Verdades sendo ditas


— Meu Deus meninas, nos contem tudo! — eu não sei quem gritou aquilo, mas foi o suficiente para me fazer acordar e pular de susto. Logo vários pares de mãos femininas estavam em meus braços, me arrastando em direção a cama onde Nathaniel estava deitado. Observei ele se levantar em silencio e ficar em pé ao lado da minha cama, seus olhos vermelhos estavam em cima de mim, me encarando curiosamente e ali eu soube que ele não fazia ideia do que tinha acabado de acontecer.

— Brenda, você saiu daqui correndo... O que aconteceu? Cadê a Linda, a Agatha e a Laura? — Rebecca ainda nos olhava curiosa, mas a preocupação se sobressaia em sua voz. Suspirei triste ao ouvir o nome de Agatha, pois eu realmente não esperava aquilo dela. — Rose, está tudo bem? — balancei a cabeça dizendo que sim.

Eu queria que elas calassem a boca por um momento, pois a coisa poderia ficar realmente feia se Nathaniel descobrisse. Ao pensar nele voltei a olhá-lo e ele levantou uma sobrancelha em minha direção. Eu podia facilmente ver em seu rosto que ele estava curioso para saber o que tinha acontecido.

— É claro que ela não está bem! Aquelas vacas a amarraram e queriam exorcizar a coitada. — meus olhos se arregalaram de horror e eu olhei para Brenda, que bufava como um touro raivoso e tinha seus braços cruzados. Porém minha atenção não ficou somente em minha amiga. Temerosamente voltei meu olhar para Nathaniel e o encontrei com as mãos fechadas em punhos.

— Brenda...

— Aí amiga, estou tão orgulhosa de você! Você nem piscou quando chamou Linda de vagabunda. — os braços magros da minha louca amiga me circularam em um abraço e ela me apertou brevemente. Eu gostaria muito de manda-la calar a boca, mas não podia. — E a parte em que você perguntava se queriam que você comesse a Bíblia também? Eu poderia morrer naquela hora, que morreria feliz depois daquela cena. — ela gargalhou completamente alheia ao meio demônio que espumava de raiva próximo a nós. — Me desculpa, sei que deve ter ficado com raiva e com medo, mas aquilo... Rose, a cara delas... Aquilo foi impagável. — ela se jogou na cama, rindo tanto que praticamente perdia o ar e eu suspirei em derrota. Pronto, a merda estava feita.

O resto das meninas estavam em êxtase. A maioria ali somente suportava Linda e a história do meu exorcismo mal feito foi esquecida no momento em que Brenda deixou escapar que lhe deu um tremendo tapa na cara. Naquele momento, ela virou a heroína do convento. Me joguei na cama gemendo em completo desgosto e tentando abafar as vozes excitadas que pediam detalhes.

— Já para cama, agora! — pulei de susto ao ver a porta abrir e a voz de Izobel soar severa. — Já passou da hora de vocês dormirem. Vamos! — eu nunca tinha visto ela tão brava quando estava naquele momento. — Rose, pode vir aqui um momento? — me levantei rapidamente e fui em direção a porta. Izobel suspirou irritada, esfregou seu rosto e fechou a porta, logo depois que passei. — Linda irá voltar para o quarto. Eu consegui convencer irmã Maria a deixar você dormir no meu quarto pelo menos por hoje, pois não confio nessa menina perto de você. Ela está transtornada! Eu irei ficar na sua cama hoje até vermos o que iremos fazer.

— Nem castigada ela foi, não é? — não consegui disfarçar o desagrado em minha voz. Aquilo era tão injusto. — Eu ouvi o que ela disse da irmã Maria. É claro que ela não vai ser castigada.

— Rose, eu sinto muito. Sabe que se eu tivesse alguma autoridade aqui as coisas não seriam desse jeito, mas eu...

— Eu sei. — murmurei puxando irmã Izobel para um abraço apertado. — Obrigada por cuidar de mim. — ela fungou assentindo e me dando as chaves do quarto dela. Me despedi de Brenda lhe explicando brevemente o que irmã Izobel tinha me falado e me direcionei para o quarto que ela tinha me cedido. Era um quarto simples, pequeno, com as paredes pintadas de bege e composto por uma cama de solteiro e um guarda roupas de madeira com um espelho na porta. Porém podia se ver que era bem arrumadinho. Tudo em seu devido lugar, a não ser a cama que estava bagunçada, denunciando que ela tinha se levantado às pressas.

