03 O primeiro contato e o primeiro convite

Ao término do culto todos se reuniram em volta da mesa para o momento do lanche. Havia uma grande variedade de comida ali, pois sua avó era uma cozinheira de mão cheia. O cheiro do café fresquinho estava fazendo a barriga dela roncar e, só de olhar para os bolos, ficava indecisa qual comeria primeiro: o de fubá, cenoura ou chocolate. Normalmente, ela estaria se enturmando com as pessoas, mas lembrou que seu pai ainda estava dormindo no canto da sala e, agora que todos estavam em pé, aquela cena não estava nada discreta.

— Pai, acorda. — Ela cutucou o homem que apesar de estar completamente apagado, tinha um sono leve e acordava por qualquer coisa.

— Hum... que? — Ele foi se levantando lentamente enquanto olhava em volta.

— Vai comer alguma coisa. — Ela apontou discretamente para a mesa. O homem se levantou e foi.

Ela aproveitou que ele abriu caminho e foi atrás. Ao chegar lá, já tinha se decidido. A aparência do bolo de cenoura estava irresistível e a calda de chocolate escorria como que gritando para ela a atacar. Além disso, aquele era o bolo que estava quase acabando. Sentiu uma enorme satisfação tomar conta dela quando conseguiu pegar o último pedaço.

— Ah, esse é o bolo de cenoura, não é? — Disse alguém olhando para o seu prato. — Onde está? Não estou conseguindo achar.

— Ah... é... na verdade, esse era o último pedaço.

Uma mulher desconhecida riu e se aproximou deles.

— Deu mole, meu filho. Bobeou, dançou. — Ela deu tapinhas nas costas dele.

Paloma queria muito rir, mas estava com receio de que tivesse algo preso no seu dente.

— Pois é, mãe. — Respondeu o menino, rindo um tanto sem graça. — Você é a neta da dona Virgínia, não é?

— Sim, sou eu. Paloma.

— Ulisses. — Ele apertou a mão dela e sorriu. — Bom, acho que vou ter que procurar um outro bolo.

— Ah, você ouviu sua mãe. Bobeou? — Ela fez uma pausa dramática. — Dançou!

— Essa é das minhas! — Disse a mãe dele, se aproximando dela e a abraçando pela cintura rapidamente. — Vem, minha filha, vamos aproveitar que esse pessoal saiu daquele canto e vamos nos sentar lá! — Paloma a seguiu, estava muito cansada e também não tinha muita escolha, estava sendo arrastada para lá.

— Você vem de onde, minha filha? É muito longe? Deve ter ficado um tempão fazendo viagem, não é? Eu vejo pelo seu pai, que está muito cansado. — Paloma enrubesceu. — Como é lá onde você mora? Está gostando daqui? — Ela levantou as sobrancelhas. — Ah, mas como eu sou esquecida! Nem me aprensentei, que rude! Meu nome é Fábia, mas os amigos do meu filho me chamam de Tia Fabinha, pode me chamar assim também!

Paloma não sabia se estendia a mão para não deixar Fábia no vácuo, se respondia todas aquelas perguntas ou se ela se apresentava também. Por via das dúvidas, estendeu a mão e disse seu nome. Quanto às perguntas, julgava que a própria Fábia as havia esquecido. A mente daquela moça funcionava a mil por hora.

— Tá alugando a neta da dona Virgínia, mãe? — Ulisses chegava com seu pratão.

— Que isso, meu filho? Vai subir o monte, é? — Ela riu escandalosamente. Paloma não se segurou e riu também. — Pra quê tanta comida nesse prato, menino?

— Me deixa, mãe. Estou em fase de crescimento. — Respondeu, rindo.

— Só se for em fase de crescimento desse bucho! — Fabinha era uma daquelas pessoas que quando riam, todo o seu corpo balançava e sorria com ela. Mesmo que não estivesse nada de engraçado acontecendo, as pessoas iriam rir, pois a alegria dela era contagiante.

— Gostei da senhora, não deixa passar uma! — Paloma limpou uma lagriminha que ficara no canto de seu olho.

— Ai, não! Senhora não! Depois dessa vou até pegar mais comida! — Se levantou abruptamente e saiu em direção à mesa.

— Ela é doida assim mesmo, não liga não. — Disse Ulisses, enquanto se sentava no lugar onde antes estava a sua mãe.

— Em casa, você deve rir o dia todo com ela.

— O tempo todo, passo até mal. — Disse, de boca cheia. — Hum... esse bolo tá uma delícia!

— Deve estar mesmo, não é porque é minha avó não, mas dona Virgínia cozinha muito bem. — Se gabou Paloma.

— Na verdade não foi ela, eu mesmo que fiz. — Se gabou Ulisses desta vez. — Hum... nossa, me superei.

— Sério? Você cozinha? — Paloma havia julgado pela aparência. Nunca que iria imaginar que uma pessoa como Ulisses cozinhasse bem.

— Sim, tá muito bom. — Ele deu uma olhada rápida para a mesa. — Acho que até já acabou, quer provar um pouco do meu?

Paloma assentiu. Ulisses, por sua vez, pegou um pedaço com o garfo e levou em direção a boca dela, que ficou surpresa, mas não recusou. Abriu a boca e provou do bolo.

— Nossa, tá maravilhoso mesmo! — Disse, com os olhos arregalados. — Mas ainda não acredito que foi você quem fez.

— Quanto tempo vai passar aqui na casa da dona Virgínia? Se você quiser ir lá em casa almoçar um dia desses eu posso fazer o bolo de novo. — Propôs ele.

— Não sei, vou pensar. — Respondeu.

— Sua avó vive almoçando com a gente, então se ela resolver ir, vai com ela também. Vai ser legal! Me diz outras coisas que você gosta e eu posso fazer também. — Insistiu ele.

— Tudo bem, então. Mas só se minha avó for, ok?

— Fechado.

Naquela tarde, depois de conversar por bastante tempo com Ulisses, Paloma conheceu os jovens novos da igreja de sua avó e pôde se reenccontrar com velhos amigos também. Fizeram muitas brincadeiras no sítio de dona Virgínia. Quando todos foram embora, no fim da noite, e ela percebeu que ainda precisava guardar as suas coisas, sentiu o cansaço pesar nas suas costas como nunca.

Já estava bem tarde quando ela conseguiu se sentar, já de banho tomado e se sentindo bem fresquinha. Queria muito dormir, mas se lembrou de que havia prometido falar com Natan e dar alguma notícia quando chegasse. Apesar de estar sentindo muito a falta dele, a conversa durou muito pouco. A empolgação e a energia dela já estavam completamente esgotadas. Natan disse que era melhor ela descansar, então Paloma se despediu dele, prometendo que no dia seguinte se falariam melhor.

Música do capítulo:
Like The Dawn - The Oh Hellos

🧡

Olá pessoas!
Esse capítulo dá uma fome, não é?
Qual bolo vocês escolheriam?
Fubá, chocolate ou cenoura com cobertura?
Deixem muitos comentários e a estrelinha também!
Beijos!!😘🥰

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