Capítulo 10 - Situações inesperadas
O relógio de Marcelo vibra indicando que o tempo da consulta tinha acabado. Faço uma cara de desânimo em seguida porque estava gostando do papo que estávamos tendo. Nunca pensei que terapia fosse tão aliviante de um jeito que fizesse com que o tempo passasse tão depressa. Em contrapartida, durante o meu período de trabalho, parece que as horas costumavam ter a mesma energia de um bicho preguiça e uma tartaruga.
- Bom Antônio, o nosso tempo infelizmente se encerrou. Eu poderia passar mais uma hora conversando com você mas eu tenho que atender outros pacientes. - Concluiu.
- Sem problemas. Obrigado pela atenção e pelas palavras.
- De nada, eu que agradeço pela confiança. Te vejo daqui a quinze dias. - Diz ele me cumprimentando.
- Até lá. - Me despeço com um sorriso.
Levanto da cadeira e caminho para fora de sua sala. Na recepção, percebo um rapaz sentado na mesma fileira onde estava antes, possivelmente aguardando a minha saída. Passo em direção a porta de vidro, ao mesmo tempo me despedindo com um aceno para Ana, a secretária da clínica, e então estou de volta à civilização.
O choque térmico é penetrante e uma onda de calor toma conta do meu corpo. Não sei como o pessoal lá dentro consegue ficar tanto tempo nesse frio do ar-condicionado de congelar os ossos. Até no período da faculdade eu fazia um esforço tremendo para me concentrar em meio ao ambiente gélido demais.
Chegando próximo do ponto de ônibus, recapitulo na minha cabeça toda a consulta de hoje com Marcelo. A pauta dessa semana foi claramente sobre as minhas amizades e como elas afetavam os meus sentimentos. Além de fazer perguntas sobre Lavinia, Marcelo ainda quis saber tudo o que envolveu a minha suposta briga com Sara. Já que estava em um local apropriado para falar sobre tudo o que se passava na minha vida, resolvi abri o jogo.
Contei que Sara tinha ficado chateada quando revelei que iria trancar o curso e que depois disso, ela não manteve mais contato comigo. Marcelo ficou surpreso pelo "motivo" que desencadeou toda essa rixa entre a gente, e não tiro sua razão, eu também ficaria. Acho que ele deve ter achado que éramos ainda dois adolescentes birrentos e que discutiam por qualquer bobagem ridícula. Não me surpreenderia se ele estivesse desejando imensamente que eu deixasse ele em paz e fosse embora. Que maravilha Antônio! Que pautas importantíssimas que você esta trazendo para o seu psicólogo nesses primeiros dias de terapia.
Sobre o assunto, ele alegou que minha amiga não soube encarar a situação com a devida maturidade e que talvez tenha se precipitado na hora de expressar seus sentimentos. O que concordei com veemência. Ele argumentou também que por nós dois termos uma aproximação muito forte desde o início do curso, contribuiu de certa forma para a sua reação infeliz.
Ao mesmo tempo, afirmou que o pedido de desculpas de Sara era uma prova genuina de que ela gostava de mim, e que o tempo longe da minha presença a fez pensar melhor sobre a forma como lidou com a minha saída.
Por fim, ele ainda concluiu dizendo que muitas pessoas acabam involuntariamente seguindo uma rota contrária do que deveria ser feito, vislumbrando o seu próprio querer ao invés de raciocinar o que era mais importante a ser colocado em prática. Frisou ainda que tomar a atitude correta deve ser um mérito considerável a ser executado por tal pessoa.
Em meio a essas memórias, aguardo o ônibus na expectativa de voltar para casa a tempo de me arrumar para o trabalho daqui a pouco. Já vi que vai chegar o dia que vou precisar vim para a clinica de farda e ir direto para a loja. Se na próxima consulta eu precisar aguardar de novo, não vai ter jeito. Tudo que eu menos quero é ter motivo de me arrumar as pressas e acabar chegando atrasado.
(...)
Na hora do almoço, estou em uma mesa com os meus colegas conversando sobre os assuntos mais variados possiveis. Na verdade, só escuto com atenção a maior parte do tempo enquanto degusto do meu almoço. O assunto em questão dessa vez era a tentativa de assalto que um amigo de Ricardo sofreu ontem a noite. Segundo ele, seu amigo estava pilotando sua moto com o irmão mais novo na garupa, quando de repente dois caras em outra moto começaram a segui-los na estrada. Por sorte, o rapaz notou algo de errado acontecendo e acelerou quando os outros dois já estavam quase próximos a eles.
