20 dias antes - A Revelação


Faltando 20 dias para o casamento, a parte principal - o vestido - estava resolvido graças à Skye, assim como a maquiagem e cabelo, dessa vez graças a Nicolle e sua habilidade maravilhosa que a permitiu trabalhar no pequeno salão aderido a sua casa, mas Mary não conseguia se acalmar.

— Você sequer provou os salgados e frios que serão servidos, Valentina! — ela repetiu chocada enquanto me levava de uma loja a outra no shopping.

— A Skye provou por mim. — aleguei.

— Sua amiga está grávida! O que é gostoso é ruim para ela e o que é ruim é bom!

Faziam apenas alguns dias que Skye tinha descoberto e esperado Ethan, seu marido, muito nervosa. Meu amigo contou que ela revelou a grande notícia tremendo e assim que ele falou que já sabia, recebeu um bom tapa no braço. Sinceramente? Eu faria a mesma coisa.

— Eu não pude ir, estava na News Magazine! — omiti a parte que estava trabalhando na minha matéria, que a propósito estava cada vez mais confusa e sem nem uma novidade.

— Ai, não sei porque ainda trabalha, Valentina. — ela murmurou enquanto me puxava pelo shopping — Seu marido é rico.

— Ele não é meu marido ainda. — retruquei pousando os olhos em uma peep toe branca — Encontrei. Esse é o sapato que quero.

Minha madrasta instantaneamente parou, sorriu olhando para o calçado que me levaria até o altar e eu respirei aliviada vendo a aprovação em seus olhos.

— Venha. Vamos levá-lo.

Meu celular tocou e o peguei vendo uma nova mensagem do Caleb.

Ele tinha informações para a minha matéria.

— Oh! — levantei o rosto para Mary — Eu tenho que ir. Você sabe meu número, pode comprar.

— O quê? — seu rosto perfeitamente maquiado estava inexpressivo.

— É do trabalho. — entreguei a ela algumas sacolas com outras roupas que tínhamos comprado — Me desculpa.

O meu esforço para ser legal - depois daquele "show" há alguns dias - com ela era quase palpável.

— Tudo bem. — sussurrou abrindo um sorriso no final.

Ela também estava empenhando-se.

Dei alguns passos para trás e acenei a vendo entrar na loja apontando para o sapato.

Cheguei ofegante na casa dos Hale, não por ter vindo andando, mas por toda pressão em meu peito. Na semana anterior publiquei uma matéria relembrando o Caso Corleone, mas não era ela que me daria a oportunidade de um emprego em outra cidade e para isso precisava de alguma informação e naquele momento ela estava com Cal, na casa dos meus amigos.

— Oi. — Skye abriu a porta usando uma camisa velha do marido e um short jeans.

Me esforcei para não revirar os olhos diante daquele clichê.

— E aí, barriguda. — sorri passando por ela sem permissão — O Caleb tá aqui?

— Pode ficar a vontade, Valentina. — ironizou fechando a porta e apontando para sala.

Ele estava lá, sentado com as pernas abertas ao lado de Ethan analisando alguns papéis, ambos de bermuda e camiseta simples.

— Ei, Val! — Cal chamou quando me viu — Você sabe quanto custa uma corrida de táxi? Eu preciso urgentemente que o carro do Luke saia da oficina para eu pegar emprestado de novo.

— Se ele te emprestar. — Ethan bateu no ombro dele de forma amigável.

— Ah, eu sei bem quanto custa. — garanti — Desde que meu velho classic quebrou, vivo de táxi.

— E o carro do Stanley já saiu da oficina? — Caleb questionou.

— Já, o dele não ficou tão feio quanto o seu.

— Então por que não pega carona com ele?

— Ou por que não compra uma bicicleta? — a voz de Skye deu a ideia atrás de mim.

— Gostaria, mas no momento não tem como. — a respondi rapidamente me sentando na poltrona — Quem sabe um dia.

Os olhos de Cal pareceram brilhar quando eu me sentei e um sorriso se abriu em seu rosto, ocasionando um no meu.

— Você chegou a entrevistar alguns daqueles pacientes?— Ethan interrogou quebrando aquela estranha troca de olhares.

— Ahn, só metade ainda. — respondi me endireitando na poltrona — Por quê?

— Eu ouvi uma conversa. — o marido da Skye cruzou as mãos e me encarou profundamente, como sempre — Sabe aquela garota que você perguntou? A que deu em cima do Caleb?

Skye deu uma risada enquanto se sentou ao lado do dono de olhos castanhos esverdeados que instantaneamente corou.

— Quer dizer que você quis saber quem ela era? — Skye claramente questionou para me deixar ainda mais constrangida.

— Sim, eu sei quem é. — ignorei minha amiga propositalmente — O que tem aquela mulher?

— Faz algum tempo que dizem que ela é amante do Dr. Gonzales, chefe do hospital. — Cal esclareceu — E o Ethan ia entregar uma papelada quando viu, ou melhor, ouviu os dois na sala dele.

