OVNIs e Espiões e Cenas

Kai espiava a janela de Kalina através dos arbustos. A loira dançava a contra luz, entrando e saindo da moldura ao ritmo das tarefas noturnas.

Ao longe, sobre os campos, surgiram as luzes vigilantes que a melhor amiga tinha descrito com receio. Era um OVNI, só podia! Há anos que os estudava a fundo e só agora os conseguia testemunhar.

Desligou os airpods com o aproximar das luzes.

Mas que raio era aquele zumbido?

Tentou ver o objeto voador, mas não conseguiu perceber como era, nem mesmo seguindo as luzes contra o céu limpo. Seria duma espécie alienígena diminuta? Todos defendiam que o contacto se daria com criaturas de tamanho equiparável ao humano ou até maior. Mas e se os aliens fossem tão pequenos que as suas naves zumbissem como mosquitos e que o olho humano tivesse dificuldade em detetá-los?

As luzes circundaram a casa três vezes. Quando os residentes se deitaram, mergulhando o interior no breu, o objeto voador afastou-se. Kai, preparado, pedalou em perseguição.

Uma pradaria isolava a casa do mundo. Kai seguiu a estrada que a cortava, os olhos ávidos sempre a fugir para os luminosos pontos coloridos.

Quando estes pararam e desceram, Kai travou de repente, os pneus a derrapar na terra. O som era agora estupidamente evidente.

À sua frente estava Martin, a recolher o drone que ganhara no Natal. Aquele que, aparentemente, usava para espiar a Kalina em sua casa.

O sangue de Kai ferveu. Haveria um desastre aéreo em breve.

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