Minha ansiedade foi a 80 km por hora ouvindo toda essa história. Já tinha comentado antes o medo de ser assaltado pela cidade, e ouvir esses relatos me deixavam com mais pavor ainda de acontecer alguma coisa parecida comigo. Minha mãe e Raquel já foram assaltadas e presenciei seus traumas depois do ocorrido. Não é fácil você batalhar por algo e ver outra pessoa se apropriar em um piscar de olhos, sem você poder fazer nada para impedir.
No caso da minha mãe, o bandido estava armado, e se ela tivesse resistido ou tentado correr a situação seria fatal. Muitas pessoas se arriscavam na tentativa de não perder seus bens e acabavam pagando caro por essa falta de noção extrema. Até porque você estando vivo, pode recuperar o que lhe foi tomado. Já levando um tiro, a coisa seria bem mais difícil.
Luisa também ouvia tudo atentamente e resolveu falar:
- Ainda bem que ele foi esperto e percebeu a tempo. No meu caso, eu já estava quase chegando no portão de casa e nem me dei conta do bandido que vinha na minha direção. Se tivesse me atentado um pouco antes eu teria corrido depressa e entrado. - Relata e voltando a comer no mesmo instante.
- Amiga também não é assim né. O cara poderia tá armado e pronto pra atirar se você tentasse alguma coisa. Nessas situações é melhor saber bem o que fazer. - Fala Karol depois de um gole do seu suco de goiaba. - Em relação ao amigo do Ricardo, ele também se arriscou nessa tentativa de fuga. Vai saber se esses bandidos tivessem armados mesmo? E pior, se conseguissem atirar contra eles? O que eu achei uma baita sorte isso não ter acontecido.
- Ah para né Karol. O cara iria perder o único veículo que o ajuda a trabalhar e não iria fazer nada?! Pois eu teria feito a mesma coisa. Esses vagabundos acham que a gente caga dinheiro pra eles roubarem as nossas coisas que a gente soa tanto pra conseguir. - Ricardo retruca.
- Bom, se ele achou que seria uma boa tentar se arriscar assim, quem sou para julgar alguma coisa. - Disse ela por fim.
- Nossa, nem no trânsito a gente está imune dos assaltos. Me dá até medo de pegar transporte agora. - Emito um comentário sobre o assunto para aparentar que estou na conversa.
- Nem no trânsito, no transporte e nem andando a pé. Não tem outro meio para se fugir disso não parceiro. - Fala Ricardo em minha direção.
O pior que era verdade. Não há nada a ser feito a não ser se proteger o máximo que puder. Teve uma noite que eu estava com muita dor de cabeça e não tinha lembrado de comprar nenhum comprimido ou remédio. Já era um pouco tarde, e apesar da farmácia não ser muito longe, optei por não sair de casa e prezar minha segurança. Claro que depois eu não consegui dormir direito mas era melhor do que alguma coisa ter acontecido.
Eles continuam o assunto e eu volto a comer no mesmo instante. No momento que vou dar uma garfada, meu celular vibra indicando que recebi uma nova mensagem no aplicativo. Pego o aparelho e vejo que é de um número desconhecido sem foto. Clico na mensagem.
- Oi Antônio, sou eu o Isaac.
Ãh? É ele mesmo?! Como ele descobriu o meu...
Aaah! Lembrei. Sara tinha passado o meu número para ele. Mas o que ele queria comigo? Noto que ele está digitando...
- Quanto tempo né?! Fugiu da gente kkkkk
Aí meu Deus!
Não sei o que dizer. Eu tenho que responder alguma coisa se não ele vai pensar que eu tô esnobando ele.
- Oi kkkk tudo bom?
– Nem faz tanto tempo assim... Deixa de história que vocês não devem nem mais se lembrar de mim.
Envio e mando uma das centenas de figurinhas da Gretchen que tenho armazenadas no meu acervo do celular. Logo depois de visualizar a minha mensagem, ele envia mais outra.
- É claro que a gente lembra oxi...
