5 dias antes - Dúvida
*(Gente! Que coisa! O Wattpad não anda facilitando as coisas pra gente. Ele postou o capítulo junto com um rascunho que nem será usado! Nos desculpem. Caso já tenham lido esse capítulo, peço que verifiquem o final correto para que possam entender o que vai acontecer nos próximos dias que antecedem o grande dia da Val. Obrigada por nos avisar JV. Aproveitem e comentem o que estão achando e claro, votem, isso nos alegraria muito. Feliz ano novo!)
***
Quando ouvi uma batida na janela no meio na noite de terça e eu realmente achei que fosse algum enviado do meu futuro sogro para me matar, pensei em ligar para a polícia, ou melhor, gritar chamando meu pai, mas não o fiz, porque logo vi o rosto de Stanley na janela.
Meu chefe, Sr. Johnson, soube tudo que meu noivo falou e juntos decidimos esperar um pouco mais de tempo para denunciar, pois Stanley queria pegar uma prova que considerava ainda mais cabal que as outras.
É claro que pensei que o motivo para aquela visita no meio da madrugada era para isso, era para Stanley entregar a tal prova, mas estava enganada. Quando abri a janela, meu noivo entrou, me abraçou e decidiu que era um bom momento para falarmos do nosso casamento.
Aquela foi uma noite longa e decisiva para tudo o que viria a seguir.
Até tentei contar sobre o dia que beijei Caleb, mas meu noivo parecia feliz demais por eu ter mantido o casamento de pé diante de tudo. Ele achava que as minhas dúvidas eram apenas por causa do dinheiro ilícito da sua família e não me atrevi a contar tudo.
Esse foi meu erro.
Quando amanheceu, Stanley estava dormindo apenas com sua típica calça social e eu estava ali, deitada ao seu lado imaginando que dali a cinco dias era assim que passaria o resto da minha vida, deitada ao lado do meu marido carregando o mesmo sobrenome que matou minha mãe. Era muito informação, mas não se comparava a vontade de contar de uma vez por todas ao meu pai como tiraram a mamãe da gente, mas eu tinha que esperar e foi o que fiz.
Ao acordar, meu noivo e eu descemos para tomar café e encontramos o rosto de Will e do papai assombrados, mas logo tratei de explicar que só tínhamos dormido, literalmente, juntos para resolver os detalhes para o casamento, o que deixou minha madrasta imensamente feliz. A campainha da casa ressoou enquanto eu terminava meu café ouvindo meu pai afirmar ser arriscado um casal dormir no mesmo quarto as vésperas do enlace matrimonial.
Ah, se o papai soubesse que nem vontade de beijá-lo eu tive, não teria falado nada.
— Val, tem visita pra você. — Will, que tinha saído para abrir a porta, anunciou.
Completamente confusa olhei em direção a porta da cozinha e vi, ao lado do meu irmão, Caleb Flecher com uma camisa laranja e um sorriso abatido.
— Oh! — me levantei nervosa repuxando minha camiseta escura — Mary, pai e Will, esse é meu... É o...
— Caleb Fletcher. — Stanley completou antes de morder um pedaço de pão.
Meu pai e Will nem se importaram com a presença de Cal, muito menos Mary, tanto que eles apenas o cumprimentaram e se despediram e saíram para o estúdio da Skye para usarem no meu casamento sábado.
Quando minha família saiu de casa e o silêncio entre Caleb, Stanley e eu se instalou só consegui pensar que estava ferrada, completamente ferrada.
— E então, você vai ao nosso casamento? — meu noivo perguntou olhando para o homem ao seu lado.
— Bom, não cheguei a receber algum convite. — Caleb murmurou me encarando um tanto chateado — Mas não é como se eu pudesse... No sábado estarei cobrindo o plantão do Ethan.
— Mas você não é residente? — questionei — Não precisa está com o Ethan para ele te orientar? Ou seu professor é outro e eu entendi errado?
Ethan Hale não gostava de dá aula teórica na universidade de Point City, apenas uma vez por mês o fazia, mas quando era para supervisionar algum residente no hospital, ele amava.
— Por que me chamou aqui, Stanley? — Cal desconversou.
Lembro de ter virado o olhar do meu noivo para Caleb, no mínimo, umas cinco vezes.
— É que eu falei que ia dormir com você e ele devia nos encontrar aqui. — meu noivo explicou.
— O quê? — soltei — Como assim?
— Pois é... O Stanley e eu trocamos números quando você precisou tomar soro e ele me mandou mensagem dizendo que estava vindo para sua casa. — a voz dele transparecia impaciência.
Foi então que ali, na cozinha da minha casa, com a mesa do café da manhã bagunçada, eu percebi que Stanley não só estava com ciúmes, mas tentava provocar Cal.
— Eu espero que você tenha dormido tão bem quanto eu. — com um sorriso malicioso no rosto, Stanley soltou mais uma provocação.
Semicerrei meus olhos para o Olsen. Ele queria chegar aonde com isso?
