53| Terra de Ninguém


SORA

Nunca pensei que uma relva poderia ser tão macia até acordar sobre uma. Agora era diferente, meu corpo estava lá, eu podia sentir tudo, da fraca brisa quente a maciez da relva que batia no rosto. Meus pés começaram a formigar quando acordei. Todo o meu corpo parecia estar acostumando-se com a mudança de atmosfera, com a mudança de dimensão. Rolei para o lado e fitei a imensidão do céu avermelhado, era lindo e ao mesmo tempo assustador, era como o dia do apocalipse que as senhoras da igreja tanto falavam. Ainda estava vestida com as roupas que Charlie jogara sobre mim, uma lágrima rolou por meu rosto sem o meu consentimento, depois mais uma. Mais uma e mais uma. Estava chorando convulsivamente ao relembrar aquela cena ridícula, pensei em papai, queria ele comigo. Aquilo só me fez chorar cada vez mais, a culpa era minha por ele estar morto.

Senti a sensação de que algo estava entupindo meus ouvidos, minha visão também estava um pouco turva. Acabei concluindo que isso eram os efeitos da mudança de transição. Duas pequenas correntes estavam presas em meus tornozelos, aquilo seria algum tipo de exibível? Olhei para os lados a procura de Grendel, mas nem sinal dele. Achei que a primeira coisa que ele faria era me escravizar até conseguir saciar sua raiva, mas ele não estava por perto. De repente recordei de Orion, levantei meio zonza e fui até o lago, mas a serpente também não se encontrava por lá. Mesmo chamando por eles, não obtive resposta a não ser do eco da minha própria voz. Olhei sobre o vasto horizonte, onde nuvens alaranjadas rodeavam o pôr-do-sol. O vasto campo de tulipas vermelhas era levemente açoitado pela brisa morna. Folhas de cerejeira foram trazidas pelo vento junto com um doce aroma de mel.

Olhei para o lado e avistei a enorme árvore solitária, mas não recordei de ser uma cerejeira, em minha última visita era uma árvore comum, um salgueiro. Caminhei atraída pelo cheiro de mel até a árvore, que lançava suas pequenas folhar rosadas pelo vasto campo de tulipas. A relva fazia minhas pernas coçarem, só estava vestida com um moletom comprido. Ao chegar mais próxima, avistei um longo par de pernas estendidas sobre a relva. Grendel estava recostado no tronco da árvore, seus braços inertes estavam relaxados, enquanto o pescoço pendia para o lado e a cabeça estava baixa. Sua respiração estava profunda e tranquila, diferente de quando estava acordado, porque estava sempre muito irritado com alguma coisa. Geralmente era comigo, seu mais novo motivo de profunda irritação. Era estranho ver o Sr. Morte em profundo estado de tranquilidade, parecia ser outra pessoa.

Sua calça preta estava suja de poeira na parte dos joelhos, como ele tivesse caído sobre um monte de cinzas. Analisei seu longo sobretudo negro, estava rasgado em algumas partes. Será que ele usava sempre as mesmas roupas? Recordei de seu visual enquanto fingia ser meu professor especializado na Mesopotâmia. Definitivamente o visual dark combinava melhor com o Sr. Morte. Sentei-me cautelosamente ao seu lado, com cuidado para não acordá-lo. Desejei ter um celular para registrar aquele momento, ele estava com a guarda baixa. Lamentei o maldito dia em que decidi ir na casa de Charlie, meu celular havia ficado na gaveta, mas o cheiro de Charlie ainda estava impregnado em mim. Minha vida estava arruinada para sempre. Faculdade, amigos e destino. Tudo. Agora eu era uma foragida da polícia, meus pensamentos estavam embaralhados. Tenebris agora seria meu lar temporário.

