Cap.II: Chegada.
"Muitas vezes, as mudanças que ocorrem em nossas vidas não são fáceis e leva tempo para nos adaptamos a elas, mas a boa notícia é que se dermos uma chance, podemos nos surpreender."
Pelo menos... era isso o que tio Vitor sempre dizia, e era exatamente nisso que eu pensava, enquanto sentia os raios de sol esquentando levemente minha pele. Porém, após alguns minutos apreciando a brisa suave e as flores de cerejeira que caiam com delicadeza de seus galhos, senti o táxi em que estava desacelerar lentamente.
– Já chegamos senhorita. – informou o taxista, conferindo o endereço e parecendo levemente confuso. – Desculpe perguntar, mas... é aqui mesmo que deseja ficar?
– Sim, senhor. – respondi tranquilamente, enquanto descia do carro. – Muito obrigada por me trazer até aqui. – agradeci pegando minhas malas, e pagando o motorista logo em seguida.
– Imagina... Foi uma honra conhecê-la e espero que seu futuro seja brilhante, senhorita. – respondeu ele, com um leve sorriso.
Agradeci pelas gentis palavras que me foram oferecidas e após a partida do táxi, comecei a andar tranquilamente, porém a cada minuto que se passava, mais carros e limusines luxuosas apareciam, trazendo cada vez mais jovens ao instituto.
Porém, minha atenção se voltou rapidamente para a entrada do instituto onde três seguranças escoltavam dois garotos e um senhor, os "convidando" a se retirarem do local. Entretanto, o senhor aparentava estar em total desespero, assim como os dois garotos.
– Maldição!!! Eu não passei na prova de avanço! – lamentou um dos garotos em prantos.
– Já era!!! Minha vida acabou!!! – gritou o outro, completamente desolado.
Mas o que mais chamou a minha atenção mesmo, foi o senhor que estava agarrado ao segurança, se ajoelhar diante do mesmo, completamente desesperado.
– POR FAVOR, EU IMPLORO!!! EU VOU DOAR 10 MILHÕES! NÃO, 20 MILHÕES!!! SÓ VOLTE ATRÁS NA EXPULSÃO DO MEU FILHO!!! POR FAVOR, EU IMPLORO!!!
Mas o que raios estava acontecendo?!
Eu não podia acreditar nisso... Um aluno havia sido realmente expulso do Instituto e o seu pai, agora, estava tentando "convencê-los" dizendo que simplesmente "doaria" dinheiro a instituição se eles voltassem atrás na expulsão dele! Como isso podia ser possível?
Ainda assim... Embora aquela fosse uma atitude vergonhosa, eu me perguntava internamente o que o filho daquele senhor havia feito de tão grave para merecer ser expulso.
Porém, antes mesmo que eu pudesse descobrir, sou acordada de meus pensamentos ao sentir alguém tocar em meu ombro. Um dos seguranças havia se aproximado e segurava uma pequena prancheta em suas mãos.
– Com licença, a senhorita por acaso é uma das candidatas a transferência do Instituto Tootsuki? Por acaso está perdida? – perguntou ele, calmamente.
– Sim, senhor. Meu nome é Izzy Cortez, meu pedido de transferência foi feito pelo meu tio, Vitor Cortez. - expliquei, enquanto ele procurava algo em uma prancheta.
– Ah, sim. Seu nome está aqui, de acordo com as nossas informações, a senhorita veio de Nova York. – murmurou, ao encontrar minha ficha. – É um prazer recebê-la e lamentamos que tenha presenciado tal cena. Por favor, dirija-se ao portão norte para realizar o exame de admissão.
– Ok, obrigada. – agradeci, recebendo em seguida um mapa do instituto e vendo o segurança se afastar, dirigindo-se a outro possível aluno.
Enfim, sem mais nenhuma informação, atravessei os portões do instituto e comecei a caminhar pelo local, me deparando com uma enorme praça, repleta de árvores que balançavam seus galhos frondosos, fazendo sombras aqui e ali.
E embora aquela área fosse enorme, também era possível ver um enorme edifício logo mais a frente e vários jovens andando de um lado para o outro, provavelmente procurando a sala onde seria feito o exame de admissão.
Com isso em mente, comecei a procurar nos documentos que havia trazido comigo, a sala em que deveria prestar o exame, quando de repente acabo esbarrando em alguém.
– Ah, me desculpe, eu não vi você. – disse rapidamente, reparando que havia esbarrado em um jovem garoto de cabelo vermelho e olhos claro.
– Não se preocupa, tá tudo bem. – afirmou com um leve sorriso. – Mas você não é daqui, né? – indagou, curioso.
– Na verdade, não. Eu sou de Nova York, mas vim tentar entrar nesse instituto a pedido do meu tio. – comentei, meio sem graça. – Aliás me desculpe se meu japonês estiver ruim ou meio esquisito, ainda estou praticando. – confessei, vendo o jovem rapaz sorri.
– Que nada! O seu japonês está ótimo, o que me pegou de surpresa mesmo foi o fato de você ser de Nova York. Meu velho foi pra lá recentemente. – afirmou ele, de repente parecendo meio irritado.
– Desculpe, eu nem me apresentei... Me chamo Izzy, Izzy Cortez. – disse, o cumprimentando. Vendo-o sorrir novamente.
– Sou Yukihira, Soma Yukihira. É um prazer te conhecer, Izzy.