— Eu infelizmente não consegui dormir direito, porque minha mente só conseguia pensar em toda essa coisa de tráficos de orgãos, provas e tudo mais. — falei involuntariamente, arrancando um sorriso irônico do Caleb para Stanley.
— Mas por que, afinal, você me chamou aqui, cara? — Caleb finalmente levou a conversa para outro rumo.
— Eu vou tentar pegar mais provas com o Dr. Gonzales e preciso que vocês dois me deem cobertura. — meu noivo explicou aquela situação.
— Cobertura?
— Na verdade é mais uma ajuda... — meu noivo esclareceu — Combinei de encontrá-lo em na cafeteria em frente à Main Square, quero que fiquem lá para o caso de algo acontecer e eu precisar de alguém que possa ligar para a polícia.
— Como assim se reunir com aquele homem? Ele acha que você está no esquema? — indaguei.
— Ontem eu liguei para ele, fingi já saber de todo esquema, que precisava da lista com a quantidade de morfina que foi comprada no último mês e quanto foi utilizada para causar a morte dos pacientes. — explicou — A ideia é descobrir quais são os médicos envolvidos pelo menos no hospital daqui.
— Vocês não acham que é melhor deixar com a polícia? — Cal sugeriu — Não sei porquê querem descobrir tudo sozinhos.
— Porque essa é a matéria que a Valentina precisa para deixar de ser editora júnior do News Magazine. — Stanley o encarou devagar.
— Mas ela já tem tudo o que precisa para uma matéria! — Caleb reclamou fazendo careta.
— Você tem que parar...
— EI! — interrompi meu noivo — Essa é a última prova. Ok? Você pega ela, o Sr. Johnson e eu denunciamos para a polícia, escrevemos a matéria e depois publicamos.
— Tenho quase certeza que alguém já denunciou. — Cal murmurou.
— Certo, meu amor. — Stanley sorriu ignorando Caleb — Vamos?
— Tem um pequeno detalhe... — Cal lembrou — Eu vim de bicicleta.
— Você pode deixar aqui. — dei a ideia — Depois você pega quando voltarmos.
— Mas eu não trouxe só uma... — riu sem graça — Comprei uma para te dá de presente.
A gargalhada do meu futuro marido me enojou.
— Sério? Uma bicicleta? Você podia comprar qualquer outra coisa e aparece aqui com uma bicicleta para a Val?
Seu jeito esnobe me fez virar, encará-lo e perguntar:
— O que tem de errado com o presente?
— Ah, qual é, estamos falando de uma bicicleta...
— Está dizendo isso porquê não é um porshe ou um audi que veio do assassinato e tráfico de órgãos de pessoas? — Caleb alfinetou.
Vi meu noivo o fuzilar e de maneira fria dizer:
— Você não me machuca.
— Stanley... — levantei da mesa e segurei seus ombros — Você realmente quer ir atrás dessas provas?
Tive que falar a primeira coisa que me veio a mente.
— É claro. — ele me olhou por cima do ombro.
— Então vamos logo. — pedi, antes que eu mesma ficasse chateada Stanley.
No fim acabamos decidindo ir de bicicleta para a praça para não levantar suspeitas, enquanto Stanley foi de carro quinze minutos depois.
— Você sabe porquê ele me chamou. Não sabe? — Caleb perguntou no instante em que passamos perto da árvore aonde nos beijamos.
— Ciúmes. — não hesitei.
— Sim. — Cal concordou — Ele podia ter chamado o próprio Sr. Johnson ou só você, mas ele quis me fazer vim junto para mostrar que você pertence a ele, como se eu não soubesse.
— Como assim? — perguntei parando de pedalar para sentar no banco do lado direito da praça.
Alguns pássaros cantavam, crianças brincavam e casais se beijavam ao redor do campo florido e cheio de árvores, mas eu só ouvi Caleb afirmando:
— Val, se até agora, mesmo depois de descobrir sobre o envolvimento da família dele no tráfico, você não terminou com ele, não vai ser no dia do casamento.
Cal deixou a sua bicicleta azul ao lado da minha vermelha no chão e se sentou ao meu lado tentando se acomodar no banco duro e dramaticamente cinza.
— Caleb Fletcher... — suspirei olhando para meus tênis azuis — Eu sou a exceção para o amor verdadeiro, então vou pelo menos viver com outro tipo de sentimento.
— Ah, claro. — riu irônico sem tirar os olhos da cafeteria onde Stanley acabava de estacionar o carro — Você fala sobre que tipo de sentimento? Gratidão pela família dele tirar a vida da sua mãe ou empatia por ele te ajudar nessa investigação?
— Você pode parar de falar na mamãe? — pedi vendo meu noivo entrar na cafeteria do outro lado da rua.
— Não, Valentina. Eu não posso. — garantiu — Sabe por quê? Ela não ficaria feliz vendo você casar com alguém que não ama!
— Você nem a conheceu. — controlei a vontade de soluçar — E nem tem o direito de interferir na minha vida!
Ele se calou.
— Você acha que ele corre perigo? — questionei depois de dominar o desejo de chorar.
— O que poderíamos fazer se o Dr. Gonzales tentasse algo contra ele? Nada. Eu sequer trouxe meus equipamentos, sem contar que é uma ideia muito besta estarmos aqui.
