29. O Que Temos A Perder!

Oii leitores, sejam bem-vindos a mais um capítulo. Espero que gostem! 😉
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ANTES

•°• Maya •°•


Entro na sala de música o mais rápido que consigo, por sorte o professor ainda não chegou. Pelo visto não fui a única que me atrasei hoje.

Avisto Rubén olhando pela janela e me sento ao seu lado, mas sua concentração é tão perspicaz que ele nem ao menos percebe que estou ali.

-- Oi! -- digo com empolgação e ele me lanço um sorriso sem graça -- O que você tem?

Rubén suspira e percebo sua preocupação.

-- E-Eu acho que...

-- Buenos días, pessoal! -- Peter diz ao entrar na sala -- Por favor, formem duplas.

-- Você vai esperar o Gustavo? Eu vou fazer dupla com a Nina. -- pergunto ao ver minha amiga praticamente implorando com os olhos para que eu fizesse dupla com ela.

-- É, pode ser. -- ele pega sua mochila -- Esquece, Mey, eu não estou me sentindo muito bem então vou matar aula na quadra, depois você pode me passar o que teve na aula?

Assinto com a cabeça e ele aproveita que Peter está de costas para nós e sai da sala sorrateiramente. Ele esbarra sem querer em Gustavo que ao entrar me olha um pouco confuso.

-- O que deu nele? -- ele pergunta se sentando no lugar que Rubén estava antes.

-- Eu não entendi muito bem, mas acho que ele tá passando mal. Ele parecia está um pouco preocupado quando eu cheguei, aí disse que ia matar aula na quadra.

-- Ah, pelo menos ele está fazendo uma burrada que nós estamos acostumados a ver.

-- E então pessoal, vocês já escolheram suas duplas? -- o professor Peter pergunta ao se virar.

Sinto Nina se aproximar, envolvendo seu braço no meu.

-- Sim. -- ela responde -- Cai fora, Gustavo. Ela é minha dupla.

Gustavo apenas revira os olhos e faz dupla com um colega do time de basquete.

-- Bom pessoal, hoje a nossa aula será um pouquinho diferente. Eu quero ver como cada um de vocês sentem as canções por meios dos... -- o professor percorre seus olhos pelas cadeiras à procura de um aluno específico.

-- O que foi professor? -- Celine pergunta.

-- Onde está o Rubén Cavalcante?

-- Ele se sentiu um pouco mal e saiu da sala, mas me pediu para repassar tudo que acontecesse na aula. -- respondo me ajeitando na cadeira.

-- Ah, que pena. Eu preparei essa aula pensando sobre o que ele tinha me dito sobre discos de vinis. -- ele aponta para uma caixa que ele colocou sobre a mesa quando chegou -- Mas vamos continuar assim mesmo.

O irmão gêmeo do diretor entregou um disco de vinil para cada dupla, e começou a explicar sobre a relação de uma melodia tocada em um vinil e por instrumento, e embora no início tenha sido um pouco chato, o trabalho passou a ser bem mais divertido quando colocamos a mão na massa.

Com o terminar da aula todos seguimos para os armários para pegarmos nossas coisas para as próximas aulas. No meu caso a minha seria de dança, Nina iria editar uma matéria do jornal e Gustavo iria para o treino de basquete já que o campeonato é daqui duas semanas.

Enquanto eu pegava minha bolsa, Nina mostrava para nós a sua indignação com a forma que meu irmão trapaceava no vídeo game.
Desde o casamento da Tina e do Martin, eles andam trocando mensagens e às vezes jogando juntos na minha casa com o Alex, mas algo que Nina me falou ontem à noite me deixou um pouco curiosa.
Passei a reparar mais nas ações que Alex está tendo dentro de casa, e pelo visto minha amiga tem razão. O meu tio está muito distante, parece preocupado com algo e ao mesmo tempo tenta parecer que está tudo correndo bem.
Às vezes, suspeito de que esteja acontecendo algo que eu não saiba, porque já vi o meu pai e Alex conversarem de madrugada perto da piscina e minha mãe anda também um pouco estranha, ela está sempre comprando remédios na farmácia e dizendo que são para que ela consiga dormir, mas ela nunca teve problemas com insônia. Até mesmo a minha avó anda um pouco estranha, talvez um pouco distante de nós, por isso prometi que iria ensiná-la a fazer brownies hoje, para que pudéssemos passar mais tempo juntas, e também para mim tentar descobrir o que está acontecendo.

