73| Meio Sangue
NERO
A cada segundo ficava mais difícil esperar por ela. Sabia que Sora já havia retornado de Tenebris com notícias sobre nós. Daniel também resolveu aparecer depois de dois longos anos. Por sorte Lili não estava em casa. Resolvi não descer enquanto Sora conversava com ele, sabia que o anjo me odiava. Senti a presença dela passando pelo corredor várias vezes, estava inquieta. Não queria forçá-la a nada, ela deveria vir me contar o que descobriu por conta própria. Não sabia que a força do pensamento podia gerar tanta angústia até perceber que estava me torturando mentalmente. O som da chuva de granizo tornava-se infernal a cada instante. Olhei para o teto e vi que as antigas vigas de madeira do castelo ainda permaneciam por lá, papai construiu o castelo pensando nas fortes tempestades de gelo. Resolvi tomar um banho gelado e me distrair com algo. Na porta do banheiro havia um bilhete de Lili.
"Estou na cerimônia da faculdade, não sei que horas vou voltar. Terei que acertar a internação de Billy quando sair. Cuide-se."
Tomei um banho rápido e desci para ver televisão. Kaia dormia como uma morta na cama. Cheguei a tempo de ver Lieff preparando-se para sair. Ele me ouviu chegar e virou-se.
-Ah, oi Nero. Estou saindo para a cerimônia da faculdade. Pode cuidar de Sora por mim? - ele ajeitou o gorro preto na cabeça e aguardou minha resposta. - Vocês estão se dando tão bem agora, então pensei que poderia ficar de olho nela.
- Não tem problema, pode deixar - ele assentiu e correu apressadamente até o carro.
Observei da janela enquanto as pedras de gelo batiam no capo de seu carro e o som do atrito misturava-se a vários outros, criando uma cacofonia total. Estava ficando um caos. Uma chuva torrencial começou a cair e varrer tudo lá fora. A manhã agora parecia noite, estava ficando escuro por conta da tempestade. Desabei no sofá e liguei a TV. Por sorte não houve nenhuma queda de energia. Um comercial de sucos passava quando liguei. Ao observar a modelo bebendo avidamente um suco, imaginei que poderia ser sangue. Salivei. Mudei de canal e parei quando vi que estava passando um filme de romance erótico. Eu gostava de filmes assim, era divertido ver as pessoas serem pagas para fingir estar amando, o que não era muito diferente da realidade. Senti a presença de Sora aproximando-se.
Segui com meus olhos enquanto ela descia as escadas. Para um dia bem frio, ela não estava usando roupas para a ocasião. Pelo contrário, usava um short azul muito curto e um top vermelho que mostrava todo o seu abdômen. Suas pernas destacavam-se por conta da meia preta que ela usava até as coxas. Me perguntei se sua ausência de frio teria algo a ver com Shaya, já que somente o seu fragmento de alma residia nela. Ela não se intimidou com o meu olhar persistente. Quando começou a caminhar até mim, vi o movimento provocante de seus quadris. Somente quando sentou ao meu lado e olhei para sua bunda, percebi o quando o short era curto. Se ela vestiu-se assim propositalmente para me provocar, estava funcionando. Relutante, me afastei um pouco para que ela ganhasse mais espaço.
-Onde está Lieff? - perguntou, sem olhar para mim.
- Ele foi para a cerimônia da faculdade - olhei de soslaio para o top que exibia orgulhosamente seus seios. - Acho que Lili deve estar com ele.
- Verdade, hoje é a cerimônia. Eles estão perto de se formarem - ela coçou por debaixo da meia e quando retirou o dedo, o som do tecido em contato com sua pele foi excitante.
- Ia para algum lugar? - indaguei.
- Sim, se não fosse por essa chuva horrenda - bufou. - Por que?
- Você está vestida para a caça - brinquei.
- Hum - ela riu. - E você, assistindo a esse tipo de filme? Não combina muito com você.