Grendel começou a grunhir baixinho, achei que ele estivesse acordando, meus pensamentos estavam alto demais. Mas ele não acordou, estava apenas tendo sonhos ruins. Mas os mortos sonhavam? Reparei em seu nariz vermelho, o resfriado foi severo com ele. Fiquei próxima o suficiente para ver que ele usava um colar estranho, o pingente era uma pedra lilás, parecida com uma ametista. Meus dedos começaram a formigar, desejando tocar no objeto. Olhei mais uma vez para Grendel, passei a mão diante de seu rosto, mas ele não se moveu. Cheguei mais perto da pedra, era como se houvesse uma conexão entre nós, porque o objeto moveu-se em minha direção como se fosse um ímã. Para não ser pega em mais um flagra, estalei os dedos perto do ouvido dele, nada aconteceu. Segurei o colar e o passei com cautela sobre a cabeça dele e o escondi no bolso do moletom, a pedra era quente e parecia ter vida própria, porque era possível sentir sua vibração.

- Não... – pulei de susto quando Grendel murmurou dormindo. – Não me deixe...

Cheguei mais perto para ouvir seus sussurros.

- Não vá... – ele começou a grunhir mais alto, seu rosto contorcia-se em caretas. – Papai... não me deixe sem ela... salve-a...

Era como se outra pessoa estivesse falando. Sua voz estava suave, era estrando demais vê-lo falar daquela maneira. Nunca passou pela minha cabeça que ele tivesse família.

- Ela não pode morrer... – novamente pensei que ele havia acordado, seu tom de voz tornou-se esganiçado. – Não morro... eu mato... papai...

- Grendel? – toquei seu ombro para acordá-lo, aquele sonho parecia estar sendo desagradável para ele.

- Diabos... – sua voz voltou ao um pequeno sussurro. – Ela se parece demais com Shaya... é tão linda...

Sua voz foi morrendo, tive que chegar mais perto para ouvi-lo melhor. De quem ele estaria falando?

- Mas é tão burra... – Meu rosto esquentou ao perceber que ele falava de mim, por que ele me achava tão burra?

Ele continuou murmurando debilmente, mas fiquei zangada demais para continuar ouvindo. Com quem ele estaria falando nos sonhos? Talvez consigo mesmo. Começou a ficar frio de repente, o sol já não estava mais lá, agora à imensa lua entrava em ascensão. O frio tornava-se mais intenso a cada instante, o moletom não era o suficiente para me manter aquecida e minhas pernas estavam descobertas. Olhei para o sobretudo de Grendel e desejei vesti-lo, então não pensei duas vezes e voltei a me aproximar dele. Segurei a gola do sobretudo e comecei a removê-lo com extremo cuidado, Grendel parecia estar morto, não acordava de maneira alguma. Consegui tirar a peça e a vesti, era quente e muito aconchegante para as roupas de alguém que estava morto. Olhei para seus braços descobertos e vi mais algumas cicatrizes.

O Sr. Morte sempre andava coberto por roupas negras, seus braços brancos e cicatrizados estavam expostos. Encolhi minhas pernas para dentro do sobretudo e tentei dormir novamente, mas o sono não veio. Passou-se algum tempo e nada dele acordar. Não é nada fácil passar para o mundo físico sabia? Leva tempo e fico exausto. Recordei do que ele havia dito, ele não somente passou para o mundo físico como também levou um corpo vivo para além do tecido da realidade. Somente agora compreendi o motivo de seu extremo cansaço.

- Que fome, que vontade de comer um doce... – murmurei.

De repente um belo cupcake materializou-se diante de mim. Observei boquiaberta o doce flutuar diante do meu rosto. Olhei para a pedra que vibrava e brilhava intensamente, um brilho roxo que iluminava todo o espaço dentro do sobretudo. Olhei intrigada mais uma vez para o cupcake e o peguei com a ponta dos dedos. Teria suspeitado que estivesse envenenado, mas a fome me fez abocanhá-lo de uma vez só. Estava delicioso, era como os que Lili costumava fazer, o doce se foi tão rápido quanto veio. Peguei a pedra e observei seu brilho ir embora, me perguntei se seria algum tipo de medalhão dos desejos. Resolvi testar mais uma vez para ter certeza de que não estava alucinando, a pedra brilhou com mais um pedido meu, dessa vez desejei uma calça térmica bem aquecida. Mal estava acreditando que aquilo estava acontecendo, era bom demais para ser verdade, e o Sr. Morte a guardava somente para si.

