26| Uma terra de anjos
Daniel despertou com o som das águas correntes que vinham do lago acima da gruta. Seu esconderijo localizava-se na parte mais distante da floresta fria, onde as águas não eram congeladas e o vento não era soturno. Faziam dias desde sua última alimentação, e sua abstinência começava a ficar evidente. Sua pele estava mais sensível a luz do sol, e ele se sentia lerdo e sonolento. Aquele seria um dia ávido para caçar, ele levantou para mergulhar no pequeno lago de águas transparentes. Não ficou muito tempo, pois a luz começava a irrita-lo, o deixando tonto pelo clarão nos olhos. O moletom que roubara mês passado já estava ficando apertado e pequeno em seu corpo, mesmo que não gostasse da ideia de pegar escondido algo que não lhe pertencia, ele sabia que era um mal necessário.
Vestindo as roupas sujas e rasgadas, ele preparou-se para caçar. Adentrou mais afundo na floresta, já sentindo a queda de temperatura adiante. Ouviu o som de um alce moribundo por perto, tomou cuidado para não ser visto por alguns caçadores que estavam fazendo uma caça ilegal, fora do tempo. Aproximando-se do alce, ele foi atraído pela presença de uma pequena raposa branca. Daniel ficou fascinado pelo animal, que tinhas olhos grandes e amarelos como o sol. A raposa o fitou com interesse, sem desviar o olhar um segundo sequer. A saliva veio quando a imagem do sangue do animal apareceu em sua mente, ele aproximou-se da raposa com cautela para que ela não fugisse.
Mas ela nada fez além de observá-lo com seus olhos enormes. Não era uma raposa comum, pensou ele. Era pequena demais e o focinho era mais alongado que o normal, mas o que mais lhe chamou atenção foi a forma como a raposa abriu a boca, ela parecia sorrir. Daniel agachou-se e se preparou para o ataque, a raposa empinou o traseiro e assumiu uma forma defensiva. Como estava mais lento, ele usou toda sua energia possível para se lançar contra o animal, dando um forte impulso com os calcanhares ele atacou. Um vulto brando apareceu em seus braços quando ele pegou o animal e depois o viu desaparecer diante de seus olhos. Daniel ficou confuso e olhou para as mãos, certificando-se de que aquilo tinha acontecido.
Ele olhou para os lados e avistou a raposa o observando do alto de uma rocha coberta de musgos e geada. Agora ele tinha certeza, ela sorria. Ele continuou a observá-la quando seu rabo começou a agitar-se. O animal desceu da rocha com elegância, caminhando até Daniel com suas patas pequenas. Ele assumiu uma forma defensiva, aquilo estava ficando mais estranho a cada segundo. A raposa parou a centímetros dele, sentando sobre a neve e pondo a pequena língua rosada para fora. Ela tinha desenhos no pelo, reparou ele, olhando mais atentamente para a pelagem do animal.
"Quero que me siga Daniel."– ele pulou para trás e olhou ao redor a procura de alguém, assustado com a voz que ecoou em seus pensamentos.
- Quem está ai? – gritou, esquecendo-se completamente da raposa. – Apareça!
"Estou aqui Daniel, olhe para mim."– voltou a ecoar a voz.
- Onde está? Mostre-se! – ele começava a entrar em desespero, nunca mais havia aparecido para alguém desde o dia de seu enterro.
"Estou aqui, na sua frente."– ele olhou com desconfiança para a raposa, ainda sem acreditar. "Me chamo Solária. Desculpe se só estou aparecendo agora, tenho andado muito ocupada ultimamente."
- O que? Mas que droga! – Daniel passou a mão em seus cabelos loiros. – Estou ficando louco!
"Não está. Venha, temos que sair daqui, forças da lua negra atuam nesse lugar."– a raposa levantou e cavou na neve – "Quero que me siga."
- E por que eu faria isso? Não a conheço, nem ao menos sei se isso é real.
"Estamos perdendo tempo Daniel. Eu sou as respostas que você tanto procura desde que morreu no mundo mortal."