– Nós dois nos viamos praticamente todos os dias no campus e de repente você some e vai embora. Todos os nossos colegas perguntam por você.
Já imagino as diversas teorias que eles tiveram a respeito da minha saída. Foi uma decisão minha não querer expor para os meus colegas os porquês que me levaram a tomar essa atitude de me mudar. Justamente por ser vários motivos pessoais meus e que não queria ter que ficar comentando para ninguém. Era verdade que eu sentia a falta de alguns e até eles mesmos deviam sentir, mas acredito que a maioria perguntava mesmo somente por curiosidade de saber da vida alheia. Ora se não era. Volto a digitar...
- Também sinto muito a falta de vocês e da faculdade em si, pode acreditar! Mas estou muito melhor aqui trabalhando e tendo a oportunidade de morar sozinho, que era o que eu almejava a muito tempo. - Envio esperando sua resposta. Depois de um minuto, ele responde:
- Entendo. O importante é você estar feliz não é?! A Sara me contou algumas coisas.
- Ela também falou da nossa discussão? - Questiono.
– Falou mas tem pouco tempo.
– Eu não sabia que vocês tinham brigado. Que bom que já se acertaram.
- Pois é. - Respondo de forma imediata.
Como ainda estava no meu horário de almoço, resolvi não dar continuidade com a conversa. Envio outra mensagem em seguida:
- Então... Estou no meu horário de almoço agora. Depois a gente conversa, ok?!
Não espero para ver sua resposta e guardo o celular no bolso da calça. No mesmo instante, Karol olha para mim toda desconfiada.
- Hmmm... Olha ele... Quem é o boy? - Assim que ela faz a pergunta, rapidamente coloca a mão na boca em um gesto de arrependimento. - Desculpa, mas você é gay não é?! - Continua ela de forma curiosa. Luisa e Ricardo param de comer ao mesmo tempo e olham para mim.
Em outros tempos, eu tentaria de todos os jeitos sair dessa conversa sem dar algum tipo de brecha em relação a minha sexualidade. Hoje em dia, já não me importo em ter que revelar a minha orientação para as pessoas.
Só acho que essa história de "sair do armário" já está um tanto ultrapassada.
A gente não tem que se ver obrigado a explicitar para as pessoas sobre a nossa sexualidade. Até porque ninguém se assume hétero não é mesmo?! Porque somente nós que temos que passar por esse tipo de ritual?
- Se eu sou gay? Acho que já deve estar na cara não é?! - Começo a rir mostrando que estava tudo bem.
- Aí, desculpa Antônio pela minha reação. Lembrei que na escola os meus amigos gays que não eram assumidos não queriam dar pinta por aí por causa dos pais. Fiz a pergunta porque ainda estava com dúvidas. Vai saber se você poderia ser hétero né. - Responde envergonhada.
- Os meus pais ainda não sabem mas arrisco a dizer que eles possam desconfiar. Entretanto, se eles fizerem para mim a pergunta de um milhão de dólares, eu não vou mentir. Não estou dependendo de ninguém mesmo pra ter medo de rejeição ou coisa do tipo.
- Mas você acha que eles vão ficar de boa? - Quem faz a pergunta agora é Ricardo.
Esse é o tipo de questionamento que faço a mim mesmo durante anos. Em relação à minha mãe, ocorreu momentos no passado que comecei a notar por parte dela algumas falas problemáticas e homofóbicas. Hoje em dia, isso se tornou quase nulo. Pelo menos não na minha frente. Acredito imensamente que minha mãe tenha conhecimento sobre mim, visto que ela não é burra e tipo TODAS ELAS SABEM no fundo sobre você. O mais provável é que ela evite falar comigo sobre isso.
Com o meu pai, já relatei antes que não tinha como formular uma possível reação sua, pelo fato de não sermos tão próximos como eu gostaria. As vezes tenho a impressão que ele possa ser mais mente aberta do que a minha mãe, mas acabo me frustrando na possibilidade se estar sendo ingênuo demais. Resumindo tudo: insegurança e paranoias.
- Olha, eu sinceramente não sei o que pensar. Talvez eles acabem estranhando no início e com o tempo começem a se acostumar com a ideia. Não é como se eu fosse mudar quem eu sou atualmente. Além disso, sempre fui um filho calmo e respeitoso com eles. Eu sei que isso não quer dizer nada, mas são alguns pontos que tenho ao meu favor e que concerteza eles devem pensar antes de tentarem falar e fazer qualquer coisa que me machuque.