Olhei para Grendel que continuava a dormir como uma rocha e pensei em fazer algo divertido enquanto podia. Quando finalmente decidi o que queria fazer com ele, um grunhido alto saiu de sua boca, me fazendo pular para trás. O corpo dele pendeu para o lado e desabou no chão, seu rosto contorcia-se mais uma vez em agonia, mas dessa vez lágrimas rolavam por ele. Mais estranho do que vê-lo calmo era vê-lo chorando daquele jeito, achei melhor deixa-lo quieto e viajar em seus pesadelos. Aquela pedra era algo poderoso, sua energia era pulsante. A retirei do bolso e a coloquei no pescoço. Meus cabelos ficaram de pé, como se estivessem dentro d'água. Tentei lembrar a forma de invocação das sombras, se havia uma chance de conseguir invoca-las ali estava ela, pendurada em meu pescoço. Me afastei de Grendel e fiquei de pé, uma brisa morna agitou meus cabelos flutuantes no momento em que suspirei.

Murmurei a palavra sombras e uma nova rajada de vento abateu meu rosto, pronunciar o conjuramento não era difícil, só precisava lembra-lo. Era falado em outra língua, algo como o grego, ou lituano... latim! Era isso, agora estava começando a recordar. Ego te coniuro, somente ao pensar no pronunciamento, vi uma silhueta negra erguer-se sobre a relva crescida e sumir rapidamente. Meu coração estava acelerado, se aquela pedra podia me ajudar a conjurar aquelas sombras, ela também poderia consertar minha vida. Fazer com que todos esquecessem do que aconteceu, ou talvez fazer Charlie acreditar em mim. Agora estava pronta para tentar novamente, também precisava saber para que aquelas sombras me seriam úteis. Respirei profundamente durante alguns segundos, olhei para trás para me certificar de que o Sr. Morte ainda dormia, estava tudo à meu favor, só precisava ser esperta.

- Ego te coniuro – murmurei.

Um par de olhos grandes e brancos me observava entre a relva, novamente voltei a pronunciar e mais dois pares de olhos surgiram. Caminhei sem medo até aquelas criaturas e gritei o conjuramento. A relva agitou-se e várias sombras rodopiaram em minha volta, me envolvendo em uma espécie de buraco negro. Não consegui explicar, mas me senti poderosa. Ergui os braços e voltei a gritar o pronunciamento, mais sombras mesclaram-se umas com as outras e rodopiaram ferozmente para dentro do redemoinho. Quando finalmente estava sentindo toda a glória, um par de braços me puxou para fora do tornado negro.

- O que pensa que está fazendo? – era Grendel, ele me apertou em seus braços e me jogou no chão. – Não posso fechar os olhos por alguns segundos que você já faz alguma besteira?

- Eu só fiz o que você me pediu! – tentei explicar e escondi o colar rapidamente. – Não sei porque está brigando comigo!

- Como conseguiu fazer isso? – ele apontou para o redemoinho negro que começava a se dissipar. – E por que está usando minha roupa?

- Estava sentindo frio – murmurei. – Por que estava chorando?

- Não estava chorando – ele virou-se rapidamente e limpou o rosto. – Devolva meu casaco.

- Não – falei involuntariamente.

- Não? – ele voltou a me olhar e ergueu uma sobrancelha. – Por que você é tão carrancuda e difícil?

- Eu? Carrancuda e difícil? – aquela piada foi ótima, comecei a rir. – Não pode estar se referindo a mim, você é pior do que eu!

- Ah é claro – ele cruzou os braços e começou a me analisar silenciosamente.

