechas era visível, o que facilitou em minhas investidas. Nunca havia sentido tanto medo em minha vida como naquele momento. Lamentei por Lírica e por todos que morreram para nos ajudar. Várias flechas voavam de todos os lugares, mas eles não conseguiam nos ver. Repentinamente lembrei que usava o colar materializador. Pensei em uma porta na imensa parede em que estava recostado. Logo senti uma brisa e sem pensar, pulei para fora. Encolhi o corpo de Sora contra o meu e amorteci sua queda. Cuspi sangue quando caí de costas no chão, a dor estava me matando. Mas mais alguns segundos e eu estaria curado.

Consegui rolar para o lado e arrastei Sora comigo, que não acordava por nada. Ficamos encolhidos debaixo das grotescas raízes da sequoia. Enquanto ouvia os anjos guerreiros gritarem a nossa procura, afastei Sora mais afundo no buraco, onde ela pudesse ficar escondida caso nos encontrassem. Ela tinha que ficar viva. Retirei nossas armaduras e materializei roupas para nós. Fechei os olhos e desejei que pegadas se materializassem mais adiante, para que ficassem confusos. Gelei quando o chão tremeu e um par de botas metalizadas surgiu diante dos meus olhos. Fiquei imóvel enquanto observava o anjo vasculhar o local, logo ele viu as pegadas e gritou para os outros. Todos seguiram as falsas pegadas e logo tudo voltou a ficar silencioso. Não sei como, mas acabei adormecendo, pois quando despertei já era noite. Senti Sora mover-se em minha direção. Liberei um pouco de espaço e ela acomodou-se ao meu lado. Avisei que era melhor não sair agora, poderia ser perigoso. Ela então ouviu quando eu relatei sobre o ocorrido.

-Lírica, Ziri e o outro anjo... todos mortos? - sua voz estava vacilante.

- Sim, todos - lamentei. - E por pouco não seríamos nós, se eu não tivesse agido rápido.

- Você fez mesmo aquilo? - ela começou a sacudir a poeira do cabelo.

- Sim - suspirei.

- Por que?

- Por que eu sou seu amigo, e é isso que os amigos fazem... - ela ficou mais próxima.

- Tem certeza que foi somente por isso? - sussurrou em meu ouvido. - Você poderia ter fugido.

- Mas não o fiz. Não tenho coragem de abandonar um amigo - fiquei tenso quando ela começou a subir meu moletom e exibir meu abdômen. - Eu achei que nós já tínhamos resolvido esse assunto...

- Você resolveu esse assunto com Ellai, e não comigo. Sou eu Nero, sou Sora quem está falando...

- Mesmo assim, já somos comprometidos...

- Ah é mesmo? Eu acho que não. Não namoro com Li e você muito menos com Lili, ela está com Neil - ela não se deixou intimidar e continuou a subir meu moletom.

Fui fraco e deixei que o fizesse. Ela retirou meu moletom e ficou por cima de mim. Enquanto mordia meu pescoço, pensei em Lili e em sua sentença sobre levar adiante um futuro comigo. Ignorei aquele pensamento e beijei Sora, depois retirei seu moletom. Meu corpo formigava quando ela passava a mão por meu peito. O que estávamos fazendo era loucura, podíamos ser pegos, mas nossos desejos acabaram nos vencendo. O som que saiu de um forte raio dourado que cortou o céu nos fez pular, e então aproveitei essa oportunidade e joguei ela para o lado. Olhamos um para o outro e começamos a rir, depois nos calamos para não sermos descobertos.

-Isso foi estranho - ela falou, entre os suspiros.

- Pode ter certeza que sim. Mas não viemos aqui para isso, temos que ir embora logo. Solária está aprisionada em você por enquanto. Temos que levá-la para Shaya.

- Faremos isso, vamos abrir um portal. Dandy me deu os cristais suficientes para fazê-lo.

Rapidamente saímos da pequena caverna entre as raízes da sequoia. Sora posicionou os cristais e pronunciou o encantamento. Logo o portal abriu-se e entramos nele. Chegamos em casa e ainda era dia. Somente quando chegamos, que percebi que estávamos cobertos de terra, poeira e eu, com um pouco de sangue na boca. Subimos para o mesmo quarto, já que Lili havia me expulsado do seu. Não havia ninguém em casa. Um bilhete avisava que tinham saído para o cinema. Ótimo, enquanto quase morríamos, eles se divertiam vendo um filme.

-Finalmente, fiquei com medo de que não voltassem.

Shaya estava parada ao lado do guarda-roupa.

-Não se preocupem. Eu que fiz seus amigos irem para o cinema. Queria a casa livre para quando chegassem. Sora, estenda seu braço - Sora foi até ela e o fez. - Vai ser rápido.

- O que vai acontecer com ela? - indaguei.

- O que já deveria ter acontecido há muito tempo.

A transferência foi concluída rapidamente. Logo uma das correntes de Shaya estava branca e a Sora, voltou a ser negra. Ela despediu-se de nós e sumiu como vento. Tive um pressentimento nada bom de que essa maldita guerra havia eclodido diante de nossas cabeças.


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