De repente a enorme porta que separa o pátio dos armários é aberta pelo general, que está completamente furioso e coberto por uma tinta vermelha e penas, e falando aos gritos com inspetor Gastón.

-- Você! -- ele aponta para mim -- Na minha sala, agora! -- ele nos dar as costas e sobe as escadas.

Entrego minha bolsa para Gustavo e peço para que ele a deixe na sala de dança. Imediatamente corro para a diretoria e chego na mesma hora que o sr. Gutierrez.

O diretor abre a porta e inclina a cabeça indicando que era para mim entrar também.

-- O que aconteceu com você? -- pergunto o olhando de cima a baixo.

-- Bem, primeiro eu recebo uma ligação de madrugada e descubro que as provas que a sua turma inteira faria amanhã foram roubadas e que os arquivos foram todos deletados aparelhos dos professores. -- ele diz tirando a tinta do rosto com uma toalha -- Segundo, quando eu resolvo vir para cá e fazer a minha obrigação encontro o meu carro completamente arranhado e com os pneus furados. -- ele retira o blazer do paletó e o colocar em cima da mesa -- E terceiro, para completar esse péssimo dia, eu fui recebido com um balde de tinta sendo jogado na minha cabeça.

-- M-Mas eu não entendo o porque estão fazendo isso com o senhor.

-- É simples srt. Miller, se esses atos estão sendo feitos pelo tal aluno espião, ou ele está tentando me destruir, ou me fazer ser demitido. Até porque se for para tentar incriminar você, só está deixando essas porcarias. -- ele retira alguns post-its do bolso e os joga sobre a mesa -- E todos dizem a mesma coisa inútil, o apelido que a senhorita me deu no primeiro dia de aula. -- ele se senta.

Jane - a secretária - entra na sala segurando um copo.

-- Diretor, eu trouxe um pouco de água com açúcar para o senhor se acalmar.

-- Eu não quero água. Eu quero café! Um café bem forte, Jane! -- ele diz com impaciência e a moça assente -- E por favor chame o meu irmão e a professora Maitê, peça para que eles venham aqui.

-- Sim, senhor. -- Jane diz entregando o café que ele pediu de forma tão rápida que me surpreendo, e logo depois ela sai da sala.

Enquanto o diretor tenta se acalmar bebendo o seu café, eu fico me perguntando o porque Daphne está se esforçando tanto para prejudicá-lo, ao ponto de pedir para alguém fazer esses tipos de coisas com uma pessoa que não tem nada a ver com os nossos verdadeiros problemas.

-- Por que você está chorando? -- ele pergunta e então percebo que lágrimas escorrem sobre minhas bochechas. -- Ah, por favor não chore, eu nunca sei o que fazer quando as mulheres choram na minha frente. Se foi algo que eu disse, por favor me desculpe, eu sei que você não tem a menor culpa pelo que fizeram comigo.

Rapidamente passo as costas das mãos sobre meus olhos tentando disfarçar aquele susto tão repentino.

-- Eu que peço desculpas, eu não sei o porquê estou chorando. -- digo pegando um lenço que ele me estendeu. -- É que toda essa confusão me deixou um pouco aflita. Tá tudo bem, General.

-- Escute srt. Miller, eu não me importo com esse apelido, pelo contrário, eu até gosto dele porque soa como se eu tivesse alguma moral sobre todos vocês. O problema é que toda essa situação está fugindo do controle. -- ele dá mais um gole no café -- E eu não sei mais o que fazer a respeito.

-- Ah, mas isso é simples. Apenas coloque tudo sobre o seu controle novamente.