— Você não ia me contar o que aconteceu no porão, ia? — ouvir a voz de Nathaniel naquele ponto não foi nenhuma surpresa para mim. Eu sabia que ele iria vir atrás de mim. Virei-me em sua direção a tempo de vê-lo trancar a porta, antes de se virar para me encarar. — Não, você não ia. — ele tentava esconder a raiva que estava sentindo, mas sua voz o denunciava. — Porra, Rose!

— Fala baixo. — sibilei olhando ansiosamente para a porta e esperando em silêncio para ver se alguém tinha nos escutado.

— Ninguém vai nos escutar. A essa altura todos já devem estar no quarto se preparando para dormir. Inclusive a garota que tentou te matar...

— Ela não tentou me matar...

— Então quer dizer que ela não estava com uma faca nas mãos? Sua amiga estava mentindo então? — era tanta gente falando junto que eu não tinha nem percebido que Brenda tinha falado sobre a faca que estava com Linda. — Me dê um bom motivo para não matá-la agora mesmo por ter encostado em você.

— O que? — encarei seus olhos vermelhos que brilhavam em fúria e senti meu corpo congelar. — Não, espera! Não faz isso, por favor. — me aproximei segurando em sua mão e puxando-o tentando atrair sua atenção. Nathaniel se negava a me olhar, enquanto tremia levemente no lugar. — Nathaniel, por favor. — sussurrei colocando minhas mãos em seu rosto e forçando-o a me encarar. — Vamos conversar, não faz nenhuma besteira...

— Agora você quer conversar?! Rose, se eu não tivesse aparecido aqui hoje e ouvido tudo aquilo da sua amiga, você não ia nem se dá ao trabalho de me contar...

— Não! Não, você não pode... Você não tem o direito de ficar com raiva de mim. — murmurei soltando seu rosto e dando um passo para trás. — Nathaniel você sumiu! Você sumiu por cinco dias! Eu fiquei aqui sem saber onde você estava, se estava bem, se estava vivo... E agora você simplesmente aparece deitado na minha cama como se nada tivesse acontecido?! Eu deveria estar com raiva, não você! — cuspi as palavras em sua direção sentindo meu coração começar a acelerar com a adrenalina. Toda a raiva que eu estava sentindo de Linda, toda a angústia desses cinco dias estava sendo despejados nele. Eu sabia que Nathaniel não merecia tudo isso, mas eu não podia parar agora. E nem conseguiria. — O que aconteceu? O que está acontecendo? Com certeza tem um motivo para você sumir desse jeito.

— Eu estou aqui agora, não estou? — sua voz não passava de um murmúrio contrariado. Dei um passo para trás quando ele tencionou aproximar-se de mim. — Rose...

— Não! Cansei de meias verdades. É melhor você começar a falar. — murmurei encarando-o e esperei. Silêncio. — Está vendo?! Você não tem moral para me cobrar nada, pois você não se dá nem ao trabalho de me explicar o seu sumiço repentino. — rosnei ao vê-lo desviar o olhar e passar a mão em seus cabelos rebeldes. — Vai embora.

— O que? — seus olhos se arregalaram brevemente e eu senti meu coração se apertar. Eu estava extremamente cansada de tudo o que tinha rolado e estava magoada pelo sumiço de Nathaniel. Alguma coisa estava acontecendo, e era uma coisa grave ou ele não sumiria tantos dias sem dar notícias, mas mesmo assim ele preferia me deixar no escuro. — Isso tudo é por que você está com ciúmes?!

— Não, Nathaniel. Não é ciúmes. Apesar de você ter sumido cinco dias, logo depois da gente ter transado e aparecido como se nada tivesse acontecido, eu não estou com raiva por pensar que você poderia estar com qualquer outra. Eu não sou burra e sei que o seu sumiço tem a ver com coisas bem mais sérias. Então me fala! Fala aí o motivo. — cruzei os braços esperando. Nathaniel abriu a boca como se estivesse prestes a falar algo, mas fechou-a novamente e suspirou irritado. Aquilo fez meu sangue ferver. — Está vendo?! Isso me deixa irritada. — apontei em sua direção. — Eu me entreguei completamente. Eu deixei claro que estava com você nessa, mas mesmo assim parece não ser o suficiente para você confiar em mim. Só me deixa em paz, por favor. — murmurei cansada lhe dando as costas e indo em direção a cama. — E você não vai fazer nada com a Linda! Ela é uma vadia que merece um castigo? É! Mas eu mesma posso resolver meus problemas, não preciso que você...