- Muitas coisas não combinam comigo até resolverem testá-las - lancei para ela um sorriso malicioso.
- Certo. Olhe só, você deve estar se perguntando por que eu ainda não contei nada, é só que...
- Não precisa ter pressa, me conte quando achar que estiver pronta - senti que ela estava pressionando a si mesma. - Não tenho pressa.
- Obrigado - o alívio em sua voz foi perceptível. - Quer me contar quem é seu amigo sedado lá em cima? Por que estava brigando com Lili por causa dele?
- Digamos que Billy é instável, e precisa de ajuda - cocei o queixo. - Ele vai ficar bem quando for para a clínica.
- Ah, ele era seu parceiro de caça?
- Esse é um assunto que diz respeito a somente ele e eu. Ficaria grato se você não voltasse a me importunar com isso.
- Hum. Vou comer algo - ela levantou e reagiu indiferentemente com meu comportamento repentinamente agressivo.
Ela me deixou sozinho e foi para a cozinha. Acompanhei todos os seus movimentos com o olhar. Era estranho demais amar uma garota e desejar outra. Sora estava me arrastando para um abismo de escolhas erradas. Por mais que desejasse fugir para longe, outra parte queria ficar e causar mais estragos. Aquela situação estava ficando insuportável. Era certo que havia algo que nos conectava de uma forma avassaladora, mas seja o que for, aquela vida já não me pertencia mais, ela pertencia ao antigo Nero. Ela tinha todas as respostas sobre nós. Nosso passado. Algo de estranho havia acontecido para que não nos lembrássemos de nada. Apenas a noite da fogueira, essa eu conseguia lembrar com clareza. Um baque surdo de algo caindo no chão veio da cozinha. Levantei do sofá e fui até lá com o pretexto de ver o que havia acontecido, mas era apenas um pretexto. Eu queria sentir seu cheiro, tomar seu sangue.
-Está tudo bem? - indaguei.
Ela surgiu detrás do balcão e estava com o rosto e cabelos sujos de farinha de trigo.
-Tá tudo ok - bufou. - Só me esqueci onde estavam guardadas essas coisas, a farinha não ficava guardada nessa parte do armário!
- Bem, você sumiu por dois anos - contornei o balcão e me aproximei.
- Você também - ela recuou rápido demais e quase caiu. - Opa!
Fui mais rápido e segurei seus braços.
- Vai com calma - murmurei, colocando-a de pé. - O que está fazendo?
- Estou tentando fazer uma torta, é a única coisa que sei assar. Não tem nada comestível e fácil por aqui, acho que os gêmeos esqueceram de fazer compras.
- Posso te ensinar. Eu e Lya éramos especialistas em tortas - alcancei a farinha no armário e a pus no balcão. - É muito fácil.
- Quem é Lya? - esqueci que não havia contado nada sobre meu passado para ela, mas ela fazia parte dele.
- Era minha irmã - ela pareceu retrair-se quando falei aquilo. - Você está bem?
- Estou. Você tinha outros irmãos? Alguma outra irmã?
- Sim, papai possuía vários bastardos - peguei os ovos e outros ingredientes e os coloquei no balcão.
- Ah, ele tinha alguma bastarda em Oorus? - sem ter coragem para me encarar, ela fazia aquelas perguntas como se soubesse de algo, como ela sabia sobre Oorus?
- Não. Ele só podia ter bastardos no seu próprio reino. Se ele tivesse algum outro bastardo fora do reino, aquele filho já nascia condenado à morte. Como você sabe sobre Oorus?
Ela baixou a cabeça e deu passos para trás, retraindo-se no canto da bancada. Ela estava muito estranha. Senti emoções de tristeza emanando dela. Me aproximei e segurei seus ombros, mas ela continuou com a cabeça baixa. Decidi que aquela seria a hora para ela me contar tudo que sabia. Afaguei seus ombros com calma. Nossa respiração começava a ficar entrecortada. De repente não havia mais espaço entre nós. Desci o braço até sua perna lisa, agarrando a meia e fazendo a perna subir, para que ficasse presa em meu quadril. Ela ergueu o rosto e lágrimas escorriam para todos os lados. Comecei a ficar nervoso, aquilo não era nada bom.
