19. Promessas Vazias! 💫

Oii leitores, sejam bem-vindos a mais um capítulo. Espero que gostem! 😉
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AGORA

•°• Gustavo •°•


Promessas vazias... Elas sempre existiram, sempre estiveram ali. Tantas promessas que foram quebradas por decisões erradas e imprudentes... Tantas promessas perdidas como minhas lágrimas na chuva.

Me remexo nos lençóis tentando ter coragem para me levantar e ir trabalhar. Vida adulta sempre é repleta de responsabilidades e tão chata. Que saudade eu tenho da minha adolescência!
Sento sento na cama e olho para o despertador que continua a apitar. São quase 08:00 horas da manhã e a coragem que eu tinha já foi toda embora. Ponho meus pés no chão e me enrolo com o lençol ao caminhar lentamente para o banheiro, mas o barulho alto de uma buzina sendo apertada na frente da casa que fica do lado da minha me faz correr para a janela.

É um Jeep Renegade preto que parece estar um pouco velho. O motorista desse do veículo e bate o cadeado no portão. Eu reviro os olhos ao reconhecer quem é. Ele pode até está mais forte e com os cabelos um pouco mais curtos, mas eu ainda tenho vontade de socar a cara dele até não sentir mais o meu próprio punho. Pensando bem, o que adiantaria isso agora se é ele quem está parado em frente à casa dela e não eu?

A porta se abre, Maya sai arrumada para ir em algum lugar com ele. Ela gira animada, pergunta algo e os dois começam a rir com empolgação, eles batem as mãos e entram no carro, indo embora.

Só o que me faltava ter que assistir eles sendo felizes juntos, e depois a Chiara ainda vem tentar me convencer com aquele papinho meia
boca de música feitas para mim.

Fecha a janela com tanta fúria que os vidro rangem ao se encontrarem.

Entro no chuveiro e sinto as gotas mornas da água tocarem a minha pele, tento pensar em qualquer coisa que não seja a garota que tanto aparece na minha cabeça. Ela está eternizada nas minhas memórias alegres e enraizada nas tristes, procurando a todo instante algum motivo para destruir mais ainda o meu coração.

Assim que visto meu terno e termino de me arrumar, desço as escadas para tomar café da manhã.

-- Buenos días, maninho. -- Hannah diz ao colocar mais salada de frutas em um pote.

-- Buenos días, mana. -- dou um beijo em sua cabeça -- Você não vai pra faculdade hoje?

-- Vai matar outra, Gustavo. Eu não tenho aulas nas segundas e terças.

Lhe lanço um sorriso.

-- Você está muito preguiçosa, Hannah. Eu não te conhecia assim. Cadê a garota prodígio? -- pego um pouco da salada de frutas que minha mãe fez e jogo bastante leite condensado por cima.

-- Se perdeu em meio as responsabilidades. -- ela revira os olhos -- Desse jeito você vai ficar diabético.

-- A gente só vive uma vez. -- rebati ao beber o leite condensado.

-- E é exatamente por isso.

-- O pai já saiu?

-- Sim, ele precisou ir resolver umas coisas com a mamãe. Acho que eles foram no centro e depois iriam pra empresa.

-- Hum, entendi. E você vai ficar sozinha aqui?

-- Não. Daqui a pouco o Nick vem aqui, eu prometi que iria ajudá-lo com um trabalho.

Assenti.

Terminei de tomar café da manhã com minha irmã e peguei a chaves do meu mais novo carro. Ainda não está na hora de ir trabalhar, o que é bom já que eu odeio pisar naquela empresa.

Ao sair de casa dou de cara com um cachorro tentando entra pelo portão da casa dos Miller. Será essa a cadelinha que a dama... quer dizer, que a Maya adotou?
Ela olha para mim abanando o rabo como se estivesse feliz em me ver, mas eu nunca a tinha visto na minha vida. A cadelinha corre até mim, atravessando a rua que separa as nossas casas, por sorte nenhum carro estava passando. Ela começou a pular em mim e eu acariciei suas orelhas peludas ao pegá-la no meu colo.
Acho que é um golden retriever, mas de pequeno porte, o que fazia com que ela se parecesse ainda com um filhote.

-- E aí, garota. Qual é o seu nome? -- pergunto como se ela fosse realmente me responder, mas ela apenas lambe o próprio rosto.