- Se o que você diz é verdade, me diga apenas quem fez isso comigo.
"Eu sou a responsável pela sua atual condição, agora me siga!"– a raposa não hesitou e abriu caminho de volta a clareira onde Daniel ficava.
Furioso a princípio, ele seguiu hesitantemente a raposa, que pulava sobre os galhos e evitava a todo custo o contato com a neve. Chegando ao seu local de repouso, Daniel a viu parar nas margens do lago descongelado. Ele cruzou os braços e esperou por respostas, mas a raposa continuou a fitar o lago. Aquilo o irritou profundamente, agora sabia o responsável de tirar sua vida ao lado de Lili. Levado pela ira, Daniel alcançou uma pedra e a lançou contra a raposa, que desviou no último instante, rosnando para ele.
"Não faça isso Daniel! Não quero o seu mal, pelo contrário..."
- Se não me queria mal, então por que fez isso comigo?? – a voz de Daniel saiu desesperada, quase o fazendo perder o controle. – Você tirou minha vida! Tirou todos de mim!
"Precisamos conversar, você foi o meu escolhido."
- Maldito seja esse dia! – cortou Daniel.
"Observe bem."
A raposa deu alguns passos para frente, afastando-se do lago. Um brilho emanou de seu pelo e o ar começou a ficar mais quente. Um forte remoinho formou-se ao redor do animal, fazendo-o sumir em meio a pequena tempestade. Longos cabelos loiros com mechas brancas surgiram ao redor do redemoinho, seguidos por pernas e braços. Uma raposa pequena deu a forma a uma mulher de pele reluzente. Ela usava um véu transparente para cobrir o abdômen, logo acima vinha uma bata fina branca com alças douradas. Uma longa saia branca pendia em sua cintura, ornamentada com cintos dourados. Em sua cabeça, uma tiara com asas nas laterais a deixavam com um aspecto místico.
- Mas o que? – Daniel estava boquiaberto, não acreditando no que acabara de ver .– Que droga...
- Olá Daniel, me chamo Solária – a mulher caminhou até ele, seus pequenos pés derretiam a neve quando ela pisava.
- O que é você?
- Sou uma deusa antiga – ela agitou as pálpebras, mostrando seus cílios enormes. – Eu sou Luz.
- Uma deusa antiga? – indagou. – Deuses não existem, apenas Deus. Aliás, esse também já acho que não exista.
- O Trono existe Daniel, sou como um anjo. Tenho responsabilidades no setor que domino, somente pessoas que manifestam algum tipo de magia, ou descendência angelical no sangue, quando morrem suas almas são enviadas e designadas para vários setores – ela pendeu a cabeça para o lado e suspirou. – Seja para luz ou para fúria.
- Espere, espere – Daniel sacudiu as mãos no ar. – Você ainda não me disse a parte em que entro nessa história idiota.
- Eu contarei, mas quero que me prometa que não fugirá do seu compromisso. – Solária assumiu uma expressão séria.
- Compromisso? Que compromisso? Não quero nada de você a não ser toda a verdade...
- E terá – ela o interrompeu. - Mas somente se me ouvir e selar o contrato.
- Eu só quero a verdade – Daniel estava furioso com aqueles rodeios. A deusa nada fez, apenas o observou com desaprovação. – Me diga a verdade! Por que fez isso comigo?
- Porque você foi meu escolhido para protege-la, e sabe por que? – ele negou com o silêncio. – Porque você tem descendência angelical. Você provou ser um bom homem durante toda sua vida, agora precisa deixar o passado para trás e seguir com seu novo propósito.
- Que propósito? – aquilo era totalmente surreal para ele, mas finalmente estava encontrando a verdade.
- Protegê-la. Venha aqui Daniel! Rápido, venha! – ela ordenou.
