10: Segredo
Acordei com um cheiro de perfume forte invadiu o quarto, me deixando nauseada. Abri os meus e Sophia está sentada ao meu lado mascando um chiclete de framboesa.
‐ Ainda bem que você acordou, pensei que tinha morrido – ela fez uma bolha com o chiclete e eu a estourei com a minha unha.
‐ Sempre dramática, Sophia.
- Dramática hoje, dramática amanhã e dramática sempre – ela se levantou – Agora levanta e se arruma, que temos que ir ao shopping – Sophia me segurou pelo braço e me puxou para fora da cama.
‐ Eu já vou, eu já vou.
Levantei e fui para o banheiro, tomei um banho rápido, mas o suficiente para tirar o cheiro de Gustavo, que está impregnado em mim. Sequei o meu cabelo com uma toalha de algodão e passei o secador. Quando saí do banheiro, Sophia estava sentada na cama. Entrei no closet e vesti um short jeans curto, com um cropped preto. Calcei meu tênis branco da adidas.
‐ Vamos logo, assim você já pode ir direto para o seu encontro com o Arthur.
‐ Quem disse que é um encontro?
Um incômodo apertou o meu peito e não consegui escutar o que Sophia disse. Me sentei na penteadeira e fiz uma maquiagem básica, coloquei meu brinco de ouro branco e me lembrei dos meus brincos de diamante que deixei na casa do Henri. Sai do closet e Sophia segurou a minha mão e descemos as escadas correndo, seguindo direto para a garagem e entramos no carro, e fomos para o shopping.
- O que aconteceu no banheiro ontem?
‐ Minha menstruação desceu e eu tive que trocar o meu absorvente. Aproveitei para retocar a maquiagem – por minha sorte Sophia não sabe que eu não menstruo há dois anos.
‐ Assim. Eu ia te apresentar um boy novo para você – um sorriso malicioso brotou em seus lábios.
‐ Pensei que você queria que eu ficasse com o Gu! – um calafrio percorreu meu corpo.
‐ Meu irmão é lindo, mas muito babaca para você.
‐ Há, eu gosto dele – Sophia é minha amiga, mas o Gustavo é irmão dele.
‐ Se você não quer que ele se apegue, não diga isso para ele.
Chegamos ao shopping e passamos em várias lojas, comprei poucas coisas já que vou ter que comprar uma nova mala, a que eu tenho não vai dar para levar essas coisas que estou comprando. A minha sorte é que os presentes do Henri ficaram na casa dele. Fomos para a praça de alimentação e eu peguei uma porção de sushi e Sophia entrou na fila de algum fast food qualquer.
Peguei o meu celular e mandei mensagem para a minha mãe, contando para ela todas as minhas aventuras nos Estados Unidos. Respondi à mensagem de Henri, que tem uma foto do seu Waffle, anexada. Comi um hot roll, padaria distrai as a minha vontade de comer Waffle. Quando Sophia chegou, eu já tinha comido metade dos meus sushis.
Quando minha amiga acabou de comer, fomos a mais algumas lojas e voltamos para casa. Tomei um banho demorado, deixando a água escorrer pelo meu corpo, deixando leves queimaduras na minha pele. Escovei o meu cabelo e escovei os meus dentes. Vesti uma lingerie branca e coloquei um Body bori preto, junto com uma calça jeans cintura alta. Coloquei uma jaqueta de couro e calcei um Louboutin preto.
Fiz uma maquiagem básica e desci para a sala de estar. Me sentei ao lado da Sophia que está assistindo uma série na Netflix. Peguei o meu celular e respondi a minha mãe, que queria saber o motivo de eu voltar para casa mais cedo e eu queria falar a verdade, mas não quero deixar ela preocupada com a minha segurança. Também tem o fato do meu pai ter diminuído o limite do meu cartão, já cansei dos meus pais brigando quando estavam juntos e não quero eles brigando agora separados.
Quando a campainha tocou, Gustavo se levantou rapidamente e abriu a porta. Eu e Sophia nos viramos para trás juntos. Assim que vi Arthur, me levantei e despedi de Sophia com um beijo na bochecha, para Gustavo foi com um aceno na cabeça. Sai da casa e Arthur segurou a minha cintura e fomos até o seu carro.
Ele abriu a porta, para mim e eu entrei, colocando o cinto de segurança. Quando chegamos no Central Park, Arthur segurou a minha mão e começou a andar, conversando sobre sua vida nos Estados Unidos e como estava sendo trabalhar aqui. Compramos um sorvete de casquinha e nos sentamos embaixo de uma árvore.
‐ Queria que isso fosse um açaí bem recheado e cremoso – continuamos a nossa conversa.
‐ Com certeza, o açaí do Brasil é bem melhor do que os daqui. Não tem gosto e zero recheio – olhei para seus lindos olhos azuis – Quando você vai voltar para o Brasil?
‐ Tô pensando em ir para lá, nas minhas férias – seus olhos se iluminaram – Já estou com saudade da minha mãe e da minha irmãzinha.
