Capítulo 25 - O peso de ser sua
Por Estela
Alguma coisa me dizia que provavelmente eu estava em outro mundo, pois eu ouvia de forma insistente, uma vozinha lá no fundo da minha cabeça, tentando me puxar para a atmosfera terrestre.
- Estela? – A voz ia ficando mais próxima. – Ah porra, deveria ter ficado com a minha boca fechada.
Pisquei os olhos algumas centenas de vezes até voltar a consciência. Olhei para o lado e percebi a expressão de alívio se formando no rosto de Matías.
- Aí, graças a Deus. – Ele colocou a mão no peito. – Por um segundo achei que tivesse entrado em estado de choque.
- Eu preciso ir tomar um ar. – Foi o que saiu da minha boca.
- Eu vou com você. – Matías ameaçou a levantar da cadeira, mas eu o impedi.
- Por favor, me deixe ir sozinha...
Caminhei de forma cega pelo estreito corredor do teatro, que estava escuro. Na minha mente, um vazio se formava e eu nem tive estômago para olhar novamente para o palco, com medo do que eu poderia ver.
A claridade da luz do sol fraco inundou a minha pele, assim que pisei com meus pés para fora da construção. Alguns aglomerados de pessoas começavam a se espremer para tentar ter acesso ao teatro, e eu já sabia o motivo do alvoroço.
- Não acredito!! Miranda e Enzo juntos...será que vai ter um flerte? – Ouvi uma moça cochichando de forma empolgada com uma amiga.
- Não seja idiota, ele está com a tal da brasileira, esqueceu? – A outra devolveu.
Senti meus olhos queimarem denunciando que as lágrimas estavam prestes a cair. Mais que depressa, corri para longe daquele tumulto e caminhei sem ao menos saber para onde estava indo, tampouco onde eu estava.
Permiti que o choro que estava preso em minha garganta fosse liberto sem culpa. E enquanto eu caminhava, eu pensava o tempo inteiro sobre aquele acontecimento.
Enzo sabia que a ex namorada faria o teste com ele? Será que foi por isso que ele quis me contar sobre ela? Será que os dois vão fazer essa peça juntos? Será que isso vai mudar tudo entre nós?
Eu não tinha as respostas para essas perguntas, e honestamente, não sabia se as queria. Meu coração ficava ainda mais pequeninho toda vez que eu relembrava a cena do teatro e da revelação de Matías.
Já estava perdendo a noção de tempo e de espaço quando finalmente me dei conta de que eu havia andado demais e de que estava escurecendo. Avistei uma lanchonete no fim do quarteirão em que eu me encontrava e decidi entrar.
Peguei meu telefone e não fiquei surpresa quando percebi que o mesmo havia descarregado.
Excelente, eu havia me perdido.
Por Enzo
De todas as coisas que eu já havia visto na vida, nenhuma delas me causou mais surpresa do que ver que contracenaria com minha ex namorada. Sem sombra de dúvidas, eu não estava esperando por aquilo, e agradeci imensamente pelo fato de que Estela não conhecia Miranda em pessoa e nem por foto.
- É bom te ver, Enzo! – Miranda se aproximou de mim com um sorriso amigável nos lábios.
- Igualmente. – Sorri de canto.
- É uma coincidência e tanto tudo isso. – Ela parecia sem graça.
- Concordo...uma grande coincidência. – Penteei meus cabelos para trás, estava impaciente para sair dali.
- Boa sorte para nós, então. – Miranda me abraçou, tímida e saiu do meu campo de vista.
Minha primeira reação após esse inusitado encontro, era ir até Estela e Matías, na expectativa de que meu amigo não tivesse falado demais.
Busquei com o olhar a presença dos dois, e com certa dificuldade encontrei Matías no fundo do teatro, bem escondido. Caminhei em sua direção a passos rápidos.
- Onde está Estela? – Foi a primeira coisa que perguntei.
O argentino me olhou, pálido e engoliu seco.
- Ela disse que queria dar uma volta sozinha... – Foi o que disse.
- Como? – Eu estava confuso. – Ah, não me diga que você...
- Eu realmente não sabia, para mim vocês contavam tudo um para o outro, como iria adivinhar que ela não sabia da sua ex?! – Matías tentou se defender.
Bufei, irritado. Não era assim que eu imaginava que as coisas terminariam naquele dia.
- Para onde ela foi? – Respirei fundo.
- Não sei, ela não me deixou ir com ela. – Ele estava nervoso.
Peguei meu telefone e tentei ligar para a brasileira, o celular caindo na caixa postal em todas as tentativas, fazendo com que o desespero crescesse em mim.
- Você é louco! Ela não conhece nada em Montevideo, porque não foi com ela? – Elevei o tom de voz.
- Eu já disse, para mim vocês não tinham segredos, não me culpe por isso. – Matías ralhou.
- Eu não sabia que ela faria o teste, como poderia? – Minha impaciência ia crescendo cada vez mais. – Vou atrás da Estela, e você fique aqui acaso ela volte.
Não esperei o mais novo responder, e rompi porta afora em busca da minha namorada. Ignorei os fotógrafos e algumas pessoas querendo algum furo sobre meus novos projetos. Minha única preocupação era encontrar a minha garota.
Parei em algumas bancas de jornal que tinham ali por perto e mostrei a foto da morena, na esperança de alguém a tivesse visto.
- ¿La niña llorando? Oh si, la vi si, ella fue en esa dirección. – Um senhor da banca da esquina me informou, apontando para uma ruela que ia de encontro a um bairro mais afastado do centro.
Agradeci pela informação e continuei minha busca, cada vez mais acelerado, por desconhecer os sentimentos que poderiam estar em conflito no coração de Estela.
Já estava perdendo as esperanças de encontrá-la, quando decidi entrar na última lanchonete da rua.
O ambiente, até então estava vazio e um tanto quanto escuro, o que dificultava um pouco a visualização das pessoas ao meu redor. Era praticamente improvável que Estela estivesse ali.
Porém, para minha surpresa, quando eu estava prestes a dar meia volta, ouvi um choro baixinho no fundo do ambiente. Aquele choro era conhecido. Caminhei em direção ao barulho e me deparei com Estela cabisbaixa e soluçando.
- Chiquita? – Chamei por ela.
Naquele momento o choro cessou e Estela levantou a cabeça vagarosamente.
- C-como me achou? – Ela fungou.
- Meu Deus, achei que não fosse te encontrar mais, você quase me matou de susto. – Sentei-me ao seu lado a abraçando.
Ela continuava imóvel.
- Como se saiu no teste? – Estela me olhou nos olhos pela primeira vez.
Eu podia sentir onde ela queria chegar com a pergunta que havia acabado de fazer.
- Terei notícias até o final da semana. – Respondi com cautela.
- Hum... – Ela murmurou, secando as lágrimas de forma comedida.
- Estela, não sei o que o Matías disse a você, e sei que provavelmente você não levará minhas desculpas em consideração, mas quero que saiba que eu não tinha ideia que minha ex namorada faria esse teste, tampouco que seria comigo. – Soltei um suspiro pesado.
O silêncio reinou entre nós e meu coração foi ficando cada vez mais descompensado, em um estado de ansiedade que eu não me lembrava de ter sentido outras vezes.
- Acho que agora eu entendo o que me falavam sobre me relacionar com uma figura pública. – Estela, enfim, voltou a falar.
- Como? – Perguntei, em um misto de confusão e curiosidade.
- Está começando a ficar mais difícil suportar o peso de ser sua.
E o silêncio voltou a preencher o lugar.
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E agora? Como esse casal fica, hein?!
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Um beijo da tia Vick <3
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