– Digo o mesmo, Soma-kun. Aliás, em qual sala você vai fazer o exame de admissão? – perguntei, curiosa.
– Hmm... Deixe-me ver. – murmurou ele, pegando algum documento do bolso. – De acordo com isso... Na sala A, prédio 3. E você?
– Eu também! – comentei, após dar uma breve olhada na minha ficha. – O exame provavelmente vai começar daqui há 20 minutos. – informei, enquanto andava ao lado dele.
– Ah, então vocês também vão tentar a transferência? – indagou um jovem rapaz de cabelos castanhos claros, que estava sentado em um banco de madeira, tomando uma xícara do que provavelmente seria chá. – Por favor, sentem-se. – convida ele, enquanto observava ao redor, vendo cada vez mais alunos e candidatos por ali. – Com o início do colegial e as provas de admissão para os alunos de fora, como nós, a escola está bem agitada. – informou ele. – A propósito, sou Nikaido Yoshiaki, minha família tem um restaurante francês.
– Que coincidência... também temos um restaurante. – afirmou Soma, se sentando no banco ao lado de Nikaido, enquanto eu preferi continuar em pé.
– Não acho que seja coincidência. – comentou o rapaz, apontando discretamente para os outros candidatos. – Aquele ali é herdeiro de uma rede nacional de restaurantes, já a família daquele ali tem um atacadista de frutos do mar na região de Kanto. Aqui, a culinária corre no sangue de quase todo mundo. – explica ele. – E como se chama o restaurante de vocês?
– Ah.. O restaurante da minha família é o Yukihira. – respondeu Soma, alegremente.
– E meu tio e eu administramos um pequeno Café em Nova York. – admiti.
– Entendi, então você possui um restaurante de culinária típica japonesa e a senhorita um restaurante especializados em pratos americanos.
– Ah não, não somos tão chiques assim! – corrigiu Soma.
– Nós temos um pequeno restaurante lá no centro... – respondi brevemente, sendo interrompida ao ver Soma sendo derrubado do banco. – Soma!!! - exclamei, indo até o mesmo e o ajudando a se levantar. – Você é doido? Por que fez algo assim?! - indaguei, enquanto observava Nakaido, que apenas se levantava, nos encarando de volta.
– Eu é que pergunto... Como vocês se atrevem a se sentar do MEU lado, SEUS PLEBEUS DE BAIXA ESTIRPE!!! - grita ele, furioso, como se tivesse sido ofendido. – Ouçam bem, os dois... Essa academia não é para o seu tipo! Este é um local sagrado para o aprendizado do mais alto escalão da indústria alimentícia! Essa é a Academia de Culinária e Cerimônia do Chá Tootsuki!!! Seres medíocres como vocês não deviam nem pisar nesse local!!! – afirma ele.
Plebeus? Nosso tipo? Medíocres?
Quem aquele garoto pensava que era para dizer aquilo?! Eu não sei o porquê, mas meu sangue começou a ferver na hora! Nunca gostei de pessoas arrogantes que se achavam melhores do que as outras só porque tiveram um pouco mais de oportunidades, condições ou chance do que as outras. Aquela até podia ser uma das melhores escolas de culinária do mundo, mas eu não deixaria que nada nem ninguém me humilhasse ou pisasse em mim, muito menos um garoto metidinho a besta!
– E quem você pensa que é pra dizer onde é, ou não, o nosso lugar?! Você só passa do um garotinho mimado e arrogante que se acha o rei da cocada preta só por causa do seu status social, mas na verdade não passa de um idiota metido e insignificante! – gritei de volta, pegando a xícara que ele continha em mãos e jogando todo o conteúdo em cima dele.
– Jovem mestre! – exclamou um dos mordomos preocupados.
– Idiotas como você nunca vão entender o real significado de ser um cozinheiro, nunca vão ver o real valor de um cozinha. E prefiro mil vezes ser uma plebeia do que ter que ficar ao lado de um ser tão fútil quanto você!!! – gritei novamente, pegando o braço de Nakaido e o jogando no chão.
– Vem, Soma! Vamos procurar a nossa sala e fazer o exame de admissão. Nem vale a pena perder nosso tempo com esse tipo de gente. – propus, pegando a mão dele e o puxando para longe dali, andando em direção aos prédios.
Enquanto andávamos, podia ouvir claramente as outras pessoas cochichando e falando sobre nós, como estávamos no lugar errado, que devíamos ir embora ou que não éramos dignos de estar ali. Como se eu realmente fosse me importar com esse tipo coisa.
Como o tio Vitor havia realmente dito, aquela até poderia ser uma das melhores escolas de culinária do mundo, mas infelizmente com isso, devido a sua fama era provável que ela também seria uma das escolas com os alunos mais arrogantes e prepotentes do mundo e havíamos enfrentado apenas o primeiro deles.
Mas uma coisa não me saía da cabeça... Talvez realmente fosse ser mais complicado entrar naquela escola, afinal... se os outros alunos e candidatos já eram assim... então como será que seria nosso avaliador?
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E aí, pessoal? O que vocês acharam do capítulo? Vocês gostaram da atitude da Izzy?
Se gostaram, por favor, sintam-se livres para votar e comentar sobre a fanfic, sua opinião é muito importante e me inspira a trazer novos capítulos.
Obrigada a todos que leram até aqui e até a próxima!!! ^^
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