— Como você pode me pedir uma coisa dessas?! Como você pode me pedir para não machucá-la, quando ela tentou fazer mal contra a pessoa mais importante para mim? — de repente sua mão estava em meu braço e eu só pude prender a respiração quando ele me virou com rapidez e circulou os braços em minha cintura, me prendendo contra seu corpo e me embriagando com seu cheiro. — Rose não me afasta de você. Não por isso... Não por eu tentar te proteger de toda essa merda que está acontecendo.

— Nathaniel, você não vê que não precisa me proteger? Eu quero ficar ao seu lado, não escondida atrás de você. — murmurei contra seu peito tentando ignorar as batidas frenéticas do meu coração. — E o único que pode me afastar de você, é você mesmo.

— Eu estou completamente louco por você. Você entende isso? Consegue entender que eu te amo tanto que eu estou fazendo de tudo para te esconder do meu mundo? Para te livrar das garras de Lúcifer e te poupar de tudo que pode acontecer? — apertei meus braços em volta de seu corpo, sorrindo ao ouvi-lo dizer que me amava.

— Você me ama? — murmurei sob seu peito e aspirei seu cheiro.

— De tudo o que eu falei, você só escutou isso? — eu ri do tom indignado de sua voz e afundei meu rosto em seu peito. — Amo. Amo muito. — Nathaniel se rendeu retribuindo meu abraço apertado e enfiando seu rosto em meus cabelos.

— Eu também te amo. — voltei a murmurar ainda com o rosto em seu peito. Seus dedos se prenderam no meu queixo e Nathaniel forçou meu rosto para cima até que nossos olhares estivessem presos um no outro.

— Eu sei. Você fala dormindo, sabia disso? — seu tom de voz era divertido quando me fez essa pergunta. É claro que eu sabia disso, mas não esperava que eu tivesse falado algo do tipo. Tentei abaixar meu rosto, mas seus dedos continuavam firmes me forçando a olhá-lo. — Você não imagina o quanto eu fiquei feliz quando ouvi a primeira vez.

— Não é como se fosse algum segredo. — desdenhei rolando os olhos. — Afinal, eu te entreguei a minha alma. — ri baixinho ao ver seus olhos se estreitarem. Se Nathaniel tinha algo para dizer naquele momento, ele guardou para si e somente voltou a me apertar em seus braços.

— O que eu faço com você, hein Rose? Garota doida. — ri mais uma vez ao ouvir sua voz contrariada e me apertei mais ao seu corpo quente. Eu estava com saudades dele.

— Por hora, vai me beijar. Muito. Depois vai me contar o que fez você sumir esses dias. — consegui atrair sua atenção e me afastei quando seus olhos se encontraram com os meus. — O que? Se quer ficar nesse quarto essa é a condição! Eu não quero mentiras. — ele rolou os olhos, mas deixou que eu o puxasse para a cama. — Anda! Desembucha.

— Achei que eu tinha que te beijar primeiro. — sua voz estava descontraída e eu segurei o sorriso ao vê-lo se aproximar. Coloquei a mão em seu peito e o afastei. — O que?

— Mudei de ideia. Você vai me enrolar e vai terminar não contando. — ele gemeu baixinho jogando a cabeça no único travesseiro que tinha ali e eu cruzei os braços. — E é bom que seja uma boa desculpa, senão você vai mesmo sair desse quarto. E vai ser abaixo de porradas.

— Achei que não estivesse com ciúmes... — sua voz estava sarcástica e sua sobrancelha perfeitamente arqueada em minha direção. Encarei-o impassível e esperei. — Eu estava no inferno. Lúcifer já sabe sobre a gente e... — ouvi um longo suspiro vir dele. — Eu acho que está na hora de te contar umas coisas. — meu coração se acelerou ao ouvir o seu tom e a hesitação em sua voz, mas esperei em silêncio. — Rose, o motivo de demônios, anjos, bruxas, vampiros e outros seres sobrenaturais andares tranquilamente no seu mundo, é o acordo feito entre os... chefes. — ele fez uma careta ao pronunciar aquilo.

— Espera aí, outros seres místicos? O que mais existe além de bruxas, vampiros, anjos e demônios? — eu estava assombrada por saber disso tudo, ainda mais por saber que eles andavam entre nós, os seres humanos.

