77| Lady Caterina


SORA

-Seu imundo!

- Cale a boca Lili, venha aqui...

Então assim passaram-se os dias. As brigas de Nero e Lili eram constantes e hilárias. Tentando aliviar a barra de Nero, e sabendo que eu era uma das causas dessa guerra, conversei seriamente com Lili á respeito. Ela me ouviu com cautela e atenção, mas disse que aquilo não tinha explicação para o comportamento dele. Bem, eu tentei. Justifiquei até onde podia, mas ela havia dito que já estava saindo com outro rapaz.

-Estou saindo com Neil, ele me parece ser fiel sabe...

- Lili, a culpa é toda minha. Eu que escolhi lembrar de quem eu já fui um dia. Não o culpe pelo erro que eu cometi. Sinto muito, mas vou dar um jeito de reverter isso.

- Como? - ela me olhava com desaprovação. - Não gosto mais daquele vampiro assassino...

- Gosta. Ah, e como gosta! Você não consegue esconder, e principalmente quando olha para ele. É mais do que óbvio que você o ama. E percebi isso desde que se conheceram... você sempre se apaixona pelos vilões da história.

- Isso é besteira! Aquilo foi somente uma mera atração, e já passou faz tempo - ela soltou os longos cabelos do coque e sentou, me dando às costas. - Bem, mudando um pouco de assunto, e você e Lieff? Já se resolveram?

- Do que você está falando? - grunhi já sabendo a resposta.

- Você muito bem sabe! Quero saber se ele já te... - ela deu uma tossida um pouco escandalosa demais. - Quero saber se vocês ainda transam.

- O que? - gargalhei. - Eu nunca transei com Lieff, somos melhores amigos...

- Ah é mesmo? Pois ele me contou, muito feliz por sinal, que você era virgem quando...

- Ah Lili, chega! E daí? Isso não significa nada - senti meu rosto esquentar. - Por que você vive me perguntando essas coisas?

- Por que me divirto quando você fica constrangida, e por que quero saber se me irmão já conquistou a mulher que ele ama - seu tom sério na última frase me fez decidir encerrar o assunto sobre Li.

- Vou fazer uma linda trança! - exclamei.

Comecei a escovar seu cabelo e trabalhar em uma trança com fitas azuis. A temperatura estava agradável e em meu celular, tocava Hole in My Soul, do Aerosmith. Kaya havia saído com Nero para comprar brigadeiros e voltou logo em seguida, entrando no quarto com o as bochechas muito vermelhas. Ela havia tornando-se uma barreira entre a fúria de Lili e Nero. Estávamos sentadas no chão, ao lado da cama e rodeadas de livros e doces. Ela sentou conosco e distribuiu os brigadeiros na bandeja. Abocanhando um, Lili bufou de boca cheia.

-Pode ir falando o que ele disse de mim durante o caminho...

- Fique parada! Assim não consigo fazer direito - pigarreei.

- Isso aqui tá parecendo um clube de fofoca - ela começou a pintar as unhas com um esmalte rosa, o cheiro forte me fez espirrar no cabelo de Lili.

- Sora! - guinchou.

- Ah desculpa. Bem Kaia, isso aqui é um pequeno grupo de fofocas.

- Certo. Nero está cada vez mais furioso com você, e principalmente com aquele Neil...

- Com Neil! Que coisa mais absurda! Ele não tem que ficar com ciúmes de nada! - pigarreou com veemência. - Nós não temos mais nada um com o outro.

- Mas é claro que tem, vocês se amam - kaia divertiu-se ao ver Lili corar. - Estou certa?

- Não, está erradíssima! Eu estou gostando de outro rapaz...

- Fala de Neil? Ele é esquisito, tem algo estranho no modo como ele olha para cada um nós, é como se desejasse algo. Não sei, algo nele me incomoda - não falei aquilo para provocar Lili, mas apenas falei o que achava sobre ele. - Você não sente algo estranho nele?

- Não. Ele é completamente normal, diferente daquele vampiro frio...

- Ah tá! Acho que você não o achou frio enquanto transava com ele na mesma noite quando voltamos de Tenebris! - o tom de Kaya foi ríspido, era óbvio que ela tinha uma enorme amizade com Nero e gostava de defendê-lo.

- Eu não... você não estava dormindo? - o constrangimento de Lili não era visto somente no rubor das bochechas, mas também na voz esganiçada.

- Eu estava, mas acordei com suspiros e gemidos de uma certa pessoa - ela lançou para Lili um olhar fulminante e divertido.