- Ei, o que você tem? Sinto que está triste...
- Então você não lembra mesmo de mim - murmurou entre os soluços. - Você esqueceu de mim...
- Ei, não entendo - limpei suas lágrimas com meu polegar e segurei seu rosto entre minhas mãos. - Sora, o que você descobriu?
- Nada! - ela tentou me empurrar, mas a pressionei para frente. - Me deixe ir!
- Ainda não fizemos o bolo - brinquei, na tentativa de aliviar a tensão. - Já disse que não precisa me contar se não quiser.
Ela fez um meneio e me deu um leve empurrão no peito. Me afastei e fingi que nada daquilo havia acontecido. Desaparecendo da cozinha durante alguns minutos, ela retornou parecendo bem melhor. Ensinei como se fazia para fazer uma boa massa, ela ria da minha postura como cozinheiro. Pondo a massa sobre uma tábua, segurei seu braço e a puxei para mais perto. Com o rolo compressor, ela tentava ao máximo moldar a massa. Aproveitei sua dificuldade e passei para trás, prostrando-me como em nosso curto treinamento. Inicialmente ficando tensa, ela relaxou quando guiei seus braços com os meus. Chegando perto do seu ouvido para murmurar instruções, senti que estava caindo em minha própria armadilha. Seu cheiro estava perfeito.
Rocei o nariz por seu pescoço e parei no curativo. Ela não tentou fugir. Apertando seus dedos entre os meus, ela recostou-se em meu peito. Agarrei sua cintura e a ergui para sentar no balcão. Ficamos nos encarando por alguns instantes. Eu não queria aquilo, mas algo parecia estar me forçando cada vez mais. Ela me trouxe para mais perto quando entrelaçou as penas sobre mim. Queria fugir. Ir para longe dela, mas naquele momento parecia ser algo impossível. Levei o nariz até a fenda entre seus seios e inspirei profundamente. Ela gemeu baixinho, me fazendo apertar seu traseiro e puxá-la mais para frente, apertando seu quadril contra o meu. Suas mãos alisavam levemente minhas costas, me envolvendo em um abraço.
- Nero, eu fui sua irmã... - murmurou.
- O que? - indaguei.
- Foi isso mesmo que você ouviu. Eu fui sua irmã...
- Não. Isso é impossível. Não está certo - deslizei as mãos por suas coxas e segurei seus quadris. - Irmãos não fazem o que estamos com vontade de fazer faz um tempinho...
- Me escute - ela segurou meu queixo. - Eu fui sua meia-irmã, e sua amante também...
- Não - me afastei dela. - Irmãos não fazem isso.
- Mas nós fizemos! Por que acha que estamos tão atraídos um pelo outro tão repentinamente? Nós éramos apaixonados Nero!
- Você era como eu, você era uma vampira... - passei a mão pela testa, estava suando frio. - Isso não pode ser verdade, bastardos fora do reino não sobrevivem depois de nascer, como você se chamava?
- Ellai... - ela pulou do balcão e me abraçou. - Ellai di Caterina Wolgang, lembre de mim. Você me chamou assim uma vez...
- Não consigo. Nunca ouvi esse nome. Me escute! - agarrei seus ombros e a sacudi. - Isso está estranho demais, como você poderia ser minha irmã se era uma vampira?
- Como? - a sanidade voltou para seus olhos. - Vampira?
- Sim. Você apareceu em uma de minhas lembranças, estava com presas como as minhas...
- Mentiroso.
- Falo a verdade - grunhi, ela que estava mentindo, não podíamos ter sido irmãos. - Por que não me deixa te provar novamente e acabar logo com isso?
