[🦋] Unique

        Jennie levou o celular próximo ao ouvido e pela quinta vez, pôde ouvir a secretária eletrônica repetir a mensagem que por sinal já havia decorado.

        Caixa postal. 

        A Kim não estava surpresa, mas, frustrada, não era a primeira vez que Jongin ignorava suas chamadas. Isso fazia com que ela sentisse seu coração sendo esmagado.

        Por quê? 

        Se perguntava, mas claramente não tinha resposta. Sentia o peso das consequências de amar em seu coração e isso perturbava sua mente. Jennie sabia que não deveria ter se envolvido nisso e que amor era uma "roubada". Entretanto, que garota no auge dos vinte e poucos anos pensaria dessa forma? Algumas até poderiam, mas esse não foi o caso da Kim. 

        Jennie se jogou na cama sentindo falta de Jongin. Não havia ligação ou mensagem e Jennie se sentiu brava, magoada e insuficiente, sabia que o namorado provavelmente estava se divertindo por aí, sem ela e quando estivesse cansado, iria até seu apartamento e inventaria as melhores mentiras para acalmá-la.

        E mesmo sabendo que não era sincero, Jennie aceitaria e se permitiria ser iludida desde que isso acalmasse o seu coração e lhe trouxesse Jongin. Mas, justamente hoje estava se sentindo bastante cansada de todas as suas mentiras e de esperar por ele, então questionou-se sobre o que deveria fazer já que ele a deixou sozinha. Chegou a conclusão de que deveria fazer o mesmo: se divertir. Se Jongin podia fazer isso, porque ela não? 

        Jennie correu para o seu closet e escolheu a melhor e mais cara vestimenta, o melhor par de sandálias e se esforçou para que fizesse a melhor maquiagem. Finalizou arrumando os cabelos castanhos e se olhou no espelho, estava muito bonita e apesar de seu semblante não ser o mais feliz, pôde admirar o quão bela era. 

        Estava pronta para sair, hoje será "A Noite".

        E ela só não imagina que também será a noite em que deixará o casulo, cujo Jongin mantêm sob seu poder e se transformará na mais bela borboleta. Livre e pronta para fazer seu vôo solo. 

        Há muito se manteve sob o poder do rapaz e isso limitou sua vida, fazendo com que Jennie se afastasse do trabalho de modelo fotográfica que ela tanto amava. Foi uma das decisões mais erradas que a Kim tomara para agradar Jongin, este, que não gostava da ideia de vê-la próxima a outros modelos, sendo uma mulher independente e com muitos contatos. No fundo, ele sabia que isso impediria que ele a tivesse em suas mãos.

        Então Jennie deixou de ser Jennie Kim, a modelo em ascensão para ser somente a garota do Jongin. Perdendo sua identidade. E mesmo com tudo que fizera por ele e o amor que ela sentia, não era suficiente.

        A mulher se olhou no espelho novamente e sorriu e não deixou de notar o quanto seu sorriso era vazio e sem alegria. Estava bonita, mas que diferença fazia? Jennie claramente não estava feliz. 

        Deixou isso de lado e ligou para a recepção do luxuoso condomínio onde morava e pediu que que lhe chamassem um táxi, pois iria se divertir e não poderia dirigir. Precisava beber sem se preocupar em como voltaria pra casa. 

        Jennie estava encarando a situação de forma errônea e sabia disso, era infantil e perda de tempo devolver na mesma moeda. Ela sabia, no entanto, foi só no que conseguiu pensar naquele momento.

        Quando o elevador chegou ao térreo, caminhou fazendo o barulho dos seus saltos caros ecoarem pelo lobby do prédio, se curvou educadamente ao funcionário da recepção e deixou o lugar notando que o táxi já lhe esperava.

        — Boate Lips, por favor. – Disse calmamente assim que entrou no automóvel e se ajustou.

        O homem já de meia idade assentiu, era noite de sexta e claramente é comum jovens irem para boates. Jennie se sentia ansiosa por aquela noite, por mais que se sentisse triste e infeliz por causa de seu namoro ridículo, decidiu que iria deixar isso de lado e se divertir. 

        O trânsito estava tranquilo e Kim chegou rápido na boate, não ficava tão longe de onde ela morava. Pagou pela corrida e desceu do veículo encarando a fila que se formava em frente a boate, as pessoas estavam sedentas para adentrar o local, mas, Jennie não precisava encarar filas, ela ainda era a modelo Jennie Kim e embora não soubesse ou só não se lembrasse, a mulher tinha presença e influência. Tudo fruto de seu trabalho duro. 

