Capítulo 22 - Reunião de família

Por Estela

Alguns dias se passaram desde a minha chegada a Montevideo. Nesse meio tempo, dediquei a minha atenção em conhecer a cultura do Uruguai e estreitar meus laços com as pessoas próximas a Enzo, sendo o primeiro deste o Matías.

Quando eu não estava com os dois, eu me concentrava em atualizar meus amigos que estavam ansiosos no Brasil. Na minha última conversa com eles, alertei Alice que estava fazendo uma ponte entre ela e Matías Recalt e ela logo tratou de pesquisar afundo sobre o argentino.

Mas de uma coisa era sempre certa, em todas as noites, desde a minha chegada no país, Enzo e eu ficávamos juntos, e quando eu digo juntos, era junto de todas as formas possíveis e imagináveis. O que era bem engraçado as vezes, porque Matías sempre buscava fazer piadas sobre o nosso sumiço a noite.

Vogrincic ainda não tinha se decidido a respeito do teatro, apesar de que eu imaginava que ele acabaria aceitando, e eu também optei por não pressioná-lo, até porque, ele sabe exatamente onde estão seus desejos e seus limites.

Hoje era domingo, e fazia um dia bonito na cidade. Enzo, depois de muita insistência, marcou um almoço com sua família, com o intuito de me apresentar para seus irmãos e para seus pais.

Confesso que eu estava com medo do que poderia sair desse encontro, mas não iria transpor isso para o mais velho, que neste momento sorria, animado.

- Meus pais não moram muito longe daqui, o que acha de irmos de bicicleta? – Ele sugeriu.

- Seria incrível. – Concordei prontamente.

- Você me parece tensa, chiquita. – Enzo me analisou, piamente.

Desviei meu olhar do seu e sentei-me no sofá da sala.

- É impressão sua. – Sorri amarelo.

Enzo revirou os olhos e imitou o meu gesto, as vezes o jeito que ele conseguia captar minhas inseguranças parecia bizarro demais.

- Não precisa mentir para mim, dá para sentir o cheiro do seu medo lá debaixo. – Apontou para fora.

- Não é medo...é só que... – Comecei, mas fui interrompida.

- E só que você está insegura se minha família vai te aceitar. – O moreno completou. – Você precisa entender que meus pais e meus irmãos não vão te morder, nenhum deles será hostil como o Guilhermo, pelo contrário, desde quando souberam de nós, não pararam de me perguntar quando eu lhe apresentaria para eles, estão eufóricos com a ideia, mi reina.

Olhei para ele, ainda um pouco desconfiada. Não é que eu não acreditasse nas palavras que ele me lançava, mas levando em consideração todas as vezes em que ele tentou tapear uma situação ruim com palavras de conforto, o resultado não tinha sido dos melhores.

- Eu quero muito acreditar que você não está me dizendo isso só para me tranquilizar ou agradar. – Soltei um suspiro.

- Não tenho porque mentir para você, eu conheci sua família, quero que conheça a minha, sim?! – Enzo acariciou meu rosto com ternura.

Eu sabia que não poderia empurrar esse encontro com a barriga, se estivéssemos no Brasil, talvez seria algo justificável, mas estamos no Uruguai, e eu estou de férias, qualquer desculpa esfarrapada não colaria naquela altura. Então eu não teria outra alternativa, precisava encarar tamanha responsabilidade.

- Você venceu, como sempre. – Revirei os olhos, sorrindo.

- Não vai se arrepender, juro. – Enzo saltou, animado.

Seguimos para o elevador do prédio, sinalizando nossa parada no térreo. O porteiro nos cumprimentou de forma gentil, e Enzo me guiou até onde guardava sua famosa bicicleta dos costumeiros stories.

Olhando aquela cena, eu podia sentir que muitas garotas estariam enlouquecidas para ver o uruguaio pedalando sua bike e, principalmente, sendo sua garupa.

- Está pronta? – Enzo me perguntou, estendendo um capacete para mim.

Assenti, ajeitando a proteção em minha cabeça. O uruguaio me ajudou a montar na bicicleta e envolveu meus braços em sua cintura, dando partida logo em seguida.

O caminho de fato havia sigo curto, mas a experiência, sem sombra de dúvidas, estava sendo única.

A casa onde a família de Enzo morava, acompanhava a simplicidade e tranquilidade que o apartamento do ator exalava, os tons pastéis e a janela de vidro, davam um pouco mais de sofisticação na construção, mas nada muito exagerado, era simplesmente aconchegante.

O uruguaio empurrou a bicicleta até a garagem que estava entreaberta, como se estivesse daquela forma propositalmente.