- Ótimo! - pigarreou.
- Ótimo - grunhi.
Ela contornou a cozinha e foi para o quarto a passos pesados. Fui no seu encalço e encostei a porta. Com um último olhar fulminante, ela deitou na cama e me aguardou. Caminhei até a cama e engatinhe sobre o colchão até ela, deitando-me sobre seu corpo lentamente. Nossas respirações mesclavam-se em uma nuvem de vapor. O trato era apenas uma mordida, mas nosso comportamento provava o contrário. Ela retirou meu moletom e o jogou para longe. Não fiz nenhum movimento. Queria apenas a mordida e dar o fora dali. Passando a mão por meu peito, ela desceu para minha calça e enganchou os dedos no cinto, puxando meu quadril para o seu. Grunhi. Já estava no meu limite. Ela estava tecendo sua teia, e eu era sua presa.
Não estava entendo a jogada dela. Respirei fundo e ignorei enquanto ela desabotoava minha calça. Segurei seu braço onde havia o pulso livre e o mordi. Ela pigarreou e ficou quieta. O sangue quente invadiu minha boca. Me deixou com calor, mas me trouxe apenas lembranças frias e distantes. Embora o rosto de Sora sempre me aparecesse sorridente aquilo não me trazia nenhuma felicidade. O torpor veio quando suguei com mais força. Novos cenários e rostos apareceram. De repente me encontrei na antiga Blizzard. No começo estava tudo azul. Caminhei desorientado até o fim do túnel e a luz fez meus olhos arderem. Andei até onde estava escutando uma discussão. Ali era onde eu costumava tomar banho, na clareira mais próxima do castelo. A enorme árvore de folhas vermelhas estendia-se sobre o lago.
Me aproximei o suficiente para ver que eram duas crianças que discutiam. O antigo Nero ainda com doze anos parecia envergonhado e acuado. Não reconheci a garotinha. Ela segurava as roupas do antigo Nero, enquanto ele cobria seu saco apenas com uma bota.
- Não me trate como uma plebeia - ela possuía um tom arrogante. - Peça perdão agora mesmo, e de joelhos!
- O que? - ele pigarreou enquanto tentava tomar de volta as roupas. - Devolva minhas roupas, sua bastarda!
- Como ousa chamar sua futura rainha de bastarda? - ela jogou as roupas no chão e andou até ele apressadamente. - Tira essa bota daí agora!
- O que? Você nunca vai ser minha rainha! É uma bastarda e já deveria estar morta há muito tempo, não sei por que papai ordenou que te deixassem viver...
- Que cruel - ela arrancou a bota e o observou completamente nu. - Eu sei que você gosta de mim, se não, já teria dito para Marília que eu sou uma bastarda.
- Não gosto do jeito que você pensa - ele a retirou do caminho e começou a vestir as roupas. - É melhor você ir embora.
- Não vai me mandar embora quando eu me tornar rainha de Blizzard. Você já é meu príncipe, entendeu? - ela aproximou-se de uma forma sorrateira até ele. - Quer saber um segredo?
Ele pulou para lado e viu o seu sorriso que sempre achou estranho. Seus dentes grandes demais. Seu cabelo negro e outrora loiro. Mesmo não querendo admitir, a bastarda o fascinava demais.
- Eu já sei que você é uma bruxa - resmungou e jogou a capa nas costas. - Até mais bastarda.
- Espere! Não sou bruxa coisa nenhuma - quando viu, ela já o havia encurralado entre o tronco da árvore e seus baços. - Quer saber do que eu me alimento?
- Não - embora estivesse resistindo, ele gostaria muito de saber mais sobre ela.
- Eu acho que você quer - o vento forte soprou e agitou seu vestido branco.
- Então me conte logo - grunhiu.
- Sangue. Eu me alimento de sangue. Sabe, posso comer outras coisas, mas somente o sangue me sacia. Eles servem para isso - ela abriu a boca e apontou para as presas.