Virei meu rosto para ele tentando entender onde ele queria chegar.
— Se quisessem atirar na gente, já tinham... Veja como estamos, completamente a vista de qualquer pessoa, aguardando na frente de uma cafeteria onde assuntos terrivelmente macabros estão sendo abordados. Nem soubemos disfarçar.
— Por que não falou antes, Sr, Sei de Tudo? — reclamei — O que fazemos? E de que equipamentos você falou antes?
— Estava falando dos meus equipamentos médicos... Sabia que se colocarmos ar na veia de alguém, ela morre?
— E por acaso você anda com uma seringa no bolso? — arqueei a sobrancelha.
— Não, mas andaria se soubesse que ia me meter em tantas confusões por causa de você.
— Confusões? Nunca nos aconteceu nada... Até porque descobrimos as informações rápido demais.
— Só porque a polícia está envolvida.
— Polícia? Como assim? — proferi vendo uma mãe passando com um carrinho de bebê.
— O Stanley denunciou para a polícia, Val. — seus olhos castanhos encontraram os meus — Ou alguém denunciou porque ontem alguns policiais pegaram alguns arquivos do hospital.
— Por que não me contou antes?
— Você estava ocupada com o Stanley. Lembra? Ele fez questão de dizer que estava indo dormir na sua casa.
Fiquei calada.
— Não vai dizer nada? — instigou.
— Dizer o quê? Agora eu sei que tenho que publicar essa matéria o quanto antes.
— Eu estou falando sobre o seu casamento, na verdade. — completou — Você vai mesmo casar com o cara de nome idiota?
Tentei imaginar o que Stanley falava para Dr. Gonzales do outro lado da porta, ele estava me ajudando a fazer minha grande matéria e desvendar aqueles crimes, ou melhor, achei que estivesse, porque Caleb tinha razão, a polícia estava ali o tempo todo, vendo tudo que fazíamos, mas eu ainda não sabia disso.
— Sim. — foi tudo o que respondi.
Demorou trinta minutos para meu noivo sair de lá acompanhado do braço direito do meu futuro sogro. Por sorte, ele não me conhecia, então Caleb e eu nos abraçamos para ao menos fingir que disfarçamos algo.
Quando o doutor apertou a mão de Stanley e entrou em um carro branco, meu futuro marido continuou do outro lado fingindo falar no telefone enquanto Cal ria da sua "atuação besta", segundo ele.
— Eu estou atrapalhando algo? — foi a primeira coisa que meu noivo perguntou quando atravessou a rua e é claro, Caleb afagou meus cabelos apenas para provocá-lo.
— Como foi lá? Conseguiu alguma prova? — Cal ignorou a pergunta e a raiva evidente do Stanley.
— Não. Ficou visível que ele estava achando que meu pai estava dando uma isca para vê se ele mostrava os papéis para alguém, mesmo que fosse de "confiança". — levantou os braços fazendo aspas com as mãos e tencionando alguns músculos dos ombros — Ele apenas disse que os documentos das transações, código usado por eles, são totalmente confidenciais.
— E por que demorou tanto? —indaguei.
— Eu não podia simplesmente ir embora quando ele disse que não mostraria. — esclareceu — Iria deixar tudo muito suspeito.
— Se eu tivesse ido lá tinha arrancando as provas. — Cal suscitou.
— Ah, claro. — Stanley ironizou — Você é tão experiente em coisas desse tipo.
— Mais êxito que você eu teria. — rebateu soltando um sorriso sarcástico.
— Se você não tem êxito nem em tentar roubar a minha mulher, vai ter em conseguir informações? — meu noivo explodiu, apontando para a mão de Cal que continuava em meu cabelo.
Stanley tinha razão, eu não estava agindo como uma mulher comprometida, como alguém próxima a entrar num relacionamento só para o resto da vida.
— Sua mulher? Valentina agora é sua propriedade?
— Daqui há cinco dias ela estará subindo em um altar para ca...
— Chega! Minha semana está sendo muito difícil para eu ter que ficar aturando vocês se provocando. — pus fim aquilo — Agora temos que reunir tudo, mesmo sem as provas que você queria Stanley, para que eu possa escrever a matéria.
Apesar de ter falado aquilo, meus pensamentos estavam em uma única coisa: o casamento, como sempre.
Casando, não poderia mais agir assim, afinal, minha fidelidade estaria com meu marido, o que significava que teria de me afastar do Caleb, porque mesmo não admitindo, eu gostava dele, de uma maneira que não podia.
Eu só não percebi que pensava em me afastar de Cal porque algum sentimento novo e esquisito começava a pairar sobre meu peito. Para quem lê minha história parece muito simples terminar com Stanley e deixar fluir essa ligação com Caleb, mas àquela altura parecia algo impossível para mim.
Eu estava apaixonada por Cal Fletcher, mas não era valente o suficiente para me entregar a ele e muito menos para entender isso, então apenas continuei contando os dias para subir naquele altar e dividir a vida com Stanley Olsen.
[...]
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