Toco em sua coleira vermelha e um pequeno pingente está gravado o nome "Dawn". Alvorecer ou amanhecer. É isso que significa. Logo atrás, no verso do pingente está escrito o nome da Maya com o telefone de contato.
Pego meu celular e tiro uma foto do pingente, até porque desde que troquei de número perdi de vez o número da dona daquela cadelinha, e embora eu não queira mais nada com ela talvez algum dia eu precise procurá-la.

Dawn começa a cheirar as minhas mãos e tenta lamber o meu rosto. Acho que ela deve estar sentindo o cheiro de Sonserina, meu gatinho velho ancião. Os seus olhos castanhos como os da dama, me encaram brilhantes e esparançosos. Ela parece gostar de mim e eu começo a gostar desse fato.

Dawn começa a puxar o meu casaco como se quisesse que eu a seguisse. Acho que ela queria ir para casa. Talvez ela deve ter saído quando a Maya abriu a porta e foi cegamente ao encontro de Rubén.

Atravesso a rua e abro o portão. Penso em soltar ela no gramado, mas lembro da piscina no quintal e fico um pouco preocupada, talvez ela nem saiba nadar.
Mesmo me sentindo um completo estranho, caminho em direção a porta da casa e aperto a campainha e após alguns segundos de espera Nick abre.

-- Gustavo? -- ele ergue as sobrancelhas -- Quanto tempo, hein?

-- Sim. Faz muito tempo. Como você tá, cara?

-- Bem, na medida do possível. -- ele olha pra Dawn.

-- Então, eu estava indo trabalhar e encontrei essa cadelinha tentando entrar pela brecha do portão. Eu acho que ela é sua. -- entrego a cadelinha para ele que a pegou com alegria.

-- Na verdade ela é da Maya, mas obrigado por tê-la trazido de volta. As vezes ela sai sem a gente perceber.

-- De nada. E outra coisa, esse é mesmo o nome dela?

-- Eu sei, é bem esquisito, mas é o nome dela sim. -- ele ri ao responder -- Mas às vezes, a Maya a chama de outro nome e ela obedece, sabe é como um código secreto entre as duas. Eu até já tentei chamá-la assim, mas ela sempre me ignora.

-- E qual é o outro nome?

-- Aurora.

Faço um carinho nas orelhas dela de novo e ela fecha os olhos ao relaxar nas minhas mãos.

-- Muito prazer em te conhecer, Aurora. -- digo e a cadelinha faz algo que nos surpreende.

Ela late. É estranho porque parecia que ela me obedeceu de certa forma.

Olhei para Nick e apenas fez carinho nela que colocou sua língua para fora como se estivesse sorrindo.

-- E os seus pais, como eles estão? -- pergunto tentando matar minha curiosidade.

-- Ah eles se mudaram, quer dizer eles vão se mudar de volta para o Brasil daqui a uma semana. A minha mãe recebeu uma proposta muito boa de emprego e aceitou.

-- Nossa isso é muito bom! -- balanço meus pés com impaciência -- Então vocês vão embora com eles?

-- Não, não. Eu e minha irmã temos novas visões de futuro, a nossa vida agora é aqui. Sem contar os nossos planos e empregos, mesmo se quisermos ir não daria certo. Ela tem a gravadora e eu a minha faculdade, não tem como tirar isso daqui.

-- Gravadora?

-- É. Aquela locadora faliu e a minha irmã comprou o espaço, nós estamos tentando criar uma gravadora lá.

-- Que legal! -- corro meus olhos pelo quintal -- E... como ela está?

Nick sorrir.

-- Por que você mesmo não descobre? -- ele que rebate -- A sua dama está nesse exato momento sendo professora substituta de dança no PFT School, hoje é o primeiro dia dela nessa função. A Maitê entrou de licença maternidade.

Meus olhos se arregalaram e senti meu coração bater forte no meu peito, mas eu não sabia se era de alegria ou de susto. Sem dizer mais nada dei de ombros e corri em direção ao meu carro.
Dirijo rapidamente até a escola e é como se um filme se passasse dentro da minha cabeça. Cada momento importante que tive por ao longo dos meu anos escolares se passam na minha cabeça quando ponho os meu pés naquele colégio. A sensação é tão boa, mas ao mesmo tempo assustadora.

Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui? Eu prometi para mim mesmo que nunca mais iria querer encontrá-la, mas podem se passar anos e mais anos e esse amor continua me perseguindo e me levando de volta para ela. Tornado cada vez mais difícil esquecê-la. Isso é tão cruel.