— E o que tem? — tentava entender a linha de raciocínio dele.

— A Dr. Isabella sugeriu que comprassem mais morfina em meio ao que eles estavam fazendo. — Ethan mexeu nos próprios cabelos como se estivesse nervoso — Acho que os dois estão desviando a verba.

Olhei para a Skye , enquanto tentava pensar em algo.

— É meio óbvio que tem alguém dentro do hospital envolvido. — ela falou acariciando a barriga que começava a apresentar protuberância — Mas normalmente não são apenas duas pessoas, quase sempre é uma quadrilha.

Assenti concordando.

Depois que confirmei que Gregory não estava envolvido nesse desvio, contamos para Skye sobre o tráfico, afinal ela já teve experiência nesse tipo de coisa e poderia nos ajudar.

— Você pode contar novamente tudo o que seu chefe te falou, Valentina? — Caleb pediu.

— Ahn? Você acha que ele está envolvido? — o meu tom de voz subiu.

— Bom, você não acha estranho passar de editora júnior para jornalista do nada? — ele deu de ombros se encostando no sofá e abrindo os braços em torno do Ethan e da minha amiga — Ainda mais te dando uma matéria tão importante.

Parei, pensei, o observei e repeti a história, claro, omitindo a parte do Greg ter sido um suspeito para não trazer lembranças desagradáveis para Skye.

— Não tem nada demais, Caleb. — Ethan falou assim que terminei.

— Errado. Você sabe quem foi a fonte que deu essa informação? — Cal insistiu.

— Ahn, eu perguntei do meu chefe ontem e ele disse que foi uma ligação anônima.

— E por que acreditar em uma ligação desse tipo? — minha amiga questionou colocando suas pernas em cima do sofá.

— Dependendo do assunto, fazemos isso. — respondi fazendo referência a todos os jornalistas.

— E por que não denunciar para a polícia? — Ethan também indagou.

— Quem garante que não ligaram? — Caleb insinuou — Acho que é algo muito maior do que um simples desvio de morfina.

— Como assim? 

Cal e Ethan se entreolharam e eu respirei fundo sabendo que algo importante vinha por aí.

— É antiético revelar casos clínicos sem autorização, então de forma anônima — forçou a voz — estamos te contando que no domingo, enquanto fazíamos um plantão, uma menina foi constatada com morte cerebral, logo pediram autorização da família para doação de órgãos, mas eles não permitiram e não saíram do lado da filha em momento algum.

— Horas depois a menina acordou. — Caleb falou num tom esquisito — Eu vi o laudo, assim como vi o desespero dos pais da criança.

— Eu estava na pediatria. — Ethan explicou — Depois que ela acordou fiz um exame e acompanhei cada momento. Aquela menina sofreu um acidente, mas nada atingiu o sistema nervoso dela, ela só estava sedada com morfina.

— Um dos efeitos secundários da droga é sedar o paciente. — Skye completou fazendo os olhos de Ethan brilharem orgulhosos — E o Ethan falou que administrada em excesso pode causar óbito do paciente por uma depressão respiratória.

— Então se ela não tinha tido morte cerebral, por que constataram isso? — deixei a pergunta no ar.

O silêncio que se seguiu foi devastador, todos ocupados pensando no que poderia ligar morfina, mortes falsas e um hospital.

— Tráfico de órgãos? — minha amiga o quebrou minutos depois — Vocês acham que também existe um tráfico de órgãos na cidade?

— Mais do que isso... — engoli em seco sentindo o coração acelerar, meus poros se eriçarem, ambos consequência do medo — Assassinato.

Caleb balançou a cabeça como se compatibilizasse da minha ideia, mas tive a impressão de que ele não se surpreendeu com a descoberta.

— Eles podem está declarando morte encefálica e roubando os órgãos para venderem. — Ethan complementou — Dados comprovam que esse tipo de morte aumentou na cidade, e faz alguns meses que cresceu no hospital.

— Não. Existe todo um processo para doação de órgãos. — Skye, sempre acreditando no melhor das pessoas, afirmou — Não é?

— Existe, meu amor, mas o mau sempre dá um jeito. — seu marido a respondeu.

— Então, a denúncia da morfina foi só o começo. — disse para mim mesma.

— Sim. — Cal proferiu — Acho que alguém estava começando a investigar o hospital e a quadrilha percebeu.

— Fazendo do desvio de morfina, uma forma de distração.

— Só seria distração se alguém já estivesse investigando o tráfico de órgãos. — Ethan deixou no ar.

— Isso se for um jornalista, talvez seja até a polícia... — Skye acrescentou.

Caleb apertou o joelho com as mãos tentando ligar as pontas soltas da minha matéria.

— Meu chefe. — soltei sentindo as minhas batidas cardíacas aumentarem — Ele que estava desvendando o crime e quando soube da morfina percebeu que tentavam o distrair, além de usá-la para matar pacientes.

— Aí ele mandou a distração dele. — Caleb anuiu — Você.

[...]

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