Shelby



A primeira coisa que senti foi a areia roçando na minha pele, alcançando lugares em que não deveria. Era incômoda e quente. Não me movi. Permaneci de olhos fechados, enquanto o vento bagunçava meus cabelos, jogando os fios para frente. Naquele momento, eu não sabia se estava viva ou morta, presa em algum tipo de inferno — o lugar para onde meu pai dizia que pessoas como eu iriam.

— Ei, você está bem? — A voz era baixa, rouca, quase inaudível.

Arrisquei abrir os olhos. A clareza do sol fez minha visão doer.

— Estou... Onde estamos? — Perguntei, semicerrando os olhos.

— Isso é o que todos gostariam de saber. — A resposta me assustou. Como assim, todos?

— Vem, vou te ajudar a levantar.

A garota — que, aliás, era muito bonita — apoiou minhas costas e me ajudou a ficar de pé. Minhas pernas estavam fracas, e senti que desabaria se ela não me segurasse com firmeza.

— Desculpa... Estou me sentindo tonta. — Murmurei.

Ela sorriu e me segura ainda mais forte.

— Não precisa se desculpar. Gosto de carregar garotas bonitas.

Meu rosto esquentou imediatamente, e eu sabia que estava vermelha. O sorriso dela se alargou, tornando-a ainda mais radiante.

Caminhamos por algum tempo até encontrarmos um pequeno grupo de garotas. Elas estavam catatônicas. Uma delas chorava; outra batia na areia com força.

— Encontrei mais uma. — Disse a garota, enquanto me ajudava a sentar suavemente no chão.

— Isso aqui só pode ser uma maldita brincadeira! — Gritou uma das meninas, exasperada.

Até aquele momento, eu ainda não havia compreendido a gravidade da situação. Foi então que olhei ao redor. E tudo o que vi foi areia e água.

— O que aconteceu? — Minha voz saiu trêmula, quase desesperada.

— Ah, loirinha, você ainda não entendeu? — Respondeu uma garota, ríspida. — Nosso avião caiu, e agora estamos aqui, sem saber o que fazer!

Suas palavras fizeram meu coração descompassar. Será que isso foi o castigo que meu pai tanto falou?

A noite chegou, abraçando-nos com escuridão. Permanecemos na mesma posição, olhando para tudo e para nada ao mesmo tempo, esperando por algo — qualquer coisa — que pudesse nos tirar dali.

— Chega! — A garota de cabelo mais curto disse impaciente. — Não podemos ficar aqui nos lamentando para sempre. precisamos encontrar um lugar para dormir.

Ninguém se moveu. Talvez, levantar tornasse tudo real demais.

— Vamos! Não temos tempo para lamentações. — Ela começou a nos erguer pelos braços, uma a uma, até que todos estivéssemos de pé. Caminhamos como zumbis, sem rumo, em direção ao desconhecido.

Depois de algum tempo, encontramos uma caverna. Acomodamo-nos ali como podíamos. Não temos como fazer fogo, e o frio logo fez minha pele arder e meus ossos doerem.

A garota que me ajudou parecia ser a menos abalada. Ela conversava com outra menina, ambos rindo baixo, como se tudo aquilo não fosse um pesadelo.

E, pensando bem... Depois de tudo o que vivi nos últimos meses, talvez estar presa aqui fosse o mais próximo de um sonho.

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