- Então você tem esperanças que no final ocorra tudo bem. - Luisa afirma em minha direção e fico receoso em dizer algo.
- Acho que sim. - Concordei por enquanto.
- Bom, mas voltando ao assunto de antes. - Fala Karol toda animada na tentativa de mudar o clima da conversa. - Você já tá ficando com alguém aqui em Fortaleza? É essa pessoa que você está conversando?
– Não gente... – Solto uma risada.
– Estou conversando com um colega da faculdade que entrou em contato comigo pra saber como eu estava.
Karol realmente tinha a mesma energia de Lavinia, a impressão que tenho é que estou vendo a mesma na minha frente.
- Aí que pena, tem tanto gatinho por aqui... - Diz Karol em seguida.
Ricardo percebendo o rumo da conversa, voltou a saborear o seu almoço em silêncio. Acho que ficou desconfortável.
- Liga não amigo, a Karol gosta de sempre está por dentro da vida alheia. Não é amiga?! - Fala Luisa em tom de brincadeira.
- Há há, muito engraçadinha! Se vamos ter uma amizade com alguém, precisamos saber mais sobre a pessoa. Certo?! E não faz mal nenhum perguntar, o Antônio nem se incomodou com nada. - Diz ela terminando de comer.
- Sim, não tem problema nenhum. - Mais ou menos.
Ricardo também termina o seu prato, e depois de alguns minutos nos retiramos do restaurante para voltar ao posto. Passo rapidamente até o banheiro para me higienizar e ver se Isaac mandou alguma outra mensagem. Apanho o celular mais uma vez e noto três mensagens suas:
- Ah desculpa se eu te atrapalhei.
- Enfim, eu entrei em contato mesmo para saber onde você tá morando especificamente.
- Quero te fazer uma visita quando eu for para Fortaleza.
– Pode ser?
OI DEUS, SOU EU DE NOVO!
O meu ex crush querendo me visitar para despertar meus instintos ilusórios que já estavam adormecidos... Que morte! O que eu faço agora?
Digito uma resposta:
- Oi, voltei kkk
- Então, eu trabalho de segunda a sábado. Só restaria o domingo pra você vim mas acredito que queira ficar perto da sua família. Acho que só daria certo quando você entrasse de férias.
Pronto! Acho que ele vai topar a minha proposta. Guardo o meu celular no bolso, já me preparando para voltar a loja.
//
No sábado à noite, estou relaxando ao som das minhas músicas preferidas. O álbum escolhido dessa vez era o "What's Your Pleasure?" da Jessie Ware. Não tenho palavras para descrever o quanto eu amava a sonoridade das músicas e o quanto elas me remetiam aos anos 80, mesmo não sendo nascido e nem ter vivido nessa época.
Sério! a vibe desse álbum é de outro mundo e posso passar a noite toda desfrutando dele. Minha música preferida era "In Your Eyes" a qual esta tocando nos meus fones nesse exato momento.
Quando o refrão da música chega, acabo escutando um barulho diferente da canção e tiro o fone do lado direito pra ouvir melhor. Era o som do interfone tocando. O que será que era? Eu não conhecia ninguém na cidade que saiba onde eu moro e a única pessoa que entrou aqui foi Lavinia. Poderia ser o síndico querendo me avisar de algo? Isso é que vou descobrir.
Caminho até o aparelho pregado na parede e atendo em seguida.
- Alô?
- Boa noite, aqui é o Carlos. O porteiro!
- Oi senhor Carlos, boa noite! - Falo simpático.
- Chegou dois rapazes aqui atrás de você. - Escuto alguns cochichos na linha. - O nome de um deles é Isaac e disse que você conhece ele.
Oi?? Será que ouvi direito? Isaac estava aqui no meu condomínio atrás de mim? E como ele descobriu onde eu moro? E ainda veio acompanhado de não sei quem. Meu Deus do céu, eu devo ter jogado pedra na cruz pra merecer isso. Dou uma breve olhada no estado que está meu apartamento e quero me atirar pela janela o mais rápido possível. Volto a falar:
- Sim, eu conheço ele. - Minha vontade era ter dito que não a plenos pulmões. - Pode permitir a entrada deles.