— Lycans, vocês os conhecem como lobisomens, e tem as fadas. — arregalei meus olhos ao ouvir aquilo. — Tirando as fadas, que não tomam partido em brigas, as outras raças estão meio que em guerra por conta de poder. Os seres humanos estavam morrendo bastante, devido as brigas entre os seres e Deus não estava muito contente com isso. E sim, Rose. Deus existe. — ele continuou sem deixar que eu perguntasse. — Apesar de ser o todo poderoso, criador do mundo e blá, blá, blá, ele não tem o poder de acabar conosco, seres das sombras, pois somos criações do próprio Lúcifer, que apesar de ser um babaca egocêntrico, tem medo do pai dele, afinal, ainda é um arcanjo. Mesmo sendo um arcanjo caído, sendo o pai das trevas e de todos os seres sobrenaturais, ele ainda é criação de Deus, podendo ter seu fim pelas mãos dele. Lúcifer não admite, mas tem medo sim de seu pai. Enfim, pense nisso como... como... como o convento. — ele fez uma pequena careta, mas não se corrigiu. — Na hierarquia do convento, Izobel está acima de vocês e vocês lhe devem obediência. E cima dela, esta irmã Maria. E todas vocês, incluindo Izobel, devem obediência a irmã Maria. No nosso mundo é assim também. Cada ser tem seus chefes supremos, aqueles que não foram transformados, mas sim, criados. Porém, todos eles respondem a Lúcifer por ser o criador de todos eles. E é assim no caso dos anjos. Eles respondem ao seu Deus.

— E Lúcifer tem medo de Deus? — minha voz estava confusa e minha testa franzida ao fazer a pergunta, mas Nathaniel somente riu e rolou os olhos.

— Ele diz que não, mas por qual motivo aceitaria esse acordo? Lúcifer não se importa com ninguém a não ser ele mesmo, então porque aceitaria um acordo que pouparia seres humanos ou seres das trevas? — eu não tinha uma resposta para aquela pergunta e Nathaniel deu de ombros. — No final, o acordo estava selado. Que os seres sobrenaturais brigassem até a morte, desde que não ferissem os humanos ou anjos. Não podíamos toca-los ou sequer nos envolver com eles com humanos e as emboscadas para matar anjos estava acabada. E isso deu certo no começo, mas tudo começou a desandar quando Lúcifer voltou a fazer seus pactos. As almas estavam escassas no inferno e ele deu um jeito de burlar as regras, juntamente com o chefe dos vampiros. — ele bufou. — Depois, ele conheceu minha mãe, e quando eu nasci uma guerra feia aconteceu. Vários dos nossos morreram, mas vários anjos e humanos morreram também. Você tem que entender que uma guerra nunca envolve somente o mundo sobrenatural, sempre sobra para vocês também. Mas isso sempre é abafado. Está conseguindo acompanhar?

— Sim. — murmurei tentando imaginar uma cena envolvendo pessoas com asas, pessoas com presas e lobisomens. Eu não conseguia compreender muito bem tudo, pois por mais que eu tentasse imaginar qualquer coisa, minha cabeça estava cheia de imagens de cachorros gigantes.

— No final de tudo, mais uma vez um acordo foi feito. Os mesmos termos, tirando o fato de que Lúcifer conseguiu manter seus pactos e eu continuava vivo. Estava indo tudo bem até...

— Até. — pressionei ele a continuar e seus olhos se desviaram-se dos meus.

— Até eu te conhecer. Eu não sei direito o que está acontecendo, mas quando seu castigo terminou e eu voltei para o inferno, Lúcifer tinha descoberto tudo e me prendeu lá. Ele não me falou o que estava rolando, mas deve ser algo bem grave.

— Como você conseguiu sair? — sussurrei encarando seu rosto e o vi fazer uma pequena careta, enquanto cobria o rosto com o braço. — Nathaniel...

— Com muitas mortes. Eu realmente não sabia que dava para sugar a alma de um demônio até que eu precisei fazer isso. Rose, eu consegui fugir no segundo dia, mas não consegui vir porque eu estava tão... cheio. Quando nos alimentamos de almas ficamos fortes e eu... eram muitos demônios e eu fiquei com medo de vir direto para cá e acabar te machucando. — ele murmurou envergonhado e eu deslizei meu corpo sobre a cama para deitar ao seu lado. Seus braços automaticamente se fecharam em meu corpo e Nathaniel me puxou para mais perto dele.