Começo a imaginar onde ela estaria naquele exato momento, provavelmente na sala de dança, mas ainda está um pouco cedo pra esses tipos de aulas. Será que os horários mudaram desde que me formei?

Caminho pelo corredor dos armários e há poucos metros de distância está ela. Meu corpo paralisa ao vê-la tão perto como na noite em que o cometa cruzou o céu, eu pude perceber no seu olhar a sua preocupação só por me ver. Eu não entendi o porquê ela agiu daquela forma sendo que era para eu está contra ela.

Maya estava parada de frente pra a estante de conquistas da escola, colocando alguns quadros novos nas prateleiras. Ela está tão concentrada que nem percebe que estou mais próximo do que ela imagina.
Dou passos lentos tentando me aproximar cada vez mais, mas ao chegar em uma certa distância eu não consigo continuar.
Maya pega um dos quadros de fotografia e o analisa como se sentisse a nostalgia que ele trazia. Um sorriso brotou em seus lábios, e por Deus como ela é linda.
O tempo não mudou absolutamente nada em sua essência, ela ainda continua sendo a garota que eu tanto amei algum dia.

A garota que gostava de cantar Taylor Swift no volume máximo dentro do meu carro. A garota que dançava em qualquer lugar sem se importar com os olhares alheios. A garota que gostava de se aconchegar nos meus lençóis para assistir a minha coleção de filmes. A garota que ria por qualquer besteira. A garota que gostava de ler e que escondia do que se tratava porque sabia que eu iria chamá-la de pervertida. A garota que eu vi usar o vestido mais bonito do mundo só para ir comigo naquele baile. A garota que eu pedi em casamento naquele show e que fiz tantas promessas. A garota a qual eu escrevi mais de mil cartas e nunca obtive nem ao menos uma resposta. A garota que partiu o meu coração... Ela ainda estava lá a minha espera, com o seu sorriso maravilhoso e sua alma alegre. Ela ainda estava lá para mim. A minha dama ainda estava lá.

Ela guarda o quadro e seu sorriso se desfaz ao se virar, porque os seus olhos encontram os meus. Inquietos e amedrontados, mas ao mesmo tempo tão nostálgicos e serenos.
Tento me aproximar, mas ela dá um passo para trás.

De repente o barulho de algum celular tocando quebra a tensão que se tornou naquele lugar. Sei que não é o meu, então ela pega o dela no bolso de sua calça desviando seu olhar.

-- Alô? -- ela diz, e como era bom escutar a voz dela de novo -- Mas já? Nossa que rápido. -- ela olha para o relógio em seu pulso -- Daqui uns 15 minutos, no máximo vinte, eu chego lá. Tenta enrolar ela por mais um tempo. Ok, tá certo, obrigada por me avisar. Tá, pode ficar tranquilo, eu não vou esquecer de buscar a sua namorada no aeroporto. -- ela desliga a ligação e volta a me encarar.

Quem será que ela iria buscar no aeroporto uma hora dessas?

Isso tudo é tão constrangedor. Eu não consigo dar mais do que dois passos para ir ao seu encontro, estamos apenas com mais ou menos dois metros de distância. É como se eu estivesse preso no chão, mas dessa vez parece que é ela quem toma coragem e começa a caminhar. Sinto um arrepio de alegria só por vê-la, é como se todas as minhas lembranças ainda estivessem ali guardadas naquele olhar, naqueles lindos olhos castanhos que me enfeitiçavam todos os dias. Porém, nem sempre o que pensamos que vai acontecer realmente acontece, para magoar ainda mais o nosso esperançoso coração. Alguém sempre tem que atrapalhar o nosso precioso momento.

Um garoto a chama de professora Miller, e ela se vira para atendê-lo, ele deve ter no mínimo uns dezesseis anos e parece que acabou de sair de alguma aula. Depois que ele fala algo para ela, Maya olha pela última vez para mim antes de dobrar em um corredor e sumir do meu campo de visão.

Não a espero voltar.

Entro no meu carro e vou embora, lembrando da dor que as palavras das promessas vazias se juntaram as lágrimas perdidas naquela tempestade.

(2.202 palavras)
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Qualquer comentário é válido pessoal, seja ele bom ou não! 😉

Tchau e até o próximo capítulo! 👋🏻💕

Ass: May ✨🌸

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