Relutante, ele foi até a deusa, que teve de erguer o rosto para vê-lo melhor. Os olhos de Solária eram cor de mel com nuances de lilás. A pequena boca rosada se abriu num sorriso cheio de dentes brancos e enfileirados. O corpo pequeno a fazia parecer uma boneca de porcelana, e os longos cabelos pendiam até embaixo da cintura. Segurando o rosto de Daniel, ela o puxou para um beijo quente. Suas mãos agarraram seu casaco quando ele tentou dar um passo para trás. Por mais que a deusa fosse linda, seu coração pertencia a outra. O beijo foi rápido e molhado, uma vibração forte começou a emanar no corpo de Daniel. Ele passou as mãos nos braços, sentindo um repentino frio.
- O que você fez comigo? – balbuciou.
- Bem, isso pode acontecer – Solária passou as mãos nos lábios. – Mas se sentirá melhor.
- Não... – Daniel cambaleou para o lado, sua visão ficou turva. – Você fez alguma coisa comigo...
- Entenda, isso foi necessário. Eu sei que você é bem teimoso, vamos conversar em outro lugar. Forças de Shaya atuam por aqui.
- Não, por favor, me deixe em paz – ele tombou no chão, sua última visão foi dos pequenos pés da deusa caminhando em sua direção. – Sua... sua, maldita.
Daniel fechou os olhos e adormeceu profundamente, exatamente como Solária queria. Aquele lugar não era apropriado para uma conversa importante, nem mesmo para selar o trato que não foi concluído porque ele afastou-se do beijo. Ela ajoelhou-se até ele e deitou a cabeça em seu peito, sentiu a respiração que começava a ficar mais leve, à medida que o encantamento fazia efeito. Daniel soltou um resmungo alto, fazendo-a cambalear para trás por causa do susto, caindo com o traseiro no chão. Sentiu-se boba por levar um susto daqueles, afinal, era uma deusa, o nível mais alto que o Trono poderia dar para um descendente de nefilin. Sentia orgulho de si mesma, pois o Criador lhe depositara sua maior confiança.
Ela engatinhou até Daniel, que ainda resistia ao sono e murmurava palavrões contra ela. Quando finamente adormeceu por completo, Solária levitou o corpo pesado de Daniel e o abraçou com cuidado, sentindo seu cheiro de hortelã e terra molhada. Inspirou profundamente e quase se entorpeceu, mais uma vez sentiu-se boba por fazer aquilo. Seu rosto esquentou quando achou ter ouvido Daniel murmurar seu nome. Mais uma vez amaldiçoou-se por se deixar levar por sensações tão mundanas. Terminando de posicionar o corpo dele sobre seus braços, ela fechou os olhos e concentrou-se em abrir o portal para a terra dos anjos, a terra de Lumen.
O portal abriu-se como um buraco de minhoca, engolindo Solária e Daniel no contínuo espaço-tempo. Eles viajaram para a terra de Lumen, onde o universo da luz vivia paralelo ao universo da fúria, causando um equilíbrio entre a alma do ser humano. Gritos ecoaram ao longe, onde as almas eram punidas ou tornavam-se meros servos da fúria. Passando escondida pela dimensão sombria, Solária avançou como um vulto branco pelo portal dos caídos, anjos renegados e exilados. Chegando a Lumen, ela foi recebida por Lírica, uma ichim, anjos do fogo.
- Bem-vinda de volta Solária – a ichim curvou-se diante da deusa, observando com curiosidade o corpo de Daniel adormecido em seus braços. – Quem é o convidado?
- Meu enviado Lírica – a ichim de cabelos louro-alaranjado e olhos laranja ergueu uma sobrancelha ao ouvir aquilo. Percebendo sua reação, Solária explicou-se. – Tive que trazê-lo, ele não entende o que está se passando. Tentei explicar tudo, é claro, mas ele não quer me ouvir. Ainda está muito ligado à sua vida como mortal, ele não para de me chamar de maldita, Lírica!
- Como ele se chama? – a ichim caminhou até o corpo de Daniel e o olhou mais atentamente.
- Temos que levá-lo para minha base – Solária apressou-se em dizer, quase tropeçando nas palavras.