Assim que desligo a ligação, corro para arrumar tudo em apenas cinco minutos até Isaac chegar. Quando termino, dou uma olhada básica no espelho para ver se estou apresentável. Eu ainda nem tomei banho! Que judiação. Vou até a pia na cozinha e molho o meu rosto na tentativa de melhorar minha face.
Ouço batidas na porta.
- Droga! - Solto baixinho me limpando.
Vou até a porta e espero até eles baterem de novo. Do lado de fora, ouço Isaac falar com a outra pessoa que veio com ele. Quem será que ele trouxe? Percebendo que não tenho chance alguma de eles irem embora, passo a chave e abro a porta.
Lá estava ele. Mais lindo do que eu me lembrava.
Isaac usava uma blusa vermelha e uma bermuda cor vinho. Ele sempre costumava usar o básico, então não me surpreendo muito. Seus olhos também eram castanhos e seu cabelo era liso e loiro, de um tom mais escuro, com um corte social. Ele era alto e magro, porém tinha uma certa definição por praticar esportes. Arrisco a dizer que ele era quase do tamanho de Luciano.
O outro cara que estava ao seu lado eu não conhecia. Ele usava óculos e tinha o cabelo escuro enrolado. Era da mesma altura de Isaac. Estava com uma blusa azul escura e uma calça jeans um pouco folgada. Enquanto Isaac só usava um par de sandálias, ele tinha em seus pés um all star azul.
- Oi... Boa noite! - Isaac sorri com o seu sorriso contagiante.
- Olha aí... - Tento ser simpático na medida do possível. - Boa noite também, que surpresa! - Aí que vergonha de mim.
- Espero que a gente não esteja te atrapalhando.
- Não, está tudo bem! - Tento mostrar que estava de boa. - Podem entrar!
Eles dois então entram no meu apartamento. Isaac começa a olhar todo o móvel e o seu amigo continuava em silêncio.
- Ah, nem apresentei vocês. - Ele fala envergonhado. - Amigo esse é o Theo, meu namorado. - Ele fala colocando a mão no ombro dele.
Se antes eu achava que não tinha como piorar, eu estava redondamente enganado. A vida sempre dá aquele empurrãozinho.
- Muito prazer, meu nome é Antônio. - Estendo a minha mão em cumprimento.
- O prazer é todo meu! Já sei o seu nome, o Isaac me falou de você. - Fala Theo em minha direção.
- Amigo o seu apê é lindo. Parabéns! - Continua Isaac agora olhando pela varanda.
- Que nada amigo, eu quase não tenho nada praticamente. - Modéstia era comigo mesmo.
- Aos poucos você vai ajustando tudo. Sei bem como é. Meu irmão começou assim quando saiu de casa. Quando você menos esperar, ela já vai tá toda mobiliada.
- Assim espero. - Sorri com os lábios. - Mas... E aí, como vocês descobriram onde eu moro? - Questiono não conseguindo mais esconder a curiosidade.
- Eu perguntei a Sara qual era o bairro em que você mora, e o condomínio também. Não foi muito difícil, eu tenho costume de passar por essas bandas... Quis fazer surpresa, agi errado? - Pergunta com uma cara de interrogação.
- Claro que não. - Minto. - Mas eu gostaria de ter sido informado para arrumar a casa direito.
- Que nada, eu não ligo pra essas coisas. Sei que a vida de quem mora só é uma zona.
- Pode crer. - Concordo balançando a cabeça. - Então, vocês querem ficar aqui na sala ou ir para a cozinha? Lá tem uma mesa e a gente pode se sentar para conversar.
- Pode ser, você que manda. - Fala Isaac por fim.
Já vi que minha noite solitária foi pro espaço.
*
Oi gente, chegamos a marca de 10 capítulos já feitos de "SESTTA".
Nunca pensei que escreveria um livro nessa plataforma e está sendo uma experiência incrível. Eu que já estou por aqui bastante tempo, sempre acompanhando os livros dos outros autores, e agora eu sou o AUTOR. Bizarro e bom ao mesmo tempo. Então, se vocês gostaram e curtiram o capítulo, cliquem na estrelinha a baixo para a história chegar em mais pessoas. Um beijo e boa noite! Até o próximo capítulo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top