Fiquei constrangida com aquele olhar que não deixava escapar nada, levantei e comecei a caminhar de volta para a cerejeira, parecia ser o único refúgio daquela terra de ninguém. Ele pareceu não notar a ausência do colar, pois continuou me analisando com seus olhos petrificados. Tomei cuidado para não desejar nada, mas infelizmente não consegui controlar meu subconsciente e um livro acabou materializando-se diante de mim e caiu sobre meu colo. Em minha desesperada tentativa de me livrar do tédio e do olhar fulminante de Grendel, acabei estragando tudo, minhas chances de ir embora daquele lugar estavam esgotadas.

- Ah, sabia que roubar é feio? – ele estava com a voz suave, o que não era nada natural quando estava acordado, previ o pior quando ele começou a andar até mim.

- Do que você está falando? – não, minha cara não tremeu.

- Você é mesmo muito burra – ele sentou ao meu lado, mesmo estando sentado ele ficava mais alto. – Quem está tentando enganar?

- Posso desejar que você morra agora – grunhi.

- Isso é uma piada? Sempre fui meio morto, nunca estive vivo de verdade. Viu só? Você é muito burra – ele soltou uma risada de escárnio, o velho Grendel estava de volta.

- Me deixe em paz – resmunguei, era mesmo muito burra. – Vá embora.

- Está me expulsando da minha própria casa? – ele coçou uma cicatriz no antebraço.

- Estou. Saia daqui e não volte para me procurar! – cruzei os braços. Sim, estava fazendo birra para irritá-lo.

- Se não me lembro, alguém fez um juramento para a divindade da morte.

- Quem? – estava tentando irritá-lo.

- Você, sua burra.

- Pare de me chamar assim – grunhi, ele estava ganhando.

- Não gosto de te chamar de Shadoe, isso é ridículo.

- Não me chame de burra, meu nome é Sora. Por que me chamam de Shadoe? – me afastei para ficar de frente com ele. – Por favor, me diga.

- Esse foi o nome que Shaya te deu, você é uma parte dela. A parte boa dela reside em você...

- Espera ai, então quer dizer que Ai é a parte má de Solária? E está dentro de mim?

- Olhe só, alguém aqui finalmente está usando o cérebro! Sim, você é o equilíbrio, se for morta... – ele fitou a lua. – Não restará nada na alma do ser humano, ficará vazio.

Tentei absorver o choque daquela notícia. Você é filha de duas mães, foi o que a velha Lisander me disse. Então era verdade, eu era filha de duas celestiais poderosas e estava sendo caçada por uma. Shaya, ele queria me ver morta a todo custo, e por que?

- Ei Grendel...

- O que? – ele continuou fitando a lua.

- Por que Shaya me quer morta?

- Por que você é toda a parte boa dela, não entende? Shaya está pesa no mundo inferior, um lugar que nunca quis estar e que não merece ser prisioneira de lá! – sua voz estava agravando-se. – Acho que ninguém merece estar preso em um lugar ruim apenas porque sua alma predomina a descendência de meu pai...

Ele tentou parar de falar, mas já era tarde demais.

- Quem é seu pai? – indaguei.

- A Estrela da Manhã – ele falou forçadamente.

- O Iluminado? É sério? Por isso você é tão sombrio...

- Cale a boca, quer saber mais sobre você mesma ou não?

- Está bem...

- Por que acha que Solária é tão boazinha e Shaya é tão perversa? – ele parecia estar indignado. – A força principal que define cada uma está em você. Todo o lado bom de Shaya foi removido por conta de sua descendência que predominava mais para a parte do Iluminado, e o lado ruim de Solária foi removido por descender mais de Tsadkdiel, ambas não podiam ir para seus respectivos lugares sem antes passar por isso. Shaya te quer morta para recuperar o que há de bom nela, mas você tem que continuar viva, o equilíbrio em Statera depende de você.

Ele aproximou-se de mim e apontou para meu peito.

- Você é uma divindade, não deve estar perambulando em Statera, seu lugar é no pódio celestial... é tão divina quanto o Trono.