        Aproximou-se do segurança que já a conhecia e acenou, o homem sorriu ao reconhecê-la e logo permitiu sua entrada, não importava o lugar, Jennie sempre era tratada como vvip. 

        Caminhou até a área vip e foi surpreendida ao encontrar antigos colegas de trabalho. Entre eles, Irene Bae, uma das modelos com quem havia feito alguns ensaios, mas, acabou por se afastar quando decidiu fazer a pausa. E claro, também por causa de Jongin que implicava com suas amizades.

        — Jennie Kim!

        — Irene! 

        A mulher exclamou tão animada quanto a outra ao vê-la e logo se abraçaram, o que fez Jennie se sentir um pouco melhor, porque ter alguém conhecido ali fazia toda diferença, seria péssimo ficar sozinha em uma boate. 

        — Garota, você desapareceu! O que houve?

        — Longa história, unnie… 

        — Eu ouvi algumas coisas através de outras pessoas… Você tá bem?

        Jennie encarou Irene com estranheza, o que ela tinha ouvido? A Kim tinha uma certa preocupação com relação a boatos.

        — E o que foi? – Irene suspirou quando a outra perguntou, mas era muito sincera e não esconderia de Jennie.

        — Me disseram que foi por causa do seu namorado e infelizmente ouvi algumas coisas não muito legais sobre ele, sobre o que ele anda a fazer por aí...

         Apesar da sinceridade, Irene não estava tão feliz por ter que falar aquilo à Jennie. A garota poderia acabar ficando brava com ela. 

        — Provavelmente é tudo verdade. – Seus olhos se encheram de lágrimas, mas Jennie não as deixou cair.

        — Então sou obrigada a lhe dizer que você merece muito mais do que isso, Jen. 

        — Obrigada, Irene. 

        A Kim queria chorar, mesmo que Irene não tivesse lhe dado detalhes sobre Jongin, ela já sabia sobre o que a Bae se referia porque era algo que ela já havia percebido ao que se referia sobre o fato dele ser um namorado abusivo, mesmo que ainda não tivesse encontrado forças o suficiente para deixá-lo. E também desconfiava que ele a traía, na verdade, tinha certeza.

        — Não fique triste, você veio aqui para se divertir. 

        Irene segurou em uma de suas mãos e lhe puxou para a pista de dança. Além disso, deixou claro o quanto Jennie fazia falta naquele mundo e que ela deveria voltar logo, faltavam modelos com a sua essência e mesmo sem admitir ouvir a Bae animou Jennie e a fez sentir ainda mais falta do trabalho.  

        Jennie tentou se divertir e dançou o máximo que podia ao lado de Irene e por um momento ela foi capaz de esquecer o caos que estava seu relacionamento e seus sentimentos, e se sentiu animada como não se sentia há algum tempo. Talvez fosse a liberdade de poder ser ela mesma, de se preocupar somente consigo, somente com o que ela iria achar e não com o que Jongin acharia e pensaria. Era bom se preocupar com o que ela gostava e não com o que ele gosta. 

        Naquele instante se cansou de dançar e decidiu pegar outra bebida, atravessou a pista de dança depois de avisar a Irene. Jennie caminhou devagar enquanto desviava de algumas pessoas e enfim se deparou com a cena que por vezes criou em sua mente quando Jongin sumia: Jongin beijando outra mulher. E essa cena foi o estopim e a motivação para que Jennie mudasse finalmente e criasse coragem para terminar tudo.

        Embora a dúvida sempre pairasse sobre a cabeça de Jennie, ver assim, ao vivo e a cores, lhe chocou. A mulher não esperava tal atitude do rapaz depois de tudo que havia feito, confiava que ele ao menos a respeitaria. 

        Quando o viu, não fez nada porque não conseguiu reagir. Se virou de costas sentindo as lágrimas quentes escorrerem por suas bochechas enquanto seu coração era esmagado dentro do seu peito. Caminhou até o banheiro da boate, de maneira alguma queria chorar ali na frente de tantas pessoas. 

         Entrou em uma das cabines e se permitiu chorar, a música era alta o suficiente para abafar qualquer barulho que seu choro fizesse. Então Jennie chorou o suficiente e tentou se acalmar. Precisava estar calma antes de sair dali, quando finalmente se sentiu menos atordoada saiu e, foi em direção a pia. A Kim se olhou no grande espelho a frente e viu que sua maquiagem estava borrada, seus olhos inchados e seu nariz vermelho. 

        Encarou seu reflexo por algum tempo e fez uma rápida retrospectiva da sua vida depois de conhecer Jongin,que agora era seu ex. E enfim Jennie percebeu que perdeu mais do que ganhou naquela relação e que, não era feliz porque tudo que fez por ele não agradava ela e não era pensando nela, era somente por ele. E ela se amava e  não achava justo se prejudicar tanto para agradar alguém. Não era justo passar por cima de suas vontades e ideais para agradá-lo, principalmente quando ele sequer é capaz de respeitá-la.