- Isso passou, não importa mais. Pare de defender tanto ele!

- Ok, ele não é nenhum santo, mas te ama mais do que qualquer outro. Esse Neil não combina nada com você, e ele é mais sombrio do que Nero - justificou Kaia, que deixou Lili sem argumentos.

- Está pronta - joguei a trança para o lado e ela sorriu com aprovação. - Vai mesmo sair com ele? Mal se conhecem...

- Está enganada. Conheço Neil o suficiente para sair com ele. Faz um ano que cursamos a faculdade juntos, ele é da minha turma - ela levantou e pegou um de meus vestidos pretos rendados, vestindo-o. - O que acham desse?

- Está ótimo. Nero adora quando você usa coisas rendadas - provoquei, vendo-a corar.

- Tchau! - ela saiu apressada do quarto.

Kaia e eu caímos na gargalhada. Sabíamos que ela ainda amava Nero, só não queria ter o orgulho ferido. Lieff entrou no quarto sem bater, fazendo Kaia sair apressada para nos deixar á sós. Ele havia acabado de voltar da faculdade e estava com cheiro de consultório. Abocanhando um brigadeiro, ele deitou no chão e descansou a cabeça em meu colo. Bem, ele estava uma graça usando jaleco e óculos de armação preta. Um perfeito médico. Comecei a brincar com seu cabelo, amarrando pequenos elásticos por toda parte. Ele comia todos os doces enquanto eu continuava com seu cabelo. Ficamos em silêncio por quase quinze minutos. Comecei a achar aquela situação desconfortável, pelo fato do silêncio prolongado.

-Você prefere à boa ou a má notícia? - murmurou, resolvendo quebrar o silêncio.

- Pode ser a ruim - ele retirou os óculos e suspirou. - O que aconteceu?

- Nossa viagem para o Saara foi cancelada...

- Por que? - indaguei.

Percebi que ele corou levemente.

-Bem... - sua hesitação estava me incomodando. - Tive que usar o dinheiro da poupança para comprar equipamentos para a faculdade, e não tenho mais o suficiente para nós dois.

- Meu Deus Li! Você sabe que eu não me importo com isso, pode ir sozinho...

- Não quero ir sozinho, você precisa vir comigo - ele segurou minha mão e acariciou meu dedo indicador. - Você tem que vir comigo.

- Está bem, então podemos ir para outro lugar, não vejo problema.

- Sério mesmo? - a expressão alegre voltou para o seu rosto.

Bem, eu não era nenhuma trouxa, sabia que ele queria algo com essa viagem.

-Li, o que você pretende com essa viagem? - ele pareceu surpreso.

- Nada, só quero viajar com minha amiga e ter momentos alegres, como antes...

- Sem essa! Conte logo o que você pretende - peguei um brigadeiro e comecei a passar em seus lábios, como se fosse batom, seu rosto ficou hilário. - Que ridículo!

Entrei em uma gargalhada profunda. Joguei a cabeça para trás e comecei a ter espasmos. Seu rosto estava muito hilário, com elásticos no cabelo e boca pintada. Enquanto eu ria, ele sentou e engatinhou até mim, me deixando encurralada entre ele e a parede.

-Você vai comer o que você colocou na minha boca - neguei com a cabeça e não resisti, entrei em uma nova crise de risos. - Olhe para mim... que merda, estou frustrado, você faz o que quer comigo e fica impune, mas hoje não.

Ele retirou os elásticos do cabelo e os assanhou, depois segurou minha cabeça e colou os lábios nos meus. Enquanto tentava me espernear e sair, ele esfregava com mais rapidez nossos rostos. Minhas gargalhadas ficavam mais escandalosas à medida que ele tentava inutilmente me fazer lamber o chocolate de seus lábios.

-Você vai comer isso... - o chocolate já havia manchado nossos rostos quando a porta abriu e encontramos Lili parada diante dela, fazendo uma cara de desaprovação. - Ela tem que comer isso...

- Vocês são mesmo esquisitos - ela andou até nós e apanhou o celular. - Podem continuar, mas aconselho a fechar a porta, ou então ir para o quarto de vocês. Quero esse quarto vazio até amanhã, volto para casa com Neil.

- Vá mais devagar com esse cara...