- Não fale isso, é blasfêmia...

- OLHE ONDE ESTOU SORA! – ele contornou o espaço com os braços. – SOU A DROGA DA DIVINDADE DA MORTE, QUEM É O TRONO PARA MIM? ELE NÃO É NINGUÉM!

- Ei calma ai, não grite comigo! – me afastei dele, estava muito nervoso. – Desculpa.

- Por que está se desculpando? Desculpe, não costumo perder o controle assim, é que...

- Shaya foi alguém importante para você?

- Não interessa – murmurou carrancudo.

Era óbvio que ela era alguém importante para ele. Homens nunca conseguiam disfarçar sobre esse assunto. Grendel estava com a mandíbula retesada e voltava a fitar a lua.

- Como você morreu? – indaguei, aquilo sempre fora uma curiosidade desde que o conheci.

Ele me olhou de soslaio e pareceu pensar em responder minha pergunta. O Sr. Morte suspirou e deitou na relva. Deitei ao seu lado e coloquei os braços debaixo da cabeça.

- Eu nunca estive realmente vivo... – começou. – Quando soube que era filho do Iluminado, já tinha conhecimento do que eu podia fazer.

Virei-me de lado para escutá-lo melhor.

- Gudrun era o nome de mamãe, ela já estava grávida do Iluminado quando conheceu Krono, meu pai adotivo. Então fui criado como o príncipe nórdico. Mesmo com a morte do meu pai adotivo, não envelheci desde os dezoito e meu povo não deixou de reparar. Governei durante muito tempo como o jovem príncipe, mas de acordo com o tempo, as épocas foram passando e meu povo também. Quando fracassei em proteger quem mais amava, resolvi vir morar em Tenebris a pedido de meu pai, e estou aqui desde então... – ele despedaçou uma tulipa entre as mãos. – É chato ficar sozinho.

Fitei seu rosto por alguns instantes, então o Sr. Morte também tinha uma história. Tentei imaginar Grendel em uma bela roupa de príncipe, era uma coisa estranha de se imaginar, mas não impossível. Quando mais descobria, mais queria saber sobre ele. Então Grendel não era um ceifador, ele só acolhia os mortos. Retirei o colar do pescoço e o estendi diante de seu rosto. Ele acompanhou o balanço vacilante da pedra, mas nada disse.

- Aqui, segure – peguei seu braço, mas ele repuxou como se tivesse levado um choque. – Minha burrice não é contagiosa, segure.

- É todo seu – resmungou, voltando a fazer careta.

- É sério? – mal acreditei no que ele dizia.

- Sim, mas tem um preço.

- Sabia que não seria tão fácil, qual é o seu preço?

- Seu tempo.

- Não entendo...

- Terá que ficar dois anos comigo, contando no tempo que se passa em Statera, esse é o preço.

Ele virou a cabeça para me olhar, estava mesmo falando sério. Mas o que eu tinha a perder? Aguentar Grendel era o de menos, minha vida estava totalmente arruinada de qualquer jeito. Será que dois anos eram suficientes para as coisas se acalmarem por lá? E Lili e Lieff, como ficariam? Sem perceber, já estava chorando. Chorando pelos amigos que iria deixar para trás durante esse tempo, chorando por uma vida que já não me pertencia. Não deixei de pensar em Nero, ele era um tremendo filho da puta por ter estragado minha vida, mas. O pior de tudo era seu impulso de matar aquelas garotas, ele teve uma escolha, e aquela era sua natureza. Segurei fortemente a pedra e jurei que voltaria para eles, voltaria para meu Charlie. Talvez conseguisse sobreviver até lá, sobreviver nessa terra de ninguém.

- Eu aceito – falei entre os soluços.

- Não vai se arrepender, irá tornar-se uma verdadeira celeste – ele terminou de arrancar a última pétala de uma tulipa e fomos transportados para outro lugar. Outra terra de ninguém.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top