        A situação havia chegado ao seu ápice e ultrapassado todos os limites e Jennie finalmente acordou para a realidade:

        Era hora de seguir sozinha, porque aquele homem que amava não lhe merecia.

        Jennie limpou a maquiagem borrada e tentou parecer o mais apresentável possível, não choraria mais por Jongin, aliás, não choraria nunca mais por qualquer homem. Jongin não merecia Jennie Kim e nem ele ou qualquer outro eram dignos de suas lágrimas.

        Respirou fundo e deixou o banheiro a passos largos até onde o rapaz estava. 

        — Kim Jongin! – Chamou seu nome de maneira ríspida, fazendo o rapaz dar um pulo enquanto procurava pela dona da voz. Jongin estava recostado no bar da boate e mantinha suas mãos na cintura de uma mulher que Jennie não conhecia, mas, pela roupa reconheceu ser a mesma que ele beijava minutos atrás. A Kim ergueu o braço e acenou, fazendo com que ele finalmente a visse. 

        — Jennie?!

         Jongin se afastou da mulher imediatamente logo que seus olhos encontraram os de Jennie. A mulher caminhou para mais próximo dele e arrancou com um puxão o colar que ele lhe deu em comemoração aniversário de namoro e ohou uma última vez para a jóia antes de jogá-lo no homem. Não iria falar nada ou sequer fazer um escândalo, esperava que somente com isso ele entendesse que era o fim da linha. 

        — Por favor, não apareça na minha frente nunca mais porque eu não tenho tempo para lidar com um fracassado como você. – Jennie se virou majestosamente sem lhe dar a oportunidade de resposta e voltou a caminhar. 

        Antes de ir embora se despediu de Irene rapidamente e sem explicar o que havia acabado de acontecer, mas, prometeu que ligaria para garota e contaria tudo. 

        Jennie se dirigiu para fora da boate e acenou para o primeiro táxi que viu, se sentiu aliviada quando  o veículo parou e ela pode entrar rapidamente. Fechou a porta enquanto ouvia Jongin chamando pelo seu nome e com todo prazer, o ignorou. Então sentiu o celular vibrar em suas mãos quando o táxi já havia deixado o lugar.

        — Agora você está me ligando, huh? – Sussurrou e também ignorou a chamada, desligando o celular em seguida.  

        Quando chegou no condomínio deixou explícito que fosse proibida a entrada de Jongin, ele não teria mais liberdade e acesso ao seu apartamento, tão pouco a sua vida. Agora seria somente ela e ela mesma. 

        Ao entrar em seu apartamento fez questão de juntar todas as coisas que tinha de Jongin, tanto os pertences do rapaz que havia ficado lá, quanto os presentes que ele lhe deu, iriam todos para o lixo, queria se livrar de qualquer coisa relacionada ao rapaz. Jennie não estava preocupada se aquelas coisas eram importantes ou não pra ele, pois, se Jongin não considerou seus sentimentos enquanto a traía, por que ela devia considerar o seu apego por seus pertences? 

        Colocou tudo em uma caixa e ligou para a recepção solicitando ajuda de algum dos funcionários para se livrar daquilo. Quando terminou de o fazer, pegou seu celular, sabia que já estava tarde, mas, estava tão decidida naquele momento que precisava fazer aquela ligação.  

        Discou o número do seu manager, o homem atendeu no segundo toque. 

        — Minjoon-ssi, avise ao presidente que eu estou pronta para fazer o meu retorno.


❝Como o vento que flui
Como as estrelas acima das nuvens
Eu quero ir longe, eu quero brilhar intensamente

Agora em câmera lenta
Brilhando sozinha
Eu estou indo sozinha ❞ 

Jennie, Solo

»»»»

ooi babies, tudo bem? decidi revisar e reescrever essa oneshot porque já faz um tempo que me sinto incomodada e também, porque pretendo postar o bônus de 1k em breve (sim, sei que já devia ter postado mas ok kkk).

enfim, espero que tenham gostado mesmo com as pequenas alterações (quem já leu) e quem tá lendo pela primeira vez também.

e lembrem-se sempre de nunca deixar que alguém decida como você deve viver a sua vida, nem que impeça que você siga seus sonhos. não aceitem menos do que vocês merecem e lembrem-se sempre de que são incríveis e merecem o mundo.

obrigada por ler e pelo 1k, amo vocês. XOXO 💕💕💕

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top