- Você ainda não me disse o nome dele – Lírica lembrou.
- É Daniel, Daniel Scott – murmurou a deusa.
- Não foi tão difícil, foi? – Lírica voltou a arquear a sobrancelha e sorriu. – Você está estranha, mas depois vai me contar tudo, você sempre faz isso. Vamos lá, me deixe ajudá-la a levar o garoto para a base.
- Obrigado Lírica – Solária lançou seu sorriso mais doce para a ichim. – Vamos logo com isso!
Juntas, elas levaram Daniel para a base. A base de Solária tinha uma estrutura imponente, rodeada por uma imensa muralha e árvores gigantesca. Seus galhos estendiam-se para todos os lados, suas folhas enormes e viçosas davam ás árvores um aspecto celestial. Aquela era a base de Solária, não onde vivia, mas onde executava suas tarefas e ordens. Um grande portão prateado surgiu quando elas se aproximaram, logo em seguida dois querubins prostraram-se diante delas, assumindo uma forma defensiva. Lírica fez careta para os querubins, que mesmo conhecendo Solária, ainda insistiam em não deixa-la passar sem a identificação.
- Saia da frente Uziel – rosnou Lírica, olhando para o querubim de olhos azuis e cabelos negros. – Sabe quem somos nós.
- Só estou fazendo o que me designaram, Lírica – ele não desviou o olhar da ichin, que bufou ao ouvir mais uma vez aquela frase.
- Por favor, estenda sua mão deusa Solária – falou o querubim de pele negra e longos cabelos pretos. – Preciso saber se você não é nenhum impostor.
- Tudo bem Fanuel – a deusa estendeu o corpo de Daniel no chão, que ainda roncava muito alto, deixando-a constrangida quando os querubins entreolharam-se.
- Quem é ele? – perguntou Uziel, olhando para o corpo inerte no chão.
- Assuntos desse tipo não lhe dizem respeito! – guinchou Lírica, fazendo uma careta para o querubim.
- Pare com isso Lírica, ele só fez uma pergunta e não faz mal responder – a deusa olhou para o querubim curioso e abriu um sorriso. – Ele é meu escolhido.
- Ele não me parece muito bem – preocupou-se o anjo.
- Eu sei, mas ele vai sentir-se melhor quando acordar. Precisei fazê-lo dormir, é mesmo um teimoso.
- Tudo bem, pode prosseguir Solária. Me desculpe pelo incômodo, só estou cumprindo ordens – desculpou-se Fanuel.
- Entendo, agora vamos Lírica. Daniel precisa descansar para ficar mais calmo, vamos fazer algumas mudanças nele, o que acha?
- Eu acho ótimo – a ichim passou pelos querubins fazendo uma careta para Uziel, que a ignorou e sumiu junto com o portão prateado.
O grande salão dentro da base era magnífico. Paredes brancas predominavam o lugar e grandes lustres reluzentes de cristais pendiam no teto banhado pela luz do sol. Tiras de nuvens pairavam pelo recinto, quase tocando o chão. Uma pequena mesa de vidro redonda flutuava no centro do salão, e um caderno branco pendia acima dela. Elas puseram Daniel numa cama redonda feita de nuvens branquíssimas e aconchegantes. Depois de cortarem os cabelos loiros de Daniel, que já batiam nos ombros, elas cerraram suas unhas e tiraram suas roupas e o levaram para o pequeno lago no vale atrás da imensa base.
- Uau! – exclamou Lírica ao ver o peito de Daniel movimentar-se lentamente quando respirava. – Você soube escolher bem.
- Como assim? – indagou a deusa, retirando os sapatos dele.
- Ah Solária, vamos lá! – a ichim soltou uma gargalhada. – Ele é mais gostoso que Uziel!
- Ah! – Solária corou com aquele pensamento, o que fez a amiga rir mais ainda.
- Você é muito ingênua quando o assunto se trata de rapazes – Lírica ajoelhou-se sobre Daniel e juntas levaram o garoto para o lago.