- Mentirosa - ele voltou a seguir a trilha na floresta de volta para o castelo.
Quando olhou para frente, ela já estava lá. Ficou assustado e impressionado.
-Como você...
- Também posso ser bem rápida quando quero - reparou que ela também já estava com sua besta nas costas. - Viu só? Acredita em mim agora?
- O que você é? - indagou, ainda impressionado.
- Eu não sei, mas olhe só! - ela agarrou-se a cintura dele. - Somente você sabe disso! Nem mesmo mamãe tem conhecimento.
- Como ela não tem conhecimento? Seu cabelo está sempre mudando de cor e seus dentes são... - olhou para seu sorriso. - Lindos.
- Ah é? Ah Nero! Fico tão contente! - segurando sua mão, ela começou a guiá-lo para dentro da floresta, se distanciando do castelo. - Sobre o sangue, descobri isso sozinha.
- Sozinha como? - embora não o agradasse andar com a bastarda, sua companhia era agradável.
- Quando completei quatro anos, estava sozinha no balanço do bosque quando senti fome. Não foi uma fome normal. Era algo ruim. Minha barriga doeu bastante e vomitei o jantar - ela apertou a mão dele com mais força. - Minha boca salivou bastante, parecia uma espuma grossa. De repente me encontrei jogada no chão e me retorcia.
- Não tinha ninguém para te ajudar?
- Não. Mamãe estava no Conselho de Oorus, quase não tinha tempo para mim. Um reino governado por uma rainha não é nada fácil, papai morreu jovem. Bem, voltando para mim, acho que aquele momento foi quando tudo mudou. Foi uma espécie de transformação.
Eles sentaram debaixo de um salgueiro e ela deitou a cabeça no colo dele. Ele não resistiu e começou a alisar seu cabelo.
-Quando a dor passou, senti um forte cheiro metalizado. Era o cheiro de sangue e morte. Acho que eu não estava sob o controle do meu próprio corpo. Comecei a seguir desesperadamente o rastro daquele cheiro. Acabei encontrando um alce ferido em uma armadilha. Não pensei duas vezes e o ataquei. Tomei todo o seu sangue. Foi a partir desse dia que todas as noites eu saía para caçar. Nunca contei para mamãe e Ellaria, elas poderiam me chama de bruxa.
- Já atacou algum humano? - indagou.
Ela sentou e ficou muito próxima.
-Não, mas eu posso se você quiser - entendeu o que ela queria.
- Sem chance, isso é loucura.
- Por favor. Eu sempre desejei seu sangue, desde que o vi na coroação de Lyanna - ela beijou seu nariz. - Por favor.
- Pare com isso Ellai, somos irmãos - murmurou.- Afaste-se.
- Somos meios-irmãos, eu sei que você também gosta de mim. Me deu um beijinho quando eu tinha oito anos, eu chorava por que estava assustada demais por estar em outro reino.
- Isso faz bastante tempo, e não foi um beijo de verdade.
- Você tem apenas doze anos, tenho onze, não faz tanto tempo assim - ela ficou mais próxima. - Só uma mordida, ou então posso fazer um pequeno corte em seu pulso e beber só um pouquinho.
- Ellai, isso não é certo.
- É só uma mordida, você pode me dar um beijinho depois. Por favor! - ela o abraçou com força. - Só um pouquinho!
Ele afagou sua cabeça e riu. Sabendo que o que estava prestes a fazer seria uma loucura, concordou e ela prostrou-se mais próxima, quase encostando os lábios nos dele.
-Seja rápida. Se alguém nos ver assim, podemos ser enforcados...
- Por que? - era incrível como ela podia ser tão madura e ao mesmo tempo tão ingênua.
- Por que somo irmãos. Isso é proibido. Estamos infligindo à quinta lei da família, as doze leis servem para todos os reinos - advertiu.