Minhas mãos suavam, e eu já podia ouvir, não muito longe, algumas vozes agitadas, que suspeitei ser dos familiares do homem ao meu lado.

- Acho melhor nem perguntar se você está preparada, né? – Enzo riu, coçando a cabeça.

Revirei os olhos, soltando um riso abafado.

Sem muitas delongas, adentramos a residência dos Vogrincic e logo de cara fomos recepcionados por um jovem, que era, literalmente, uma cópia do meu namorado.

- Finalmente vino a vernos y finalmente trajo a su novia. – O mais novo abraçou o mais velho com ternura, pousando seu olhar em mim, de forma amistosa.

- Este é Angel, Estela! Meu irmão mais novo. – Enzo fez as devidas apresentações.

- Muito prazer em conhece-lo, Angel. – Assenti, sorridente.

- Andei treinando português só para conversar com você. – Angel estava radiante.

- Tenho certeza que vamos conversar bastante. – Afirmei.

- Venham, mamãe e papai estão nos aguardando na cozinha, ela está fazendo uma salada para o astro aqui. – Angel nos chamou, enquanto debochava um pouco do irmão.

Ri um pouco com a situação e seguimos até a cozinha, onde uma senhora de pouco mais de sessenta anos, misturava um balde de verduras.

- ¡Ah, finalmente estás aquí! Estoy terminando el almuerzo, hijo mío. ¿Tu novia tiene hambre? – A mãe de Enzo estava frenética aos nos ver.

Pelo pouco de espanhol que eu conhecia, ela estava contente com a nossa chegada, e estava questionando se eu estava com fome.

- No necesitas apresurarte. – Falei de maneira simples.

A matriarca me olhou de forma afetuosa e se aproximou de mim e de Enzo, nos envolvendo em um abraço caloroso.

- É tão bom ter você aqui em casa, meu filho. – Ela sussurrou. – Melhor ainda com você trazendo uma namorada tão bonita para nos conhecer. – Sua atenção voltou-se para mim.

Senti meu rosto queimar com o elogio e Enzo beijou o topo da minha cabeça em sinal de conforto.

Mais tardar, o pai de Enzo juntou-se a nós e puxou o filho para algum canto da casa afim de mostrar uma melhoria que havia feito a sabe Deus quanto tempo.

Já eu, fiquei entretida com a minha nova sogra olhando com cuidado as fotos do álbum da família. Na maioria delas, a família estava toda reunida, em outras podia ver Angel e o irmão mais velho de meu namorado jogando bola. De acordo com Enzo, o primogênito não havia conseguido comparecer ao almoço por estar viajando a trabalho, mas garantiu que assim que retornasse, iria nos convidar para tomar um vinho em sua casa.

- Oh, olhe este pequeno girassol. – A mãe de Enzo apontou para a figura de um garotinho todo vestido da flor em destaque.

- Não me diga que é o Enzo?! – Perguntei, completamente encantada.

- O próprio. – Ela confirmou toda orgulhosa. – Aqui ele já dava indícios de que seria um grande ator, foi sua primeira peça de teatro na escola.

- Espero que não esteja mostrando o lado vergonhoso desse álbum, mamãe. – Enzo se aproximou, com um sorriso divertido nos lábios.

- Para mim, nenhuma foto de vocês é vergonhosa. – Ela trouxe o álbum de fotos para si, como se quisesse protegê-lo.

- As fotos são realmente adoráveis. – Eu concordei, fingindo seriedade.

Enzo me encarou por alguns minutos com a sobrancelha erguida.

- Tudo bem por hoje, vamos indo chiquita? – Ele questionou, por fim.

Ficamos tanto tempo entretidos com as conversas e fotos, que eu não havia percebido que já era tarde, bem tarde.

- Mas já? Fiquem para o jantar. – Sua mãe insistiu.

- Vamos voltar, mamãe, prometo. – Ele abraçou a mãe e eu fiz o mesmo.

Terminamos de nos despedir do restante da família antes de pegarmos a bicicleta.

Enzo estava tenso, e muito quieto. Claramente algo o incomodava e aquilo tornava toda a atmosfera feliz, em algo cheio de inquietude.

- Está tudo bem? – Perguntei depois de um bom tempo em silêncio.

Enzo parou a bicicleta em frente ao seu prédio e antes de descer, respondeu sem me olhar nos olhos.

- Preciso te contar uma coisa.

Ótimo, o que vem agora?


_________________________________

Adorei escrever esse capítulo, na minha cabeça a família do Enzo é tão receptiva quanto ele!

Enfim, o que será que nosso amorzão tem para contar para a nossa Estelinha?

Deixem seus palpites e não esqueçam do votinho <3

Um beijo da tia Vick!


Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top