— Me desculpe ter falado com você daquele jeito, eu não imaginei... — eu estava completamente envergonhada, tanto que quando ele se virou em minha direção eu não consegui sustentar seu olhar.

— Tudo bem. Me desculpe por manter isso em segredo. Eu realmente não queria que você ficasse com medo e principalmente eu não queria tirar sua escolha.

— Nathaniel, minha escolha é você! Sempre vai ser você. — murmurei puxando-o para um beijo.

...

Ponto de vista Narrador.

Nathaniel abraçou o corpo de Rose na cama. Depois de lhe contar tudo a menina tinha caído no sono. Ela estava extremamente cansada e ele estava feliz por ainda poder ver o sono dela depois de ter lhe revelado tudo, ou quase tudo. Deixaria para lhe contar amanhã que precisam deixar o convento o quanto antes, agora que Lúcifer sabia dos dois.

A maçaneta girando lentamente chamou sua atenção. Ele rapidamente sumiu da cama e apareceu do lado de fora do quarto dando de cara com uma garota alta e com os cabelos loiros. Ela ainda girou a maçaneta mais uma vez antes de se dar por vencida e sair resmungando. Nathaniel a seguiu pelo corredor, alguma coisa lhe dizia que aquela era a menina que tinha tentado fazer mal para Rose. Ele seguiu a garota em silêncio até o banheiro e observou-a ir até a pia e lavar o rosto com água gelada.

— Se aquela vadia pensa que irá ficar por isso mesmo ela está enganada. Eu vou fazê-la sair daqui escorraçada ou não me chamo Linda. — aquilo era tudo o que precisava para confirmar suas suspeitas. Ele podia sentir seu sangue fervendo em seu corpo. Estava pronto para fazê-la pagar, mas sabia que isso iria colocá-lo em apuros com Rose. Bufou contrariado, teria que se contentar com um pequeno sustinho...

Linda encheu suas mãos com a água da torneira e jogou em seu rosto. Ela estava irritada pelo que tinha acontecido e estava com um pouco de vergonha também. A notícia já tinha se espalhado e depois de ter ficado ajoelhada no milho com Laura e Agatha ela foi obrigada a voltar para o quarto e ser alvo dos olhares atravessados de suas companheiras de quarto e de Izobel. Amanhã ela seria a fofoca do convento, ela sabia disso. A loira encarou seu reflexo no espelho e sorriu fria, não iria deixar-se abalar e iria dar um jeito de se vingar de Rose e de Brenda.

Ela tocou o rosto vermelho ainda pela marca dos dedos de Brenda e depois abaixou-se para se molhar novamente. Estava com muito calor e desse jeito precisaria de um banho. A garota levou um tempo até perceber que tinha algo errado. Seu corpo começou a se arrepiar e ela levantou o olhar brevemente ao perceber um reflexo no espelho. Linda olhou para trás alarmada, mas somente encontrou o vazio. Seu olhar se voltou lentamente para o espelho e seu coração acelerou violentamente ao ver seu reflexo sorrir sarcasticamente para ela.

— Olá, vadia. — sua voz ecoou, seu reflexo se mexeu, mas Linda ainda estava paralisada. Ela podia sentir seus olhos se arregalando com o horror, mas a Linda do espelho, aquela que era para ser seu reflexo, continuava encarando-o com a expressão do mais puro deboche. — Como você é ridícula em achar que um demônio iria se prender na sua coleguinha noviça, sendo que a única alma podre, a única alma que me chama atenção é a sua. — o sorriso da menina no espelho se abriu lentamente. — Está pronta para ir para o inferno? Porque eu vim te buscar. — a garota no espelho inclinou a cabeça levemente para o lado. O rosto bonito e macabro sendo manchado por um filete de sangue que escorria devagar de seu nariz. Linda encarou em choque o sangue escorrer do nariz, deslizar pelos lábios abertos em um sorriso extremamente assustador que sua sósia dava, e direcionou a mão trêmula para o seu nariz. Ela encarou chocada os seus dedos cobertos com o sangue vermelho e pegajoso. — Você realmente deveria ter dito "Adeus". — a voz sussurrou com um timbre totalmente grosso, diferente do som da voz de Linda e a garota sentiu suas pernas fraquejarem.

O grito agudo e aterrorizante ecoou pelo banheiro inteiro quando as luzes se apagaram de repente, deixando a loira na mais completa escuridão. 

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