- Não estamos quebrando nenhuma regra. Estamos criando a nossa - ela o beijou no pescoço e o mordeu.
Não sentiu dor. Não sentiu medo. Sentiu apenas amor. Era proibido, aquele amor era proibido.
Despertei do torpor. Ainda estava com as presas enterradas no pulso de Sora, mas não estava sugando. Ela me olhava preocupada. Rolei para o lado e senti desespero. Então era verdade. Fomos irmãos. Fiquei confuso. Agora possuía mais uma lembrança, mas somente aquela. Tentei em vão recordar de mais alguma coisa. Elas vinham somente quando o sangue de Sora invadia minha boca. Agora tudo estava invertido. Eu era o vampiro.
-O que você viu? - perguntou, recostando-se em meu ombro.
- Éramos mesmo irmãos. Você me contou quando começou a sentir desejo por sangue. Tinha presas como as minhas e me mordeu.
- Não acredito, então Ellai foi mesmo uma vampira...
- Você é ela. Ellai, ela ainda reside em você. Tem muito do comportamento dela - comecei a abotoar minha calça quando ela segurou minha mão.
- O que você quis dizer com isso? Que ainda tenho muito dela?
- Teimosia. Como agora, me deixe sair daqui - grunhi.
- Precisamos de um jeito menos complicado de conseguir mais lembranças, já estou toda mordida! - ela apontou para as feridas.
- Não vou até Shaya, você vai até Grendel e pedir para ele todas as lembranças - levantei da cama e peguei o moletom. - Estou assustado com essas recordações, mas as quero de volta.
- Por que está me evitando?
- Éramos irmãos...
- Falou certo, éramos - ela andou até mim e meteu as mãos debaixo do moletom e alisou meu peito. - Talvez fazendo isso a gente se lembre de algo...
Segurei ela nos braços e a joguei na cama. Tentei ao máximo evitar beijá-la. Meus lábios eram somente para Lili. Abri o fecho de seu short e adentrei com minha mão sobre a calcinha. Deslizei dois dedos para dentro dela enquanto mordia com cautela sua orelha. Ela arquejou. Percebi o movimento de seus quadris ficarem mais intensos. Minha mão já estava úmida. De repente ela puxou minha cabeça para mais perto e mordeu meus lábios, prendendo-me em um beijo forçado. A porta abriu-se e o sorriso de Lieff morreu quando nos viu. Me senti horrível. Levantei rapidamente da cama, mas Sora continuou lá, como se nada tivesse acontecido. Nem ao menos olhou para o amigo, continuou ali, com seu short aberto.
-Desculpe, eu não queria atrapalhar nada - ele fechou a porta e seus passos distanciaram-se.
Olhei para Sora e me senti culpado. Ela não mostrou nenhuma reação quando ele nos viu.
-Acho que você deve conversar com ele, explicar o que está acontecendo - sugeri.
- Isso não será necessário - ela continuou fitando o teto.
- O que há com você? Até parece que Ellai já está de volta.
- Talvez ela esteja mesmo - ela levantou-se rapidamente da cama e vi uma expressão diferente em seus olhos. - Lieff é apenas meu amigo, não sou nenhuma namorada dele. Eu só queria apenas entender que tipo de amor era o nosso.
- E vamos conseguir...
- Então faça amor comigo, tenho que admitir que estou te desejando...
- Pare de agir como ela - grunhi. - Talvez só um beijo resolva.
Andei até ela e segurei seu rosto entre as mãos. Seu olhar suplicante era evidente. Sora voltou a puxar minha calça, e eu a parei.
-Onde você está Ellai? - murmurei, e nos beijamos.
Sora revirou os olhos e apagou. Ela caiu com um baque no chão. Tentei reanimá-la, mas ela estava fria, parecia morta. Entrei em pânico. Gritei por Lieff. E mesmo depois de ter nos visto, ele adentrou o quarto rapidamente e a aninhou em seus braços.
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