- Talvez sim, mesmo sendo a mão direita do Trono. Ás vezes me sinto boba quando penso sobre isso, com tantas coisas para fazer...
- Corte essa, você sabe que podemos nos materializar em nossos avatares e descer para o mundo mortal! – cortou Lírica.
- Isso é proibido! – censurou a deusa.
- Já fiz isso tantas vezes, e você sabe disso. Mesmo assim não tratou de me punir, acho que é porque você faz a mesma coisa.
- Isso não é verdade, fiz apenas algumas vezes e foi para escolher meu enviado! – defendeu-se.
- Ele tem descendência angelical, ou outra coisa?
- Sim, seu pai era um arcanjo – Lírica assobiou ao ouvir sobre o pai de Daniel. – Ele se chamava Kairos, agora é um exilado.
- Por que? – indagou a ichim.
- Porque ele não devia ter se envolvido com a mãe de Daniel.
- Ah certo, você vai tirar a maldição de sangue suga dele não vai?
- É claro, não tinha outro jeito, ele iria tornar-se um caído depois de morto, já que eu não pude trazê-lo para Lumen de imediato – explicou-se Solária. Ela não teve escolha, Daniel tornou-se um caído após sua morte.
O banho de Daniel foi rápido e eficiente. Sua pele bronzeada estava reluzente sobre a água cristalina. Os cabelos loiros estavam aparados e brilhantes, mas ele ainda dormia e roncava profundamente. Depois de cobri-lo com toalhas de algodão, as aladas o levaram novamente para a nuvem redonda. Lírica se foi ao pôr-do-sol, deixando a deusa sozinha com seu escolhido. O grande caderno branco veio para suas mãos quando ela meneou o dedo em sua direção. Lá havia o número de pessoas que morreram nas terras mortais, mas apenas apareciam os nomes das quais tinham descendência angelical ou eram nefilins.
Ela passou o dedo sobre a caligrafia perfeita e dourada, enviando cada nome para seu devido setor, no dia seguinte elas seriam designadas para seus lugares e obrigações. Ao terminar de checar o livro, ela parou para observar Daniel, que começava a dar sinais de que iria acordar a qualquer momento. Ela virou-se e mandou o livro de volta para a pequena mesa, quando Daniel deu outro resmungo, esse mais alto que o anterior. Solária pulou da cama e tropeçou em seus próprios pés, caindo com o traseiro no chão. Seu rosto contorceu-se de raiva, aquilo era realente irritante, ele não parava de roncar e falar quando dormia.
- O que? – resmungou Daniel, ainda dormindo. – NÃO! NÃO!
- Que coisa... – murmurou Solária, ainda sentada no chão.
- EI! Mas que droga... – Daniel acordou ainda grogue, sentiu a textura dos lençóis e tentou voltar a dormir. – Que lugar é esse...
Solária ficou imóvel, seu corpo ficou tenso e sentiu a palma das mãos suarem. As palavras não vieram a sua boca, ela umedeceu os lábios e preparou-se para falar, mas não a tempo de ver Daniel observá-la de cima da cama.
- Você de novo? Que lugar é esse? – ele saiu da cama e foi até Solária, que ainda permanecia imóvel no chão. – Me diga, maldita!
Daniel a ergueu pelos braços e sacudiu seu pequeno corpo para frente e depois para trás. Solária ficou tonta e tentou se soltar, sabia que podia, mas não sabia se queria.
- Me escute Daniel! – guinchou. – Assim fica difícil conversar!
Ele a soltou e afastou-se, a toalha branca ainda pendia em sua cintura. Seu peito arfava pelo momento de raiva. Solária olhou para as marcas vermelhas em seus braços, ele era realmente forte, mas não sabia o quanto. Depois de convencer Daniel a vestir uma roupa primeiro, eles sentaram-se no parapeito mais alto da base de Lumen e finalmente conseguiram conversar sobre tudo. Sobre o Trono, Shaya e a divisão do mundo no universo paralelo. Agora ele sabia, ele sabia que poderia voltar para Lili.
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