Lili bateu a porta antes que Li terminasse de falar. Ele grunhiu e me assustou quando voltou sua atenção para mim. Rolei para o lado antes que ele me pegasse e corri para fora do quarto. Minha única saída era trancar-me em meu quarto, e foi o que tentei fazer, mas Li me alcançou e me arrastou para lá. Gritei, mas ele não me deu ouvidos e fui jogada na cama. Fechei os olhos e esperei que ele caísse sobre mim, mas nada aconteceu. Lieff me observou por alguns instantes e depois se afastou, indo até o banheiro. Achei estranho, ele geralmente aproveitava as chances que tinha para me beijar. Ainda deitada, virei o pescoço na direção do banheiro e o vi retirar o jaleco, depois o moletom preto. A vontade de sentir o cheiro de seu corpo estava crescendo, mas tentei ao máximo reprimir aquele desejo.

Enquanto ele lavava o rosto, fiquei refletindo se deveria ou não me deixar levar ao menos uma vez, por desejos há muito tempo oprimidos. Ele entrou no box e aproveitei para lavar meu rosto, depois corri para a cama e retirei meu moletom, ficando apenas com o short e o top preto. Achei que aquilo fosse o suficiente para chamar sua atenção, mas ele parecia estar distante quando saiu do banheiro. Seu cheiro estava muito bom. Li estava completamente vestido, usava uma calça de pijama xadrez azul com listas brancas e um moletom branco. Ele sentou na escrivaninha de costas para mim e começou a rabiscar algo em seu caderno de estudos. Fiquei estupefata. Estava totalmente disponível e ele não havia notado, nem sequer olhou para mim quando saiu do banho. Tentei de todas as formas chama sua atenção, tossindo forçadamente e até jogando uma bolinha de papel em sua cabeça.

Ele pegou a bolinha e depois de alguns instantes, olhou para mim e sorriu, jogando de volta. Desamassei o papel e em sua letra garranchosa, estava escrito uma insinuação provocadora em todos os sentidos. Ele estava debochando de mim, mas ao mesmo tempo lançando um desafio contra o meu orgulho. Ele sabia que eu era orgulhosa demais para desistir de um desafio desses, e que mesmo ofendida, iria tentar o que fosse para ganhar. Vai ter que fazer melhor, era o que estava escrito. Cerrei o queixo e deixei o bilhete de lado e comecei a articular algum plano. Talvez ele estivesse apenas brincando comigo, talvez eu devesse apenas chamar que ele viria.

-Leff! Venha até aqui agora mesmo! - consegui manter minha voz firme.

Sorri quando ele imediatamente levantou e começou a caminhar até mim.

-Vou descer e comer algo. Quer alguma coisa? - meu sorriso morreu, fiquei com cara de tacho enquanto ele divertia-se. - Vai querer algo?

- Você sabe o que eu quero - grunhi, resolvendo ser direta.

- O que você quer? - ele cruzou os braços.

- Por que pergunta se já sabe? - disparei.

- Então peça! - retrucou.

Já ficando zangada, comecei a não querer mais nada. Percebi que ele também começava a zangar-se por que estava ficando vermelho. Levantei da cama e o empurrei quando passei. Ele me agarrou pelo braço e voltou a me jogar na cama. Fiquei furiosa quando cai no colchão, levantei rapidamente e comecei a empurrá-lo com mais força. Ele segurou meus braços e me deixou imóvel. Olhei zangada para ele, que devolveu o olhar com a mesma intensidade. Raramente Lieff ficava zangado comigo, e aquele era um desses raros momentos.

-Você é tão arredia e orgulhosa. Quantas vezes eu tive que sacrificar muitas coisas por você... até minha vida eu dei para te proteger...

- Resolveu jogar tudo isso na minha cara? Você faz favores esperando receber algo em troca? - grunhi. - Você não tem direito de fazer isso!

- Não falo isso por que quero receber algo em troca! Só estou cansado de agir como um idiota! Você me beija hoje e amanhã já está com outro homem, isso eu consegui tolerar, mas eu também tenho sentimentos e sofro muito quando isso acontece... acho que você não sabe o quanto eu te amo. Acho que não sabe nada. O que custa pedir?

Ele me largou, mas não consegui sair do lugar. Minha raiva pareceu esvair-se repentinamente. Deixando o orgulho de lado, caminhei lentamente até ele e o envolvi com meus braços. Apertei forte seu corpo contra o meu. Ele também fez isso e beijou minha cabeça. Olhei para ele e me perdi em seus olhos avermelhados. Eu precisava dele.

-Li, eu quero você. Eu quero que me beije, por favor.