‐ Ela está linda e fofa. Sua mãe vai lá para casa e a Clara invade o meu quarto, além de me implorar para eu deixar ela me maquiar.
‐ Espero que ela saiba maquiar, porque seria uma tristeza estragar esse rostinho lindo.
‐ Vamos dizer, que eu posso sair com os olhos vermelhos, mas eu amo demais aquela garotinha.
Ficamos conversando por tanto tempo, que não percebemos que o crepúsculo já cobriam o céu. Fomos a uma pizzaria ao lado do restaurante do Henri, eu consegui ver ele servir algumas mesas, sempre com o seu sorriso. Escolhemos uma mesa e Arthur fez o pedido de duas pizza de frango com molho bechamel e duas taças de vinho Cabernet Franc.
‐ A pizza não é tão boa quanto a do Brasil, mas dá para o gasto.
- Já comi aqui ontem, até que são boazinhas – Arthur me olhou surpreso, mas não entrou no assunto.
- Você podia dormir lá em casa, para a gente assistir um filme e comer muita pipoca – um sorriso malicioso apareceu em seu rosto.
‐ Acho que vou aceitar, estou com saudade de passar um tempo com você, mas será somente isso – senti meus lábios se repuxando para formar um sorriso, só de lembrar de como Henri e doce comigo.
‐ Eu sei – ele apoiou o braço na mesa – Eu vi como você olha para aquele cara, você nunca olhou para ninguém daquele jeito – ele fez beicinho – Nem para mim.
‐ Quem? – Encarei ele em dúvida – O Gustavo? Ele é só um novo amigo, que me protege, até de mais.
‐ Não – ele revirou os olhos, como se eu estivesse se fazendo de besta – O investidor da universidade.
- O senhor Alstyn? Não – olhei para todo o lado, procurando o garçom que não chegava com o meu vinho – Ele é muito velho para mim.
Só de falar o nome dele, já me lembro daqueles olhos verdes, cabelo castanho escuro, sorriso branco, pele macia, barba por fazer, cheiro amadeirado e os espasmos de prazer que me fez sentir.
- Esse sorriso em seu rosto, te condena – não havia percebido que estava sorrindo.
- Ok, não consigo mentir para você – meu sorriso cresceu – Basicamente já estou apaixonada platonicamente por ele, há três anos – soltei um suspiro pesado, fechando os olhos – Ontem eu tive certeza.
– Eu percebi quando os seus olhos brilharam, assim que ele subiu no palco.
‐ Não importa muito, nossas vidas não foram feitas para se juntar – soltei um suspiro desanimado.
‐ Claro que não – debocha de mim – Mentiu para mim ontem, para encontrar ele.
‐ Eu não menti – dei de ombro – Eu fui mesmo ao banheiro. Não estava afim de ficar com absorvente cheio de sangue.
- Mentindo novamente, Laura Souza! – ele franziu o cenho.
‐ Porque eu estaria mentindo? – ergui minha sobrancelha e me apoie no encosto da cadeira.
‐ Você não menstrua a dois anos – ele estava com pena de mim – Sinto muito.
‐ Vamos comer, e melhor.
As pizzas chegaram e continuamos conversando sobre qualquer outro assunto que não era a minha menstruação. Assim que acabamos de comer, Arthur insistiu em pagar a conta. Chegamos ao apartamento dele e fui para a cozinha, colocando a pipoca no micro-ondas e comecei a fazer o brigadeiro, enquanto o Arthur tomava banho.
O cheiro do brigadeiro fez a minha boca salivar. Quando tudo estava pronto, levei-me para a sala e me joguei no sofá. Escutei os passos e me virei, vendo o Arthur correndo em minha direção, sem camisa, mostrando a sua barriga sarada. Ele pulou ao meu lado, fazendo o estofado afundar e me puxou para perto dele.
‐ Pode ficar calma, vou tentar não ficar duro – um sorriso malicioso apareceu no seu rosto – Só quero deixar você quente.
‐ Tem uma blusa para mim? Não quero ficar de e cropped.
‐ Quer ficar livre para mim? – Olhei de olhos cerrados para ele – Pode ir lá no meu quarto e pegar qualquer um do closet.
Fui no quarto dele e peguei uma blusa, tirei a minha roupa e coloquei a blusa. Voltei para sala e me aconcheguei nos braços musculosos de Arthur e começamos a assistir ao filme de comédia romântica. Assim que o filme terminou, eu acordei Arthur que dormiu no meio do filme.
- Vai para cama, grandão – disse de forma brincalhão, igual quando éramos criança.
‐ Pode ir, eu durmo no sofá – disse manhoso.
‐ Você vai trabalhar amanhã, não tem como eu deixar você dormir aqui – falei firme.
‐ Então vamos nós dois para a cama, sem nenhuma maldade.
‐ Ok, agora vamos.
Arthur saiu tropeçando nos próprios pés, tentei não rir do seu jeito molenga. Escovamos os dentes e nos deitamos na cama. Arthur me abraçou, me aconchegando em seu corpo e minha respiração começou a ficar pesada, logo tudo foi tomado pela escuridão.
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