-- Falar é fácil, difícil é fazer. Eu sei que preciso colocar toda essa situação nos eixos e pegar quem está aprontando essas idiotices, mas como?

-- Quer que eu lhe dê uma ideia? -- pergunto me acomodando na cadeira e arqueando minha sobrancelha.

Matteo se aproxima um pouco mais da mesa ao puxar sua cadeira para frente.

-- Diga, por favor.

-- Eu digo, mas tem uma condição.

-- Mas você nunca faz nada de graça, hein? Meu Deus que garota mais interesseira.

-- Interesseira não, esperta.

-- Tá, o que você quer?

-- Eu quero não mais ter a obrigação de entregar relatórios para você, já chega desse castigo sem sentido. -- digo com um sorriso diabólico.

-- Está bem, que seja.

-- Então, a minha ideia é a seguinte. O senhor pode colocar câmeras por todo o campus como eu sugeri na última vez que conversamos, menos é claro nos vestiários, banheiros e nas salas de aula. -- me levanto -- O senhor também pode seguir à risca as regras que impôs, quem as infringir coloque realmente na detenção.

-- E que regras não estão sendo cumpridas?

-- A dos alunos se pegarem nas dependências da escola, por exemplo.

Ele dá uma risada.

-- Falou a garota que não beija o namorado nos corredores.

-- Eu sei que estou minha auto sabotando, mas se o senhor quer mesmo provar que não admite esse tipo de coisa na sua escola precisa prestar mais atenção. -- começo a caminhar de um lado para o outro -- Sabe, seja quem for que esteja fazendo essas loucuras precisa ter a certeza de que o senhor não tem medo e que não perdeu o controle que tinha. -- ponho minhas mãos nas costas da cadeira que estava sentada -- O senhor não pode deixar que os castigos que passa sejam inúteis.

-- O que você está a querendo dizer com isso?

-- Estou falando sobre os alunos que foram expulsos e que tiveram a oportunidade de retornar para cá.

-- Está se referindo ao caso do senhor Cavalcante, mas ele não é seu amigo?

-- Sim, ele é, mas eu o conheço bastante para entender os motivos que o fizeram ser expulso e também como ele conseguiu voltar.

-- Em minha defesa, não fui eu que o aceitei de volta, foi o conselho estudantil. Mas por que está tocando nesse assunto, por acaso acha que o Rubén é responsável por tudo que está acontecendo?

-- Não, ele pode até ter um histórico de garoto problema e matar algumas aulas ou brigar pelos corredores, mas ele não faria esse tipo de coisa, talvez fizesse se tivesse algum motivo, só que ele não tem nada contra você.

-- Está bem, eu entendi o que a senhorita quis dizer. Eu tenho que ser mais rígido.

-- Não. Pode ter parecido isso, mas não é que realmente quis dizer.

-- Então o que é?

-- O senhor precisa dar o respeito para ser respeitado pelos alunos, não adianta ser tão rígido isso só pioraria as coisas.

-- Então eu não entendo, como vou mostrar que quero ter o respeito deles sem ser rígido?

-- Simples, meu caro, basta você ser o general que está agora conversando comigo. -- digo me sentando novamente e ele me olha mais confuso ainda -- Sem gritar, sem julgar, sem mandar e sem acusar como você estava fazendo o tempo inteiro. Basta o senhor ser o general que eles pediram por meio de todos esses vandalismos. Seja o general que eles querem! -- dou mais um sorriso manipulador -- O que você tem a perder, Matteo?

Faço a mesma pergunta de quando me referi Maitê. Matteo franziu o cenho e cruzou os braços no mesmo instante que Maitê e Peter entraram na sala completamente surpresos com o estado do diretor.

-- A senhorita está dispensada, pode voltar para a aula. -- ele manda.

De maneira educada me despeço e saio da sala.

(1.965 palavras)
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Qualquer comentário é válido pessoal, seja ele bom ou não! 😉

Tchau e até o próximo capítulo! 👋🏻💕

Ass: May ✨ 🌸

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