Lieff caiu por cima de mim enquanto me beijava vorazmente. Ele desceu meu top, e colocou um de meus seios na boca, enquanto com a outra descia para minha calcinha. Rapidamente nossas roupas foram removidas e ele já estava dentro de mim. Nossos corpos suados entraram em uma sintonia de prazer enquanto seus movimentos ficavam mais intensos. Abracei suas costas e passei a unha por elas, não sei se ele grunhiu de dor ou prazer, pois começou a entrar mais fundo em mim e mais rapidamente, e logo entramos em êxtase total. Li agarrou meus ombros e me virou para o outro lado, me fazendo ficar por cima, a cavalo. Ver seu cabelo pregado na testa pelo suor, e ouvi-lo gemer me fez ficar mais quente e acelerar o ritmo. Depois relaxamos quando finalmente chegamos no ápice. Li encostou a testa na minha e sorria como um idiota.

-Isso foi maravilhoso - sussurrou em meu ouvido. - Gostaria de me sentir assim para sempre.

- E por que não sente?

- Por que depois disso tudo você vai voltar a me ignorar, e vou voltar a ser seu melhor amigo...

- E você não quer continuar a ser meu amigo? - ele saiu de mim e deitou ao lado.

- É claro, mas gostaria também de ser seu namorado. Mas você quem decide, não quero te forçar a nada...

- Li, olhe para mim - ele beijou meu ombro depois colocou o rosto próximo ao meu, seu olhar suplicava para que eu dissesse. - Eu te...

Um fidalgo estranho olhava para mim, era bonito, mas muito branco. Olhei assustada para ele, que estava sorrindo para mim. Olhei ao redor e percebi que estava no castelo de Nero, mas algo estava esquisito. Tudo estava estranho. Não senti a rapidez que tinha antes, e quando passei a mão sobre meus dentes, minhas presas afiadas não estavam mais lá. Ao perceber que estava completamente nua, gritei e agarrei um enorme lençol, enrolando-me com ele.

-Sora? Você está bem? - ele falava de um jeito estranho e enrolado, me perguntei se seria de Oorus ou Thunderstorm. - Ei, não precisa dizer se sentir que não estiver pronta.

Soquei seu rosto quando ele tentou tocar em mim, depois levantei e corri para a porta. Me recostei na parede e chorei, estava acontecendo de novo, era a segunda vez que eu acordava de repente em um lugar estranho com pessoas esquisitas. O castelo estava muito menor e silencioso. Nenhuma criada vagava pela casa, nem mesmo as trombetas clamavam lá fora. O estranho voltou a aparecer e não estava mais nu. Seu nariz só estava vermelho, não consegui o efeito que eu esperava, minha força também havia se perdido.

-Sora! Por que você fez aquilo?

Ele estava muito zangado e aquilo me assustou. Não entendi por que ele me chamava de Sorá, e não por Ellai. Não, ele deveria tratar-me pelo segundo nome. Lady Caterina. Corri quando ele voltou a se aproximar. Segurei o lençol sobre meu corpo enquanto descia rapidamente as escadas. Tombei sobre o lençol e cai da escada. Todo o meu corpo estava dolorido quando parei de cair, mas logo estaria curada. Voltei a me enrolar e fiquei acuada no chão. Tudo parecia ser um pesadelo quando alguém se abaixou até mim e segurou meu ombro. Era Nero.

-Ah meu Deus! Nero é você... - me joguei em seus braços e chorei. - O que está acontecendo? Estou sonhando?

- O que? Sora? O que está acontecendo com você? - ele me retirou de seus braços e me olhou como se não me conhecesse.

- Nero! Não estou para brincadeiras! O que está acontecendo? Por que nosso castelo está tão feio e quem são essas pessoas estranhas? Onde está minha besta e minha flauta? O que aconteceu com suas roupas?...

- Ah droga - ele me olhou muito sério e me colocou nos braços, levando-me para uma espécie de cama vermelha. - Fique aqui, por favor.

- Você não manda em mim! - levantei e o abracei, depois o beijei, ele não retribuiu. - Por que não me beija? Estou com medo!

- Eu mandei você sentar agora! Sora, fique quieta.

- Por que todos me chamam de Sorá? É algum tipo de ofensa? Exijo imediatamente que anuncie um cavalariço para me escoltar até Oorus! Estou terrivelmente ofendida com tal comportamento de sua parte...

- Calada! - ele me olhou com intensidade e vi que a cor de seus olhos estava diferente.

- O que aconteceu com seus olhos...? - senti minha cabeça girar.

- Ellai, fique quieta - foi quando pronunciou meu nome, que percebi que ele tinha presas como as minhas. - Está bem? Pode fazer isso?

- Presas, você agora as têm... onde estão as minhas presas? Nero! O que aconteceu comigo? Por favor, me diga o que significa tudo isso! - gritei.

- Explicarei depois, quando milady ficar mais calma. Agora olhe para mim...

- Não! Eu sei o que você quer fazer! Esqueceu-se que eu também sei fazer isso? - tentei levantar, mas ele voltou a me sentar. - Você está diferente, não parece ser meu Nero.

- Continuo o mesmo - ele fez sinal de advertência. - Fiquei parada.

- Já disse que você não me dá ordens! - segurei uma bola de vidro que estava em uma pequena mesa a minha frente e joguei em sua cabeça.

- Ah! - ele curvou-se com a mão na cabeça e vi sangue escorrer, imediatamente me senti arrependida. - Então vai ser assim...

- Ei Nero, o que está acontecendo por aqui? - o estranho branco ajudou Nero e ficar de pé e olhou com curiosidade para mim. - Isso é...?

- Sim, nossa querida Sora resolveu ter outro surto de personalidade. Essa é Ellai - ele apontou em minha direção. - Vejo que ela também te deu uma surra das boas.

- Sim, e digamos que em um momento muito inapropriado - eles soltaram uma risada que não me agradou.

- Eu exijo imediatamente que me anunciem um cavalariço!

- O que vamos fazer com ela? - perguntou o esquisito.

- Bem, primeiro vou levá-la até um cavalariço - ele andou até mim e beijou-me. - Vamos milady, sua escolta a espera no forte-norte.

- Ah meu amor! Obrigado! - envolvi seu pescoço com os braços e o lençol foi para o chão, me deixando completamente nua. - Preciso de roupas...

O estranho fez um som esquisito com a boca enquanto Nero me envolvia com os braços, como se se sentisse incomodado, estava muito vermelho e desconcertado.

-Vire-se milady, deixe-me cobri -lá - virei-me para ele, que jogou o lençol sobre mim.

Senti uma forte pancada na cabeça, depois tudo ficou escuro.

Minha cabeça doía bastante quando despertei, o relógio marcava três horas da madrugada. Tentei me mover, mas era impossível. Levantei o pescoço e vi Lieff deitado ao meu lado, com seu braço sobre mim. Não consegui entender por que estava amarrada com uma camisa de força. Vi que era um dos materiais que Li trabalhava no pequeno sanatório. Não sabia se ria ou entrava em pânico. Olhei para o lado e vi que Nero e Kaia dormiam agarradinhos em um colchão no chão. Achei essa cena hilária. Comecei a rir baixinho, aquilo só podia ser uma pegadinha. Comecei a ouvir um barulho de passos apressados e sussurros. Só poderia ser Lili e seu mais novo objeto sexual. Comecei a tentar acordar Lieff. Sacudi o corpo e sussurrei seu nome, mas ele estava dormindo como uma pedra. Vi que ele estava com o nariz muito vermelho. Andou brigando? Bem, só poderia ser com uma pessoa. Olhei para Nero e ele também estava ferido, usava um curativo na cabeça.

-Li! - sussurrei. - Acorda seu idiota...

Ele soltou um grunhido e começou a despertar. Vendo que eu o olhava, ele rapidamente sentou.

-Sora? - perguntou, com cara de um excelentíssimo idiota.

- É claro que sou eu! Por que eu estou amarrada nessa camisa de força? Me tira daqui!

- Ah tá. Será que você poderia avisar quando tiver outro surto de personalidade? Quase nos mata! - pigarreou enquanto retirava a camisa de força.

- Como assim? - indaguei, mas no fundo já sabendo do que se tratava.

- Nós tínhamos acabado de ter um ótimo momento juntos quando você resolveu sumir, ia até dizer que me amava...

- Eu não ia dizer isso - desdenhei.

- Certo.

- Ei, o que aconteceu de verdade? - me livrei da camisa. - Sabe, depois que a gente fez amor.

- Foi o que eu disse, Ellai assumiu o seu lugar e fez isso - ele apontou para o nariz. - E aquilo na cabeça de Nero.

- Ah não! - gemi.

- Sabe o que temos que fazer, não sabe? - ele me aninhou nos braços e deitamos em conchinha. - Isso não pode continuar, essa vida é sua.

- Vamos amanhã, Solária vai resolver tudo e Ellai vai embora para sempre - tranquilizei.

- Ótimo. Que droga, Lili podia fazer isso em outro lugar, não acha?

- Acho.

Começamos a rir quando ouvimos os arquejos e suspiros de Lili com seu mais novo amante, enquanto Nero dormia tranquilamente nos braços de sua melhor amiga Kaia.



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